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Bem-vindo ao Gabinete de Crise. Chegou a análise semanal à evolução da pandemia nesta parceria do Observador com a Universidade Nova de Lisboa. Todas as semanas estamos com a Sónia Dias, coordenadora do Centro de Investigação da Escola Nacional de Saúde Pública, e com o Pedro Pita Barros, professor de Economia da Nova SBE. Na segunda parte do programa, vamos estar com Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio. A generalização dos testes rápidos parece estar a dar um novo ânimo aos eventos culturais de grande dimensão. Vamos tentar perceber as expectativas para os próximos tempos, mas seguimos com a agenda normal do Gabinete de Crise. E os nossos trabalhos arrancam com o número da semana. Sónia, olá, que número é que escolheu?

Olá, Carla. O meu número desta semana é o quatro e escolhi por ser o quarto evento piloto em Portugal, na sequência do processo de desconfinamento, para avaliar a exequibilidade dos espetáculos culturais com público, que ocorreram e que vão ocorrer em várias regiões de Portugal. Os dois primeiros testes decorreram assim na zona Norte, sem nenhum percalço. O terceiro será em Coimbra no sábado e o quarto, desta semana, será no próximo domingo em Lisboa. Portanto, os espetáculos têm tido lotação de menos de dois terços da capacidade dos espaços, utilização de máscara durante todo o espetáculo como sendo obrigatória e também a apresentação de resultado de teste negativo. Para além destas medidas preventivas obrigatórias nestes eventos-teste, estão a ser pensadas e concretizadas também a um nível mais abrangente e dirigidas a grandes massas, que têm o objetivo fundamental de apoiar a cultura com a realização de eventos culturais ainda maiores, como será eventualmente os concertos e os festivais de verão. E depois até num outro nível, mais ligado com o turismo e já nas viagens não essenciais entre os países da União Europeia. Aqui nesta área também podemos realçar não só estes testes em massa e os pilotos nestes espetáculos, mas também no contexto europeu, os 27 países da União Europeia estão a finalizar o tal passaporte verde ou certificado verde, que até já foi tema do nosso programa. Estes certificados estarão a ser ultimados do ponto de vista técnico pela Comissão Europeia e assim que a legislação esteja finalmente aprovada, pretende-se que a partir de junho possam já ser imediatamente postos em prática em cada país, o que pode ter uma parte mais funcional a nível europeu ainda a tempo do verão, facilitando as deslocações entre países, mas também a participação em eventos culturais às pessoas que já foram vacinadas, ou que tenham teste negativo, ou que tenham recuperado recentemente da Covid. Mas penso que aqui o mais importante é que estamos, de facto, a conseguir encontrar estratégias para retomar dimensões que são muito importantes da nossa vida.

Aqui fica, por isso, este número expressivo. Pedro, e o seu qual é? Boa tarde.

Boa tarde. O meu número é um número grande: 17 milhões. Mais precisamente 16.926.411. Este foi o número de espetadores que tiveram espetáculos ao vivo em 2019. Portanto, foi aquilo que desapareceu neste último ano e meio que nós tivemos desta pandemia. Isso foram também cerca de 125 milhões de euros de receitas, faltando ainda tudo o que são apoios e patrocínios destes espetáculos. Fui buscar este número, porque nós começamos a assistir agora a um renascer, a começar a tentar renascer este tipo de atividades. E não é só o divertimento de muitos que está aqui em causa, é também a vida económica, a vida social, a vida cultural, o que está associado com o renascer. Acho que é muito claro que a vontade das pessoas voltarem a estas atividades está lá. O custo acrescido de tempo e de realização dos testes rápidos também está a ser bem aceite. Eu quase que aposto que ainda vamos ter uma app chamada Vacina Covid, para as pessoas poderem mostrar que já têm a vacina e que podem entrar nestes eventos com liberdade. Portanto, neste momento, eu acho que a grande dúvida, que começa a ser quase um bocadinho euforia que se sente no ar, é saber se vamos ter uns loucos anos 20, como houve há um século atrás ou não. Estamos neste momento numa onda de otimismo e este número também traduz esse otimismo que vamos ganhar.

Vamos ver e vamos continuar a falar sobre isso na segunda parte do programa. Também trago números encorajadores: as zero vítimas mortais com Covid-19 que já conseguimos registrar nesta fase da pandemia. De facto, na maioria do território nacional há uma normalidade, ainda com aspas, claro, mas há também uma cerca sanitária que tem levantado várias questões sobre equidade, segurança sanitária e até direitos humanos. Sónia, o que destacas desta semana?

