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Começa agora o Explicador das manhãs 360, no dia em que arrancam os Jogos Olímpicos no Japão. Vamos perceber como se organiza a maior competição do mundo desportivo em tempos de pandemia. E para falar do tema, junta-se a nós, em direto de Tóquio, o editor de Desporto do Observador, Bruno Rosário, e são também nossos convidados esta manhã o presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, João Rodrigues, e o antigo judoca português, Nuno Delgado. A moderação é do João Alexandre, a quem se junta a Judite França.

E começamos precisamente pelo Bruno Rosário, editor de Desporto do Observador, até porque pelo que percebi, Bruno Rosário, muito bom dia, entraste há pouco ou estás neste preciso momento a entrar no Estádio Olímpico, onde tudo vai acontecer. Antes de partirmos para esta conversa com os nossos outros convidados, queria que me dissesses qual é o ambiente neste momento. Estamos na contagem decrescente para o arranque oficial dos Jogos Olímpicos deste ano em Tóquio. Essa sessão de abertura que está marcada para o meio-dia, hora de Lisboa. Muito bom dia, Bruno.

Bom dia. Boa tarde, aqui.

Exatamente.

Sim, boa tarde. Cinco e pouco da tarde. Eu agora acabei de chegar à sala de imprensa, ou seja, todos os autocarros que estão a sair do MPT, que é uma espécie de centro que reúne todos os autocarros que depois são distribuídos para todos os locais de competições e centros de imprensa, vão fechar às 17h. Portanto, é normal já cá estarem muitos jornalistas. No caminho até cá, muito pouca gente na rua, só mesmo nos últimos 500 metros, 700 metros é que começamos a ver alguns curiosos com muitos telemóveis. Uma praça que existe e que é talvez a zona mais próxima do Estádio Olímpico, com centenas de pessoas apenas e só a tentar perceber quem é que entra e quem é que sai. Uma personagem curiosíssima de um japonês com o chapéu do Donald Trump e com uma T-shirt alusiva à questão da Covid, claramente um negacionista, a dizer que as vacinas era tudo mau e nada daquilo existia. E agora, à espera da cerimônia, poderemos depois falar sobre isso. A cerimônia foi talvez uma das poucas coisas que nós não tivemos problemas em entrar, porque são atribuídos bilhetes a cada um dos comitês olímpicos, que depois redistribui pelos jornalistas que estão presentes. Em tudo o resto, tem sido um problema constante. Ou seja, quando nós estamos à espera de encontrar soluções, conseguimos sempre encontrar mais um problema, resolvemos esse problema e aparece mais um problema. Os primeiros três dias têm sido assim.

E no que diz respeito à pandemia, este são os Jogos Olímpicos, uma edição este ano marcada pelos jogos. Tu já deixaste, de alguma forma, no ar algumas ideias sobre aquilo que são as restrições, mas até ao momento, o que é que sentiste de restrições e de que forma é que isso pode ou não também vir, por exemplo, a influenciar o trabalho de quem está no terreno, de quem está em campo também para noticiar tudo aquilo que se vai passar durante os Jogos Olímpicos deste ano?

Eu diria que o exemplo paradigmático, que é desta altura, um dos problemas que eu tenho para resolver é, por exemplo, a questão do Booking Press. Ou seja, ao contrário do que acontecia nos Jogos de Londres e no Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro eu não estive, em Londres estive, mas podia de manhã acordar e pensar: "Vou ver, por exemplo, um jogo de basquetebol, depois vou à natação, depois vou ao atletismo, etc." Nós nesta altura temos de marcar todos os dias, no máximo, 10 eventos que nós poderemos ir. E foi isso, foi das primeiras coisas que eu fiz, mal cheguei, comecei a olhar para a agenda, comecei a cruzar a agenda dos portugueses com outras histórias que eu acho que vale a pena contar. E até 31 de julho consegui marcar 10 eventos todos os dias. O problema é que todos esses eventos têm de ser aprovados. Vou dar um exemplo muito concreto: amanhã vamos ter a Catarina Costa no judo, vamos ter o Rui Bragança no taekwondo, vamos ter o João Almeida e o Nelson Oliveira no ciclismo e depois à noite temos o handebol, mas antes temos três possíveis medalhas, se calhar, mais no ciclismo do que todos os outros. E a única coisa que eu tenho mais próxima de ir seria o ciclismo, que ainda está para ser aprovado e mesmo assim teria de apanhar um autocarro de cinco horas até à Fuji Speedway, que é onde vai ser realizada a prova de ciclismo. Já teria de ter marcado. Não posso utilizar transportes públicos porque nos primeiros 14 dias no Japão não posso utilizar os transportes públicos e, portanto, é sempre um quebra-cabeças nós conseguirmos perceber aquilo que nós realmente vamos conseguir fazer durante o dia. Por exemplo, em relação a amanhã, que é o primeiro dia realmente com provas, a única coisa que eu tenho nesta altura marcada, efetivamente, é o boxe feminino de manhã, porque tem uma série de histórias que eu acho que vale a pena contar, e o handebol à noite. Judo, taekwondo e ciclismo, ainda nada. Portanto, isto mostra também um pouquinho a confusão que tudo isto tem sido, muito marcado pela pandemia, claro. Mas eu diria que a pandemia também não consegue justificar tudo o que está a passar.

