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Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.

Olá, sejam bem-vindos a mais um fantástico podcast conduzido por mim, como é óbvio, vai ser maravilhoso e incrível. Hoje com um tema sempre novo.

Hoje com um tema sempre novo.

Sim, exatamente. E a pergunta é: quando te sentiste a envelhecer? Olá a todos, eu sou Marco Horácio da Silva Biscaia Faustino, tenho 51 anos e sou jardineiro emocional pra pessoas que se identificam como eucaliptos.

O meu nome é Luís Filipe da Silva Borges, apesar da minha mãe se chamar Cabral Borges e meu pai se chamar Albuquerque Borges, eu podia ter um nome extraordinário. Eu podia ser Luís Filipe Albuquerque Cabral Borges. Cabral Albuquerque Borges e Associados. Bastava pôr "e Associados" e tinham um escritório de advogados automático à nascença, mas não, o meu nome é Silva, tenho 48 anos e sou grafiteiro de sugos. Faço grafites em sugos.

Em sugos?

Sim, personalizo cada sugo.

António Raminhos, 45 anos. O meu nome é grande, é muito grande e com muitas questões.

Também é só o teu nome que é grande. Ouvi dizer.

António José Baião Caramba.

Poxa, tu tens Caramba no nome.

Fernandes.

Tu podias ser António Caramba.

Raminhos.

Caramba Raminhos. Raminhos Caramba.

Ouvem muitas vezes: "Raminhos, caramba. Caramba, Raminhos. Olha o professor Caramba" . E sou psicólogo de estátuas nos restauradores.

Olha, e bem precisam, que elas estão cada vez mais deprimidas.

Elas sofrem com os pombos, irmão.

Posso partilhar uma notícia que eu vi aqui num site? Nos Estados Unidos, na Flórida, claro, tinha que ser na Flórida, um homem pedrado com uma mistura de ácido e xarope pra tosse salvou o cão do vizinho de um incêndio que não existia.

Uau, que herói!

Isso é muito bom, irmão.

Que herói. Só na América.

E o tema de hoje?

O tema de hoje é: quando é que te sentiste a envelhecer? E é engraçado, vou vos dar aqui uma novidade. E agarrem-se que vocês não estão à espera disto. Nós, neste momento que está a passar, estamos a envelhecer.

Tu nasces, estás a envelhecer. Na realidade. Tu nasces a envelhecer.

Isabelinha já me disse isso. Este era o meu quarto áudio da semana passada.

E agora vou lançar aqui um desafio: vamos fazer de conta que temos os três 87 anos e os próximos dois minutos estamos a fazer os Homens de Uma Certa Idade.

Dono Duarte, por um fio. Olha, eu acho impressionante. Eu estou?

Sim, diz.

Eu tenho que ir fazer xixi outra vez. Desculpem lá, mas vou ter que sair do estúdio.

Eu tenho uma coisa pra dizer.

Mas tu tens é um edredom, podes fazer à vontade.

Eu acho importante dizer isto: é impressionante como fazemos isto há mais de 40 anos, quase, e ainda não temos um patrocínio. Como é que é possível? Isto já nem fazemos no Observador.

Mas aí.

Porque vocês lembram-se que o diretor do Observador plantou uma bomba e explodiu tudo que era a cidade e nós tivemos que sair daqui e ir pra outro sítio.

Eu estou a tentar negociar um patrocínio com uma empresa. Ela continua em Lousada, já os últimos 10 anos continua naquele espetáculo em Lousada, que correu tão mal.

E eu fiquei fascinado. Se há coisa que eu gostei nestes últimos 40 anos foi quando chegaram os extraterrestres no "13 Atlas", ninguém acreditava. Toda gente achava que aquilo era um calhau e afinal era mesmo uma nave.

Eu pensava que era uma produção do Olá Feria.

Mas isso foi o disfarce que eles usaram.

Eu olho pro futuro com grande esperança, porque deixei de fumar quarta-feira.

Afinal, era cocô.

Já estamos com isto? O clipe já está.

Ora bem, Raminhos, quando é que sentiste envelhecer? Ou ainda não te estás a sentir envelhecer?

Eu sinto-me envelhecer em vários momentos do dia.

Do ataque massa a ele.

Do dia e da minha vida. Sinto-me envelhecer quando amigos, por exemplo, fazem anos. Amigos da nossa idade, da minha idade.

E quando tu fazes anos, não?

Também. Mas, por exemplo, o Pedro Fernandes fez agora, eu tenho 45, ele fez 47, se não me engano. Ele está muito bem.

Está ótimo. Faz maratonas.

Mas eu penso 47 anos e fico: "47, nós temos quase". Eu fico com pena dele. Ele está perto dos 50. Como se eu estivesse longe.

Obrigado, Raminhos.

Tu já passaste por isso.

Já estou tranquilo. Já é sempre a descer.

Nessas situações, sinto-me velho. Quando malta nova me trata por você.

Ok. Mas também é respeito, acho bem.

É, mas faz-me um bocado de impressão quando malta nova trata por você. E, sobretudo, eu acho que nós, na nossa cabeça, não temos a idade que temos.

Sim.

E achamos que até fisicamente não temos a idade que temos. Eu outro dia estava a pensar isso. Eu acho que nós sentimos, de alguma maneira, que continuamos a ter a aparência de um puto de 28 anos. Ou 30, vá, na loucura. Mas quando nos olhamos ao espelho e vemos as olheiras e, no meu caso, eu não tenho brancos. Mas cada vez que vejo as olheiras ou a pele mais enrugada, aí é que eu penso: "Espera aí, afinal não".

Sei.

Afinal estou a ficar velho.

Já não és aquele bonitão que nunca foste.

Que nunca fui.

