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Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.

Olá, sejam bem-vindos a mais um "Homens de Uma Certa Idade". Este podcast tem o patrocínio de Bacus. Estas camisas fantásticas Bacus, uma excelente prenda de Natal. 100% português.

Por que você está assim? Por que tens o chapéu?

Isto é para as pessoas se focarem em mim e não em vocês dois, porque o grosso, o interessante-

Mas isto é áudio.

O interessante, mas as pessoas estão me a imaginar com um chapéu cor-de-rosa na cabeça de cowboy e o foco tem que ficar em mim. Estávamos a falar das camisas Bacus, que patrocinam este fantástico podcast. E hoje o tema é, como é óbvio, estamos perto do Natal, qual é a tua melhor e pior memória de Natal? Eu sou o Marco Horácio, tenho 51 anos e faço de Pai Natal de extrema-direita no centro comercial da Babilónia. Comigo tenho:

Luís Filipe Borges, 48 anos. Já é a segunda vez que me engano na minha própria idade, trapezista de chão.

António Raminhos, 45 anos, duende com dois metros, de Natal.

Duende com dois metros de Natal?

Esta é só confirmar.

Se eu me identificar com um duende, qual é o problema?

Não, acho que está corretíssimo. E sem longas demoras, Raminhos, qual foi o teu melhor momento, o teu melhor Natal? Partilha.

Há uma questão que é: sabes que há uns anos eu fiz "O Grinch", o filme.

Tu fizeste o filme "O Grinch"?

Ele dá a voz ao Grinch.

O do animação.

Ah, ok.

Foi o primeiro filme que o meu neto vê viu, do início ao fim.

E gostou?

Adora, sim.

Eu fui convidado e na altura eu acho que foi um casting muito bem feito, não por ser eu particular, mas por ser eu enquanto pessoa que não gosta particularmente do Natal.

Portanto, é até um gozo extra fazeres de Grinch.

Sim, como é que eu hei de explicar? Eu gosto do Natal.

Ok.

Gosto dos doces de Natal. Gosto dos sonhos, das castanhas de ovos.

Ok.

Gosto do bolo-rainha.

Mas isso tu podes comer em fevereiro, por exemplo.

Não gosto. É aquilo que se junta à volta da mesa.

Que é a família.

Que é a família para comer esses doces.

Uma vez, vi uma coisa tão bonita. No dia mais deprimento do ano, que acho que todos concordam que é 1 de janeiro, porque está tudo fechado, pico do inverno, está frio, em princípio está a chover também. Talvez estejas de ressaca por causa do Réveillon. Eu aqui há uns anos entrei num café, ainda por cima numa altura, num verão particularmente melancólico, e um dos raros cafés que estava aberto e entrou uma senhora muito velhinha. Uma empregada do café foi buscá-la pelo braço, porque ela devia ser uma habitué. E depois a senhora falava muito baixo e também era meia surda. Então a certa altura, havia uns poucos bolos de Natal na montra. E a rapariga dizia para senhora: "Um sonho, quero um sonho, é um sonho". E eu lembro-me de pensar que aquilo era muito poético, que eu estava muito triste e também queria um sonho. E aquela senhora já lhe custava muito tempo para sonhar.

Olha, e achas que o sonho da senhora realizou-se ou não?

Espero que sim, coitada dela. Ela merece.

Eu acho que, por exemplo, a minha cena de eu não gostar, como é que eu hei de explicar? É porque é uma época que há uma pressão social para tu estares feliz.

Sim.

É família, é comunhão, é os filmes de Natal, é aqueles filmes em que está tudo muito mal e depois acaba tudo muito bem, em que o casal se separa, mas depois afinal já não se vão divorciar. E esta pressão de estar tudo bem, de estar feliz, a mim, como eu lido com as cenas relacionadas, vai sempre parar ao mesmo, com as cenas relacionadas com ansiedade e com a perturbação obsessiva compulsiva, isto de alguma maneira coloca-me uma pressão de ter que estar feliz. E se eu estou feliz, o que vai acontecer de mau? Percebes?

Sim, e também há aquela pressão que é o único mês do ano em que as pessoas têm que tentar ser empáticas umas com as outras, porque é Natal.

Isso, pronto.

Se bem que o Natal já começa em setembro. Já em setembro começam a montar as luzes, já começas a ouvir músicas natalícias, começa cada vez mais cedo.

Tu sais da água e o gajo das bolas de Berlim já está vestido de Pai Natal.

Já.

E está: "Olha o sonho de verão".

"Olha filhote".

Eu percebo o que o Rui está a dizer, mas por acaso gosto desta quadra, abro uma exceção.

Nem com filhos? Três filhas, não começaste a gostar mais do Natal?

É perguntar-lhes. Pergunta-lhes. Depois vais ter com elas e perguntas o que eu acho do Natal. Porque eu tenho boas memórias de Natal, como é óbvio. E o que eu gostava mais, por exemplo, era os meus tios vinham do Alentejo, o meu tio Joaquim Pedro, que já morreu, vinha o meu tio, vinha a minha prima Madalena, a filha, o meu primo Alberto muitas vezes vinha lá até também, o meu irmão ia lá pra casa. O meu tio do Alentejo trazia sempre os pastéis de nata das Maltezinhas e queijadas do Luís da Rocha, que são duas pastelarias que existem em Beja. Os pastéis de nata são os melhores pastéis de nata que eu alguma vez comi e as queijadas do Luís da Rocha também são muito boas. E depois trazia sempre cabrito, não, borrego Trazia uma peça muito grande de borrego. Isto há muitos anos, eu ainda comia carne. Era borrego de todas as maneiras e feitios. Era borrego no forno, ensopado de borrego. E depois, a minha família sempre foi muito galhofa, então era tudo a gozar uns com os outros. Disso eu tenho saudades, mas eu acho que ao mesmo tempo, quando isso se foi perdendo, porque as pessoas foram ficando mais velhas. Entretanto, por exemplo, eu casei-me, portanto o meu Natal começou também a dividir-se por aquela história de ir para casa da minha sogra. Quando isto começou a perder, eu também não fui capaz de construir novas memórias.