Eu queria manter-me aqui na ideia dos bons indicadores e, na verdade, foi mais uma semana que nos dá fôlego e esperança de que estamos a ganhar a corrida ao vírus. Inclusive, até as boas temperaturas que temos assistido nos últimos dias também parecem poder ajudar. Em relação à vacinação, temos agora a indicação de que irá arrancar a um ritmo muito mais elevado, com a expectativa de que pra semana se vacine já cerca de 100 mil pessoas por dia. E de facto, é necessário que este ritmo se instale para conseguirmos cumprir as metas que têm vindo a ser definidas. E percebemos que este processo na Europa tem sido muito mais lento do que outras regiões do mundo. Aliás, esta é uma questão que está na ordem do dia a nível mundial, porque a vacinação contra a Covid-19 tem sido um processo muito desigual. Se se estima que 7% da população mundial esteja já vacinada, na verdade, a grande maioria concentra-se no hemisfério norte, por exemplo, nos Estados Unidos, com mais de um terço da população já vacinada, nos Emirados Árabes Unidos quase metade, em Israel quase toda a população adulta. Contudo, quando olhamos para países mais pobres, como alguns países africanos, a vacinação quase não tem expressão. E aqui realçava que apesar da solidariedade entre Estados que se tem verificado no que diz respeito à disponibilização de profissionais de saúde, equipamentos e sistemas de oxigênio, também aquela que, por exemplo, atualmente se assiste no caso da Índia ou há alguns tempos atrás em alguns estados do Brasil, no campo da vacinação há ainda um longo caminho a percorrer e de facto os países estão ainda muito voltados para si próprios. Mas aqui, ainda como comentário de semana e para terminar, voltando ao nosso contexto, dizia então que a pandemia parece estar agora a entrar numa fase de maior controle, mas é importante estar de alguma maneira alerta e alguns exemplos devem ser tidos em conta, como por exemplo, as Seychelles, arquipélago no Oceano Índico, que é um dos países mais vacinados do mundo, mas que por um surto que ainda não se consegue perceber bem, com uma subida grande de casos, teve de regressar ao confinamento. Ou seja, é um sinal de que a vacinação, provavelmente, e de forma isolada, não será a solução total para a pandemia e ainda mais se não for também uma solução de nível global. Por outro lado, o Reino Unido também já avançou que está a investigar e a investir nesta investigação para combater possíveis novas variantes da doença e até para monitorizar e avaliar a eficácia das vacinas existentes contra estas novas variantes emergentes. E mesmo em relação às variantes, por exemplo, esta semana saiu em Portugal a informação de que o peso da nova variante associada a Manaus aumentou. E portanto, finalizava dizendo que devemos estar, de facto, satisfeitos por conseguir finalmente estar mais à frente do vírus, mas se queremos nos manter assim, é necessário muita atenção e já se aprendeu que planeamento e antecipação podem ser bons aliados.

Planeamento e antecipação ficam as palavras-chave da Sónia. Pedro, como é que olha para estes últimos dias?