Bruno Rosário, já aí vamos novamente até Tóquio. Antes disso, vamos também aqui ao contato com um dos nossos convidados para o Explicador de hoje. É João Rodrigues, é o presidente da Comissão de Atletas Olímpicos. Muito bom dia, João Rodrigues, também alguém com muita experiência em participações em Jogos Olímpicos, várias participações também enquanto atleta. João Rodrigues, olhando aqui para o seu trabalho, a Comissão dos Atletas Olímpicos tem precisamente como função analisar aquilo que envolve e que pode condicionar o treino e a competição dos atletas olímpicos, acompanhar também o percurso olímpico dos atletas. Tudo isto acabou por ser um pouquinho diferente daquilo que se estava à espera, para quem lidera, no fundo, esta comissão. Como é que foi acompanhar também estes passos dos atletas até a esta edição deste ano tão atípica?

Muito bom dia. Muito obrigado pelo convite para estar aqui presente. Sim, de fato, foi diferente do que estávamos à espera, mas eu acho que todos os atletas tiveram uma enorme capacidade de adaptação a uma realidade que foi mudando quase do dia para a noite. E nós também, enquanto Comissão de Atletas Olímpicos, tivemos que nos adaptar aos novos tempos e criamos mecanismos para continuar a comunicar com os atletas, acompanhá-los da melhor forma possível e tentar criar as condições para que eles pudessem chegar hoje, no dia da cerimônia de abertura dos Jogos, e pudessem sentir que a partir de agora podem expressar todo o seu potencial no terreno de jogo. E é para isso que nós existimos também. E portanto, estar aqui em Tóquio também é uma enorme honra e um privilégio poder acompanhar os jogos agora de uma forma completamente diferente àquela que estava habituado até agora. E posso dizer que o ambiente na equipe é excelente. Apesar de tudo, os atletas estão extremamente entusiasmados ante a perspectiva de entrarem em competição.

Mas a verdade é que, João Rodrigues, serão os primeiros jogos da era Covid e serão jogos muito diferentes. Acha que isso não tem impacto? Porque vamos ter atletas que já se habituaram a isso nos últimos tempos, é verdade, mas sem público. Enfim, é o que acontece normalmente hoje em dia, a todos os desportos, seja em estádio, seja em pavilhão. Mas não só não era isso que sonhavam, quando sonhavam ir aos jogos, com certeza, como terá impacto também na própria prova.

Sim, é um facto que alguns atletas sentirão isso mais na pele do que outros, mas há modalidades que, e posso falar por experiência própria, porque a vela, por exemplo, não vai sentir esse impacto, porque a vela e outros desportos também estarão na mesma situação, não têm público normalmente. Claro, a maior parte dos desportos, aqueles que são de pavilhão, aqueles que são nos estádios, o fator público pode ser importante, mas no último ano e meio, eu acho que todos nós, de certa forma, fomos nos convencendo de que o público seria cada vez mais reduzido, até o momento agora, que simplesmente não vai haver público. Mas a essência dos jogos continua lá. E o que é essa essência? É estes atletas conseguirem, no fundo, exceder-se, transcenderem-se até.

