Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E como habitualmente a esta hora recebemos o Pedro Rainho, coordenador de fact-checks do Observador. Pedro, muito bom dia.
Olá, bom dia.
Olha, Orçamento do Estado?
É esse tema de que ainda ninguém falou, não é? Está fresquíssimo, pronto a falar. Não, eu confesso que ainda pensei trazer hoje aqui um tema diretamente sobre a Covid.
Que é outra coisa de que não se tem falado .
De que não falamos. Mas depois ouvi o vilão do Miguel Pinheiro e achei que ele fez um trabalho valiosíssimo nessa parte da brigada da gripe. Era assim, não era?
Brigada da gripezinha.
Brigada da gripezinha. E, portanto, achei que essa parte estava resolvida. Bom, de alguma forma, hoje vou falar também de saúde, mas centrando a questão no debate do Orçamento do Estado, um tema que marcou os últimos dias. E dentro desse tema grande que é a saúde, vou falar num tema muito quente que esteve em foco no debate, que foi no momento em que temos o SNS sob pressão. Isto é clarinho. Aliás, vejamos o que vai acontecer agora este sábado. Catarina Martins apontou baterias ao governo e disse que 30% das vagas para médicos ficam por preencher.
Então, e que números é que nós podemos ver para nos ajudar a perceber se isso é verdade ou não?
A jornalista Rita Penela foi rever os números das colocações de novos médicos nos últimos cinco anos, entre 2016 e 2020. E percebe-se que neste período, no melhor dos anos, ficaram por preencher 23% das vagas: lugares hospitalares, medicina geral e familiar e claro, também os lugares de saúde pública.
Mas uma coisa são casos pontuais, outra coisa são casos que se repetem todos os anos. E a realidade é essa, repete-se sempre.
Sim, Judite. Na verdade, esses 23% de lugares que eu acabei de referir que ficaram por ocupar num destes anos são o melhor resultado desde 2016. Por exemplo, nesse ano, 2016, só para terem uma noção, quase 40% das vagas para novos médicos não foram ocupadas. Eu posso dar uns números mais concretos. Por exemplo, havia nesse ano 1531 lugares vagos e só foram preenchidos 945. Isto são dados da Administração Central do Sistema de Saúde. Ora, percebemos claramente a consequência que isso tem na capacidade de resposta do SNS, não é?
Claro, são um pouco menos de metade. E o governo deu alguma explicação para esses números?
No debate, o primeiro-ministro optou por focar-se na situação deste ano. O que ele diz é que a pandemia atrasou o processo de formação e que isso atrasou a colocação de novos médicos. Na verdade, acabou por fugir à questão central.
E do lado do Bloco, o que explica estes números?
A Catarina Martins tem falado muito sobre isto. A saúde tem sido um tema quentíssimo, não é? Porque pandemia. A Catarina Martins tem defendido que as questões salariais têm um peso determinante na hora de os médicos escolherem entre o SNS ou o privado. Os sindicatos também têm apresentado o mesmo argumento, mas enfim, isso já é um debate político em que não vamos entrar.
Pedro, em que é que ficamos? Catarina Martins tem razão com esse número das vagas que ficam por preencher?
Surpresa, o argumento é verdadeiro.
Finalmente uma verdade .
Eu achei que vocês precisavam. Estávamos a precisar para dar um quente twist. Mas sim, é verdade.
E é para isto que o fact-check serve, para confirmar se é verdade ou mentira esta série de informações que circulou no espaço público. Fazemos este exercício todos os dias com o Pedro Rainho e ele está conosco amanhã à mesma hora. Até amanhã, Pedro.
Não é verdade.
Não vais amanhã .
O argumento é falso .
É falso.
Portanto, Pedro Rainho, coordenador de fact-checks do Observador. Podem conferir esta nossa secção também no nosso site em observador.pt.