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Está no ar mais um episódio do Geração V, teu programa de comentário político jovem da Rádio Observador, feito em parceria com o Ovoto. Eu sou o Vasco Calhado e estou com os meus companheiros de painel, José Paulo Soares e Joana Zaguri. E convidámos esta semana a Rute Sousa. Olá, Rute, e obrigado por te juntares a nós hoje.

Olá, muito obrigada pelo convite.

Vamos a isso. Esta semana em Almada, milhares de pessoas estão sem água e a gestão desta crise colocou a autarquia e a presidente da câmara, Inês de Medeiros, debaixo de fortes críticas. No Mundial, Portugal voltou a despedir-se mais cedo do que sonhava, mas já temos novo selecionador, que parece que é consensual. E em França, a condenação de Marine Le Pen volta a agitar o panorama político europeu e a abrir um novo capítulo na política francesa. Rute, vou começar por ti, que moras em Almada. Conta-nos o que está a passar no teu concelho e como é que vês a atuação do teu executivo.

O que se está a passar no meu concelho não é de agora. Há dados que nos dizem, por exemplo, desde 2015 até 2025, a população residente aumentou em 16% e o consumo de água em 19%. Portanto, só olhando pra estes dados, nós já conseguimos perceber que isto é um problema há muito. O que está a acontecer é que as pessoas ainda não perceberam, nomeadamente o executivo, que a Terra não tem recursos ilimitados. Portanto, o facto de ter furos de captação não significa que tu possas descansar e não investir na rede. Há vários problemas estruturais em Almada, desde logo, a falta de investimento que tem havido, desde logo, o facto de que a presidente Inês de Medeiros está mais preocupada com as políticas culturais e queria, por tudo, fazer de Almada uma cidade cultural e esqueceu-se que Almada precisa de infraestruturas por causa deste aumento populacional. Parece-me que também, nos últimos anos, a atuação dos SMAS, nos últimos cinco anos, foi nula, até porque já tinha sido pensado, nomeadamente pela administração do PSD dos SMAS de Almada, desde 2017 até 2021, várias possibilidades pra colmatar esta escassez de água. Nomeadamente, estava a decorrer um projeto entre os SMAS e a EPAL, que é presidido na altura pelo engenheiro Sardinha, em que basicamente ia se fazer uma redundância pra termos uma conduta adutora que iria desde a reservatória das Amoreiras da EPAL, passava ali pela zona de Alcântara e depois iria pra Almada. E isto ficou feito. Só que desde 2021, este processo não andou. Sabia-se perfeitamente que os furos da captação não podiam ter o mesmo comportamento que têm, até porque, desde logo, o ano passado houve um incêndio gravíssimo na zona ali da Charneca Belo Verde. Ora, se há incêndios, se há desflorestação, se há um crescente da população, se há um crescimento de construção completamente abrupto e sem qualquer tipo de planeamento, os recursos não podem continuar a comportar-se da mesma forma. Aliás, a questão é mais grave, que é nós, enquanto população, não conseguimos perceber qual é que é o estado daquela região em termos ideográficos. Portanto, há aqui um completo abandono das populações, uma falta de planeamento, falta olhar pro território. E eu compreendo que a presidente venha dizer, como hoje, que está muito preocupada, mas a questão é que a preocupação dela não tem uma atuação a seguir. Nós estamos a viver isto há uma semana e a presidente estava de férias no Alentejo. Existem 400 milhões do fundo ambiental que se pode concorrer e a ministra veio hoje dizer que Almada não concorreu a nenhum. Nós temos exemplos, como por exemplo o Alentejo, que neste momento tem um investimento superior a 500 milhões, porque já entendeu o problema que tem. Em Almada, anda-se a tapar o problema. Nós estamos sem água, eu ando a tomar banho, literalmente, d'água fria, porque o caudal da minha água não é suficiente para o esquentador arrancar. E a presidente vem hoje dizer: "Eu vou prestar declarações". E os jornalistas começam a lhe fazer questões incômodas e ela diz que se vai embora e vira a cara. Portanto, a presidente não fala com as populações, mas isto não é de agora, já é várias vezes. Aliás, nós temos exemplos como as reuniões de câmara que deixaram de ser transmitidas. Nós temos questões como a população vai às assembleias municipais confrontá-la e ela não responde, amua, é mal-educada. Portanto, o que nós estamos a ver é a atuação típica da Inês de Medeiros, que é uma postura que eu não compreendo. Eu acho que aquilo que lhe aconteceu foi: de repente, ela foi presidente de câmara, não estava à espera, e achou: "Eu vou fazer disto uma cidade cultural, que é uma coisa que eu percebo". Mas esqueceu-se de ouvir as pessoas que lá estão. Os próprios camaradas dela apontam-lhe o dedo, e isto é sabido em Almada. Qualquer pessoa que viva em Almada sabe que os próprios elementos do PS apontam o dedo à presidente, só que ela mora em Capadori, calculo que ontem à noite tenha tomado um banho incrível. Eu não tinha água pra tomar banho.