A primeira vez, quer dizer, não é a primeira vez. Não consigo colocar no tempo a primeira vez que me senti envelhecer. Até porque eu sou um bocado diferente, mas uma das alturas que eu me senti velho, e eu conto esta história várias vezes, mas nunca contei aqui: uma vez estávamos numa área de serviço, íamos fazer roxinol e estava um grupo de putos, tipo 13, 14, 15, uma equipa de futebol, todos juntos e de repente chegam ao pé de mim e diz assim: "Você é o Marco Horácio?" Eu: "Sou". O gajo chamou os amigos todos: "Venham aqui, vamos tirar uma foto" e eu contente, 14, 15 anos. Tiraram foto e depois o gajo virou-se para mim: "A minha avó gosta tanto de si!" E então foi aí que eu percebi: realmente, já estamos aqui há alguns anos.

Eu tenho perfeitamente presente vários momentos que eu vivo numa crise de meia-idade permanente. E a primeira foi aos 18 anos, quando a entrar no autocarro, urbana, como nós chamamos nos Açores, uma senhora que tinha um filho pequenino disse: "Deixa o senhor passar", referindo-se a mim. E eu na altura tinha buço, apenas. Mais tarde também percebi: espera, senhor e senhora é uma coisa muito açoriana.

É senhor!

Pois é, senhor e senhora. Nós tratamos toda a gente, seja qual for a idade, por senhor ou senhora. Mas foi o primeiro choque. Minha segunda crise de meia-idade foi a poucas horas de fazer 25 anos. A minha namorada tinha 19 nessa altura e nós estávamos naquele dia bastante distantes um do outro e ela ligou-me a poucas horas da meia-noite e disse uma frase que nunca me hei de esquecer: "Aproveita bem os últimos momentos em que estás mais perto dos 20 do que dos 30."

Ya.

E isso marcou. Os 30 foi horrível.

Eu também.

E os 40, curiosamente, já foi muito mais fixe. Também porque fiz uma coisa muito rara: fiz uma festa, que como eu já falei aqui no podcast, devo ter feito cinco ou seis festas na vida. E foi bonito. Foi no dia em que eu decidi que ia começar a produzir, que tinha um sonho para realizar, que era uma série sobre a minha terra e que se não fosse eu a fazer, ninguém faria. Então acordei muito entusiasmado com essa decisão e iniciei um longo processo para poder pôr esse projeto de pé. Onde é que eu me senti a envelhecer, em coisas mais práticas? Para já, mesmo quando eu me distraio um bocadinho, porque realmente os nossos olhos têm sempre a mesma idade. Nós vemos as coisas com o mesmo par de olhos que sempre tivemos. Mesmo quando eu me esqueço que estou a envelhecer, os meus joelhos lembram-se. Lembram-me muito rapidamente. Mas há coisas, por exemplo, eu tinha uma memória espetacular e já não tenho. Eu hoje em dia ou tomo nota das coisas.

Eu nunca tive, é a vantagem.

Tenho mesmo que tomar nota.

Não te sentes velho.

Preciso de rever as coisas muitas vezes. E antes a gente ia gravar qualquer coisa, eu olho para o papel e pronto. Olhava uma vez na noite anterior, olhava uma vez de manhã e já está, ia fazer aquilo. E agora sinto mesmo que a memória está muito mais fraca, sobretudo a memória de curta duração. Pelos. Eu acho que os pelos são a prova de que o ser humano está longe ainda de atingir o estado final da evolução. Porque pelos nas orelhas e pelos no nariz não fazem sentido.

Mas eu acho que pelos nas orelhas é um programa genético muito bem feito, porque tu quando chegas a uma certa idade, começas a não ter paciência para ouvir certas merdas e o próprio corpo começa a desenvolver pelos porque dificulta a audição.

É um mecanismo protetor.

É um mecanismo protetor da idade. É perfeitamente normal.

Há uma notícia de um homem velhote, que está a ser processado pela sua esposa, também muito velha, porque ela descobriu que ele fingiu ser surdo durante 32 anos.

Isso é espetacular. Isso é se é que o casamento durou esse tempo todo.

É espetacular.

Por falarem de pelos, o nosso primeiro voice.

Mais xixi. Um gajo vai fazer mais xixi.

Sim.

Um gajo não faz mais.

Tens que ir ver isso.

Tem que se parar.

Tens que ir ver isso.

Já fui, fui ao urologista o ano passado. E fiz o meu primeiro toque retal e a doutora disse: "Parabéns, você tem a próstata de um jovem de 31 anos".

Olha, vês?

Então não é isso. Está tudo bem.

Fizeste esta palpação com uma mulher?

Fiz. Não sei o que é melhor ou pior. Vão te enfiar uma sonda no ânus, seja como for.

Boris, sinceramente.

Meus amigos, o toque retal é uma sonda que vos é enfiada no ânus, com aquele gelzinho que usam para as ecografias.

Olha, e antigamente era o sonda choque, lembram-se? Bom, vou para o primeiro voice de Guilherme Duarte.

Guilherme Duarte? Sou muito fã.

Também fala de pelos.

Olá aos três, como é que é? Estão bem? Isso é que é preciso. Ora, eu estou com 41 anos, mas já me sinto velho há algum tempo. Eu lembro-me, quando começaram a aparecer os primeiros pelos brancos na barba e comecei a perceber, ao ver fotos antigas, que estava a perder cabelo, tive a certeza disso. Mas lembro-me de duas situações que me fizeram sentir velho. Foi quando encontrei um pelo branco no peito, calma, e aí pensei: "Olha, está feito. Estamos perto da morte". Mas mais recentemente, quando me senti mesmo velho e que já estava ok, pronto, é abraçar esta nova fase, em que fui ao barbeiro e ele estava a cortar o cabelo e no fim decidiu passar aquela máquinazinha de fazer patilhas, passou-me nas orelhas, de lado e dentro, para tirar, pelos vistos, os pelos.