Superar-se.

Exatamente, superarem-se. Eu acho que isso continua válido. É verdade que são jogos diferentes, mas a essência continua lá. E portanto, aquilo que nós temos vivido aqui na aldeia, é verdade que estamos numa bolha, mas quase diríamos que não existe, não fossem as máscaras e realmente todos os controles sanitários, quase diríamos que não há uma pandemia.

No entanto, temos 19 casos de Covid reportados hoje, no dia da cerimônia de abertura, três atletas e 16 pessoas, entre trabalhadores e elementos da comunicação social. E este tipo de informação é uma informação que é preferível que os atletas não acedam para não ficarem impressionados num momento tão importante? Ou é uma informação que corre livre por aí e, portanto, sabem que esse perigo está sempre à espreita?

Claro que sabem. Essa informação é impossível de escamotear, ela existe e está disponível para todos e, portanto, não vale a pena tentar. Eu acho é que nós temos que criar mecanismos para reduzir a probabilidade de acontecer um contágio dentro da equipe. E esses protocolos têm sido estabelecidos dentro da missão. E até o momento não tivemos nenhum caso aqui. Pode sempre acontecer, é verdade, mas estamos preparados para isso e não vamos deixar que esse facto afete a prestação dos atletas. E eu acho que todos eles são profissionais e sabem realmente o que vieram aqui, sabiam de fato o que poderia acontecer e estamos preparados.

No fundo, são cinco anos à espera de poder participar, não é? E isso também, com certeza, teve algumas implicações na preparação. Mas vou chamar o Bruno Roseira outra vez à conversa, porque ainda ontem lia uma frase que me ficou na memória: de alguma forma, para os japoneses, isto foi uma festa que se transformou numa obrigação. Sentes isso de alguma forma, Bruno?

A coisa que eu mais sinto, eu percebo exatamente aquilo que o João estava a dizer, e percebo que na aldeia olímpica não existe o impacto que nós cá fora sentimos mais em comparação com os outros jogos. Por exemplo, uma das coisas que eu mais sinto era: nos outros Jogos Olímpicos, fosse no Rio de Janeiro, em Londres, até em Pequim, o fato de tu teres uma acreditação, fazia de ti uma pessoa diferente, mas pela positiva. E hoje, tu teres uma acreditação e andares, não é na rua, porque tu andas em espaços controlados, em autocarros controlados, não podes usar transportes públicos nos primeiros 14 dias, etc. Mas os caminhos que tu fazes, ainda assim, para ir apanhar os autocarros, para entrar dentro da bolha, do hotel, até depois aos autocarros, as pessoas olham para ti de lado, mas num sentido negativo, ou seja, quase como se nós fôssemos responsáveis de problemas que existem em termos internos, que não estão apenas e só relacionados nem com os Jogos Olímpicos, nem com a pandemia. E nós acabamos por ser um pouquinho o reflexo desses problemas internos que claramente já existiam no Japão.

Estares a falar disso, leva-me a pensar no dinheiro que isto custou, 3 mil milhões. Não há bilhetes, não há turismo, portanto, tudo aquilo que poderia ser o tal impacto positivo. O Japão passou quase uma década a preparar estes, que são os segundos jogos da sua história. A ideia era recuperar a economia e portanto, havia aqui toda uma expectativa criada, um pouco à semelhança do que aconteceu após a Segunda Guerra Mundial, que foi regressar à visibilidade pública depois de uma derrota. Aqui também havia muita expectativa, nomeadamente expectativa econômica, que sai completamente gorada. E se calhar isso também reflete um pouco a forma como as pessoas encaram os jogos. Talvez pudessem ter sido adiados mais um ano Pensará muita gente.

Eu acho que era cancelar. Acho que no ano passado era adiar, este ano era claramente cancelar. Ou seja, todos os estudos de opinião pública que foram feitos, cada vez existem mais pessoas residentes em Tóquio que não queriam os Jogos Olímpicos. Agora também não há volta a dar. Existe aquele sentimento de que quanto mais depressa isto acabar, melhor. E até em termos de organização, o maior objetivo, a grande meta, é chegarmos todos a dia 8 de agosto e globalmente as coisas terem corrido bem, ou seja, não haver muitos casos de COVID, não haver muitas polêmicas. Mais do que a festa em si, o importante é que as coisas não corram muito mal.

