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Bem-vindo ao Gabinete de Crise. Chegou o momento de analisarmos o estado da pandemia numa parceria do Observador com a Universidade Nova de Lisboa. A Sónia Dias, coordenadora do Centro de Investigação da Escola Nacional de Saúde Pública, e o Pedro Pita Barros, da Nova SBE, são os residentes do programa. Para a segunda parte, convidamos esta semana o professor de economia Pedro Brinca. Vamos olhar para o impacto da pandemia no emprego, que fenômenos a Covid-19 veio trazer. Mas para já, avançamos para o número da semana. As reuniões do gabinete de crise começam sempre com esse olhar. Sónia, boa tarde. Que número é que escolheu?
Peraviva, Carla. Boa tarde. Escolhi o 56, que se refere a 56% dos migrantes que considera que a sua situação financeira foi negativamente afetada pela pandemia, num inquérito que envolveu mais de mil migrantes e é resultado do estudo de populações migrantes e Covid, percepções sobre o impacto da pandemia, que a nossa equipa da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova desenvolveu. Avançando mais alguns resultados, encontrámos também que mais de metade dos participantes refere estar numa pior situação perante o trabalho. 32% encontra-se mesmo em situação de desemprego. Os dados mostram ainda que são os grupos com maior fragilidade socioeconômica quem mais refere ter sofrido o maior impacto da pandemia. Ou seja, duas em três pessoas com rendimentos mensais inferiores a €650 reportaram o agravamento da situação laboral e dos rendimentos mensais, comparativamente com os que reportaram ter rendimento superior a €1000. Também um em cada três migrantes que têm menor nível de escolaridade, reportou o agravamento da situação alimentar em casa. O estudo também aponta para desigualdades de gênero, sendo que são as mulheres quem mais reporta uma diminuição nos seus rendimentos mensais. Cerca de 60%, em comparação com 50% dos homens. Também são as mulheres quem mais refere ter acentuado as dificuldades na sua situação profissional e ainda mais de metade das mulheres refere estar em situação de desemprego ou apenas a trabalhar a tempo parcial. E, portanto, é também importante salientar que, para além da maior fragilidade nas mulheres, há outros grupos que se encontram em maior vulnerabilidade, como é o caso de migrantes em situação irregular. E aqui o estudo realça que dois em três migrantes reportam um agravamento da sua situação financeira. E penso que este resultado é importante porque muitos destes migrantes não têm qualquer apoio social por causa da sua situação. Para terminar, alguns dados em relação à saúde. Cerca de 20% dos participantes reportou que a sua condição de saúde piorou na pandemia. E aqui também mais as mulheres e, como seria de esperar, também mais os idosos. Mas é muito interessante ver que os menores rendimentos também estão associados à condição de saúde. E são os migrantes, mais uma vez, que têm rendimentos menores de €650 que reportam um agravamento da sua condição de saúde. E assim diria que, por outro lado, também tentando encontrar algum ponto positivo, 17% dos migrantes recolhe-se que durante a pandemia houve uma melhoria do apoio recebido por parte de organizações da sociedade civil durante a pandemia. E então ficam aqui estes dados, que claramente mostram que os grupos mais vulneráveis ficaram ainda mais expostos aos efeitos negativos da Covid, e não só ao nível da saúde, mas também ao nível socioeconômico. E, portanto, é de facto importante intensificar os esforços nas estratégias dirigidas a estas populações, que possam de alguma maneira mitigar os efeitos da pandemia nas condições de vida e nas condições de saúde das populações migrantes.
São conclusões de um estudo importante. Falamos pouco e conhecemos pouco sobre a população migrante. Estes dados são, por isso, um valor acrescentado. Pedro, boa tarde também. Qual é o seu número da semana?
