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Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador, porque já são homens de uma certa idade.
Olá a todos, sejam muito bem-vindos. Bom dia, boa tarde ou boa noite, conforme a hora do dia em que nos está a ouvir. Mais um episódio de "Homens de Uma Certa Idade". Hoje, homens muito bem vestidos de uma certa idade. Vocês estão bem.
Não.
Não, tu é que estás. Borges, tu é que estás.
Incrível. Não, Borges, tu é que estás. E cada um com o seu estilo.
Sim.
Cada um com o seu estilo. Eu sou meio daltônico nas cores que não são óbvias. Isso é verde?
É verde.
É verde. É um verde turquesa?
Verde turquesa. É um verde turquesa.
É verde daltônico. Isto é o chamado verde Bacchus.
Verde Bacchus.
Verde Bacchus. Porque temos patrocinador.
Temos patrocinador!
É!
Eu tenho azul Bacchus.
Olha, digo-te uma coisa: demorou o patrocinador, mas quando veio, veio com uma elegância. Nós estamos os três parecemos uns homenzinhos.
Uma elegância. Já vamos falar do nosso patrocinador daqui a nada. Muito felizes por estarmos com a Bacchus durante dois meses, o mês de dezembro e o mês de março, o que significa que em janeiro e fevereiro somos obrigados a trabalhar. O tema de hoje é qual a mais antiga paixão das vossas vidas.
Ok.
A emissão é conduzida por mim, Luiz Felipe Borges, 48 anos, candidato a morto.
Candidato a morto?
Sou candidato a morto.
Boa.
E acho que sou um forte candidato.
E Marco Horácio, 51 anos, e faço parte de um coro alentejano de beatbox. Obrigado.
A imagem é ótima. Obrigado por isso.
António Raminhos, 45 anos. Curiosamente, a minha profissão está relacionada com a do Borges. Faço testes de caixões.
Ok.
Testes dos caixões para os mortos.
Para ver se eles gostam ou não gostam. Se é confortável, se não é confortável.
Exatamente.
Porque há muito morto a queixar-se. Assim, tem que haver morto a queixar-se.
Se tu soubesses a quantidade, os livros de reclamações das pessoas, é incrível.
Incrível.
E há mesmo mortos que batem no caixão e dizem: "O que é isto? Eu pedi mogno".
E trocam. E trocam nas campas, saem e vão para as outras.
Vá lá, ao menos essa entreajuda existe.
Sim, mas isso também já são aqueles mortos safadões.
Vão para outras coisas.
Sim, para outras coisas. Muito bem.
Sabem qual é a última coisa que acontece ao corpo de um enforcado?
Fica com uma ereção.
Uma grande ereção.
Ainda há esperança pra ti. Pelo menos vais ter mais uma se a gente te enforcar.
Estava tão contente com isto, Felipe, mas acaba assim, acaba bem. Acaba com uma humilhação.
Olha, mais uma vez, só vos dizer que eu estou a sentir este tecido. Isto é 100% premium.
100% premium, 100% português. Honra à produção nacional e à arte do mestre camiseiro. Mandaram-nos uma carta supersimpática, a malta do norte é assim: "Bacchus".
"Bacchus, vocês os dois parecem verdadeiros nacos".
Mais claro.
Está o slogan feito.
Está o slogan feito e vamos avançar, então.
Sim.
A pergunta é: esta é a paixão mais recente das nossas vidas. Qual a paixão mais antiga?
Mas paixão de quê? Qualquer coisa?
Podia ser qualquer coisa, exato.
Qualquer coisa. Raminhos, tu tiveste muitas paixões.
Eu tive muitas paixões.
Não necessariamente amor.
Olha, já temos admiradoras e tudo no nosso aquário.
Já temos.
Afinal temos homens aqui, não temos crianças que vêm com camisetas rotas.
Já temos duas senhoras a olhar pro vidro, a mirar-nos a dizer: "Bem, que bem vestidos pela primeira vez a fazer este podcast. Bem vestidos, com dignidade". Raminhos, a tua primeira paixão. Qualquer coisa.
A minha: nacos. Roupa boa e sem buracos.
É isso.
A minha primeira paixão, não sei. Tenho que pensar um bocadinho. Eu pensei, mas é me difícil definir. Comecem lá vocês, que pode ser que eu me lembre de algo relacionado com a vossa.
Olha, a minha primeira paixão, de paixão mesmo, foi uma professora de inglês que eu tive no preparatório.
Engraçado, será que tivemos a mesma professora?
Nossa, era linda de morrer.
A malta chamava-a quando tinha alguma dúvida, porque ela vinha sempre com um cotezinho, então ela baixava-se na carteira.
Não, ela vinha com cotes.
Isso parece aqueles filmes italianos dos anos 90.
Com saia curta. Nós não estávamos à porta da aula à espera dela, estávamos cá embaixo nas escadas, à espera dela pra ela subir: "Olá, meninos". E nós íamos todos atrás dela, todos fascinados. Parecia uma estrela de cinema. Não me lembro do nome, mas lembro que foi aquela minha primeira: "Uau"!
