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Bem-vindos ao debate da Rádio Observador sobre o futuro do Porto nas eleições autárquicas de 12 de outubro. Estamos no piso zero da Federação Académica do Porto, a poucos metros da Torre dos Clérigos. A este debate estão também a assistir vários dirigentes associativos da Academia do Porto. Vamos ao debate, Miguel.

Vamos com o candidato do PS, Manuel Pizarro, já foi candidato à Câmara do Porto, vereador com responsabilidades no primeiro executivo de Rui Moreira, foi também ministro, deputado e eurodeputado. Candidato do PSD, CDS e AL é Pedro Duarte, antigo ministro dos Assuntos Parlamentares, vários anos na vida privada. Antes disso, já tinha sido também secretário de Estado e deputado eleito pelo Porto. A candidata da CDU, Diana Ferreira, antiga deputada à Assembleia da República, tem também experiência autárquica em Vila Nova de Gaia.

O candidato do Bloco de Esquerda é Sérgio Aires, é atualmente vereador sem pelouro na Câmara Municipal do Porto. Do CHEGA, o candidato é Miguel Correia Real, já foi dirigente da JSD e do PSD e no mandato que agora termina, chegou a liderar a bancada do PSD na Assembleia Municipal. É agora o candidato do CHEGA. Por fim, Filipe Araújo, atual vice-presidente da Câmara do Porto, esteve com Rui Moreira desde 2013 e lidera agora a candidatura independente, Fazer à Porto.

Manuel Pizarro, começamos por si. Promete cinco mil casas a renda moderada para a classe média e jovens. Com as medidas que o governo apresentou ontem, pode aumentar esta ambição ou mantém o número das cinco mil casas?

Muito bom dia a todos, muito bom dia a quem nos está a escutar. Essa ambição é mesmo já uma grande missão. Acho que não faz sentido aumentar, acho que é um número alcançável, mas queria até destacar que nas medidas que o governo anunciou ontem, até aderiu a uma medida que eu propus, que foi de reconhecer que a renda acessível se tornou obsoleta e que é preciso introduzir um novo conceito de renda moderada. Ando a dizer isto, pelo menos desde 10 de julho, quando apresentei o meu programa para habitação, que é um programa exequível e necessário. Necessário porque há uma emergência na situação da habitação. Nós temos também, claro, que mobilizar uma boa parte dos 20 mil fogos devolutos do Porto para o mercado de arrendamento. Mas esse processo vai demorar tempo, porque é preciso que os proprietários ganhem confiança e é preciso criar os instrumentos financeiros para que os proprietários possam fazer a requalificação dessas casas para as fazerem ingressar no mercado de arrendamento.

E foi isso que o governo fez ontem?

Fez, mas esse processo vai demorar tempo. Os jovens e a classe média não podem esperar cinco, seis, sete, oito anos que estas casas venham pro mercado. Nós, se temos uma situação de emergência, temos que dar uma resposta de emergência. Esse é o plano que eu fiz, o Habitar no Porto, construído em conjunto com todos os parceiros do setor e que visa construir cinco mil casas a renda moderada, €400 por T1, €550 por T2, num prazo de quatro anos, claro, com parcerias com os privados e com parcerias com as cooperativas. Não pode ser a Câmara a fazer isto, a Câmara não teria agilidade, nem sequer contratual, para fazer isso. A Câmara tem uma grande vantagem, tem os terrenos. Há no Porto terrenos do município e terrenos do Estado que permitem construir estas novas casas em urbanizações ambientalmente sustentáveis, rodeadas por jardins, com espaços verdes adequados, com espaços para que as pessoas possam trabalhar a partir de casa, uma coisa que hoje se tornou muito frequente e que os jovens querem muito. Estamos a falar de espaços de habitação aprazível, enquanto trabalhamos na mobilização dos tais 20 mil fogos devolutos para uma segunda fase.

Chegou a ter o pelouro da habitação no primeiro mandato de Rui Moreira. A partir daí, desde que deixou a Câmara, o rumo seguido foi aquele que devia ter sido ou começou a estragar-se o caminho?

Primeiro, a situação é muito diversa de que era na altura. De facto, estes últimos 10 anos são na Europa, em Portugal e no mundo, uma enorme mudança na situação da habitação. As pressões não eram as mesmas. Eu acho que a Câmara foi fazendo um esforço para se adaptar às novas realidades. Acho que, com franqueza, com resultados inferiores àqueles que são necessários e é isso que nós temos que fazer, aproveitar tudo bom que foi feito. Há projetos que a Câmara lançou em alguns sítios que eu vou aproveitar integralmente e fazer bastante mais e bastante melhor, porque a verdade é que as pessoas não têm acesso à habitação. Ainda hoje vem um estudo de opinião no jornal que demonstra que as pessoas sentem esse como um problema absolutamente dramático.

Pedro Duarte também já se manifestou publicamente a satisfação pelo pacote de medidas que ontem o Conselho de Ministros aprovou. Mas estas medidas não podem fazer com que aconteça aquilo que queria evitar, que é trazer mais pessoas para o Porto?

Sim, muito bom dia, antes de mais, a todos os presentes no debate e a todo o auditório da Rádio Observador. Nós, de facto, temos também no Porto um problema de habitação. Há uma crise de habitação generalizada no país, principalmente pelos preços incomportáveis para a generalidade das pessoas a que estão hoje as casas, quer para arrendamento, quer para compra. Portanto, temos de atacar isso, designadamente com políticas públicas. Nós estamos convencidos que no Porto, tendo as tais 20 mil casas, que agora felizmente já outros candidatos falam delas, quando pareciam esquecidas. As tais 20 mil casas vazias que temos na cidade do Porto, quando temos uma taxa de edificação na cidade que é muitíssimo acima da média nacional, eu diria acima de qualquer outro exemplo de município do país, onde temos uma densidade populacional já sobrecarregadíssima na cidade do Porto, nós temos é de aproveitar as casas que já existem. Ora, algumas das medidas de ontem vão no sentido certo, designadamente para poderem, de alguma forma, dinamizar o mercado de arrendamento, para criar incentivos para que os senhorios coloquem as casas no mercado de arrendamento. É algo que não se verifica em muitas destas 20 mil casas. Ora isso, ao contrário do que foi dito pelo candidato socialista, pode demorar um dia ou dois, não demora cinco a oito anos. Construir casas novas, essas sim. É que eu não conheço nenhum caso que demore menos de quatro anos, mas aparentemente a magia socialista promete-nos agora isso. O que é rápido, eficaz e barato é colocar no mercado as casas que já existem. E é essa a solução. Nós queremos, do ponto de vista público, da Câmara, criar incentivos e apoios diretos para essencialmente dirigirmos estes apoios para jovens do Porto, para os filhos do Porto que tiveram que sair, para jovens casais que querem aumentar família, e dessa forma podermos, de alguma maneira, gerar na cidade mais pessoas, mais dinâmicas, mas que não seja numa lógica de nós sobrecarregarmos, do ponto de vista da densidade, a cidade do Porto, que está, em muitos sentidos, já altamente congestionada.

Mas queres esclarecer um pouco essa afirmação que teve sobre o Porto precisar ou não de mais pessoas? Portanto, precisa ou não? É benéfico que mais pessoas queiram viver no Porto e consigam fazê-lo?

Eu acho que nós temos que dar absoluta prioridade a quem vive no Porto e àquilo que eu tenho chamado os filhos do Porto. Portanto, jovens que, por uma razão ou por outra, se viram obrigados a sair do Porto nos últimos anos.

E há muitos?

Há um número já significativo, isso não tenho dúvidas. Acho que nenhum de nós tem provavelmente números oficiais, mas acho que a nossa perceção empírica mostra-nos que sim, que isso existe. Agora, nada parecido com precisarmos de 5 mil casas. Estamos muito longe de falar disso.

Isso ia dar um sinal errado.

Portanto, o Porto não pode, de repente, transformar-se num dormitório do país. Isso é que não pode acontecer. O Porto tem que se privilegiar, e é essa a minha visão de cidade, a qualidade de vida das pessoas. Para isso precisamos de facto de ter espaços verdes, apostar em jardins, em praças, em parques infantis, em equipamentos desportivos, em locais onde as pessoas possam ter lazer, possam ler um livro ao sol, as crianças possam brincar na rua, os idosos possam conviver uns com os outros. É um modelo de cidade diferente, se quiserem moderno, porque eu não quero voltar ao Porto de há vinte e quatro a vinte e cinco anos atrás. Estamos em duas visões completamente diferentes de cidade, eu aposto, de facto, na qualidade de vida dos portuenses.

Uma última questão em relação ainda à reação que ontem teve ao pacote de medidas do governo. Disse que tinha falado com o primeiro-ministro e que algumas das medidas foram aprovadas ontem em Conselho de Ministros. Já falou com o Luís Montenegro sobre outras áreas que queira também ver alteradas e melhoradas?

Eu acho que é público e sabido que eu falo com regularidade, porque é uma pessoa que eu, além de ter relações políticas e ligações políticas óbvias, tenho uma relação pessoal. Fomos colegas de curso, veja lá, desde há muito tempo. E, portanto, converso muitas vezes sobre muitos temas. Especificamente sobre o Porto, há duas áreas, para mim, críticas. Ou melhor, eu diria três áreas, duas para além desta da habitação. E as outras duas têm a ver com as matérias das infraestruturas na cidade, o caso da VCI, por exemplo, é o mais evidente.

Já lá vamos.

E o caso da segurança, que também para mim é absolutamente crítico e precisamos também do apoio central para este efeito.

Diana Ferreira, o pacote do governo para a habitação pode dar alguma alavanca que sirva às necessidades do Porto? E também se, enquanto o Estado central vai demorando a dar esta resposta, como é que a Câmara Municipal pode ir adiantando serviço?

