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Olá, começa agora a segunda temporada do Geração V, o teu programa de comentário político jovem da Rádio Observador. Pois é, fomos de férias no mês de agosto e nunca pensamos ter tantos assuntos que mereciam o nosso comentário durante a silly season. O país tremeu, cinco prisioneiros fugiram de uma prisão de alta segurança em plena luz do dia e o nosso primeiro-ministro andou de lancha. Uau! Tudo assuntos que os meus paineleiros de serviço adorariam ter comentado, estou certo. Bem-vindos de volta, Bernardo Faro, Catarina Douré, Gonçalo Sousa e Joana Marques Brás. Entusiasmados para terem as sextas-feiras preenchidas outra vez e agora durante vários meses?

Sempre, Vasco. Sempre.

Vamos a isto, não é?

Bora.

Muito entusiasmados.

O meu nome é Vasco Calhar, do movimento Eu Voto, e vamos já passar para o primeiro tema de hoje. Portugal está neste momento em estado de calamidade devido aos incêndios que estão a assolar o país. Em apenas três dias arderam mais de 100 mil hectares, dezenas de casas foram destruídas pelo fogo, há mais de 100 feridos a registar e lamentamos profundamente a morte de sete pessoas. Não posso deixar de enviar, em nome de todos nós, uma palavra de força a todos os afetados e de enorme agradecimento a todos os bombeiros e profissionais que lutam contra este inferno. Gonçalo, começamos por ti. Como é que isto ainda acontece? Podemos retirar consequências políticas destes incêndios? Achas que houve falta de prevenção?

Em primeiro lugar, olá Vasco, é bom estar de volta e aos meus companheiros de painel, é sempre bom. Quanto ao acontecimento dos incêndios, a situação é trágica, primeiro pelo acontecimento em si, mas pelo fato de acontecer recorrentemente todos os anos. Nós podemos efetivamente retirar ilações políticas? Podemos, embora o foco agora seja a resolução. O sucesso que o governo e as instituições tiverem é o sucesso de toda a gente, da esquerda à direita, mas há aqui algumas coisas que eu acho que são extremamente importantes de analisar. No caso do discurso do presidente da República, que eu acho que não foi de todo um bom discurso, quer pela postura, quer pelo que foi dito, quer pelo fato de já estar cá há quase 10 anos e acontecer praticamente a mesma coisa todos os anos, e agora em 2024, uma situação muito semelhante ao que aconteceu em Pedrógão Grande, talvez não com o mesmo nível de gravidade, mas não muito longe disso. Em contraste, acho que o Luís Montenegro esteve um pouco melhor, mas ao mesmo tempo, é preciso compreender aqui vários fatores. É que as coisas não mudam. Por mais que o discurso político mude e que se diga: "nós vamos fazer isto, nós vamos fazer X, nós vamos fazer Y", a verdade é que há várias coisas que necessitam de ser feitas e não são feitas. Em primeiro lugar, a equiparação daquilo que é o crime de incendiário àquilo que é um ato terrorista, porque reparar atentados terroristas neste momento a acontecer na Europa, em todas as partes do mundo, que causam menos mortes e feridos do que estes incêndios já causaram no território português inteiro.

Mas equiparação como? Em termos de penas?

No sentido penal.

Ou seja, na pena aplicável?

Sim, no sentido da pena aplicável. Eu sei que Portugal, por exemplo, não tem prisão perpétua, mas eu sou favorável a esse tipo de regime, na vertente revogável, e isso deveria ser claramente considerável para este tipo de crimes.

Já vamos aqui ouvir a nossa advogada sobre isso.

Já vamos ter outra perspectiva mais jurídica nesse aspeto.

Não podemos logo aplicar uma traição à pátria para aqueles que pegam fogo? Teria quase piada, não é?

Antes de ires aí, há até a questão da traição, se quiseres colocar à vida humana.

Sim, naturalmente.

E depois há a outra questão. E eu acho que o primeiro-ministro nesse aspeto até falou bem, que são as questões das coincidências. Quando ele diz: "nós vamos atrás daqueles que incendiaram", ou "estes aqui já estão detidos", mas ele diz a questão das coincidências a mais. E o que ele quer dizer com isso é aqueles que ganham consecutivamente, em termos econômicos e financeiros, com a destruição ambiental e florestal de Portugal. E isso é algo que a classe política tem muito medo de dizer e tem muito medo há vários anos. Portanto, eu acho que isso pode ser um ponto de rutura com aquilo que tem acontecido até agora.

Gostavas que o Luís Montenegro tivesse sido mais assertivo nessa...?

Não, eu fiquei surpreendido porque não estava à espera que ele fosse tão assertivo nesse aspeto.

Querias que ele fosse mais concreto.