Boa tarde, Carla. O meu número da semana é, desta vez, um número muito grande. Como na semana passada eu trouxe um número pequenino, desta vez alterei. E o número é 4.701.000. É o número de pessoas empregadas em março de 2021, que foi publicado recentemente pelo INE. E este número compara-se com 4.738,4 do ano antes. E o que eu quero trazer deste número é que houve uma diminuição do emprego, que foi menos de 40 mil pessoas empregadas, menos de 1% de perda de emprego, o que me parece perfeitamente notável face aos problemas que a pandemia nos trouxe. Significa que nós tivemos medidas que aguentaram muito parte do emprego, mas também significa, provavelmente, que em áreas como o turismo e a restauração, que foram muito afetadas, o nível de informalidade foi suficiente para, se calhar, esses números de desemprego na parte informal, do emprego informal, não estarem aqui e portanto estarmos a ser uma subavaliação do efeito. Aliás, seria muito interessante, cruzando com o que a Sónia estava a falar, saber se os migrantes de que ela falou, que foram mais afetados em termos de rendimento pela pandemia, se estavam a trabalhar de uma forma formal, com contrato, oficialmente em Portugal, ou se são migrantes que estão a funcionar no setor informal ou não. Eu creio que com o grau de informalidade que normalmente nós associamos ao turismo e à restauração, estes números oficiais sobre o emprego, embora sejam confortáveis, nos devem pensar que houve provavelmente impacto diferencial de acordo com estes elementos, se está no setor formal ou se está no setor informal. E esta distinção torna-se importante porque nós vamos precisar, em termos de estratégias de emprego, de dois grandes princípios. Vamos ter primeiro empregos que se perderam, provavelmente para sempre Quando houver retoma da economia, é de esperar que cresçam outros setores, é natural que isso aconteça. Portanto, temos que ajudar numa transição entre setores de atividade e um papel a ter pelo próprio Instituto de Emprego e Formação Profissional. Mas ficamos também a saber que provavelmente a informalidade ou o setor informal de trabalho, tem custos grandes para quem está nele envolvido, que surgem muito mais fortes e de uma forma mais dramática nestas alturas de choque grande que houve. Nós temos aqui um momento para pensar e agir também em como reduzir a informalidade nas atividades laborais, retomar estratégias de emprego que abranjam também esse setor informal. Temos que pensar numa lógica de crescimento ou de retoma da atividade econômica, que pense nestas franjas de informalidade. Parece-me ser um elemento importante. Talvez o Pedro, daqui a bocado, consiga também trazer algumas ideias sobre este aspecto. O que significa que para pensar numa estratégia de emprego, não vamos poder apenas pensar que temos dinheiros europeus que vão resolver tudo. O risco do dinheiro europeu ser mal usado existe, não deve ser menosprezado e, sobretudo, deve ser pensado como é que beneficia todos os setores de emprego, incluindo a componente informal. A nossa lógica de crescimento e desenvolvimento tem que também pensar como trazer, de uma forma natural, esses setores com mais emprego informal para a atividade conhecida, para a atividade com a proteção social que nós pretendemos que exista.
Tanto o Pedro como a Sónia escolheram números mais obscuros do desemprego, aqueles que falamos menos e que participam menos nos indicadores que estamos habituados a olhar. Nesta semana, e olhando agora mais concretamente para a pandemia, mantêm-se os principais indicadores controlados e termina também, e isso é importante, uma sequência de estados de emergência. A partir de amanhã, sábado, o país segue a quatro velocidades, com uma cerca sanitária em duas freguesias de Odemira, mas na perspectiva de ainda salvar o verão. E agora, Sónia, isto quer dizer, e olhando até para o novo mapa, que entramos definitivamente num novo ciclo? Será que é isso que vai acontecer?
Pois, Carla, estou completamente de acordo também com o próprio enquadramento que faz desta semana. Acho que, de uma forma geral, é uma nova semana também de boas notícias, pelo menos para a grande maioria dos concelhos em Portugal. Como referia, deixámos o estado de emergência que vigorava desde os inícios de novembro e, portanto, já há um longo tempo. Temos também os indicadores que orientam o plano de desconfinamento a manterem-se positivos, nomeadamente o risco de transmissibilidade continua controlado, apesar da maior abertura de atividades e também das próprias escolas, já ao nível superior e ao nível secundário, e também continuamos a ter uma baixa taxa de incidência, o que, na verdade, até permitiu antecipar a quarta e última fase do plano, que entra já em vigor a 1 de maio, que também ao mesmo tempo até, é uma data interessante para esta última quarta fase do desconfinamento. Estamos assim a regressar, de certa forma, à maioria das atividades. Também até realçaria a estratégia de testagem maciça que agora temos disponíveis e que permite fazer ensaios piloto para concertos, por exemplo, ao ar livre e festivais de verão, e que, como outras experiências na Europa, têm sido muito bem organizadas e pode ser também um aspecto muito interessante e positivo. No entanto, há vários concelhos que não vão conseguir avançar desta forma, o que simultaneamente é um alerta do que estamos a conseguir, mas que, apesar de o estarmos a conseguir, pode ser sempre colocado em causa se os números e os indicadores tomarem a evolução inversa. E portanto, é um sinal também que este período irá exigir claramente uma maior responsabilidade, quer individual, quer coletiva, incluindo instituições empregadoras, espaços comerciais e outras. Que, de facto, apesar da evolução favorável, e que muito nos anima, é preciso não perdermos de vista e não esquecermos que o vírus continua entre nós e portanto temos que manter todas as regras que sabemos hoje que muito podem contribuir para a redução da transmissão da infeção. Precisamos de manter ou de continuar esta atitude de maior prudência e cuidado para que não tenhamos de voltar um passo atrás e, como dizia muito bem a Carla, que claramente precisamos também que o verão corra bem e que cheguemos ao verão com todos estes bons sinais. Realçaria só para terminar, dois outros aspectos. Por um lado, o impacto extremamente positivo que as vacinas estão a ter, especialmente nos idosos. Há mais de duas semanas que não há reporte de mortes em lares e esta semana tivemos já um dia sem qualquer óbito. São aqui também boas notícias. Por último, iremos voltar a falar disto provavelmente num futuro próximo, mas como já tinha sido referido por nós até na semana passada, à medida que a vacinação vai aumentando, estimando-se que os acima de 60 anos estejam vacinados nos próximos tempos, será então necessário readaptar os indicadores de monitorização da evolução pandémica à nova realidade de risco na comunidade e à não existência de pressão nos serviços de saúde. E foi relevante vermos ontem, desde já, essa preocupação por parte do governo.