Muito bom dia, antes de mais, cumprimentar também todos os presentes, cumprimentar quem nos acompanha e quem nos está a ouvir. Eu acho absolutamente extraordinário que até o momento ninguém tenha referido que o conceito de renda moderada do governo vai até os 2300 €, que de moderado não tem absolutamente nada, especialmente num país em que o salário mínimo nacional é de 870 € e em que o salário médio do país, para sermos generosos, andará em qualquer coisa como uns 1700 €, mas que está até na cidade do Porto, do ponto de vista de salário médio, muito provavelmente nem será esse. Nas proximidades. Mas eu acho absolutamente extraordinário que isto não seja referido e, pelos vistos, há quem esteja confortável com este pacote de medidas, que nós não estamos de todo, nem achamos sequer que garanta mais direito à habitação. Nós quando falamos de habitação, falamos de um direito constitucional e falamos de um direito de dignidade na vida de cada um. E falamos de um direito que está profundamente ameaçado por um conjunto de políticas que têm sido praticadas ao longo de vários anos, por sucessivos governos do PS e do PSD, e neste momento o governo da AD vai aprofundar exatamente essa ameaça que existe no âmbito do direito à habitação. Numa ameaça a este direito que tem expulsado pessoas da cidade. O Porto tem vindo continuadamente a perder as suas gentes, inclusive, pessoas que cá vivem há décadas, que são confrontadas com o que nós apelidamos de senhorios sem rosto, fundos imobiliários, grupos económicos que vão comprando casas na cidade, que apresentam rendas absolutamente incomportáveis e que depois, na prática, ou então apresentam novos contratos, como nós sabemos que acontece, e em que a prazo colocam as pessoas na rua. PS e PSD, e quem também acompanha o PSD, aparentemente estará confortável com esta realidade. Nós não estamos de todo. Entendemos, naturalmente, que esta é uma primeira responsabilidade do Estado central. Temos propostas concretas para o município. A CDU entende, desde já, que é necessário reforçar a habitação pública, inclusive de um ponto de vista de reabilitação de espaços existentes. A CDU há muito que fala dos edifícios devolutos da cidade, quer por voz da vereação, nomeadamente a vereadora Hilda Figueiredo, mas também pelos eleitos da Assembleia Municipal. E permitam-me que diga que se neste momento há uma carta municipal de habitação que até identifica os mais de 20 mil devolutos que existem na cidade, isso também resulta de uma pressão continuada que a CDU também fez para que essa carta municipal de habitação se materializasse depois de, do ponto de vista da legislação, os municípios estarem também obrigados à mesma. E, por isso, nós estamos a falar de uma realidade em que é determinante reforçar a habitação pública na cidade, seja para responder a situações de emergência que estão já identificadas, pelo menos 3 mil famílias em situação de emergência habitacional, que têm que ter acesso à habitação no âmbito da renda apoiada, mas também garantindo habitação a preços efetivamente acessíveis, que considere os rendimentos das famílias e que seja também feita tanto em conjunto com o IHRU, mas também em conjunto com as associações de moradores e com o movimento cooperativo não especulativo. Estamos a falar nas associações de moradores e no movimento cooperativo não especulativo que na cidade do Porto tiveram um contributo determinante no passado também para superar problemas de habitação que existiam e que entendemos que podem também, neste momento, dar esse mesmo contributo. Mas enquadrando, naturalmente, este reforço de habitação no âmbito da própria habitação pública com preços mais baixos, porque também isto é um elemento de pressão sobre outros preços que existem que são absolutamente incomportáveis no arrendamento na cidade do Porto, em que quem ganhe mesmo 1000 € brutos, naturalmente, não consegue, neste momento, arrendar uma casa digna para si e para a sua família, porque é disto que estamos a falar.

Falou aqui da especulação imobiliária, o Bloco de Esquerda também defende que deve ser combatida. Sérgio Aires, como é que isso se faz?

Muito bom dia também, cumprimento todos e também quem nos está a ouvir. Também queria repor aqui algumas verdades históricas, porque eu percebo que a excitação da campanha faz com que a gente se convença de coisas que não existem. Uma delas é esta questão dos devolutos. O problema dos devolutos na cidade é conhecido há muito tempo, de toda a gente, e foi denunciado muitas vezes pela CDO, pelo Bloco de Esquerda e até pelo Partido Socialista. É uma coisa que é absolutamente conhecida e a única coisa que nós não sabíamos é quantos eram. Esta carta de habitação na cidade, de facto, demorou muito tempo a ser feita, mas hoje sabemos que são 20.270. O que é que podia ter sido feito com estes devolutos? Há muito tempo que o município podia intervir sobre este assunto. Não é agora. Não é agora que tem o número. Há muito tempo a história dos devolutos podia ter sido iniciada e nós sabemos que é um processo complicado, mas posta a energia numa coisa que é absolutamente fundamental, porque 20.270 casas, terrenos que estão neste momento disponíveis, é evidente que faz todo sentido quando temos esta crise habitacional. Crise habitacional também não começou em 2025. Já começou há muito tempo. Os efeitos que nós estamos a ter agora são muito mais graves porque foram crescendo. Nós temos preços de habitação no Porto que comparam com Bruxelas, com Paris, com Londres. Temos claro qual é o problema há bastante tempo. Relativamente àquilo que é a nossa opção, a nossa opção também é obviamente por habitação pública e ela é possível. Nós tivemos, durante este mandato, a opção do executivo de fazer parcerias público-privadas, quer para o Monte da Bela, em Campanhã, quer para o Monte Pedral, no antigo quartel da Rua da Constituição. Os concursos ficaram vazios, nós avisamos, era clarinho que o mercado não tinha interesse nenhum naquilo e assim aconteceu. Ora, estes são os dois primeiros terrenos onde é possível construir habitação pública. Quando nos dizem: "Pois, mas como? Com que dinheiro? Com que recursos?" Há recursos. Esta lei que saiu agora, ou a proposta que foi feita, na verdade, é uma medida mais de apoio aos senhorios e às construtoras do que outra coisa qualquer, e que até arrisca-se a favorecer a especulação imobiliária ou continuar a favorecer a especulação imobiliária. Mas relativamente aos recursos, não são simples, mas existem. Existem recursos da União Europeia. Estamos às portas de ter uma estratégia europeia de habitação que vai ter essa possibilidade. Temos, obviamente, recursos nacionais e temos que os ter, porque é um direito constitucional. E depois temos recursos também que vêm daquilo que são as receitas do município. E as receitas do município não são assim tão poucas. Este município tem tido contas certas e isso é ótimo, e por isso mesmo tem uma disponibilidade que muitos outros recursos não têm. E há um número que deixa claro isto. Em IMI e em IMT, o município tem tido um rendimento por ano de mais de 100 milhões de euros, o que quer dizer que em 10 anos, em média, teriam tido mil milhões de euros. Mil milhões de euros é o PRR para o país. Temos recursos aqui e temos outros, é uma questão de opção. Até agora, esta opção pela habitação como a maior prioridade não foi tida, nem na construção de habitação pública, nem evidentemente também na questão dos devolutos. Não houve esse esforço. Existe agora essa intenção. Aliás, toda a gente agora fala de habitação. Em 2021, em 2017, não era assim. E foi pena, porque nós devíamos ter conseguido controlar essa especulação imobiliária lá atrás. E habitação pública é isso também, é enfrentar a especulação imobiliária.

O Miguel Corte Real, pelo contrário, em nome do Chega, entende que não é com o aumento da oferta e da construção pública que o problema da habitação se vai resolver, mas temos dados. Ouvimos aqui dizer que há já mais 3000 famílias em emergência habitacional, 1000 famílias no Porto estão em lista de espera para casas sociais. Que alternativas então o município pode ter se for eleito?

Claro que sim. Antes de mais, muito bom dia a todos e agradeço ao Observador o convite e por promover este debate. Nós achamos que a construção de habitação pública não vai resolver o problema, até porque não era imediato e não ia trazer uma solução. Agora, é evidente que construção trará sempre vantagens para um problema de habitação. É algo simples. Mas não vamos entrar também num leilão, nem no leilão de construção, de número de casas, nem vamos entrar num leilão de responsabilidades. Hoje temos um estado de emergência na cidade. Há verdadeiramente pessoas que precisam de apoio para a sua habitação, mas grande parte delas está na sua própria habitação e precisam é de apoio. E existe hoje na Câmara um programa que temos falado, que é o programa Porto Solidário, que é um programa de enorme sucesso e que apoia um conjunto alargado de famílias. E o que nós queremos é reforçar esse programa. Não precisamos estar constantemente a inventar coisas novas. Nós podemos investir no que corre bem. E o Porto Solidário é um caso concreto. Nós temos é que alargar o programa para conseguirmos chegar a mais famílias, a essas famílias que estão em situação de emergência. E como é que nós podemos financiar isto? A nossa proposta é muito simples: é perceber que com o crescimento da cidade e o turismo, que nos trouxe coisas boas, trouxe-nos coisas positivas e traz para a nossa economia e para a economia local, mas naturalmente que também traz questões negativas, traz externalidades negativas. E tem, para isso mesmo, uma taxa. A taxa turística serve para isso. E queremos usar 20% do valor para reforçar o fundo do Porto Solidário e aí conseguimos chegar de uma forma imediata, e acho que aí todos concordamos que reforçando o Porto Solidário, a ajuda é de uma forma imediata, a muito mais famílias que estão em estado de emergência. Se nós fizermos estes 20%, neste ano estima-se que vão ser 30 milhões de euros, nos próximos anos com certeza que será mais, porque eram 20, agora são 30 e com certeza que vai continuar a subir. Nós vamos chegar verdadeiramente a um número muito maior de famílias. E mais do que isso, nós hoje temos um fundo que anda à volta dos 2 milhões e 650 mil euros, um bocadinho mais, e nós com isto levaríamos para 9 milhões e talvez para 10 milhões ou 11 no próximo ano. Isto sim é que era uma ajuda direta, no imediato. As famílias, os portuenses que hoje têm dificuldades, que não tinham, porque houve subida de rendas, houve subida de prestações bancárias, e pessoas que não tinham dificuldade e que hoje têm. E essas que estão na sua casa precisam de ter paz, precisam de ter tranquilidade para continuar na sua casa. E nós temos que fazer isso, temos que as apoiar para que possam continuar na sua casa, para que possam reorganizar a sua vida, para que possam continuar a ter uma vida saudável e não tenham que sair do Porto. Nós temos que usar o dinheiro da cidade, e o dinheiro da cidade é o dinheiro dos portuenses e dos contribuintes, para nos apoiarmos uns aos outros, para apoiar os portuenses. Não devemos estar numa lógica de estar a construir mais para que pessoas que não são do Porto queiram vir para o Porto. Eu percebo, é bom

É bom viver no Porto. Eu adoro viver no Porto, imagino que todos os portuenses adorem viver no Porto.

Mas houve muitos que tiveram que sair.

Houve muitos que tiveram que sair e isso é algo que tem que ser corrigido. E por isso é que é fundamental que haja construção. Agora, se nós queremos mais construção, antes de fazermos promessas de habitação também ou só, nós temos que olhar, porque em 2017 já tivemos muitas promessas de habitação. Íamos construir milhares de casas, tínhamos projetos que iam ser anunciados com pompa e circunstância pelo primeiro-ministro António Costa, com o presidente Rui Moreira, e não tivemos nada. Desses milhares, hoje temos 400 em construção, hoje em 2025. E, portanto, não se resolveu. Agora, se nós queremos mais construção, então vamos começar pelo que a câmara pode mesmo fazer, e é agilizar os processos para quem quer construir. Vamos olhar então, como aqui também já foi referido, e acho que nisso também estamos de acordo, para o que a câmara tem enquanto património e pô-lo ao serviço das pessoas e garantir que possam lá morar pessoas, trabalhar com privados para que possam construir, trabalhar com cooperativas para que possam construir. Acho que o Estado tem que perceber um bocadinho o seu papel, que por vezes tem que sair da frente e, portanto, pode aproveitar o que tem, que são terrenos municipais, e chamar cidadãos do Porto com a criação de cooperativas e dizer: "Construam o vosso próprio espaço".