Lá está.

Que eu já tenho nas orelhas. E foi aí que eu percebi: "Olha, estou velho, estou a envelhecer".

E foi isso. Agora é aproveitar os anos que restam. Um grande abraço aos três e até um dia.

Toda a solidariedade para com o Guilherme. E adoro que me tenha contado isto, porque cada vez que eu não consigo ir ao Marcelo, eu fico muito triste.

Ir ao Marcelo?

Sim.

O que é o Marcelo?

Vou explicar. O sítio onde eu costumo cortar o cabelo e fazer a barba é com um extraordinário brasileiro, muito divertido, que se chama Marcelo Ferreira.

Ah, da bola.

Da bola, sim. E o Marcelo quando não está disponível e eu tenho que me safar noutro sítio, eu fico mesmo triste. Por quê? Porque o Marcelo, sem dizer nada, enquanto conta histórias e faz-me rir de 18 maneiras diferentes-

Rapa-te os pelos toda a lado

...pega nessa maquininha, nunca falámos sobre o assunto, e a última coisa que ele faz é vai às orelhas e vai ao nariz e trata-me disso. Às vezes também me ajeita as sobrancelhas. Marcelão!

As sobrancelhas é normal. Mas os pelos nas orelhas. Eu tinha um tio, o meu saudoso tio Joaquim Pedro, que tinha as sobrancelhas tão grandes que parecia um Klingon do Star Trek. Todas despenteadas e muito grandes, e com os pelos também a sair das orelhas, eu achava imensa piada a isso. Eu estava a pensar aqui outra coisa, que eu acho que nos ajuda a entender que nós não estamos no mesmo espectro e que ajuda ao fato de nós acharmos que não temos a idade que temos: onde é que os nossos pais andavam de T-shirt e boné? Ou de calças de ganga? Não andavam.

Ou de Crocs, como o Borges.

Crocs? Pelo amor de Deus.

Nunca vi o Borges de Crocs, por acaso.

Mandem-me abater. Se me virem de Crocs é porque eu desisti de tudo. Já não vou tocar a fazer nada. Mandem-me abater. É Crocs e numa trotineta.

Imagina.

As duas coisas juntas e tal, mandem-me abater.

Nem era preciso mandá-lo matar, porque ele matava-se sozinho. Crocs numa trotineta.

Atirava-se para a linha do metrô.

Mas é a cena: onde é que os nossos pais não andavam? Eu tenho 45 anos, faço artes marciais e às vezes penso isso. Eu tenho noção que estou rápido a fazer as coisas, mas até que ponto é que estou mesmo rápido? Estou rápido para a minha idade? Estou rápido-

Na tua cabeça, só

...na minha cabeça, só? Estou rápido no cômputo geral do pessoal que treina? O que é estar rápido? E às vezes penso: até quando eu vou conseguir levantar a minha perna a esta altura? Até quando eu vou conseguir dar uma cambalhota destas? Penso muitas vezes nisso. Ainda hoje vou estar com os mestres japoneses, que começa hoje o estágio do Shorinji Kempo, e vou estar com mestres que vieram diretamente do Japão para o estágio. E há lá dois deles, um tem 70 e tal anos e outro tem 60 e tal. Esquece. Os gajos a treinar são máquinas. E então, de vez em quando vem-me esse pensamento.

Hoje é que vais sentir velho ao pé deles.

Esquece. Os gajos são provocadores de dor.

Provocadores de dor. E se calhar vamos terminar esta primeira parte com este provocador de dores, e vamos falar de dores a seguir, porque se calhar também tem muito a ver com o fato de estarmos a envelhecer.

Se for da fila Isabel Xavier, o provocador é aquele que?

Provoca.

Provoca a dor. Exatamente.

São os mestres japoneses.

Muito bem. Então até já para a segunda parte do "Homens de uma Certa Idade", com o tema: quando é que te sentiste começar a envelhecer? E estamos de volta para uma segunda parte.

Oh!

E os óculos? E a falta de visão?

Eu comecei a usar óculos na quarta classe. E, Borges Bing Borges, quando é que eu parti os óculos pela primeira vez?

Na quarta classe, no primeiro dia.

No primeiro dia em que eu usei os óculos, claro. Por acaso numa cena de porrada.

Foi?

Então até não foi mau de todo.

Não foi mau de todo.

Não, mas eu por acaso estava só a tentar separar. Só que levei com uma cotovelada e era na fase em que as lentes eram de vidro. E então, eu tenho esta imagem muito presente, que é estar deitado numa maca, nas urgências do Hospital de Angra do Heroísmo, com uma enfermeira a abrir-me o olho e um médico com uma pinça a tirar-me vidrinhas.

Ai, que caraças.

E tive uma sorte do caraças.

Se é que tens esse olhar vidrado de vez em quando.

Isso é mesmo sono.

Obrigado.

São ramelas.

Eu podia era ter ficado com outra cor no olho, isso é que era espetacular.

Ainda bem que vocês me perguntam quando é que eu me senti envelhecer. Obrigado, meus amigos, vocês estão sempre atentos.

A gente pergunta e tu não dizes nada. Quando foste expulso das Peixeiras da Marinha Grande.

Peixeiras da Vieira, Rancho Folclórico Peixeiras da Vieira.

Foste expulso por cacicidade.

Mas ele não explicou é que esse rancho tem a particularidade, chama-se Peixeiras da Vieira, não pela localidade, mas porque eles só apanhavam vieiras.

Ya, adoro vieiras.

Era Peixeiras da Vieira.

Então vais votar no Luís Filipe Vieira, é isso?

Nem pensar. Manteigas all the way, sendo que este programa vai ao ar quando as eleições já foram há bastante tempo.