Com o anúncio de que há um grupo que vai trabalhar e adaptar os indicadores também ao avanço da vacinação. Pedro, que análise é que faz desta semana?
É muito na linha do que a Sónia estava a falar. Esta semana acabamos por ter mais um pequeno passo na direção certa em termos do controle da pandemia. É muito bom que os indicadores continuem a melhorar, mesmo apesar das fases sucessivas de abertura. Os valores médios de novas infecções baixaram. Já estamos na segunda semana desde a última abertura. Não temos ainda sinais de problemas graves de reacender da pandemia de uma forma generalizada. Vemos que existem alguns locais que continuam a ser mais problemáticos, mas até esses estão a ser tratados de uma forma muito detalhada, isolando mesmo os problemas e até fazendo subdivisão das áreas geográficas na parte de Odemira, subdivisão do que se passa dentro do conselho, que é muito grande em termos geográficos, de diferentes áreas. Então, eu acho que começa a haver uma atenção e uma capacidade de deixarmos uma lógica de políticas globais igual para todo o país, porque isso tem que ser atalhado um bocadinho à bruta, como foi em janeiro e fevereiro, e passarmos a ter mecanismos de uma atuação local, de uma atenção local, que passa a ter uma intervenção rápida e muito direcionada para o problema que seja detectado. Dentro desta lógica que está a ser adotada, e que parece estar a ser adotada, e que nós vimos com a criação da ideia de cerca sanitária, que foi feita na zona de Odemira. Aqui talvez a parte que eu gostasse de ver mais explicado ou pensado de outra forma é, apesar da cerca sanitária ser compreensível como uma medida quando não há outras alternativas, não sei se também não se poderia pensar, nestes casos, haver uma certa coordenação com reforço pontual de vacinação nessa zona. Se há um conselho que não é muito grande, que tem uma área dentro dele que tem particulares características de risco, talvez fizesse sentido, dentro dessa lógica de características de risco, vacinar rapidamente e estancar ali essa situação, em vez de ser apenas uma cerca sanitária, dado que agora temos outros instrumentos, ter um reforço da intervenção.
Pedro, mesmo com uma população muito móvel, porque estamos a falar de muitos imigrantes?
Precisamente por ser uma população móvel é que é importante. Porque se ela é uma população móvel e conseguirmos com que essa população fique protegida de alguma forma, a população migrante mesmo. Aqui estamos mesmo a falar de vacinar migrantes. Se eles ficarem protegidos e não criarem infecção, mesmo quando se movem, depois não passarão essa infecção para fora. A ideia de cerca sanitária pode traduzir muito a ideia de um gueto, de um conjunto de pessoas que fica ali presa até estar resolvido. Vai haver a tentação de um ou dois deles, eventualmente, tentarem fugir à lógica da cerca sanitária a algum momento. E isso pode criar problemas depois noutros sítios, porque não se vai saber quem foi para onde e como. A fuga à cerca sanitária, quem sair de lá não vai anunciar: "Olha, eu saí da cerca sanitária, venham ver se eu estou com problemas ou não". Essa parte eu julgo que tem que ser vista com atenção e não sei se a ideia de vacinação rápida nessa população, de forma excepcional, não faria sentido também como ideia de pensar. Não tenho a certeza, acho que era bom que pudesse ser visto. De resto, é bom ver que a vacinação continua a avançar a um excelente ritmo. E como foi falado, talvez seja a altura também de começar a pensar um bocadinho uns meses à frente, de como é que vão ser as regras e informações sobre como é que os vacinados e não vacinados são tratados. Por exemplo, o que se pode fazer se um local de lazer decidir, de repente, só aceitar pessoas que provem estar vacinadas? Com o aproximar do verão. Se um parque aquático decidir que abre, mas só para quem provar que está vacinado. Isso vai ser aceitável ou não vai ser aceitável? E em vez de estar à espera que haja depois uma norma da DGS que vai ser feita, talvez possamos antecipar algumas das situações. Certamente não conseguiremos ser exaustivos em todos, mas talvez consigamos antecipar algumas e dizer como é que esta dicotomia de vacinados versus não vacinados vai ser tratada em algumas coisas. Pode ser com os testes rápidos à entrada em substituição da vacina, pode ser outras coisas, mas era bom que nós, como população, soubéssemos exatamente com que linhas nos vamos deparar neste aspeto.