Para que o processo possa acelerar. Deixe-me pegar nisto, Felipe Araújo, na questão dos projetos que já tinham sido apresentados há alguns anos, promete aumentar a habitação até às duas mil casas. Podemos perguntar ao candidato que está em funções há 12 anos se não viu chegar este problema e se a câmara não podia ter começado a dar uma resposta mais cedo do que agora.

Se faz muito bom dia, é um gosto estar aqui com o Observador, cumprimentar a todos que nos estão a ver e ouvir. Primeira coisa que eu gostava de dizer é que nós não começamos agora, há 12 anos que o primeiro manifesto eleitoral com que concorremos falava já no Porto Solidário. Portanto, o tema da habitação tem estado ao longo destes 12 anos a ser tratado. Nós temos hoje um parque de 13% da população vive em habitação social. Investimos 200 milhões de euros nos últimos anos a reabilitar os bairros sociais. O Estado investiu zero. Portanto, esta é a diferença entre o movimento independente e partidos a gerir, neste caso, o nosso país. Mas deixe-me pegar noutra coisa. Para além do Porto Solidário, para além do Porto com sentido que aqui ouvimos falar, que foi buscar precisamente esses devolutos aos privados e trazê-los para o mercado de arrendamento, na realidade, o que nós até agora ouvimos falar são programas implementados nos últimos anos pelo movimento independente que governou a cidade. Sabe o que isto quer dizer? É que para os portuenses, certamente é muito melhor o original do que a cópia. É quase diga não à cópia, porque o resto que estão a propor são cópias. Nós somos os originais, somos aqueles que implementamos os programas, que até deram origem a programas nacionais. Pois outro tema que é importante quando estamos a falar da habitação e que me preocupa muito neste discurso, que é pessoas a mais. Aliás, eu já não sei se está a falar o Pedro ou o Duarte, porque depende. O Pedro uma vez já deu entrevistas a dizer que há pessoas a mais, portuenses a mais. Hoje já ouvimos dizer o Duarte que afinal, se calhar, pode ser que possam vir mais algumas pessoas para aqui. É de quem não percebe o que é uma cidade, desculpem. Uma cidade do Porto, ainda para mais uma cidade da Academia, com 80 mil estudantes, vive dos jovens, vive das pessoas que vêm para aqui para o Porto viver, vive daquelas pessoas que depois querem constituir família, que cá querem trabalhar, vive das empresas que vêm para cá e que atraem trabalho e emprego. Isto é que é o Porto, e o Porto, obviamente, tem que ser uma cidade em crescimento, não pode ser uma cidade parada, árida, em que nada acontece. Isso é uma cidade a definhar, isto não faz sentido nenhum, desculpem. E portanto nós precisamos de uma cidade com a dinâmica que temos tido nos últimos tempos e uma cidade que fale, e os candidatos, e nesta candidatura, nós assumimos compromissos e não fazemos promessas, porque nós não vivemos no mundo da fantasia. Eu já tive a oportunidade de dizer que esta lógica de agora vamos construir cinco mil, dez mil, é o mundo da fantasia, é um mundo que nos pode atirar para um despesismo que o Porto não está habituado. E eu não pactuarei com nunca colocar o Porto de mão estendida em relação a Lisboa, porque um dia que perdermos esta capacidade de independência das contas certas, passaremos a estar com a mão estendida em relação a Lisboa. Portanto, os compromissos que nós assumimos são muito claros. Primeiro, reforçar os programas que já temos. As 1400 a 2000 casas são casas que nós sabemos onde é que vamos construir. Temos já projetos ou até alguns concursos já lançados.

Acha que, por exemplo, o número do PS é irrealista?

Acho que o número do PS é irrealista. Acho que o PowerPoint está bem feito, mas de facto, na vida real é uma fantasia despesista. Disso não tenho nenhuma dúvida.

Vamos só rapidamente passar aqui no turismo, porque está relacionado com o problema da habitação e pedia uma ronda mais curta, porque está relacionado, e a começar precisamente pelo Pedro Duarte. O Porto tem capacidade para receber mais turistas e até que ponto é que a cidade pode estar dependente da taxa turística? Muitos dos candidatos, quase todos, têm projetos para alocar o dinheiro da taxa turística. No caso do Pedro Duarte, é também para os transportes, até onde é que se pode esticar esta cobrança deste imposto? Aos dois.

Sim, eu só pedi só um pequeníssimo parêntesis, apenas para repor a verdade, não mais do que isso. Eu compreendo que a candidatura dita independente assuma o papel de ponta de lança do Partido Socialista neste debate e, portanto, que faça o ataque, como se costuma dizer. Isso faz parte da dialética política, mas é importante que o faça com verdade. Eu nunca afirmei, em momento nenhum, que havia portuenses a mais. Isso já foi dito várias vezes, é uma mentira repetida, mas não é por se repetir muitas vezes que ela passa a ser verdade. Isso nunca aconteceu. Falando de turismo, eu diria o seguinte, que o turismo tem sido muito importante para a cidade nos últimos anos, mas como quase tudo na vida, tem que ter contrapeso e medida. E eu acho que nós estamos, até pelos exemplos que já conhecemos de outras cidades europeias, nós temos de perceber que o Porto não deve ultrapassar determinado tipo de limite. E, portanto, um turismo equilibrado, aquilo que eu tenho chamado um turismo inteligente, é o que nós precisamos. Tentando atrair mais riqueza e, portanto, mais receita do turismo, mas não necessariamente trazendo mais confusão, mais caos, mais ruído, mais sujidade para a cidade.

Qualificar o turismo?

Qualificar o turismo?

É um pouco isso, é qualificar o turismo. Temos formas de o fazer. Uma delas, que não pode ser a única, naturalmente, do ponto de vista das políticas públicas, é precisamente através da taxa turística. Eu acho que nós podemos e devemos aumentar a taxa turística, precisamente enquanto metodologia de posicionamento da cidade no mercado turístico global.

Há muitas cidades que tentam fazer isso e não há propriamente um efeito muito direto entre o aumento da taxa turística e a redução do número de turistas.

Exatamente. Por isso é que eu dizer que não pode ser única. Essa medida isolada provavelmente vai ter pouco resultado. Agora, se nós associarmos outro tipo de medidas, isso tem que ser feito com os operadores privados também.

Dê um exemplo, rapidamente.

Eu posso dar o exemplo, nós criamos infraestruturas, por exemplo, para termos um chamado turismo de negócios, trazê-los para a cidade. Para isso precisamos, por exemplo, de espaços para congressos. É um exemplo, apenas. Há outros que se pode dar. E desse ponto de vista, há muita coisa que pode ser feita para nós alterarmos o paradigma de turismo que temos também na cidade do Porto. Por quê? Isto é a mensagem essencial. Nós não podemos perder a identidade da cidade. Se descaracterizarmos aquilo que é o Porto hoje em dia, nós vamos perder tudo, inclusivamente vamos perder o turismo.

Rui Novak Pizarro, há, de fato, muitos portuenses que já não vão a algumas zonas da cidade do Porto porque não se identificam e sentem que estão numa espécie de Disneylândia. É preciso controlar o turismo? Até o próprio orçamento da câmara não está demasiado dependente desta atividade?

Deixe-me só, muito brevemente, voltar um pouco atrás. Em 1981, o Porto tinha 330 mil habitantes. Em 2021, tem menos de 100 mil, 230 mil. Eu não me resigno à ideia de querer um Porto pequenino. Eu quero um Porto que se afirme de forma liderante e a componente demográfica também faz parte disso. Eu recuso-me a aceitar que as dezenas de milhares de jovens portuenses que se querem emancipar e que não têm casa no Porto, os estudantes que vêm pra academia e não têm possibilidade de ter uma casa quando acabam a sua formação, os muitos filhos e netos dos portuenses que não puderam ficar a viver no Porto, não tenham espaço no Porto para viver. Recuso-me a acreditar nesse Porto pequenino, paroquial. Eu quero um Porto que seja uma cidade que se afirma, que se afirma na liderança da região e isso exige uma política de habitação e a única solução é a oferta. Eu estou muito empenhado na recuperação dos devolutos, mas é preciso conhecer a realidade. A grande maioria deles precisa de grande requalificação. Não estão mobilizáveis para o mercado de um dia para o outro. Têm proprietários privados. Eu não estou a pensar expropriá-los. Estou a pensar negociar com eles e motivá-los. Isso é, evidentemente, um processo demorado. Isto prende-se também com o turismo.

Pois.

O Porto, como diz o professor Hélder Pacheco, que é inquestionável, não tem turismo a mais. Tem, às vezes, é Porto a menos. O que eu vou fazer é com que haja mais Porto. Mais Porto na habitação, mais Porto, por exemplo, nas grandes artérias comerciais do Porto, com um plano de requalificação urbana e comercial que envolva comerciantes, moradores, proprietários e que devolva essas ruas, numa estratégia coletiva, que devolva a sua natureza identitária, que eu reconheço que muitas delas perderam. Para isso, vamos ter que fazer uma coisa junto do governo, que é conseguir que, havendo esses planos de requalificação urbana e comercial aprovados, nós possamos ser excluídos do licenciamento zero, pelo menos nessas ruas, para paulatinamente recuperarmos alguns espaços da cidade que eu reconheço que foram um pouco avassalados pelos interesses imobiliários.

O que está a dizer é que a cidade se deve adaptar a ter mais turistas, e a conseguir recebê-los e a dar-lhes uma oferta mais atraente.

Repito, divergimos nessa análise. Eu não acho que o Porto tenha turistas a mais, acho que o Porto precisa do turismo como um impulso pra sua economia, pra requalificação urbana, pra recuperação de muitos dos devolutos. E como é que nós compensamos isso? Com o outro lado da equação. Se nós fizermos com que haja muito mais Porto, vamos poder aguentar a pressão turística atual.

Diana Ferreira, a CDU quer impor limites ao alojamento local. Consegue quantificar esses limites? E também se há aqui uma relação direta entre a crise na habitação e a atividade turística no Conselho do Porto.