Mas isso quer dizer que tens memória pelo menos positiva do Natal.

Tenho. Não tenho de muitos brinquedos.

Tu eras mais o comes e bebes, não é? Isso é que tu gostavas.

Não, não tenho brinquedos porque a minha família era de classe média-baixa, portanto eu nunca tive aquela coisa. Vocês não faziam esta cena que era os catálogos dos brinquedos, ficavam só a assinalar os brinquedos que eventualmente iriam pedir ao Pai Natal, mas que depois nunca apareciam?

Nunca apareciam.

Nunca apareciam. Mas eu ficava a sonhar com aquilo.

Eu faço isso com a minha filha agora. Vou buscar o, não se pode dizer marcas, o Toys Horácio, e ela assinala aquilo que quer, risca é quase o livro todo, como é óbvio.

Sabes o que eu acho que contribuiu para a minha criatividade? Se é que eu tenho alguma. O que contribuiu para a minha criatividade foi o ser pobre. Por quê? Eu lembro-me, na altura, de ter comprado uma revista, ou era da Sega, da Mega Drive, não sei o quê, trazia uma cassete VHS com os jogos que iriam sair no próximo Natal.

Ok.

E eu metia a cassete para ver os jogos e era o meu divertimento, sonhar com aquilo, porque eu nunca tive a Mega Drive, sequer.

Como é que seria o jogo?

Não, eu via o jogo e eu vibrava com ver o jogo.

Com os teasers.

Com os teasers. Na realidade, se calhar não é diferente daquilo que os putos fazem hoje a ver Twitch às 02:00 a.m, a ver alguém a jogar.

Pois, veem os outros. Não jogam, veem os outros. Isso eu também nunca percebi. Olha, está na altura de ouvirmos o nosso primeiro áudio, que é do Rui Cardoso Esteves.

Quem é o Rui Cardoso Esteves?

Já vos explico.

A minha pior memória de Natal, contexto primeiro, no Natal eu e o meu irmão recebíamos a mesma prenda, era uma prenda para os dois. Eu nesse Natal devia ter uns 10 anos, se calhar, sonhava em ter um castelo da Lego. Aliás, todos os Natais sonhava ter um castelo da Lego. E nesse Natal debaixo da árvore estava uma caixa exatamente do mesmo tamanho do castelo da Lego. Eu abanava, fazia o som de Legos e eu pensei: "Caraças, vai ser este ano que eu vou ter a minha prenda, finalmente." Acontece que no dia abrimos e eram Legos, só que eram uns Legos de robótica que a mim não me diziam absolutamente nada e eu fiquei completamente traumatizado nesse Natal. A melhor memória de Natal, no entanto, família à mesa, todos a comer um peru caseirinho e eu aí com uns 08 anos, sofro a comer, com a boca cheia de comida, peguei no copo de água para empurrar a comida. Acontece que peguei no copo da minha mãe, que tinha vinho. Dei uma golada, cuspi a comida toda para cima da mesa. Nesse Natal houve pessoas que provavelmente nem tocaram no peru, mas mesmo esses partiram-se a rir com a situação. Foi um belo Natal e uma bela memória que tenho da minha infância. Um abraço a todos.

Muito bem! Grande Rui.

Vocês tiveram os brinquedos que queriam?

Quem é o Rui?

O Rui Cardoso Esteves foi o que ficou em segundo lugar este ano no concurso de stand up "O Último a Rir".

Muito bem, Rui Cardoso Esteves. Tem nome de realizador de cinema em Portugal. Deve ter dois apelidos para ter apoio do ICA.

Ah, é?

É, sim. Cardoso Esteves.

Vou-lhe dizer já isso. Tem muito jeito e ficou em segundo lugar no concurso.

Vocês receberam os brinquedos que queriam?

Quase nunca. Eu estava a puxar pela cabeça. Acho que nunca. Aliás, eu identifico com o que tu estavas a dizer, porque acho que eu e meu irmão também, como percebemos que não íamos receber aquilo com que sonhávamos, deixámos de sonhar. Tínhamos expectativas muito baixas. Mas recordo com nostalgia a coisa de pegar nas caixas e tentar perceber o que estava dentro das caixas, sendo que havia umas que se percebia logo que eram livros, e nada de errado nisso, porque nós adorávamos livros. Mas as prendas que eu me lembro mais são pequenas tradições. A minha mãe, durante muitos anos, para já, e acho que noutros contextos já falaste disto no episódio do podcast. Vocês não tinham em casa um quarto que era tipo um museu? Na nossa casa, esse quarto museu só abria numa altura.

No Natal.

Exatamente.

Sim, uma sala que era para receber os convidados, não era?

Era, abria nessa noite, a árvore estava montada. Normalmente, a minha mãe montava sozinha, depois lá começou a montar connosco também, com os filhos. Ela gosta de fazer tudo sozinha, mas lá começou a montar connosco. E depois na noite de Natal, a gente jantava sempre a mesma coisa, o bacalhau com couve e grão. O meu pai dizia sempre a mesma coisa também, que é: "Bom, que para o ano possamos estar cá todos outra vez." E depois a seguir ao jantar lá íamos-

Aquela coisa de esperança.

Lá íamos para a sala e abríamos os presentes. E as pequenas tradições, a minha mãe até à adolescência tardia comprava um plushie para cada filho e nós guardámos esses plushies.

Ainda tens esses plushies?

Sim. E até hoje ainda compra livros Disney, que já dei um toquezinho sobre isso.

Os hiper Disney.

É.

É tradição.