E que critérios poderemos ter no verão. Estamos a poucos minutos do intervalo, mas vamos ainda aos mitos e alertas. É uma espécie de semáforo e de sinal amarelo ou mesmo vermelho que é preciso ter em conta. Sónia, vamos falar de lixo.
Exatamente. Eu, se calhar, hoje realçava aqui um alerta que pode ter escapado a grande parte dos portugueses e que tem a ver com a atenção que se deve dar ao descartar os testes rápidos no lixo comum, como a Carla agora referia. O risco de saúde pública desta prática leva a Agência Portuguesa do Ambiente, em articulação com a Direção-Geral de Saúde e o Infarmed, a criar um guia especialmente dedicado ao tema. E já tínhamos passado por esta situação com as máscaras e foi necessário também uma forte campanha de sensibilização junto da população. E agora, segundo as indicações dos fabricantes destes testes, os testes rápidos descartados sem os devidos cuidados podem, de facto, acarretar riscos para a saúde pública e para os trabalhadores na área dos resíduos, mas também para a própria saúde ambiental, dado que está presente um risco infeccioso nos componentes dos testes pós-utilização. Assim, as orientações passam por explicar que há procedimentos diferentes, até, por exemplo, caso o teste seja negativo ou positivo, e todos os componentes do kit, quando o teste é negativo, devem ser colocados num saco plástico antes de colocar no lixo em comum, e já no caso em que o teste dê positivo, será necessário colocá-los em dois sacos antes de meter no contentor dos restantes resíduos domésticos, exatamente para proteger aos riscos que foram mencionados.
Essa ideia é importante que passe. Não tenho a certeza também que tenha passado. Pedro, é verdade que a partir de maio voltamos à vida normal?
É verdade que a partir de maio voltamos quase à vida normal. Nós estamos a dar passos sucessivos na reabertura da sociedade e da economia, mas vamos continuar a ter algumas restrições de mobilidade e vai depender muito da evidência de transmissão comunitária que continua a haver da Covid-19, mas com o aumento das atividades de restauração, provavelmente com os primeiros grandes espetáculos, e vamos certamente começar a ver anúncios de artistas a dizerem que vão dar os seus concertos. A experiência de outros países, e eu agora recentei uma em Barcelona, mostra que controladamente é possível fazer com que estes não sejam eventos de contágio, ou pelo menos que não sejam eventos de supercontágio. No caso, em Barcelona, houve um número muito reduzido de pessoas que mais tarde testou positivo e apenas um terço, duas pessoas em seis, que vinham em vários milhares, tiveram teste positivo e quatro delas tinha sido contraído fora do evento. Significa que vai ser preciso manter a vigilância e que nós vamos ter que ter estes eventos para até recuperarmos a nossa vida de antes, mas com uma vigilância que não tínhamos antes e temos que estar todos preparados para cooperar com essa vigilância e viver uma nova vida dentro deste contexto. Para aproximarmos do que era, aceitando esta vigilância sobre as condições epidemiológicas e a transmissão do vírus.
Ou seja, ainda há limitações no nosso dia a dia e serão para continuar pelo menos algum tempo. E já agora, não descartar os testes rápidos no lixo. Voltamos já a seguir para as notas de esperança e também para a conversa com o professor Pedro Brinca. Vamos olhar para as consequências da pandemia no mercado de trabalho e no desemprego. Até já. Segunda parte do Gabinete de Crise, o programa que analisa o estado da pandemia. Estamos todas as semanas com os professores Sónia Dias e Pedro Pita Barros. Daqui a pouco, junta-se a nós o professor da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, Pedro Brinca. Vamos olhar para o impacto da pandemia no emprego e nas empresas, mas antes disso, as notas de esperança. Não são apenas os indicadores do dia a dia que contam, é preciso olhar também para as tendências. Pedro, nesse sentido, que nota de esperança é que trouxe para hoje?
