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Estamos de olhos postos na onda de calor que está a afetar Portugal, está a arrancar agora em força e os próximos dias vão ser muito quentes. Hoje já está muito calor, amanhã está pior e na sexta será ainda pior. Como já ouvimos nesta hora, aqui na "Tarde Política" da Rádio Observador, o governo e as autoridades de saúde preveem o aumento da mortalidade em todo o país. Não foi avançada uma ordem de grandeza para esta previsão, mas é possível que a mortalidade aumente devido ao calor nos próximos dias. E foi pedido às autarquias, pela parte do governo, que se criem zonas frescas, acesso a ar condicionado, para acudir às populações mais vulneráveis em edifícios públicos. Vamos fazer uma ronda por vários concelhos do país, tentar perceber o que está a ser feito, como é que tudo isto está a ser coordenado. E vamos começar por um concelho onde a esta hora estarão sensivelmente 39 graus, Idanha-a-Nova. Temos conosco Manuel Monteiro, coordenador municipal da Proteção Civil de Idanha-a-Nova. Bem-vindo, Manuel Monteiro. Consegue fazer-nos um ponto de situação em relação ao calor aí e como é que a autarquia está a preparar estes dias?

Sim, boa tarde. Obrigado por nos deixarem fazer esta explicação e boa tarde também ao auditório. Idanha é um dos concelhos mais quentes do país. Neste momento a temperatura, como disse muito bem o Ricardo, são 39 graus. E aquilo que nós fizemos, nós temos, e já temos isto há alguns meses, um protocolo com uma empresa que nos faz tipicamente as previsões meteorológicas para o nosso concelho e com isso conseguimos antecipar algumas medidas de prevenção. O que nós fizemos, para além de ter os espaços municipais abertos durante o dia para alguma necessidade que haja de urgência, os quais são climatizados, contactámos as Juntas de Freguesia, uma vez que o nosso concelho é o quarto maior do país, tem 413 quilômetros quadrados. Temos cerca de 8,4 mil habitantes, a maior parte deles já com mais de 65 anos, e encontram-se nos grupos mais vulneráveis a estas ondas de calor. O que é que nós fizemos? Contactámos os presidentes de junta e contactámos também IPSS. Nós temos a facilidade de em cada freguesia termos uma IPSS, tirando duas que não têm valência de centro de dia, todas as outras têm centro de dia, e nós contamos com eles precisamente para isto. Ou seja, para além dos utentes que estão na valência de centro de dia, se eles poderiam ter mais algumas pessoas, não muitas, claro.

E vai ser possível?

Sim, e vai ser possível nós utilizarmos isso, ou seja, é-nos mais fácil em cada freguesia, como temos a valência das IPSS, são as casas de misericórdia, nomeadamente, e centros de dia, albergar duas, três, quatro, cinco pessoas durante as oito horas ou período mais quente do dia.

E com transporte assegurado também?

Sim. Em caso de transporte, será a própria IPSS a fornecê-lo, então será a Câmara, através do Serviço Municipal de Proteção Civil, que fará esse transporte e todo o nosso serviço de transportes que nós temos.

E a nível da unidade de saúde, haverá algum cuidado redobrado?

Nós temos aqui só um SAC, em Idanha, que funcionará dentro do horário normal, se tiver médico, mas penso que funcionará dentro do horário normal. De qualquer das formas, nós aquilo que vamos estar sempre em alerta, também aqui em conjunto com o gabinete de ação social da própria autarquia, estaremos sempre alerta e atentos a qualquer ocorrência que possa acontecer. Para além de divulgação que nós fizemos já há dois dias, precisamente chamando a atenção sobre as condições climatéricas que se avizinham, que ao nosso alcance, porque aquilo que nós percebemos, temperaturas superiores a 42 graus.

Exatamente, sim.

Superiores a 42 graus e que se irão prolongar até dia 12, havendo uma ligeira descida da temperatura na noite de 11 para 12. E como somos um concelho da parte interior de uma grande área, para além da onda de calor, também temos a questão dos incêndios.

Exatamente.

Também temos a atenção redobrada.

Esse é outro problema que certamente vamos ter. Manuel Monteiro, muito obrigado pela sua disponibilidade e por nos explicar o que o concelho de Idanha-a-Nova está a fazer. Ouvimos aqui que é o quarto maior concelho, em área, do país, mas em número de habitantes estamos a falar de pouco mais de 8 mil habitantes, população na sua maioria idosa e que precisa de alguns cuidados. Percebemos aqui que, em conjunto com as Juntas de Freguesia e as IPSS, estão reunidas aqui algumas condições para garantir que esta população tem abrigo fresco, vamos chamar assim, durante os períodos de maior calor. Ora, se em Idanha-a-Nova estão 39 graus a esta hora, a temperatura em Portalegre também não é muito diferente. Temos conosco a vereadora com o pelouro da Proteção Civil, Laura Galão. Bem-vinda, senhora vereadora. O que o concelho de Portalegre está também a preparar para estes dias muito quentes?

