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Começa agora o Explicador da Rádio Observador. Hoje, na edição das manhãs, 360 de fim de semana, falamos sobre presidenciais do próximo ano e o impacto da tomada de posição do Chega nesta corrida a Belém. Para isso, vamos receber nesta edição de sábado vários convidados, apoiantes das várias candidaturas já anunciadas ao centro e à direita. Começamos com Carlos Coelho, que está ao lado de Luís Marques Mendes, Álvaro Beleza, apoiante de António José Seguro, Rodrigo Adão da Fonseca, que apoia Henrique Gouveia e Melo, pela candidatura de João Cotrim Figueiredo recebemos Rodrigo Saraiva, e em representação do partido Chega, a deputada Cristina Rodrigues. A moderação deste Explicador é do José Rafael Lopes. Muito bom dia a todos, obrigado por terem aceitado este nosso convite da Rádio Observador. As presidenciais aproximam-se a passos largos. Há já vários candidatos que entraram na corrida. Há ainda quem possa avançar, não só da esquerda política como também à direita. Ontem, após o Conselho Nacional do Chega, ficou claro que esse partido vai também apoiar uma candidatura que ainda está por anunciar. André Ventura pode ser o nome escolhido, ainda não é certo, a decisão vai ser conhecida na terça-feira. Certo é que o Chega não irá apoiar Gouveia e Melo. O cenário das presidenciais apresenta vários candidatos. Há muita indefinição sobre o que pode acontecer nas próximas semanas, nos próximos meses, até à data das eleições. Neste Explicador, vamos dar especial atenção ao espectro do centro-direita, até porque há projetos distintos para o futuro da presidência, ideias bem diferentes. Agradeço ao meu painel por este Explicador mais intenso, o Carlos Coelho, o Álvaro Beleza, o Rodrigo Adão da Fonseca, o Rodrigo Saraiva e também a Cristina Rodrigues, em representação do Chega. E Cristina Rodrigues, vou começar precisamente por si. No discurso inicial, André Ventura ontem reiterou que seria um mau sinal para o país que o líder da oposição fosse candidato à Presidência da República, mas também reforçou que o Chega tem de ir a jogo. Com que carta é que deveria o partido avançar? André Ventura é a escolha óbvia ou há algum trunfo por parte do partido?

Olá, muito bom dia a todos. Realmente, a reunião de ontem, que depois não esteve aberta a toda a comunicação social, só esteve a parte inicial, deixou muito evidente que todos concordam que o Chega tem que ter um candidato. Idealmente, e houve ali várias opiniões, dividiu-se um pouco. Houve pessoas que achavam que o André Ventura, precisamente por essa razão, por ser o líder da oposição, por haver aqui uma ideia de que André Ventura deve ser primeiro-ministro e não necessariamente presidente da República, que achavam que André Ventura não devia seguir. Por outro lado, havia um conjunto de pessoas que achava que mais ninguém conseguiria ter um eventual resultado que fosse tão bom como o de André Ventura. E portanto, oscilou assim um bocadinho entre um lado e outro. O certo é que o Chega quer ter uma candidatura que consiga uma segunda volta. E portanto, sabemos que tendo esse objetivo em conta, será identificado alguém, entre os quais André Ventura, que eu pessoalmente acho que é muito provável que seja André Ventura, mas teremos que aguardar por terça-feira para verificar isso.

Para já, Rodrigo Adão da Fonseca, bom dia. Neste Conselho Nacional do Chega, André Ventura demarcou-se de um possível apoio do partido a Gouveia e Melo. Era algo que era esperado dentro da candidatura de Gouveia e Melo, algum tipo de impacto na candidatura do almirante?

Bom dia a todos. Vamos ver. As presidenciais estão a começar a ganhar um quadro final em matéria de candidatos. O Gouveia e Melo anunciou há bastante tempo a sua candidatura e nós na candidatura temos bem presentes que para ganhar a Presidência da República é preciso ter 50% mais um dos votos numa primeira ou numa segunda volta. Isso ocorrerá consoante venham três, quatro, cinco, seis, oito, 10 candidatos. E portanto, do nosso lado, temos estado bastante serenos a aguardar que os vários partidos, e estamos a falar que a democracia é representação, e portanto percebo o que a Cristina Rodrigues diz, que o Chega sentirá que precisa de colocar também o seu candidato no seu espaço político. Vários candidatos estão aqui que representam partidos políticos e de alguma forma nós ficamos a aguardar calmamente por aquilo que venha a ser o desenho final das candidaturas, para aí começar a haver debate de ideias, juntar-se as diferenças e perceber quem é que verdadeiramente tem capacidade depois de exercer o cargo. E portanto, sinceramente, cabe aos partidos decidir quem querem colocar no terreno para debater, discutir, apresentar as suas candidaturas, fixar os seus eleitorados, porque nem todos concorrem para ser presidente da República, o que é perfeitamente legítimo, mas o que é verdade é que ainda faltam alguns meses e poderá, como dizia no início, haver ainda mais candidatos. E portanto, temos que aguardar todos serenamente para que este processo, que é um processo longo, se possa finalmente desenhar.