E não corram muito mal em termos de impacto da COVID. Estás a falar é disso, não é?

Sim, e o impacto para fora. Tu vês alguns luxos, e existe um exemplo paradigmático que foi os Jogos Olímpicos de Londres. Tudo o que foi feito em Londres, foi feito numa perspectiva de médio e longo prazo. Vamos imaginar: a piscina de natação, a pista de ciclismo, etc. Foi tudo feito numa ótica de rentabilização de infraestruturas, porque eram necessárias aquelas infraestruturas. A Aldeia Olímpica, mal acabou os Jogos Olímpicos, já estava toda vendida, já havia um centro comercial também construído naquela zona, era uma zona completamente abandonada.

Reabilitaram a zona da cidade, não é?

Reabilitaram completamente. Era uma zona que, para quem conhece mais ou menos Lisboa e como era antes da Expo.

Da Expo. Exato.

Exatamente. Era uma zona muito parecida com essa, foi totalmente rentabilizada. O único espaço que demorou um bocadinho mais de tempo a voltar a ser funcional foi o Estádio Olímpico, nesta altura está a ser usado pelo West Ham, mas que entretanto também já recebeu mundiais de atletismo. E tudo aquilo fazia sentido. E aquilo que se nota aqui em Tóquio é que há muitas infraestruturas que uma pessoa para, pensa e vai pensar: "Mas isso depois vai servir para quê?" Para que se vai investir, salvo erro, é o badminton. O badminton é um pavilhão caríssimo, lindíssimo também, mas caríssimo, e que se percebe claramente que não vai ter rentabilidade nenhuma no futuro. E tudo isso depois vai contribuir para, a partir de 9 de agosto, todos nós que hoje, porque temos uma credencial, muitas vezes fomos olhados de lado na rua, não no sentido mau, cada um vai para o seu país. E depois fica aqui um problema que é as pessoas locais olharem e dizer assim: "Meus amigos, a COVID teve esta trajetória, a linha de novos casos e novos contágios diários teve esta trajetória. Em termos econômicos, a nossa cidade está nesta forma. Agora, como é que vamos dar a volta e sobretudo, quem é que vai assumir as responsabilidades?" E é muito isso também que se sente, sendo que a parte econômica parece-me que é algo que já vem de trás. Ou seja, não é algo que nós possamos circunscrever aos últimos dois anos, que foi quando se começou a preparar mais estes Jogos Olímpicos e quando as infraestruturas ficaram todas fechadas.

Bruno Rosário, deixa-me ir aqui também ao encontro do Nuno Delgado, já está conosco também aqui no Explicador. Muito bom dia, Nuno Delgado, foi atleta olímpico no judo, venceu uma medalha. E é precisamente também no judo que temos aqui algumas ambições na edição deste ano dos Jogos Olímpicos. Mas Nuno Delgado, além das ambições da comitiva portuguesa nas várias modalidades, o que eu queria perguntar também é como é que acompanhou aqui toda esta travessia dos atletas a caminho destes jogos, que são considerados dos mais atípicos de sempre.

Muito bom dia. É verdade, finalmente chegou o grande dia. Esperamos praticamente um ano e sempre com grande adversidade e incerteza. Não diria que estes são os jogos mais incertos de sempre, porque já houve inclusivamente edições que foram canceladas devido à Segunda Guerra Mundial e outros episódios. Eu posso dizer que desde Sydney, que tenho acompanhado os Jogos Olímpicos, e sempre houve grandes polêmicas e questões mundiais à volta dos Jogos Olímpicos. Mas neste caso, em Tóquio, os atletas sofreram mais na pele, tendo estado praticamente um ano, muitos deles a treinar quase em casa. E com esta incerteza, ainda hoje, se ouvem alguns zum-zums à volta do cancelamento dos jogos. E realmente isto é um grande teste para todos aqueles que estão lá a representar-nos com toda esta adversidade que temos estado a acompanhar e acima de tudo, também sem público nas bancadas, que também acho que é um dado bastante relevante.