Exatamente, porque há vários problemas que vêm até de um ponto de vista institucional. Eu relembro que, por exemplo, a União Europeia, há umas décadas atrás, incentivava que os agricultores não cultivassem e muitos dos agricultores acabavam por queimar aquilo que eram os seus terrenos agrícolas. E obviamente, isso é um perigo no sentido da propagação de futuros focos. Portanto, isto também vem de trás, das instituições, das questões empresariais. E eu acho que o Luís Montenegro, quando referiu as coincidências a mais e aqueles que ganham com isto, estava a referir-se a esses mesmos. Não é por acaso que as zonas de exploração de minério são muito parecidas às zonas que estão em incêndios neste momento. Eu não quero estar aqui a lançar uma teoria da constipação.

Acho que é estranho.

Mas juntando dois mais dois, normalmente dá quatro. Portanto, só aqui para terminar, há várias coisas que necessitam de ser feitas. A nivelação àquilo que é um ato terrorista por parte deste tipo de acontecimentos, o aumento da vigília das matas e, efetivamente, uma mudança total da perspectiva que nós temos perante a proteção florestal em Portugal, porque senão a situação não vai mudar.

Muito bem, obrigado, Gonçalo. Vamos aqui ouvir a opinião da Joana.

Bom, eu acho que vocês, de repente, um incendiário devia ficar preso para sempre, até o final dos seus dias, mas o senhor que põe o fogo. Começando aqui pelo discurso do primeiro-ministro, eu queria salientar aqui quatro frases, a propósito do Gonçalo ter dito que foi bastante assertivo. Eu, por acaso, discordo nesse aspecto. Acho que ficou aqui um bocadinho pelo que nós diríamos aqui no comentário político, mas que não é adequado para um primeiro-ministro. O nosso primeiro-ministro disse: "nós não podemos perdoar a quem não tem perdão", o que eu acho assim um bocadinho radical. Há coincidências a mais, o Estado vai atrás dos responsáveis, há interesses que sobrevoam estas ocorrências e vamos fazer de tudo para levar às mãos da Justiça, mas depois não concretizam coisa nenhuma. Concretizaste mais tu, Gonçalo, ao falar dos minérios, do que o nosso primeiro-ministro. Lança assim umas acusações genéricas, começa a imputar crimes de forma genérica, mas não concretiza em coisa nenhuma. Eu desconfio sempre um bocadinho quando temos um primeiro-ministro que nos vai falar da situação do país de uma forma tão genérica Isso que ele quer fazer, alguma coisa realmente que o faça, que não venha lançar coincidências para o ar. Toda a situação que se está a passar relativamente aos incêndios é uma questão recorrente em Portugal. Em 2017 tivemos duas grandes tragédias, uma no início do verão, outra no final do verão. Mas acho que levar a conversa apenas para o incendiário e depois dizer: "Vamos aumentar as penas, ser muito severos e ficamos por aqui." Ou nós assumimos que uma grande parte de Portugal é doida da cabeça, porque são pessoas que põem fogo porque têm algum problema mental, ou nós assumimos que esses incendiários estão a mando de alguém que tem um interesse superior. E nisso nós olhamos para o nosso ordenamento do território, nomeadamente aquilo que falaste da exploração de minérios, mas também a quantidade de eucaliptos que nós temos plantada nas zonas onde acontecem os incêndios. Não é à toa que no Alentejo não existem estas tragédias tão recorrentes. O tipo de árvores que nós temos no Alentejo é completamente diferente do tipo de árvores que temos no norte do país. Eu descobri um número que eu achei muito interessante, que é: desde 2017, 80% do tipo de árvore que serviu para a reflorestação das zonas queimadas em 2017, portanto Pedrógão, zona de Viseu, 80% são eucaliptos. Nós temos mais eucaliptos do que a Europa toda. Não faz sentido. Agora, se nós pensarmos no lucro econômico que o eucalipto dá, faz sentido. O eucalipto é uma árvore de um crescimento muito rápido, é uma árvore que nós conseguimos extrair dali recursos e conseguimos transformar aquelas árvores em lucro rapidamente, que não conseguiríamos, por exemplo, com oliveira, e uma oliveira é um excelente corta-fogo. Não há ordenamento do território e nós continuamos a agir como se estivesse tudo bem, lembrando-nos disto nesta altura, na altura em que acontece um incêndio. Nesta altura dizemos que queremos penas muito severas para os incendiários e, entretanto, quem continua a lucrar com isto continua a passar entre pinga-chuva e a única coisa que leva do nosso primeiro-ministro é: há coincidências a mais, há uns interesses que sobrevoam. Acho que nós estamos a olhar neste momento para a natureza como: como é que nós conseguimos tirar dinheiro dela? Daí a escolha de árvores que usamos para reflorestar e ordenar o território. Para além disso, temos o aquecimento global, que tendemos a esquecer sempre, que por esta altura vemo-nos dizer: "Espera aí, que se calhar temos um aquecimento global." O nosso Guterres diz não à ONU, que estamos em ebulição global neste mês. Já não é aquecimento, é ebulição global. E depois é o ordenamento do território por si só, ou seja, o fato de as matas não serem limpas, porque há pessoas que nem sabem que têm aqueles terrenos.

Parece que não aprendemos nada com Pedrógão.