E ela ainda deve ser buéda sexagenária.
Eu acho. Espero que ela tenha envelhecido bem, porque fez a delícia de muitos. E nós aprendíamos inglês, estávamos todos atentos.
Claro.
Como é óbvio, aprendemos todos da melhor forma.
A primeira palavra que aprenderam: horny.
Não sei qual foi a primeira palavra.
A primeira música, sei qual é que foi, foi aquela: "You sexy motherfucker".
E a tua?
A minha foi o Benfica, como é óbvio. Eu tornei muito claro no grupo que isto não tinha a ver necessariamente com sexo.
Só pra falar de Benfica.
Sim, é a paixão mais antiga da minha vida, está lamentavelmente moribunda, mas sim, eu lembro-me perfeitamente que detestava futebol. Meu pai via os jogos na televisão a preto e branco, e eu não sei qual era o asco pra mim, mas talvez tivesse a ver com: "Enquanto meu pai está a ver isto, não brinca comigo". Talvez fosse isso, mas eu não gostava mesmo nada. Até que na primeira classe, há um dia que chega uma conversa que eu não sabia, mas era inevitável: qual é o teu clube? E apesar de estares na primeira classe, já tens aquela característica da natureza humana que é não te queres sentir ostracizado, não queres fazer figura de urso Então o que eu fiz foi tentar ficar o mais subtilmente e delicadamente possível para o fim e ouvir os outros, que eu não sabia nada. Não sabia clubes, cores, não sabia nada. E eu só ouvia Benfica, Porto, Sporting. E lembro-me perfeitamente do meu cérebro infantil fazer o seguinte raciocínio: Sporting era esquisito, parecia estrangeiro. Confirma-se. Porto era estranho. Porto, mas como? Porto, pesca? Não faltam portos nas ilhas? Porto, mas como assim uma equipa chamada Porto? E Benfica, o meu cérebro fez: bem fica, bem, fica, fica bem. Pronto, chegou a minha vez. "Qual é o teu clube?" "Benfica", em pânico de follow-up questions.
Foste levado em ombros.
Exato. "E qual é o teu jogador favorito?"
"Qual é o teu jogador favorito?" Não vieram.
"E tu? É aquele?"
Não vieram, felizmente. Nesse dia cheguei a casa e perguntei ao meu pai: "Pai, o que é o Benfica?" E o meu pai num raro momento de entusiasmo, contou-me de uma penada: Estádio da Luz, o maior estádio da Europa, o Eusébio, duas Taças dos Campeões Europeus, a Taça Latina, o clube com mais finais europeias. E eu apaixonei-me completamente, de forma assoberbada, até. Fui um índio durante muitos anos e costumo dizer que o Benfica me rejuvenesce, porque eu tenho 48, mas comecei a gostar do Benfica com sete anos. Na verdade, tenho 41. Essa é a minha paixão mais grande.
Sabes que o Cosme- Aliás, essa paixão é tão grande que tu até agora tens um projeto com o Luís Freitas Lobo.
Tenho, mas não tem nada a ver.
Pois, eu sei tudo!
Não tem nada a ver com o Benfica.
Eu estou a dizer isso porque me apetece dizer. Isso eu digo é porque é verdade.
Não, é um conceito da Brain, chama-se Futebol Arte. Futebol Arte é o belíssimo programa que o Luís Freitas Lobo faz, que é produzido pela Brain, um programa para a Sport TV. E agora o Miguel Belo, o nosso agente, desafiou-nos a tentar levar isto para a estrada. E como concluiu que de todos os seus agenciados, o mais índio da bola ainda sou eu, achou que eu faria um bom par.
Não, e vais levar o Benfica contigo.
Duvido, porque está mesmo muito moribundo. Uma das coisas mais tristes da minha vida hoje em dia é pensar que nem o Benfica, esse amor antigo está lá para me entusiasmar.
Mas olha, essa camisa entusiasma qualquer pessoa, desculpa lá dizer.
Sim, eu pedi à Baccus XL e eles mandaram L, que é uma forma muito fixe de dizer: "Nós acreditamos em ti, Borges".
Pois, nós acreditamos em ti. Tu vais para o ginásio.
Fica bem. Parece que tens o peito inchado.
Eu tenho sempre, por acaso. Eu outro dia tive que me medir para um filme, tive que tirar as minhas próprias medidas para os figurinos, para uma personagem do século XIX.
Ias fazer uma dama antiga.
E fiquei muito contente com uma coisa. Apesar de tudo, tenho mais peito que barriga. Portanto, deve ser o que se chama um gordo forte. Forte tu.
Eu já sei qual foi uma das tuas paixões, ó Rami. Basquetebol.
Não.
Não? E Rei? A minha foi.
Diarreia?
Não, E Rei.
Diarreia, era a paixão de Diarreia.
Sim, eu gostava imenso. Dava-me um prazer imenso quando fazia um clister. Eu pedia à minha mãe: "Queres um eclair?" "Eu não, quero um clister". Ao pequeno-almoço. Não, referir, Benfica, sim. Há uma frase muito bonita de Cosme Damião que diz: "Eu não sou do Benfica de coração, porque esse um dia para. Eu sou Benfica de alma".