E, portanto, temos que ser tipo-

Sendo que o Borges não vai votar porque não é sócio.

Temos que ser tipo Maya e tentar.

Voltaste a ser sócio?

Só para votar no João Diogo Manteigas.

Olha, vou dizer uma coisa, não estava nada à espera que este presidente ganhasse.

Nem eu. Foi incrível.

Não estava nada à espera.

E por isso eu acho que uma salva de palmas para o: introduzir nome que venceu.

Exato. Ora, quando é que eu me senti envelhecer? Claro que eu me senti envelhecer, mas não é uma coisa que me preocupa. É quando eu comecei a combater mais Os factores de envelhecimento. Ou seja, comecei a treinar mais, comecei a ter mais cuidado com a alimentação.

Isso é tudo muito bonito para as erecções.

Não, e comecei a ter-

Também começou a combater as erecções, que ele já tinha espontâneas e mesmo de velho.

Já tinha muitas.

Ele nem repara.

Quando é que vocês tiveram a vossa última erecção matinal?

Já tinha muitas.

Ontem.

Sim. Hoje.

Então não estás a envelhecer.

Hoje. Aliás, estou a ter neste momento.

Tu tiveste uma erecção matinal? Até neste momento. Eu acredito que o Ramalho isto teve ontem.

Nesse campo, não me sinto a envelhecer.

A sério?

Sim, moléstia à parte.

A erecção matinal para mim é como se fosse Natal.

Não me sinto envelhecer.

Ele mete umas luzes e tudo.

É uma vez por ano e dá alegria.

Mas também, calma, eu tenho uma mulher sensualíssima, toda jeitosa.

Estás a dizer que a minha não é?

É verdade, vou pensar nisso.

Não sei porque é que tive com ela.

Vou pensar na tua mulher para ver se é.

É aqui que eu sinto que o Borges está a envelhecer. Está um rebarbadão.

Por acaso bem por isso.

Olha, Borges, e agora diz-me uma coisa, que eu estou casado, o Ramalho também está há demasiado tempo casado, agora tu estás livre.

Por acaso descobri que há mulheres com péssimo gosto.

Por quê? Porque gostam de ti?

Não, porque querem se enrolar com esta carcasa. É triste.

A sério?

É triste.

Conta-me lá como é que é isso.

É uma coisa de: "Não, é aquela coisa das mulheres. Olha, um projecto". Elas encontram um vaso partido e pensam: "Eu consigo fazer disto uma coisa fixe para colar na sala".

Tipo arqueologia. Com um pincelzinho consigo recuperar isto.

Vou pintar um bocadinho, vou fazer aqui qualquer coisa, vou dar um banhinho de loja. Pronto.

Olha, e não te sentes envelhecer agora voltar a namorar?

Sinto muito. Vou namorar.

Namorar, pronto, sim.

Não me sinto nada confortável. Nada mesmo. Fico muito surpreendido com a vontade de algumas senhoras, mas a minha preocupação é habituar-me às rotinas com os meus filhos. E sinto-me melhor pai, porque tenho que me safar sozinho.

Era isto, nós estamos à espera do avô Borges. Lindo! O Borges ali, família primeiro, miúdos, é assim mesmo.

E digo-te, é maravilhoso. A coisa que eu mais gosto é quando elas vão para a cama e depois eu poder ficar ali a olhar para eles durante um bocado. Não vou dizer mais nada, senão começo a chorar, mas é mesmo bonito. Olhar para aquelas carinhas.

Eu também gosto imenso de fazer isso com os filhos do Borges, mas depois tenho que me ir embora porque ele não sabe que eu estou lá.

Tens de ir para a janela.

Mas depois eu saio pela janela.

Mas tu sais pela janela, depois entro eu. Eu também gosto de olhar para os filhos do Borges a dormir.

Aliás, tenho aqui umas fotografias que tirei noutro dia.

Eu faço vídeo. Não tiro foto.

Mas outra coisa que me faz sentir envelhecer é que cada vez recebo mais publicidades automáticas no YouTube a dizer: "Maduras do Seixal querem conhecê-lo".

Mas ele não apanhou esse anúncio.

Mas há uma cena que eu acho que contribui para o facto de tu não envelheceres tanto, Borges, porque tu desde novo gostas de maduras.

Sim, sempre gostei.

Por isso, o que na altura dele era as cougars ou as milfs, agora são as tipas que ele continua a gostar.

As tipas, não.

As mulheres.

As fulanas. As senhoras, as ladies.

Que estão na mesma faixa. Portanto, ele agora está integrado nesse momento.

Olha, e está na altura de introduzir mais um voice, se calhar, sobre um amigo nosso comum, que não vou dizer o nome, mas vocês vão descobrir já quem é.

Ora, eu comecei a pensar que estava mais velhote. Não, estou a brincar. Olá, sou o António Machado e os meus primeiros sinais de que estava a ficar mais velho, eu tenho 52, mas foi para aí aos 50, que foi começar a fazer xixi mais vezes. Eu não fazia xixi nunca durante o dia. Era raro, só no fim do dia que ia fazer e eu comecei a ter de ir mais do que uma vez por dia, o que para mim é estranho. De resto, não. E começar a ver mal, começar a não conseguir ler os rótulos das garrafas de vinho. Isso para mim é que foi mau. E antes de beber, não é aquela coisa: "Já estou com os copos, não consigo ler". Não, é começares a afastar cada vez mais os rótulos para tentares conseguir ler. E isso é muito mau. Vá, abracinhos.

O António Machado nunca será velho porque ele está sempre a fazer voz de boneco. A gente está com o António Machado: " " É assim que ele fala.

É o eterno jovem. Tu vês bem, não é? Espetacular.

Olha, isso da visão, eu passei para pré-progressiva há uns mesinhos.

Eu, por exemplo, consigo ler o que está ali naquele livro.