Não aprendemos nada e continuamos só a falar disto nesta altura e a desviar o assunto para os incendiários. Eu não estou a dizer que nós temos Portugal de incendiários, eu acho é que o problema é muito mais profundo do que isso, porque há aqui uma questão que é: o ponto de ignição do incêndio é uma coisa importante. Se tivermos muita gente a lançar fogo, vamos ter incêndios, mas o problema é não conseguir parar o incêndio. Se nós temos muitos pontos de começar um incêndio, mas o incêndio não estiver pronto a proliferar, não tiver uma mata que está mesmo ali à espera de queimar. Se nós tivermos uma mata ordenada, por muito que existam pontos de ignição, nós vamos conseguir interromper o incêndio. Mais do que nos focarmos só em quem ateia o fogo, nós temos que pensar por que nós não conseguimos travar o fogo. Vou deixar as minhas paineiras.

Bernardo, tua vez.

Eu acho que só complementava aqui, sobretudo com um ponto que é, uma vez mais, e para não variar, Portugal tem que recorrer à ajuda externa, neste caso Itália, França, Espanha, que tiveram que nos ajudar. Porque nós, e uma vez mais, também teimamos em que este não só seja um tema recorrente, como depois também a valorização que é feita dos nossos corpos de bombeiros e de tudo aquilo que depois são carros de combate, helicópteros, aviões, etc. Para variar, continuamos sempre com orçamento altamente parco para aquilo que são as nossas necessidades. Portugal arde ano a ano, isto parece que é só género. Nós temos Santo António em Lisboa, São João no Porto e os incêndios no verão. É mais ou menos esta a tendência neste país. E depois os jogos da seleção, são os grandes temas. E os incêndios continuam a ser recorrentes, parece que é só já quase banal, mas também cá está, e acho que tanto o Gonçalo como a Joana aqui falam e bem, que o grau de inconsequência é total e é quase alvo de admiração. As coisas continuam sempre só a escalar. Portugal é hoje em dia um dos países da União Europeia onde mais arde, consequentemente, há mais anos, mais quilômetros, mais área ardida. Eu não sei que tipo de interesse é que aqui estão ou não instalados, eu não faço ideia, não os conheço com pormenor. Não quero entrar aqui em grandes teorias da constipação, como dizia o Gonçalo há pouco, mas acho que efetivamente é de se fazer aqui um trabalho mais de fundo, porque eu percebo se cada vez que nós fazemos uma reflorestação pós-incêndio, aquilo que são as árvores que nós plantamos, e uma vez mais teimamos em nem sequer ordenar o nosso território de um modo que faça sentido, e eu não sou nenhum entendido na matéria, mas tenho a certeza que haverá vários desses entendidos, efetivamente isso só vai continuar a acontecer. E se em cima disso tivermos interesses que o fazem de um modo declarado, sem qualquer supervisão do Estado, sem que haja aqui qualquer fiscalização, naturalmente que este vai continuar a ser um tema recorrente. Mas eu acredito que por 2050 já tenhamos feito algum esforço, consigamos ter mais três ou quatro carros de patrulha, os bombeiros efetivamente passem a ter uma carreira mais valorizada, mais reconhecida.

Deixem de ser bombeiros voluntários.

Deixem de ser bombeiros voluntários e também que o povo português pare de atacar bombeiros com forquilhas. Que aparentemente tivemos um ou dois bombeiros, coitados, fazem o melhor que podem com aquilo que têm, e ainda há quem da população portuguesa acha que faz sentido revoltar-se contra os bombeiros nestes momentos tão críticos. Acho que é isto. Infelizmente, é um tema dramático do nosso país, só dá pena. E eu estava no Porto há dias atrás, e é chocante, quando na altura tive que ir ao incêndios.pt ou fogos.pt, e ver que de Coimbra para cima eram só fogos, eram dezenas ou centenas de fogos, uns maiores, outros mais pequenos, uns em fase de início, outros em fase já mais avançada

Mas é chocante e não me digam que são beatas, não me digam que é a beata que aquele senhor da Sic Notícias manda ao lado do bombeiro, que não só é cômico isso acontecer.

Há vídeos agora, pelo menos vi um, de um homem literalmente a lançar, parecia gasolina.

Não, isso já não sei.

E entretanto nós temos mil psicólogos no SNS. Se assumirmos que este problema é todo porque há pessoas que são doidas, também temos que olhar para a prevenção da doença mental em Portugal. É que ficamos só pela pena. De repente vamos dar 25 anos ou prisão perpétua, aqui segundo o Gonçalo. Prisão perpétua a uma pessoa que ateia um fogo. Também, mas ninguém ateia um fogo mal da cabeça.

Eu também acho que há medidas muito interessantes que nós podíamos estudar, exemplo, da mesma forma que o governo português há uns anos criou um limite no sal que se põe no pão, se calhar também passávamos a pedir identificação na compra de isqueiros e fósforos, acendalhas, combustíveis.

Estávamos muitos passos à frente dos americanos, que ganham armas no supermercado.

