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Seja bem-vindo a mais uma edição do Explicador das manhãs 360. Esta sexta-feira vamos falar sobre a cada vez mais que provável candidatura do almirante Gouveia e Melo à Presidência da República. E olhamos, em particular neste Explicador, para a criação do MAP, Movimento de Apoio do Almirante à Presidência. A moderação do Explicador está a cargo do Bruno Vieira Amaral e do Paulo Ferreira.

Muito bom dia. Foi anunciado ontem pelos próprios dois maçons influentes, José Manuel Nunes e Paulo Noguez, que estão a constituir o tal MAP, o Movimento de Apoio do Almirante à Presidência. É precisamente José Manuel Nunes que hoje teve disponibilidade para estar conosco. Bom dia, bem-vindo a este Explicador.

Muito bom dia.

Deixe-me começar por perguntar quando é que comunicaram a Gouveia e Melo esta vossa iniciativa?

Nós não comunicamos. E, de facto, creio que até poderá haver uma restrição da parte do nosso almirante, que nós admiramos e que nos conhece, conhece este grupo, mas houve aqui uma precipitação da nossa parte. Mas a questão é esta: basicamente, ele sabe quem somos, sabe que conta com o nosso apoio. Isto, no fim de contas, seria apenas um núcleo para a futura organização da estrutura da campanha.

Mas existe algum contacto entre o grupo e o almirante?

Sim, ele conhece-nos já. Tivemos vários contactos, sem dúvida nenhuma. Claro.

E têm a confirmação de que Gouveia e Melo irá avançar para uma candidatura presidencial?

Não, ele nunca disse, nunca confirmou essa hipótese, mas é nossa convicção que realmente isso vai acontecer.

Conhecendo tão bem, sendo tão próximos, a vossa convicção é baseada em mais do que aquilo que aparece nas notícias, certamente.

Provavelmente. Repare, a questão é esta: nós conhecemos o almirante e temos uma grande admiração por ele. E na verdade, eu penso que ele tem todo o direito de ainda ter alguma reserva e escolher o momento para anunciar a candidatura, mas eu penso que isso será certo. É um facto que nós não deixamos de acreditar. Pelo contrário, acho que vai acontecer.

E esta é uma forma também de incentivar o almirante Gouveia e Melo a avançar para a candidatura presidencial, uma forma de o pressionar?

Exato. Pode ser entendida nesse sentido e nós gostaríamos que não fosse entendida nesse sentido. O que acontece é que nós temos alguma experiência do terreno e temos tido muitos contactos com as pessoas, aquele povo que o admira e quer que ele seja candidato. E às tantas já estamos a ver, da parte dessas pessoas, algum tipo de, não digo desespero, mas uma certa angústia. "Mas ele avança, não avança, não será tarde?" É evidente que não é tarde de modo algum, mas esta é a nossa atitude basicamente para darmos um sinal às pessoas que o admiram, que estão com ele e que vão votar nele, que tenham calma, que isto já está a começar a andar um pouquinho. Claro que tudo depende da sua decisão e penso que estará para breve, mas é ele que decide e eu penso que ele até terá ficado talvez um pouquinho aborrecido com a nossa atitude, mas eu conheço-o muito bem.

Por que fez isso, José Manuel Nunes?

Porque ele gosta de manter os ritmos e tem todo o direito. Ele não gosta de ser pressionado para nada. De qualquer modo, acho que ele já percebeu que isto é apenas um movimento das bases e que não há pressão nenhuma. Nós estamos tranquilos quanto ao timing que ele escolher para anúncio da candidatura.

E José Manuel Nunes, que bases são essas? Porque obviamente que isto é uma candidatura que não passa por partidos, por nenhum partido. As referências que foram dadas por aquilo que o José Manuel Nunes e o Paulo Noguez, pela vossa participação cívica, se quiserem, são dois maçons influentes. Essas bases passam de alguma maneira pela maçonaria, por alguma loja maçônica portuguesa?

Não. Isso é que agradeço que fique esclarecido, porque de facto nós somos maçons da Grande Loja, mas também temos membros do Grande Oriente e há não maçons. Portanto, isto é uma candidatura ampla, assim como sob o ponto de vista político, temos gente do centro-direita e do centro-esquerda. Basicamente é isso que acontece e estamos confortáveis com essa dimensão. Agora, é preciso dizer que o almirante Gouveia e Melo não é maçom. Isso eu, como ex-grão-mestre, afirmo e considero que é uma grande mentira essa notícia que foi propagada num órgão de informação e que não tem nada a ver com a realidade. O almirante Gouveia e Melo não tem nada contra a maçonaria, mas não é maçom.