Eu acho que o turismo que temos atualmente na cidade, e diria assim, coloca, naturalmente, um tipo de pressão, e desde logo sobre a questão da habitação, que diria que é uma ligação por demais evidente. Até porque há um alargado conjunto de fogos habitacionais que foram transformados em alojamento local. E só isso, a retirada de fogos que eram para habitação permanente e que neste momento são no fundo para utilizações temporárias, já dá aqui este elemento também de ligação direta. E naturalmente que a pressão turística também contribui pra uma especulação imobiliária desenfreada que nós temos atualmente na cidade. A CDU não demoniza o turismo. Nós entendemos que o turismo é uma atividade econômica importante pra a cidade do Porto. Não deve ser a única e não devemos ter uma cidade dependente da atividade turística. Deve ser uma atividade, entre outras atividades da economia local da cidade, que contribuam também para o seu desenvolvimento e, já agora, que contribuam para um processo de inclusão e de integração de todos na cidade do Porto. Neste momento, uma parte significativa da população da cidade do Porto tem negado o seu direito à cidade. Isso é que transforma o Porto numa cidade dormitório. É as pessoas não terem acesso a um conjunto de espaços na cidade do Porto, mesmo habitando cá. E nós temos, neste momento, essa realidade. Nós, efetivamente, o que defendemos a nível do alojamento local é que não se atribuam mais licenças para alojamento local. Ou seja, que se trave neste momento e que não se atribua mais qualquer licença no âmbito do alojamento local. Nós temos um regulamento municipal que prevê que possam existir até 20 unidades de alojamento local na cidade. Paralelamente, do ponto de vista da habitação pública, conjugando a habitação do IRU e a habitação municipal, grosso modo, estamos a falar aqui de qualquer coisa que não chega sequer aos 16 mil fogos. Ou seja, eu acho que isto também demonstra que há o que nós temos chamado de prioridades invertidas no que se refere às matérias até de habitação e do turismo. Além disso, também é preciso, desde já, travar o que está também aí anunciado, quer dizer, 122 novos hotéis pra a cidade do Porto, são notícias que conhecemos, traduzindo-se isto, a concretizar-se numa média de 7,61 hotéis por quilômetro quadrado na cidade do Porto. Ou seja, este é um processo que é preciso travar e devolver também a cidade, no fundo, privilegiando quem cá mora, quem cá trabalha todos os dias, porque nós temos, iremos provavelmente falar também de mobilidade, mas uma intensificação dos movimentos pendulares que se fazem pra cidade, exatamente na sequência até de quem foi expulso da cidade do Porto, mas continua a ter que vir para o Porto trabalhar. Ou seja, todas estas realidades que acabam por se conjugar entre si têm, naturalmente, que ter intervenção. E nós temos que travar a construção de novos hotéis, desde logo também a suspensão de atividades do alojamento local, de licenças, e também rever aquele que é o chamado regulamento da movida para garantir o direito ao descanso das populações, nomeadamente esta zona do centro histórico, porque é algo que nos tem sido colocado. A CDU tem acompanhado de muito perto as preocupações dos moradores desta zona, exatamente porque têm negado o direito ao descanso.

Sérgio Aires, o turismo é uma galinha dos ovos de ouro pra a cidade do Porto ou já começa a ser um problema?

Eu estou a pensar que vou ter que começar a tomar medicação para vir para estes debates. Se calhar vou pedir ao Manuel que me passe uma receita, porque as pessoas dizem uma coisa num debate, depois contradizem para outro, no outro debate diz exatamente o contrário e eu começo a ter problemas de saúde mental. Deixe-me só também dizer qualquer coisa atrás relativamente à habitação, só para esclarecer uma coisa. Há uma grande confusão entre habitação pública e habitação social. E a resistência que existe à habitação pública é porque se está a pensar que se está a fazer habitação social. Isso já quer dizer alguma coisa do que se pensa sobre habitação social, que é habitação para os pobrezinhos. Na verdade, há aqui um preconceito ideológico relativamente à habitação pública e até mais do que isso. Mais do que um preconceito ideológico, é uma proteção aos negócios e à especulação imobiliária. E as pessoas sabem disto. As pessoas foram expulsas, continuam a ser, as pessoas não encontram casas, mesmo tendo rendimentos, mesmo com o Porto Solidário, não há casas. E quando as alugam, porque isso não há fiscalização absolutamente nenhuma, as pessoas estão a pagar cinco, seis, sete rendas adiantadas. Vão à Cofidis, pedir dinheiro, endividar-se para pagar essas rendas. Esta é que é a situação. Portanto, sejamos claros, isto não é hoje, não começou hoje. Relativamente àquilo que me pergunta, evidentemente que o único tema que está aqui, nós temos habitação, mobilidade, etc. A verdade, o tema é economia. É disso que nós temos que discutir. É que economia que esta cidade quer ter. Aquilo que nós temos atualmente, já temos há muito tempo, é uma monocultura econômica do turismo. Aliás, tive a oportunidade ontem de ver, é por isso que eu preciso da medicação. Quando a Catarina Araújo, num outro debate, membro do executivo, reconheceu, foi ela própria a dizer que há uma monocultura do turismo. Eu fico espantado com isto, mas também ouvi dizer já o próprio presidente a reconhecer que há a gentrificação. Portanto, muitas das coisas que há quatro anos eram absolutamente recusadas. O que nós temos pela frente, por um lado, é a qualidade do turismo. E sim, temos turismo a mais. E são os turistas que o dizem. As pessoas que estão a voltar à cidade, que já cá estiveram antes, e mesmo as que vêm de novo, já estão a começar a não achar graça à cidade, porque ela está descaracterizada, porque ela está demasiado ocupada por turistas, particularmente em algumas zonas e, portanto, é evidente, podemos cair no risco de dar cá a galinha dos ovos de ouro, de facto. Aliás, sobre a taxa turística, já agora também, é bom recordar que quando nós propusemos a taxa turística, PSD e PS inclusivamente, mas sobretudo o PSD, manifestou-se absolutamente contra. Era matar a galinha dos ovos de ouro, era exatamente esta a expressão que era utilizada, e agora a taxa turística serve para tudo. Relativamente ao alojamento local, nós não temos nada contra, nem o turismo, nem o alojamento local, nem absolutamente nada. Temos contra o descontrole de todas estas situações. E o alojamento local, sim, foi responsável, muito responsável pela ocupação daquilo que são muitas casas que estariam disponíveis para arrendamento e os preços, naturalmente, dispararam também por isso, é essa a consequência. Quanto aos hotéis, nós apresentamos uma proposta de uma moratória relativamente aos hotéis. Foi chumbada com argumentos de que seria ilegal. Por quê? Porque teríamos que alterar o PDM. O PDM não é um livro sagrado, que eu saiba. Aliás, ele devia ser revisto e sim, devia ser alterado sempre que for preciso, sobretudo quando temos uma emergência habitacional. Já agora, em relação à emergência habitacional, ela não é apenas para a classe média e para os jovens, é para as pessoas em situação de sem-abrigo, coisa que nunca se fala quando se está a falar de habitação nesta cidade.

Há pelo menos mil pessoas nessa situação. O Miguel Corte Real já defendeu aqui, neste debate, a utilização da taxa turística, de parte dela, para fomentar uma série de propostas, habitação, mas também segurança. Isso não acaba por fomentar a tal monocultura do turismo de que estamos aqui a ouvir falar?

Acho que não. Acho que nós temos que olhar para as coisas com perspectiva. E em primeiro lugar, é bom ver o Bloc a falar de economia e da necessidade de haver uma economia na cidade. E é isso mesmo que tem que acontecer, porque o Porto é uma cidade que sempre se caracterizou por ter uma economia viva e que foi evoluindo como todas as cidades e todas as economias, foram-se adaptando ao seu tempo. E hoje, o que o Porto tem é uma cidade que tem, num setor muito específico, que é este que estamos aqui a falar, da economia, tem tido um crescimento. E portanto, nós temos que saber o que é que queremos. Antes de começarmos também a tomar muitas decisões, dizer que visão de cidade é que queremos. E para mim é claro, nós temos que ter melhor turismo. Esta tem que ser a visão de cidade. E portanto, temos que procurar qualificar o turismo que vem. Porque se temos um problema de excesso de turistas, mas nós queremos manter o Porto uma cidade aberta, uma cidade atrativa, porque é uma cidade com identidade, uma cidade com cultura, que eu percebo perfeitamente que toda a gente queira visitar, e aconselho toda a gente a visitar o Porto, que vale mesmo a pena visitar o Porto e portanto não podemos privar os outros disto. Agora, o que nós temos que fazer enquanto município é ter uma estratégia, é saber para onde é que queremos ir. E portanto, para mim, no turismo, é sempre claro que temos que qualificar esse turismo, mas para isso é preciso haver investimento nesse sentido. E portanto, atualmente até decorre um estudo da Associação Comercial do Porto, a Associação de Turismo do Porto, que diz que nós precisamos de atrair novas rotas e faz até um estudo onde qualifica que com 4 milhões de euros conseguiríamos atrair 10 novas rotas com destinos de primeira linha do ponto de vista de turistas e de capacidade de investimento e de consumo na cidade. Portanto, é muito por aí que nós temos que ter. Temos que procurar qualificar, temos que investir para ter retorno.

E o alojamento local?

Sobre a taxa turística. Vamos lá ver. Eu, por princípio, sou sempre contra aumentarmos impostos, taxas, taxinhas e coisas dessa natureza. Por quê? Porque nós temos um Estado demasiado gordo, um Estado que gasta demais. E enquanto nós não pusermos o Estado a fazer aqui uma reforma, a fazer aqui uma redução, a trabalharmos em matar aqui a má despesa pública que existe, não vale a pena estarmos a falar em ter mais receitas, porque mais receitas só vai servir para termos mais má despesa pública. E tem sido muito isso que tem acontecido, porque a despesa pública tem aumentado. E nós temos é que olhar para o que temos e perceber como é que vamos investir o que temos. E a taxa turística tem um objetivo, e foi criada com esse objetivo, que é única e exclusivamente combater as externalidades que o turismo gera É única e exclusivamente. Aí o alojamento local, outros setores que vêm a reboque do turismo, naturalmente, e como consequência do turismo, e que ajudaram também em muito a reabilitação da baixa do Porto. Obviamente que as coisas não trazem só coisas boas e quando trazem coisas boas, bom. Quando trazem coisas más, já são maus. Não é assim. Por isso é que há uma taxa turística.

Há o ponto de equilíbrio no alojamento local, sim ou não? É preciso limitar essa necessidade?

Nós hoje já temos limitações ao alojamento local. O que nós temos é que privilegiar também que o alojamento local, por exemplo, privilegiar empresas do Porto que estejam a investir nesse setor, porque muitas vezes fala do alojamento local e estamos aqui a criar um demónio sobre o alojamento local. Mas uma substancial parte dos imóveis que têm alojamento local, são de pessoas que têm um, dois ou três.

Sabe que não é verdade.

Vocês dizem o que querem ao vosso gosto.

Não, nós dizemos o que queremos.

Podem dizer o que querem ao vosso gosto. Posso falar?

Pode, mas só estou a dizer que não é verdade.

Obrigado. Pronto, na vossa opinião não é verdade. Na minha opinião, é verdade.

A verdade não é uma questão de opinião.

A verdade não é uma questão de opinião, mas também não é uma questão ideológica, a verdade.

Mas está bem como está e o mercado vai naturalmente regular o alojamento local.

Há muitos portuenses que hoje têm uma casa em alojamento local. E como é que conquistaram essa casa? Conquistaram com poupança, que é uma coisa que parece que assusta muita gente. Gente que poupou e que decidiu usar essa poupança e investir, e comprou um apartamento e hoje tem um pequeno negócio. E então, isso é um problema? É que nós vivemos numa sociedade onde estamos a criticar as pessoas que fazem poupança e que investem a sua poupança. É que temos que ter aqui algum equilíbrio. Temos verdadeiramente que ter algum equilíbrio.