A minha nota de esperança desta semana volta a ter a ver, ao mesmo tempo, com o retorno de alguma normalidade para as pessoas vacinadas. Isso porque começam a ser permitidas algumas atividades que não estavam a ser permitidas e que vinham de antes da pandemia. Fui buscar como inspiração para esta nota de esperança, o que o Centro de Disease Control americano publicou recentemente, como indicação sobre as atividades que são seguras para quem já recebeu a vacina e aquelas que ainda devem ter precauções, nomeadamente a precaução de usar a máscara. E aqui o destaque para aquilo que nós já sabemos, que é tudo que são atividades ao ar livre, são extremamente seguras, mas sobretudo, e aqui a nota de esperança, já faz sentido as pessoas que estão vacinadas irem a restaurantes com esplanada, com pessoas de vários agregados familiares, desde que estejam todos vacinados. E portanto, podemos retomar atividades sociais que estiveram muito limitadas no último ano, em que as pessoas estavam na sua bolha, era a termo usado. Agora podemos começar a misturar algumas bolhinhas de vacinados e isso julgo que será algo que nos dará um sentido de normalidade e dando um sentido de normalidade crescente. Claro que vamos ter que manter a importância de usar máscara em tudo que sejam atividades de interior, mesmo que esteja vacinado, desde ter refeições em restaurantes na zona interior a ir a museus, será necessário ter a máscara. Teremos aqui uma esperança de alguma vida mais normal, sobretudo para os que estão vacinados. Algo que eu ainda não vi e que deixo também como nota de esperança, para que provavelmente iremos ver dentro de pouco tempo, é saber como é que também estas regras se vão alterando nos locais de emprego e a partir de que altura é que nós podemos também começar a ter regras mais normais de circulação e de mobilidade nos locais de emprego, de acordo com o conjunto de pessoas que já está vacinado dentro desses locais. Eu acho que temos todos o sentido, que estamos já todos a fazer um caminho, que vai ser coletivo, no sentido deste retorno à normalidade, primeiro pelas pessoas vacinadas e depois quando este número aumentar muito, para todas as pessoas, incluindo algumas que ainda não estejam ainda vacinadas, poderão retomar alguma dessa normalidade.
É como diz, é um caminho novo que estamos a começar a fazer. Sónia, o que é que escolheu como nota de esperança?
De alguma maneira vai no sentido do que o Pedro estava a referir, mas até diria que contrariamente ao que alguns perspetivavam e muito diferente do que aconteceu no Natal, a Páscoa de fato não fez aumentar os contágios. Também não tivemos a sobrecarga de serviços de saúde que ainda alguns expectavam. O número de mortes também não aconteceu e, portanto, eu perguntaria se estaremos nós mais conscientes do que precisamos de fato fazer para controlar o vírus e assim mais preparados. E esta acaba por ser a minha nota de esperança, é que tenhamos, depois do que aconteceu no Natal, e não se repetiu na Páscoa, aprendido, de certa forma, a conviver com o vírus e a conseguirmos gerir a manutenção das regras essenciais, que são de fato importantes para a redução da transmissão, mas simultaneamente também nos permitem realizar a maioria das coisas que nos fazem bem, que é como estar com os amigos, podermos ir a um espetáculo, a um museu, a um evento cultural de outra espécie, ir jantar fora, etc. Temos assim, provavelmente, uma maior aprendizagem que nos permite ter mais liberdade e temos também, como o Pedro dizia, toda a ajuda das vacinas e por isso a vacinação e em simultâneo todas estas aprendizagens, penso que temos aqui boas notícias para um caminho que nos leve à vida como a conhecíamos antes e boas notas de esperança.
São mesmo boas as vossas notas de esperança desta semana. Partimos então para o tema, a análise deste gabinete de crise. A crise pandémica afetou duramente os mercados de trabalho europeus, criou novos desempregados, os confinamentos e a paragem quase total de alguns setores estão a colocar em questão modelos e dinâmicas de trabalho e por isso convidámos Pedro Brinca, professor na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Pedro Brinca, bem-vindo.
Obrigado.
Obrigada por estar connosco, Pedro Brinca. Antes de mais, e até para percebermos do que é que estamos a falar. Esta crise económica que estamos a viver é aquela cíclica, quase normal, que os manuais de economia já prevêem ou tem características diferentes que a torna única?
Esta crise não é normal e quando pensamos nas últimas grandes crises que tivemos, quando falamos da Grande Recessão, comparado com aquilo que estamos a viver, a palavra grande, neste contexto, perde um bocado de significado. Esta crise é diferente em vários aspetos. Por exemplo, terá sido a primeira vez, talvez desde a gripe espanhola de 1918, que a proximidade física foi um fator determinante na evolução e nas dinâmicas nos mercados de trabalho e na atividade econômica. Nesse aspecto, foi claramente um fenômeno diferente. Um fenômeno diferente na dimensão, porque é muito superior a qualquer outra crise, até comparado com a Grande Depressão de 29, na amplitude, não na velocidade de recuperação, mas na amplitude chega a ser comparável, até em alguns países, a superar essa crise. E também porque, mais do que qualquer outra crise anterior, é uma crise de muitas desigualdades. Como já foi referido aqui pela Sônia, é uma crise que não afeta homens e mulheres da mesma maneira, é uma crise que não afeta pessoas nos diferentes escalões de rendimento da mesma maneira, é uma crise que não afeta setores e indústrias da mesma maneira e é uma crise que não afeta países da mesma maneira, porque países que têm as suas economias mais desenvolvidas e no setor de serviços, tiveram um tipo de impacto, países cuja economias são menos desenvolvidas e assentam mais na interação pessoal e nos setores primário e secundário, tiveram outro tipo de impacto. Tudo isto fez com que esta crise fosse muito peculiar e vai ser, de certeza, uma fonte de inspiração para acadêmicos por muitos anos que vamos ter para a frente.
