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Gabinete de Guerra na Rádio Observador, espaço em que analisamos os principais focos de tensão geopolítica. Na edição desta noite contamos com a análise de Nuno Gouveia, especialista em relações internacionais. Boa noite, obrigado por aceitar o nosso convite.

Muito boa noite.

Vamos começar pelo que nos afeta mais diretamente, a guerra na Ucrânia. Vou dar primeiro aqui um contexto. Houve um acordo entre Donald Trump e Vladimir Putin. O presidente norte-americano anunciou que Putin concordou em libertar de forma imediata 300 mil toneladas de petróleo pro mercado americano e global, seguidas por 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão que virá depois. Existiram várias críticas. Por exemplo, o antigo vice-presidente de Trump no primeiro mandato, Mike Pence, escreveu na rede social X que ao invés de Trump estar a aplicar sanções severas pelas quais Lindsey Graham, um senador norte-americano que faleceu em Kiev e que era um dos republicanos que mais lutava pela Ucrânia, anunciou que os Estados Unidos vão levantar as sanções sobre a energia russa, alimentando assim a máquina de guerra de Putin. É o que escreve Mike Pence na rede social X com esta alusão ao senador Lindsey Graham. Entretanto, Donald Trump também defendeu esta tomada de decisão. Escreveu na Truth Social que é uma decisão tomada pelo bem dos norte-americanos, é America First, ou seja, América Primeiro, o mote pelo qual Donald Trump concorreu nestas últimas eleições. Ora, soubemos que Zelensky acusou a Rússia de ter violado a trégua anunciada por Trump, e agora Donald Trump veio dizer ontem à noite que Zelensky é quem está, na realidade, a dificultar as negociações e que Putin está mais disponível. Para já, começo por perguntar-lhe pela postura de Putin e de Zelensky, qual lhe parece que esteja de facto mais disponível, se concorda com Donald Trump.

Antes de mais, é preciso dizer que Donald Trump tem tido uma posição no mínimo estranha desde que é presidente neste segundo mandato na relação com a Rússia e com a Ucrânia. E parece evidente a todos que na questão das negociações entre os dois países, entre a Rússia e a Ucrânia, a Ucrânia tem demonstrado disponibilidade, nomeadamente para assinar desde já um cessar-fogo sem condições entre as duas partes. E o que nós temos visto da parte russa é um quase negar-se a negociar verdadeiramente. A Rússia tem exigido sempre o mesmo desde o início da guerra e neste momento o que exige é conquistar territórios que não foram conquistados pela via militar e conquistar pela via negocial. E sempre que há uma movimentação para haver um cessar-fogo, a Rússia tem se sempre recusado a aceder. Aliás, ainda anteontem, quando Donald Trump anunciou um cessar-fogo energético, sabemos nós agora que não foi negociado com a Ucrânia, pelo menos. Passado poucos minutos, a Rússia quebrou esse cessar-fogo ao atacar a Ucrânia em instalações energéticas ucranianas. Esse cessar-fogo, que é uma fantasia de Donald Trump, é preciso dizê-lo, demonstra também um pouco aquilo que tem sido a postura de Donald Trump em relação a este conflito. E voltando um pouco às tuas palavras atrás, a compra de diesel russo por parte dos Estados Unidos, anunciado por Donald Trump, é em si mesmo uma contradição contra tudo aquilo que o próprio Donald Trump, que eu mesmo disse que tem tido, de facto, uma posição estranha neste conflito, disse desde que é presidente. Aliás, nós nos recordamos que há uns meses Donald Trump ameaçou a Índia de aumentar as tarifas por precisamente comprar energia russa. O pacote de sanções que foi aprovado há poucas semanas e depois ratificado por Donald Trump na Casa Branca, previa precisamente sanções a quem comprasse energia à Rússia. Ora, isso é o que Donald Trump está a fazer e no fundo tem suscitado um leque de reações contrárias, obviamente do Partido Democrata, de outras fações da sociedade americana, mas também do seu partido, onde ainda esta semana, também depois desse anúncio, um comitê bipartidário de sete senadores, quatro republicanos e três democratas, se manifestaram contra este acordo, dizendo mesmo que ele seria ilegal e que Donald Trump não estaria a respeitar a legislação aprovada no Congresso americano. Portanto, parece-me que Donald Trump, nesta matéria, e estando nós em contexto eleitoral e sabendo também que a maioria do povo americano está sendo castigada por preços energéticos bastante elevados e que responsabilizam, e de acordo com todos os analistas corretamente, a guerra contra o Irã e nomeadamente o que está a passar no Estreito de Ormuz como o principal responsável pelos preços energéticos estarem tão caros. Donald Trump tenta aqui uma manobra de diversão, no fundo, para tentar penalizar ou responsabilizar a Ucrânia, porque está a atacar, de facto, as instalações energéticas russas, com bastante eficácia, diga-se. E no fundo, Donald Trump tenta criar aqui uma responsável pelos preços energéticos elevados, que é a Ucrânia, pois tem atacado a Rússia e divergir as atenções do povo americano pra este conflito.