E mais daqui a pouco quero também abordar a questão da divisão do eleitorado. Para já, Carlos Coelho é apoiante da candidatura de Luís Marques Mendes e é ele quem mais pode aproveitar uma entrada de André Ventura na corrida e uma diversificação?

Não, o que eu diria é que esta decisão parece indicar que a reunião que terá acontecido o mês passado entre Mário Ferreira, Gouveia e Melo e André Ventura não deu bom resultado. Evidentemente que a reunião era para tentar encontrar uma plataforma comum, mas ela foi insustenta e, portanto, não houve, aparentemente Fumo branco nesse conclave e vamos ter uma candidatura do Chega, como foi agora referido, e provavelmente será uma candidatura do André Ventura, porque como foi dito é o candidato do Chega que pode antecipar o melhor resultado. Qual é o problema para o Chega que eu antevejo? É a ideia reiterada que o Chega é um partido de um homem só, porque para todas as eleições o principal candidato é sempre André Ventura. Vemos, aliás, nas eleições autárquicas a efigie de André Ventura espalhada pelo país inteiro, como se ele fosse candidato a todos os municípios do país. E a ideia da instrumentalização da eleição presidencial, isto é, como foi dito há poucos minutos, o que o Chega quer mesmo é que André Ventura seja um candidato credível a primeiro-ministro. E portanto, a candidatura presidencial aparece apenas com uma lógica instrumental para dar visibilidade ao partido nesta candidatura, mais do que apostar seriamente numa candidatura presidencial. Enfim, são riscos que o Chega corre. O Chega é maior de idade, como se costuma dizer, e portanto terá condições para fazer a sua interpretação e achar o que é melhor para a estratégia do partido. Mas que fique esta sensação de que se está a instrumentalizar a eleição presidencial para uma estratégia partidária, isso fica, isso parece-me claro.

E eu daqui a pouco quero ouvir a Cristina Rodrigues sobre este tema. Para já, vamos também falar sobre a candidatura de António José Seguro. Introduzir também aqui o Álvaro Belleza, que é apoiante do antigo secretário-geral do PS, do Partido Socialista, e pergunto-lhe, Álvaro Belleza, se há aqui uma margem para que António José Seguro possa aproveitar o que aparenta vir a ser uma divisão cada vez mais fragmentada do eleitorado, com a chegada de uma nova candidatura que vai ser apoiada pelo Chega.

Muito bom dia a todos, primeiro de tudo. Bom dia aos meus companheiros de debate e bom dia a quem nos está a ouvir. Vamos lá ver, eu concordo com algumas coisas que foram ditas, nomeadamente com o meu amigo Carlos Coelho. Eu acho que há aqui vários tipos de candidatos. Há uns que se candidatam verdadeiramente porque acham que podem ser bons presidentes da República, porque têm a vontade após reflexão individual e acham que têm o perfil para o momento que o mundo atravessa, que o país está, para darem um bom presidente da República. E depois há outros que vão para ocupar espaço para os seus partidos, porque a partir do momento em que também vão uns, os outros têm que ir. Ainda falta ver o que é que vai acontecer ao Livre e que provavelmente, se calhar, também poderá ter um candidato para ocupar espaço, o que é perfeitamente legítimo, mas é o que é. Eu acho que os portugueses não são crianças e as pessoas percebem, como nas autárquicas, legislativas e presidenciais, são eleições diferentes. E portanto, é evidente que a ideologia conta, o partido conta, há um eleitorado que vota no seu partido. Aliás, eu costumo até brincar, há uns tifosi que votam nos partidos como são dos clubes de futebol. Depois há outros que já votaram em vários partidos, mas eu acho que sobretudo as pessoas numa eleição presidencial também vão votar na pessoa. E portanto, haverá votos cruzados. Haverá gente à esquerda, à direita, ao centro, que votará no António José Seguro, como haverá também gente de vários quadrantes que votará no almirante Gouveia e Melo, como haverá também gente de vários quadrantes que votará no doutor Marques Mendes. E portanto, estes três candidatos parecem razoável pensar, acho que também não é preciso ser grande analista para perceber o que eu vou dizer, os possíveis presidentes da República são ou o almirante, ou o doutor Marques Mendes ou António José Seguro. O André Ventura vai se candidatar porque é obrigado, entre aspas, isto é, porque é de facto o grande protagonista do Chega. E já agora, independentemente de se concordar ou não se concordar com as ideias, o André Ventura é um líder político carismático e portanto é evidente que o Chega não tem ninguém sequer perto da capacidade que ele tem de atração. E eu acho que ele vai se candidatar também porque como não tem vontade para ser presidente, ele quer é ser primeiro-ministro. Ele sabe que não vai ser presidente. Aliás, eu acho que o melhor, aquele candidato que hoje nas sondagens está à frente, é o almirante Gouveia e Melo. O melhor para ele na segunda volta seria enfrentar o André Ventura, porque o André Ventura tem um grande voto de rejeição e portanto, o mais fácil na segunda volta para ser presidente até é o André Ventura. Tantas coisas na política nem são sempre o que parecem logo à primeira vista. Agora, quanto ao António José Seguro, ele apresentou-se antes do Partido Socialista decidir. Aliás, como se sabe, há algumas pessoas no PS, que não são poucas, que não querem a sua candidatura. É uma candidatura dele, independente, nasceu da cabeça dele, porque acha que tem o perfil certo para este momento, porque é uma pessoa equilibrada, ao centro, moderada. E já agora, o sistema político português está muito inclinado para a direita. Todos os órgãos do Estado estão neste momento ocupados por políticos respeitáveis, muitos deles, alguns até sou amigo deles, que vieram do PSD, seja Madeira, Açores, o governo nacional, o atual presidente da República. Os portugueses penso que vão querer equilibrar este barco, mas o presidente terá que ser alguém que tem características de árbitro, de sensatez Penso sinceramente que o Dr. Marcos Mendes e o António José Seguro têm essas características, tanto um como o outro. O almirante Gouveia e Melo é diferente, é um homem que veio de fora da política, mas também na situação em que estamos a viver a nível mundial, como é militar, é natural que se ache que tem perfil para esta situação e é perfeitamente legítimo e saudável que ele também se apresente. Vamos ver. Agora, estou muito tranquilo. O António José Seguro está a fazer uma campanha muito serena, muito tranquila, e veremos. E só espero que seja também, já agora, como no desporto deve ser, com fair play, que ganhe o melhor, porque o país está a passar um momento até bom do ponto de vista económico. Como eu tenho dito, Portugal é um porto de abrigo numa situação de grande crise internacional. E já agora, vocês estavam a anunciar o "português suave". Portugal é porto de abrigo porque é português suave. Convém ter na presidência alguém experiente, moderado, que seja isso, o português suave, que mantenha essa característica de bom senso que nós temos tido, apesar das nossas diferenças políticas cá dentro, nos destinos do país.