Eu tenho uma memória que é ir da alegria à tristeza muito rapidamente, que houve um Natal em que eu não tinha pedido aquilo, mas fiquei muito contente. Vocês lembram-se quando havia instrumentos de corda? Era um caça, um avião caça amarelo e azul, muito giro. E tu puxavas para trás. Ele tinha dois pilotos no cockpit e eu estava todo contente com o avião. Puxo para dar corda, largo e ele espeta-se contra uma parede, parte o cockpit e os pilotos saem. E depois os pilotos eram involuntariamente paraplégicos. Só tinham da cintura para cima e aquilo não dava para encaixar, portanto passei muito rapidamente da alegria à tristeza. Mas com os filhos acho que as coisas mudam e o Natal fica giro outra vez.

Eu lembro na minha altura, não valia a pena a gente pedir nada porque era sempre ou a tradicional peúga branca, ou o peúga quentinho, ou o pijama quentinho para o inverno.

Eu recebi muito pijama. Muito cachecol, muita meia.

Sabes quando é que tu percebes que começas a ficar velho? É quando tu começas a gostar dessas prendas. Quando começas a receber o pijama e umas peúgas e dizes: "Era mesmo isto que eu estava à espera. Era mesmo isto que eu precisava."

O meu pai nunca recebeu um presente de Natal que gostasse. Nunca.

Não?

Nunca.

Mas o que ele queria?

Sei lá, não faço ideia. Além de que claramente o meu pai descobria na noite de Natal aquilo que tinha oferecido aos filhos. Lhe uma é que tinha escrito.

Depois não sabia.

Isso é como o meu sogro.

Clássico.

Nós cá em casa fazemos o amigo secreto entre a família, sendo que as minhas filhas é que fazem o sorteio, depois ligam a cada um. Sendo que a minha sogra compra sempre a prenda dela e do marido, do meu sogro. E depois no dia de Natal chega cá e só nesse dia é que o meu sogro sabe a quem é que vai oferecer. Aquela coisa que ele nunca viu.

E depois ela dá-lhe a prenda dele. "Olha, essa é a tua prenda."

"Esta é para dar para não sei quantos."

Mas eu lembro quando era mais pequenino, o meu Natal era deprimente. Talvez dos três, o mais deprimente de todos.

Não ias para o Rancho das Peixeiras?

Peixeiras, Rancho Folclórico Peixeiras da Vieira.

Não ias para as Peixeiras da Vieira?

Não, senhor. Eles também merecem festejar o Natal, as Peixeiras. Era aquele Natal em que o meu pai era adepto da tradição, só se podia comer à meia-noite, estávamos cheios de fome. Só se podia comer à meia-noite o bacalhau com as batatas e com a couve. Até lá já tinha discutido com os filhos todos e já tinha discutido com a minha mãe e depois quando chegava a altura do bacalhau.

Mas isso também é espírito de Natal.

Sim, depois víamos a missa do galo. Sério, as coisas mais deprimentes que eu me lembro eram esses jantares.

Vocês abriam todos à noite, que há pessoas que só abrem na manhã seguinte.

Mas isso é uma tradição mais americana, não é?

Pois, então acho que sim.

Não era meia-noite. E havia uma cena que era.

Exato, esperar até à meia-noite para abrir as prendas.

A minha irmã, despistada como é, e a minha mãe. Portanto, a minha irmã é claramente filha da minha mãe, porque guardavam as prendas todas para o último dia. Compravam dia 24 de manhã, e depois eu não podia entrar no quarto, porque elas às 23h30 da noite estavam a embrulhar as prendas. Mas é engraçado, agora que começo a lembrar das coisas. O que eu curtia era tentar adivinhar as prendas. Não faziam isso?

Chocalhar e ir para o volume.

Eu sempre fui muito guloso. Havia uma cena que eu fazia, que era: quando eu percebi que era uma caixa de chocolates, eu ia com uma faca e abria aquilo devagarinho, abria a caixa, tirava o plástico sem rasgar.

Espera, vamos fazer o intervalo agora. Não perca a segunda parte, em que Raminhos vai revelar que tipo de chocolates é que ele comia e o que é que acontecia àquela caixa. Está toda a gente assim a tentar. Que chocolates é que eram? Eram Mon Cheri? Eram Ferrero Rocher?

Não se pode dizer marca.

Não se pode dizer marca. Eram Bacos? Eram os chocolates Bacos. Não, eram camisas Bacos, se calhar. Portanto, vamos fazer um pequeno intervalo. Já sabem que isto tem o patrocínio das camisas Bacos. Bonita camisa tu tens hoje, rapaz.

É sempre a mesma.

Sabes por quê? Porque estás viciado nestas camisas. Estás viciado. Até já. Estamos de volta para "Homens de Uma Certa Idade". O tema é: qual a tua melhor e pior memória de Natal? E estávamos aqui a descobrir que Raminhos era um arruaceiro e que abria as prendas quase como um cirurgião.

Era tipo filme. E eu abria, depois comia os chocolates que estavam lá dentro.

E fechavas tudo outra vez?

E fechava tudo outra vez.

Fogo! E ficavam com volume, conseguias dar o...

Porque era aquelas caixas que se abre.

Tipo Guillian.

Tipo esse tipo.

Não se pode dizer marca.

Mas depois quando abria, eu via o que não estava lá.

Mas a minha esperança, porque o que acontecia, quando era chocolates, as pessoas: "Ah, chocolates!" Abriam e metiam em cima da mesa. Quando iam lá: "Oh, já alguém cá veio comer." Percebeste?

Exato.

Normalmente o cara vê só a caixa por fora e mete em cima da mesa.

Exatamente. Eu fiz isso ainda bastante vezes. Portanto, eu tinha estas memórias para mim e era isso e a cena daquilo que estávamos a falar na primeira parte, desejar os brinquedos, e depois havia aquela cena que era: adorava o parque piratas da Playmobil, ficava louco com aquilo.

Também eu. E não sentias uma grande decepção quando chegava e não tinha água?

Quando não tinha água, não tinha ilhas, não tinha porra nenhuma com caixão.

Pô, a pronúncia era incrível, era espetacular.

As milhares de crianças que ficaram tristes.

Zerodidas. Então onde é que está o mar e a ilha?

Exato. Estão vendendo uma coisa agora. E eu que me lembro, antigamente não havia tanta Promoção a brinquedos.