Porque esse é eterno.
Olha, e quando é que temos um voice desse senhor aqui neste programa? Se vocês vissem a cara de nojo que me fizeram agora. Estes dois benfiquistas. A cara de nojo, a nossa amizade, vale menos do que eu te fazer uma piada com o Cosme Damião.
Claro. E outra foi o Benfica em 1900 e, corrige-me, Borges, se souberes, perde uma Taça de Portugal com o Belenenses. Ao 94?
Perdemos de 2-1.
93, 94. Menos.
Eu acho que é menos. Acho que é 90, 91.
Por aí. Pronto, eu andava na preparatória.
Um grande golo de livre direto, se bem me lembro.
Eu lembro de ver o jogo e sair de casa desalmado a chorar, porque o Benfica tinha perdido e estou na rua a brincar com um amigo meu e digo-lhe assim: "Eu já não vou ser do Benfica nunca mais, não quero ser do Benfica".
E de repente vês numa árvore o Cosme Damião a descer.
Não, ele olha para mim e disse-me: "Se tu nasceste do Benfica, serás sempre do Benfica".
Porra, que raio de amigos que vocês tinham.
Belmindo, sim.
E isto nunca mais-
Em vez de dizer: "Caga nisso e anda brincar". Não
Não sou daqueles amigos que diz: "Este clube, não liga bola, Sporting campeão". "Sporting campeão, olé, olé!". Não.
Eu sou do Sporting e quando o Sporting é campeão, a reação que eu tenho é a mesma reação que eu estou a ter agora.
Então não és do Sporting. Não és nada. Não és nada. Não és nada, Marco Horácio. Tu não és nada, pá. Tu és do rancho folclórico da Vieira. Já disse bem.
Cheicheiras da Vieira.
Não é Marinha Grande, que são os rivais.
Não é um clube de futebol que me vai fazer sair à rua, pipo-a-marques, andar a apanhar-
Temos pena.
Pronto, mas eu sou assim. Eu acho que há coisas mais importantes que o futebol.
Claro que há. Como é que é aquela frase do Camus? Albert Camus: "O futebol é a mais importante das coisas sem importância nenhuma".
Sim.
É uma grande frase.
Olha, e outra coisa, o Camus, eu gosto mais do Camus chocolate.
Ah, não.
Camus chocolate.
E Bacchus.
Bacchus.
Albert Bacchus.
Olha, até estou de verde.
Não era grande escritor, mas vestia como ninguém. Albert Bacchus.
Outra paixão que terá sido a minha primeira grande paixão-
Foi a Catarina
...foi as artes marciais.
Ah, pois é. Quando é que começas a fazer isso?
Se calhar um bocadinho pelo meu irmão. O meu irmão também gostava muito e gosta de artes marciais e eu gostava muito e grande fã do Bruce Lee.
Isso era.
Tu não eras fã do Bruce Lee.
Meu Deus, eu não sou fã de nada.
Tu? Vieira de Leiria fã de Bruce Lee?
Agá! Agá! Oh!
Isso era uma galinha, meu. Agá?
Agá! Oh!
Agá! Oh!
Por que as pessoas de Vieira de Leiria não podem ser fãs do Bruce Lee?
Porque ele não tinha televisão.
É visto isto.
As pessoas de Vieira de Leiria tinham, ele é que não.
Digo-te uma coisa, muitos daqueles movimentos do Bruce Lee foram retirados do rancho folclórico de Pecheiras da Vieira, aquelas rotações que ele faz.
Diz-me qual é o primeiro áudio que está?
Vítor Rui Dores.
Vítor Rui Dores. Vamos ouvir Vítor Rui Dores, professor, investigador, ator, cronista, escritor, um açoriano absolutamente brilhante, a responder a esta pergunta: qual a paixão mais antiga da sua vida?
Olha, eu já tive mais paixão por fazer isto do que tenho agora. A minha paixão mais antiga prende-se com a leitura da banda desenhada ou histórias aos quadradinhos, como então se dizia, que fascinou os meus verdes anos. O meu herói preferido era o Texas Jack, a lendária figura do velho Oeste americano, o pistoleiro que montando o seu cavalo por entre nuvens de poeira, sacava da sua Winchester e dava cabo dos fora da lei. Os livros do Texas Jack contrastavam em absoluto com os manuais da escola primária, chatos e muito pouco atraentes do ponto de vista gráfico. O Texas Jack transportava-me para uma América que eu então desconhecia, a América de cowboys imaculados, elegantes e sorridentes, que laçavam reses e partiam à desfilada. De caravanas, diligências e comboios a serem assaltados por bandidos e outros malfeitores, de saloons onde havia grandes confusões, murros, pancadaria, tiroteios, sangue. Texas Jack, o rosto pálido, era o bom. O índio, pele vermelha, o vilão. Não sabíamos então que os índios haviam sido dizimados pelos americanos e desconhecíamos muitos outros contextos históricos dos Sioux, Cheyennes ou Apaches. De resto, a palavra genocídio não fazia ainda parte do nosso léxico. Solidário e corajoso, o meu Texas Jack tinha aquele belo rosto graficamente desenhado e, para mim, nada substituía a narrativa visual das suas ações. Eu entregava-me a uma leitura lúdica e a uma experiência única, sentimentos muito diferentes dos que resultavam da visualização dos westerns a que chamávamos cowboyadas. Por isso, no meu imaginário, Texas Jack continua em banda desenhada e através de vinhetas, balões, tiras e legendas, a sacar da sua Winchester, a dar cabo dos fora da lei e a montar o seu cavalo por entre nuvens de poeira.