Só aqui dar uma nota que é: nós todos aqui aparecemos hoje em estúdio para falar, mas alguém já viu a ministra da Administração Interna? Tenho a questão mesmo, genuinamente.

Ela estará a fazer uma mala para viajar, porque ela não tem o marido para lhe fazer a mala. Ela está a fazer a mala, ainda está a fazer.

Acho que tinha que aparecer e dizer qualquer coisa. Não sei se já falou ou não, eu pelo menos não vi nada. Estamos a gravar isto quinta-feira e até agora, nada. Eu acho que isso é inadmissível.

Chamo a vir aqui a Catarina.

Vasco, eu não tenho agora muito mais a acrescentar.

Achas que o governo também está a arder?

O governo não sei. Acho que estes momentos são sempre muito complicados e eu não gosto muito de os politizar no momento de maior crise. Acho que quando as coisas acalmarem, podemos fazer uma avaliação mais imparcial, tal como quando foi em Pedrógão, não me passou pela cabeça começar a fazer avaliações políticas. Naquele momento, estava tudo a ser tão dramático. E este ano parecia que tudo estava mais calmo, que agosto tinha corrido mais ou menos calmamente e depois vem setembro com este horror, que pelo que eu vi, nestes três dias, ardeu quase o dobro do que o ano inteiro.

O ano inteiro, sim.

Portanto, foi-

Foi quando algumas das empresas de interesses econômicos escondidos começaram a fazer contas ao último trimestre do ano e se aperceberam que precisavam de mais um.

É uma coincidência brutal que tenham acontecido todos nesta semana, porque sábado já chove. Estas coincidências.

Eu não sei. Eu recebi a mensagem e vocês também devem ter recebido, no domingo, uma mensagem a dizer que ia estar risco máximo de incêndio nas próximas 72 horas.

Da Proteção Civil, mas entretanto já tinham começado os incêndios no dia anterior e por isso havia risco de incêndios e até sobre as pessoas não conduzirem nas autoestradas para o norte. Desculpem interromper-te, mas novamente o corte de estradas continuou a não ser bem feito e supereficaz. Houve uma estrada que demorou 50 minutos a ser cortada.

Vocês viram aquele vídeo que parecia que estava mesmo a andar em frente às chamas.

Sim, e claro que isto deve envolver, lá está, não é a nossa área, como o Bernardo dizia, nenhum de nós é especialista aqui nesta matéria. Mas claramente, Portugal é especialista, infelizmente, em fogos, porque já teve que passar por vários. Se calhar nós deveríamos ter aqui umas estratégias mais bem delineadas. E aqui eu não tenho a imputar nenhuma área, não é à esquerda, nem à direita, nem ao PS, nem à AD. Não é isso.

Não, Portugal devia quase ser um centro de excelência ao combate dos fogos e ser um exemplo na União Europeia. Isso era o posicionamento que eu gostava de ver o país a assumir.

E nós demoramos 50 minutos a cortar uma estrada.

Termos drones para a instigação, não faço ideia.

No fogo da Madeira, eu por acaso estava na Madeira nessa altura, o presidente do governo regional foi para o Porto Santo. Veio, voltou. Com a Madeira a arder.

Queria também saber o que vocês acham desta cobertura intensiva dos canais de informação, quase 24 sobre 24 horas, sobre os fogos. Vocês acham que isso é positivo ou que pode trazer-

É um equilíbrio complicado.

É difícil, não é?

Desculpa, continua.

Só para dizer que para aquelas pessoas que de facto ateiam fogos porque são piromaníacos, verem o seu fogo na televisão é um trunfo.

Exatamente.

Mas ao mesmo tempo, as pessoas precisam de estar informadas, precisam de estar conscientes do que se está a passar, portanto é um equilíbrio muito complicado.

Claro que sim.

Eu percebo o que a Catarina diz, mas eu acho que é extremamente positivo, não só porque há exposição de um problema.

Mas tanto, a toda hora, parece que não há mais notícias.

Porque naquele momento é o foco. E as notícias são o acontecimento no minuto. E a periodicidade é muito importante. E eu acho que o fato de se estar a informar com realidade nua e crua, eu acho que isso é importante. E em determinados aspectos, eu sei que as pessoas poderão dizer: "Mas isso é aproveitamento." Em determinados momentos, houve jornalistas, creio que até da CMTV, que ajudaram a combater os incêndios. E portanto, eu acho que isso é bom. E é uma demonstração que, quer politicamente, socialmente, culturalmente, o país está unido.

É verdade, isso é bom.

E se a exposição do acontecimento permitir que o país esteja unido, eu não vejo porque não.

Vamos ouvir a Joana para terminar.