Ela devia sair ou devia resolver o problema? Achas que tem capacidade pra resolver o problema?

Acima de tudo, eu acho que tem que haver transparência com a população. Nós não podemos continuar a ter uma presidente de câmara que ou está de férias, ou falta a reuniões de câmara, ou vê aos jornalistas e diz quase que o problema não é assim tão grave. "Ai, não, não há gente sem água, ninguém esteve sem água mais do que 24 horas." É mentira. E depois ainda temos aqui outra situação que é a questão da regulação. Nós não podemos achar que, como eu disse, os recursos são infinitos e que é só produzir água. Tem que haver fiscalização. Não está a haver essa fiscalização. Há puxadas d'água ilegais em N sítios, e não estou só a falar de bairros sociais. Nós temos puxadas d'água em zonas nobres do concelho. Ou seja, faltam equipas que estejam dotadas de capacidade pra ir e resolver. E o problema não é das equipas, e eu quero frisar isso. Os serviços municipalizados de Almada são serviços de excelência. Eu conheço aquela casa, eu estive naquela casa três anos e meio. Os dirigentes daquela casa, os trabalhadores daquela casa vestem a camisola. Só que eles não podem fazer mais quando o poder político escolhe ignorar, quando estão mais preocupados com o teatro de Almada, quando estão mais preocupados com o Sol da Caprica e não estão preocupados em resolver. Hoje estavam elementos da Câmara Municipal de Almada a regar jardins. Foi dito ontem que não podíamos regar jardins, que não se podia encher piscinas, que tinha que se racionar água. Como é que os trabalhadores da câmara estão a regar jardins? É porque não há uma comunicação. A presidente não está cá, a presidente não está a falar com os funcionários, não está a falar com o executivo. Pelos vistos, não fala com o governo, porque a ministra veio dizer que até hoje nunca tinha tido um alerta. A APA vem dizer a mesma coisa. Portanto, aquilo que eu peço é: vamos ser adultos, vamos perceber que as pessoas precisam d'água E preocupa-me outra coisa. Nós temos o Hospital Garcia de Orta ali. Sabes quantos litros de água são precisos pra uma pessoa fazer hemodiálise? 300 litros. Portanto, aquilo que está em causa neste momento é a saúde das pessoas. O Centro de Saúde da Costa foi fechado. A vereadora Francisca Parreira, que é responsável pela proteção civil, não comunicou com a proteção civil. Foi a presidente da junta, Vanessa, que foi chamar a proteção civil. Portanto, eu acho que o executivo da câmara está completamente perdido nisto. E de uma vez por todas tem que perceber que a água é um direito fundamental e é um elemento essencial à vida.

Claro. Zé Paulo, isto parece um país de terceiro mundo ou não?

Parece. É verdadeiramente incompreensível, porque a presidente de câmara veio agora falar aos jornalistas um pouco antes de nós estarmos a falar naquilo que só pode ser descrito como uma vergonha. Ou seja, não consegue responder perguntas nenhumas e acaba a fugir literalmente das câmaras. A presidente da câmara emitiu um comunicado a dizer que nunca se consumiu tanta água. Isto parece uma verdade lalá pá Lisboa, quer dizer, é evidente, nunca se consumiu tanta água. Primeiro, que estamos a ter um verão muito quente. E segundo, porque a população está a aumentar e a presidente da câmara está farta de saber que a população está a aumentar. Eu não conheço, e no caso ainda bem, tão bem a situação como essa Rute e a Joana. Mas a presidente da câmara diz que o consumo de água na Charneca da Caparica cresceu 15% ao longo do último ano. E ela tem que responder à pergunta: sabia ou não sabia? Se sabia, não fez nada, é incompetente. Se não sabia, é incompetente porque não sabia. Não é possível sair disto bem. Ou seja, não pode chegar ao fim de uma semana, duas semanas, em que as pessoas não têm água, ela não vivendo lá, é impossível que ela não soubesse na mesma, e não faz nada?

Até porque ela é que licencia a construção.

As pessoas não têm que vir pra rua? E depois atira ao governo. E bem, a ministra diz que a culpa não é do governo. O governo aqui não tem nada a ver. Há 400 milhões disponíveis. Se a câmara não se candidata como as outras regiões se candidataram, a culpa é única e exclusivamente da câmara. A culpa aqui não morre solteira, é claramente atribuível. É à câmara e é à senhora presidente de câmara. E convém lembrar que Inês de Medeiros tem também, pra além da Câmara de Almada, encapsulou a lista de José Luís Carneiro à Comissão Nacional do Partido Socialista. Portanto, é alguém que tem peso nacional dentro do PS. Portanto, não sabe bem a câmara, não sabe bem a Inês de Medeiros, de todo, e não sabe bem o PS.

Exatamente. Joana, a tua camarada, Inês de Medeiros, admite que a realidade é difícil e alerta que os reservatórios de água estão a 10% da capacidade quando deveriam estar a 60. Como é que vês a atuação dela perante esta crise?

