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Começa agora o Explicador das manhãs 360 esta sexta-feira. Vamos olhar pra decisão do Reino Unido de retirar Portugal da lista de destinos seguros. A partir de terça-feira, os ingleses ficam obrigados à quarentena no regresso ao país. Para falar sobre este tema, convidamos esta manhã António Conde Pinto, da Associação de Hotelaria e Turismo, João Fernandes, do Turismo do Algarve, e também Vasco Ricoca Peixoto, médico de saúde pública. A moderação é da Carla Jorge Carvalho, a quem se junta o Júlio Magalhães, em directo do Porto. Muito bom dia aos três e obrigada por estarem no Explicador esta manhã. João Fernandes, assim que soube da decisão do governo britânico ontem, manifestou logo preocupação com o impacto que a decisão terá no turismo em Portugal. Já tem dados mais concretos sobre cancelamentos ou férias que terão de ser interrompidas por causa das novas regras que entram em vigor na terça-feira?
Olá, bom dia. Obrigado pelo convite à Rádio Observador e bom dia também a todos aqueles que nos ouvem e aqueles que também compõem este painel. Naturalmente, ainda é muito cedo para ter esses dados, mas o reporte que tenho, quer do aeroporto, de cancelamentos de voos, quer dos hotéis, de cancelamentos de reservas e redução da procura das reservas por parte do mercado britânico para o futuro próximo, é já revelador de um impacto significativo, na medida em que o mercado britânico é o principal mercado externo de procura para o Algarve.
E, portanto, uma decisão como estas consegue alterar de uma forma quase radical as expectativas que o sector tem para o verão.
Nós temos, felizmente, no verão, a principal procura é nacional e, felizmente, as reservas de portugueses estão a correr muitíssimo bem, à semelhança do que aconteceu ano passado durante o verão. Temos também uma procura crescente de espanhóis, alemães, franceses, irlandeses, holandeses, mas temos que ter a noção de que, por exemplo, para termos um termo comparativo num ano normal, os britânicos são responsáveis por 6 milhões de dormidas em hotelaria no Algarve, num total de 21 milhões de dormidas. Portanto, têm uma expressão que não é substituível por outro mercado.
Apesar de haver outros mercados e alguns em crescimento, nomeadamente o mercado interno, e vamos também olhar para isso neste Explicador. António Conde Pinto, bom dia. Faço-lhe a mesma pergunta: consegue estimar o impacto que esta decisão do governo britânico pode ter para a hotelaria e o turismo?
Muito bom dia. Bom dia a todos. Muito obrigado também pelo convite. Também neste momento ainda é cedo para avaliarmos. Certamente, o impacto vai ser diferente nas várias regiões do país e até em várias das empresas. Neste momento, como já foi referido, enfrentamos aqui três tipos de situações. Algumas tentativas de regresso antecipado à Inglaterra, os cancelamentos de reservas já efetuadas e a queda nas intenções de reserva. Portanto, é claro que esta decisão é muito negativa para nós. Mas também penso que temos que tirar aqui algumas consequências do que está a passar e parece-me que uma das primeiras consequências, e que no que diz respeito a todos nós que trabalhamos no turismo, é a necessidade de passarmos de uma gestão que, parece-me, tem sido demasiado emotiva, para uma gestão mais racional. Nós andamos aqui num carrossel da euforia à depressão. Há três semanas eu via os repórteres das televisões nos aeroportos à espera dos ingleses. E portanto, nós temos de sair desta situação. Nós verdadeiramente estamos a viver um quadro que é semelhante àquele que já vivemos há um ano. Há uma segunda consequência, que de alguma forma está relacionada com esta, que é nós percebermos que o Brexit, de facto, aconteceu. O Brexit aconteceu e, portanto, o Reino Unido pode estar hoje num caminho diferente do caminho que é seguido pelos 27 países da União Europeia.
A questão é se Portugal se preparou para o Brexit, independentemente da pandemia que entretanto surgiu.