Nuno Delgado, isto é uma prova de superação não só física, mas mental para os jogadores. É sempre muito importante a situação mental em questão e essa força que é preciso ter. Mas nesta circunstância, ela agrava-se. Manter esse foco e essa perseverança, como disseste, depois de um ano a treinar na garagem.

Sem dúvida. Não só isso, como também a possibilidade de a qualquer momento um dos atletas ser testado positivamente e ter que abandonar a Aldeia Olímpica. Como já aconteceu, não com atletas portugueses, mas com atletas de outras comitivas. O fato de até há bastante pouco tempo, muitos deles não saberem Quais eram os verdadeiros requisitos para a sua qualificação olímpica. Recordo-me, por exemplo, do triatlo, que felizmente Lisboa, capital europeia do desporto, conseguiu produzir uma prova de qualificação olímpica, bem como o karaté. São efetivamente circunstâncias de grande adversidade. Eu pessoalmente digo que os portugueses são, por natureza, pessoas de grande adaptabilidade a estas situações de adversidade. Eu acho que isso eventualmente poderá ser uma vantagem para a nossa missão olímpica, uma vez que aquelas equipes mais estruturadas, mais organizadas, como é o caso do próprio Japão, Estados Unidos, Rússia, essas grandes nações, têm provavelmente muito mais dificuldade em alterar aquilo que são já estruturas muito bem organizadas para uma preparação olímpica. E os portugueses, como é por exemplo, o caso do meu judo, que se organizou em Cernache, em Coimbra, e conseguiu montar um centro de treino onde vários países, inclusivamente o Brasil, uma das maiores nações do mundo, vai treinar conosco, tem estado a dar provas de que conseguimos, de certa forma, nos adaptar bem a este novo cenário. E os resultados falam por aí. Temos muito bons resultados no judo, no atletismo, na própria canoagem. Temos expectativas de que realmente a alma lusa consiga se adaptar a esta grande imprevisibilidade.

Vamos perceber se assim é. João Rodrigues, líder da Comissão dos Atletas Olímpicos. Há pouco ouvíamos o Bruno Roseira, que também está em Tóquio a falar sobre estas vicissitudes da edição deste ano. Os atletas sentem que há aqui alguma falta de atenção mediática comparando com outros jogos ou nem por isso? Até porque como ouvimos essa descrição do Bruno Roseira, há aqui alguma resistência por parte da sociedade japonesa e dos habitantes de Tóquio em relação à realização dos jogos. Até que ponto é que isto pode ou não influenciar também aquilo que é a mente dos atletas neste momento e tudo aquilo que implica estarem concentrados para as provas?

É verdade que existem essas estatísticas que indicam que realmente uma porcentagem muito significativa do povo japonês, principalmente aqui em Tóquio, não queria os jogos nesta altura, mas também é certo que nós estamos a viver numa bolha, praticamente, não saímos destes circuitos.

É uma realidade completamente à parte aí.

Exatamente. E o contato que temos com os japoneses é majoritariamente com os organizadores e com os voluntários. E esses, eu posso assegurar por experiência própria também, têm sido inexcedíveis no seu comportamento. São extraordinariamente simpáticos, muito prestáveis e sempre prontos a nos ajudar, embora tenham alguma dificuldade na língua. Nem sempre é fácil de encontrar um japonês que fale bem inglês, mas nós não sentimos essa animosidade, embora compreendamos, mas não a sentimos, pelo menos até agora. E também tudo o resto são fatores que nós não controlamos. E o que não controlamos, também não nos preocupamos. Nós estamos aqui concentrados num objetivo muito específico e tentamos nos focar naquilo que é essencial.

E vamos perceber também se essa alta concentração resulta em muitos pódios e também em várias medalhas. Assim esperamos. Agradeço a participação do João Rodrigues, presidente da Comissão de Atletas Olímpicos, neste explicador. Também o antigo judoca português Nuno Delgado e ainda também em Tóquio, o editor de desporto do Observador, Bruno Roseira, que ao longo dos próximos dias nos vai trazer todas as novidades destes Jogos Olímpicos. São os Jogos Olímpicos que têm essa cerimônia oficial marcada para o meio-dia de hoje, hora de Lisboa, e já também com essa garantia por parte da organização, uma cerimônia de abertura respeitadora para lembrar que ainda existe este combate à pandemia de Covid-19.

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