Vasco, eu sou filiada num partido, mas eu não sofro de partidarite. Da mesma forma que pedi a cabeça do Carlos Moedas aqui nesta mesa várias vezes pelo trânsito e principalmente pelos problemas de higiene urbana, entre aspas, peço a cabeça de, atualmente, a minha presidente de câmara. Eu sou só residente em Almada desde novembro, não tenho tantos anos de casa como tem a Rute, nem de perto o conhecimento que a Rute tem do conselho, que é natural que tenha, visto que vive há 30 anos, portanto há de conhecer como a palma da sua mão e ainda bem. A única coisa que é chata é que eu queria discordar de ti, mas talvez na segunda parte. Agora, tirando isso, não existe lugar em que seja possível discordar que a atuação deste executivo é miserável. Há poucas coisas que são absolutamente elementares naquilo que é um projeto autárquico e naquilo que é um executivo autárquico. Há muita coisa que vai passar por aquilo que são projetos políticos. A aposta em Almada Cultural é algo que eu vejo com bons olhos, ainda bem. Agora, há coisas que não podem faltar. A água, a higiene urbana não podem falhar. Nós não podemos ter pessoas sem água. É tão simples quanto isto. Neste momento temos um debate público que não termina sobre a imigração. Temos um aumento populacional de quase na casa dos 20% neste conselho. Temos a sociedade completamente partida, bipolarizada a favor de imigrantes contra imigrantes. O que se está à espera quando temos um problema como a falha de algo que é não só um direito fundamental, como também tem outra coisa: é pago pelas pessoas, é pago pelos munícipes. Este não é um bem que se consome e que aparece só do ar. Esta infraestrutura não é paga com fundos municipais vindos do Estado central. Não. É pago pelas pessoas. As pessoas não pagam só o seu consumo, como também pagam as taxas de manutenção.

Havia muita gente a perguntar: vamos pagar, como é que vai ser a fatura este mês?

Exatamente. E eu acho que as pessoas devem fazer essa pergunta. E é absolutamente inadmissível, pra mim é absolutamente inenarrável, o primeiro contato da câmara com a população, porque foi o primeiro, foi aquele comunicado.

O vídeo?

Não, anterior a esse, o primeiro comunicado, que culpabiliza a utilização de água pelos munícipes. E ainda faz pior: estigmatiza os munícipes, porque eu pelos vistos resido numa área, na Cova da Piedade, onde nós somos muito bem comportados. Nós não aumentamos o consumo de água.

Não levaste nas orelhas da Inês de Medeiros.

Não levei nas orelhas. Já a Rute fartou-se de levar nas orelhas. E eu vi mais, vi autarcas a dizer que os ricos, que é a malta da Charneca, os ricos é que estão a gastar muita água, portanto ainda estamos a polarizar a sociedade em ricos e pobres. Em ricos e pobres. Quando ninguém tem água. Isto não cabe na cabeça de ninguém. Se há fugas e que, como a Rute disse e bem, nem nos vamos estar a focar aí. 35% de perdas. É o que há. 35%, mas elas existem. É isso. Mas essa que é a pergunta. Não é novidade. Depois, o próprio comunicado não só culpabiliza os munícipes e sua utilização da água, como agora vem pedir a sua solidariedade uns com os outros. E ainda fica a questão que tu fizeste, e bem, há bocado

E quem é que vai pagar? Eu não estou a ser profundamente afetada. Ontem só notámos que tínhamos alguma menos pressão, mas nada de extraordinário. Já por sua vez os meus sogros tiveram bastantes horas sem água e têm períodos em que não têm. E amigos nossos que vivem na zona. E isso não é aceitável. Agora, depois por cima de culpabilizar os munícipes, vem falar sobre o aumento populacional sazonal. Não me vão dizer que só agora é que descobriram que as pessoas vão à praia à Costa da Caparica. Isto não tem absolutamente cabimento nenhum. À câmara cabe a responsabilidade de manter estas infraestruturas, de promover pelo investimento nestas infraestruturas e também de controlar e fiscalizar quem delas abusa. E portanto, se há perdas de 35%, que podem ser perdas, e a Rute saberá explicar isso provavelmente melhor que eu, visto que tem experiência na área, pode haver perdas que não têm nada a ver com a utilização indevida, mas há perdas que nós todos sabemos, porque é um problema que se tem. E que, aliás, Inês de Medeiros esteve no centro de uma decisão que foi altamente contestada precisamente sobre um bairro ilegal. Não gosto de dizer esta palavra, mas um bairro com habitação irregular não há muito tempo atrás, portanto, isto não tem absolutamente cabimento. E depois eu digo outra coisa: uma pessoa não representa um partido e isto não representa o meu partido. Eu sou do partido que ainda na semana passada falámos da Marta Temido que se demitiu pela morte de grávidas. Eu sou do partido da Constança Urbano de Sousa, que se demitiu. Eu sou do partido do primeiro-ministro que se demitiu por causa de um parágrafo.