Eu acho que relativamente ao midiatismo dos incêndios, há uma coisa, volto a falar sobre isto, vocês sabem, sobre o noticiar um suicídio há um efeito que foi estudado no século passado, que é o efeito Werther, eu não sei bem dizer o nome do senhor porque ele nem sequer é português. Que é o suicídio por imitação, ou seja, tu noticias um suicídio e regista-se uma subida de caso de suicídio. Relativamente aos incêndios, até já têm tentado vir estudar isto, que é até que ponto é que quando noticias um incêndio, e aquilo que a Catarina dizia, que o demonstras com aquela maneira, é uma coisa quase heroica. Narrativamente é meio anti-herói, que é a quantidade de estrago que aquela ação daquela pessoa fez e para alguém que está desorganizado mentalmente, estar a ver isto aumenta, e pode haver aqui alguma questão de imitação. Eu acho que sim, temos que informar, como é óbvio, mas acho também que estas imagens são às vezes missádico. É sensacionalista. E nós podemos informar sem realmente mostrar certas imagens. Eu tive há um tempo um incêndio relativamente perto da zona onde moro e aquilo que passou na televisão era completamente diferente daquilo que eu estava a ver em pessoa, na realidade. Era pior na televisão, o que é um bocadinho estranho.

Sim, muito bem. E antes de avançarmos, e como já é habitual, vou pedir à Joana, ao Gonçalo, à Catarina e ao Bernardo para fazerem a sua primeira recomendação desta segunda temporada. Catarina, o que vais recomendar aos nossos ouvintes hoje?

Eu vou recomendar uma conferência que se relaciona com o tema que ocupou o noticiário inteiro antes de passarmos aos incêndios, que foi a fuga das prisões. Da prisão, neste caso, foi só uma. Falando sobre prisões, gostava de recomendar a conferência anual que se chama Prison Insights. É organizada pela Reshape, que é uma ONG dedicada à reinserção social dos presos, trabalha com presos que estão a cumprir pena efetiva, e todos os anos faz esta conferência internacional que traz pessoas de todo o mundo para discutir as prisões e o pós-prisão. Eu fui à conferência deste ano, ainda não há data para 2025, mas podem aproveitar para passar no site da Reshape e conhecer os testemunhos que foram dados na última conferência.

Muito bem.

E não queres complementar com a série "Prison Break" já agora também?

Essa é uma parte diferente da coisa.

Bernardo.

Da minha parte vou trazer aqui um livro, chama-se "The Politics Industry". É um livro escrito pela Katherine Gehl e o Michael Porter, e é sobre o que é o funcionamento da indústria política nos Estados Unidos. Dado que estamos agora com as eleições americanas, para quem quiser perceber um bocadinho melhor sobre por que o bipartidarismo, o que são alguns dos interesses instalados por trás, o que são os PACs, o que não são, é um livro muito útil nesse sentido. Traz também uma reflexão sobre como é que nós podemos ou não acabar com esse bipartidarismo, por que os independentes têm tão maior dificuldade em concorrer, e assim sucessivamente. Quem estiver interessado, "The Politics Industry", por Katherine Gehl e Michael Porter.

Muito bem, obrigado, Gonçalo.

Vasque, eu vou falar de outro programa. Para mim é o segundo melhor programa, a nível de audiovisual, que existe. O primeiro é o nosso, mas o segundo voltou também agora em setembro, que é o conteúdo do Batáguas, disponível no YouTube, que embora seja um programa de humor, tem muito conteúdo de humor político. E como regressou agora, creio que é a segunda temporada. Recomendo vivamente para quem ainda não viu.

Muito bem, mas primeiro ouça o nosso.

Primeiro ouça o nosso, até porque é mais curto do que o do Batáguas. Acho que se faz mais rápido.

Obrigado, Gonçalo. Joana.

Eu vou recomendar, como já é hábito meu, um espetáculo de teatro, que se chama "Guião para um País Possível", da Sara Barros Leitão, da companhia de teatro Cassandra.

Também já recomendaste da Sara.

Exatamente. Eu sempre que puder, recomendo os espetáculos da Sara. E vai estar em cena na Assembleia da República entre 26 e 28 de setembro, já na próxima semana.

Onde é que eles fazem esse espetáculo na Assembleia?

Na sala do Senado. Neste momento está esgotado.

Mas já não temos lá um teatro que funciona o ano todo?

Na verdade, este espetáculo é a partir precisamente dos registros dos debates e das votações na Assembleia da República. A Sara e a sua equipa pegaram nestes 50 anos de registros, inclusivamente da Assembleia Constituinte há 50 anos atrás. Não, 48.

Conheço uma rapariga que fez um teatro parecido.

É um tema que está na moda agora. E eles vão fazer aqui em três dias, está esgotado, 26, 27 e 28, às 21:00. Mas eu aconselho o quê? As pessoas aparecerem, porque os bilhetes são feitos por reserva, não há aqui menção nenhuma de um custo nenhum, a entrada é livre. Quem quiser muito ver esse espetáculo, vá para a porta, porque mesmo esgotado, pode ser que alguém falte e consiga.

Isto é a prova de que a nossa democracia dá provas de maturidade quando até já fazemos piadas sobre a nossa democracia.

É porque temos lá só 50, se tivéssemos lá 150.

Exatamente, já temos história para brincar com ela.