Álvaro Beleza, agradeço-lhe. Quero também ouvir o Rodrigo Saraiva sobre este tema das presidenciais. É apoiante da candidatura de João Cotrim Figueiredo. A minha pergunta é: como é que reage, Rodrigo Saraiva, primeiro, antes de mais, a esta ideia, que foi lançada já aqui neste debate, de que ao que tudo indica, haverá apenas três candidatos que podem almejar uma vitória e uma presença na segunda volta. E como é que a candidatura de João Cotrim Figueiredo olha para esta divisão que se aparenta estar a formar?

Muito bom dia, José Rafael Lopes. Bom dia também aos ouvintes e aos outros convidados deste painel. Eu acho que João Cotrim Figueiredo olha para as presidenciais com grande ambição e com grande motivação. É por isso que ele se candidata. Um presidente da República tem essencialmente três grupos de funções, começando pelos chamados poderes formais: a dissolução, os vetos, a fiscalização preventiva, as mensagens à Assembleia da República. E eu diria que daqueles candidatos todos que se apresentam até agora, sendo que João Cotrim Figueiredo, neste momento, é o único candidato formal que existe, que é o único que já tem as assinaturas todas necessárias, que as recolheu em 48 horas, um sinal de grande agilidade e de como é que se pode fazer as coisas em Portugal de forma célere e bem feitas. Mas sobre estes poderes formais, neste capítulo, eu diria que todos os candidatos que se apresentam serão capazes de exercer os seus poderes formais, cada um dentro daquilo também que é a sua orientação e a sua filosofia de vida. O segundo grupo de funções são as de representação, os poderes de representação. Na questão de diplomacia, há também uma vertente que é a diplomacia económica. E eu diria que nestes poderes de representação, de todos os candidatos, terão as suas capacidades, mas se olharmos, por exemplo, pra capacidade em diplomacia económica, eu diria que João Cotrim Figueiredo é claramente o mais capacitado, o melhor de todos. E depois vamos aos terceiros poderes, que são mais informais, uma espécie de poderes de inspiração, os poderes de influência. E olhando aos candidatos que existem, eu diria que o único que é capaz de inspirar, de motivar, de mobilizar, sobretudo, em primeira instância, os cidadãos, mas também os próprios governos, de acicatar os governos a serem capazes de fazer reformas. Eu diria que de todo este painel de candidatos, João Cotrim Figueiredo é claramente o único capaz de fazer isto. João Cotrim Figueiredo é a clara pessoa dos candidatos que quer um Portugal mais moderno, um Portugal menos baciente, que quer um Portugal mais avançado, capaz de produzir cultura, conhecimento, inovação, crescimento, que quer mais arrojo, quer um país que encare a mudança e o risco como alguma coisa que é natural. É também um candidato que não é forjado no sistema. Eu até diria que é um candidato antissistemas naquela lógica de que reconhece, falando a verdade às pessoas, que existem sistemas que não funcionam. É o sistema de saúde que não funciona, é o sistema de educação que não funciona, é o sistema fiscal que não funciona. Há sistemas que não funcionam e eu quero que os sistemas funcionem. E ele traz esta distinção. E o Álvaro estava a falar de uma questão de português suave. Aquilo que eu acho que é mesmo preciso é um português inconformado. E João Cotrim Figueiredo representa alguém que quer motivar as pessoas, mas também os governos, volto a dizer, a fazer reformas em Belém. O João Cotrim Figueiredo será uma espécie de desbloqueador do inconformismo. Com ele em Belém, mais do que ir defender em primeira instância o liberalismo, que é obviamente a sua filosofia de vida, que as pessoas lhe reconhecem, ele irá incentivar aquilo que é preciso, que é o inconformismo. Claramente, João Cotrim Figueiredo vem para estas eleições. Pode ser difícil acreditar que ele vai à segunda volta. Eu acredito que ele vai disputar uma possibilidade de uma segunda volta e numa segunda volta, claramente olhando àquilo que é a panóplia de candidatos que existem, cuidado que João Cotrim Figueiredo pode mesmo ser o próximo presidente da República.