Estás a pedir a cabeça de Inês de Medeiros?

Estou a pedir a cabeça de Inês de Medeiros, porque eu não admito a nenhum presidente de câmara deste país que falhe em algo tão elementar e tão básico como assegurar que os cidadãos do seu município tenham acesso a água. E portanto, para mim não existe. É uma atuação miserável e tem que se pedir desculpa às pessoas. E acho que se perdeu isto. Acho que se perdeu a humildade.

É uma pena que se bastasse.

Já disse isto várias vezes. Eu estou sempre a repetir a mesma coisa. Todos nós erramos. Nós não somos um país com uma capacidade de prevenção. Aliás, nós falamos sobre isto, acho que quase todas as semanas acabamos a falar, que não somos um país que tenha políticas a longo prazo e a médio prazo. Estamos a sofrer com as consequências do eleitoralismo atual e da bipolarização da sociedade, mas não é desculpável, não é. E não é o primeiro exemplo que temos em Portugal. E a Inês por acaso falou sobre ele, falou sobre o exemplo do Algarve em 2023. Mas aí tenho a dizer que já houve políticas e são obras invisíveis. E é verdade, os autarcas muitas vezes não são recompensados por isto, mas a Inês certamente não vai ser recompensada nas urnas por este trabalho que fez aqui.

Muito bem. Vamos esperar para ver.

E tu disseste uma coisa.

30 segundos Rute, temos mesmo de fechar.

Um tweet. A Joana disse uma coisa muito importante, que é: não se planeia. A Inês de Medeiros já repetiu duas vezes em vídeo e hoje aos jornalistas que está a trabalhar desde maio. Eu recordo, não é a população que vai às praias. A população residente do Conselho de Almada aumentou 16% de 2015 a 2025. Portanto, não é em maio que ela se vai lembrar. O incêndio que eu te falei há pouco foi há um ano. Não é desde maio, maio são dois meses. Não me digas que há dois meses é que ela descobriu que a população em Almada cresceu. Ela andou a licenciar as construções. Eu não consigo percorrer uma rua da cidade de Almada que não tenha uma vivenda a ser construída, uma nova urbanização. Portanto, há que pensar o conselho. Nós precisamos de habitação. Portanto, ainda bem que estão a ser construídas. Agora, as infraestruturas têm de acompanhar.

Exatamente. Muito bem, está feita a primeira parte do "Geração V". Vamos agora para um curto intervalo e já voltamos para a segunda parte do nosso programa. Até já. Estamos de volta para a segunda parte do "Geração V". Esta segunda-feira, infelizmente, Portugal disse adeus ao sonho de se tornar campeão do mundo ao perder contra a seleção espanhola. Zé Paulo, esperavas este desfecho?

Sim, esperava.

Não estavas...

É verdade.

Mas contra a Espanha dói mais ou não?

Tu és frio, tu tens um coração frio.

Claro, dói mais. Mas quer dizer, a ver o jogo, jogámos tão mal que é expectável. Tínhamos um senhor à frente da seleção.

Então só esperavas a meio do jogo, é isso?

Tão pouco futebol. O quê?

Só esperavas a meio do jogo ou esperavas antes?

Eu esperava antes.

Antes?

Esperava antes perdêssemos.

Onde é que está a tua esperança portuguesa? A fé, não há.

É muito característico.

Eu posso ter muita fé e gostava imenso que ganhássemos, mas se tivesse que apostar, não apostava em Portugal, não punha um dinheiro em Portugal, isso com certeza.

Estas pessoas percebem-se pelos dados.

Agora, eu gostava só de falar no caso sobre o futebol. Esta semana escrevi sobre isso no Eco.

É verdade.

Porque nós em Portugal, acho algo verdadeiramente fascinante, falamos muitas vezes sobre futebol, mas não falamos sobre o que é quase um milagre português no caso do futebol. Nós somos 11 milhões, somos muito poucos no universo futebolístico. O futebol é das maiores indústrias do mundo. Gera milhares de milhões de euros por ano.

É também talvez provavelmente uma das razões pelas quais nós estamos sempre a bater recordes nos índices de corrupção, mas isso se calhar sou só eu.

Isso é outra conversa. O que eu gostava de dizer é que nós somos competitivos nesta indústria, ou seja, nós somos competitivos numa das maiores indústrias do mundo, numa das indústrias mais competitivas do mundo, com mais concorrência. E nós não somos competitivos como se pede na economia, que seja competitiva ao nível do PIB per capita, que seja competitiva a níveis relativos. Não, nós somos competitivos a níveis absolutos. Nós conseguimos bater-nos com seleções, como no caso de Espanha, de um país de 50 milhões de pessoas, ou quando nos batemos com a Alemanha o ano passado, num país de 80 milhões de pessoas. Isto é resultado de quê? É resultado de um investimento de algumas décadas, é resultado de termos dado liberdade para que houvesse escala no futebol português com os três grandes clubes, é resultado de muita formação, de muito investimento em formação, com formação em base científica, em que os jovens são introduzidos nestas escolas desde cedo, em que começam a aprender, em que basicamente toda a gente, no caso, todos os rapazes, na sua maioria, acabam por ir jogar em algum momento da sua vida futebol. Não foi esse o meu caso, porque tinha dois pés esquerdos.