Há quem diga que esta estratégia de Trump possa ser um bocadinho egoísta na visão em que está a fazer este acordo com a Rússia apenas por motivo eleitoral. Portanto, temos as midterms que aí vêm. Sabemos que os preços da gasolina, pelo menos nos Estados Unidos, estão a cerca de seis dólares por galão, o que comparado aqui com a Europa é cerca de metade do preço que pagamos, mas os norte-americanos estão mesmo chateados, especialmente com esta questão do gasóleo e da gasolina. Acha que essa crítica de que Trump está a tomar esta posição com a Rússia, e estava a falar dessa contradição que existe e que Donald Trump por vezes tem um comportamento contraditório, um bocadinho imprevisível. Esta imprevisibilidade relativamente a este aspecto do petróleo russo tem a ver com uma estratégia de desespero pra tentar angariar eleitorado norte-americano?

Na verdade, não percebemos, até porque sabemos que esta compra, ou pelo menos tem sido dito que esta compra, além de ser muito pouco rentável na perspectiva em que não vai fazer baixar os preços no curto prazo e além de que estes valores que estão a ser falados pouca intervenção vão ter nos preços do diesel, mas obviamente isto também levanta outras questões, porque nós temos muitos republicanos que estão em perigo nestas eleições intercalares e que têm sido apoiantes da Ucrânia, que ficam em causa devido a esta ação de Donald Trump. Aliás, temos visto muitos republicanos, mesmo alguns republicanos mais próximos de Donald Trump incomodados, pois percebem que isto não lhes é favorável, pois além de haver uma maioria clara na sociedade americana que apoia a Ucrânia, portanto, tem uma visão muito negativa de Vladimir Putin e da Rússia, e vê que o presidente tomar uma ação que é, no fundo, a favor de Vladimir Putin e a favor dos esforços de guerra.

Acha, portanto, que esta medida que Trump está a tentar fazer, pelo menos para tentar angariar mais ou para mitigar o impacto negativo que pode ter nestas eleições, pode, pela expressão mais corriqueira, sair o tiro pela culatra?

Parece-me que sim. Aliás, Donald Trump tem sondagens muito negativas, algumas na ordem dos 30% de popularidade, ou seja, uma impopularidade muito grande. E esta medida, que vai contra aquilo que é a sensação do povo americano em relação à guerra da Ucrânia e da Rússia, e também a sensação que os americanos têm que a responsabilidade dos preços energéticos elevados é da intervenção do Irão e essa da responsabilidade de Donald Trump. Portanto, parece-me que é uma medida, de facto, de Donald Trump um pouco irracional. Aliás, nós sabemos, e foi referido, que vários dos seus conselheiros próximos da Casa Branca o aconselharam a não fazer este acordo com Vladimir Putin, pois viam nele não uma vantagem, mas um perigo para as eleições intercalares. Portanto, é, no fundo, mais uma daquelas medidas, como há pouco disse, um pouco irracional ou aparentemente irracional de Donald Trump e que não se percebe, de facto. Eu não consigo ver como é que os americanos vão olhar para esta medida e, no fundo, ver isto de forma positiva para os interesses americanos, a menos que, de facto, os preços começassem a baixar, mas nós sabemos que isso não vai acontecer.