Grande Vítor Rui Dores.
O que este homem faz?
Eu disse professor, investigador, ator, escritor, cronista, um grande graciosense que foi adotado pela Ilha do Faial já há várias décadas e que volta e meia fica viral.
Exatamente.
No TikTok.
Pelo seu dom.
Ele tem um dom, ele faz as pronúncias açorianas todas de uma forma absolutamente brilhante e volta e meia esse vídeo rebenta aí.
Eu não tinha acabado.
Não, já não quero ouvir. Eu li livros quadrinhos. Tio Patinhas.
Eu também, Tio Patinhas. Ainda hoje.
Eu lia, mas não foi a minha primeira paixão. Lia muito.
O Bruce Lee jogou no Benfica ou não?
Eu tenho centenas de livros Disney. A minha mãe ainda hoje pelo Natal oferece a mim e ao meu irmão um livro da Disney.
A sério? Que giro isso. É uma tradição.
Como é que se chamava?
Bruce Lee. Estavas a falar do Bruce Lee.
Os livros do Tio Patinhas.
Estou-te a confundir. Estou a baralhar-te.
Como é que se chamava? Não era enciclopédia.
Almanaque.
Os almanaques Disney.
O manual do escoteiro mirim.
Também tinha lá. Mas os almanaques Disney tinham várias histórias. Isso eu lia sempre antes de dormir, pegava no meu livro de banda desenhada e lia. Mas o Tio Patinhas não era o meu favorito, por acaso.
Eu adorava, eu acho que era o meu favorito.
Eu adorava o Tio Patinhas.
Adorava o Tio Patinhas.
Também. Ele a mergulhar naquelas piscinas.
Isso era già nos bonecos animados.
Eu adorava a ferretiça dele, como ele era tão ferreto, ele não comprava jornais. E há uma história onde ele vai apanhar ar puro, está num jardim e apanha um jornal do chão. "Jornal grátis, que bom!" E depois, quadradinho seguinte, ele está com o jornal aberto e diz: "O Eusébio deixou de jogar, como o tempo passa".
Mas não era o Tio Patinhas.
Mickey?
O Mickey também.
O Mickey irritava.
Eu também não gostava do Mickey.
O Mickey era demasiado esperto.
E quando eu via aqueles almanaques muito gordos, que sempre há aí uma vez por mês.
Hiper Disney.
Hiper Disney, era isso. Hiper Disney.
Epá, maravilhoso.
Vamos fazer uma pausinha nesta coisa que a gente faz, que eu agora não sei o que é, e já voltamos para a segunda parte.
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade.
Cá estamos nós na segunda parte desta coisa que a gente faz e que eu não sei muito bem o que é. A pergunta hoje é: qual a paixão mais antiga das vossas vidas? Estávamos a falar de BD.
Falar de BD e também tínhamos falado de Bacus, mais uma vez, por que não? Estamos vestidos com belíssimas camisas da Bacus.
Estamos, sim, senhor. E vêm aí as festas de empresas.
E não é só as festas de empresa, vem o Natal.
Vem o Natal. Vêm as festas de empresas.
E eu digo-te já, a camisa, e vou ser muito sincero. Tem uma cena que eu gosto nas camisas, que é o corte É o corte fit que se ajusta, não é aquela camisa direita.
Parece um saco.
Parece um saco. Não, é uma camisa com um corte definido que assenta bem.
E por acaso, essa camisa, que é muito bonita e muito florida, dá-te um ar até distinto.
Parece empresário.
O Borges, não estou habituado a ver-te de camisa e estou a gostar. Devias adoptar esse look mais para a tua idade.
Estou com uma t-shirt por baixo porque sou uma pessoa de uma certa idade que já tem um certo frio.
Frio, exato. Paixões, não é?
Paixões.
Apanhar pássaros foi uma grande paixão minha quando eu era novo.
Mas apanhar pássaros para os comer?
Não, para os pôr numa gaiola e depois vender.
Olha, que bonito!
Sim.
Tu apanhavas para vender.
Apanhava pássaros.
Que bonito! A tirar a liberdade aos animais.
Mas grande fã de Bruce Lee, tens que ter um skill para apanhar pássaros.
Não.
Como é que apanhavas?
Chamava-se armar à palma. Sabem o que é que é armar à palma? Era uma rede que se punha no chão com dois paus de vassoura cortados, havia uma rede no meio, aquilo era preso pelos lados como se fosse uma tenda e depois punhas sementes à frente.