Eu acho que é a mesma coisa. Tu até percebias que chegava uma altura do ano, que começava a chegar o Natal quando começava o anúncio da Leopoldina. O anúncio da Leopoldina, quando começava a ver os intervalos era tudo anúncios a brinquedos.

Conheces o gajo que criou a Leopoldina?

E então?

Está rico. Não está, mas está superorgulhoso de ter criado a Leopoldina. Criou um ícone. Porque isto foi um projeto há uns anos, uma coisa institucional. E de repente um tipo diz: "Sabes? Fui eu que criei a Leopoldina."

E aquele anúncio que havia, não sei o quê, do Pai Natal e com o palhaço.

Isso é mais do teu tempo.

É mais do meu tempo?

Sim, que era dos chocolates do velho que comia o coelho.

E o Boca Doce.

"O Boca Doce é bom, é bom, é."

Mas isso não tem nada a ver com o Natal, o Boca Doce.

Eu não via o Boca Doce.

Você não via mais Boca Doce Natal. Agora, a pior memória que eu tenho do Natal-

Já viste, a minha é muito pior.

É assim, eu acho que é a lei natural das coisas. Tu teres deixado a família ir morrendo, pela ordem natural da vida, e eu ter perdido essas coisas, mas a verdade é que se constroem outras. Só que eu acho que eu, pelo menos, perdi esse gosto do convívio, mas o que eu gostava mesmo era de estar a jogar FIFA.

Vestido de Pai Natal.

Era estar a jogar FC 26, sossegado.

E musiquinhas de Natal, gostam?

Não, odeio.

Gosto de uma ou outra. Gosto das antigas.

Mariah Carey?

Não, antigas mesmo. Gosto do Bing Crosby. "I'm dreaming of a white Christmas."

Muito racista essa música. White Christmas. Muito racista essa música.

Black Friday, White Christmas.

Acaba por ser na mesma época, porque foi no Ano Novo, um tio meu que morreu no dia 31. E de repente, nós no dia um, de 31 para 1, eu estava no velório do meu tio, a ver o fogo de artifício em Lisboa, estávamos cá fora. E tu pensas na ironia da vida, porque a vida não para. Eu acho que isso também, por exemplo, quando alguém morre de repente e sentes obviamente a dor e o peso, mas depois tu reparas que a vida continua, e a morte faz parte desse mesmo processo.

E quando tens miúdos, e quando tens putos e tens filhos e são primos pequeninos. Ou seja, mesmo que a pessoa tenha morrido três ou quatro dias antes do Natal, estejas na mesma. Os adultos não estão com aquele espírito, mas o gajo pensa: "Para os miúdos."

Vocês não sentem uma cena que é, eu acho que não é real, há um condicionamento, é tal quando uma mulher está grávida, também parece que só vê grávidas. Parece que no Natal há sempre tragédias mais pesadas, mais marcantes. Não sentem isso? Não parece que há isso.

Também deve haver atentados.

No verão há sempre uma desgraça qualquer.

Mas, por exemplo, a cena da Indonésia, quando foi o tsunami, foi nesta altura.

E aquele atentado foi em Nice ou Alemanha, ou foi nos dois sítios, que eram mercados de Natal.

Sim, foi em Berlim. E outro, sim.

Terroristas ao volante de veículos.

Porque lá está, isto acho que associa a cena de estar sempre tudo feliz. E então acontece qualquer coisa de mal, parece que vem estragar esse espírito.

Mas há pessoas que gostam genuinamente do Natal. Por exemplo, a Sara é uma mulher que, imagina, em novembro, outubro, já está a cantar músicas de Natal, porque ela adora o Natal.

Isso é porque é jovem.

Não, mas os pais dela também gostam. Aquela loucura, ela gosta mesmo do Natal e está a incutir isso também na Maria Leonor. Eu acho isso giro, eu nunca tive muita paciência, mas acho giro porque ela vibra mesmo. Não é aquele vibrar das prendas, é mesmo o espírito das luzes de Natal, da árvore de Natal, o Pai Natal. De facto, vive muito isso. Eu estou sempre a deitar abaixo e ela está sempre toda contente.

Eu gosto das luzes também, acho piada.

É giro. E com os miúdos é-

Mesmo sem miúdos eu gostava. Com os miúdos é mais fixe, ainda por cima com esta moda agora de quase todas as cidades fazem as suas aldeias de Natal. É muito giro.

Vocês já foram a algum mercado de Natal? Sem ser daqueles, tipo a Áustria, Alemanha.

Na Alemanha já fui.

É muito giro.

Sim.

Isso é das coisas que, por exemplo, eu sinto o espírito natalício. Já tive a oportunidade de ir ao mercado natal em Viena.

Viana do Castelo.

Viana do Castelo.

Viana de Leiria.

Berlim, também. E beber aquele vinho.

Vinho quente.

Vinho quente, que em alemão se diz:

Por isso é que eles vendem muito pouco, porque as pessoas demoram muito tempo para pedir o vinho.

E é bom, o vinho quente.

É fixe, é doce. Aquilo é com canela.

Com canela.

É bom.

E com ervas aromáticas.

E comer sandes de salmão fumado, mas salmão fumado na hora. Tens mesmo lenha.

Isso deve ser tão bom.

É muito bom. E tens o salmão inteiro e eles vão lá e tiram lascas do salmão. Isso eu acho piada. Mas eu também tenho uma desvantagem, que é assim, para eu não gostar tanto do Natal, que é a minha casa

Tens o trabalho todo. Normalmente, quem faz é que tem o trabalho todo.

A minha casa enche-se de gente.

Pois.

De pessoas.

Tu nem gostas. Quem? Os teus filhos, a tua mulher, a tua sogra.

E depois vão-se embora e quem é que arruma tudo? É a Catarina, porque eu estou a jogar F1 26.

Mas das 19h. Nem participaste no jantar, nem nada.

Não, somos nós que arrumamos, não é?