Mas a ideia que está a passar neste final de semana é que a maçonaria apoia uma candidatura de Gouveia e Melo. Isso pode ser prejudicial?

Não é verdade. Os maçons são livres e têm todo o direito de apoiar. Eu apoiei a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa no primeiro mandato. Até me convidaram para uma reunião que houve no Clube Militar Naval. Eu fiz a minha intervenção oral e ninguém disse que a maçonaria apoiava o Marcelo Rebelo de Sousa.

Diz-me que não é verdade, não corresponde à verdade.

Não é verdade.

Então pergunto se esta ideia de que a maçonaria apoia Gouveia e Melo pode ser prejudicial a uma eventual candidatura de Gouveia e Melo.

Repare, não será por uma razão, porque isto não chega até àquele povo que o vai eleger, que não tem nada a ver com os políticos e não tem nada a ver com os comentadores. Portanto, esse povo nem sabe o que é a maçonaria, provavelmente. De qualquer modo, eu penso que essa ideia é errada e foi propalada por títulos de jornais ou de outros órgãos de informação. Maçons apoiam Gouveia e Melo. Sim, eu apoiei Marcelo Rebelo de Sousa, sou maçom e ninguém disse que Marcelo Rebelo de Sousa foi apoiado pela maçonaria.

José Manuel Alves, já por três vezes nesta entrevista fez referência ao povo que admira Gouveia e Melo. Sendo que ele não é uma figura pública há muito tempo, nós sabemos quando é que as pessoas começaram a saber do almirante, na altura vice-almirante Gouveia e Melo, foi na altura da vacinação. De onde é que vem essa admiração?

Admiração pelo trabalho que ele fez, pela sua capacidade de organização, de disciplina, de liderança. E as pessoas não esquecem isso. Fica uma imagem forte junto das pessoas e isso vai perdurar e vai até à sua eleição.

Mas é mais uma questão de imagem ou de substância, porque, na verdade, não se sabe muito bem o que pensa Gouveia e Melo sobre uma infinidade de assuntos.

Houve várias publicações recentes com as ideias do Roberto Gouveia e Melo relativamente ao país e à situação internacional. Vou-lhe citar, por exemplo, o Sol. Uma grande entrevista e muito bem feita. Depois, o Expresso publicou outro, do Vítor Matos, um bom trabalho sobre as suas ideias. Ainda o Público e ainda o Diário de Notícias e a própria revista Segurança e Defesa, de que eu sou diretor e o Paulo Lúis o proprietário, fizemos uma entrevista com ele. Ora é que estão amplamente divulgadas as ideias dele, portanto, não é verdade que ninguém saiba o que é que ele pensa. Está lá claramente nesses diversos órgãos de informação o que é que ele pensa.

E o que é que realça mais então do pensamento de Gouveia e Melo que poderia dar pistas quanto a uma futura presidência do almirante?

Exato. A primeira questão é que eu não vou, nunca farei, nem nenhum de nós fará intervenções no sentido de dizer o que é que ele pensa. Mas há uma questão fundamental que ele pensa que é o patriotismo. Ele é um admirador do Dom João II, das suas estratégias e, sobretudo, pelo mar, que é uma estratégia que ele tem falado e publicado muitas vezes. Portanto, obviamente, Gouveia e Melo, nós sabemos o que ele pensa, só quem não quiser ler os trabalhos onde estão publicadas as suas ideias é que está a repetir constantemente que não se sabe o que ele pensa. Está lá claramente dito.

Mas há questões essenciais e que estão até previstas na Constituição, que define a intervenção do Presidente da República, onde o Presidente da República tem especial voz, por exemplo, convocação de referentes, questões que têm a ver com a consciência, que muitas vezes motivam vetos políticos dos presidentes, incluindo interrupção voluntária da gravidez, eutanásia, por exemplo. Sabemos o que é que ele pensa sobre estas questões que muitas vezes são básicas para formular um voto?

Sim, isso aí, estou de acordo, será ele que vai dar as informações e publicar aquilo que vai fazer na Presidência da República. Portanto, de facto, isso aí. Ainda no outro dia estive com o meu amigo, com o qual fundei o OSCOT, o professor Rui Pereira, e ele disse: "É fundamental que ele esclareça o que é que vai fazer na cadeira do presidente". Mas isso é ele que vai dizer, não sou eu que vou dizer por ele.

Por que Gouveia e Melo aparece, na vossa opinião, como o melhor candidato de todos aqueles que se têm perfilado à esquerda e à direita, e estamos a falar de potenciais candidatos com muito mais experiência política e que os portugueses conhecem o pensamento há muito mais tempo.