Ele pousava em cima da rede.
Não, em cima das sementes para comer. Tu puxavas, tinhas um cordel comprido, tipo 30 metros, puxavas a rede caía em cima do pássaro, ele ficava lá preso e depois ias buscá-lo.
Armar à palma. Mas durante todo este processo tens que estar a cantar: "Frágil, esta noite estou tão frágil".
Não, mas acordava de propósito, às vezes às 4h30 da manhã e levava lanche para apanhar. Depois era aquela emoção de: "Será que vamos apanhar pássaros hoje? Será que não?"
Qual era a cotação dos pássaros?
Olha, havia o tentilhão, que era o pássaro mais difícil de apanhar e hoje em dia valia cerca de € 100.
O quê?
E o tartaranhão dos Palões? Estamos a passar uma carreira.
Os pintassilgos e os pintarroxos também eram de sazonais, também valiam cerca de € 50.
E os pinta pinto?
Os pinta pinto não havia. E depois havia os bicos-de-lacre, que são os mais pequeninos. Tens os sementeiros, os castelhanos.
O mais surpreendente é tu saberes o nome ainda dos pássaros todos.
E sei o cantar dos pássaros todos.
Canta um bocadinho. Tu vais ter que cantar, já sabes.
Qual é que tu queres?
O tentilhão.
O tentilhão? O tentilhão era . Era assim.
E o pintassilgo?
O pintarroxo era assim . Era assim.
Estás a inventar tudo.
Não, era assim.
E o pintassilgo?
O pintassilgo é mais .
E o bico-de-lacre?
O bico-de-lacre é tipo . Essa mesmo. Os gajos só riem.
É maravilhoso, as coisas que a gente descobre.
Eu acho que estou a imaginar o bico-de-lacre a andar.
Ao ouvir isto.
E de repente "Quem é este otário?".
Não, os gajos só cantam uma nota, é tipo . Os machos cantam com mais esforço.
Realmente, tu tiveste quantas profissões? Disseste 13, 14.
13, 14.
Incrível.
Mas apanhar pássaros não era uma profissão, era mais um divertido.
E o pardal? O pardal dava para vender ou para soltar?
O pardal, naquela altura apanhava para comer.
Pardalitos, sim.
Era mais gordinho.
Nunca comeste codorniz? E codorniz, nunca comeste codorniz? Codorniz, nunca comeste?
Codorniz.
Bem bom.
Eu adoro os ovos. Mas fico com um certo sentimento de culpa, era bom ter falado na semana passada.
Eu não tenho sentimento de culpa, porque vivia numa aldeia e toda a gente fazia isso.
Tu comes 20 ovos de codorniz, por hipótese, e já não é- É um genocídio.
Exatamente.
É um genocídio que tu estás a fazer.
É isso e coraçõezinhos.
Eu, no caso, não gosto nem de uma coisa nem de outra.
Nós estamos na segunda parte, certo?
Estamos na segunda parte.
Na terceira parte eu vou falar de outra paixão, que não posso falar nesta.
Olá!
Muito bem.
Paixões que eu e o Borges partilhamos.
A sério?
Qual é o áudio? Quem é a pessoa?
Terry Costa.
Terry? O meu grande amigo Terry, agente cultural, diretor artístico. Eu chamo-lhe a outra montanha que o pico tem. Vamos ouvir.
Lembro-me de me apaixonar pela rádio. Acho que foi mesmo a minha primeira paixão. Tinha eu uns cinco anos, pequeote, na Ilha do Pico, a correr para casa para ir ouvir a rádio, os locutores a falarem sobre coisas que eu não conhecia, a passarem música, não só portuguesa, mas também francesa, alemã e depois mais tarde em inglês. Adorava. Adorava até ao ponto que num Natal recebi um gravador. E aí comecei a gravar a minha própria voz, a fazer os meus programas, a gravar da rádio para depois passar no meu programa. Adorava. "Olha, tu que estás aí dentro desse rádio". Nunca me esqueço. Eu era tão pequeno quando esta música foi tão famosa. Mais tarde, aí pelos nove anos de idade, descobri David Hasselhoff, o "Knight Rider" na televisão. Aí apaixonei-me de uma forma diferente e percebi que o meu pênis não era só para fazer xixi.
Ninguém estava à espera.
Muito bom, magnifique, Terry.
Que maravilha!
Eu tenho que dizer ao Terry que eu conheci David Hasselhoff.
Olha, vocês sabem fazer a música do Justiceiro com a boca?
Não, tu sabes? Por favor. Não, faz tu e eu faço a outra parte.
Tu tens que fazer o .
Exato.
Ok.
I'm the man who does not exist.
