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E continuamos a falar do conflito na Ucrânia e para isso abrimos o gabinete de guerra da Rádio Observador para recebermos a jornalista Rita Pereira Carvalho. Rita, bom dia, muito obrigada por estares conosco.

Bom dia.

Bom dia, Rita. A Organização para a Segurança e Cooperação da Europa publicou um relatório em que conclui que os ataques à maternidade e ao teatro situados em Mariupol foram da responsabilidade das forças russas. Rita, tu tens acompanhado este tema, se calhar é importante começares por explicar em traços gerais que organização é esta.

Claro. A Organização para a Segurança e Cooperação da Europa, primeiro, é a maior organização regional de segurança do mundo, e fazem parte desta organização todos os estados europeus, a Rússia, Estados Unidos e Canadá. Portanto, no total são 57 membros. E há aqui uma questão interessante, é que esta organização quando foi criada, nasceu com o objetivo de melhorar as relações entre o Bloco Soviético e a NATO. Portanto, já é uma questão antiga. O controle de armas, por exemplo, é uma das bandeiras desta organização. Combate ao tráfico humano, migrações, questões de direitos humanos, são as principais bandeiras desta organização, que tem sobretudo uma abordagem de diplomacia preventiva, e nós percebemos isso neste relatório. Outro ponto importante é que antes da invasão da Rússia à Ucrânia, Kiev pediu várias reuniões a esta organização, que se realizaram, sendo que a Rússia recusou sempre participar nelas apesar de pertencer a esta organização.

E esse dato pode depois também ajudar a perceber o que aconteceu a seguir. Então, e sobre concretamente os ataques à Ucrânia, o que é que diz este relatório da OSCE?

Primeiro, só em gesto de contexto, o objetivo deste relatório era perceber se existem abusos do direito internacional, para que depois estas informações possam ser enviadas para os tribunais internacionais, para que sejam também uma forma de prova. Portanto, esta organização olhou para a Convenção de Genebra, para as leis dos direitos humanos e para os principais princípios da própria organização, e olharam para todos os acontecimentos na Ucrânia e fizeram a sua avaliação. Também outro facto interessante é que a Rússia recusou enviar qualquer informação para esta organização.

Ou seja, apesar de fazer parte, não tem colaborado propriamente nestas investigações. Sobre, concretamente os ataques ao teatro e à maternidade, o que é que sai do relatório?

Em relação ao teatro e à maternidade, esta organização diz que de facto a Rússia é responsável por estes ataques e cometeu crimes de guerra nestes dois locais, em relação à maternidade e ao teatro. Por exemplo, em relação ao teatro, que foi um local marcado como abrigo para crianças, estava escrito, aliás, no chão.

E muito falado na altura este ataque.

Exatamente. E a organização diz que esta intencionalidade do ataque é, aliás, indiscutível, e usam mesmo a palavra indiscutível para falar deste ataque.

Rita, mas já sobre o ataques a centrais nucleares, o relatório não concluiu grandes conclusões.

Não. A única coisa que faz é um resumo dos principais acontecimentos em centrais nucleares e explicam porque é que não conseguem tirar grandes conclusões. É que para chegar a alguma conclusão, seria necessário perceber se as movimentações militares russas foram conduzidas de forma a evitar o risco de libertação de radioatividade. E, de facto, eles não têm essa informação.

Rita, o relatório fala ainda sobre as regras da Convenção de Genebra quanto aos presos de guerra e sobre como essas regras não estão a ser seguidas.

Sim. A organização diz estar particularmente preocupada com o tratamento dos prisioneiros de guerra, porque, de facto, a Convenção de Genebra prevê a proibição de ofensas contra a vida, contra a integridade física, especialmente homicídio sob todas as formas, mutilações, execuções efetuadas sem o prévio julgamento realizado por um tribunal competente.

E independente.

Exatamente. E, portanto, eles dizem que isso não está a acontecer na Ucrânia.

Só de um dos lados, porque temos visto imagens terríveis dos dois lados do conflito.

Sim, e o relatório aponta exatamente isso, que tanto a Rússia como a Ucrânia estão a cometer vários erros nestas questões, sobretudo relativamente aos prisioneiros de guerra. No entanto, a Rússia sempre em maior escala.

A jornalista do Observador, Rita Pereira Carvalho, com uma análise ao relatório que conclui que os ataques à maternidade e ao teatro situados em Mariupol foram da responsabilidade das forças russas. Rita, muito obrigada por ter estado conosco nas manhãs 360. Bom dia.