Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Falamos de desporto com o Bruno Vieira Amaral. Bruno, trazes para tema do dia no Euromilhões de hoje: Teatro dos Sonhos a arder. Os problemas no Manchester United não terminam.

Não terminam. O clube orientado pelo holandês Ten Hag está em nono lugar na Premier League, com nove pontos em seis jogos, correspondentes a três vitórias e três derrotas, e parece não sair da cepa torta. Vai ter uma oportunidade para modificar um pouco as coisas já hoje, no encontro para a Taça da Liga contra o Crystal Palace, mas os resultados até agora não têm sido muito positivos, quer no campeonato, com essas três vitórias, quer também no primeiro jogo da Champions, mas aí a derrota é um resultado mais natural, visto que perdeu em Munique contra o Bayern. Mas mais do que os resultados, o que tem preocupado os adeptos são as exibições muito fracas, a dependência dos rasgos das estrelas, em particular de Bruno Fernandes, que marcou o gol na última jornada que deu a vitória frente ao Burnley, e a falta de evolução em relação à época anterior. Esperava-se que esta época fosse de afirmação deste projeto, agora liderado por Ten Hag, e a acrescentar a tudo isto ainda há os problemas fora do campo. E o que está a marcar a atualidade é o de Jadon Sancho, um dos mais promissores jogadores da nova geração da Inglaterra e que em 2021 foi contratado ao Borussia Dortmund por 85 milhões de euros. Mas, nestes dois anos, esta é a terceira época de Sancho no Manchester United, nunca se exibiu ao nível que mostrou no Dortmund. De então pra cá, também começaram problemas entre o treinador e o jogador, quando algumas semanas após a derrota com o Arsenal, o treinador deu a entender que Sancho não jogava e nem sequer tinha sido convocado para esse jogo por falta de empenho nos treinos. O jogador recorreu às redes sociais, desmentiu o técnico e disse que não aceitaria ser o bode expiatório para os problemas da equipe. Agora, como se costuma dizer, o conflito escalou e Jadon Sancho foi proibido de treinar com o restante plantel, remetido para os treinos da equipe do sub-23. Para que a situação mude, Ten Hag exige um pedido de desculpas público por parte do jogador, que parece não estar pra aí virado, apesar de os colegas também já o terem tentado convencer a apresentar esse pedido de desculpas e enterrar o machado de guerra. Mas a guerra não se limita a estes problemas entre Sancho e o treinador. Bruno Fernandes terá discutido com Scott McTominay após a derrota em casa com o Brighton, numa discussão em que também se envolveram Lisandro Martínez e Victor Lindelöf. Não sabemos se há pão, mas no Teatro dos Sonhos todos ralham e não se sabe quem é que terá razão.

É verdade. De resto, falavas desse jogo da Taça da Liga com o Crystal Palace. Estava aqui a confirmar que o próximo jogo no campeonato também é com o Crystal Palace.

Então é uma dupla jornada.

Uma dupla jornada com esta equipa.

É que pode estar dependente o futuro de Ten Hag destes resultados agora nos próximos tempos.

Ele parece por seguro, não sei se pela direção. Também passa-se um bocadinho a ideia de que no Manchester United, os próprios donos do clube estão mais interessados em vendê-lo numa boa altura para se desfazer daquele ativo. E então mantêm lá Ten Hag, porque se calhar não querem gastar dinheiro, quer no despedimento, quer na contratação do novo treinador.

Mas é que vai desvalorizando, não é? Também porque sem resultados desportivos, não conseguem valorizar, apesar de ter um valor que não depende do resultado desportivo imediato. A verdade é que esta conjuntura também não é nada favorável, porque os ativos desvalorizam.

Muito bem, vamos ao futuro. Está tudo a pensar no mesmo. Benfica-Porto, sexta-feira, primeiro clássico do campeonato.