Pois, claro. Nós este ano também vamos fazer a nossa casa e acho que a gente vai se arrepender. Mas a família da Sara é fixe, porque traz a equipa.

O que é que vão fazer na tua casa? Porque é mais espaçosa?

Não, porque é a inauguração, porque é o primeiro Natal da Leonor na nossa casa e também temos ali uma divisão que dá para pôr aí mais umas pessoas.

Pois, é como aqui. Na minha casa também é uma divisão mais espaçosa e vem para cá toda a gente. Portanto, o segredo é: comprem casas pequenas.

Exatamente.

Tenham casas pequenas.

Muito pequenas. Ou então, quando chegar o Natal, vendam a vossa casa e comprem uma casa pequena.

Mas o que acho piada do espírito natalício, Borges, não sei se chegaste a viver isso com a tua mulher.

Pois é.

Sim, na altura mulher. Que era a cena de: "Então se o almoço de Natal é na casa dos teus pais, a conselhada é na casa dos meus." E depois começa-se a discutir: "Não, porque a minha mãe preferia que fosse não sei o quê. Mas o ano passado foi na casa da tua mãe." E entras nessas discussões e lá vai o espírito natalino.

Sim. Este ano, por acaso, a coisa correu bem, porque vai ser o 24 em nossa casa e o 25 em casa da minha sogra.

Vocês deviam fazer como eu, que é ter uma família em que toda a gente se odeia. Isso é muito prático. Poupas em vez nas prendas, poupas nas discussões, porque ninguém quer ir pra casa de ninguém.

Mas olha.

É útil.

Mas é verdade?

Sim, no meu caso nunca houve assim grande. Tinha uma tia, que já morreu, que aparecia. Porra. Espera aí.

Olha.

Não foi o Borges. Espera aí, que eu vou pôr isto aqui.

Isto é das guerreiras do K-pop? Isto é as guerreiras do K-pop.

Depois editam isto. Bora.

Estavas a dizer que tinhas uma família muito unida.

Exato. Nunca houve esse tipo de discussão. Mas posso contar a minha memória mais horrível de Natal?

Claro, acho que sim. Para sairmos em altas.

Quando eu tinha 35 anos, portanto há 13 anos. Eu lembro-me perfeitamente do dia, porque era o último dia de rodagem de um projeto que eu estava a adorar. No dia 22 de dezembro, há 13 anos, eu estava na Praia do Creiro, maravilhosa Praia do Creiro.

Há 13 anos, então já te conhecia.

Já. Na maravilhosa Praia do Creiro, na Arrábida, num incrível dia de sol de inverno, a terminar a gravação de um projeto que eu adorei, chamado "Conta-me uma História". E a última coisa que gravamos foi a chegada dos portugueses ao Brasil. E então foi nesse dia, na Praia do Creiro. Um dia incrível. Na noite desse dia, a minha namorada de então, que eu adorava, deu-me os pés. Portanto, no dia 22 de dezembro.

Que bela prenda!

Portanto, foi um Natal absolutamente espetacular. Ainda por cima eu tinha acabado de me mudar para uma casa, que era suposto ser a casa onde a gente ia viver. Portanto, foi tudo maravilhoso. E é uns dias depois, no dia 1 de janeiro, que há a história da senhora velhinha: "Um sonho, quero um sonho, a senhora quer um sonho." E eu: "Quero".

E tu com o teu sonho despedaçado.

Eu quero. Obrigado.

Temos que ouvir mais um.

Podias ter esperado uns dias.

Podia. Podia ter dado o flar nesse dia ainda.

As coisas que ouvi são sempre grandes.

Oh, pau, Borges. Vamos ouvir mais um áudio, desta vez do Quino 5. Sabem quem é o Quino 5?

Quino 5?

Bom dia, primeiro não tens que...

Olha, sou eu.

Mas é.

Quino 5 sou eu. Estás a ver?

Quino 5? Quem é o Quino?

É um humorista.

Também é lá do concurso?

Português. Não, está na Suíça.

Quino. Quino é o quê?

Chama-se Quino.

Quino é uma banda desenhada. E não é um projetor. Quino era o autor da Mafalda, sim. Mas o Quino é um nome de material técnico. Tenho que pesquisar isso.

Tens que pesquisar isso e eu tenho que ver se encontro aqui.

Há poucas coisas melhores na rádio do que isto.

O quê? Estes silêncios, não é?

A minha melhor memória de Natal. Para mim foi no ano que eu fui a Portugal de surpresa e que decidi vestir-me de Pai Natal. Então, nós por hábito, lá em casa, alguém se veste de Pai Natal. E nesse ano era a minha cunhada. E eu decidi combinar com ela, na hora que ela fosse se vestir de Pai Natal, que saísse da sala, entrava eu. E assim foi. Entrei eu, o pessoal pensava que era a minha cunhada, só que parecia que alguém lá na sala tinha visto um Pai Natal verdadeiro. Sempre atrás de mim, não me largou. Toda a noite atrás de mim. Foi a minha mãe: "Opa, é o meu filho, eu conheço este andar, é o meu filho. Opa!" Na hora que eu tirei a barba, os óculos, o chapéu, tudo, foi ali um choro, um momento top, mágico, de abraços. Foi lindo. De pior memória, graças a Deus não tenho, sinceramente, até a data de hoje. Temos aí uma cena irônica, também foi de surpresa, para contar, ainda hoje contamos. Nós agora temos um primo novo em casa, que resultou com a minha prima. Então nós chegamos também de surpresa, todos aqui da Suíça, de manhãzinha cedo. E quando chegou à noite, na entrega das prendas, começou: "Esta é da prima pro primo Hugo. Esta é da tia pro primo Hugo. Esta é da avó pro primo Hugo." Só faltou o cão entregar ao primo Hugo. Tudo pro primo Hugo. Ninguém recebeu prenda nenhuma. Nós olhámos uns para os outros, como quem diz: "Foda-se, lá fomos." Ainda sai minha tia: "Eu não sabia que vocês vinham." E o meu irmão: "Já estamos aqui desde manhã, ainda dava tempo." Como quem diz: "Já fomos da família, é o primo Hugo." Chegou o novo inquilino! Não foi de má memória, mas foi ali o momento, ironicamente, já fomos. Para mim, o Natal é sempre mágico, é bonito, que estejamos em família, com saúde. É sempre um momento bonito e quando é de surpresa, ainda é mais top.