Pois, isso, de facto, é um bom motivo agora para fazermos essa avaliação. E deixe-me até pegar nestas declarações que penso que foram feitas pelo senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros e que são muito interessantes. O senhor Ministro referiu que se pretendia que os ingleses aderissem, no fundo, ao passaporte que a União Europeia está a tentar criar. Mas vemos que há aqui uma divergência grande na abordagem do tema, porque o que os 27 países estão a dizer com o passaporte, e hoje a França também foi referida no vosso noticiário, o sublinhou, é que basta estar vacinado para podermos viajar. Ora, os ingleses estão-nos a dizer que não, que isso não é suficiente. A Inglaterra, lembro, há semanas atrás, era apontada como um dos maiores sucessos de vacinação no mundo. Ora, os ingleses, que serão dos mais vacinados, consideram que isso não é critério suficiente para viajar. Não me interessa, naturalmente, entrar nessas discussões de caráter científico, que os especialistas saberão fazê-lo, naturalmente, e melhor. Mas o que interessa aqui é dizer que a Inglaterra está fora do nosso espaço. E constatamos que um dos principais mercados, como aliás foi referido, do nosso turismo, é um mercado que está fora do nosso espaço político e económico europeu. Isto tem nos obrigado a tomar uma atitude diferente relativamente ao mercado inglês e, naturalmente, quer na compreensão do que se está a passar na Inglaterra, e eu julgo que quer o governo português, quer os representantes em Inglaterra, nomeadamente o Turismo de Portugal, têm de estar mais atentos a perceber o que se está a passar naquele mercado para transmitirem para quem está cá no terreno, como ainda agora ouvimos o presidente da entidade regional, da Agência de Promoção Turística do Algarve e os empresários, do que se está a passar e qual é a intenção do governo inglês. Porque quem andava a assistir aos noticiários da Sky, qualquer cidadão Percebi que alguma coisa estava a passar na Inglaterra. Eu não creio que isto tenha sido completamente inesperado. Nós temos de mudar essa nossa atitude.
António Condé Pinto, Portugal deve procurar outros mercados? É mais ou menos isso que se pode aferir disso ou não? Os ingleses continuam a ser o melhor mercado. Eu hoje estava a ler o El País e a capa é precisamente essa: são espanhóis desolados com os ingleses, porque os ingleses também em Espanha são o maior número de turistas e também não abriram linha verde para os espanhóis. Devemos olhar para outros mercados, devemos nos preparar é para isso?
Temos de olhar obrigatoriamente. Este ponto, para mim, é crucial. A Inglaterra está fora deste espaço económico, que são os 27. Nós não podemos correr o risco de continuar a ter como principal mercado para uma região do país ou para uma parte significativa do nosso país, um país que não faz parte deste espaço econômico, e que portanto se sentirá naturalmente livre, até eventualmente por outro tipo de considerações independentes do turismo, a tomar atitudes que estão desfasadas daquelas que nós estamos a seguir. Nós estamos a viver uma situação de alto risco e de uma exposição que neste momento nos coloca nesta fragilidade.
E está aqui a fazer a ponte com a questão científica e é importante nesta altura, quando estamos aqui a falar até de novas variantes. Vasco Ricoca Peixoto, bom dia, bem-vindo também a este explicador. É médico de saúde pública. O governo britânico alegou, de facto, um risco acrescido em Portugal por causa da variante indiana e da linhagem Delta, foi a expressão que ontem começou a correr. O que se sabe sobre isto e quão grave ou importante é estes 12 casos que o Instituto Ricardo Jorge confirma que temos?
Bem, o que se sabe ainda é pouco. E nesse sentido, eu não ia começar por aí, mas de facto o Reino Unido devia ser transparente na sua avaliação de risco, até quando diz que pode pôr em causa a eficácia vacinal estas variantes da Índia e do Nepal, como se fosse uma subvariante da variante indiana. Quando diz que pode reduzir a eficácia da vacinação, será que eles têm alguns dados que já suportem isto? Obviamente, nós sabemos que à medida que vão aparecendo variantes, vai haver variantes que vão poder pôr em causa esse esforço de vacinação. Agora, contextualizando, o ano passado, aliás, um grupo em que também trabalhei na Escola Nacional de Saúde Pública, fizemos uma análise crítica aos critérios do Reino Unido. E de facto, nessa altura, nós estávamos a testar muito, a detectar mais casos que os outros países europeus e portanto, essa foi uma das principais críticas que nós fizemos em relação à decisão e considerámos que a grande maioria ou uma grande parte do turismo pode ser perfeitamente seguro. Claro que depois, obviamente, há escolhas a fazer. E de facto foi decidido também que, por exemplo, as discotecas e outro turismo ainda não vai estar a funcionar nesta fase. Mas o turismo pode ser seguro. Portanto, esta questão das variantes, nós ficamos sem saber o que os decisores no Reino Unido consideraram verdadeiramente. Consideram que há mais subdetecção, enfim, uma ligeira subida na positividade, portanto, que estamos a detectar menos casos. E eles, de facto, têm uma vigilância de variantes que é das melhores do mundo ou provavelmente a melhor do mundo. E podem considerar que há mais circulação em Portugal do que no Reino Unido, mas isso não me parece também, considerando a mobilidade que o Reino Unido tem e a circulação da variante indiana original, digamos assim, no Reino Unido, que é muito superior à maior parte dos países da Europa, não me parece que essa também seja uma questão muito relevante. Mas, por outro lado, eles dizem também que querem proteger o seu próprio desconfinamento e que não querem arriscar, embora esse nível de risco pareça ser um nível de risco, pelo menos vindo de Portugal, que não é muito relevante. Mas dito isto, nós para o futuro vamos precisar de voltar a pensar o que queremos priorizar em termos de aumento do risco, porque estamos a subir, vamos provavelmente continuar a subir. Em termos de casos, ainda temos muito espaço e temos que decidir o que queremos proteger: a vida das pessoas, familiar, com as pessoas próximas, o turismo de baixo risco seguro, o turismo de famílias, ou por exemplo, queremos permitir grandes ajuntamentos, importa ou não o fim do teletrabalho para quem realmente o pode fazer, porque estas coisas vão continuar.