Estão feitas as declarações introdutórias. Têm via aberta para intervir quando desejarem neste explicador. E Cristina Rodrigues, eu volto a si, até porque neste explicador já se falou de instrumentalização em relação ao CHEGA, na possibilidade de André Ventura avançar na corrida a Belém. É uma crítica que aceita?

Não. Bom, eu acho que é uma coisa evidente que é André Ventura, quando se candidata, candidata sempre para ganhar. E eu acho que essa é uma das razões também pela qual ele está a ter alguma dificuldade em tomar esta decisão

Na medida em que ele, tomando a decisão de ser candidato, tem que colocar em cima da mesa a possibilidade de vir a ser presidente da República, que nós sabemos que é uma possibilidade real, até pelas sondagens recentes que houve relativamente ao partido Chega, mas também como foi dito aqui várias vezes, sabemos que o André Ventura é o rosto do Chega. Portanto, se as pessoas têm confiança no Chega, terão ainda mais confiança no André Ventura. Eu gostava também de fazer aqui uma nota relativamente à questão que constantemente se repete de que o Chega não tem quadros. O Chega tem quadros. A questão aqui, e eu consigo pensar em vários nomes que eu acho que faziam um ótimo trabalho para ser candidato à Assembleia da República. A dificuldade aqui é que nós estamos a comparar estes deputados ou estas figuras do Chega que são competentes, que têm capacidade para ter um bom resultado, com um político que é excepcional e que é o one in a million, e que nós, gostemos mais ou gostemos menos de André Ventura, temos que reconhecer esse brilhantismo. André Ventura há quatro anos tinha um deputado, hoje em dia tem 60 deputados e portanto, é um caminho político que é muito singular, que é excepcional e que nós sabemos que não é fácil de encontrar noutras pessoas. Eu, por exemplo, pegando no exemplo, e digo isto com todo o respeito, de Marques Mendes. É um excelente político, mas se eu pensar no PSD, consigo encontrar outros tantos iguais. Agora, nenhum que se compare a André Ventura. E acho que isto é um ponto que é importante também para se perceber a dificuldade realmente do Chega aqui numa decisão relativamente a esta matéria. No que diz respeito à questão que foi também aqui levantada relativamente ao alegado almoço que houve entre André Ventura e o almirante Gouveia e Melo, que honestamente eu não sei se ele aconteceu ou não.

Talvez o Rodrigo Adão da Fonseca nos consiga dar mais informações sobre isso.

Pronto, eventualmente. Mas independentemente dessa circunstância, o próprio André Ventura ontem no seu discurso de abertura, mencionou que em determinado momento ponderou apoiar a candidatura do almirante Gouveia e Melo, mas que com o decorrer do tempo chegou à conclusão que não seria a pessoa ideal por diversas razões, seja porque tem na sua candidatura Isaltino Morais, seja porque já tomou diversas posições agora ao longo do tempo, nomeadamente relativamente ao veto presidencial à lei dos estrangeiros ou relativamente à questão dos incêndios, que demonstraram que não é propriamente uma candidatura que vá preencher aquilo que o Chega considera, ou os eleitores do Chega consideram que deve ser um presidente da República. E portanto, isto realmente reduz substancialmente o número de pessoas que nós vemos como possíveis candidatas. Mas uma coisa é certa, não há qualquer instrumentalização. André Ventura, em tudo o que entra, é sempre para ganhar.

Rodrigo Adão da Fonseca, queria questioná-lo precisamente sobre esse alegado almoço. Foi ou não tema dentro da candidatura do almirante Gouveia e Melo e está ou não o possível eleitorado de Gouveia e Melo a escapar cada vez que surge um candidato que consegue ter um apoio partidário?