Este Quino Sinc é um humorista, também faz stand-up.

É uma mistura de Fernando Rocha com o palhacinho do circo.

Não, mas ele é muito bom, porque ele é de Chaves e ele faz stand-up na Suíça, também já fez em França, em francês, e tem bastante sucesso lá e já fez cá também, já fez com o Rocha, inclusive, também já fez em alguns cartazes, ele é muito engraçado. E é muito autêntico, é muito terra a terra. E esta coisa de, de facto, ele vive o Natal, como está fora e em nome da maior parte dos imigrantes.

Pois é.

Veio cá na altura do Natal.

Vivem o Natal de outra maneira, acho eu.

De outra forma, porque estão com a família, estão presentes com a família.

Isso é a tal cena de...

Já tive um Natal muito fixe na terra dele, onde ele está.

Na Suíça?

É espetacular, nos Alpes, que maravilha.

Por quê? Por causa da neve, não é?

E a ver a Música no Coração, como sou um bocado lamechas e até gosto da quadra.

Ninguém te deixou nessa altura.

Daquele clássico. Não, só mais tarde. Era a minha ex-mulher, só mais tarde. Mas estamos a ver, ela também adora ver a Música no Coração, e então estamos num chalé e começa a ideia dele quando começa a dar a Música no Coração, começa a dar porque ela levou o DVD de propósito pra cumprir a tradição. E os primeiros planos da Música no Coração são altos planos de helicóptero, não é? Não havia drones, dos Alpes Suíços, e a neve. E nós olhamos pela janela e olhando pra janelas parecia que o filme continuava.

Com aquelas eras gigantes.

Estávamos no sítio perfeito pra ver o filme.

As minhas filhas, por exemplo, nós nas férias de Natal procuramos sempre fazer uma viagem. Eu, por mim, ia sempre pro calor. Ia sempre pro calor. E elas querem-

Ir pra neve.

Ir pra neve, porque a neve é que é a cena de Natal.

Não, é. Tá sempre associada.

É a cena de Natal, e então-

Elas vão pra Serra da Estrela.

Hã?

Podem ir pra Serra da Estrela.

Olha a confusão.

Mas ficas cá.

Vão elas, eu fico cá.

Depois ficas cá a jogar.

FC26.

FC26.

Já falámos hoje de Guilherminho Chery, FC26.

Não, mas o que nós gostamos mesmo-

Baccus!

Baccus, as melhores camisas.

Até estamos a despedir-nos da rádio.

Não, aliás, estamos a despedir da rádio e dizer uma belíssima prenda, cá está estas camisas, que assentam que nem uma luva a qualquer homem, com camisas Baccus, faz dos homens nacos, já sabem.

Exatamente.

Portanto, é uma belíssima prenda para situações informais, formais. 100% português.

Claro que nós temos o nosso patrocinador, mas as camisas são mesmo fixes.

São mesmo.

São mesmo. E têm feito-

Furor.

Furor. A malta vê: "Epá, boa camisa, bom corte".

Já usámos no primeiro episódio e já usámos nos Açores. Pronto, agora a malta não quer. O Borges tá aqui, olha pra isto.

É verdade.

Parece um cigarro.

Na terceira parte, exclusiva digital. Vamos falar de filmes pornô natalícios.

De Natal. E eu vou vos contar os meus dois melhores Natais, que são 8 e 80. Hã?

8 e 80.

É 8 e 80.

Em 1880? Tinha ele 15 anos.

1908, também.

Tinha ele oito anos. 1908.

Sejam ordinários, pá. Até pra semana! Fiquem bem e não se esqueçam: ó, ó, ó.

Homens de uma certa idade.

Agora sim, agora é que vamos. Como é que é? Natal é sinônimo de...

Comer que nem uma larva. Olha, a mesa, estava me a lembrar há bocado. Isso é uma cena. Lá está, como eu sou muito guloso, o que eu gosto? É de comer. E é de castanhas de ovos.

M&M's. Para mim, eu associo o M&M's ao Natal.

Por quê?

Por causa de uma tia minha, que já faleceu, que era uma senhora muito, ela não podia nadar pra longe, senão tentavam descobri-la, acho que era a décima ilha dos Açores. E ela adorava comer. E ela trabalhava, ou o marido trabalhou durante uns anos valentes na base. Isto os açorianos sobretudo os da Terceira. Ela tinha acesso a chocolates que só os americanos é que vendiam. E então ela quando ia à nossa casa pelo Natal, ou nós ia à casa dela-

Antes dos M&M's aparecer em casa.

Quilos e quilos de M&M's e Kisses-

E Reese's.

Butterfinger.

Butterfinger.

Reese's, Hershey's.

Hershey's.

Que agora vende-se nas estações de serviço. Esse chocolate pra mim é Natal. E sabe tão bem a manteiga de amendoim, adoro. De vez em quando vou pôr gasolina e tenho que ir no Hershey's, que são assim duas rodelas, dois medalhões.

Sim.

Chocolate e manteiga de amendoim, muito fixe. E então eu identifico, associo os M&M's ao Natal. E até quase não como no resto do ano, até porque aquilo é muito guloso.

Eu, por acaso, achava que vocês dois tinham mais cara de gostar daqueles doces tipo filhoses, em rabanadas.

Sabes que nos Açores os doces são bastante diferentes. Eu lembro-me de ficar muito surpreendido, não fazia ideia o que era as fatias douradas.

Fatias douradas ou fatias paridas também.

Nós temos lá uma coisa, a minha avó materna fazia isso tão bem. O doce mais delicioso, eu adoro tudo que tenha ovos, ela fazia. É uma filhosa típica dos Açores, acho que da Ilha do Pico, ela sabia fazer aquilo muito bem. É uma filhosa em altura com creme de ovo por dentro. É uma mistura de oco e creme de ovo.