Mas acha que o calendário que foi apresentado pelo governo pode ser um pouco apressado nesse sentido, da proteção das famílias e da atividade econômica?
Pois, exato. Ou seja, eu acho que basicamente há coisas que provavelmente podem continuar. Podemos continuar a minimizar o risco em algumas coisas. E assim, de forma muito rápida, posso dizer os grandes ajuntamentos, que há vários tipos de grandes ajuntamentos, não é só o futebol, isso é importante acautelar, e o teletrabalho para quem o pode fazer. E depois, de facto, dessa forma, podemos manter mais tempo uma maior normalidade na vida das pessoas. Eu acho que isso são questões importantes. E agora temos esta questão, que de facto é uma decisão difícil de compreender, mas é uma decisão que foi feita por um governo de um país soberano e, portanto, também temos que considerar estas variáveis, como dizia ontem o presidente da República. Isto também são variáveis. Enfim, são variáveis que são complexas, mas que estão em jogo também têm a ver com decisões de governos.
E que têm a ver com decisões de governo que não cumprem as mesmas regras da União Europeia. João Fernandes, ouvimos aqui o António Condé Pinto dizer que estamos demasiado dependentes de um mercado que não faz parte agora do nosso clube. Como é que se combate esta dependência do turismo inglês?
Em primeiro lugar, é preciso lembrar que esta não é uma realidade nova, nem sequer originária do Brexit. Esta é uma realidade que já acontece há muitos anos, nomeadamente no Algarve. E é por isso mesmo que a estratégia de diversificação de mercados também não é nova. Eu vou vos dar um exemplo. O referendo ao Brexit foi em 2016 e, nessa altura, para o Algarve, o Reino Unido representava, em termos de dormidas em hotelaria classificada, 33%. Em 2019, que foi um ano recorde em todas as regiões, em Portugal, o Reino Unido representava 28%, portanto, menos 5%. Este trabalho tem sido feito não tanto perdendo procura britânica, mas sobretudo alargando o leque de opções de mercados emissores. Para vos dar uma ideia, países como a França, que tinha uma procura, em 2014, de meio milhão de dormidas, acabaram 2019 com quase 1,2 milhões. Países como os Estados Unidos, entre 2014 e 2019, subiram no Algarve 210%, a Itália 201%, o Brasil 332%. A Espanha, Portugal, entre outros países, tiveram crescimentos exponenciais, exatamente por causa dessa aposta na estratégia de crescimento de outros mercados para atenuar o efeito do peso relativo demasiado importante do Reino Unido. Só que isso não se faz nem do dia para a noite e naturalmente, quando se tenta recuperar, no contexto atual, a atividade, a primeira etapa dessa recuperação faz-se pelos mecanismos que já estão estruturados, pelos países que são nossos mercados emissores tradicionais, que já têm ligações aéreas, onde o destino já tem notoriedade e, portanto, as pessoas reconhecem o destino. Isto não se faz com passe de mágica e nós temos que nos lembrar que, entretanto, há muito desemprego, houve muitas empresas fechadas e, portanto, nós não podemos aqui estar a equacionar cenários esotéricos, temos que ser pragmáticos. Esta diversificação da procura já está a ser trabalhada há muitos anos a esta parte, só que o resultado não acontece por passe de mágica, acontece porque temos feito um trabalho estruturado. Hoje, o peso relativo do Reino Unido é muito inferior àquele que já foi, mas ainda assim, nós estamos a falar de dois grandes blocos, o Reino Unido e a Alemanha, que são os dois principais mercados emissores para a Europa. Não estamos a inventar a roda. Esta é uma realidade que existe na Europa há muitos anos a esta parte.