Uma paixão que eu me lembro de ter era de brincar
Eu tinha paixão por brincar e inventar histórias com os meus bonecos, sobretudo Playmobil, que nós chamávamos os cliques. Tinha mesmo o nome de clique. Porque eles fazem clique. E eles tinham mesmo o nome de cliques, os Playmobil, depois é que passou a ser o nome Playmobil. Eu tinha paixão de brincar. Eu lembro de pegar em caixas de cartão e fazer castelos com caixas de cartão, de recortar as portas, de fazer as ameias, fazer isso tudo. Tinha essa paixão e são tempos que eu me recordo sempre com um sorriso. É engraçado.
A paixão de brincar é assim.
E a paixão de brincar estava muito aliada também.
E não tinhas um brinquedo favorito? Todos nós, às vezes, temos um brinquedo favorito.
Não, eu tinha era os bonecos. Era Playmobil, os G.I. Joe, que eram supercaros. Portanto, eu tinha dois ou três, no máximo.
E não tinhas uma boneca da tua irmã que tu gostavas de brincar?
Sim.
Eu e meu irmão eram os nossos bonecos também, que eram os habitantes daquele mundo que nós criávamos no sótão. Mas nós, apesar de termos um ou outro boneco, nós gostávamos era dos bonequinhos PVC, adorávamos.
Os retrós?
As marretas, o Totó Gigio.
Aqueles mesmo de plástico rígido já.
Sim, plástico rígido, mesmo. PVC. Os nossos bonecos favoritos eram uns bonecos, eu lembro-me do ano em baixo, eram uns bonecos de uma coleção que foi lançada nos anos 70. Nunca fui pesquisar isto também. Eram coelhos da Páscoa. Eles vinham sempre acompanhados de ovos e a gente adorava esses coelhos.
Ainda lá tens isso?
Ainda. Os únicos brinquedos que a gente guarda é os nossos bonecos.
Tens de tirar fotos.
Tens de tirar e pôr à venda.
Os nomes que a gente dava: há um coelho que está a dormir, tem uma almofada, como é que esse se chama? É o Soneca. Há um coelho que tem uma cenourinha e está a mordiscar a cenoura. É o?
Comilão.
Coelhinho da Cenoura. Há um coelho que tem um pintinho a sair do ovo da Páscoa. É o coelhinho do Filho, que a gente também não conseguia perceber. É filho dele, é pequenino. Um pintinho, filho de um coelho. Adorávamos isso. E eu ainda hoje, sempre que entro numa tabacaria, e ainda há algumas tabacarias, que vendem bonecos em PVC, dá-me uma nostalgia do que era.
Eu é essa nostalgia de inventar as histórias. Eu lembro-me de o sábado de manhã, por exemplo, além de ver os bonecos, era passado a inventar grandes guerras e de um lado os bons, do outro lado os maus, e depois raptavam malta. A outra grande paixão foi quando começou a surgir o Game Boy, tudo o que foi eletrónica de jogos de vídeo e que se materializou depois com a PlayStation. Desde a PlayStation 1, esquece. Eu só não jogo mais porque não posso.
Tu tens filhas e és casado e tens responsabilidades. Gostavas de ser gamer profissional?
Não, eu gosto de me divertir a jogar. Mas é de tal maneira que eu tenho o prazer que a minha filha do meio também gosta de jogar e dá-me prazer vê-la a partilhar esse prazer. E sendo-me uma pérola, "Até onde nível é que vais?" E ela depois, às vezes, chama: "Pai, ajuda-me a passar que eu não consigo passar isto". E tu tens jogos. Eu tenho jogos que chorei a jogar com o fim das histórias, principalmente os jogos agora que são super. O mercado de jogos é maior que Hollywood, tu tens narrativas incríveis.
Mas já dá tareia há 10 anos.
Eu tenho lá dois jogos agora. Um é o "Death Stranding 2", a personagem principal é o gajo do "Walking Dead".
O Norman Reedus, o do cabelo comprido.
Exato, o Daryl. É Daryl a personagem, não é?
E é mesmo o Daryl? É a mesma personagem?
Não, não é a mesma personagem. Eu fico só a olhar para a televisão.
Era o gajo da besta.
Sim, exatamente. Os gráficos estão num nível surreal e a história, porque depois tu mergulhas na história. E tens o "Ghost of Yotei", que é de samurais. Incrível.
Olha, eu tenho lá um jogo em casa agora também que estou maluco.
Tens a drega?
Não, que vem dentro de um boião, que é animais da quinta. Em plástico e depois brincas. Normalmente eu brinco com o cavalo e com o porco, depois a minha filha vem e brinca com o cão. Estou viciado nisso.
É tão giro.
Noitadas disso.
Vocês sabem aqueles livros, tu já não te lembras, elas já estão crescidas, mas aqueles livros que têm textura, que têm pop-ups?
Sim.
O meu fausto. Há um livro que é o Pintinho Pipo. Eu não me importo de ler 20 vezes, porque só vê-la rir. É: "O pintinho Pipo come muitos grãos de milho, é por isso que ele tem uma grande barriga" e a barriga sai do livro, e ela ri-se. "E come muitos grãos de trigo, é por isso que tem uns grandes pés". abre os pés. Ri-se tanto. E acaba com a mamã, claro. "Mas se achas que ela é grande, é porque ainda não viste a sua mamãe" e todo o livro se transforma numa galinha. É tão fixe. E o mais velho já fica assim: "Isso é para crianças, pai".