Terão muita matéria para estudar. Mas então o que percebemos, olhando até agora um pouco mais em concreto para o mercado de trabalho, vamos ter um mercado de trabalho cada vez mais desigual e também com taxas de desemprego mais altas? Isso também será quase um dado adquirido?
Eu acho que tipicamente as crises são sempre oportunidades, entre aspas, que a economia usa, para fazer transformações estruturais. O que eu quero dizer com isto? Existem tendências de longo prazo que temos vindo a observar. Todos nós, lentamente, fomos habituando a deixar de ver, por exemplo, pessoas nas bombas de gasolina a encherem o depósito. Somos nós que usamos um ecrã tátil para tratar da operação de pagamento. Vamos aos McDonald's e já começamos a usar ecrãs táteis. Ou seja, todo este processo de substituição de trabalho por tecnologia é um processo que tem vindo a explodir desde os anos 70 e reflete, no fundo, uma maior acessibilidade de tudo o que são estas tecnologias de substituição de trabalho. O que é que acontece? Obviamente que estas tecnologias também criam trabalho. Criam trabalho porque é preciso engenheiros, eletrotécnicos para desenhar os sistemas, é preciso programadores para os programar, é preciso pessoas que percebam de usar esta tecnologia para as poderem manter, etc. Mas as tecnologias também substituem trabalho. E são precisamente essas pessoas cujo trabalho é substituído por este tipo de tecnologias que ficam em pior situação. E isto tem levado a uma polarização, em termos salariais, ao longo do tempo. O que esta crise traz de novo é que foi um acelerador incrível deste tipo de tendências. Eu posso, por exemplo, citar um número para o Reino Unido. Em termos de taxa de crescimento de vendas por meios eletrônicos, o peso que este setor de vendas por meios eletrônicos tinha no total de venda a retalho, estava a crescer a 1,3% ao ano entre 2015 e 2019. Em 2020, cresceu 5,7%, ou seja, quatro vezes e meia mais rápido. Isto significa que o que esta crise traz é uma grande aceleração da adoção destas tecnologias. Até porque uma máquina não apanha Covid, uma máquina não tem filhos em casa porque a escola está fechada por causa do programa de confinamento. Quer dizer, tudo isto veio a ser acelerado e será, sem dúvida, uma das maiores características desta crise.
E por isso, Pedro Brinca, consegue apontar, dei aqui já exemplos, mas quem vão ser os mais frágeis no mercado de trabalho? De alguma forma, o perfil mudou, porque, por exemplo, tínhamos até aqui a ideia de que as pessoas com maior formação estavam mais protegidas do desemprego. Isto ainda é assim, ainda vai ser assim?
Não necessariamente. A grande dicotomia que nós observamos é entre a tipologia das tarefas, ou seja, tarefas que são repetitivas, tarefas que envolvem um grau de repetição constante da mesma tarefa, estão mais sujeitas a serem substituídas por uma máquina. Tarefas com uma índole mais criativa, em que realmente as possibilidades de automação são muito poucas, têm uma procura maior. Eu dou exemplos. No setor da gerontologia, na prestação de cuidados de saúde, não há máquinas para prestar cuidados de saúde às pessoas mais velhas, por exemplo. E isso é um setor que está em franco crescimento. Por outro lado, olhe dois setores que estão a ser muito afetados: os empregados bancários das agências e os delegados de propaganda médica. Aquilo que as empresas têm descoberto, no setor farmacêutico e no setor bancário, é que o que o Covid trouxe foi uma grande adoção de plataformas digitais. Esta necessidade de usar plataformas digitais também levou a uma revolução tecnológica e um aumento de possibilidades relativamente a estas tecnologias, e mesmo as pessoas com maior resistência à mudança foram obrigadas a adotar estas plataformas. E uma vez aprendido este capital de conhecimento, ele não desaparece só porque o confinamento acabou. E, por exemplo, muitas das empresas no setor farmacêutico estão a diminuir imenso o número de delegados. As agências bancárias estão a se reconfigurar e a usar menos pessoas que trabalham nas agências, porque já não há uma procura tão grande das pessoas para o atendimento presencial
Tudo isto acaba por ser transformador e mais permanente. Vai ser um fenómeno mais permanente.
Sónia Dias, estamos a falar aqui dos mais frágeis do mercado de trabalho e são também eles aqueles que necessitam de uma maior atenção depois ao nível dos cuidados de saúde.
