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E está no ar o "Fact Check das Manhãs 360" com o jornalista João Gama. Olá, João, bom dia. Também tem soninho como nós?

Não, nada.

Estás aí fresco. Os meus deixaram um alerta sobre a comida que temos no frigorífico, como iogurtes e Coca-Cola. Outra vez a Coca-Cola. Vocês têm uma perseguição, não é? Vocês sabem que eu não posso beber.

Avó Maria.

Por quê? São teus amigos.

Só vês Coca-Colas a passarem à minha frente.

O que está a circular no Facebook é uma mensagem gravada que enumera uma série de alimentos e bebidas, não só Coca-Cola, e deixa um alerta: foram magnetizadas com grafeno e, por isso, não devem ser consumidas por ninguém.

Portanto, alimentos magnetizados com grafeno. Esta é a altura em que eu pergunto, João, o que é o grafeno?

Não faço ideia, mas vou confiar pelo artigo que aqui me traz.

O que são alimentos?

Este elemento ganhou fama que nunca esperou graças às vacinas contra a Covid-19, principalmente para os seguidores e divulgadores das teorias da conspiração. Já há dois anos começaram a surgir publicações a afirmar que as vacinas continham grafeno na sua composição e que este tem propriedades magnéticas que estariam a ser usadas para reconfigurar o corpo humano. Já ouvimos isto, isto já soa uma campainha.

Portanto, dá-se aqui muitas voltas, mais volta, menos volta, acabamos sempre por falar das vacinas, não é? E adivinhou então que já foi afastada a hipótese de conterem grafeno.

Grafeno ou qualquer tipo de metal, microchip, são hipóteses muito comentadas nas redes sociais, que já foram afastadas por vários dos nossos fact-checks. Na altura, ouvimos vários especialistas a garantir que não há nanopartículas suspeitas nas vacinas e muito menos que essas nanopartículas sejam de grafeno. Esse material foi descoberto em 2004 e serve para produzir materiais mais resistentes, que são utilizados na medicina e na eletrónica. É mais forte do que diamante e não está nas vacinas contra a Covid-19.

Mas vamos lá falar sobre o que interessa: a comida. Afinal, que comidas-

A Coca-Cola. Vamos falar da Coca-Cola.

Que comida é esta que, de acordo com as redes sociais, se deve evitar?

Margarina Qualy, iogurtes Vigor, salsichas Frimeza ou cerveja Heineken.

Esta é para vocês.

Desde já, em nenhum destes produtos a lista de ingredientes inclui grafeno e não há quaisquer notícias sobre uma alegada alteração das receitas. No áudio, que é partilhado no Facebook, é deixada a indicação que o grafeno passou a fazer parte destes produtos em abril, mas podem ficar descansados, e mesmo depois dessa data, não há nenhuns relatos de reações adversas relacionadas com grafeno, magnetismo. Não houve ninguém a ficar colado ao frigorífico, em pessoas que tenham consumido estes alimentos.

E as marcas destes produtos já vieram responder a estas alegações ou não?

Todas, menos a Coca-Cola, para tristeza da Maria João.

A Coca-Cola não se mete nestas coisas.

A Frimeza respondeu-nos numa resposta escrita, disse que nunca fez uso desse método de magnetização por grafeno ou de magnetização de quaisquer alimentos, folgamos em saber. E também a Vigor enviou uma resposta ao Observador onde esclarece que não fez nenhuma modificação dos seus produtos e não possui essa substância em nenhuma composição dos itens do seu portefólio.

A Coca-Cola não tem grafeno, mas é viciante. Não tem íman, mas é muito viciante. Portanto, este carimbo é mesmo da cor da lata de Coca-Cola, é como o de ontem.

É um carimbo vermelho, se pudermos manter. A teoria que está a circular nas redes sociais não apresenta qualquer fonte para alegar que os alimentos foram magnetizados com grafeno. Algumas das empresas mencionadas garantem ao Observador que esta afirmação é falsa e, além disso, o grafeno não possui propriedades magnéticas que são sugeridas nesta publicação.

Carimbo vermelho então no "Fact Check das Manhãs 360" com o jornalista João Gama. Amanhã há uma nova edição. Esta vai ficar disponível em podcast dentro de minutos.