Muito boa tarde a todos, obrigada pelo convite. Em representação da senhora presidente, queria juntar-me a esta emissão. Efetivamente, nós podemos dizer que o concelho de Portalegre e a nossa região têm grande tradição de temperaturas altas.

Muito frio no inverno, muito calor no verão.

Muito frio no inverno, muito calor no verão e, portanto, a nossa população, de alguma forma e ao longo do tempo, também tem vindo a adaptar-se a estas condições atmosféricas, que cada vez são mais agressivas e mais prolongadas no tempo com estas ondas ou de calor, ou de frio. O município tem que encontrar aqui algumas alternativas para que a população e a comunidade possam passar da melhor forma estas ondas de calor.

E que soluções foram essas, as encontradas, entretanto?

Nós fazemos, por um lado, para a questão dos trabalhadores, adaptar alguns horários e alguns trabalhos para horários de menos calor. Temos também a adaptação das escolas e garantir que as escolas e os espaços da ATL possam estar com climatização adequada para que os tempos possam passar e as temperaturas não se façam sentir junto das crianças. Há também uma rede de ação social que vai fazendo o acompanhamento, com as várias entidades, dos idosos com maior vulnerabilidade. Há um conjunto de iniciativas que abarcam os vários quadrantes da nossa comunidade e que estão a ser trabalhados. Temos também as zonas de lazer, as piscinas nas freguesias rurais, com zonas frescas, às quais permitimos o acesso das crianças que estão em período de ATL ou final da época escolar. Há algumas iniciativas que nós vamos tomando, o aconselhamento para associações não fazerem eventos nas alturas de maior calor, damos esse aconselhamento também.

E o Hospital Distrital está num nível normal de funcionamento ou foi elevado para um nível mais especial?

Daquilo que é do nosso conhecimento, e nós temos uma relação muito próxima também com a Unidade Local de Saúde, neste momento ainda não se observa nenhum agravamento da procura. Não temos essa informação, caso contrário, já também nos teria sido comunicada. No entanto, dizer também que esta iniciativa do governo, em conjunto com a Direção Geral de Saúde, da disponibilização destes guias para os municípios, com recomendações para as ondas de calor, que é também uma forma de estarmos todos articulados e todas as entidades envolvidas, estarem todas articuladas e poderem promover aqui o bem comum, que é o bem-estar das nossas comunidades nestes dias críticos.

Senhora vereadora, muito obrigado. Conversámos aqui com a Laura Galão, vereadora com o pelouro da Proteção Civil de Portalegre. Já passámos aqui por Idanha-a-Nova e por Portalegre, ambas as cidades com 39 °C a esta hora. Não vamos agora para muito longe de Portalegre, vamos para bem perto, para Estremoz. Também está muito calor, cerca de 39 °C a esta hora em Estremoz. Chamamos para a conversa o vereador Carlos Machado, que tem o pelouro da Proteção Civil em Estremoz. Bem-vindo, Carlos Machado. Já ouvimos aqui Idanha-a-Nova, também Portalegre, dois concelhos que se estão a preparar também para este calor. Já sabemos que em Estremoz a população está muito habituada ao frio e ao calor extremo também, mas há alguma medida especial que vá ser tomada agora por estes dias?

Ora, em primeiro lugar, desde já boa tarde a todos e foi um gosto o convite que tiveram para participar com vocês nesta partilha de informações. Aqui, como já disse, o Alentejo e Estremoz, em particular, têm essa vertente. É um tempo muito frio no inverno e é bastante quente e seco nos períodos de verão. A população, de certa forma, já tem conhecimento, já é uma rotina de muitos anos, sempre assim tem sido. De facto, nestes últimos anos, penso, e é naturalmente o motivo, as alterações climáticas têm levado a que tenhamos mais dias seguidos de temperaturas mais altas.

E está a ser preparado algo de especial para garantir o acesso das populações, nomeadamente os mais vulneráveis, a locais frescos por estes dias ou não?

Estamos a tomar aqui algumas medidas, para já simples, que começam logo na divulgação dos cuidados a ter. O outro aspeto em que temos o nosso espaço verde, que é um pequeno jardim no centro da cidade, que habitualmente fecha ao verão, iremos deixá-lo como um espaço aberto para quem quiser aproveitar durante a noite ou até mais tarde, dar uma volta.

Até porque as noites vão estar muito quentes, não é?

Sim. Deixaremos o acesso ao público para quem entender passar por ali, estar ali algum tempo, que é mais agradável. Também justamente esse jardim, é uma recomendação que fazemos, a quem faça um passeizinho ou quem queira sair à noite, procurar refrescar junto ao nosso lago, que tem um espelho de água bastante grande, tem os repuxos. São locais que se tornam um pouco mais úmidos e frescos, mesmo durante a noite.

Sim, senhor.

Vamos reduzir em meia hora aqui no nosso mercado o período de venda. A ideia seria mais nestes fins de semana, mas iremos alargar, para não andarmos sempre com alterações, até ao fim do verão. Vamos reduzir para meia hora no funcionamento. Começa de manhã, a partir das 07:00. É um mercado tradicional que temos aqui e vamos encurtar, em vez de ser até às 15:00, vamos fazer o encerramento às 12:30.