Eu nunca ouvi falar nesse almoço, pelo visto a Cristina Rodrigues também não ouviu falar neste almoço e parece que a única pessoa aqui que ouviu falar neste almoço foi alguma comunicação social. E percebemos aqui também o Carlos Coelho, que parece que ficou muito entusiasmado com a possibilidade desse almoço poder ter ocorrido ou não. E portanto, o que eu diria a dada altura é que muitas vezes vivemos de perceções e mistificações que sinceramente não vale a pena perder grande tempo com isso. Portanto, esse é o primeiro aspecto. O segundo aspecto é que eu tenho a dizer que estive a ouvir aqui todos os meus companheiros e sinceramente subscrevo grande parte daquilo que foi dito pelo Álvaro Beleza, também aqui pelo Rodrigo Saraiva, e tudo aquilo que foi dito de alguma forma representa aquilo que é Gouveia e Melo e portanto, o que eles imputam aos seus candidatos, é normal, são tudo características que Gouveia e Melo tem e é por isso que ele aparece forte, digamos assim, nas várias sondagens e aparece com grande simpatia em vários setores dos vários eleitorados. Porque vamos ser verdadeiros. O que está aqui em causa é que todos os candidatos, de alguma forma, ocupam aqui um aspecto partidário. E percebo até o que diz a Cristina Rodrigues sobre o carisma de André Ventura e de ele ser um candidato especial para representar o seu eleitorado, até por contraposição com os candidatos que são apresentados pelos outros partidos. Marques Mendes e António José Seguro foram líderes partidários, mas nem sequer chegaram a ser candidatos a primeiros-ministros. No caso concreto da Iniciativa Liberal, nós estamos a falar do José Coutrinho Figueiredo se candidatar, depois de ele já ter tido Mariana Leitão. E portanto, o que nós estamos aqui a falar é precisamente de uma ocupação do espaço partidário com candidaturas que muitas vezes serão as possíveis. Estamos a falar de pessoas seguramente estimáveis, mas que de alguma forma não têm a motivação, o carisma e a vontade que Gouveia e Melo desde sempre manifestou, tendo-se candidatado antes sequer de saber com quem é que ia ter que se digladiar, digamos assim, nesta eleição presidencial. E portanto, essa transcendência, essa transversalidade, isso é algo que eu acho que vale a pena enfatizar. Nós temos visto isso em vários estudos de opinião. Gouveia e Melo tem grande simpatia para a primeira volta, tem grandes simpatias para todos os cenários da segunda volta. Isto vai ser exigente, vai ser duro para todos, mas sinceramente, acho que também temos que saber assinalar as diferenças. Acho que todos se candidatam para ser presidente da República e concordo com o Rodrigo Saraiva, acho que tem que haver espaço para todos, respeito por todas as candidaturas, mas depois no fim Estou com o Álvaro Belleza, temos que ser sérios, temos que ser diretos. O António José Seguro vem de um espaço político muito marcado, foi secretário-geral de um partido. Marques Mendes também foi secretário-geral do seu partido. Aliás, é interessante que a candidatura do Marques Mendes recupere, nos seus apoios, que é o Carlos Coelho, o Vale e Sousa, o mesmo leque de apoios que liderou a sua candidatura derrotada em 2017 contra Luís Filipe Menezes, eu tenho boa memória. Portanto, de alguma maneira, o que nós temos aqui hoje, e vale a pena assinalar, são candidatos possíveis para ocuparem espaços, no caso do PSD, com uma obsessão pelo Chega que já não se compreende. E portanto, o que é importante é que nos próximos quatro meses não criemos insinuidade, como o Álvaro Belleza dizia com bastante correção, e que consigamos dignificar, e isso é que é muito importante, uma eleição que é essencial para o regime, porque o regime está deserdado. Precisamos de uma eleição presidencial limpa, que não esteja permanentemente obcecada, em tantos casos, e que seja capaz de restaurar na Presidência da República a dignidade que ela necessita.

Carlos Coelho, o Rodrigo Adão Fonseca falava aqui do facto de Almeida ter sido dos primeiros a avançar. Aconteceu situação semelhante com Luís Marques Mendes, foi dos primeiros a anunciar uma candidatura. Ser os primeiros, essa antecipação, mostrar desde cedo que avança para Belém, beneficia o candidato quando, em situações como esta, começam a surgir outros nomes mais tarde?