Nestes últimos dias, felizmente, temos tudo ainda a correr bem. Agora temos também a economia muito mais aberta, é notório na mobilidade que se observa nos vários indicadores de mobilidade que existem, que está muito mais gente na rua. Aliás, basta sair à rua e perceber que existe muito mais atividade e estamos a conseguir fazer isso sem haver mais pressão sobre o sistema de saúde, que claramente baixou muito e está inclusive menor do que era há um ano atrás nos indicadores hospitalares, seja no número de internados, internados em unidades de cuidados intensivos, seja no número de óbitos. Curiosamente, continuamos a ter os casos um pouco ainda mais elevados do que há um ano atrás e, portanto, o ritmo de novos casos todas as semanas em média diária não está mais baixo do que era há um ano atrás. O que significa que vamos continuar a ter um esforço invisível dos cuidados de saúde primários, e muitas vezes esquecemo-nos deles e pensamos muito nos indicadores hospitalares, mas vale a pena pensar que se temos mais casos do que tínhamos há um ano, alguém os está a seguir, mesmo que eles não cheguem ao hospital. Portanto, temos o sistema de saúde ainda a andar. Agora vamos ter que começar, e provavelmente vai se começar a falar brevemente, novamente na questão da recuperação da atividade não Covid, que surgirá certamente, mas vamos ter também que olhar para a atividade nova, os casos longos de Covid e as suas sequelas. É algo que ainda se está a aprender o que é, quantos são, como são, onde estão, o que é que têm exatamente, mas seria bom que nós tivéssemos uma atitude proativa de perceber desde já onde é que estão esses casos e não daqui a uns meses dizer: "Esquecemo-nos deles." Aliás, a minha palavra desta semana é lembrar. É um verbo, é lembrar. Lembrar que vamos ter estes casos de Covid longo e que vamos ter que continuar a lembrar-nos de algumas outras coisas que eu já vou mencionar. Também tivemos esta semana a continuação da vacinação a decorrer a um muito bom ritmo e agora basicamente sem grandes sobressaltos. E mais uma vez, daqui a um, dois ou três meses, teremos que pensar como é que se fará em ritmo de cruzeiro a vacinação. Vamos vacinar a população toda, 80% dela, uma vez que já se começa a testar as crianças, será que vão ser todas incluídas? Como é que vai ser o ritmo no futuro? Será em quatro meses, 2,5 milhões por mês, mais ou menos? Ou vamos querer espalhar por 10 meses com 1 milhão de pessoas por mês a ser vacinadas? Vai ser preciso lembrar que temos que planear isto também. Não é chegar a outubro e de repente dizer: "Olha, afinal temos que vacinar outra vez toda a gente." Também começamos a sentir o tempo de todas as atividades quererem retomar a sua normalidade. E nós temos que pensar que o novo normal, depois da pandemia, portanto, seria o novo novo normal, de certa forma, vai ser diferente para muitas delas do que foi antes. Portanto, há atividades que são permanentemente afetadas e temos que pensar nisso. Dei este a propósito de uma manifestação que houve há poucos dias, ou ontem, creio eu, da Associação de Profissionais Itinerantes Certificados. Tive que ir procurar qual era o nome exato que a associação tinha, como exemplo de uma luta de uma atividade que quer regressar ao normal, mas que talvez não venha a ser exatamente igual ao que foi, nem na forma, nem se calhar na intensidade. E a questão é que isto podem não ser muitas pessoas afetadas, mas são famílias que vivem desta atividade. E o risco de ficarem no esquecimento dos gabinetes governamentais é grande. Portanto, há que conhecer estes novos vulneráveis e tentar protegê-los cedo e não tarde. Nós temos de lembrar de o fazer. E esta preocupação surgiu ligada ao que se passa com a imigração na zona de Odemira, nas condições de vida que as pessoas lá têm neste momento, desses imigrantes, que tem causado, neste momento, grande perturbação, grande discussão. E aqui mais uma vez é o lembrar, porque apesar de aparentemente terem existido alertas, pelo menos o autarca diz que lançou vários alertas, esses alertas desapareceram naquilo que eu chamaria o buraco negro da indiferença da burocracia do setor público Desaparece. Existem as leis, mas eles desaparecem. Nós temos que nos lembrar que provavelmente temos novas vulnerabilidades. Se calhar, estamos a destapar algumas vulnerabilidades antigas e temos que nos lembrar de as acompanhar. De certo modo, ainda em relação a Odemira, é bom sinal que o mediatismo até esteja na questão da requisição de um eco resort para alojar pessoas, e não na capacidade de decisão de testar e de proteger com vacina que foi tomada, ou no dramatismo que seria se tivesse que ir buscar doentes críticos ao Conselho de Odemira com ambulâncias a partir de Lisboa. Portanto, de certa forma, é até um bom sinal que a discussão esteja neste ponto, significa que a parte de saúde está tratada. Mas isto tudo me fez pensar que para esta semana a palavra de lembrar, que não nos podemos esquecer de alguns aspectos, pareceu-me importante.

Pedro, ainda sobre esta ideia de Odemira, parece-lhe que o que está a acontecer significa que ao nível dos cuidados de saúde e da saúde pública já temos as respostas e as estratégias certas?

Não sei se temos todas as respostas e todas as soluções certas, mas claramente, neste caso eu acho que funcionou bem, porque foi rapidamente uma decisão de proteger as pessoas com mais de 60 anos com vacina e vaciná-las mais rapidamente do que o resto do país, porque tinham um risco acrescido. E fez-se isso com calma, com tranquilidade, sem criar perturbação. Não houve sinal de que houvesse crises de doentes que precisassem de ser trazidos de lá para outros locais e, portanto, aparentemente, ficou controlado aquele surto que havia. Isolou-se as pessoas, criou-se a cerca sanitária, está-se a procurar dar-lhes as condições para terem isolamento terapêutico ou profilático. Há uma sensação que se tomou decisões sem a necessidade de um grande mediatismo dessas decisões, o que significa que entraram na rotina de fazer algo rapidamente. E eu acho que isso é um bom sinal.

Está feita então a análise da semana, mas há ainda alertas para deixar. Antes do intervalo, deixamos sempre algumas recomendações e a Sónia quer falar da preparação para o verão.