Se tivéssemos mais de 50, se calhar não tínhamos lá este espetáculo.

Muito bem, meus caros, como estivemos várias semanas fora da antena, os meus comentadores decidiram trazer cada um um tema para a segunda parte do nosso programa. Quem quer começar?

Eu posso começar.

Vamos a isso.

Vamos falar sobre Donald Trump e as eleições americanas.

Que estão aí quase.

50 dias faltam.

Faltam 50 dias.

5 de novembro.

5 de novembro. Aquilo é sempre na primeira terça-feira.

É dia 5.

É dia 5 de novembro.

Primeira terça-feira de novembro, é sempre assim uma coisa assim.

5 de novembro, exatamente.

Mas fiquei algo perplexo por esta segunda tentativa de assassinato ao ex-presidente americano. E fiquei perplexo por quê? Porque, em primeiro lugar, eu vi aquilo e pensei: "Pode ser fake news, porque haver duas tentativas de assassinato em menos de dois meses deixa-me, no mínimo, abesbilho." Depois comecei a ver meios de comunicação internacionais, porque em Portugal há aqui uma coisa interessante que é: nos Estados Unidos, todos os meios de comunicação, até os de esquerda, a CNN, a MSNBC, seja o que for, estavam a noticiar o acontecimento ao minuto e a reportarem que o FBI já estava a investigar uma possível tentativa de assassinato, a informar aí ao minuto. Ora, e eu acho um pouco estranho que não tenha acontecido isso em Portugal. Tivemos alguns segmentos noticiosos muito de leve em alguns órgãos de comunicação social, mas a cobertura ao acontecimento foi, a meu ver, completamente vergonhosa. Porque se temos um candidato presidencial, seja ele quem for, numa mera tentativa, ou que sequer se sugere que foi uma mera tentativa, possivelmente.

É notícia, claro.

É notícia, obviamente. Depois, se calhar, esse tipo de comportamentos, às vezes, dá azo a que haja talvez um radicalismo ou uma revolta por parte de eleitores à direita que pensem que efetivamente estão todos contra eles e isto é efetivamente uma divisão que o só quer prejudicar. Às vezes há um facciosismo do ponto de vista de comunicação que eu acho que não deveria acontecer. E outro aspecto que é, efetivamente, isso aconteceu e foi positivo ver a maior parte da elite política americana dizer e a condenar. A Kamala Harris fez um tweet logo a seguir, embora eu não nutra simpatia praticamente nenhuma por ela, mas logo a dizer que condenava, etc. Mas isto está a chegar a um registro um pouco complicado, e não só para o Trump, porque repara, nós estamos a olhar agora do prisma do Trump, que é extremamente preocupante, mas se por acaso isto causa revolta social, a própria Kamala fica em determinado aspecto em risco, ou qualquer outro candidato presidencial.

Sim, não é bom para ela também.

Fica uma normalização disto. E a prática e a prova de que isto é uma normalização de comportamento, é que esta segunda tentativa Teve muito menos mediatismo e as pessoas quiseram muito menos saber do que a primeira.

A primeira também foi indireto. Realmente aconteceu.

Para além de que isso é normal, acontece sempre. A segunda coisa nunca vai ser tão forte.

Mas observemos também que a cultura americana tem um fetiche pelo assassinato do presidente dos Estados Unidos. Já vários foram mortos, vários atentados. Aquilo dá um fetiche cultural.

Eu não concordo. Eu percebo o que é que querem dizer, porque é mais popularizado, mas o assassinato de líderes políticos, eu não vou dizer extremamente comum, mas é recorrente. Aconteceu no Japão.

Eu não estou a ser combativo relativamente à recorrência ou não do tema. Eu acho que nunca nenhuma indústria... Mas eu acho que é impossível todos os anos Hollywood é capaz de fazer mais um filme em que há um atentado ao presidente. É um fetiche daquela cultura americana, aquele filme de ação típico, a quantidade de presidentes, a quantidade de atentados, há ali qualquer coisa.

Para além de que estão a acontecer os incêndios em Portugal, portanto, se fosse noutra altura, aliás, como foi a primeira tentativa, de facto, ocupou muito o mediatismo. É só uma altura diferente.

A métrica de procura na rede social, e eu trabalho diretamente com isso, não era de perto, nem de longe, tão mediática como o topic Trump.

Vamos avançar.

Deixa-me só concluir. Se tu colocasses um vídeo ou um post sobre o topic Trump no dia em que aquilo aconteceu, não sei precisar em que dia que foi, ias ter muito mais interações mediáticas do que se colocasses o topic incêndio, que estava em crescente mediaticamente em termos de interações, mas ainda não tinha atingido o zênite ou o expoente máximo. É isso que eu estou a dizer. E acho que era bom por parte.

E aqui fica uma candidatura do Gonçalo Sousa, gestor de redes sociais, analytics e growth no Observador.

Ministro da propaganda.

Exato, ministro da propaganda.