Queria também fazer-lhe uma pergunta tendo em conta este contexto todo e este enquadramento que aqui fizemos. Há quem fale numa espécie de compadrio entre Trump e Putin, tendo em conta também que a família Trump tem uma certa relação com oligarcas russos, pelo menos assumida. Um oligarca russo próximo de Putin pagou a festa de casamento de Trump Jr. Também há oligarcas russos que têm relações com Jared Kushner. Portanto, existe esta relação com a família Trump. E agora vou pegar aqui nas palavras de Kamala Harris em 2024, quando ainda estava a concorrer, em que diz num dos debates: "Donald Trump vai entregar a Europa a Putin e que nas mãos de um ditador como Putin, Donald Trump seria facilmente manipulado." Acha que estas mudanças, estas decisões que alteram, esta culpa que atribui a Zelensky e depois parece que não atribui culpa a Putin, acha que Trump pode estar aqui a ser manipulado por Vladimir Putin e acha que pode estar, de facto, a entregar a Europa ao ditador russo?

O que me parece óbvio é que, como eu disse há pouco, é uma relação muito estranha entre Donald Trump e Vladimir Putin e muitas vezes nós assistimos a estas reviravoltas estranhas no comportamento de Donald Trump. E não é a primeira vez que Donald Trump diz uma coisa, depois tem uma conversa com Putin e aparentemente muda de opinião. Então nós na relação entre a Ucrânia e os Estados Unidos tivemos muitas reviravoltas já neste segundo mandato de Donald Trump. Há de facto relações muito próximas entre pessoas do círculo familiar, mas também do círculo próximo de Donald Trump com a Rússia. E de facto todos nós nos questionamos por que os Estados Unidos, que de facto sempre consideraram, e muito bem, e a verdade é que a história dos últimos anos assim o indica, que a Rússia é um adversário estratégico dos interesses dos Estados Unidos, e por que Donald Trump tem de facto tomado atitudes que favorecem a Rússia. E parece-me evidente quando, por exemplo, depois dele anunciar este cessar-fogo falso, mas ele anunciou que as duas partes concordaram com o cessar-fogo, a Rússia passado poucos minutos rompe esse cessar-fogo e perguntado se ele achava que Vladimir Putin não respeita o seu cessar-fogo, ele mais uma vez desconversou e voltou a atacar Zelensky. Isto de facto é muito estranho, o presidente dos Estados Unidos atacar o presidente do país que está a ser invadido, que foi atacado por um país como a Rússia, que ainda por cima é um adversário estratégico dos Estados Unidos. Portanto, é absolutamente natural.

Acha que essa questão dos ataques a Zelensky, porque também, e recordemos que houve um episódio, julgo que foi no ano passado, em que Trump e Vance encurralaram Zelensky na Casa Branca e, portanto, essa posição também já alterou. Trump já tinha criticado Zelensky na altura, não usava um fato, não agradecia aos Estados Unidos o suficiente. Entretanto, depois voltou a ter uma relação melhor com Zelensky, parecia que estava a melhorar. Agora volta a culpar Zelensky outra vez. E também anda a dizer muitas vezes que a Ucrânia tem que ir a eleições e que Zelensky não devia estar no poder, também já o chegou a dizer. Acha que isto também tem a ver com um aspecto pessoal? Acha que é só Donald Trump não gosta de Zelensky ou há aqui uma manipulação por trás?

Eu acho que será um pouco dos dois. De facto, há uma grande inimizade entre Donald com Vladimir Zelensky. Aliás, essa inimizade já vinha do seu primeiro mandato, portanto, há de facto ali alguma questão pessoal que não funciona, mas não me parece que seja isso que justifique este comportamento de Donald Trump em relação à Ucrânia. Como disse, e muito bem, tem havido várias reviravoltas, momentos mais positivos, menos negativos, mas sempre que Donald Trump contacta diretamente com Vladimir Putin, as coisas parecem mudar o rumo em favor dos interesses russos.

