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Na Rádio Observador falamos agora de um concerto especial que acontece hoje na Assembleia da República. O Parlamento Português continua a assinalar os 50 anos do 25 de Abril, comemorações que se estendem até 2026, nos 50 anos da aprovação da Constituição. E hoje, Miguel Cordeiro, há um momento especial para este período de comemorações. Logo à noite, às 21h, concerto Rui Veloso. É este sábado, um concerto com a Banda Sinfônica da GNR. O espetáculo inclui arranjos únicos, concebidos por John Beasley, reconhecido músico e compositor norte-americano. Já venceu um Grammy. É um concerto que acontece na escadaria exterior do Palácio de São Bento. Tem entrada gratuita, é este sábado. E na Rádio Observador falamos nos próximos minutos com Rui Veloso e também José Pedro Aguiar Branco, presidente da Assembleia da República. Sejam muito bem-vindos. Rui Veloso, começar por perguntar: de alguém que já atuou em tantos palcos, como é preparar um concerto na Assembleia da República? É um momento alto?

Especialmente, essa envolvência toda é um momento, para mim, altíssimo. O sítio que é, com quem eu vou tocar, os arranjos, o John Beasley, que ganhou já dois Grammys, não um.

Correção.

Não, sem problema.

Ótimo.

Eu sou seu dono e ele ganhou dois Grammys de arranjo, dois arranjos absolutamente incríveis. Eu sou fã do John, ele é músico com quem eu tenho muitas afinidades. Já somos amigos há uns anos e portanto foi também uma boa oportunidade de fazer qualquer coisa com ele. E realmente, é um momento muito diferente e especial. Não são coisas que normalmente se fazem por cá.

Claro, são sempre concertos especiais. Temos aqui arranjos de John Beasley e temos a colaboração com a Banda Sinfônica da GNR. Como é preparar um concerto também com uma banda sinfônica?

Eles são muito bons músicos, portanto não é muito complicado. Aquilo está tudo escrito, o John escreve tudo, os arranjos todos.

Claro.

E eles como são bons músicos, nós tivemos três ensaios. Um só a banda e depois já comigo e com os meus músicos, dois. E aquilo correu muitíssimo bem, são muito bons músicos e portanto com competência e com qualidade é bastante mais fácil de fazer as coisas. Claro, somos todos humanos e nós podemos falhar, é possível, mas como a coisa está feita, acho que vai correr bem.

Muito bem. José Pedro Aguiar Branco, qual é que é o objetivo aqui? Como é que surgiu esta ideia de organizar este concerto?

Como sabe, eu tenho tentado sempre em que o Parlamento seja um espaço aberto. Dizemos muitas vezes que é a casa da democracia, é a casa de todos nós e tudo o que possamos fazer para que haja esse sentido de pertença por parte de todos em relação a uma instituição fundamental da democracia, acho que estamos a ajudar a aproximar precisamente os eleitos dos eleitores, aquilo que tem a ver com o povo sentir-se bem nas suas instituições, com dignidade e respeito, mas com sentimento de pertença. E acho que das muitas iniciativas que temos feito de o Parlamento aberto, esta é mais uma, com uma característica especial, com a música, que é sempre algo que une a todos, de todas as cores, e portanto, significa que também aqui é um espaço onde vamos ter seguramente aquilo que todos desejamos que seja um Parlamento, que é o espaço de todos, independentemente das suas motivações políticas e com um cantor de exceção que marcou a minha geração e marca várias gerações pela elevada qualidade, que é o Rui Veloso. E com uma singularidade também este concerto em concreto, porque junta a Banda Sinfônica da GNR, com a excelência também que o Rui já pôde dizer, num concerto que tem esses arranjos também de um músico de exceção. Portanto, eu acho que estamos aqui num momento único, num cenário único e que, espero eu, vá ao encontro dos objetivos de todos nos sentirmos bem no Parlamento também desta forma.