João Frances, e faz sentido esta proposta lançada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros de alargar o passaporte europeu a outros países para além dos Estados-membros da União Europeia? Pode ser um caminho para que haja alguma segurança nos critérios que cada país tem para com aquilo que são os destinos seguros?
Faz todo sentido e estou certo que o Reino Unido adotará também as mesmas medidas, no sentido de que o Reino Unido, politicamente, comprometeu-se, o governo britânico, com os seus cidadãos a, no próximo dia 21 de junho, terminar o processo de desconfinamento, avançado que estava o processo de vacinação. Deixou, desculpem-me a liberdade da expressão, os britânicos saírem no chamado half term, portanto, num período de férias escolares intermediárias que termina agora, e estrategicamente decidiu, de forma política e não baseada em factos, como aliás, aqui também foi claro, voltar atrás para cumprir com essa promessa de forma segura e de forma a não se comprometer politicamente com outro resultado que não fosse aquele que tinha estipulado. Eu estou certo que a partir do dia 21 de junho terá outra liberdade para os seus cidadãos poderem viajar e assumirá esse espaço homogêneo de critérios que é naturalmente essencial para a confiança de qualquer pessoa que queira planear uma viagem e que não seja, como foram agora os britânicos, apanhados a meio das suas férias com um retrocesso ou com uma mudança de avaliação dos destinos.
António Condé Pinto, vê como possível um entendimento entre países fora da União Europeia nos indicadores que podem merecer a luz verde para destinos seguros?
Sempre penso que é um caminho que terá de ser necessariamente seguido. Julgo que o primeiro passo, e muito importante, era de facto que os 27 países da União Europeia concertassem entre si uma política comum. Isso, pelas informações que todos temos, parece que estará prestes a acontecer. O famoso passaporte que assenta no princípio da vacina. Isto é um ponto que não podemos esquecer. A partir desse momento, eu julgo que será possível à União Europeia estabelecer contatos, naturalmente, quer com o Reino Unido, quer com os Estados Unidos
Porque vai ser muito importante também o acordo que a União Europeia venha a fazer com os Estados Unidos pra que as rotas aéreas possam restabelecer a sua normalidade e o mercado americano possa voltar a ser um mercado importante pra nós. Agora, ninguém pode, neste momento, estar a fazer previsões do que essas negociações, quanto tempo vão demorar e a que é que vão conduzir. Portanto, eu me mantenho aqui neste ponto. Eu respeito que haja visões científicas diferentes e o que eu retiro daqui neste momento é que nós damos uma importância à vacina que, porventura, outros não estarão a dar em termos de transmissão da doença, não em termos de proteção das pessoas. Portanto, teremos agora de aguardar, primeiro, que os 27 estabilizem e tornem oficial este mecanismo de circulação interna e depois ver como é que os outros países vão reagir, mas não creio que seja algo que se vá acontecer muito rapidamente. Aliás, nós temos declarações públicas de várias companhias de aviação, nomeadamente companhias americanas que operam aqui, a dizer que não preveem voltar a voar, por exemplo, aqui pro Porto este ano. Portanto, vai haver aqui um tempo de negociação e esse tempo é, pra nós, imprevisível. Eu estou absolutamente de acordo com aquilo que o João Fernandes disse. Não é possível, naturalmente, nós agora irmos à janela e substituirmos os ingleses por outros mercados. E, portanto, naturalmente que isto é um trabalho de médio prazo, mas pra mim o ponto é este: a pandemia deu-nos muitas lições e uma é porventura esta. Nós temos de olhar de modo diferente pra mercados que estão fora do nosso espaço econômico e político. E, portanto, pra mercados que poderão a qualquer momento vir a estabelecer, por iniciativa própria e perfeitamente razoável, medidas com as quais não conseguimos controlar. Pensou o Fernandes uma coisa que aqui é muito interessante. Portugal penso que era dos pouquíssimos países que estavam naquela lista verde. Eu penso que estava a Austrália, Nova Zelândia, Israel.
Israel, sim, Portugal era o único país da União Europeia, creio.
Exatamente. E por coincidência ou não, isto coincidiu com o período de férias escolares. O período de férias escolares, portanto, quem é que está na Inglaterra até segunda-feira, tranquilamente, por causa do período de férias escolares, também aconteceu isso. Mas também nós vemos que o desconfinamento da Inglaterra evolui num ritmo mais lento que o nosso e a polêmica lá é igual à nossa. Também lá, enfim, setores da saúde que acham que o Boris Johnson está a avançar depressa demais. Portanto, tudo isto provavelmente pesou também na decisão britânica. Mas neste momento, nós sentamos à mesa com mais 26 países e a cadeira do Reino Unido já não está na sala.