Não, vamos ser claros. A antecipação do calendário abre espaço à apresentação de outras candidaturas. As coisas são como são. Há pessoas que tinham a sua convicção firmada, a sua propositura muito bem pensada, e que com antecedência lançaram a sua candidatura, e foi o caso do doutor Marques Mendes. Agora, há outras pessoas que, com total legitimidade, decidem mais em cima das eleições, ou porque não querem sofrer a erosão de uma exposição pública prolongada, ou porque só se aperceberam da vantagem ou da necessidade de concorrer mais em cima, ou porque outras razões determinaram essa decisão. Agora, independentemente do momento em que as pessoas decidiram apresentar a sua candidatura, o que interessa são os propósitos. E interessa, além dos propósitos, além das motivações, além dos projetos, saber quais são as condições objetivas de cada um para o exercício da função. Eu acho que há pouco o Álvaro Belleza colocou as coisas bem, no sentido de que o que nós queremos, acho eu, em Portugal, para um presidente da República, é que seja um fator de estabilidade, que seja capaz de construir pontes, que projete a sua experiência e a sua mais-valia ao serviço do país, um país que quer ir para frente, um país que não quer voltar para trás. Isso significa que os portugueses terão a oportunidade de analisar as pessoas, as suas propostas e tomar a sua decisão, ver quem é, dos candidatos, a pessoa que está mais em condições de servir esse propósito. Na minha opinião, é o doutor Marques Mendes. À volta da mesa deste painel, desta mesa virtual, naturalmente que as opiniões serão diferentes. Agora, isso é que é importante. Não é tão importante, a meu ver, quem é que avançou primeiro ou quem é que avançou depois. Quer dizer, mesmo outros candidatos que ainda possam vir a aparecer, porque ainda têm tempo para isso, têm toda a legitimidade. Agora, se me pergunta se é provável que haja muito espaço para esses novos candidatos disputarem com sucesso a eleição presidencial, eu acho pouco provável, para ser completamente sincero. Ora, que têm toda a legitimidade para aparecer e para apresentar as suas ideias, seguramente que sim. A democracia faz-se da diversidade e eu acho que todos temos que respeitar isso.

Álvaro Belleza, quero também questioná-lo sobre esta questão. Tem sido bastante consensual a forma como falou dentro deste painel. É também um dos pontos fortes que António José Seguro pode tentar aproveitar. Admite a ideia de que o António José Seguro possa ter mais facilidade em arregimentar eleitores que são afetos ao PS e aproveitar a divisão, porque há mais candidaturas vindas da direita, digamos assim?

Eu estou absolutamente convicto, pelo que as pessoas que têm tentado ouvir este debate, pelos vários que estamos aqui, que apoiamos candidatos diferentes. E eu já o tenho dito, eu acho que as eleições presidenciais vão ser umas eleições diferentes, com elevação e que não é preciso denegrir os outros para defender as nossas causas. E foi isso que aconteceu aqui nestes minutos entre nós. E isso é o melhor para o regime que pode acontecer, porque nós hoje estamos a viver, não é em Portugal, é no mundo. Parece uma lama, está tudo numa luta radical. Estamos a passar tempos, eu não sei agora como médico, se isto não é um fenômeno pós-covid, doença mental em grande número. Há qualquer coisa que se passa aqui em comum. Estamos a viver tempos de grande ansiedade, de grande agressividade. E o Presidente da República, como foi dito aqui por vários dos intervenientes, tem que ter, de facto, as qualidades que lhe permitam ser alguém que seja árbitro, ponte, que fale com todos. Nós não estamos aqui para discutir almoços e jantares, e é bom que almoçem, que haja almoços entre os vários atores políticos. Esse, aliás, é um problema dos tempos modernos. As pessoas falam pelas redes, falam pelo WhatsApp e já não convivem, já não falam pessoalmente Muitas das coisas resolvem-se falando. Nós somos um país pequeno, mas que tem, como eu tenho dito, grandes oportunidades. Se tivermos juízo, todos, se houver bom senso, eu estou absolutamente otimista que qualquer que seja o presidente eleito, porque é óbvio que alguns têm essa possibilidade maior que outros, não pode haver uma surpresa, que teremos um presidente da República sensato, educado, moderado, que faz a ponte entre os portugueses, com ambição para levar o país para frente, como é evidente, toda a gente quer levar o país para frente e ter ambição. Agora, o método, eu acho que é absolutamente fundamental. Portanto, há uma coisa que eu posso garantir, e não sou só eu que conheço o António José Seguro, é que ele vai fazer uma campanha, como tem feito, pela positiva. Ele é o que é, é conhecido com as qualidades e os defeitos. Aqui somos todos gente normal. E já agora, estes candidatos também se tem dito: "Ah, não são pessoas de um carisma excepcional que nós tivemos no passado". Olhe, a República é feita de homens normais e simples. A República é de todos. E todos os cidadãos têm direito a candidatar-se à presidência da República com mais de 35 anos. Agora, eu vejo no naipe dos candidatos, e sou sincero, não estou a dizer isto para fazer campanha, eu não tenho muito jeito pra campanha eleitoral. Eu estou a ser sincero. Acho que temos aqui um conjunto de pessoas, que são pessoas decentes, honestas, cultas, preparadas e com capacidade para serem bons presidentes da República, com sobriedade, respeitando as leis, o primado da lei, respeitando os outros. Eu acho que isso é muito importante. E os portugueses vão escolher serenamente.

Rodrigo Saraiva, como é que a candidatura de Cotrim Figueiredo pode ser capaz de ir além do eleitorado da Iniciativa Liberal e conquistar setores mais abrangentes do que aqueles que conseguiu, por exemplo, nas últimas eleições legislativas?

