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Explicador da Rádio Observador, na noite da passada quarta-feira, há praticamente uma semana, no dia 24, dois sismos muito violentos atingiram sobretudo a região norte da Venezuela, deixaram um rasto de morte e destruição, a afetar a região de Caracas, onde está Hélder Teixeira, luso-venezuelano, que se junta a nós neste Explicador. Bem-vindo, Hélder Teixeira.

Olá, boa tarde.

Falamos aqui semana passada, o Hélder Teixeira ajudou-nos a perceber como foram as horas seguintes a estes violentos sismos. Quase uma semana depois, continuam a sentir-se réplicas, algumas mais violentas. Na noite passada verificou-se um novo abalo na costa venezuelana. Como é que têm sido estes dias, Hélder Teixeira?

Recentemente, no dia de ontem, houve mais um episódio, não foi tão forte e foi rápido, mas conseguiu-se sentir logo às 7h da manhã. Foi o registo de um 5.1 perto da costa da zona de La Guaira e mais um na parte que se chama Aragua, no estado Aragua, Maracay. Esse foi um bocado mais leve, mas também fez com que se sentisse aqui. Obviamente, muitas pessoas ativaram nesse momento protocolos, os resgatistas etc., porque apesar de ter sido curto, foi bastante forte. Sentiu-se com força.

Como dizemos em português, estão a viver com o credo na boca. Imagino que não seja fácil viver assim, tentar descansar. Como é que tem sido?

Por acaso eu tinha um dos meus filhos, o mais moço, o meu novo, tem cinco meses, estava no hospital por uma questão respiratória, por uma gripe forte que tinha acontecido. Nesse momento, começou o protocolo dentro do hospital, nesse caso aqui a clínica, e começaram com o protocolo, mas como foi tão rápido, depois eles mandaram tudo manter calma, avaliaram que estava tudo bem e continuou tudo na normalidade. Mas a questão é que aqui a cada instante, quando se sente qualquer movimento, porque aqui há muitas réplicas, penso que vão por acima das 2 mil réplicas, alguma coisa assim, obviamente todo mundo aqui está atento e à expectativa, com os nervos. Mais ainda naquelas zonas onde atingiu bastante forte e onde aconteceram as coisas mais graves. E é normal, quando tu voltas a sentir, até mesmo quando estás em algum lugar e vês algum móvel, alguma coisa que está a mexer, já tu estás a pensar que aquilo está tremendo novamente, é aquela sensação que fica na pessoa.

E como é que tem sido o acesso a comida, água, energia? Nós aqui, tão longe, vamos ouvindo e vendo as reportagens que vão chegando, as tentativas de salvamento, de resgates, equipas de resgate no terreno, mas na vida quotidiana, como é que tem sido, por exemplo, o acesso a comida, a água?

Está tudo normal, os grandes automercados, as cadeias de grandes comércios e armações grandes estão a trabalhar, mas aquilo que é escolas está tudo fechado, por enquanto. Mas a questão de comida, às vezes, porque há muita procura de comer, a água às vezes falha em alguns sítios, mas sempre se consegue. Obviamente, alguns pontos em que não se está a conseguir muita coisa, porque é difícil o acesso e então tem que ir aquelas pessoas que ajudam, colaboram. Há muitas pessoas a colaborar, donos de negócios, as pessoas com motas vão muito lá levar insumos, água, comida, roupas, tudo.

E há muitos voluntários também. Também temos tido notícia de alguma tensão entre a população e as autoridades.

Sim, tem havido algumas pessoas que aproveitam estes momentos para fazerem coisas inapropriadas, pessoas que estão a tentar aproveitar de algumas coisas que ficam nas casas dos outros e vão lá roubar. Tem acontecido muito isso, mas chega pronto no momento, às vezes as mesmas pessoas chegam ou autoridades chegam e Ajuda, mas é um tanto complicado, porque é uma zona bastante grande e são muitos prédios. Às vezes é a própria população da localidade que está, nesse momento, pendente daquelas coisas e a proteger os patrimónios dos outros e os próprios deles também.

Temos aqui notícia oficial, são números atualizados pelo governo português, de 60 mortos entre a comunidade portuguesa, entre portugueses e lusodescendentes. 86 é o número oficial agora, continuam dados como desaparecidos. Este número pode, obviamente, aumentar agora nos próximos dias, não?

Sem dúvida, assim como tem aumentado também o número geral aqui de pessoas. É normal e pode, sim, aumentar. Aqui já se fala de desaparecidos, só na parte de La Guaira, mais de 50 mil pessoas desaparecidas. Está um grande número de portugueses, porque lá naquela zona tinha bastantes.

Hélder Teixeira, muito obrigado pela sua disponibilidade. Obrigado por ter estado aqui em direto. Sempre nos vai ajudando com o retrato de quem está no terreno, a perceber um pouco como estão a ser estes dias na Venezuela, que foi palco de dois devastadores tremores de terra e depois de várias réplicas que seguiram. E nesta altura, o número de portugueses mortos ou de lusodescendentes é de 60 e há ainda 86 pessoas dadas como desaparecidas.