Por isso é que pergunto se há uma espécie de manipulação

Que haverá aqui pelo menos alguma ingenuidade, para não dizer outras coisas, de Donald Trump e na forma como Vladimir Putin tem feito de Donald Trump aquilo que quer nos interesses russos. E esta compra de petróleo que não vai resolver nenhum problema americano, bem pelo contrário, aumenta os seus problemas políticos e problemas internos de credibilidade, apenas favorece Vladimir Putin. Aliás, o mesmo podemos dizer do convite que Donald Trump fez para Vladimir Putin participar na Cimeira do G20 agora em dezembro em Miami, que é a primeira vez desde a invasão da Ucrânia que Vladimir Putin é convidado por um país ocidental para participar numa cimeira deste gênero. E isso indicia, pelo menos, que Donald Trump tem muito interesse em agradar Vladimir Putin. Os motivos, poderá haver vários, de facto, sabemos que há vários interesses económicos no círculo dele, como há pouco falávamos, com a Rússia e com Vladimir Putin. Não sabemos se há outro tipo de situações envolvidas. O que eu sei é que nos próximos anos, e depois de Donald Trump sair da Casa Branca, esta relação será certamente muito investigada e muito referida nos livros e na história, porque de facto é muito estranho o que tem acontecido entre Vladimir Putin e Donald Trump, sobretudo neste segundo mandato.

Para terminar esta questão Rússia-Ucrânia, eu também queria lhe perguntar apenas muito sucintamente. Falava do G20, do convite feito a Vladimir Putin para ir a Miami. Acha que é perigosa esta legitimação da Rússia? Acha que a Rússia não devia ser legitimada de todo?

Parece-me que sim. Aliás, o bloco ocidental, o bloco aliado, teve desde o início da invasão uma posição muito clara em favor da Ucrânia. Os Estados Unidos, durante a administração Biden, foram um importante e fundamental sustentáculo do apoio à Ucrânia. E desde que Donald Trump assumiu a Casa Branca, há um claro esforço de legitimar a posição de Vladimir Putin. E este convite, obviamente, agrada a Vladimir Putin e coloca também os aliados numa posição muito difícil, pois sabemos, então para os aliados europeus, que é fundamental conter Putin na Ucrânia por tudo que se sabe e pelos interesses imperialistas que a Rússia tem demonstrado em relação à Europa.

Vamos agora passar para a guerra no Médio Oriente, outra guerra que também está nos a afetar muito diretamente, tendo em conta também o estreito de Ormuz. Saiu uma notícia a dizer que o Irão e Iémen estão quase a finalizar os caminhos mais seguros para o estreito de Ormuz. Já falámos muitas vezes sobre o perigo de Irão e Iémen terem este controle do estreito de Ormuz, que eram águas internacionais e que agora vão estar sob o controle iraniano. Mas falamos de outra frente, que já é uma frente que existe há muito tempo no Médio Oriente, mas que agora nesta guerra mais diretamente abriu e mostrou-se mais ativa, que são os Houthis. Atacaram ontem o aeroporto de Riade na Arábia Saudita. Sabemos que Riade e a Arábia Saudita estão a ficar sem mísseis de defesa. Os Houthis lançaram uma ameaça aos Estados Unidos de que se atacasse o Iémen, a resposta seria rápida e dolorosa. A Arábia Saudita, entretanto, também já veio dizer que está disposta a intervir e que deixa um aviso aos Houthis de que pode entrar no Iémen e que vão sofrer as consequências dos ataques que fizeram ao país. Donald Trump também já veio dizer que os Houthis se portaram muito mal. Admite também pedir à Turquia para ajudar Riade. Não põe aqui uma hipótese de uma intervenção direta dos Estados Unidos. Queria lhe perguntar se acha que era inteligente os Estados Unidos intervirem diretamente nesta questão dos Houthis, porque Donald Trump tem mantido uma posição muito não intervencionista relativamente ao Iémen. Se era inteligente os Estados Unidos fazerem esta intervenção, se isso traria consequências negativas ou não para esta guerra que parece cada vez mais longe de ter um fim, e se acha que esta ajuda da Turquia pode ajudar. E Israel também já disse que estava disposta a atacar os Houthis se fosse necessário. O que deve ser feito no Iémen?