Olhando a factos e dados, nós gostamos muito de fazer política baseada em dados. Se olharmos aquilo que foi o resultado percentual da Iniciativa Liberal nas várias legislativas que tivemos nos últimos anos e olharmos ao resultado das europeias, em que a lista da Iniciativa Liberal era encabeçada por João Cotrim Figueiredo, e olharmos ao resultado percentual que teve, diria que dá uma demonstração que João Cotrim Figueiredo tem uma capacidade de ir além daquilo que é o eleitorado que já está civilizado à Iniciativa Liberal. Eu conheço o João Cotrim Figueiredo, trabalhei com ele na Assembleia da República, andei muito com ele pelo país, tive imensas reuniões e consegui comprovar aquilo que é a forma como as pessoas gostam do João, reconhecem o valor do João, reconhecem a capacidade do João. E não é assim uma coisa só esotérica. Há factos, há provas daquilo que é preciso fazer. João Cotrim Figueiredo apresentou-se como candidato numa entrevista televisiva. Disse que queria um Portugal melhor para os portugueses. Imagine um Portugal mais ágil, um Portugal mais célere. Em 48 horas, ele demonstrou o Portugal que deseja. Ele conseguiu em 48 horas as assinaturas necessárias num processo ágil, digital, simples e com resultados eficazes. Portanto, é claramente uma pessoa que consegue rápida, mais do que ir além de um eleitorado base, aquilo que é o seu partido. Ele já demonstrou que consegue ir além e demonstra que tem capacidade para isso. Porque o João Cotrim Figueiredo deu provas, não só no seu pouco tempo na política, porque o João Cotrim Figueiredo apareceu há pouco tempo na política, tal como a Iniciativa Liberal, mas também já deu provas disso naquilo que foi a sua vida profissional, quer no setor privado, quer quando passou também pelo setor público, que também já geriu uma instituição pública. Portanto, todo o seu percurso de vida é um percurso de uma pessoa que é inconformada, que quer fazer acontecer, que quer que as instituições, as organizações e, neste caso, o país, andem para frente para que a vida das pessoas possa ser melhor, porque nós acreditamos, João Cotrim Figueiredo acredita, que Portugal pode ser muito melhor do que aquilo que tem sido.

Estamos nos aproximando do final, entramos nos últimos 10 minutos deste explicador. Vou pedir-vos algum poder de síntese, até para podermos fazer ainda mais uma ronda. E Cristina Rodrigues, eu vou começar por si. O que é que uma candidatura do Chega vai trazer ao debate das eleições presidenciais? Vai polarizar ainda mais este debate?

A questão não é necessariamente polarizar, a questão é termos a certeza que durante todo este período não ficam esquecidos 1 milhão e 400 mil pessoas que também têm ideias muito específicas sobre aquilo que querem para o país. E parece-me, de alguma forma, que as outras candidaturas não têm essa capacidade ou não têm até esse interesse por algumas coisas que já ouvimos dizer. E portanto, nós queremos assegurar que temos um candidato que trará temas sem tabus, seja o tema da imigração, seja o tema da corrupção, sejam temas que são caros ao Chega, ao seu eleitorado, e que nós achamos que é necessário uma pessoa com um caráter forte, com uma personalidade forte, que tenha capacidade de os discutir sem qualquer tipo de constrangimento.

Carlos Coelho, o que é que se segue agora no caminho a Belém?

O que se segue, sobretudo, com maior destaque a seguir às eleições autárquicas, porque eu creio que até 12 de outubro, grande parte da atenção vai estar dividida com as eleições autárquicas, mas a partir do dia 12 de outubro, teremos um acelerar da campanha presidencial e, portanto, aquilo que disse há pouco

Que os candidatos têm propostas e devem torná-las mais evidentes. Deve ser o centro da campanha natural e vai haver a fase de debate em que os diversos candidatos terão que confrontar as suas perspectivas do país. Eu creio que o Tomás Guedes terá a oportunidade de explicar melhor o que é o seu entendimento do exercício das funções presidenciais, aquela ideia que ele tem, que me parece correta, de que o presidente da República não governa no sentido que não é o Executivo, mas que se espera da primeira figura do Estado que tenha causas. Ele tem diversas causas, que aliás já tornou públicas quando apresentou a sua candidatura, e as causas dos diversos candidatos devem estar em confronto, sobretudo a forma como cada um deles lhes quer dar visibilidade e eficácia no exercício das funções presidenciais. Portanto, eu diria que a fase de debate entre os candidatos vai ser particularmente importante nos últimos meses deste ano.

Rodrigo Adão da Fonseca, faço-lhe a mesma pergunta: o que é que segue na campanha e para Governo em Melo?