Ora bem, isso significa que o problema deve estar nesses candidatos, que não devem ser tão fortes como se possa pensar à partida. E isso é um defeito que alguma classe política tem. Ele não é contra os partidos. Acha que os partidos são fundamentais, mas há, de facto, um déficit de imagem dos partidos atualmente e dos homens que estão a protagonizar essas posições políticas. E, de facto, o problema não é do almirante, o problema é desses candidatos.

Mas isso não fica um bocadinho à beira do populismo, esta ideia de que é preciso vir alguém de fora do sistema partidário para regenerar o sistema partidário e que tem mais autoridade precisamente por isso, por vir de fora?

Ora bem, de facto, corre esse risco, mas com ele, quem o conhece bem, isso não vai acontecer. De facto, o respeito que ele tem pelos partidos é fundamental. Isso aí é uma questão que nós conhecemos e sabemos bem o que ele pensa. Agora, na verdade, temos que conhecer e reconhecer que atualmente há uma crise de confiança nos partidos, há de alguma maneira um esgotamento de determinadas personalidades que encarnam essas perspetivas políticas diversas e que vão aparecer certamente como candidatos. Mas o problema é deles, não é o almirante. O almirante aparece com todo o direito. É um ex-militar, já é ex-militar, mas tem todo o direito a concorrer e o povo dirá. No outro dia, o senhor Presidente da República, o senhor Marcelo, disse que o povo é que vai decidir. E é verdade, não há a mais pequena dúvida.

Mas o Presidente da República fez também referência a 1982, precisamente o momento em que o caminho da democracia se libertou da tutela militar

Sim, sem dúvida nenhuma e vale a pena lembrarmos a história. Acontece que em alguns aspectos eu creio que não terá sido. Por exemplo, a questão daquela estrutura que havia contra a corrupção que desapareceu. De facto, pensava-se que ia passar das mãos de um militar para um civil e acabou a estrutura contra a corrupção. E agora fala-se muito na questão da corrupção e do combate à corrupção, mas foi uma decisão da estrutura civil da nossa política e isso foi extremamente negativo, porque uma das coisas que mina a democracia é a corrupção.

José Manuel Anes disse que apoiou Marcelo Rebelo de Sousa. Acha que o presidente está incomodado com a possibilidade de ter como sucessor Gouveia e Melo?

Houve algumas atitudes que poderiam fazer pensar assim, mas a verdade é que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa condecorou com uma alta condecoração o almirante Gouveia e Melo pelo seu trabalho todo feito na Marinha. A Grã-Cruz da Ordem de Cristo é algo de grande prestígio e eu penso que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa fez muito bem. É um gesto belo e nobre que o dignifica a ele e também a quem recebe a condecoração.

E acha que se pode transferir essa condecoração pelos serviços prestados nas Forças Armadas para uma eventual candidatura a Belém?

Eu acho que ele revela capacidade na gestão de uma estrutura tão importante como é um ramo das Forças Armadas. É provável que tenha alguma competência para ser timoneiro do país no domínio da Presidência da República. Creio que ele tem toda a capacidade para isso. E o professor Marcelo Rebelo de Sousa, com esse gesto, eu acho que tirou as dúvidas se ele gostava ou não. Ele pode não gostar, mas a verdade é que deu um gesto e um sinal significativo da admiração que tem pelo trabalho que ele tem realizado, sobretudo na Marinha.

O José Manuel Anes e Paulo Mogués e outras pessoas que estejam nesta plataforma. Já haverá outros nomes que possam ser divulgados, que estejam já neste mapa?

Só há um nome que eu gostava de dar, que é de um animador do Círculo de Estratégia Dom João II, que é o meu querido amigo José Mateus, e que é um homem que eu conheço há muitos anos e é homem de estratégia. E os outros seus companheiros, eu queria que fosse ele depois a divulgá-los oportunamente, dia 13, em princípio, quando fizermos o registo notarial deste movimento.

E com que calendário é que estão neste momento a trabalhar?

O calendário agora, porque temos recebido muitos nomes de pessoas que apoiam este movimento. Pessoas com grande valor e, portanto, já é uma lista grossa. E pode acontecer, e tenho a certeza que vai acontecer, apoios de mais alto nível de figuras de grande prestígio político e social. Mas nós já temos cerca de 50 pessoas à vontade com as quais podemos contar, que são pessoas de grande valor dos diversos setores da nossa sociedade.

Da política, a este decor conhece-se o nome de Isaltino Morais, o presidente da Câmara de Oeiras. Há mais nomes de pessoas que estejam em cargos políticos?