Para colocar a posição do Chega sobre isso. O senhor Araújo tem, nesta altura, o pelouro das finanças, saberá melhor que ninguém se as contas da Câmara do Porto não estão nesta altura demasiado dependentes do turismo e das taxas.

Permitam-me só voltar atrás. Diário de Notícias, 8 de setembro. "O Porto já tem um excesso de concentração, de confusão, vamos dizer assim, porque tem excesso de pessoas". E o Pedro disse isto, eu não sei se hoje temos aqui o Duarte ou o Pedro, mas o Pedro disse isto. Agora, eu quero esclarecer os portuenses. Eu estou aqui no Porto. Eu não interrompi, espero que não interrompa, acho que vai ter a oportunidade de falar. Eu estou aqui pelo Porto e queria também dizer outra coisa, que o Pedro Duarte diz muitas vezes que somos uma bengala e queria esclarecer todos os portuenses que eu só tenho uma bengala e é aquela da Queima das Fitas, está em minha casa lá guardada, não tenho mais nenhuma. Portanto, vamos falar mas é das medidas, que acho que é isso para que aqui estamos.

Essa tem uma bengala.

O que eu queria dizer era, essencialmente, primeira coisa, nós temos hoje um regulamento do alojamento local e o alojamento local é algo que está, e fomos até percursores nisso, está definido e as metas que cada freguesia tem estão balizadas e pretendem proteger aquilo que é a habitação. A segunda coisa era dizer que nós temos é um problema do alojamento local ilegal, de atividades ilegais, e isso nós temos que aumentar a fiscalização e temos que mudar certas leis, como a do licenciamento zero, que permite que haja uma panóplia de lojas, nomeadamente de souvenirs espalhadas pela cidade, que ninguém gosta e que são, ainda para mais, lojas de fachada. Portanto, temos que alterar isto. E tudo que é atividades ilegais, temos que as conseguir combater e fiscalizar. Depois, dar nota de que sobre o tema dos hotéis, é importante que os portugueses e os portuenses percebam que quem licencia os hotéis não é a Câmara Municipal, é o Turismo de Portugal. E nós estamos contra isso, porque o Turismo de Portugal, em Lisboa, olha para o Porto e diz assim: "Quer seja na Ribeira, quer seja em Paranhos, é exatamente igual licenciar um hotel". Isto não pode ser, obviamente. A Câmara tem que ter um papel a dizer nisto, como tem que ter um papel no licenciamento da atividade comercial na cidade, e não tem hoje em dia. No alojamento local, por acaso, conseguimos que houvesse uma lei que permitisse ter essas funções. Deixe-me só dizer outra coisa que é importante. Nós temos esta noção de que os portuenses devem ser discriminados positivamente na sua cidade e por isso criamos o cartão Porto Ponto. O cartão Porto Ponto permite aos portuenses entrar gratuitamente nos museus, permite descontos na cultura, permite subir o funicular de forma gratuita. Ainda há pouco tive a oportunidade de subir e tem uma fila propositada para as pessoas que habitam na cidade. Nós criamos esta discriminação positiva, é assim que se lida com aquilo que é a atividade turística. Para responder diretamente à sua pergunta. Não temos uma atividade de monocultura de turismo na cidade. Não temos mesmo. É fácil olhar para os números. Os números não mentem. Nós que fomos, nos últimos 12 anos, capazes de atrair dezenas de empresas, empresas internacionais que criaram dezenas de milhares de postos de trabalho. As pessoas esquecem-se da altura da pandemia, quando a cidade ficou sem turismo, a cidade continuou a ter muita gente a trabalhar, muita gente a trabalhar em casa, porque havia muitos postos de trabalho que foram criados na altura também e que permitiram essa atividade. Portanto, a cidade do Porto não é, nunca foi monocultura de turismo. E nós, obviamente, continuaremos a trabalhar para que não seja, para que esta atividade que atrai pessoas, que precisamos de pessoas para viver, que precisamos de atrair talento, precisamos de criar talento, precisamos de reter os jovens. Um jovem não quer viver numa cidade sem oportunidades. Hoje, os escritórios estão todos completos, estão todos cheios. Há dois anos atrás, sabe como é que estavam? Estavam todos vazios.

Há uma diversificação da economia da cidade. Vamos passar à mobilidade, já aqui falámos. Diana Ferreira, começo por si. A CDU é contra este modelo de Metrobus. Existindo agora como está, como é que pode ser aproveitado e que condições e poderes tem a autarquia para mitigar os problemas do projeto original?

Já lá vou isso. Deixe-me só fazer aqui uma observação muito breve ainda em relação a esta matéria do alojamento local, porque deixe-me colocar assim esta expressão, já lá vai o tempo em que a maioria do alojamento local disponível era de uma família que tinha uma casa e que disponibilizava essa casa. Nós, neste momento, temos fundos imobiliários que compram prédios inteiros para alojamento local. Também é desta realidade que estamos a falar e naturalmente que isso altera até o perfil de alojamento local que temos neste momento na cidade. E sobre os postos de trabalho, relativamente à atividade turística, mas também a atividades econômicas conexas ao turismo, como a restauração e hotelaria, eu não posso aqui também deixar dizer que estamos a falar de uma realidade laboral de quem trabalha em situações de grande precariedade e com baixos salários E, por isso, até de um ponto de vista da atividade econômica que existe na cidade do Porto, quando falamos destes setores, falamos também muito deste tipo de realidade laboral e que é algo que nós contestamos. Sobre a questão do metrobus. Nós fomos muito críticos de todo este processo. Na altura, face a desenvolvimentos sucessivos em que, de um ponto de vista de informação, estava tudo bastante confuso, exigimos que se fizesse uma comissão de acompanhamento a todo este projeto, para que efetivamente pudéssemos ir tendo informação sobre tudo isto. Neste momento temos a obra feita e, como tal, o que importa é que, já que a obra está feita, ponham-se os devidos veículos a funcionar. E que se ande com isso para frente. Embora nos pareça profundamente precipitado avançar com qualquer segunda fase de desenvolvimento do metrobus, quando há uma primeira fase que não está, na prática, concluída. Ou seja, há uma obra feita, mas não há sequer veículos a circular, nem sequer conseguimos ainda perceber de que forma é que isto se pode ou não articular, do ponto de vista de mobilidade, com outros meios de transporte. Na nossa opinião, e dissemos desde o início, do ponto de vista de mobilidade, isto não iria acrescentar ou melhorar nada a mobilidade na cidade. Aliás, teve até um outro efeito, porque na Avenida da Boavista desapareceram os corredores do bus. E neste momento, fazer aquele percurso enorme de autocarro ou de carro, se calhar de carro até é mais rápido, porque entretanto o autocarro tem que ir parando nas diferentes paragens. Este é um dos problemas, ou pode ser um dos problemas, do ponto de vista da mobilidade da cidade, mas eu diria que nós temos problemas estruturais que exigem também uma solução robusta. Nós precisamos de uma rede articulada de transportes e uma rede articulada que, conjugando diferentes meios de transporte, não seja só municipal. O Porto, e disse-o há pouco, juntando todas as pessoas que foram expulsas da cidade, tem uma forte concentração de quem se desloca para vir trabalhar para o Porto e de quem passa pelo Porto para ir trabalhar para outros sítios. E, por isso, é fundamental existir uma rede articulada de transportes públicos, até de um ponto de vista metropolitano, que conjugue diferentes formas de mobilidade. Ferrovia, mais frota de um ponto de vista da própria STCP, mais frequência nos horários da STCP, a expansão também da linha do metro, porque o metro é também um transporte que é importante de um ponto de vista da deslocação. A articulação de tudo isto com formas de mobilidade suave, que podem também ser formas muito incentivadas na cidade e, desde logo, um Porto ciclável, com uma rede que faça sentido e que não sejam só segmentos cicláveis espalhados pela cidade, que depois também não dão segurança a quem faz a circulação na cidade de bicicleta. Ou seja, há um conjunto de medidas que têm, efetivamente, que ser articuladas para resolver os problemas de mobilidade do Porto. E defendemos ainda uma outra coisa: desportajar a CREP é absolutamente determinante para resolver o problema da VCI. As forças que compõem a CDU propõem há largos anos a eliminação das portagens, nomeadamente no distrito do Porto. O distrito do Porto, à exceção de dois pórticos que existem em Aveiro, é o único distrito do país que mantém os pórticos nas ex-SCUT. É justamente urgente desportajar o que ainda se mantém. Apresentamos várias vezes, PSD e PS foram rejeitando continuadamente essas propostas na Assembleia da República e hoje estamos perante um problema na VCI que, se calhar, não existia, não nesta dimensão. Também não é o único elemento, mas não existia nesta dimensão, se neste momento as portagens já tivessem sido eliminadas, como temos vindo a defender há anos.

Manuel Pizarro, compromete-se a acabar com as portagens na CREP e também diminuir a velocidade na VCI?

Deixe-me voltar ao tema do metrobus.

Sim, eu também quero ouvir sobre o metrobus, claro.

Eu acho que a primeira fase do metrobus, que foi planeada de forma que eu não consigo compreender, só tem agora uma solução: é pô-lo em funcionamento. Não vejo que depois desgaste aquele-

Mas como é que isso se faz?

Pô-lo em funcionamento é colocar os autocarros a funcionar e resolver o problema de como é que eles circulam na rotunda. Eu não vejo outra maneira, mas eu não sou engenheiro de tráfego. Não vejo outra maneira que não seja ter uma composição redundante, que felizmente existe, e fazer com que as composições do metro, quando chegam à rotunda da Boavista, circulem pela rotunda normalmente, havendo outra que está pronta para arrancar no horário certo. Não vejo outra solução.

E adaptar as paragens às portas.

Já estão. Parece que as novas composições já estão adaptadas. Isso parece que estará resolvido. Sobre a segunda fase, eu considero uma provocação que a administração da empresa do metro, que depende em 99% do seu acionista, que é o governo, tenha decidido, em fase pré-eleitoral, avançar com a obra da segunda fase, sabendo que as várias candidaturas têm opiniões diversas e opiniões divergentes sobre a forma como a obra deve ser feita. Portanto, eu não tenho sobre isto paninhos quentes. Há uma responsabilidade da administração da Metro e há alguém que tutela a administração da Metro e que é acionista maioritária com mais de 99% do capital. E convinha que o senhor ministro das Infraestruturas explicasse o que pensa sobre esta matéria. Quando eu for, como espero, presidente da Câmara do Porto, não se faz uma obra do Porto sem autorização da Câmara. Acho que esta forma de proceder, uma coisa que é inadmissível.

Pedro Duarte, até já avançou com uma previdência cautelar para impedir precisamente o avanço desta segunda fase das obras do metrobus. Houve aqui esta ideia de chamar a resolver este embaraço o ministro das Infraestruturas, com a facilidade que tem de chegar ao Conselho de Ministros. Pode ajudar a percebermos como é que este problema pode ser resolvido?