Do nosso lado, a campanha continua um pouco pelo país, junto das pessoas, ouvi-las, perceber as suas preocupações, apresentar aquilo que é o perfil do candidato, seu carisma, procurando recolher a simpatia necessária, que é fundamental quando se aspira a ser presidente da República, onde é necessário atrair 50% mais 1. É importante assinalar que o presidente da República será aquele que for mais agregador, mais empático, mais carismático e esse é um pouco o trabalho que estamos a fazer, recolhendo assinaturas, porque, ao contrário da IL, optámos por ter uma recolha de assinaturas tradicional, junto das pessoas, e não só por chaves móveis digitais numa espécie de corrida para o tempo. O Rodrigo, o comboio parte todo ao mesmo tempo, portanto 48 horas é bom, mas prescindiu-se do contacto com as pessoas e também com um ou outro almoço, Álvaro, mas não demasiados, que isto hoje em dia com os colesteróis, o Álvaro é médico, sabe que isto temos que ter sempre algum cuidado, que a viagem é longa e como o André Ventura também sofreu na anterior campanha, é preciso cuidar do corpo, que não podemos cometer vários excessos. E só para tirar muito rapidamente, concordo com o Álvaro, vivemos num momento muito complicado, sobretudo pela exposição às redes sociais, onde a perda de empatia e a destruição da aproximação ao outro está a destruir o sistema político. E temos claramente nas presidenciais, onde é preciso ter 50% mais 1, é o processo que constitucionalmente mais força o entendimento, temos que assinalar isso e todos em conjunto dignificar este processo.

Vou passar a palavra ao Rodrigo Saraiva, para responder essa questão das 48 horas e pergunto-lhe o que é que muda agora também para a candidatura Cotrim Figueiredo.

Aquilo que muda, tal como os oradores anteriores disseram, agora é o acelerar do processo, sobretudo no pós-autárquico, quer dizer, com o momento dos debates, depois a campanha de rua. Agora, há uma coisa que vai ficar, que já está óbvio, até por esta questão aqui das 48 horas, é que João Cotrim Figueiredo não é mais do mesmo. Portanto, ele opta por fazer as coisas diferente. E quando opta por fazer as coisas diferente, ele está a ser coerente com aquilo que disse quando anunciou a sua candidatura. Ele quer um Portugal mais moderno, menos bafiento. Ele quer um Portugal mais avançado, capaz de produzir cultura, conhecimento, inovação e crescimento. Ele quer um Portugal mais arrojado, que encare a mudança e o risco como naturais. Não é aquela coisa do dizer as verdades, porque dizem-se muitas verdades, umas que até são o contrário da anterior. Não, é dizer a verdade aos portugueses, nomeadamente numa situação geopolítica que nós vivemos muito instável. É preciso dizer que possivelmente teremos que não só ambicionar mais, mas também fazer às vezes alguns sacrifícios em prol daquilo que é o modo de vida que nos habituámos nestas últimas décadas, que é um modo de vida assente na democracia, na liberdade, no respeito pelo Estado de direito, que hoje em dia está colocado em causa. E João Cotrim Figueiredo também traz isto perante aquilo que é a sua filosofia de vida, perante aquilo que são os valores que acreditam, os valores de uma democracia liberal. Também dizer que é isto que temos que defender, não só no nosso país, mas também por todo o mundo, sobretudo quando temos uma diáspora muito presente em todo o mundo, o que é uma das razões que justifica que qualquer presidente da República, seja ele qual for, tenha o seu poder de representação, também o dever de estar junto da nossa comunidade, da nossa diáspora, porque nós somos muitos neste retângulo, somos muitos também nas duas regiões autónomas, mas somos mesmo muitos por este mundo fora. E o presidente da República, quando é presidente de todos os portugueses, é de todos os portugueses, estejam eles onde estiverem.

E vou fechar com o Álvaro Beleza e com a mesma questão: o que é que segue agora para António José Seguro, vendo esta entrada do Chega e o lote de candidatos aumentar com mais uma pessoa, embora ainda não se saiba ao certo se é André Ventura ou não. Tenho um minuto e meio para fechar, Álvaro Beleza.

Primeiro vai acabar as vindimas lá dele e, portanto, vai ter que andar pelo país, falar com os portugueses, ouvir as pessoas e ser ele próprio. Eu acho que nesta campanha, o que vale é o que as pessoas são por elas. E ele é o que é. É uma pessoa simples, é uma pessoa fácil de falar e de conversar, empática, é um homem íntegro, honesto, culto, preparado, foi socialista desde pequenino, teve funções políticas ao mais alto nível, mas teve uma coisa também que eu acho que é importante: esteve afastado da política praticamente 10 anos e fez uma vida de um português normal, que tem que fazer a sua vida, trabalhar, dar aulas, pagar impostos, taxas, essas coisas, porque a política deve ser também de pessoas simples, e é o que ele é. E, portanto, eu estou muito à vontade, já tenho falado nisso, acho que ele é a pessoa certa, até pelo nome para um porto seguro que Portugal deve continuar a ser.

Muito obrigado, Álvaro Beleza. Agradeço também ao Carlos Coelho, ao Rodrigo Saraiva, ao Rodrigo Adão da Fonseca e também à Cristina Rodrigues, que se juntaram neste painel mais extenso do Explicador, que está de regresso na segunda-feira na Rádio Observador.