Sim, mas não sou eu que vou divulgar. O nosso querido professor Isaltino Morais, o presidente da Câmara de Oeiras, realmente deu testemunho público da sua admiração e do seu apoio ao almirante Gouveia e Melo. Mas há outros autarcas e há outros políticos que estão prontos a fazer isso. Mas calma, ainda o almirante não divulgou a sua posição, que eu estou certo que o vá fazer em breve, mas temos calma.

José Manuel Anes, questões como o financiamento da campanha passarão por este mapa também?

Exatamente. É uma questão que é fundamental tratar: a sede da campanha, o financiamento da campanha. Isso tudo vai começar, mas com tranquilidade e vai haver medidas nesse sentido. Temos calma. Eu creio que houve alguma precipitação da nossa parte com a divulgação pública através da internet.

Por que diz isso? Não era suposto ser agora?

Não, nós estávamos sempre com a ideia de que no começo do ano íamos fazer algo assim. Mas deveríamos ter dito uma palavrinha ao nosso querido amigo almirante Gouveia e Melo, que tanto admiramos e com o qual já estamos há 15 anos.

Tem a noção que não é fácil crer que avançaram sem lhe perguntar se isto prejudicava ou não os planos dele.

Ele sabia que o grupo estava constituído e que ia avançar, mas não sabia quando é que era. O timing é que não sabia.

Portanto, ele deu o seu agrément a que este movimento avançasse.

Conhece-nos e conhece-o bem. E como digo a mim, já há uns 15 anos e a admiração e a amizade é mútua. Mas a admiração da minha parte para ele é realmente algo que é muito pesado e muito forte.

Estávamos há pouco a falar da questão do financiamento, das questões logísticas, obviamente, que qualquer campanha eleitoral envolve. Tem ideia de quanto é que custa uma campanha eleitoral como esta que se iniciou?

Eu sei que custa muito dinheiro e que, por exemplo, a doutora Maria de Belém ainda está com problemas, ou pelo menos teve problemas muito grandes depois da sua-

Por não ter atingido os 5% de votos nas eleições

Não temos dúvida nenhuma que ele vai ultrapassar esse nível, com certeza.

Deixe-me apenas perguntar, José Manuel Anes, um dos potenciais candidatos de que se fala é Mário Centeno, tem sido acusado por alguns setores de usar a sua função como governador do Banco de Portugal como plataforma de lançamento de uma eventual candidatura. Acha que Gouveia e Melo pode ser acusado do mesmo, ter usado as suas funções na Armada para também, de alguma forma, servir de plataforma de lançamento para uma candidatura? E recordo aquele caso da revista da Marinha em que era celebrada a figura de Gouveia e Melo.

Repare-se, se ele não fosse competente e não tivesse feito um grande trabalho na Marinha, como foi reconhecido pelo próprio presidente da República atual, realmente ninguém falava dele. Ele fez um bom trabalho e naturalmente que essas coisas não ficam encerradas dentro das quatro portas, nem das quatro paredes de uma sala. E portanto, é normal que todo o seu trabalho feito na Marinha venha cá para fora e que seja divulgado. E em relação ao professor Mário Centeno, eu nunca me irei pronunciar, nem tenho competência para fazer sobre outros candidatos. Eu acho que ele é uma figura também com uma imagem de competência, claramente, indiscutível, mas o almirante Gouveia e Melo, de facto, fez um grande trabalho à frente da Marinha e quem o disse publicamente foi o nosso presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

José Manuel Anes, mesmo a terminar este explicador, que duas ou três bandeiras e ideias fortes é que podemos esperar desta campanha eleitoral?

Como digo, eu não vou falar por ele, mas há claramente a primeira questão, o patriotismo. E o patriotismo não é de direita nem de esquerda. Até ouvimos agora o PCP, uma política patriótica e de esquerda. E há políticas patrióticas de direita. Portanto, o patriotismo é talvez a primeira bandeira que o almirante vai erguer e já tem erguido publicamente. E depois, organização, disciplina e a liderança, capacidade de liderança. Isso é uma coisa que é a marca distintiva do nosso almirante, claramente. E eu penso que, ao princípio, como estavam com medo que ele fosse à direita. Não, o homem é ao centro. Até podemos dizer que ele é rigorosamente ao centro e recolhe todas as contribuições do centro-direito, do centro-esquerda, e vai continuar a fazê-lo, tenho a certeza absoluta. Portanto, é um homem no qual podemos confiar, é um patriota e é um homem que já deu provas do serviço ao país com toda a sua determinação e competência.

José Manuel Anes, um dos promotores desse movimento de apoio ao almirante à presidência neste explicador. Obrigado pela presença. Bom dia e bom fim de semana. Obrigado.

Bom dia. Muito obrigado.