Nem eu.

Mas a vastíssima maioria acaba. Efetivamente, com investimentos bem planeados.

Tu eras da minha equipa do badminton.

Com investimentos bem calibrados, com formação adequada, foi possível que um país de pequena dimensão fosse competitivo numa das indústrias mais competitivas e com mais concorrência do mundo

Esse é o ponto positivo que tiras no meio disto tudo?

É o ponto positivo que tiro do futebol português. E tenho pena, nós falamos muito sobre futebol, eu sou um grande consumidor de temas de futebol, eu contribuo para que as televisões estejam sempre a falar sobre futebol. Mas tenho pena que um país que tem um Europeu, duas Ligas das Nações, quatro Champions, duas Ligas Europas, tivemos sete Bolas de Ouro, com seis jogadores portugueses já ficaram no pódio da Bola de Ouro. Somos apenas 11 milhões.

Agora vamos chorar. Nós vamos ter de falar do Cristiano Ronaldo, não é?

Isso falem vocês. Eu só gostava de perguntar porque não na economia. Porque é que nós não conseguimos trazer o mesmo para a economia? Porque é que nós não conseguimos trazer a mesma vontade de formação e de educação na economia? Porque é que nós não conseguimos?

Porque não são todos bons como o Diogo Costa. Eu percebo perfeitamente, não sei do que falas, mas eu percebo perfeitamente a situação.

Nós não damos liberdade às empresas como damos aos clubes de futebol, nós não damos a liberdade às empresas para poderem arriscar, para poderem abraçar o risco, para poderem ser inovadoras. Portugal tem a terceira pior competitividade ao nível das empresas da OCDE. Terceira! E nós não aceitamos este nível de mediocridade no futebol, mas infelizmente aceitamos na economia. Portugal pode ser competitivo mesmo nas indústrias com mais concorrência. Para isso é preciso vontade e muita formação.

Bem trazido, Zé Paulo. Joana, Jorge Jesus vai ser o novo treinador da seleção, já foi confirmado, é desta que vamos ter mais alegrias.

Espetáculo!

Nunca pensei falar tanto de futebol neste programa.

Eu também não. E certamente não serei a pessoa certa para falar de futebol, visto que para mim são só 22 pessoas com uma bolinha e eles têm que pôr ali numa rede. Não, eu percebo absolutamente zero de futebol e digo com bastante orgulho, eu continuo sem saber o que é um fora de jogo. E não preciso.

Não vai ser aqui.

Já me tentaram explicar 50 vezes, continuo sem saber o que é.

Ninguém trouxe um mau para eu explicar à Joana.

Mas agora é ótimo, está no The Kings e dizem: "Está fora", e eu acho ótimo. E não tenho vergonha. Acho que o futebol faz parte de uma cultura também muito familiar e dentro da minha casa não entrava futebol, entrava automobilismo e portanto acabo por ser uma família, se calar, do ponto de vista de Portugal, bastante atípica, mas de facto não entravam bolas, entravam rodas, é o que cada um tem. Agora, temos que reconhecer uma coisa, estava a ler um artigo no outro dia, algo que eu não tinha de todo consciência. Muito se discute o Ronaldo, se é bom, se é mau, etc. Eu acho que quem diga que este homem é um mau jogador, não sabe o que está a fazer. Se é o primeiro ou o segundo, não interessa. Tem as polémicas à sua volta, não interessa. Isto para lhe dizer: acho que foi um homem que elevou o nome de Portugal, tem as suas polémicas, sem sombra de dúvidas, tem as contradições e que mancham, certamente, aquilo que seria talvez uma reputação impecável, mas eu acho que isso não existe, ainda para mais num mundo misógeno e profundamente patriarcal, como é o mundo do futebol. Portanto, não acho que saia fora daquilo que é uma bolha, que é expectável do mundo do futebol. Mas há algo que sai, que eu li no outro dia e confesso, eu não tinha esta consciência. Dizia este autor, que confesso que não me lembro, que o Ronaldo mostrou a várias pessoas que é possível ficar até mais tarde. Portanto, que é possível jogar-se até aos 40 anos e que isto mudou radicalmente o mundo do futebol. E eu acho isto absolutamente extraordinário, porque se há coisa que o Ronaldo sempre se pautou e que faz parte daquilo que é o seu discurso, é o trabalho.

A não aceitar a mediocridade.

E superar-se todos os dias.

Superar-se, o ser o primeiro, aquela imagem que nós temos, o primeiro a chegar, o primeiro a seguir e o primeiro a sair, o que não critica os seus colegas jogadores da seleção, o que está sempre ali a puxar pelos outros. E eu acho que nesse aspecto, e aqui consigo perceber o que estás a dizer, devemos tirar um exemplo de, se o Ronaldo conseguiu levar o nome de Portugal a tantos sítios, nós hoje chegamos ao Vietname e somos capazes de encontrar uma criança com uma camisola da nossa seleção.