Sim, de facto, é muito antiga e já temos, mesmo do ponto de vista académico, evidência muito robusta de quanto as fragilidades económicas e sociais têm impacto na saúde das populações. Realço, por exemplo, que a prevalência da grande maioria das doenças crónicas é claramente marcada por questões ligadas com o rendimento, com o nível educacional e, portanto, isto mostra-nos aqui dois aspectos. Por um lado, que se a pandemia teve um impacto desigual ao nível das condições socioeconómicas, teve também, provavelmente, o impacto em maiores desigualdades de saúde nestes grupos. E isso é algo que agora, na retoma de todas as necessidades em saúde não Covid, que nós até temos estado já em vários programas a referir, é muitíssimo importante também perceber como é que vamos ser capazes de dar mais atenção àqueles que provavelmente mais necessitam nesta área. Mas, por outro lado, também foi muito interessante verificar que nos vários estudos que fomos fazendo do impacto da Covid, foi também interessante verificar que não só os que tinham piores condições e cujo impacto económico tinha sido maior, reportaram pior estado de saúde e, nomeadamente, pior estado de saúde na saúde mental, foi também muito interessante que foram estes os grupos que reportaram ter tido menos acesso aos cuidados de saúde. E, portanto, o que é que estará aqui a acontecer? Ou são realmente os fatores mais económicos, por exemplo, das deslocações, do custo associado às consultas, aos medicamentos, etc., que podem estar a limitar estas populações, mas também outros, muito a ver com a literacia em saúde, com o conseguir autonomamente procurar os cuidados que precisam, com o conseguir ler informações, o conseguir adotar comportamentos mais saudáveis. Portanto, há aqui uma série de questões que muitas das vezes estão associadas a uma maior fragilidade económica, social e até de nível educacional.
Pedro Pita Barros, estávamos a ouvir o Pedro Brinca a falar de uma sociedade que tenderá a ser cada vez mais desigual ao nível do emprego e como as funções repetitivas poderão ser facilmente substituídas ou já estão a ser pelos meios tecnológicos. Isto vai ter necessariamente consequências a nível social e político. Está criado um ambiente até de maiores extremismos.
Provavelmente, teremos esse risco. E, de certa forma, creio que já estamos a ver esse risco. O Pedro usou uma expressão que eu acho muito feliz, que é uma crise de muitas desigualdades. E eu tenho a impressão que isso é provavelmente o que nos deve fazer pensar agora na saída da crise, como é que nós vamos lidar com essas diferentes desigualdades. E pode-nos obrigar a repensar muitos dos instrumentos sociais ou políticas sociais que nós temos. Nós temos ainda uma linha muito marcada do que é o caminho da vida das pessoas, que é terem educação, depois ter um tempo de trabalho, depois ter um tempo de reforma. E temos visto ao longo dos últimos anos que tem acelerado o número de episódios em que as pessoas estão algum tempo sem emprego e também tem-se aumentado o número de vezes que as pessoas mudam de carreira. E vamos supor que a crise nos vai trazer agora, e que agora toda a parte de teletrabalho, e depois toda essa substituição de trabalho por tecnologia, que o Pedro estava a falar, vem nos criar, provavelmente, ainda mais hiatos nestas carreiras profissionais. E nós vamos precisar ter mais instrumentos para fazer com que as pessoas retomem noutra atividade. O problema da substituição de trabalho por tecnologia não é ter deixado de haver aquele tipo de atividade e ser feito por outros, porque estou-me a lembrar de ruas de Lisboa, a Rua dos Correios faz lembrar uma profissão de que ninguém sente a falta hoje. E, portanto, poderá haver no futuro profissões que são totalmente substituídas e que ninguém sentirá a falta nessa altura. A questão é como é que nós fazemos a transição das pessoas de um lado para o outro, e de modo a que não se crie essa lógica de haver uns poucos que têm muito e muitos que têm pouco, que é o problema central que nós estamos a ter. Nós vamos precisar ter mecanismos sociais para identificar quem vão ser os mais frágeis, em que é que consiste essa fragilidade. Vamos provavelmente pensar em formas de redistribuição de riqueza ligeiramente diferentes do que aqueles impostos que nós conhecemos hoje em dia. Vamos ter que pensar provavelmente em formas mais flexíveis e outras formas de lidar com transferências entre membros da sociedade, de modo a diminuir essas desigualdades. Por exemplo, experiências como o rendimento básico incondicional poderão ser caminhos a explorar de alguma forma, poderá ser maior partilha do próprio trabalho que seja existente, em que as semanas de trabalho não sejam cinco dias, sejam quatro dias, permitindo empregar mais gente, mas que ainda vamos estar a aprender muito como é que vamos fazer essa transição. E esta altura de pandemia e de saída da pandemia, dentro dos problemas que trouxe, tem pelo menos uma vantagem: deixou-nos muito mais disponíveis para experimentar alguns destes novos mecanismos e portanto podemos ter aqui ideias a serem exploradas e transformações sociais a serem exploradas numa escala que nós não estávamos a ver até agora.