Vou salvar aqui o avanço. Vou continuar na área do crime, mas vou cruzar o oceano. Neste caso, não a tentativa de um crime, mas mesmo a prática de crime. Vou trazer aqui o caso Pelicot, que não é assim que se diz de certeza absoluta, mas eu como sei falar pessimamente francês. É aquele caso de uma senhora que se chama Gisèle Pelicot, que tendem a tratá-la como vítima apenas, mas ela tem nome e chama-se Gisèle, que foi violada durante 10, 11 anos pelo marido e por mais de 100 homens que o marido levava para casa depois de a drogar para que a pudessem violar e guardava os registos e por causa desses registos agora está em julgamento por todos esses crimes. Este tema tem aqui muito por onde nós possamos falar. O Dominique, o marido desta senhora, o violador, e usando palavras do próprio, porque ele foi ouvido em julgamento esta semana. Era para ter sido ouvido a semana passada, mas estava com problemas de intestinos e uma possível infecção urinária e por isso o juiz disse que iria adiar o julgamento até que o arguido se sentisse bem. É nestes parâmetros que estamos face a este crime que é tão chocante de ouvir. Mas ele já foi ouvido esta semana e ouvido esta semana confessou o crime e pediu desculpa. Eu não tinha outra hipótese quando o mundo inteiro está a ver este julgamento, e está a ver este julgamento por um ato de enorme coragem e força da Gisèle. Porque a Gisèle podia ter mantido a sua... Esta senhora tem 70 anos, creio eu, agora não quero estar aqui a enganar-me. Sim, mas é à volta disso. 60, 70. Não precisava deste circo todo na vida dela quando passou o que passou. Exatamente. E esta senhora diz mesmo que: "Não, eu vou dar a cara e quero que realmente este julgamento seja mediático, que é para haver uma consciencialização deste tipo de crimes." No fundo, está aqui a levantar uma bandeira. E isto sim, é uma bandeira do feminismo e isto sim, é uma luta feminista a acontecer. Ela tem sido aplaudida no tribunal e à porta do tribunal. Eu tenho andado a acompanhar muito de perto este caso, porque para mim impacta-me muito a força que esta mulher tem. Depois ainda sobre crimes, o esfaqueamento na Azambuja, na escola da Azambuja. Eu não vou falar aqui muito sobre isso, queria só dizer que alguma coisa não estava certa na cabeça desta criança de 12 anos. Volto a repetir o número que já disse aqui montes de vezes e vou voltar a dizer: o suicídio é a segunda maior causa de morte nos jovens na Europa e em Portugal. Enquanto nós continuarmos consecutivamente a ignorar isto, nós vamos continuar a ter situações destas, como tivemos na Azambuja, ou para outros ou para os próprios. É com este nível de respeito que esta criança tem que ser tratada. Ela não está bem. E depois, sobre a detenção na Ponte 25 de Abril, eu queria dizer só que espero que a Polícia Judiciária, que fez a detenção e esteve no risco da detenção e na perseguição, possa fazer aqui alguma divisão do subsídio de risco com os PSPs, com a Polícia de Segurança Pública, que auxiliou a detenção. Temos aqui uma situação de risco e uma das forças policiais envolvidas tem um subsídio de risco enorme e a outra não tem.

Muito bem, Joana, conseguiste enfiar três temas em três, quatro minutos.

Exatamente.

Espetacular. Catarina?

Olha, pegando aqui na parte da Azambuja, quando disseste que alguma coisa não estava bem na cabeça desta criança. Por acaso, uma das coisas que eu mais gostei de ler na notícia, obviamente a seguir a saber que ninguém tinha morrido, foi que as próprias crianças, para além de sentirem que precisavam de apoio psicológico, as próprias crianças disseram que o colega precisava de ajuda psicológica, porque claramente não estava bem quando fez aquilo. E portanto, em vez de reagirem com raiva, com ódio, que seria legítimo e aceitável, porque as crianças passaram pelo que passaram, tiveram uma reação muito empática e muito consciente sobre precisamente este tema.

E adulta até também para a idade.

Adulta, é muito maturo para a idade deles terem essa reação. Pelo menos foi aquilo que foi noticiado. Mas depois claro que é muito preocupante, de facto, o que se estava a passar com esta criança. Isto é das piores importações dos Estados Unidos que nós podemos fazer.

Eu quando vi a notícia achava que tinha sido nos Estados Unidos. Notícia típica.

Notícia típica, infelizmente.

Ainda não há nenhuma prova de que isto esteja relacionado de alguma forma com os telefones, com as tecnologias, mas a verdade é que se formos a casos parecidos, a maior parte das vezes está. E eu não digo que ele estivesse a sofrer de bullying, até porque isso foi desmentido, mas as crianças terem um telefone e estarem sem qualquer vigilância, expostas àquilo que está no telefone, é um perigo enorme, porque se fizéssemos o paralelo com a vida real, nunca os pais de uma criança a expunham às coisas que expõem no telefone. E portanto, eu agora gostava também de recordar o relatório da Ordem dos Psicólogos, que se chama "Vamos falar sobre ecrãs e tecnologias digitais", que foi publicado em julho deste ano, e em que eles recomendavam precisamente que, por exemplo, as crianças e os jovens não tivessem computadores fechados no quarto, que o computador fosse um sítio na sala para ser usado em convívio, também para prevenir este tipo de coisas. Sobre o Dominique, gostava só de dizer uma coisa muito rápida, que é: eu normalmente seria contra a mediatização de casos judiciais. Eu sou contra isso. Nos Estados Unidos passa na televisão, eu sou completamente contra isso, porque isso afeta totalmente a imparcialidade do juiz e da sua decisão.