Eu não posso deixar de sorrir perante este flic-flac socialista. Este metrobus, que eu costumo chamar de metro PS, porque esta é uma obra socialista desde o início. Aliás, fervorosamente acarinhada pelo governo de então, de que o candidato do Partido Socialista, Manuel Pizarro, fazia parte, cujo principal autor é o seu camarada, amigo e particularmente próximo, do ponto de vista político, ministro do Ambiente de então

Portanto, foi desde sempre uma obra socialista celebrada com gáudio. De facto, agora o que se passou é absolutamente inadmissível por uma administração do Metro que está a quatro dias de ir embora. Achar-se que é o ministro em Lisboa que decide que é o troço entre a Rua Jorge Reynaldo, que os ministros não fazem ideia onde fica, certamente, como é normal, e a Rua Miguel Torga, que isto foi o ministro que vai delinear isso, é colocar-nos numa posição, no mínimo, ridícula.

Mas este caso já se tornou um caso nacional, no sentido em que se arrasta, são 800 milhões de euros e não há uma solução.

De desperdício, de irresponsabilidade, até do ridículo a que nos faz expor aqui na cidade do Porto. Estamos completamente de acordo. Felizmente, eu julgo que o pesadelo vai começar a acabar quando a administração socialista da Metro deixar funções dentro de uns dias e quando houver uma nova Câmara Municipal, que evidentemente vai repensar todo aquele projeto para voltarmos a ter um bocadinho de sentido de responsabilidade e de respeito pelos portuenses, porque o que aqui está em causa é um profundo desrespeito pelas pessoas e é aquilo que eu nunca admitirei enquanto presidente da Câmara.

Deixe-me só perguntar-lhe-

Se puder uma frase, eu não quero interromper, porque acho que isto tem que decorrer com civismo. Era só para lembrar ao doutor Pedro Duarte que ele tomou posse como ministro no dia 4 de abril de 2024. Só para as pessoas saberem. Houve uma mudança do governo, se não houve mudança da administração da Metro, foi porque o governo não a quis mudar.

Eu posso responder, mas é relativamente simples, porque o Partido Socialista, sempre que houve mudanças de administrações em empresas nacionais, dizia que era uma partidarização, que era inadmissível, inaceitável e, portanto, o governo fez aquilo que é suposto fazer-se numa democracia evoluída, quer deixar terminar o mandato da administração em causa. E assim aconteceu.

Acabou a 31 de dezembro.

Outras empresas mudaram as administrações. Na Metro, que é uma trapalhada, como descreveste, não mudaram. Portanto, o argumento não cola.

Nós podemos estar a discutir isso, parece-me um bocadinho deslocado da cidade do Porto, confesso. Mas aquilo que aconteceu aqui foi respeitar aquilo que era uma administração que estava em funções.

31 de dezembro de 2024.

Exatamente, estava no último ano de mandato. O que aconteceu a seguir é que o processo de sucessão estava a decorrer e depois o Chega, o Partido Socialista e outros derrubaram o governo. Eu não sei se lembram, apresentaram uma moção de censura, derrubaram o governo. Um governo em gestão não pode legalmente substituir a administração.

E aí sim, já nos estamos a desviar do foco da cidade do Porto.

Peço desculpa, mas parece que tenho que pedagogicamente explicar o que aconteceu, caso esteja em ronda grande, é muito evidente.

O doutor Pedro Duarte só não quer é falar do Porto. Qualquer outro assunto, ele entra.

Já vamos falar do Porto.

Deixe-me só perguntar se mantém a intenção de portajar os pesados na VCI, mesmo depois das críticas, por exemplo, do Luiz Filipe Menezes, que diz que não vai resolver nada.

Eu acho que nós temos uma sugestão em cima da mesa que me parece muito razoável. A primeira é que, Diana disse com razão, andamos há anos, décadas, a dizer que é preciso tirar portagens da CREP e nunca ninguém o fez. Ora, o governo que eu fiz parte, já que isto é trazido à colação, decidiu pela primeira vez, foi o governo que tomou essa decisão, negociou com a concessionária e já apresentou essa solução. A partir de 1 de janeiro de 2026, desde que os autarcas locais assim aceitem e concordem, deixa de haver portagens na CREP. Agora, essa medida, por si mesma, não é necessária, porque continua a ser mais, provavelmente rápido, pelo menos muito mais curto, o período pela VCI. E portanto, nós temos que criar um desincentivo para que os pesados que atravessam a cidade, não estamos a falar daqueles que servem a cidade, estamos a falar daqueles que usam a autoestrada entre o Norte e o Sul do país ou Sul e o Norte, para poderem de facto divergir para a CREP, vai ter que haver um incentivo, neste caso, um desincentivo para virem para VCI. E portanto, eu acho que deve ser ponderado a existência, de facto, de pórticos que tecnologicamente está a ser estudado e que cumpram esta missão.

Sérgio Aires, o fim das portagens pode ajudar a mitigar este problema de excesso de trânsito?

Sim, deixe-me só voltar também um bocadinho atrás. Peço desculpa ter interrompido, Miguel, mas lá está.

Faz parte.

É a questão da medicação. Mas vou ter que tomar. Mas queria dizer uma coisa relativamente ao alojamento local. A Diana, de resto, já o disse também, mas queria reforçar isso. O alojamento local, além de não ser alojamento local na sua maioria, e ser propriedade de três ou quatro empresas, que nem sequer são portuguesas, que nem sequer têm rosto, o dinheiro do alojamento local não fica na cidade, não fica no país e vai para paraísos fiscais. Primeira questão. Segunda questão, o emprego que o alojamento local proporciona é emprego absolutamente precário, com salários miséria, condições de trabalho miseráveis. Este alojamento local eu não o quero. Eu quero o alojamento local conforme é o conceito de alojamento local. Alguém disponibiliza uma casa e que faz depois o acompanhamento dos turistas, que vai pela cidade contar-lhes a história da cidade. Isso é que é alojamento local. Pois, mas é. Mas isto que nós temos não é, e muito menos é pra economia alguma coisa de bom. É exatamente o contrário.

Se quer mais desses, tem que proteger.

Nunca disse que era contra o alojamento.

Se quer mais desses portuenses que têm alojamento local.

Ela estava a interromper também.

Estou, estou e peço-me depois também desculpa como tu.

Eu dou-lhe uma pastilha também.

Mas de qualquer forma, se nós queremos ter portuenses que fazem esse caminho, que fazem esse trabalho, nós temos também que os proteger.

Certo, mas é exatamente o que eu estou a dizer.

Estamos todos alinhados. É criar benefícios para o portuense.

E queria também chamar a atenção relativamente ao turismo, em geral, digamos assim, que ele não proporciona à economia local absolutamente quase nada. Ele não redistribui riqueza nenhuma, antes pelo contrário, porque em relação aos hotéis, ida em aspas, ou seja, a economia do turismo na cidade, muito pouco deixa na cidade. Relativamente ao muito emprego que o Filipe falava que foi criado, enfim, nós temos muitas empresas e muitos escritórios ocupados com call centers e a maior parte deles tem também as condições de trabalho que sabemos.

Vamos voltar ao tema, porque senão não vamos conseguir ir à segunda.

O excesso de trânsito.

O excesso de trânsito. Não, em relação ao Metrobus, enfim, nós já dissemos tudo o que tínhamos para dizer. É muito curioso, é que estiveram calados durante tanto tempo sobre o assunto. Vamos lá ser honestos. Uma das discussões iniciais sobre o Metrobus e a linha daquele Metrobus era porque ele desagrada a certas pessoas e desagrada pelo percurso que faz, porque levar o povo à Foz é uma coisa chata Incomoda e as pessoas não querem e, portanto, houve essa resistência. Mas dito isto, a partir de um certo momento, houve um consenso ou pelo menos decidiu-se fazer. A partir do momento que se decidiu fazer, fez-se. Está feito, ponha-se a funcionar. Sobre a segunda fase, se for possível corrigir alguma coisa, estaremos seguramente todos disponíveis para discutir isso. Agora, aquilo que está pronto, está pronto, o que foi gasto, foi gasto. Ninguém nos perdoaria. E sim, aí sim, é uma vergonha alheia total de nós, perante os portuenses, fazermos agora o retrocesso e estragarmos isto.

Era complicar ainda mais o problema. Vou ter que passar.

Não, só uma coisinha muito rápida. Eu sei que gastei mais tempo no resto, mas só uma coisinha, porque fui interrompido também.

Excedeu o tempo.

A mobilidade na cidade e evitar a questão dos carros na cidade, passa por termos transportes públicos com muito mais qualidade. E para eles circularem, mais faixas de bus, que aliás não aconteceram e foram cortadas há anos. E, por sua vez, a questão das bicicletas e as vias cicláveis. Quem está no governo da cidade, pelo menos a sua maioria, não acredita ainda nas bicicletas. E nós, neste momento, temos jovens, crianças, que vão pra escola de bicicleta e querem ir em segurança.

É preciso fomentar essa condição. Miguel Corte Real, o Chega tem sido também muito vocal a criticar este projeto do Metrobus. Diz que o governo tem responsabilidade de garantir que os 80 milhões têm de vir pro Porto. Como é que isto pode acontecer?

Em primeiro lugar, cumprindo a minha promessa, peço desculpa ao Sérgio por o ter interrompido. Segundo, o Pedro diz Metro PS, mas não é Metro PS. Quando muito, é Bus PS, porque aquilo de metro não tem nada. E a grande surpresa que nós tivemos é quando nos falaram do Metrobus, houve alguma resistência a perceber qual iria ser a mais-valia. Mas essa resistência foi explicada, debatida. Pronto, foi dito: "Ok, então vamos avançar e vamos conhecer o projeto". Mas nunca, a mim pessoalmente, nem um conjunto alargado de pessoas que pensei, achei que, na verdade, o que se fosse fazer é uma obra que impactou, derrapou em prazos, tudo mal feito, e que no fim acabasse por ser um autocarro, porque autocarro já havia. Tanta coisa pra no fim ser um autocarro. Obviamente que nós somos contra ter se gasto 80 milhões de euros e ter se gasto qualidade de vida dos portuenses, ter se desbaratado com obras estapafúrdias, pra no fim ser um autocarro. Pior, porque nós já tínhamos um autocarro a circular na faixa do meio, na faixa do bus. E o que é que fizemos? Temos a faixa do bus vazia, que eu posso lá gravar vídeos à vontade, até me posso lá deitar durante uma tarde.

Vazia não, tem muitas bicicletas.

E vem. Olhe, é a comunidade a encontrar soluções pro que o Estado e pra Câmara não encontra, mete-se a andar lá de bicicleta, e vem. E de repente os autocarros estão na faixa, nós vamos na nossa faixa, subir a Avenida Boa Vista e pumba, paramos, porque o autocarro parou onde não parava. Isto aqui é um grande problema. Vamos lá ver, nós de uma vez por todas, temos que começar a responsabilizar as pessoas. E nós não podemos ter governantes que se sentam a uma mesa e criam uma anedota pro país, porque isso são cômicos. Nós podemos contratar cômicos, mas aqui nós temos a expectativa de contratar governantes, que acham que temos um autocarro que sobe a Avenida da Boa Vista. Mas veja, o que a mim me chama a atenção é que tipo de pessoas é que sentou a uma mesa, e sentam sempre muitas neste tipo de decisões, e achou que o autocarro podia dar a volta em contramão na Avenida Boa Vista, que era uma solução. Fecharam os livrinhos, foram pra casa e chegaram a casa e disseram: "Olha, pá, hoje tive aqui uma grande ideia, um dia espetacular de trabalho". Isto é gozar com o Porto. Nós temos que os responsabilizar e o governo tem culpa.