Só sabem o que é Portugal graças ao Ronaldo.

Se alguém perdesse tempo, eu acredito que quem está a ver o jogo não perca o tempo que eu perco a ver coisas que se calhar para as outras pessoas são inúteis. A ver as imagens nos estádios ao longo dos mundiais, ao longo de todas as competições internacionais, das pessoas que estão a usar a t-shirt da seleção nacional.

Muito poucos são portugueses. É verdade.

E é muito interessante ver isto, e aquelas pessoas estão a sofrer. E eu acho isto absolutamente extraordinário.

E havia casos espanhóis que estavam por nós por causa do Ronaldo.

Isso é absolutamente genial. E, portanto, nesse aspeto, agradecer o seu serviço. E Jorge Jesus, quer dizer, momentos divertidos vamos ter, com certeza.

Vai ser pinas.

Vai ser pinas e que nos dê "bring the cup home", como dizem os ingleses. Dá cá o caneco.

Queria-te só perguntar muito rápido, o Expresso veio hoje dizer que Montenegro foi até agora o líder da Europa que mais viajou para ir ver a seleção ao estádio no Mundial. Foram três vezes. O que é que tens a dizer sobre isto?

Olha, o que eu tenho a dizer sobre isto é...

É um bocado de vergonha alheia ou não?

Não, sinceramente acho que não

Sinceramente acho que não. Eu vou te ser sincera, nós todos estamos um bocadinho esquecidos. Quando o António Costa e o Marcelo também foram altamente criticados por ir durante a pandemia.

O Seguro também já lá foi este ano.

Outros líderes.

Isso não fossem ser criticados.

Isso não fossem ser criticados.

Distâncias tão longas a usar o Falcon.

Mas eu acho que ele não devia ter ido tantas vezes.

Não é o tantas vezes, é a forma como vai e as escolhas que faz. E acho que devia ter havido uma alternância, por exemplo, no jogo com Espanha fazia mais sentido ter ido o António José Seguro.

Mas a questão é que não precisa estar lá alguém sempre.

Não.

É só esse o ponto.

Agora, eu consigo compreender.

Achas que tem que estar sempre alguém?

Não, eu consigo compreender.

Acho que precisa a figura da nação lá.

Eu acho que compreendo. Pegando na tua lógica, que somos 11 milhões, eu consigo perceber. É isso. Que um país pequeno leve o seu líder. Eu percebo. Um país maior não tem esse peso, até porque o próprio futebol não vai ter esse peso. Eu acho que, se calhar, o que não sabe é comunicar isso, que é completamente diferente. E depois aí faço uma grande crítica ao Hugo Soares de vir dizer: "Nós somos do povo", porque lhe fica ridículo dizer aquilo daquela maneira.

Até porque o povo não vai ao mundial.

Até porque o povo não vai ao mundial. O povo vai ao jogo da sua equipa.

Ruto, o que diria a Padeira de Aljubarrota desta derrota ao cair do pano contra Espanha?

Olha, acho que ela ficava maluca. Eu digo que estava com muita fé, mas ao mesmo tempo.

Isto é por causa do teu vídeo. Tu sabes, não é?

Eu queria muito ganhar e a história era bonita nesse sentido. A história do futebol não era assim tão bonita. Nós sabemos, já tínhamos sido eliminados pelos espanhóis, mas sobretudo eu acho que nós tínhamos um selecionador nacional que não tinha mãos para estas equipas. É uma pessoa que tu consegues perceber que não há uma dinâmica de grupo ali. Tu vês isso até nas imagens do pós e de quando eles não estão propriamente a treinar, tu percebes isso. Por isso é que eu acho que o Jorge Jesus vem trazer uma era completamente nova e vem trazer outra coisa, que é: o homem tem mesmo orgulho de ser português. Basta ver o discurso dele do ano passado da Liga Portugal quando foi receber o prémio. E eu acho que nos está a faltar isto. É assim, o tuga está sempre a levar, sempre. Nós precisamos de uma alegriazinha, por amor de Deus. E ter um selecionador nacional que fala como nós, que pensa como nós, que tem aquela figura castiça e que ama Portugal e que tem um discurso coletivo, eu acho que é isso que está a faltar nos portugueses.

Há uma parte muito emocional que falta quando o selecionador não é português. Acho que falta.

E falta aquele sentido de pertença das pessoas. Até o Scolari conseguiu isso.

Era esse o ponto que eu ia dar.

Mas eu acho que não é a questão de ser português, eu acho que é a questão de teres essa narrativa de união, conseguirmos mobilizar as pessoas.

E tendo sido muito crítico dele sempre, eu acho que o Roberto Martínez até tentou fazer isso.

É o carisma de um nabo, desculpa.

Mas o facto de ele cantar o hino e tudo mais, isso eu fiquei contente.

