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Já temos também aqui conosco o especialista em temas internacionais Vasco Rata, a quem agradeço a disponibilidade para participar nesta emissão especial da Rádio Observador. Ia perguntar-lhe que notas tomou desta primeira intervenção de Donald Trump, agora de regresso à Casa Branca.

Boa tarde a todos. É um discurso, num certo sentido, invulgar, porque normalmente os discursos apresentam uma visão muito idealizada do que será a política da administração. Basta recordar, por exemplo, os discursos de Obama ou de George W. Bush para ter uma ideia. Este discurso é um bocadinho diferente, é muito mais pragmático, é mais simples, num certo sentido, e elenca um conjunto de prioridades. Mas também não é o discurso que Trump fez em 2017, quando tomou posse. Esse discurso era mesmo negro, era uma coisa catastrófica. Portanto, este discurso é um bocadinho diferente, um bocadinho mais positivo.

Também aprendeu alguma coisa com esses quatro anos, Donald Trump, provavelmente.

Nós aprendemos todos com coisas, não é? E, portanto, imagino que sim. Mas no essencial, a visão não é muito diferente. E ele volta a tocar aqui nalguns pontos que são importantes, esta ideia do declínio. Ele diz claramente: "A partir de agora, o declínio acabou." Esse tem sido um tema central da retórica, da visão de Donald Trump. Eu recordo que durante a campanha de 2015, 2016, disse de uma forma, aliás, muito clara, que se tinha candidatado para inverter o declínio, porque na altura Obama também partilhava desta ideia do declínio americano, só que achava que não havia nada a fazer, apenas gerir o declínio. E Trump vem dizer: "Não, vamos inverter o declínio." E, portanto, o que ele agora diz é depois destes últimos quatro anos de uma administração corrupta, foi a expressão que utilizou.

Não foi propriamente meigo, de resto, para com Joe Biden e Kamala Harris, que estavam ali mesmo ao lado do púlpito onde discursava Donald Trump.

Sim, mas também não foram muito meigos para com ele nas últimas duas semanas. Mas de qualquer forma, a ideia que transmite é que depois do seu primeiro mandato, veio esta administração que, ouvindo Donald Trump, até parecia que estávamos a falar de um Estado falhado, que não proporcionava segurança, nada. Um Estado falhado, corrupto, e agora ei-lo de volta para inverter esse declínio. E depois ele elenca um conjunto de prioridades. Eu acho que há umas prioridades internas e externas. Uma das prioridades internas que me parece bem é esta ideia de voltar a promover as liberdades, acabar com a censura, etc. E eu sei que muita gente não concorda ou não gosta de ouvir, mas de facto esta administração Biden deixa muito a desejar no que diz respeito às liberdades, coisas que eram ditas, eram escritas, agora foram confirmadas, por exemplo, por Zuckerberg, quando diz que recebia imensas pressões da administração. O TwitterLeaks já tinha confirmado isso. Portanto, este ponto parece-me ser importante, positivo, como me parece também interessante a ideia de acabar com a politização da justiça, que eu acho que foi um grande problema. No que diz respeito à política externa, eu não sou tão duro como ouvi agora o Ricardo, porque vamos lá ver, esta questão do canal do Panamá, não há nada que Trump disse que não seja verdade