Cornucópia.

Não, isso também fazemos, mas a cornucópia é mesmo a cornucópia, é um cone, e o ovo está todo ali. Esta filhosa, imagina, massa folhada.

Ah, OK. A massa de...

Aquilo cresce e o interior é Meio louco e creme pasteleiro. É uma coisa deliciosa.

E isso é tradição natal lá?

É um dos nossos doces. E temos os coscorões, mas acho que vocês também têm.

Sim, coscorões. Mas há vários coscorões. Há uns que são mais secos.

Também há uma tradição muito fixe nos Açores na altura do Natal, que é o Menino Mija. Chama-se mesmo o Menino Mija. As pessoas vão à casa umas das outras-

Mijam na casa das outras.

Mija, sim, senhor. E até há copos. O Menino Mija. Mija, sim, senhor. Entras e bebes os copos.

Pensei que ias mijar a casa das pessoas. Também era giro.

Também era engraçado.

Na igreja, o padre tem uma representação do Menino Jesus ao colo e tu dás um beijinho no pé do Menino Jesus.

Onde é que ia ser?

Já não sei a explicação.

A história do Menino Mija. O que me fazia impressão era jantar de Natal, mesa farta, come ao caraças, a malta enfarda. Depois ficas ali, à meia-noite voltam a montar a mesa outra vez, com os camarões, com o queijo, com não sei o quê. E um gajo além de estar a comer, não ter fome.

Mas só por gula.

Exato. Já só estás a comer, porque sim. Porque é Natal, porque tens que comer.

Sim, o Natal também é muito essa ideia.

Eu a chorar, as lágrimas a caírem porque o meu estômago já não consegue abrir mais, mas eu continuo a meter os camarões na boca e a comer pastéis de nata e sonhos e castanhas douradas e tudo.

E depois é sempre a mesma coisa, quando se convida a família toda. "Tu trazes isto, trazes aquilo. Não vamos trazer comida a mais, porque se não vai estragar e depois sobra", não sei o quê. É sempre a mesma coisa, fica sempre comida.

E o melhor é o pequeno-almoço do dia a seguir é as fatias douradas.

Parece que ainda está bom.

É o bolo-rei.

Pois é.

Olha, falar em pequeno-almoço, e que bonita palavra, pequeno-almoço.

Tu sabes porque não tem como. Isto merece palmas. Bonita palavra, pequeno-almoço.

Pequeno-almoço, porque é pequeno almoço.

O que é um pequeno-almoço?

É um almoço mais pequeno, porque a seguir temos o almoço.

Não, também, o que importa.

Também temos ter jantar-almoço à noite. Mas bom. Vou lançar o terceiro Ultimo Voice, do Eduardo Canavês, para nos falar do seu pior e melhor do Natal. Vamos ouvir.

Como é que é, malta? Bom dia. Antes de mais, deixem-me cumprimentar este painel de ídolos e referências na comédia portuguesa e cumprimentar também o Raminhos. O que eu vos posso dizer? Memórias más e boas de Natal. Eu vou-vos dar uma que tem os dois. Uma só consoada, que tem os dois. Eu venho de uma família cujo lado materno não é propriamente ligado à tradição de Natal. Estamos a falar de comer arroz de marisco, frango de churrasco, maior parte das vezes. E os meus avós, que gostam de ceitar às 18h30, portanto aguentarem até às 21h30 da noite é duro. Então muitas vezes eu chegava à casa do Natal dos meus avós, chegava à casa e eram tipo 21h da noite, 21h, 21h30. Eu ia jogar PlayStation e conseguia ouvir os vizinhos em alto rebuliço. Ainda não abriram as prendas. E isto me ama a memória de Natal. Porque era tipo: "Foda-se, está aqui uma família a divertir-se, caralho, e um gajo já está aqui a formar um Division Rivals no FIFA". E conclusão, houve um dia que eu disse que não, não ia aceitar, e fui tocar à porta dos gajos para me juntar ao Natal deles. E cá puta. Foi ver um Natal a sério. Foi uma boa memória para mim. E ainda por cima era cada neto a faturar 700 paus limpos em envelopes, que caralho, nunca tinha visto uma cena assim, fiquei mesmo com vontade. E pronto, há de chegar o dia em que eu prefiro o meu Natal e vai ser só assim. Vamos embora. Um abraço a todos.

Quem é o Eduardo Canapés?

Canavês! Foi quem ganhou o concurso de stand up "O Último a Rir", que era meu mentorado. Ele ficou em primeiro e o Rui ficou em segundo. As minhas duas escolhas ganharam o primeiro e segundo lugar.

Portanto, aproveitaste de estar lá para sacar áudios à malta.

Claro que sim.

Fezte muito bem. Sobres a pinar no Natal? Não consigo perceber isso.

Sobres a pinar no Natal? Eu não consigo...

Então, mas é uma altura como outra qualquer.

Pinar no Natal. O que é que te dá tesão? Árvore de Natal, losanginhos, flocos de neve.

Por acaso-

As músicas

...desde que conheço a Sara.

Pina sempre no Natal.

É quando pina, é no Natal.

Não, ela tem uma lingerie vermelha, toda sexy.

Mãe Natal.

De Mãe Natal.

Não.

Sim.

Não.

Isto é mentira, estou a sugerir para ver se ela este ano faz isso. Estou a sugerir, ver se ela este ano consegue.

Eu não percebo porno natalício, não percebo.

Pois é, estava a ver que não vinha ao tema do porno.

Não me dá qualquer espécie de libido.

Mas de ver uma Mãe Natal?

Não gosto. São dois universos que eu não consigo pôr juntos.

Natal e-

A coisa fofinha do Natal e tudo

Não consegues dizer assim: "Eu portei-me muito mal, Mãe Natal."

Consigo, não tenho altura.

"Eu portei-me muito mal. Fui muito mau menino."