Perceção pública.

Exatamente. Agora, neste caso em concreto, considerando a prova que já existia e a própria confissão do homem, do Dominique, que disse: "Sou um violador". Neste caso, enquanto mulher, agradeço à Gisèle que tenha tido este ato de coragem, porque foi muito difícil.

Bernardo, para terminar, que tema é que nos trouxeste?

Eu começo por dizer que França tem um problema com Dominiques. Que há uns anos foi o Dominique Strauss-Kahn, que tinha uma rede de prostituição com a qual alimentava um corpo político brutal e agora temos o Dominique Pélicot.

É que ele sabe dizer Pélicot. Tens que me ensinar.

Revoltante, com uma história nojenta. Aquilo que eu aqui queria trazer era basicamente primeiro falar sobre Israel. Temos uma explosão de 2700 pagers no Líbano, que matou cerca de 30 pessoas, no Líbano e na Síria. Houve vários feridos, como eu estava a dizer, e vários deles membros do Hezbollah. Por que pagers? E as pessoas questionam: quem é que hoje em dia ainda usa pagers? E a questão é que os membros do Hezbollah, para deixarem de ser perseguidos ou seguidos através das novas tecnologias, nomeadamente telemóveis, começaram então a usar pagers e walkie-talkies para comunicar entre si. E então, supostamente, Israel terá sabido disto, ainda é tudo muito por verificar e confirmar, mas então terá feito aqui este ataque, que eu acho que é um ataque naquilo que a guerra diz respeito, mas acho que é uma jogada particularmente inteligente da parte deles, que foi tentarem de algum modo fazer este ataque mais direto a membros do Hezbollah, através da localização dos seus pagers e walkie-talkies, fazendo-os depois explodir. Isto também demonstra a proporção que isto está a tomar, que por um lado é diabólica. Israel, entretanto, já foi novamente atacado, há meia dúzia de horas estava a ser noticiado isso. Também sei que Israel avançou já um plano para o fim da guerra, com libertação imediata de prisioneiros, com o modelo de governação da Faixa de Gaza. Eu estou para ver como é que este desfecho se vai dar. Ainda falando de guerras, só para rapidamente passar aqui pelo Zelensky. Zelensky também está a querer trazer um plano para o fim da guerra, mas que passa pela retirada das tropas russas de terreno ucraniano. Quer agora vir a falar com Biden, depois Kamala Harris, Trump também já veio dizer que está disponível para o ouvir. Só deixar uma última nota relativamente às eleições nos Estados Unidos. Eu estou aqui muito expectante sobre o que isto vai ser.

E então, Catarina?

Se a derrota da segunda candidata mulher. Já vimos Hillary Clinton a perder para Trump aqui há seis anos, cinco anos, oito anos. Já na altura podia ter sido eleita a primeira mulher presidente dos Estados Unidos, não foi.

Quase.

Exatamente. E Kamala Harris, que está neste momento a defrontar Trump. Primeiro, antes de mais, eu achava que ela era uma candidata com muito pouca visibilidade. De repente, ela fez-se aqui uma grande candidata, que não só está a ser ameaçadora, como em várias sondagens já está inclusive à frente de Trump. No entanto, de ressalvar aquilo que são as diferenças nestas sondagens, estamos a falar de um, dois, três pontos percentuais.

Está taco a taco.

Exatamente, está taco a taco. Isto vão ser umas eleições muito renhidas e espero que o Trump não comece a comer animais de estimação, porque efetivamente vão ficar dramáticas se assim for. Mas estou também muito expectante. Temos agora 50 dias para esta corrida final.

E vamos comentar tudo aqui.

Exatamente. E portanto, é isto. Acho que da minha parte seria isso.

Continuem conosco, porque vamos continuar a falar sobre o Trump e sobre a Kamala. Hoje não falei, mas para a semana vou trazer aqui imenso, garanto.

Vamos ter aqui os próximos dois meses sempre em cima do acontecimento internacional e nacional. O nosso tempo chegou ao fim. Obrigado Joana Marques Braz, Gonçalo Sousa, Catarina Douré e Bernardo Faro. Temos encontro marcado sextas-feiras às 21h e estamos sempre disponíveis em podcast, onde podes seguir o nosso programa e partilhá-lo com os teus amigos e família. O "Geração V" é uma parceria entre o OuVoto e a Rádio Observador. Eu sou o Vasco Galhardo, muito obrigado por estares desse lado. Tudo a correr bem e até para a semana.