Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Esta é a tarde política da Rádio Observador. Estamos, obviamente, com atenções concentradas no que se está a passar em Coimbra, onde as inundações são severas e há o risco de colapso dos diques que vão guiando o rio Mondego. Ouvimos aqui, há instantes, as explicações de Fernando de Almeida Santos, o Bastonário da Ordem dos Engenheiros, precisamente sobre a forma como funcionam os diques. Por precaução, cerca de 3500 pessoas foram aconselhadas ontem à noite a sair daquela região, na margem esquerda do Mondego, isto na zona de Taveiro e Erzilla, na freguesia de Coimbra. Estamos, obviamente, com atenções viradas para a possibilidade de colapso do sistema de diques. Por isso, também na região estão o primeiro-ministro e o presidente da República, que estiveram esta tarde juntos com a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, naquela região. Judite França, vamos tentar perceber como está a ser a vida nestas últimas 24 horas na zona de Taveiro. Quem é o nosso convidado, Judite?
Cândido Malva, é presidente da União de Freguesias de Taveiro, Amial e Erzilla. Bem-vindo, obrigada pela disponibilidade, numa altura que se imagina tão difícil. Que ponto de situação pode fazer neste momento?
Neste momento, não chove. Estamos até tranquilos, na expectativa de ver o que é que vai acontecer ao rio. Temos uma informação de que terá ocorrido qualquer coisa da margem direita, mas, sinceramente, ainda não tenho a certeza, a confirmação, se galgou ou se rebentou algum dique. Não sei ainda. Portanto, estou na expectativa de saber concretamente, a confirmação digamos que oficial, do que se passou.
Cândido Malva, o vento está a prejudicar aqui um bocadinho a nossa comunicação, mas percebemos que tem notícia de algo que terá acontecido na margem direita, mas consegue saber ou localizar em que local foi?
Ainda não tenho bem a certeza.
Nós tivemos, entretanto, notícia que o rio ultrapassou a fasquia dos 2000 metros cúbicos por segundo, que funciona aqui como sinal de alarme. As pessoas foram aconselhadas a sair ontem à noite. As pessoas estão a ser levadas para onde? Explique-nos aqui um bocadinho melhor como é que é esse processo, porque no fundo, estamos a falar de 3500 pessoas.
Sim, no caso das 3500 pessoas, é o total a ser apurado.
É toda a zona, não é?
Sim, não é só, digamos, da minha união das freguesias, como também da Ribeira. Agora elas, sim, ontem já foram aconselhadas a saírem e a deslocarem-se para a escola EB 2, 3 de Taveiro.
Quantas acederam a sair de casa e, de alguma forma, foi difícil convencê-las? Porque temos noção que andou ontem a bater à porta das pessoas.
Sim, eu e a minha equipa andámos divididos. Posso lhe dizer que para a escola foram cerca de 20 pessoas. Outras pessoas foram para casa de familiares e, atrevo-me a dizer que o maior número de pessoas ficaram nas casas, porque algumas têm primeiro andar e sentiram-se seguras lá ficar no seu primeiro andar, caso fosse necessário.
Portanto, as pessoas não são obrigadas a sair, é isso?
Não. Nós apenas aconselhámos que elas saíssem. Agora, obrigadas, não.
Ajude-nos aqui a perceber um bocadinho melhor. Vou lhe pedir aqui um favor ao presidente Cândido de Malva, se consegue fazer uma conchinha com a sua mão à frente do telefone, porque o vento está mesmo a prejudicar a audição das suas palavras.
Está melhor agora?
Sim, está muito melhor e consegue proteger do vento. Para tentar perceber melhor o que se está a passar, a zona aí está alagada, as inundações aí na sua área, na zona de Taveiro. Se se der o colapso de um dique, quanto tempo há para reagir, e se é imediato, ajude-nos a perceber quais podem ser as consequências disso.
Confesso que não lhe sei dizer. No entanto, a experiência de alguém que me confidenciou, no passado, quando aconteceu, demorou cerca de três horas a chegar à casa. Desta vez, considerando que as terras estão cheias de água, coisa que não estavam no passado, poderá ser mais rápido.
Portanto, está a dizer que os terrenos aí estão alagados.
Sim, muito. Inclusive, temos estradas já alagadas.
Já têm estradas fechadas?
Sim, temos pelo menos uma estrada que já está fechada porque já está alagada.
Cândido Malva, a nossa conversa começou por aí, talvez possa precisar isto. Está a circular a informação de que um dique na zona de Taveiro terá rebentado.
Não, na zona de Taveiro, não. O dique que poderá ter rebentado, ou então que a onda galgou, será mais para a zona dos Casais. Mas como eu disse, não tenho a informação oficial, mas será mais na zona dos Casais e para o lado direito.
Na margem direita, portanto, o lado norte do rio.
Exactamente. Nós estamos na margem esquerda.
Em 2001 colapsou um dique. Deixe-me fazer a pergunta assim: que lições se tiraram nessa altura para agora?
Pelo menos prevenção. Atuarmos mais rápido na prevenção, no alerta às pessoas para estar mais despertas para o próprio dia acontecer. E essa foi a principal lição. Claro que já não vamos falar de sabermos que temos que colocar os móveis ou outros bens o mais alto possível e depois estarmos atentos, como eu disse, a tudo o que possa acontecer.
Mas, por exemplo, continuou a construir-se nessa zona de risco?
Pois, isso é verdade.
Continuou.
São zonas historicamente inundáveis, mas que ainda aparecem e ainda vão fazendo algumas construções. Sim, exatamente.
E à medida que fazem as construções, também impermeabilizam os solos, não é?
Pois. É óbvio que essas construções estão a ser feitas, e eu tenho reparado nalgumas novas, acho que já estão feitas há anos a esta parte. Não se tem avançado mais para o lado do rio.
E o Cândido Malva, o que precisa nesta altura? O que lhe faz falta, o que precisava? Se pudéssemos ajudar com alguma coisa, o que precisava?
Que parasse a chuva, para as condições climatéricas começarem a melhorar e ficarmos todos descansados e sabermos que o rio não ia arrebentar, ou se é que já não arrebentou, mas não iria causar estragos para ninguém, nem humanos, nem de bens materiais, nem das terras de agricultura. Era isso que nós precisávamos.
Deixe-me perguntar-lhe exatamente sobre isso, sobre os terrenos agrícolas, já estão todos alagados?
Pois, é verdade.
O que significa que os prejuízos estão a bater à porta.
Já são alguns. O rio ou o dique arrebentando para um lado ou para o outro, confirmando-se essa situação, será pior.
Cândido Malva, muito obrigado por ter estado aqui em direto, sobretudo neste período tão sensível para a freguesia. Obrigado também pela sua descrição, para nos ajudar também a perceber um pouco melhor os momentos que se vão vivendo a esta hora. Muito obrigado.
Obrigado também, boa tarde.