Eu também, Agenda Planner 2025.

Sim.

Mas se eu pegar agora neste telefone, sem óculos, eu vejo uma arrasca para ler estas letrinhas. Sandra Fernandes mencionou-te num comentário. Vejo uma arrasca, porque estou sem óculos neste momento.

Tu mas estás a ler sem óculos.

Sim, mas vejo à arrasca. Tive que me concentrar.

Por quê? Porque é a Sandra Fernandes?

Não, tive que me concentrar porque as letras ficam todas encavalitadas uma na outra.

Sónia Araújo curtiu a sua foto. Sei lá, outra coisa que eu sinto, é a tal cena que eu acho que vai muito por aquilo que tinha referido na primeira parte do quereres parecer jovem, mas só na tua cabeça é que é.

Mas eu tenho mesmo medo de estar a ser ridículo. Eu nunca tive fashion sense nenhum. Eu visto-me como sempre me vesti.

Sim.

Portanto, isso até me dá um certo consolo, que é: "Sempre me vesti desta maneira".

Sim.

Outro dia vi um velhote, estava na terceira, e vi um casal de velhotes Turistas, não sei qual o país, mas o senhor tinha uma pinta. Mas um homem de 70 anos. 70 anos, na boa. Uns óculos de massa pretos. Não era ricaço. Aquele ar de ricaço.

Ostentação.

Não era ostentação, nem me parecia ser uma coisa estudada. A roupa ficava-lhe tão confortável. Ele tinha um ar tão cool. Ele tinha 70 anos, uns óculos de massa pretos, talvez tartaruga, talvez com uma certa mancha. Ainda por cima eu sou um cara muito distraído, portanto para eu ter reparado nisso. Ele tinha umas calças de ganga pretas rotas, não demasiado rotas, mas com um rasgão ou outro, uma bota discreta, e tinha um chapeuzinho de aba larga, mas não ostensivamente larga, e tinha uma camisa supercomprida, uma camisa preta com um estampado não demasiado ostensivo, umas riscas brancas, qualquer coisa de zebra, mas não na camisa toda. E a camisa era muito comprida, quase como uma camisa vestido. Eu estava a admirar: "Este homem tem 70 anos, a pinta dele". E a senhora também estava muito bem, mas era um género mais: ele destacava-se, ele tinha uma singularidade. Eu nunca fui uma pessoa que tivesse qualquer espécie de estilo ou de noção, ou que sequer procurasse, não vou ver o que é a estação. Eu gosto de estar confortável. T-shirts largas, calças de ganga. Mas às vezes também penso: será que alguém vê? Eu começo a dar um workshop na segunda-feira. Obviamente, eu estou cada vez mais velho, os alunos estão cada vez mais novos. Às vezes chego a pensar: será que eles vão achar-

Tu estás armado em jovem.

De boné e calças rotas.

Só porque queres armar em jovem.

Para parecer jovem. Embora também me parece que uma das coisas interessantes das novas gerações é que a gente está sempre aqui a ser nostálgicos, e acho que por bom motivo. Mas as pessoas hoje em dia são menos, acho eu, julgadoras, são menos judgmental. Aceitam mais.

Sim, não ligam tanto a isso.

O meu pai, ainda recentemente, fui ter com ele e eu estava de calças rotas. E o meu pai, subtilmente, discretamente, mas diz: "Tu agora fazes isto e fazes aquilo. Olha, há uma loja na Avenida de Roma que eu gosto muito. Queres ir lá? Eu compro-te umas calças."

"E depois vamos à sapataria Charles."

Exatamente.

Vamos à sapataria Charles. Mas eu penso: até que ponto quando eu for mais velho, vou deixar de usar a roupa que uso? Eu acho que não vou.

Tu falaste nisso, é verdade. Nós temos um medo de parecer ridículos, porque estamos sempre com medo de sermos julgados pelos outros, porque eu também não penso naquilo que visto ou deixo de vestir. Às vezes vejo pessoas da minha idade e, como o Boris contou, penso: "Grande pinta. Eu se calhar ficava giro vestido assim desta forma", mas depois penso: "Mas isso não sou eu".

Exato.

E um cara com idade, há uma coisa que um cara ganha que é ótimo, que é tu ficas sem filtro e estás te a burrifar para aquilo que as pessoas acham daquilo que tu tens vestido ou não.

Sim, também é verdade.

Porque tu já tens a tua vida feita, já fizeste a tua carreira, tens os teus filhos.

Mas depois há certos momentos. Só para contextualizar, Ponta Delgada será a capital portuguesa da cultura durante o ano 2026. A comissária deste grande evento é Cátia Guerreiro. Cátia Guerreiro escolheu-me para curador da área de cinema e audiovisual e houve, muito recentemente, uma assinatura de protocolo em Ponta Delgada, e vinha a ministra da Cultura, vinha o ministro da Educação, estava o presidente do governo regional. Para ter alguma noção do contexto.

Vestiste a rigor, claro.

Eu fui comprar uma camisinha branca à Modalf.

Muito bem!

Pula por dentro das calças, com umas calcinhas pretas e meti um blazer. E obviamente, não estava de bonés, nem de gorros. E aconteceu uma coisa que eu não sei se é boa ou se é má, que é a quantidade de gente que me disse: "Gosto de te ver assim, devias andar assim mais vezes". Na altura tu recebes isto e pensas: "Olha que fixe". E depois à noite eu pensei: o que estas pessoas estão a dizer, por outras palavras.

Veste-te como um adulto.

Sim, exatamente.

Veste-me como um senhor. Por outras palavras, é que foi refrescante terem-me visto com banho de loja.