Claro.
Clássico.
Estamos à frente.
Clássico.
Mais paixões. Jogar basquete foi uma grande paixão minha também e ver a NBA. Todos os momentos que eu tinha era para pegar na bola e saltar o portão da escola secundária e jogar basquete à revelia. Adorava jogar basquete e era uma das minhas grandes paixões também foi mesmo o basquete.
Todos nós vimos-
E o Michael Jordan, e ver o Michael Jordan a jogar.
O Bem-vindo ao Fantástico Mundo da NBA, aos sábados.
Sim.
Com o Barroca.
Falava: "Cá está, Michael Jordan, come!"
Toda a gente via aquilo.
Era isso e como é que se chamava aqueles desenhos animados que ele fazia aeromodelismo Que havia aos sábados de manhã.
Desenhos animados?
Não, era tipo um programa de manhã para putos.
O Clube Vasco Era?
Não, o Clube Disney.
Era o Clube Disney.
Clube Amigos Disney. Os jubilizados faziam aeromodélismo.
Sim, agora sim.
O primeiro cartão que eu tive na minha vida era do Clube Amigos Disney. Ainda tenho esse cartão guardado.
Clube Amigos Disney.
Com uns grandes óculos.
E eu fui ver ao vivo.
Foste ver ao vivo?
Que maneira. Como?
Porque havia, aos sábados de manhã, tu tinhas a emissão, eu acho que ou foi no Maria Matos, foi para aí desses lados, eu fui ver uma emissão ao vivo.
E gostaste?
Que maneira.
A memória que eu tenho foi de pedir um gelado, e eu não fui com a minha mãe, fui com um amigo meu e a mãe dele. Eu pedi um gelado e só depois de eu ter o gelado é que ela me perguntou se eu tinha almoçado e era aquele clássico: "Estás a fazer testão, não podes comer o gelado". Eu com o gelado e o corneto a derreter na minha mão.
Então, aliás, foi ela.
Tão perto e tão longe.
E eu com o corneto a derreter na minha mão enquanto estavam lá embaixo as coisas a acontecer.
Eish.
E a música, eu adorava, tinha o sonho de ser músico. E isso começou com um boombox, dois decks de cassetes. Ia tentar gravar, só que tu tinhas que ouvir no rádio, estar bem atento. "Vai dar aquela música que eu gosto", punhas, perdes sempre uns segundos, e depois rezar para que o locutor não falasse.
Não falasse.
Uma frustração.
Acontecia normalmente no fim. Um gajo ali: "Está quase a acabar a música" e ele: "E foi a voz de..."
Eu tenho cassetes com isto.
Já que ele baixava o som. São 21h30.
Eu tenho cassetes inacreditáveis, tipo lado A Depeche Mode, lado B Juligless.
Muito bom. Isso é 1988. Eu lembro de ir à discoteca em que os DJs falavam ainda. Devia ser influência da rádio, que os gajos: "Bem-vindos à discoteca Rio Mar, aqui na Praia da Vieira. Uma noite para não esquecer hoje, já sabem, até às 04h00". Sim, era isto. O Seat Ibiza com matrícula 34. Por favor, deixa de ser dor.
Estamos a chegar ao final do nosso programa na rádio. Já vamos para o digital.
E vamos-
Onde falaremos-
Vamos bem vestidos.
Bem vestidos para o digital.
Exato. Vamos muito bem vestidos para o digital. Vamos com o nosso patrocinador Bacchus.
Bacchus. Aliás, eu atrevo-me a dizer que talvez o podcast mais bem vestido neste momento em Portugal.
Sem dúvida alguma. Quem está apenas a ouvir rápido, quem não nos consegue ver, imagine só tecido português premium, excelente fitting, as mais bonitas camisas que já viram e apenas isso. Não temos cuecas, não temos calças, não temos nada.
Só a camisa.
Só as camisas.
Só a camisa.
E é com esta imagem que nos despedimos da rádio. Até já.
A flanela.
No digital.
O algodão.
Homens de uma certa idade.
Bem-vindos à terceira parte de homens de uma certa idade, mais bem vestidos do que nunca. A pergunta é: qual a paixão mais antiga das vossas vidas? E vamos abrir a porta.
Estávamos a falar de várias, não é?
Vamos abrir as comportas da pornografia.
Do hardcore.
Que era isso que nós íamos falar.
É isso.
Tracy Lords.
Por acaso não é das minhas. Acho-a muito bonita.
Eu lembro quando comecei a descobrir a minha sexualidade e comecei a ser presenteado com filmes pornô. Presenteado no sentido, eu sabia que o meu irmão tinha e houve uma certa altura que ele me deixou.
Ou me dás ou o pai vai ficar a saber.
E lembro-me a Tracy Lords, que anos mais tarde veio a saber-se que provavelmente fez alguns filmes ainda com idade não legal, talvez 16, 17 anos.
Meu Deus.