Sim, exatamente. Ia falar que, de facto, como já falámos, o desconfinamento tem estado a correr bem, mas é preciso atenção aos grandes ajuntamentos ou festas sem organização e sem cumprimento de regras de saúde pública. E aqui ainda decorrem de forma pontual e esporádica, porque de facto o que temos assistido é que os portugueses têm sido bastante responsáveis e cuidadosos. Começa a existir de forma mais frequente o reporte pelas autoridades de grandes festas sem controle ou de grandes ajuntamentos de pessoas, alguns espontâneos, mas que não cumprem as regras de saúde pública nem o uso de máscaras. E portanto, diria que sabemos que as pessoas, fundamentalmente os jovens, estão privados de festas e de convívios há mais de um ano. É preciso olharmos para a ocorrência destas festas também deste ponto de vista e compreender se não será preferível apoiar para que se organizem eventos com regras promovidos em ambientes mais controlados e com medidas preventivas claras que possam ocorrer em segurança e ainda mais agora que vamos entrar no período do verão e das festas mais comuns nesta fase.

E até se calhar vai haver uma festa no Marquês de Pombal, não daqui a muito pouco tempo, Pedro. E esta questão da comunicação é importante.

Exato. E de certa forma, o meu alerta desta semana é muito ligado ao da Sónia, porque eu pensei na questão da comunicação de verão. Estamos claramente um ano mais fartos da pandemia, estamos com a vacinação perto de nos dar uma proteção individual e previsivelmente algures no verão, a tal imunidade de grupo. Vamos começar a notar cada vez mais a fadiga pandémica nas pessoas, a fadiga política na decisão central e local, a pressão económica a fazer-se sentir com o turismo, a consequência da fadiga na comunicação vai também acontecer. As pessoas vão estar mais cansadas de ouvir falar da própria pandemia. Nós temos que prever como é que se vai poder continuar a comunicar dentro deste contexto de cansaço de todos, de todos os lados. E por que isto? Porque apesar de estar a correr bem neste momento, ainda não está terminado. Portanto, não posso deixar de reforçar o alerta da Sónia, até porque esta tentação de fazer festas ilegais, até pelo pequeno prazer da infração que muitas vezes tem, vai estar por aí. Proibir não será a solução e, portanto, como é que nós vamos lidar em termos de transmitir ideias e garantir que as pessoas não têm problemas, será o nosso desafio da comunicação nos próximos tempos.

Então, que fique aqui sublinhado, é preciso saber comunicar. O desconfinamento está a correr bem, mas ainda há riscos. Voltamos já a seguir ao intervalo com as notas de esperança e também para olhar para o futuro dos espetáculos culturais. Vamos estar com Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio. Até já. Segunda parte do Gabinete de Crise, o programa que analisa o estado da pandemia em Portugal, sempre com os professores Sónia Dias e Pedro Pita Barros. Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, é a convidada desta semana. Vai antecipar conosco como poderão ser os espetáculos culturais de massas enquanto convivemos ainda com o SARS-CoV-2. Esta é uma esperança, mas há sempre outras. Vamos então às notas de esperança desta semana. Pedro, o que escolheu?

A minha nota de esperança desta semana vai para a capacidade de organização e tem como base uns números, que são 5 mil pessoas, Barcelona, concerto da banda Lover Lesbian, confesso que não conhecia essa banda, em que todos os participantes foram testados e 14 dias depois houve seis casos positivos de Covid-19, quatro com local identificado de contágio posterior ao concerto e, portanto, não relacionados com o concerto. E não encontraram sinais de transmissão provocada pela existência do concerto. Isto é um sinal de muita esperança, porque estamos a aprender como fazer em segurança estes espetáculos ao vivo, já com grandes números. Como este caso de Barcelona, eu acho que vamos assistir várias versões de testes, precauções, formas diferentes de o fazer. E até por isso estou curioso de saber como é que vai ser o próximo Rock in Rio em Portugal, pós-pandemia. Como é que se prepara, não só para que todos tenham segurança, mas para que todos tenham também a sensação de que há segurança sanitária para poderem lá ir com confiança. É uma grande esperança.

É uma grande esperança e acho que vamos ficar a saber um bocadinho melhor como é que vai decorrer esse Rock in Rio. Mas, Sónia, queremos ouvir também qual é a sua nota de esperança desta semana.

A minha nota de esperança desta semana vai um pouco para as discussões que temos estado a ouvir sobre o teletrabalho e novas organizações de trabalho. E portanto, as vantagens e as potencialidades destas novas organizações de trabalho sejam mais elevadas do que os riscos que podem estar associados aos desafios que acabaram por surgir com a pandemia. E, na verdade, têm sido discutidos os riscos inerentes ao teletrabalho, e esta é uma reflexão muito importante. Mas se quisermos olhar para um lado mais positivo, por exemplo, começam também a ser frequentes os relatos de pessoas que graças à oportunidade promovida pelo teletrabalho, puderam deslocar-se, por exemplo, dos centros urbanos e ir morar para localidades mais pequenas em Portugal e relatando até um aumento na qualidade de vida e mais tempo de qualidade com a família. Portanto, a minha nota de esperança fica para que se possa maximizar as potencialidades destas possibilidades e tendo impactos positivos a várias dimensões.

Pedro, é importante esta nota de esperança da Sónia, não é?