O que está a pedir é uma indenização ao governo.

Não, é que o governo faça chegar ao Porto os 80 milhões pra nós investirmos em mobilidade, pra investirmos em verdadeira mobilidade. E mobilidade que favoreça a cidade, que permita mais ciclovias, que permita que os carros possam andar sem agora ter os autocarros no meio, investir nos autocarros. É isso que nós pedimos. E toda a gente pedir ao Estado, não, nós não temos que pedir, nós temos que exigir, porque eles tiraram-nos anos de qualidade de vida. Na Marechal Gomes da Costa, disseram: "A obra vai durar um mês e vai começar a tempo das aulas". Já passou um ano letivo, até aquilo funcionar.

Já quer uma espécie de compensação moral.

Eu quero uma compensação pro Porto. Pra mim a moral também era bom saber. E depois é assim: "Epá, já fizemos o erro". Isto é o mesmo que eu agora sair daqui, quero ir pra Braga e de repente estou em Coimbra e digo: "Epá, já fiz estes caminhos, olha, agora vou pra Coimbra, não tenho nada pra fazer lá e fico aqui em Coimbra". Não faz sentido! Se eu quero ir pra Braga, eu vou pra Braga, se eu quero ter um Metrobus, eu quero ter uma solução de mobilidade que funcione pra cidade e não me vou contentar com pouco, porque os portuenses não se contentam com pouco.

Filipe Rujago, agora por uma questão de tempo, contentemo-nos nas acessibilidades só a falar do Metrobus, porque temos assistido aqui neste debate, e não só, e no debate sobre este projeto, a um passa-culpas muito grande. Em julho, Rui Moreira disse que a solução tinha que ser pro próximo presidente da Câmara. Isso também não é atirar a toalha ao chão e não tentar resolver um problema que é um embaraço, de facto, para todos.

Deixe começar, estamos a falar de mobilidade, por ler aqui uma coisa. "Esta é a primeira medida que me comprometo a concretizar: transportes gratuitos para todos os residentes". Sabem quem é que disse? Alexandre Leitão, candidato do Partido Socialista à Lisboa. Exatamente igual ao candidato do Partido Social Democrata aqui no Porto. Nós vivemos um tempo em que tudo se promete.

Mas muito diferente o candidato do PS ao Porto.

Tudo se promete, inclusive o PS no Porto promete transportes gratuitos pra mais de 65 anos, 26% da população, numas contas que claramente são muito superiores àquilo que anunciam. Portanto, o PS e o PSD estão completamente sem norte, vale tudo e é um do gênero, quem vier a seguir que pague a conta, porque é isso que estou a assistir nesta campanha para as autarquias. Nós não vamos em promessas irrealistas e vãs, e queria ser muito concreto, porque acho que vim aqui também pra falar daquilo que nós queremos nos compromissos assumir. Nós temos 500 mil viagens realizadas com o cartão Porto.Ponto, queremos aumentar de 22 pra 30 viagens do cartão Porto.Ponto, queremos dar mais viagens no Táxi Saúde. Só no primeiro semestre, houve 50 mil viagens pros centros de saúde e pros hospitais. Queremos que o cartão Porto.Ponto dê pra usar as bicicletas partilhadas que agora existem na cidade. Queremos construir mais oito quilômetros de ciclovias. Mas não quero fugir do tema e quero dizer que em relação a tudo que tem a ver com Metro, Metrobus, VCI, Circunvalação É tudo no mesmo sítio, Ministério das Infraestruturas paradas, porque nada é resolvido, é tudo atirado para as calendas. Eu acho que para 12 de outubro vai ser um mundo cor-de-rosa, é a única hipótese que eu vejo. Sobre o Metrobus, eu estou como os portugueses. Estamos desgastados e a única coisa que queremos é ver o Metrobus a andar, porque já estamos fartos de há um ano e tal não andar um único autocarro. E se os autocarros estão cá, como aquilo que foi dito pelo presidente da Metro, então ponham os a andar. E o ministro tem responsabilidades nisto. Peço imensa desculpa, não podemos andar a atirar areia para os olhos das pessoas. Portanto, eu queria ser muito concreto em relação a isto e dar nota de que o Porto hoje tem vários problemas na mobilidade que têm a ver com a dinâmica que a cidade tem, nomeadamente estacionamento em segunda linha, estacionamento em zonas de passadeira, estacionamento selvagem por todos os lados. Nós hoje temos mais 30 fiscais que foram incluídos na força da Polícia Municipal, perfaz 50 fiscais, neste momento, na cidade, e eu quero aumentar essa força para que, de facto, se faça uma mudança naquilo que é a falta de civismo que hoje existe na cidade. Temos que ser efetivos em mudar o paradigma que hoje existe em termos de mobilidade na cidade.

Para mudar também as mentalidades.

Claro.

Vamos a uma última ronda mais política. Manuel Pizarro, o Observador deu conta, ao final da noite de ontem, que membros das suas listas subscreveram a candidatura de Filipe Araújo. Afinal, estas pessoas querem que ganhe quem?

Lá vou ter que voltar atrás também. Para dizer uma coisa muito importante.

Mas já estamos com muito pouco tempo.

Sim, que até daria depois o plenário ao doutor Pedro Duarte para comentar. É que este tema do Metrobus ilustra a diferença das candidaturas. O doutor Pedro Duarte tem medo de confrontar um ministro só porque o ministro é do seu partido, porque verdadeiramente aparece aqui numa posição como uma espécie de delegado do Governo no Porto. Ora, eu não aspiro a ser delegado de ninguém. Eu aspiro a ser presidente da Câmara para representar os interesses dos portuenses. E seja o governo do meu partido ou de outro partido qualquer, quando ele, como é o caso da Metro, tiver evidentes responsabilidades, eu não deixarei de o confrontar. E acho que esta diferença é uma diferença muito relevante. Fiz isso muitas vezes ao longo da minha vida política, que eu tenho uma vida política ligada ao Porto, que não tem nada de novo. Sobre essa questão, eu li a notícia, julgo que ontem à noite no Observador, tanto quanto me parece, há três, quatro dos 400 candidatos que o Partido Socialista apresenta que terão subscrito, nomeadamente a lista do engenheiro Filipe Araújo. Olhe, não faço a mínima ideia. Só posso supor que essas três ou quatro, entre os 400 candidatos, tenham feito o apelo aos valores portuenses de liberdade e de tolerância. Não imagino outra coisa.

Não lhe causa nenhum problema? Nem incómodo.

Se me tivessem pedido autorização, eu teria sugerido que não o fizessem. Como o fizeram de mote próprio, também não os vou confrontar com esse facto. Sabe que o Porto é mesmo uma cidade de liberdade e de tolerância. Admito que as pessoas tenham achado que fazia sentido que outros candidatos tivessem a oportunidade de explicar as suas propostas políticas.

Isto não dá razão ao PSD quando acusa o PS de estar a patrocinar e a apoiar esta candidatura de Filipe Araújo?

Essa acusação é tão disparatada que só mostra um certo desconforto de quem parece não se sentir verdadeiramente na pele de candidato ao Porto.

Deixe-me só perguntar-lhe rapidamente se vencer sem maioria absoluta, liga primeiro a quem? A Filipe Araújo, ao Pedro Duarte, à CDU, ao Bloco?

Eu sei que esse exercício é engraçado, mas eu, aliás, espero que seja tudo ao contrário, que se eu vencer, que sejam os candidatos dos outros partidos que me telefonem a dar os parabéns.

E aí vai convidar algum, não?

Isso veremos. Temos muito tempo, sabe que eu tenho provas dadas de capacidade de diálogo e de liderança que me fazem sentir-me confortável e por dizer aos portuenses que com ou sem maioria, eu governarei o município com estabilidade e tranquilidade.

Filipe Araújo, sabia destes apoios comuns à sua lista e à lista do Partido Socialista?

Eu acho que há partidos nestas eleições que não têm ideias nem projetos e, portanto, aquilo que fazem é insinuar coisas. Aquilo que eu sei é que houve 15 mil pessoas a quem nós estamos muito agradecidos, 15 mil portuenses, ou 15 mil assinaturas de portuenses, que decidiram que o movimento independente se deveria apresentar a eleições. Olhe, tenho a certeza que haverá certamente as pessoas que estão identificadas, que eu desconhecia, mas haverá pessoas do Partido Social-Democrata, haverá pessoas, se calhar, de outros partidos que aqui estão, haverá pessoas de várias religiões, haverá pessoas ricas, haverá pessoas pobres. Olhe, são os portuenses que decidiram fazer uma coisa, dizer: "O movimento independente que se apresente a eleições". Não quer dizer que vão votar em nós. Disseram apenas uma coisa muito simples: "Acho que vocês devem se apresentar eleições e depois vamos discutir ideias e projetos". É isto que faz parte da democracia.

Portanto, está perfeitamente confortável com isto e isto não dá, lá está, já o vimos aqui ainda neste debate, ser acusado de ser uma bengala do Partido Socialista, isto não converge na mesma ideia.

Isto é um caminho até dia 12 de outubro. A primeira ronda, acho que eu venci, que foi ter a confiança dos portuenses para dizer que o movimento independente deveria estar nestas eleições. A segunda, vamos ver dia 12 de outubro. Sobre o tema da bengala, eu já expliquei. A única que eu conheço é a minha, que está da queima das fitas lá em casa. E só conheço uma coisa cá neste país, que são as duas muletas que existem há 50 anos, que é o PS e o PSD, que se mantém no governo este tempo todo. Até isto que eu conheço, não conheço mais nada deste país.

Portanto, não pós-eleições está disponível para colaborar, quer vença Pedro Duarte, quer vença Manuel Pizarro nas eleições, se não for o caso dos outros presentes aqui.

Todas estas discussões e estas insinuações só demonstram uma coisa, que o movimento independente, que não tem partidos, faz muita falta à democracia. É a única coisa que eu tenho a dizer. E nós somos livres e independentes e teremos, obviamente, de acordo com o nosso manifesto, os nossos princípios e os nossos valores Oportunidade, sendo eu o presidente da Câmara, de falarmos com todos e governar a cidade em prol dos portuenses. É isso que nos move. É isso que nos move há 12 anos e tornamos isso muito claro em 12 anos, a nossa capacidade. Implementamos medidas praticamente de todos, menos do Chega, porque não estava no executivo, mas de todos os que estão aqui, acho que tivemos abertura para negociar sempre. Aliás, fizemos uma coisa que não se faz neste país, que é sempre que negociamos o orçamento, nós apresentamos a todos os partidos para que eles próprios possam contribuir com ideias para o nosso orçamento. Isto torna diferente a democracia e o Porto foi um exemplo nos últimos 12 anos.