Há uma piada de um comediante que é o Nick Swardson, digamos que é uma espécie de João Seabra dos Estados Unidos, que eu gosto bastante. Mas é muito a bardeja também, mas tem piadas muito engraçadas. E ele tem uma que diz: "Vocês já repararam que no tempo dos nossos avós e bisavós, nós enquanto netos, dizíamos assim: 'Ó bisavó, como é que era a música no teu tempo?' E a avó diz: 'Sabes, meu netinho, eu gostava muito de ouvir esta', e vai e mete o disco, e o disco é ".

A tocar na grafonola.

"Na grafonola. Eu gostava muito, dançava muito ao som desta música". Nós quando chegarmos a velhos, os filhos do Boris viram-se para o pai: "Ó pai, que música tu ouvias quando eras novo?" E o Boris diz, velhinho: "O pai gostava muito daquela: 'Fuck yeah, fuck yeah, yo motherfucker what is shining in the night. When is in the fight is in the fighting in the fight.'" Porque é a música que nós ouvimos bastante, eu e o Bórgio. Muito hip-hop, muito Kendrick Lamar. Depende. Há coisas boas que ainda se fazem cá.

E agora imagina os meus netos. "Sou da Praia da Vieira, a terra dos meus amores. Praia de lindas peixeiras e de nobres pescadores". Se calhar terminamos com esta bonita música.

Já temos áudio da segunda parte?

Já. Bem velhote.

Eu disse a memória de curta duração.

Na terceira parte vou falar de uma coisa que nos assiste a todos com a velhice, a vocês até mais cedo, mas que eu comecei a sentir a partir dos 50, que é uma coisa chamada flatulência.

Sempre tive.

Se flatulência fosse desporto olímpico, o Raminhos era recebido por milhares de pessoas no aeroporto.

Pronto, então vamos deixar esse tema.

Mas depois as pessoas rapidamente se afastavam.

Exatamente. Era flash mob. Portanto, vamos deixar este tema para a terceira parte.

Muito obrigado. Continuem a acompanhar-nos na rádio e continuem agora também no digital.

No digital. E àquelas pessoas que continuam a dizer que nós devíamos estar desempregados e que não temos graça nenhuma.

Quem é que continua a dizer isso? Ninguém continua a dizer isso.

Continua a dizer eu.

Mas é conversa de velho. Ele vê um comentário e fica com isto na cabeça. Porque aquela senhora...

Não, eu é que digo isso, que nós não temos graça.

São as vozes na cabeça dele.

Eu é que tenho outras páginas e escrevo isso. Vocês é que não sabem. Beijinho grande a todos e pensem naquela mítica frase: "Envelhecer está na cabeça". A cabeça é que envelhece, portanto mantenham-se jovens com t-shirts largas e bonés na cabeça.

As duas coisas envelhecem. Uma vez um urologista disse-me. O pênis também envelhece, estou a falar sério.

E com esta frase filosófica terminamos aqui na rádio. Até já.

Sim, senhora. Diz lá, o que querias dizer?

Agora é a flatulência.

Sempre tive.

Tive, mas agora noto que tenho mais.

Não, eu tenho mesmo. Sempre tive. Como era bastante, é um bocadinho difícil.

E é com cheirinho ou sem cheirinho?

Depende dos dias.

Depende. Mas tu podes escolher.

Posso escolher? Como?

É uma arte que podes dominar.

Como? Ensinem-me. Mestres, ensinem-me.

A bufa silenciosa é morte.

Sim. Geralmente quando é silenciosa é porque traz...

Mas a velhice traz outra coisa.

A bufa trompeteira é alegria, festa e júbilo.

É como os vinhos velhos. À medida que envelhece a bufa fica assim mais apurada.

Refinada?

Eu não sei se fica mais apurada. Eu acho é que ficamos mais descontraídos em relação à bufa.

Eu sempre tive.

O quê? Não consegues contrair?

Ele sempre foi muito descontraído em relação à bufa. Eu espero que não esteja ninguém presente. E depois largo como se fosse Réveillon.

Ai é? Mas vocês não conseguem controlar o esfíncter?

Eu consigo.

Eu consigo. Eu toco metade do hino nacional, meu amigo.

Eu consigo controlar o esfíncter nesse sentido de posso dar ou não dar. Mas para quê? Para que eu vou estar a guardar coisas para mim? É perigoso nós guardarmos coisas para nós.

Há um mito que corre no meio artístico e se tu tens o teu telemóvel podes mostrar provas disso, que havia um grupo de WhatsApp entre comediantes.

Mas eu não tenho.

Champions League.

Champions League, em que vocês competiam entre uns e outros.

Não, eu não tenho qualidade.

É difícil eu encontrar esses áudios agora aqui.

Há um grupo no WhatsApp que se chama de Champions League e é formado por alguns comediantes e não só.

Não, até nem são muitos comediantes.

Eu gostava muito. Eu estive nas preliminares, mas não consegui.

Não conseguiste passar.

Não consegui. E o Raminhos tem mais qualidade do que eu e acho que também nunca integrou o grupo. Mas eu cheguei a ouvir, no grupo de Champions League, uma bufa enviada pelo nosso amigo Hugo Sousa, comediante, embora o autor em questão não era ele, era um grande amigo dele e esse flato durava qualquer coisa como 23 segundos.

Estás a gozar.

Impressionante.

23 segundos?

O que demonstra um domínio do esfíncter ao nível. Este homem, se fosse maestro, era o Rui Massena.

Era o Rui Massena.

Eu estou a pedir ao Hugo para enviar.

Pede, que até o final da emissão gostava de partilhar isso com os nossos ouvintes.

No fim já não era bem. É possível que ele tenha morrido.

Depois do sucedido. Mas eu sinto isso, ou seja, sinto que estou muito mais intolerante a algumas comidas, ou seja, se eu comer alface à noite, já sei. É que me dá má velha.

Alface?