É uma nota de esperança muito importante e que se liga muito à discussão que está a haver agora no Parlamento sobre o próprio teletrabalho e se o tempo de contacto é ou não parte do tempo de trabalho. E nós aqui vamos ter definições importantes e decisões importantes a tomar. Eu não tenho respostas e duvido que alguém tenha respostas, mas já talvez a altura em que o Parlamento pode mostrar alguma maturidade em reflexão, em encontrar uma solução que seja equilibrada e ajustada aos nossos valores, aos valores da sociedade portuguesa. E nós aqui não vamos poder copiar lá de fora, porque somos diferentes e cada país vai estar a pensar nisto ao mesmo tempo. E provavelmente fará sentido ter alguma flexibilidade para tomar depois decisões mais definitivas daqui a algum tempo. Temos uma oportunidade de ter uma boa reflexão, tomar uma decisão, acompanhar essa decisão, eventualmente revê-la daqui a algum tempo e com isto conseguirmos melhorar o ambiente de trabalho em Portugal em geral, com o teletrabalho. Para entidades públicas, privadas, empresas, Estado, etc.

E para que seja a tal oportunidade que tantas vezes falamos quando falamos de crise. Estão dadas as notas de esperança, numa altura em que se ensaiam os concertos piloto, grupos de pessoas previamente testadas são o público de espetáculos que cumprem as regras sanitárias. Estes testes começaram a ser realizados na semana passada também em Portugal, na linha daquilo que várias cidades europeias estão a fazer, nomeadamente Barcelona, como o Pedro já aqui falou. Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, é a nossa convidada desta semana. Bem-vinda ao Gabinete de Crise.

Olá, obrigada pelo convite para estar aqui com vocês.

Muito obrigada por estar também. Antes de mais, Roberta Medina, temos estado aqui a falar em notas de esperança. Estes concertos piloto, estes de Braga e os que se vão seguir, são mesmo uma janela que se abre para os grandes concertos e também festivais como o Rock in Rio? Pode ser isto o princípio?

Eu acho que são etapas importantes. Vocês estavam falando de como é tão importante ter a segurança quanto ter a sensação de segurança. Então eu acho que os testes pilotos, a gente poderia estar usando os casos feitos em outros países, porque não acredito, mas eu não sou a pessoa técnica para garantir, mas acho que não deve mudar muito em termos de comportamento, porque o comportamento do espetáculo é muito similar entre um país e outro. Mas acho que é exatamente fundamental para que aqui a gente tenha segurança do que a gente pode decidir com as bases dos nossos próprios dados controlados pelo governo português. Então acho que isso é um passo super importante. Acho que tem que haver um passo tão importante quanto, que poderia estar acontecendo agora, que é um reforço da comunicação de que os espetáculos, as casas de show, elas já podem e já começaram a ter programação dentro das regras de distanciamento social que estavam preestabelecidas. Que na sua maioria, quando você diz que uma casa de espetáculos pode ter 50% da audiência, da sua capacidade, faz com que o negócio seja muito difícil de ser viabilizado. Agora, já existem coisas acontecendo. Já tem peças de teatro no ar, já tem shows sendo marcados. Então é muito importante que independente do que os testes pilotos, porque o teste piloto é feito para acelerar um processo de abertura onde a gente possa ter mais público reunido. O que não quer dizer que a cultura não seja segura agora já dentro das regras preestabelecidas. Os testes pilotos vão ser importantes para a gente poder conseguir ter mais gente, não ter necessariamente o mesmo distanciamento social do que está sendo praticado nesse momento, e isso sim, eles vão dar aqui um território de conhecimento. Isso que Barcelona já comprovou. Não foi por estar ali, uma vez que você tem um teste feito. E você esteja de máscara para um concerto, não é a proximidade que vai criar o problema, porque você criou ali uma bolha segura. Então eu acho que eles são, sim, importantes. Acho que deveriam as coisas andar ao mesmo tempo. Porque a gente tem hoje um decreto que fala que os grandes eventos são possíveis, mas ao mesmo tempo as regras são estabelecidas pontualmente, tem que ser solicitadas para cada um, mas isso ainda está gerando muita dúvida. Se tivesse aqui uma regra macro bem divulgada, talvez a indústria estivesse andando um pouquinho mais rápido e o próprio consumidor com segurança, porque ao mesmo tempo que a gente tem que criar as regras, a gente tem que fazer campanha de comunicação para que as pessoas estejam bem informadas. Então eu acho que a gente ainda precisa andar mais rápido.

É preciso andar mais depressa. Mas falou aqui de uma questão importante que é a viabilidade económica. Estes espetáculos, tal como estão a decorrer, estes espetáculos-teste, têm preços simbólicos. Quando chegar a hora de se avançar para um espetáculo a sério, esses espetáculos vão ser necessariamente mais altos, vão custar mais ir a um concerto?