Ele pode cantar o hino, mas o ChatGPT também canta o hino se eu lhe escrever o próprio. Ele não tem carisma.

O Scolari tinha outra coisa. Além de ter vivido cá há muito tempo, o Scolari era brasileiro, os brasileiros percebem, os brasileiros vivem. E portanto, ele sabia que tinha que transmitir e ele próprio, eu acho até que se calhar só sabia viver o futebol assim.

Nós tivemos o pior selecionador espanhol possível que podíamos ter. Havia vários outros melhores espanhóis que podiam ter sido. O futebol gera milhões, como dizia há pouco, e o nosso selecionador, em vez de estar focado nisso e focar-se em como é que podia melhorar os treinos, como é que podia pôr os jogadores a jogar mais futebol, está preocupado com números. E com números se lixou, porque perdemos no dia 6, com o golo marcado pelo número 6.

Muito bem, para terminar, foi também notícia esta semana a condenação de Marine Le Pen. Joana, será que esta condenação ainda dá mais força à Le Pen para chegar ao Palácio do Eliseu?

Vasco, o assustador é que...

Achas que sim?

Não, é que as sondagens demonstram que sim. A França tem neste momento uma candidata à presidência que tem uma pulseira eletrónica.

Tu achas que isto ainda dá mais força? Era essa a pergunta. Acho que pode ser o efeito inverso.

Eu não sei se te respondo.

Isto é um recurso, se estivesse a dar forças, já devia ter sido usado.

Eu não sei se tenho uma resposta concreta a essa pergunta. Eu sei que estou muito preocupada em viver num mundo em que, independentemente daquilo que é a ideologia pessoal de cada um, as pessoas estão genuinamente obcecadas com alguém que defende um ideal, mas que não o representa. Eu gosto muito da frase que à mulher de César não basta ser, também há que parecer. Acho que nós às vezes somos muito duros com as pessoas, somos muito duros com as figuras públicas, exigimos demasiado delas. Mas neste caso, eu acho que estamos a exigir pouco. Nós estamos a exigir muito pouco. Quer dizer, nós, no nosso caso, não. Os franceses estão a exigir muito pouco. Acho que também é um espelho sério e muito preocupante do falhanço de Macron. Acho que França está a passar uma mensagem, principalmente à esquerda, que é muito preocupante. Ou a esquerda aperta os sapatos e começa a correr, ou então isto vai correr consideravelmente mal. Voltou a conversa sobre a Gronelândia, estão a renascer narrativas que são extremamente preocupantes. Nós sabemos que França representa, do ponto de vista comunicacional, de alguma forma, um satélite daquilo que se pode antever, às vezes do pior cenário possível, às vezes o pior. E isto preocupa-me, porque termos uma candidata à Presidência da República que foi condenada e que se passeia agora, que faz a campanha com uma pulseira no tornozelo.

Pode vir a fazer, ainda não é certo se isso for só no fim da campanha.

Pois, certo. E há outra coisa, só outro pormenor. E este pormenor é muito importante, que é: da mesma forma que temos estes mesmos políticos e os políticos da sua cor a criticar as penas suspensas e o cumprimento da prisão preventiva, etc, a Marine Le Pen, parte da pena a que foi condenada já foi cumprida porque cumpriu já 15 meses. E isso Sinceramente, e isto preocupa-me do ponto de vista de para onde é que vai esta Europa.

Muito bem. Rute, Bardella vai ter que esperar mais uns anos.

Vai ter que esperar. E o que eu acho curioso neste caso é que esta história já se arrasta desde 2015, este processo começa em 2015, portanto, haveria mais que tempo para a oposição cavalgar este assunto.

Não acham que é só Portugal que demora?

Não, o problema é sistémico na Europa. E eu acho que aquilo que acontece é preocupante quando um país inteiro prefere alguém que é condenado a alguém que tem supostamente um currículo exímio. Agora, eu acho que isto é o falhanço total daquilo que se tem vindo a apregoar em França. Acho que as pessoas estão fartas e estão cansadas. E consigo perceber que há ali uma grande franja que faz quase um voto de protesto. E acho que nós temos que olhar para França e perceber o que pode vir a se passar em Portugal, porque o assunto é exatamente o mesmo. Acho que, e ainda pegando um bocadinho no tema do futebol, se nós formos ver a final da Champions, conseguimos perceber que não está tudo bem num país que às 17h começa a meter dispositivos de intervenção rápida na rua, começa a ter que meter grades nas lojas porque já sabe que vão partir aquilo tudo, quer se ganhe, quer se perca.

Nós não temos esse espírito tão gilejeano.

Eu acho que este tipo de movimentações que está a haver na sociedade em França, as pessoas estão completamente saturadas. Aquela história que apregoaram em França durante muito tempo, da liberdade, da fraternidade, do multiculturalismo, os resultados da Marine Le Pen, até depois das últimas notícias e nas sondagens, como a Joana disse, ela vai à frente, provam que as pessoas estão fartas dessa brincadeira. Vamos olhar para a seleção de França. Olha lá para a foto. Não é propriamente o estereótipo do francês, não é? Portanto, eu acho que é a falha total daquilo que se tem apregoado como valor para a sociedade francesa, e o resultado está aí. E nós, portugueses, e todo o resto da Europa, temos que olhar para aquilo que se passar em França e perceber.