Alface provoca gases. Vocês já ouviram alguma coisa sobre tu poderes ficar... como é que se diz as pessoas que não se dão bem com queijo?

Intolerante à lactose? Intolerante à alface?

É verdade que um tipo pode desenvolver intolerância à lactose depois dos 40?

Não sei.

Eu acho que li qualquer coisa sobre isso.

Mas tu podes ler muita coisa na internet.

Intolerante a pessoas que são intolerantes à lactose.

Intolerante a pessoas ficas, bastante.

Mas eu ainda não percebi o que é, mas há alguma coisa que me anda a cair mal, que eu quase todas as semanas fico: "Epa!"

Não será a heroína?

Não sei. O que é que tu costumas comer ou beber habitualmente?

Uísque. E beber.

Não, isso não é de certeza, isso só te faz bem.

Não, como eu já disse, eu só bebo em trabalho.

Mas o problema é que ele trabalha todos os dias a toda hora.

Não. Eu em casa. Eu estou na minha casa nova há três ou quatro meses, não abri uma garrafa de vinho, sequer. Não bebo em casa.

E a fumar? Como é que está? Está um maço? Ou voltaste a aumentar?

Houve aqui os três dias que eu estive em São Miguel, estava nervoso e acho que violei os três dias.

Tristeza.

Mas ontem e anteontem foi menos que um maço.

Então está a apertar. Já sabes o que a gente falou.

E o boxe?

Ainda não começou.

Ainda não começou Então não começou por minha culpa.

Não, a culpa não é tua. A culpa é minha que anda a correr de um lado para o outro.

Isto parece agora um mau episódio de uma novela da TVI, este diálogo. Mas vou pôr o último voice. Magda Casqueiro, sabem quem é?

Grande Magda!

Grande Magda.

Já fiz à Magda há muitos anos, mandou-me passear.

Caracterizadora.

Quem é que o Borges também não se fez?

Uma grande caracterizadora. Ela fez a caracterização do último Drácula, sabiam?

A Magda é muito querida. Por acaso ainda há dias a encontrei. Onde é que foi? É muito querida.

Vamos lançar o voice enquanto tu pensas nisso. Estás velho.

Bom, eu como maquilhadora de efeitos especiais e caracterização, e como fazemos envelhecimento a personagens e monstros, vamos sempre nos mentalizando que um dia isto tudo vai cair. Tenho 51, fui girasta, fui bailarina e tenho todas as mazelas eternas das lesões. Continuo a treinar e sinto-me bem, mas a porcaria de perder o colagénio e elastina nas bochechas da cara tira-me do sério. E a pele dos joelhos quando se estica, também. Não quero isto. Encho o meu focinho todos os dias com óleo de rícino e rosa mosqueta e com uma massagem a coisa vai passando. Mas pronto, o pipi continua impecável e das coisas boas que acontece é aborrifar-nos, porque as pessoas pensam da maneira como vivemos. Se eu já não tinha filtro a minha vida toda nesta língua, agora então sai-me tudo da boca para fora, sempre com a educação, claro. Mas um simples "não, vai à tua vida e não me aborreças" é libertador. Pronto, e confesso que há três semanas fui buscar os meus óculos progressivos, porque agora já não leio longe, nem ao perto. Livra. Beijinhos, meus queridos.

Está decidido, vou tentar outra vez.

O que a Magda quis dizer com PP? Era PP ou era pipi?

Deve ser o pipi. Estamos na terceira parte, eu acho que é o pipi.

É pá.

É o pipi.

Eu não meto cremes, não meto nada.

Pipi, rapaziada.

Eu não meto cremes.

Eu também não.

Nada.

Mas a ti nada te ajuda.

Não é para ficar mais bonito, é para manter a pele elástica.

Vocês não lavam a cara com a mesma toalha com que lavam o cu?

Por isso é que tu tens essa cara de anos.

Calma, eu não lavo a cara com a toalha, é limpar.

Costuma gabar a minha pele.

É limpar.

Sim.

Limpar, não é lavar. A toalha é para limpar.

Sim, mas certeza. Eu comecei a separar há coisa de seis, sete anos, talvez um pouco mais. Mas costumava ser a mesma toalha para tudo.

Mas qual é o problema? Isso é uma discussão.

Não arear as panelas com essa toalha também.

Mas qual é o problema se está limpo?

Sim.

Se tu limpares.

Aí pensava por uma mulher.

Sim. Agora, se o teu rabo não está limpo.

Uma coisa é tu antes de lavares, passares a toalha e depois limpares a cara. Isso, não. Agora, se tu lavaste.

É teu.

É como quando tomas banho e te limpas à toalha, também não tens uma toalha para limpar o-

Como é que vocês secam-se em baixo? Fazem aquela cena de uma mão à frente, outra atrás.

Não, isso é só nos chinelos.

E um pêndulo de toalha. Que eu já tentei e é agradável.

Eu tenho que pedir ajuda porque é muito pesado.

A toalha?

Como diz um amigo meu da terceira: "Tens carta de pesados? Então ajuda a mesma gente".

Essa é boa.

Por exemplo, a cena do urinar mais.

A ti não te assiste. Tu sempre urinaste muito.

Não, uma vez durante a noite ou duas.

Ainda não acorda para tudo.

Eu acordo uma ou outra vez, mas eu também bebo muita água e bebo água antes de dormir.

Eu também bebo mais água.

Eu bebo água antes de dormir. Mas isso é normal que vá durante a noite.

Se o teu sono era estranho, bebias água durante a noite.

Não é estranho. Olha que não é assim tão estranho, porque eu fui a uma consulta.

Estamos bem velhos.

Fui a uma consulta por causa do bruxismo, porque eu tenho bruxismo.

O que é que é isso?

O bruxismo é o ranger os dentes.

Ah, percebi.

E o médico estava a explicar que-

Se isso fosse há uns séculos atrás eras queimado na fogueira.