Eu acho que os valores dos ingressos vão voltar aos valores que sempre tiveram, ou vão sofrer algumas alterações para cima. E aí por quê? Porque na hora que você tem uma equipe dedicada a um determinado evento, você tem que ter alguém de backup Em casa esperando se alguém tiver um problema de saúde. Antigamente, se alguém está resfriado, você diz: "Força, aguenta aí". E agora você não diz força, é: "Depressa, vai pra casa". Você não cogita. Então você tem que ter aqui todo um backup, uma segunda opção de manobra, que a pessoa tem que estar disponível e você não pode correr o risco de não ter o profissional pra substituir. Então alguns custos vão, naturalmente, ser sobrecarregados pra algumas operações. Ou melhor, pra todas elas. Mesmo que você faça uma casa de show e você tem que ter equipe de backup, você tem custos acrescidos.

Que se vão traduzir nos bilhetes.

Alguém tem que pagar a conta, não tem muito jeito. Eu não acredito em grandes aumentos, mas acho que algum aumento é natural que tenha que acontecer.

Roberta, o Pedro Pita Barros lançou esta questão e a Roberta tem esta experiência de organização e queria explorar um pouco mais. Como é que se prepara um Rock in Rio em Lisboa com esta imprevisibilidade, com a dimensão de imprevisibilidade que ainda temos nesta altura?

Não se prepara. A gente adiou o evento exatamente porque não é possível preparar um Rock in Rio com esse nível de imprevisibilidade. Uma vez que a gente entende que o Rock in Rio, eu particularmente não acredito num festival com máscara, o que não quer dizer que pessoas que se sintam mais à vontade, estejam com a sua máscara. Agora, se virarem pro Rock in Rio e disserem que o Rock in Rio é responsável por ter lá as 80 mil pessoas, 70 mil pessoas com máscara, isso não é viável. É impossível você garantir que o consumidor se comporta daquele jeito, então a gente nunca poderia assumir esse risco. Então eu não acredito nesse formato. Enquanto a gente não tem regras claras, você não consegue estabelecer um evento da dimensão do festival. Agora, a gente hoje está desenhando uma operação pra Bela Vista, que vamos ver se a gente consegue fazer acontecer, que é com o distanciamento social, que é quais são as regras atuais. Então acho que tem pensamento que é: o que é possível fazer hoje? Se depois melhorar, se os testes pilotos comprovarem que dá pra fazer eventos com mais pessoas e sem o distanciamento, com outro tipo de regra, como tem um teste feito antes, ótimo, mudamos. Essa é a parte fácil. Difícil é você conseguir montar um modelo de negócio que funcione com o distanciamento social. Então, nesse momento, respondendo, se fosse pra fazer um Rock in Rio agora, está decidido, já anunciamos, não está feito, foi adiado pra junho do ano que vem. O que a gente vislumbra pro momento agora? Trabalhar, que é o que a gente está fazendo, trabalhar com as regras de distanciamento social. Uma vez que essas regras mudem, a gente adapta e muda. E nesse momento, a gente acredita, e você perguntou se eu sou otimista, sou otimista por natureza, nem sei ser diferente, que a gente agora está chegando numa etapa com o plano de vacinação avançando, que a gente não vai andar mais pra trás. A gente só vai andar pra frente. Então a tendência é que essas condições vão melhorando aos pouquinhos, e então os eventos passem a ser não só mais viáveis, porque eu acho que tem uma conversa aqui que a gente muito fala da viabilidade econômica, mas tem uma coisa que a gente deve falar, que é: o que o público quer? Você acha que as pessoas querem mesmo ir pra um festival onde não podem se abraçar, tirar foto, estar à vontade na hora de tomar uma cerveja? Então eu acho que as pessoas querem voltar pra esse ambiente, e que no caso dos festivais e de momentos culturais que a gente vive entre amigos e família, são espaços de liberdade, são espaços onde você não tem que se preocupar com o estresse do dia a dia, onde você vai pra relaxar, pra ter inspiração, pra ter criatividade. Isso tudo, inspiração, criatividade, dão esperança de um futuro melhor. Então é isso que as pessoas querem. Então quanto mais rápido a gente, enquanto país, enquanto economia, enquanto indústria, for possível a gente retomar o ambiente que as pessoas procuram, é isso que faz sentido. Quando a gente vê uma pesquisa que foi divulgada da OnStrategy, que coloca os eventos de música como os mais desejados pelos portugueses, nesse desconfinamento. E o Rock in Rio, por exemplo, por acaso, é o primeiro deles, eles querem o Rock in Rio. Eles não querem um Rock in Rio com distanciamento social, com menos espaços pra brincar. Não, eles querem o Rock in Rio. Então como é que a gente constrói condições pra que o Rock in Rio possa voltar a acontecer do jeitinho que o público quer. Eu acredito, em 2022, numa normalização da experiência dos eventos de multidão como a gente sempre conheceu. Eu acredito mesmo que a gente vai voltar pro mesmo lugar. Não quer dizer que não tenha regrinha nova. Por exemplo, da última vez a gente fez os copos reutilizáveis. Que pro meio ambiente é muito bom, mas pro Covid é muito ruim. Então isso vai andar pra trás. Claro que tem temas que vão andar pra trás. Porque a saúde pública é o mais importante.