Vasco Ricoca Peixoto, isto causa algum alarme nas pessoas, porque de repente a Inglaterra tira Portugal da lista verde, quando sabemos que Portugal é dos países, até neste momento, mais seguros da Europa. Fizemos mais testes ultimamente, até por causa dos acontecimentos com os adeptos. Há mais infectados, mas afinal, não há essa pressão nos hospitais. Os internamentos diminuem, os cuidados intensivos também. Isso não devia pesar mais até do que o resto, porque isso é que é verdadeiramente importante. É difícil as pessoas não apanharem COVID, apesar de tudo, sobretudo quem não está vacinado.
Pois, a questão das hospitalizações e dos óbitos era a principal questão e é uma das principais questão que nós acreditamos que o nível de vacinação que já temos e em muitos países da Europa vai impedir um grande aumento. Já houve um aumento, já está a começar a haver um aumento, mas vai impedir um grande aumento. As questões aqui têm a ver precisamente com a incerteza se a rápida disseminação de variantes, pode haver algumas variantes que ponham em causa os esforços de vacinação.
E não há certezas nessa matéria ainda.
Não há grande certeza. A variante indiana com mais circulação no Reino Unido, felizmente mantém uma eficácia elevada, mantém uma eficácia das vacinas que existiam, portanto, mantém-se mais ou menos semelhante. Mas tem uma descida ligeira, mas que não será muito relevante. Agora, há incertezas em relação ao resto. E aqui a questão, eu acho que o caminho mais justo, e depois também há incerteza em relação às sequelas, mas enfim, nem sequer agora vou falar sobre isso. Eu acho que podemos tentar, considerando as realidades concretas, minimizar os riscos onde os podemos minimizar e onde muitas vezes eles também não afetam a atividade econômica. Ou seja, nós já percebemos, quer queiramos quer não, uma subida rápida de transmissão, que acho que temos um risco de em Portugal estar a ir nessa direção, pode ter implicações até face a estas questões do turismo internacional, etc. Que são criticáveis, mas pode ter. E, portanto, acho que há, por um lado, a nível individual, fazer um apelo às pessoas para tentarem minimizar os seus riscos, porque é perfeitamente possível, por exemplo, fazer umas férias no Algarve com um grupo de amigos sem ter um risco muito elevado, mas por outro lado, de facto, acho que com os grandes ajuntamentos que acabam por acontecer nas ruas ou em vários tipos de contextos e certos tipos de eventos que também acabam por dar uma mensagem de comunicação de relaxamento, acho que temos que ter cuidado com isso. Temos que pensar também se, de facto, acabar com o teletrabalho, que é mais uma grande rede de cruzamentos entre muitos milhões de pessoas em teletrabalho, que depois têm que almoçar, etc, se isso é uma prioridade ou não. E depois em relação às fronteiras no futuro, mas esta é uma área, de facto, muito difícil em termos de política, acredito, que é decidir que fronteiras é que, e consoante também a informação que vai aparecendo das variantes, que é escassa e chega às vezes tarde. Temos que perceber isso. Que fronteiras é que queremos controlar com mais eficácia, porque parece-nos sempre muito cedo, mas de facto as variantes entram numa altura precoce e depois disseminam-se melhor ou não, a partir daí. E, portanto, de facto, especialmente os países com grande nível de disseminação, em que sabemos que biologicamente é normal aparecerem variantes, podemos ter eventualmente um controle de fronteiras mais efetivo, porque também importa a efetividade, não só as pessoas dizer que se fica em isolamento e depois termos muito pouca capacidade ou muito pouca de ter um isolamento efetivo dessas pessoas, nomeadamente nesses países que têm mais transmissão, para protegermos a circulação nos outros. E nós também defendemos muito a importância da circulação dentro do espaço Schengen, e aí acredito que vão ser encontrados espaço da União Europeia, portanto, e aí acredito que vão ser encontradas soluções razoáveis e enfim, e que não ponham também esta questão, porque há tantas que estamos a pôr países que se calhar têm o mesmo nível de risco a fazer decisões que acabam por depois ser decisões motivadas por outros motivos que não motivos de saúde pública e também sabemos que isso pode acontecer.
E por isso há ainda muitos desafios pela frente. Vasco Ricoca Peixoto, António Conde Pinto e João Fernandes, muito obrigada por terem vindo ao Explicador desta manhã. Um bom dia.
Bom dia, obrigado. Bom dia.
Bom dia.
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