E José Pedro Aguiar Branco, sendo assim a expectativa é que a casa esteja cheia.

Sim, espero que sim. Fica aqui também o convite a todos que possam ir, aliás, porque é um concerto gratuito. Portanto, podemos todos festejar e ver esse momento sem custos para as pessoas e de forma livre. E acho que isto é um momento que realmente, pela singularidade que tem, marca os 50 anos também da nossa democracia, uma longa carreira também do Rui, que por si só também é um marco importante para ele próprio. E portanto acho que temos aqui todos os ingredientes para que seja uma grande noite, assim espero, e espero que vá ao encontro dos interesses e das motivações de todos.

Só para perceber, há aqui algum convidado especial? O José Pedro Aguiar Branco vai estar presente, deputados, presidente da República, figuras que vão estar presentes também para assistir a este concerto?

Não há propriamente convites oficiais, portanto vai quem quer. Os deputados que queiram vão, as pessoas que o desejem também. Portanto, não há propriamente convites dirigidos especialmente a A, B ou C. Pretende-se mesmo que isto seja uma grande manifestação também popular e que todos possam, com grande satisfação, poder beneficiar e saborear este momento. É isso que eu espero.

Rui Veloso, queremos saber como é que seleccionou o repertório para este concerto e se houve a preocupação de incluir temas específicos relacionados com a liberdade e a democracia, que é aquilo que estamos a celebrar.

Não, não houve essa preocupação. Houve mais a preocupação de fazer temas de que eu gosto particularmente e que não costumo fazer, e que gostaria muito de fazer com arranjos de orquestra. Aproveitei isso para pedir ao John para fazer alguns arranjos de temas que não são muito vulgares nos meus concertos. Outros que já tinham arranjos do Bernardo Sassetti, por exemplo, que o John orquestrou para a Banda Sinfónica. No fundo, as letras do Carlos Té falam sempre do quotidiano do português, são sempre letras que celebram o nosso povo, a portugalidade. É um grande poeta da música portuguesa, um filho do 25 de Abril. E nós vamos tocar precisamente para o legítimo proprietário da casa, que é o povo. Vamos tocar na casa do legítimo proprietário, que vai estar a assistir.

A casa de todos nós, a casa da democracia.

Os proprietários da casa que vão ver, exactamente.

Exatamente. Já a chegar ao fim, José Pedro Aguiar-Branco há pouco falava, deixava este convite a todos. A entrada é livre? Como é que isto funciona? Basta as pessoas dirigirem-se ao local e podem assistir a este concerto? Há algum valor limite, alguma limitação?

Eu desconheço. Só o José Pedro saberá alguma coisa.

José Pedro Aguiar-Branco.

Espero que as escadarias da Assembleia, que tantas vezes servem para o povo se manifestar, também aqui possam manifestar-se em união, num momento que se pede singular com a música. Ficarei muito satisfeito se tivermos dificuldade em arranjar lugar, embora aquilo esteja preparado. A escadaria é realmente grande, o espaço em frente à Assembleia também é grande. Eu acredito que vai ser possível termos o calor humano suficiente e que todos possam beneficiar deste singular concerto, que seria muito bom para assinalar precisamente, até depois das eleições, o momento de festejo de um acto eleitoral, que como sabemos, decorreu sem incidentes mais uma vez. Com a abstenção a baixar, o que significa que estaremos também a celebrar esse momento maior, que é quando o povo se expressa nas urnas e que ainda recentemente o fez, e estamos a praticar a democracia.

José Pedro Aguiar-Branco, Rui Veloso, muito obrigado. Miguel Cordeiro, é um concerto a não perder.

Obrigado também.

Um abraço aos dois. É de facto um concerto a não perder. Rui Veloso, Comanda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana, 21h, escadaria exterior do Palácio de São Bento. Tem entrada gratuita, escadaria da Assembleia da República. É este sábado, é esta noite às 21h. A não perder.