Vais ter que ser castigado.

Depois ela chama o Pai Natal.

E os duendes.

E os duendes. Nem sexo na noite de Natal. Vocês nunca tiveram sexo na noite de Natal?

A barriga tão cheia.

Nunca.

Não dá. Sabes por que eu não consigo ter sexo na noite de Natal? Porque estou a jogar "FC 26". Não dá.

Olha, mas a Catarina consegue ou não?

Ela consegue. Qual é que vai ser a música? Sabes porquê? A prenda de Natal é sempre de uma sex shop.

É?

Sim, que é exatamente para ela estar à vontade. Cada um está a fazer o que gosta.

Olha, isto o box está desertinho para fechar o Natal.

O box desde o início do programa está. Cada um está a fazer o que gosta.

Já estou a ver que tu não gostas deste tema, mas tem de ser falado.

Gosto.

Vamos acabar com uma belíssima música de Natal de um grande artista nacional chamado Rochinol Faducho, ao vivo, e a música chama-se "Natal" Na segunda circular. Para ouvir, sonhar e voltar a ouvir. Isto é sobre o Benfica, é isso? Não. Tivemos que o convidar.

Sobre o Sporting.

Não, é sobre o trânsito e a confusão que há na segunda circular. Foi um gosto.

Muito obrigado.

E ainda bem que não se falou muito de pornografia, porque é Natal. Vocês conseguiram conter-se um bocadinho. E já sabem: camisas Bacus faz de vocês nacos.

Falamos para a semana por causa das boas entradas.

Um abraço. Tchau, malta.

Bom, minha senhora. Cá está, estão a rever esses instrumentos. Era bonito se a gente tivesse um acompanhamento de cordame, não é? Uma coisa assim mais... Também acho. Irmita, uma coisa assim mais... Eu sei que tens ali quatro ucranianos, são teus amigos. Podíamos negociar aqui. Olha, os quatro, uma musiqueta. Quanto é que tenho que pagar uma musiqueta? 40 euros. Os quatro? Está à bora! Não, cada um. Quarenta? Ainda por cima eu sou daqueles que gosta de arredondar. Estás é maluco, não estou? Não, anda cá, calma. Tu não podes pagar 40 euros a cada músico. Um artista como tu? É verdade, um artista como eu. Quem diria? Olha, o máximo que eu te posso fazer, e já é na loucura, ainda por cima são ucranianos e tal. Eu dou-lhes uma marquise para fazer em minha casa e dou-lhes 15 euros. Que na moeda deles equivale a 800 euros para cada um. Oi, 15 euros dá? Eu falo com eles, tu. Dimitri, para tocar corda, serrar madeira, quanto leva? Quinze euros. Fazer marquise. Dá? Como é que querem comer? Acho que com certeza. Mas são de dezembro. Sumol. Negócio fechado. Fechado. Tocar, venha tocar. Vamos lá, só os negociar. Olha, já agora. Temos dois anos de caixinhas em atraso. Vocês têm dois anos de caixinha em atraso?

O guito, pá.

Tu não podes pagar isso. Quer dizer, eu poder, podia, mas não ia ser a mesma coisa, não é? Bom. Serra e Silva Verde. Olha, este gajo é que é esperto, já está aqui a Serra e Silva Verde. Já sabes que o nosso governo... Mas cantar o fado agora. Só o título diz tudo. Chama-se Natal da Segunda Circular. Portanto, palavras para quê, não é? Quando quiserem. Sintonizo a estação ao volante do meu carrão que está preso por arames. Viro a cassete do Tony que não mata, mas que mói, e cai-me o paralames. Na segunda circular, o trânsito roça o sordino. É que um pesado bate num motociclo e lá começa a chifrineira. A via fica cortada, começa tudo à batata, num discurso sem licença. De repente, às duas por três, tudo trava na sua vez, panicar, ó ocorrência. Ai, ó lari, lolé, lé. Mesmo na noite de Natal, anda tudo a safar nas estradas de Portugal. Ai, ó lari, lolé, lé. Seja de mim ou friá, tuga que é mesmo tuga, anda sempre com o fogo no rabo. No meio do buzinão, faço aquele gesto com a mão para a besta que buzina. Ponho o volume a bombar, um cigarro vou esfumaçar. Auto-route é toda minha. Na segunda circular, o trânsito roça o sordino. É que um pesado bomba, foi contra um motociclo. E lá começa a chifrineira.

Sai da estrada, ó palhaço!

A via fica cortada, começa tudo à batata, num discurso sem licença. De repente, às duas por três, tudo trava na sua vez, panicar, ó ocorrência. Ai.

Ah, boca de incêndio.

Quem me dera ter outra vez 20 anos. Ai, como eu era, era igual à Manuela Yani. Era sensual, uma fera do amor. Até deitado no colo. Era um verdadeiro animal.

Tu és um animal.

Espetacular.

Tu és um animal.

Oi, por que parar? Não mandei parar. Estão parados por quê? Não mandei parar.

Pararam.

Dá-me um ré.

Eu toco quando tu começares a cantar.

Estás a levar uma galheta no focinho? Dá-me um ré, isso é um ré. Isso é um ré, quero um ré, ré. Isso não é igual à outra.

É agora completamente diferente, mas eu dou todos se quiseres.

Dá outro, que estás-me a enganar. Pode ser. Ai, ó lari, lolé, lé. Mesmo na noite de Natal, anda tudo a safar nas estradas de Portugal. Ai, ó lari, lolé, lé. Seja de mim ou friá, tuga que é mesmo tuga, anda sempre com o fogo no rabo. Ai, ó lari, lolé, lé. Mesmo na noite de Natal, anda tudo a safar nas estradas de Portugal. Ai, ó lari, lolé, lé. Seja de mim ou friá, tuga que é mesmo tuga, anda sempre com o fogo no rabo. Pessoas já percebam. Ó lari, lolé, lé. Mesmo na noite de Natal, anda tudo a safar nas estradas de Portugal. Thank you very much. Já pode, pode bazar. Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.