Pedro Duarte, enquanto corria aqui o debate, a Comissão Política Concelhia do PSD Porto pediu a intervenção das entidades judiciais e da Comissão Nacional de Eleições sobre o caso destes nomes partilhados nas duas listas. Isto não é apenas a liberdade de opinião e a possibilidade que os portuenses consideram que é importante ter outras vozes a concorrer às eleições autárquicas?

Confesso que nem sabia disso. O que me parece é que devia ser.

Estava aqui a confessar conosco.

Eu não tenho esses dons da adivinhação, peço desculpa. Aquilo que me parece aqui relevante, e que é importante no meio disto tudo, e devemos também ao trabalho do Observador, é que de facto fica evidente aquilo que para nós já era mais ou menos claro. É que o Partido Socialista tem aqui uma segunda candidatura, que serve para tentar dividir um determinado eleitorado.

Isso é falso.

Isso, volto a dizer, é legítimo do ponto de vista político, é legítimo, mas é bom dizer.

É um insulto à nossa competência. Se isso fosse assim, a gente tinha posto os 4% dos candidatos a cima. Não eram só quatro.

Eu não sei quantos foram, há quatro no jornal, mas não sei. Pronto.

Devem saber que andaram as assinaturas todas. Não foi o observador que foi ver as assinaturas. Peço desculpa.

Só que ele pode ser o candidato que dizes do PS, mas tu querias que ele fosse o número dois és tu.

Não sei onde é que vais buscar essa ideia. Não sei mesmo. Aliás, o Rui está aqui para o confirmar.

Veio dos jornais, ele é que põe os cabeçudos.

A coisa que eu não admito na vida, é faltar à verdade. Estamos aqui só nós, podemos falar sobre isso. É pura verdade e foi tentado por várias vezes que eu fosse o número dois do PSD. Desculpem, mas eu isso não admito. E, portanto, eu nesta candidatura falo verdade.

Eu falo por mim.

Desculpe, Pedro, não fala por si. Não fala por si, desculpe. E há coisas que nós não podemos faltar à verdade. Pode fugir à pergunta. Faltar à verdade, não. Que eu isso não admito.

Isso eu afirmo, por tu for preciso, que nunca convidei o Filipe para número dois de coisa nenhuma. Isso fique claro.

Mandou o outro pedir.

Mas vamos deixar.

Este problema merecia ser explorado. Isso parece mais interessante que as quatro assinaturas do PS.

Vamos só ver.

Não, isto é um tema de caráter, sobre candidaturas e sobre os portuenses, não tem interesse nenhum.

Vamos só deixar o Pedro Duarte.

Estou de acordo com o Sérgio.

Porque o caráter do candidato a presidente de Câmara conta muito.

Vamos só deixar o Pedro Duarte concluir, já falamos também sobre isso.

Justamente por isso é que eu queria dizer que percebo que há uma situação que me deixa desconfortável nisto. É de facto assistir a determinado tipo de truques na política desta natureza. Eu acho que nós se falarmos com clareza, percebemos. Hoje o debate percebeu-se, e quando digo isto é pela razão política. Ainda há pouco, o candidato dito independente, referiu que havia uma grande falta de sentido de responsabilidade com as contas públicas e deu o exemplo da minha proposta de transportes públicos gratuitos. Custa vinte e cinco milhões ao fim de quatro anos e eu disse como é que pagava. Taxa turística não vai onerar os portuenses em momento algum. A taxa turística hoje em dia já significa trinta milhões de receita anual. Ao mesmo tempo, o Partido Socialista tem uma proposta que custará mais de mil milhões de euros para cinco mil casas, que vai onerar, endividar os portuenses por mais de 30 anos e não mereceu uma palavra do candidato dito independente. Isto é só para dizer que há duas visões de cidade aqui em causa. Há duas visões. Uma visão de alguém que, como aliás o candidato socialista aqui o disse, não tem nada de novo, do passado, de uma visão de cidade de betão, de cimento, que vai trazer mais confusão e há uma visão moderna, quer trazer prosperidade, quer trazer espaços verdes, qualidade de vida, bem-estar para os portuenses. Isso é que está em causa. Tudo o resto, são fé e ideais.

Não sou capaz de fazer casas sem betão, não as vou fazer de palha.

Diana Ferreira, a CDU elegeu um vereador há quatro anos.

Não vi um coelho como é que se faz em casa.

Só porque depois lá em casa ninguém nos vai perceber. A CDU elegeu um vereador há quatro anos, o objetivo para estas eleições mínimo é manter essa representação e perguntava-lhe também já se a CDU está disponível para colaborar com o executivo municipal, assumindo responsabilidades.

A CDU tem vereador na Câmara Municipal do Porto desde 76. É uma força política que tem representatividade na Câmara Municipal do Porto desde que temos democracia no país e desde que está fundado o poder local democrático. E aliás, isso reflete-se também até no conjunto do trabalho que nós temos vindo a desenvolver. A CDU tem um patrimônio de intervenção e de proximidade com as populações que fala por si. Somos, aliás, a força política que tem um gabinete aberto ao munícipe e em que todas as semanas a população do Porto se pode dirigir ao gabinete da CDU para colocar um conjunto de problemas e nós, naturalmente, intervimos sobre essa mesma realidade, tanto na Câmara Municipal como já agora também nos eleitos que temos na Assembleia Municipal. Naturalmente que o objetivo que temos é o do reforço da CDU. E estamos disponíveis para todas as responsabilidades que a população do Porto nos resolva atribuir no âmbito da cidade. E estamos, naturalmente, também dispostos para contribuir para soluções que melhorem a qualidade de vida de quem cá mora e de quem cá trabalha. Naturalmente fiéis a um programa que apresentamos à população. O compromisso primeiro que nós temos é com os trabalhadores e com a população do Porto, com o conjunto de propostas que apresentamos. Já tivemos várias realidades com vereadores da CDU na cidade do Porto. Tivemos realidades em que havia vereadores eleitos que tinham pelouro e que tínhamos autonomia, tanto de um ponto de vista da execução do programa da CDU, como de um ponto de vista da autonomia financeira, para cumprir exatamente o que nos propúnhamos a cumprir, como tivemos situações em que temos, como é aliás atualmente a realidade, em que temos a vereadora Helder Figueiredo, que não tem pelouro atribuído. Ou seja, todas essas soluções são naturalmente possíveis. O que nós podemos dizer é que depois de 12 anos

Quem votou na CDU no passado tem todas as razões para continuar a votar, porque efetivamente cumprimos com aquilo que prometemos às pessoas. E do ponto de vista do futuro, quem não votou, naturalmente que também tem todas as condições de votar, porque o trabalho que nós desenvolvemos ao longo dos anos nas autarquias é demonstrativo do compromisso que temos com os trabalhadores e com a população.

Sérgio Aires, a mesma pergunta, o objetivo mínimo do bloco é manter esta representação no executivo e se o bloco estaria disponível para aceitar responsabilidades?

Sim, o objetivo é esse. Aliás, seria um resultado lógico do trabalho que fizemos ao longo desses quatro anos. Uma coisa ficou muito clara com a nossa participação no executivo, é de que é evidente que é muito necessário forças de esquerda, neste caso, concretamente, eu e a doutora Heloísa Figueiredo, que estivemos no executivo, para fazer o escrutínio a um executivo que sem isso não tinha tido praticamente escrutínio nenhum e é isso que acontecia no passado. Portanto, é muito importante que os portugueses percebam que a democracia necessita também de forças. Necessita, desde logo, uma diversidade, e isso é muito bem-vindo. Relativamente à questão da governação da cidade a seguir, eu tenho uma ideia um bocadinho, se calhar, pessoal, sobre aquilo que deveria ser a democracia local. Eu acho que nós somos eleitos três vereadores para o executivo e que o que faria sentido era que houvesse um acordo, naturalmente, e uma negociação para que todos esses que foram eleitos, exatamente com os mesmos votos, cada um deles, para o executivo, tivesse direito e o dever, também, de governar a cidade. Portanto, isso seria o ideal. É evidente que depois basta olhar para este debate e ver que, sinceramente, devíamos todos evitar este tipo de conversas, porque é isto justamente que desmotiva as pessoas, é isto que faz com que as pessoas não vão votar, e se queremos combater a abstenção, não é este tipo de debate que devemos ter. Portanto, convido todos a tomar medicação também. Mas essa é a minha ideia. Disponíveis, estamos sempre.

Miguel Porto Real, é a mesma pergunta também, objetivos do Chega e disponibilidade para negociar.

O Chega apresenta-se aqui a estas eleições, o Chega é um partido novo, mas nós apresentamo-nos aqui para resolver a vida das pessoas e para trabalhar para resolver a vida das pessoas. E nós acreditamos na democracia. E nós não acreditamos que se deve fazer tudo para ganhar. Nós não acreditamos que devemos pôr a tática à frente da eficiência e da lógica da cidade. Não acreditamos em truques de democracia que temos assistido durante esta campanha. Acreditamos que cada candidato tem um projeto, tem uma visão para a cidade, nestes excelentes debates tem a oportunidade de os apresentar e as pessoas são inteligentes e têm capacidade de votar. E nós confiamos no que as pessoas vão votar. Podem nos dizer que estamos em terceiro, podem nos dizer que estamos em primeiro, podem nos dizer o que quiserem. Nós temos um conjunto de ideias e estamos a apresentar aos portuenses. E nós confiamos nos portuenses e acreditamos que a nossa mensagem pode mudar a vida das pessoas. O que é que nós vamos fazer no dia a seguir, seja no governo, seja na oposição, é trabalhar pelo Porto. De uma forma ou de outra, a democracia dá.

Vão telefonar ou aguardar telefonemas para poder fazer essa avaliação.

Se me telefonarem, vou dizer obrigado e um abraço. É isto que eu responderei. Se telefonar alguém, vou dizer parabéns pela eleição. É isto que eu vou dizer. E eu acho que é o cordato e o indicado. Agora, eu acho que o Sérgio, por exemplo, fala aqui de uma coisa que faz sentido, é que nós temos que perceber quem é que quer trabalhar em prol da cidade. E eu acredito nisso. E eu acredito que há gente que se não puser a ideologia à frente das decisões ou questões partidárias, causa um problema. Sempre defendi isto no passado, não pode haver linhas vermelhas nem linhas azuis.

Muito bem.

Tem que haver linhas do Porto e nós queremos trabalhar para o Porto, mas não podem ser linhas como o metrobus.

E muito obrigada a todos por terem estado aqui neste debate. Agradecemos à Federação Académica do Porto que nos permitiu fazer aqui este encontro. A produção foi da Beatriz Canato, a coordenação de som do Bernardo Almeida, a coordenação da equipa multimédia da Teresa Bacaxias.