São cidadãos franceses.

Eu também posso ser cidadã do Bangladesh se for viver para lá e viver lá 10 anos.

Eles nasceram já lá.

Tudo bem, podemos dizer que são os imigrantes de segunda geração. Tudo bem, mas e que cultura é que têm? Mais uma vez, eu sou de Almada, vai lá ao Laranjeiro e depois diz-me se aquilo é Almada e se tem zonas do Laranjeiro em que aquilo é um bairro português. Então o Martinho d'Inês, o exemplo de sempre.

Se forem para os seus países de origem, lá também não se sentem nacionais de lá, porque nasceram em França e estão a França.

Certo, mas por que nós temos medo então, por exemplo, de dotar a polícia? Começa-se a carregar na polícia a sério e essas pessoas têm que perceber que isto não é propriamente uma selva, que estão na Europa, que existem padrões, que existem comportamentos e que não podem fazer aquilo que eles querem.

Estamos a misturar coisas diferentes.

Não, não estamos, até porque os votos vão mostrar que as pessoas estão fartas e que estão cansadas.

José Paulo, tu estarás a dizer.

Eu estava a falar sobre o caso.

O movimento dele é frente nacional, não é frente multicultural, ou as pessoas esqueceram-se qual é a ideologia que ela defende? Ela não é um símbolo da mulher francesa, ela é um símbolo da luta daquilo que nós estamos a ver na sociedade. Quem acha que isto não tem a ver com a imigração, eu acho que está em Marte.

Vão dizer, eu não estou a dizer que não tem a ver com a imigração, acho que estavas apenas a misturar alhos e bugalhos.

Não estou não, e tu vais ver isso em Portugal também.

O crime na cidade de Paris com os jogadores da seleção.

Não, é um exemplo claro.

Uma condenação em França não é o primeiro. Aconteceu com Sarkozy, aconteceu com Chirac, aconteceu com Fillon, e tanto Sarkozy como Fillon também tiveram condenações de não poderem candidatar-se a cargos públicos. O caso em si é tudo idêntico àquilo que cá havia contra o Rui Rio, só que agora é com fundos europeus, porque a questão é de usar fundos europeus para o partido em França. Seria interessante discutir o que é que Le Pen ou Bardella seriam. Não, mas era aquele que era acusado.

Acusado ou foi constituído arguido?

Constituído arguido, acusado.

É que isso é diferente.

Peço desculpa.

Constituído arguido é diferente de acusado. São coisas completamente diferentes. Eu também fui constituída arguida porque o PCP em Almada e uns senhores do PS disseram que eu estava a ter benefício político, sendo que eu fui perder 500 € do ordenado por mês.

José Paulo, só tem um minuto.

Para poder acabar sobre o tema acusado publicamente. A diferença entre Le Pen e Bardella, que são bastante diferentes até ao nível da economia, e isso levar-nos-ia a falar até só sobre um programa apenas. Dar apenas a nota de que se a centro-direita em França não se unir, se Philippe e Attal forem candidatos ao mesmo tempo, as sondagens indicam que podemos ter uma segunda volta entre Mélenchon e Le Pen, o que levaria a uma vitória por largo de Le Pen, provavelmente com 70% dos votos. E a esquerda tem muita dificuldade de ir à segunda volta, porque o Mélenchon já disse que não vai sair. E portanto, com ele presente, nem Glucksmann nem Hollande têm possibilidade de chegar à segunda volta. Portanto, a única hipótese de não ser Le Pen a ganhar é Édouard Philippe chegar à segunda volta. É o único candidato que tem hipótese de ganhar a Marine Le Pen. E perceber o que significa Le Pen. Le Pen já foi contra o euro, já foi contra a União Europeia, é claramente russófila, defende a supremacia do direito nacional sobre o direito europeu e é irresponsável orçamentalmente. França tem um déficit de 5%, uma dívida pública de 116%, o spread da dívida francesa é o dobro do spread da dívida portuguesa. É um país que tem as contas públicas num marasmo, onde qualquer tentativa de redução do déficit tem sido chumbada por Marine Le Pen. Se tivermos uma Marine Le Pen no Eliseu, pode significar uma crise financeira em França e isso pode ser muito perigoso.

Esperar para ver. Está feito o programa de hoje. Obrigado aos meus comentadores, José Paulo Soares, Joana Zaguri e Rute Sousa. Até à próxima.

Obrigada, Vasco. Até à próxima.

O "Geração V" é uma parceria entre o Vou Voto e a Rádio Observador. Podes ouvir-nos na rádio, em podcast e ver-nos em vídeo no YouTube. Eu sou o Vasco Galhardo. Muito obrigado por estares desse lado. Tudo a correr bem e até para a semana.