Mas tem que ser o tal espaço de liberdade que está a dizer. Deixe-me chamar a Sónia Dias pra lhe perguntar se há mesmo condições, nesta altura, para se poder pensar nestes espaços de liberdade, de estarmos num concerto a abraçar e a beber cerveja.

Sim, eu estou um pouco de acordo também com o que a Roberta estava a referir, que de fato, tem se feito um caminho, e um caminho relativamente rápido, na aproximação à normalidade e ao que é possível, de alguma maneira, se fazer no atual. Eu penso que também um outro aspecto que funciona, aliás, dois aspectos que funcionarão muito bem, é por um lado, a grande vontade do público em reviver estes momentos que são muito importantes pra si e, portanto, estas experiências. Estão muito ansiosos que se possa retomar e, eventualmente, até negociando parte dessa liberdade, que não vai ser possível de a ter completamente. E, por outro lado, também realçar a grande abertura e, no fundo, uma aproximação muito grande de todas as organizações destes eventos e de quem pensa estes eventos para se aproximar neste equilíbrio difícil entre eventos de segurança e de cumprimento de todas as regras

de saúde pública e, por outro lado, o que faz sentido na gênese destes eventos e também a questão mais econômica e do equilíbrio econômico. Mas parece-me que estão, de alguma maneira, todas as vertentes associadas a estes eventos, muito numa tentativa de se chegar lá e de se conseguir rapidamente encontrar estratégias com alguma criatividade, mas estratégias que permitam estas vivências e estes eventos. Pedro, aqui a mesma questão: será que vai haver condições para conseguirmos voltar aos concertos como estávamos habituados?

Vai certamente haver condições. E a parte mais importante é algo que a Roberta falou há bocado. Em vez de termos uma autorização caso a caso por parte da DGS, vamos ter que ter regras claras sobre como é que se faz. Regras para antes, para durante e para depois dos concertos. Uma vez estabelecido isso, eu tenho a consciência que será fácil, não só as pessoas aderirem, como os organizadores de espetáculos avançarem.

Ora bem. Roberta, temos estado a falar do futuro, mas eu não consigo deixar de me esquecer do que foi o primeiro Rock in Rio em Lisboa, porque estávamos ainda muito no rescaldo dos atentados do 11 de setembro. E recordo-me que quando um avião passava na Quinta da Bela Vista, quase que nos calávamos todos a pensar o que iria acontecer.

Olhávamos todos para o alto.

Tudo a olhar para o céu.

Exato.

As circunstâncias de hoje em dia são mais difíceis do que foi aquela sensação de medo que havia em 2004?