12:30.

Não é muito, mas já é meia hora, em menos essa meia hora de exposição e de quem espera. Mesmo os próprios vendedores que estão à espera para iniciar a retirada das suas coisas. São pequenas medidas que estão a ser antecipadas um pouco.

Para tentar minimizar esse calor.

E a outra questão que também temos aqui a preparar, embora hoje tenha a reprogramação dos programas de rega, naturalmente que ao fim da tarde e durante o serão, serem períodos mais alargados, não só para intensificar a questão da rega, de relvas e jardim, mas também no sentido de refrescar um pouco o ambiente.

Exatamente.

E quem passeia por essa zona, também sentir ali um pouco mais fresco. Mas estamos a falar de uma população que está habituada a este tipo de calor.

Carlos Machado, muito obrigado pela sua disponibilidade. É o vereador com o pelouro da Proteção Civil de Estremoz. E vamos um pouco mais para oeste, ainda no Alentejo, para o maior concelho em área do país, para Odemira. E junta-se a nós o presidente da Câmara Municipal, Hélder Guerreiro. Aí, em Odemira, Hélder Guerreiro, há um problema diferente daquele que ouvimos aqui em relação a estes concelhos mais do interior, onde há uma população muito idosa. Aí, além da população idosa, tem uma série de trabalhadores no campo. Como é que tudo isto se vai conjugar agora nestes dias? Há algum plano especial da Câmara?

Antes de mais, boa tarde, muito obrigado pelo convite para me juntar aqui ao programa. Referir apenas, sim, que nós estamos, da parte da autarquia e daquilo que nos compete, já identificámos um conjunto de locais que podem, de alguma forma, servir ou ser locais mais frescos, que contamos divulgá-los também agora até o final da semana, de maneira que as pessoas possam, caso assim necessitem, tenham esse acesso. Felizmente, nós, o Conselho de Odemira, também tem aqui um dos grandes provedores de um ar mais fresco, que é todo o Oceano Atlântico, que acaba por aqui na zona.

O mar ajuda.

O mar ajuda bastante a diminuir também o impacto das ondas de calor e, de uma certa forma, também é um refúgio, as nossas praias e a zona mais próxima do mar, seja do mar, seja da própria barragem do rio. Há uma espécie de paisagem aquática contínua que, de alguma forma, ajuda essa população.

Ameniza.

Ainda assim, de facto, nós temos uma relação muito direta aqui com a GNR, com a identificação de fatores que estão em condições de isolamento, com as próprias IPSS, para acautelarmos e termos essa preocupação com os mais idosos que estão em casa. Apesar de termos problemas, preocupações e desafios noutras áreas demográficas, mas, na verdade, também com os idosos estamos com essa preocupação e temos aqui este contacto direto com as IPSS e com a GNR para prevenir e também salvaguardar alguns casos mais preocupantes e de maior risco. Por outro lado, de facto, aqui com as empresas no Conselho, esta população migrante que trabalha aqui nas estufas, naturalmente vai ter que ter aqui um trabalho específico com as próprias empresas. Esse é um contacto que nós estamos agora a iniciar e tentar perceber se podem haver algumas soluções na alteração de horários de trabalho, se existem situações ou não de risco. Sabemos bem que os alojamentos provisórios, chamemos assim, mais provisórios do que precários, os alojamentos provisórios ou temporários para estes trabalhadores temporários têm condições de ar condicionado nos alojamentos e nos espaços comuns. Isso foram objeto de licenciamento de várias entidades. Por aí pensamos que está salvaguardada a qualidade de vida destas pessoas no decorrer desta onda de calor. No entanto, preocupam-nos essencialmente as questões durante o dia de trabalho e essa é uma questão que nós iremos agora iniciar essa conversa com as empresas para perceber se existe alguma necessidade, preocupação, que possamos em conjunto tratar.

Para além dos incêndios, que também têm fustigado bastante o seu concelho.

Isso é sempre um problema, de facto. Ainda hoje, neste momento, estamos com um incêndio aqui na freguesia de São Luís. Pensamos que os meios no terreno vão resolver até o final do dia essa ignição, chamemos assim, mas preocupa-nos bastante. Não só os incêndios, mas todas as pessoas, neste caso, os nossos sapadores florestais que estão em processo de vigilância, e todo aquilo que é o efetivo, que é preciso realmente ter cuidado com estes trabalhadores que estão em pontos quentes, em pontos difíceis e em pontos de risco e também atravessam ou vão passar aqui, de alguma forma, uns dias complexos.

Hélder Guerreiro, muito obrigado pela sua disponibilidade. Ouvimos aqui o presidente da Câmara Municipal de Odemira. Também falámos com autarcas de Estremoz, Portalegre e Benafim. No fundo, zonas muito habituadas ao calor. Saber como estão a preparar estes dias de muita canícula que aí vem.