Mas eu lembro, e lá está, mais uma vez, hoje a minha relação com a pornografia não é a mesma, no sentido de que não vejo, não ligo, não diz nada.
Não ligas, não queres nada. As histórias já não têm enredo.
Mas isso é verdade, antigamente tinham.
Eu chorava. Aliás, eu chorava quase sempre.
Eu já vi.
Eu chorava durante dois minutos e depois ficava 20 minutos sem chorar. Depois voltava.
Já vi duas atrizes pornô a chorar. Em filmes pornô. Jenna Jameson, a antiga rainha do pornô.
Sim.
E a atual, Angela White.
A chorar?
A chorar.
Mas de dor?
A chorar. Não, eu acho que Angela White, eu digo isto a quem quiser ouvir.
Podia ganhar um Oscar.
Angela White podia ser uma atriz a sério se quisesse, uma atriz convencional.
E será que não quer?
Não, quer muito menos.
Eu acho que ela está superfeliz. Ela dá bem entrevistas e faz podcasts. Ela é orgulhosamente rainha do pornô.
Embaixadora do pornô.
Rainha do pornô, atual.
Eu lembro a Tracy Lords de despertar essa paixão e me ter ajudado a descobrir muita coisa.
Eu foi com Sabrina, Sabrina a entrar e a sair da piscina.
Sabrina não, eu não tenho memórias da Sabrina.
Eu sou um três anos mais velho.
Eu usei Sabrinas, não sei se é a mesma coisa.
Eu também usei.
O Terry foi o David Hasselhoff e eu foi a Sabrina.
Eu foi a Samantha Fox.
Afinal, há mais na vida além do WiFi.
Samantha Fox. A Samantha Fox.
Samantha Fox.
Foi para ali dois ou três anos a seguir à Sabrina, exatamente.
Tenho uma memória constrangedora que é estar em casa de umas tias. Estava em casa da minha avó e estavam lá as minhas tias. E está a dar num programa de televisão, está a dar a Samantha Fox. "Touch me, touch me, I wanna feel your body". E alguma coisa aconteceu ao meu corpo e uma das minhas tias percebeu e começou a gozar, mas eu meti um casaco por cima. E depois para tentar desviar o assunto, disse: "O que é touch me?" E a minha outra tia: "Não é pra tua idade!"
Borges, tenho aqui uma pergunta.
Falta-te muito para tocar? O que ela quer dizer com isso?
Estou a receber imensas perguntas da nossa malta que está aqui a acompanhar isto online.
Sim, porque a gente está a fazer stream.
Sim. Se tu tivesses de escolher na altura, as pessoas dizem assim: "Tu tens uma oportunidade de conhecer a Sabrina e de estar com ela uma semana, ir falar e conhecê-la, mas tens de deixar de ser sócio do Benfica".
Eu não era sócio nessa altura. Não te esqueças que eu nasci e cresci nos Açores, antes da internet. Portanto, na altura fazias-te sócio por via postal.
Não desconverses. Eras capaz de deixar o teu amor por Benfica e dar o teu amor à Sabrina?
Nessa idade? Não.
Que cambada de mentirosos!
Estamos a falar de uma idade em que tu nem sequer sabes bem o que é uma ereção e depois encontras um buraco no sofá entre duas almofadas e .
Por falar nisso-
Eu nunca mais me sentei em sofás em casa do Borges.
Eu gostava só de vos dar os parabéns um bocado atrasados, porque de facto o Benfica estava mal, as pessoas estavam-se a queixar e vocês fizeram uma mudança e mudaram o paradigma do Benfica. Parabéns, 65% para Rui Costa. Para quê tanta coisa? Para quê tanta gente a queixar-se de tudo do Benfica e depois votam 65% no mesmo? Não sei. Por isso é que eu não gosto de povacos. Isto é que vale a pena.
Despedimo-nos hoje com as melhores camisas da nossa vida. Camisas que nós recomendamos para qualquer situação.
Nesta altura do Natal, para festas de empresa.
Mais desportiva, mais convencional, mais casual, mais agressiva, mais elegante.
Sejam clássicos.
Sejam clássicos, sejam modernos.
Sejam bacos.
Sejam irreverentes, sejam bacos.
Bacos.
E entra a música que eu já não lembro qual é, porque estou velho.
Bacos. Faz de cada homem...
Uns nacos.
Uns nacos.
Vai lá, voltamos à música.
"I Wanna Know What Love Is".
"I Wanna Know What Love Is", claro! Da fase em que eu achava—
E tu vivias esta música, não vivias?
Com paixão, mesmo. Meu Deus.
Isto tinha saído ainda?
Muito chorei ao ouvir isto. Por causa da minha primeira paixão platónica, Vera, que gostei da Vera durante três anos. Sempre estava só ao meu lado. Era mais maduro nessa altura do que sou hoje, porque a melhor amiga da Vera era a Sara, e a Sara era muito mais linda do que a Vera, mas eu gostava era da Vera. E todos os outros rapazes: "Por que é que gostas da Vera? A Sara é mais bonita". "Mas a Vera é que é!"
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.