Isto é uma situação muito complicada, em primeiro lugar para a Arábia Saudita, que está a ser atacada fortemente e que está a ver colocado em causa o seu modelo de desenvolvimento e todo o sucesso económico que teve nos últimos anos. Os Estados Unidos, de facto, estão numa posição muito difícil nesta região. Nós sabemos que pela via militar não têm conseguido vergar o Irão. É muito interessante verificar que os proxies que falávamos do Irão na região, o Hamas e o Hezbollah, estão muito fragilizados, muito em virtude da ação de Israel nos últimos anos, mas os Houthis aqui agora a demonstrarem muito a sua utilidade para o Irão com estes ataques à Arábia Saudita e colocando em causa a estabilidade do país, talvez um dos principais aliados dos Estados Unidos na região. Donald Trump não tem soluções fáceis nesta matéria. Nós sabemos que ele está a tentar arrastar ao máximo, não intervir antes das eleições intercalares, porque uma intervenção poderia ser ainda mais gravosa para os interesses do seu partido, numa guerra que é bastante impopular. Agora, de facto, os danos que estão a ser causados pelos Houthis na Arábia Saudita são grandes. A Arábia Saudita, sabemos, também está numa posição difícil, pois esta guerra já se arrasta há muitos anos. Havia um cessar-fogo que foi quebrado depois da intervenção dos Estados Unidos no Irão. O que me parece que a Arábia Saudita não vai poder ficar quieta a ser atacada pelos Houthis. Aliás, já havia uma contraofensiva do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita contra os Houthis, mas com este aumento dos ataques, parece-me que a Arábia Saudita vai ter que responder. E os Estados Unidos, Donald Trump, de facto, tem resistido voltar ao conflito militar na região, mas até pelas relações que sabemos de proximidade que existem com a Arábia Saudita, militares, financeiras e também do próprio círculo de Donald Trump, parece-me que os Estados Unidos terão que dar algum apoio à Arábia Saudita neste ataque que certamente irá fazer contra os Houthis. Muito interessante a posição de Israel, que ofereceu os seus préstimos para ajudar a Arábia Saudita. A Arábia Saudita, obviamente, tem problemas em aceitar essa ajuda, pelo menos uma ajuda óbvia, porque poderia causar problemas internos no seu povo, devido à impopularidade de Israel. E, por outro lado, na questão turca, há pouco, eu penso que foi há um ou dois meses, foi assinado um acordo de ajuda militar entre a Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão, onde eles se prometiam ajudar caso fossem atacados. Ora, a Arábia Saudita está a ser atacada e não vemos qualquer, pelo menos até ao momento, intervenção por parte do Paquistão e da Turquia, e não se percebe, pelo menos, para que esse acordo serve. Agora, obviamente que, com exceção de Israel, eu diria que a Arábia Saudita precisa de todo o apoio que tiver e que se houver disponibilidade da Turquia para ajudar a Arábia Saudita, certamente será bem-vinda por parte do regime saudita.

Ver vamos o que é que acontece no Iémen, que é facto é também que se tivéssemos a Turquia a entrar aqui, teríamos mais um país da NATO.

Uma escalada.

Uma escalada e um país da NATO a entrar dentro deste conflito abertamente. Chegamos ao final do nosso tempo. Um obrigado ao Nuno Gouveia. Obrigado por esta sua análise aqui no Gabinete de Guerra. Agradeço-lhe imenso.

Muito boa noite.

O Gabinete de Guerra fica por aqui e está de regresso amanhã.