É, depois da Supertaça, que o Benfica ganhou por 2 x 0, os dois rivais voltam a encontrar-se no primeiro clássico deste campeonato, se não incluirmos aqui o Sporting x Sporting de Braga, e as duas equipes vêm de vitórias no campeonato, com o Porto com um ponto de avanço sobre os encarnados. E olhando pra esse jogo da Supertaça, uma coisa é certa: os treinadores não podem apostar nos mesmos 11. No Benfica, Vlachodimos e Ristic saíram do clube. No Porto, Otávio foi para a Arábia Saudita e Ivan Marcano está lesionado. Em princípio, será uma lesão para a época inteira. Pepe também está em dúvida, ele que não alinhou no jogo contra o Gil Vicente. Portanto, aceitam-se apostas, até porque Roger Schmidt promoveu algumas alterações no último jogo contra o Portimonense, dando a titularidade a David Neres, no lugar de Ángel Di María, e a Morato, no centro da defesa, para o lugar de António Silva. E esta será a grande dúvida no 11 do Benfica. Como António Silva não poderá jogar em Milão contra o Inter na terça-feira, pra segunda jornada da Champions, será que Schmidt volta a apostar em Morato ou faz regressar António Silva poupando Morato para o jogo de terça-feira? Também não é muito provável que repita o sistema sem ponta de lança, como fez nesse jogo da Supertaça, que depois até corrigiu na segunda parte com a entrada de Musa. Musa que parece estar à frente de Arthur Cabral aqui nas opções pro ataque do Benfica. Quanto ao Porto, eu diria que nestes jogos Há sempre surpresas a esperar da parte de Sérgio Conceição, que tem sido muito feliz nas visitas ao Estádio da Luz. Em condições normais, Pepe será titular, mas se não estiver disponível, ele precisa pelo menos de um quinto central para ficar no banco, o quinto central no plantel, que deverá ser Zé Pedro, central e capitão da equipa B. Galeno e Taremi também devem ter um lugar assegurado no 11, tal como Diogo Costa, mas Sérgio Conceição também pode optar aqui ou por um reforço do meio-campo, ou então juntar um avançado a Mehdi Taremi para baralhar também e surpreender Roger Schmidt. Os dois jogos que vêm aí para os dois clubes assumem uma maior importância para o Benfica. O Porto depois joga na quarta-feira com o Barcelona para a Champions. O Benfica está em terceiro lugar no campeonato, perdeu na primeira jornada da Champions em casa, perdeu também na primeira jornada do campeonato e está sob mais pressão, porque se perder também desperdiça a vantagem de jogar em casa nesta jornada. Ainda não é possível fazer uma avaliação muito certa da validade das duas equipas. São precisos testes a sério e este jogo será um teste para ambas as equipas e para se ver também em que ponto é que se encontram.

Os adeptos do Futebol Clube do Porto não estão muito contentes com a marcação da Gala Dragões de Ouro, precisamente para quinta-feira à noite, antes do clássico, o que lança também a questão se alguns jogadores vão estar ou não presentes. Não é muito costume, tendo aquele jogo em Lisboa na sexta-feira. Essa gala vai ser na quinta-feira à noite.

Não sei o que será pior, se será a gala na véspera do jogo ou os cinco dias de férias que há uns tempos o Roger Schmidt deu ao plantel. Vamos ver o que tem mais efeito, mas até pode servir de motivação para alguns jogadores se receberem algum prémio.

Talvez. Vamos ao passado. Recordas hoje Alain Prost conquistou o quarto título mundial há precisamente 30 anos no Estoril.

No Estoril e com o segundo lugar.

No Autódromo Fernanda Pires da Silva.

Pois é, eu agora já não me lembrava disso. Fizeste bem em lembrar-me. Este era o meu piloto preferido de Fórmula 1, de sempre.

Como é que é possível?

Mas é assim. Eu gosto dos certinhos, professor, não falha, não arrisca e ganha. Alain Prost, que tinha estado afastado da Fórmula 1 no ano anterior, voltou para assumir a liderança na Williams Renault. Nigel Mansell, campeão do mundo no ano anterior pela escuderia de Frank Williams, foi para os Estados Unidos porque com o regresso de Prost não tinha a garantia de ficar com o melhor carro. E assim o francês, na altura tricampeão do mundo, teve como companheiro o jovem Damon Hill, filho de Graham Hill, que tinha sido campeão do mundo, Graham Hill, e Damon Hill depois viria a ser também campeão do mundo. O grande rival de Prost continuava a ser Ayrton Senna, que apesar das dúvidas com a saída da Honda, permaneceu na McLaren, agora com um motor Ford. Mas o melhor carro era sem dúvida o de Prost, que numa temporada com 16 corridas, só não conquistou pole position em três ocasiões, incluindo o Grande Prêmio do Estoril, em que Damon Hill deveria partir da linha da frente, conquistou esse lugar nos treinos, mas teve de ir para trás porque o carro não arrancou na volta de aquecimento. Na volta 52, já após a desistência de Ayrton Senna, Prost aproximou-se do líder, então Michael Schumacher, num Benetton Ford, mas como lhe bastava o segundo lugar para conquistar o título, fez jus à alcunha de professor e à fama de cauteloso e não arriscou muito, para não dizer que não arriscou nada, permitiu assim a Schumacher ganhar o segundo grande prêmio da carreira e ganhou ele o campeonato do mundo. Nessa época de 1993, Prost também tinha batido o recorde de 50 vitórias em grandes prêmios e antes da prova do Estoril anunciou a retirada definitiva da Fórmula 1. Com quatro campeonatos do mundo, ficava apenas a um de Juan Manuel Fangio, mas nem essa perspectiva de alcançar o mítico piloto argentino foi suficiente para o demover. Fechou um círculo, ele que em 1984 tinha perdido o campeonato para Niki Lauda por meio ponto, precisamente no Estoril, apesar de ter vencido esse grande prêmio. Em 1993, foi então ao contrário, perdeu a corrida, ficou em segundo lugar, mas ganhou o campeonato.

Ali quase também numa passa de geração, com a chegada de Schumacher já a vencer essa corrida pela Benetton. Muito bem, está feito o Euromilhões de hoje, edição do Bruno Vieira Amaral. Rádio Observador. Louro