Eu vou ter que fazer aqueles testes, vou dormir uma noite cheio de elétrodos na cabeça.

Na cabeça? Eu já fiz isso.

Para ver o meu sono.

Já fiz.

E eu perguntei: "Mas é para dormir aqui?" E ele: "Não, aqui é só em casos muito específicos de sonambulismo". E ele diz que há casos de pessoas que são sonâmbulas e que acordam durante a noite para comer. Especificamente só. E eu perguntei se aquilo era um distúrbio alimentar, e ele diz: "Não, não tem nada a ver com distúrbios alimentares, é mesmo uma resposta do corpo a algo, pode ser mesmo a falta de respiração". É como se a pessoa dissesse: "Se eu abrir a boca, vou respirar" e então vai comer alguma coisa. É muito estranho, mas isto acontece bastante. Tens pessoas que acordam à meia-noite para ir comer.

Para ir comer. Já te aconteceu alguma vez, Borges? Acordaste a meia-noite para comer?

Desachas não.

Olha, o Hugo Sousa já te disse alguma coisa ou não?

Se calhar me acontece há muito tempo.

O Hugo Sousa eu pedi alguma rapidez no envio e cá está.

Está? Espera, deixa-me preparar as pessoas.

Incrível.

Mas queres terminar isto assim?

Não quero terminar, ainda falta a música.

Falta a música.

É preciso fazer-

São os acordes iniciais.

É preciso pôr as pessoas

Isto vai dar muito hate.

Hate porquê? Não vai dar hate porquê? Por amor de Deus, toda a gente dá puns. Andamos a brincar aqui.

Isto não são puns.

Eu sei que não são puns. O que vocês vão ouvir a seguir é: eu soube deste mito de que havia um campeonato de puns entre várias pessoas, chamado Champions League. E vamos ouvir uma dessas flatulências que acho que ganhou o caneco.

Não. O Hugo está a dizer assim: "Eu queria mandar maiores, mas não me deste tempo de procurar".

Portanto, vamos só ouvir.

Mas ele diz: "É um dos que está sempre numa forma incrível".

Pronto.

O áudio tem 21 segundos.

21 segundos, portanto, preparem-se. Atenção que isto é uma coisa perfeitamente natural, toda a gente faz isto. Durante 21 segundos em que eu desconfio que não seja assim.

Então cá vai.

Vamos a isso. Bravo! Isto é maravilhoso. Arte, isto é arte. Isto aconteceu há anos e este áudio é preservado, e bem. Isto devia estar no Museu de História Natural.

O mais impressionante é que o Marco Horácio está a chorar e não é do cheiro. É impressionante como o humor é tão básico que puns e arrotos, escatologia, funciona sempre.

Funciona sempre. Isto é inerente a toda a gente.

Mas é que se vocês repararem, a única coisa que eu consigo imaginar é um gajo numa famela.

Eu vejo com os meus.

Parece um gajo numa famela a ir-se embora, olha. Ele aqui está a ligar. E agora vai ele a caminho da estrada, olha. Estás a ver? E vai ele a fundo. Vai a acelerar.

Mete a segunda.

E vai.

Ai!

A sério.

Ai. Vamos à música final.

Vamos à música final.

Ai, meu Deus do céu.

A chorar a rir.

A chorar a rir.

Esta música é dedicada a vocês dois. Chama-se "Two Princes", vocês são dois príncipes.

Ah!

E é uma música que acho que vai animar.

Spin Doctors.

Sim. Não tanto como aquilo que a gente acabámos de ouvir. Se gostaram, podemos trazer mais um exemplar no próximo podcast. Foi um gosto muito grande. Eu não vou esquecer, este som vai-me atormentar o resto da vida. Vamos a isso.

Mete então. Qual é o ritmo! Yeah!

"One, two princes here before you. That's what I said now. Princes, princes who adore you. Just go ahead now. One has diamonds in his pockets. And that's a friend now. This one said he wants to buy you rockets. And it is him now. This one got a princely racket. That's what I said now. Got some big C love on his jacket. And it is him now. You marry him, your father will condone you. How about that now? You marry me, your father will disown you. He'll need his head now. Marry him or marry me. I'm the one who'll let you, baby, can't you see? I ain't got no future or family tree. But I know what a prince and love are ought to be. I know what a prince and love are ought to be. Said, if you want to call me baby, just go ahead now. And if you'd like to tell me maybe, just go ahead now. And if you want to buy me flowers, just go ahead now. And if you'd like to talk for hours, just go ahead now. Said, one, two princes here before you. That's what I said now. Princes, princes who adore you. Just go ahead now. One has diamonds in his pockets. And that's a friend now. This one, who wants to buy you rockets. And it is him now. Marry him or marry me. I'm the one who'll let you, baby, can't you see? I ain't got no future or family tree. But I know what a prince and love are ought to be. I know what a prince and love are ought to be. Said, if you want to call me baby, just go ahead now. And if you'd like to tell me maybe, just go ahead now. And if you want to buy me flowers, just go ahead now. And if you'd like to talk for hours, just go ahead now. And if you want to call me baby, just go ahead now. And if you'd like to tell me maybe, just go ahead now. And if you'd like to buy me flowers, just go ahead now. And if you'd like to talk for hours, just go ahead now. If you want to call me baby, just go ahead now. And if you'd like to tell me maybe, just go ahead now. If you want to buy me flowers, just go ahead now. And if you'd like to talk for hours, just go ahead now. Oh, baby, just go ahead now. Oh, just go ahead now. Oh, your majesty. Just go ahead now. Come on, forget the king and marry me. Just go ahead now. Come on, come on, come on and just go ahead now. Yeah. Just go ahead now. If you want to buy me flowers, just go ahead now. Just go ahead now, baby."