Pedro Brinca, será provavelmente a última pergunta. Queria ouvi-lo também sobre estas reflexões que o Pedro Pita Barros trouxe. Que soluções sociais é que estão previstas para estes novos excluídos, se é que os podemos chamar assim?
O Pedro pôs a nota numa questão muito importante. Tem a ver com estas transformações estruturais que já existem há muitos anos. No século XVIII, o inventor do tear mecânico, que poupava muito trabalho às pessoas que trabalhavam na indústria, teve que fugir da cidade porque eles juntaram-se todos para lhe partir a casa toda e a oficina. Ou seja, isto não é nada eminentemente novo.
O que é novo é a velocidade. Tudo isto acontece no espaço de uma geração. Se pensar na geração que entrou no mercado de trabalho nos anos 80 e pensar no mercado de trabalho em 2020, provavelmente nunca na história houve uma evolução tão rápida que conseguiu tornar toda uma geração obsolescente apenas numa geração. Esse é que é o grande desafio. E isso torna central as políticas de requalificação como grande desafio a vencer, porque nós temos muitas pessoas na casa dos 50, 50 e qualquer coisa, que tinham alguma formação. Portugal, nesse aspecto, está mal posicionado. Dos países da União Europeia, é o país com maior percentagem de adultos entre os 25 e os 65 anos com nono ano ou menos, o que é um problema e é um desafio adicional que nós temos para esta requalificação. Mas a requalificação é um imperativo, porque, por um lado, é aquilo que vai permitir a esta força de trabalho continuar a manter-se relevante. Para o Estado, poupa muito em termos de prestações sociais e de problemas sociais. E as empresas, obviamente, também beneficiam de ter uma disponibilidade maior de trabalhadores qualificados que lhes podem trazer valor.
E parece que o teletrabalho veio mesmo para ficar?
Eu acho que sim.
É uma das transformações aceleradas que estamos a viver.
Eu vejo isto até dentro de casa. As pessoas rapidamente perceberam que aquela viagem a Basileia, de trabalho, pode perfeitamente ser feita no Zoom. Por isso, há setores como o business travel, as viagens de negócios, etc., que eu acho que levaram um choque permanente e vai ser muito difícil algum dia voltarem ao normal. Por isso, nesse aspecto, acho que sim. Aliás, só para terminar e muito rápido, eu tenho andado a contactar um conjunto de empresas esta semana para arranjar estágios para os nossos alunos na Nova e uma das coisas que eu reparo é que a maior parte das empresas que eu tenho contactado, todos os estágios são feitos de forma remota e eu, por curiosidade, pergunto: "Então, e vocês estão a fazer isso só pelo Covid ou acham que isto vai se manter?" E aquilo que eles me dizem é: "Não, nós estamos a fazer pelo Covid, mas a experiência tem sido tão boa e temos poupado tanto em termos de custos, que aquilo que prevemos é que no futuro também vá continuar a ser assim".
É um sinal dos tempos. Pedro Brinca, muito obrigada por teres vindo ao Gabinete Cris. A discussão só agora começa. Teremos de falar mais sobre isto. Um bom dia para si. Sónia Dias e Pedro Pita Barros, obrigada também. E nós temos encontro para a semana, como costuma. Na despedida, não podemos ficar indiferentes ao que está a acontecer em Braga com os testes-piloto para os grandes eventos culturais de massa. Tanto o Pedro como a Sónia já fizeram referência a isso. O primeiro ensaio foi ontem com o humorista Fernando Rocha, hoje será com Pedro Abrunhosa. O país começa a testar eventos-bolha com monitorização do público. A esperança é salvar o verão até à imunidade de grupo. Eu sou a Carla Jorge Carvalho, a sonoplastia é do Dioca Zinha e do Bernardo Almeida. Boa tarde e até à próxima.
Bem-vindos. Meu nome é Paulo Dias, faço parte da organização. Peço desculpa por este atraso, mas é por uma boa causa. Temos 432 pessoas dentro do recinto e todos livres de Covid. Acho que valeu a pena estes 45 minutos de atraso. Obrigado pela vossa paciência e obrigado. A cultura é segura.
Senhoras e senhores, convosco, aqui está ele, Fernando, Fernando Rocha. E agora que está tudo sossegadinho, todos direitinhos, a respeitar a cena do distanciamento, eu chegava aqui, estragava tudo e dizia: boa noite, Guimarães! Eu adoro. E chego a Guimarães e digo: boa noite, Braga. Eu até tenho que fugir, às vezes. Boa noite, Braga! Como é que é, está tudo bem disposto e animado? Está frio! Está frio? Eu respondia: mas está aí a televisão.