Eu acho que não, eu acho que é mais fácil. A gente está vendo um avanço da ciência muito rápido. Se a gente parar para pensar, sem o nosso lado emocional e a nossa vontade de voltar a estar junto com as pessoas que a gente ama e de fazer as coisas que a gente gosta de fazer, a ciência está avançando muito mais rápido no caso dessa vacina para o Covid, do que seria expectável. Então eu acho que a gente está avançado enquanto sociedade, acho que a ciência está fazendo o seu papel com maestria. Acho que a gente a partir daqui começa a apoiar a saúde e a ciência com valor diferente do que a gente vinha dando até hoje. Ouvi informações muito interessantes, como quantos filmes, documentários e histórias são contadas de guerras, mas de pandemias não, porque bem ou mal, a gente, de alguma forma, sabe lá por quê, aprende enquanto sociedade a lidar com os novos hábitos que ela traz. Então eu estou muito esperançosa nisso. De novo, acho que a pandemia veio mostrar quão importante é o coletivo. Quanto a gente sente falta de estar junto das pessoas, quanta gente sente falta e quanto a gente gosta de viver em sociedade, e acho que a pandemia pode vir ajudar a gente a repensar as nossas escolhas. Que a gente trabalha aqui uma inovação do ser humano, não de ferramentas. A inovação do ser humano, que é como é que a gente, de fato, compreende, de uma vez por todas, que a gente faz parte de um todo, que as nossas ações e as nossas escolhas impactam no todo e que o bem do outro é essencial para que a gente esteja bem. A gente tem que cuidar do outro e do todo, mesmo que seja por egoísmo. Então que sirva para isso. Eu acho que a gente enquanto sociedade, nas questões práticas, está sendo capaz e vai continuar sendo capaz e vai acelerar na capacidade de digerir o tema da saúde. E que a gente tenha a mesma capacidade e agilidade para cuidar dos temas da desigualdade social, dos desequilíbrios que a gente vive em grandes sociedades, nesse grande coletivo que a gente é. Vamos ver se a gente com isso consegue trazer um ambiente mais positivo. Tomara que seja isso. No caso dos grandes eventos, e não só, acho que a pandemia trouxe, e de novo, não só no caso dos eventos, a pandemia trouxe aqui um acelerar da utilização das novas tecnologias, que não estão sendo utilizadas durante a pandemia e o isolamento social. Vão ser utilizadas para sempre. E acho que enquanto indústria, enquanto mercado, enquanto sociedade, a gente tem que olhar para elas como oportunidade. Então se um evento tinha muito mais o foco naquelas pessoas que estavam dentro do evento, que por acaso não é o caso do Rock in Rio, que sempre teve um foco de transmissão nacional e internacional, e sempre esteve olhando para fora. Mas, por exemplo, o foco de negócio não era tão grande. Hoje nasceram novas oportunidades de aproximação das pessoas e até mesmo de fazer novos negócios, mesmo para quem não está dentro do evento fisicamente. Então a gente vai ter que, de novo, como aqui foi falado, de criatividade, aplicar a criatividade para aprender a lidar com os novos cenários. E sim, concordo plenamente que é muito importante que da parte do governo venham regras claras o mais rápido possível, porque a gente tem que entender que tem muitos artistas, muitas empresas, muitos pequenos negócios, muitos profissionais, que precisam estar vivos e fortes depois que isso passar. Não adianta a gente apontar lá para frente, a gente precisa que a agilidade é para a sobrevivência da indústria.

E pensar agora. Roberta Medina, muito obrigada por ter vindo ao Gabinete de Crise, chegou o nosso tempo, mas vamos continuar a acompanhar a preparação dos festivais. Sónia Dias e Pedro Pitombo Barros, obrigada também. Temos mais um encontro para a semana, até lá. E despedimo-nos precisamente com a recordação do primeiro dia do primeiro Rock in Rio em Lisboa. Havia tudo nessa altura, em 2004: atuações ao vivo, muito público, com vontade de dançar e acompanhar as canções, muitos artistas disponíveis para viajar e subir ao palco e até Peter Gabriel a dar uns toques em português. Eu sou a Carla Jorge Carvalho, a sonoplastia é do Bernardo Almeida. Até para a semana.

Muito obrigado, Lisboa. A frente, a Mauritânia. Daby Touré!

Accepting all I've done and said. I want to stand and stare again. 'Til there's nothing left out. Oh, oh, oh. It remains then in your eyes. Whatever comes and goes. I will hail your sudden cry. I will touch this tender wall. 'Til I know my home again. Oh. Mi mana ben kadjo. Sana so yé. In your eyes. In your eyes. In your eyes. In your eyes. In your eyes. In your eyes. Love, I've been so lost. Sometimes, days pass. And this emptiness fills my heart. When I want to run away. I drive off in my car. But whichever way I go. I come back to the place you are. And all my instincts, they return. A grand façade, so soon will burn. Without a noise, without my pride. I reach out for me. Oh, oh, oh, oh, oh, oh. In your eyes. The light, the heat. In your eyes. A young complete. In your eyes. I see the doorway. In your eyes. To a thousand churches. In your eyes. The resolution. In your eyes. Of all unproven searches. In your eyes. Oh, I see the light and the heat. In your eyes. Oh, I want to be back with you. In your eyes. I want to touch the light that leaks. In your eyes. I see in your eyes. Help me! Oh, yeah. Ma-ma-ma-ma-ma-ma-my. Ma-ma-lilo-so. Ma-ma-lilo-so. Yeah. Love, I don't like to see so much pain. So much wasted. And this moment keeps slipping away. I get so tired, working so hard. For our survival. I look to the child within. Keep me awake and alive. And all my instincts, they return. A grand façade, so soon will burn. Without a noise, without my pride. I reach out for me. Oh, oh, oh, oh, oh, oh. In your eyes. The light, the heat. In your eyes. A young complete. In your eyes. I see the doorway. In your eyes. To a thousand churches. In your eyes. The resolution. In your eyes. Of all unproven searches. In your eyes. Oh, I see the light and the heat. In your eyes. Oh, I want to be back with you. In your eyes. I want to touch the light that leaks. In your eyes. I see in your eyes. In your eyes. In your eyes. In your eyes. Come on. Sana so yé. The Sweet Jones! I want to stop and stare again. Oh, it's in your eyes. The Thompson Brothers!