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Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.
Muito boa noite.
Boa noite, sejam bem-vindos ao "NÃO". Este é o 47º debate tendo em vista as próximas presidenciais. Boa noite, Terceira!
Boa noite, Terceira. Como é que é? Sem dúvida o melhor público que vamos apanhar esta noite.
O que é que se vai passar?
O que é que se vai passar?
Eu acho que isto é um momento histórico pra nós, é, pelo menos, porque não é ainda grande costume de se fazerem podcasts ao vivo. E portanto, eu acho que é a primeira vez que se vai fazer um podcast ao vivo nos Açores. Pra nós é a segunda vez. Fizemos isto em Sesimbra, mas estávamos bêbados e não chegámos a...
E todos nus.
Tentámos hoje, mas não chegámos a estar. Estávamos nus também, foi no Meco. E isto que nós vamos agora fazer assenta numa pergunta, num tema e vai ser emitido depois pela Rádio Observador. Existem três partes. Vou vos explicar tudo. Há uma parte de 17 minutos, uma segunda parte de 17 minutos e uma terceira parte que é um exclusivo da internet, ou seja, é a parte onde nós vamos avacalhar e dizer...
Geralmente nós avacalhamos em todas, mas oficialmente só nessa terceira é que...
Olha, se calhar podemos fazer a pergunta: quem é que daqui, as pessoas que estão a ouvir neste momento o podcast, estamos a fazer de conta, vamos perguntar aqui, quem é que destas pessoas aqui presentes na Terceira, é só fazer barulho, quem é que ouve o podcast? Muita gente. Muita gente. Eu sabia.
Só que há um pormenor.
Eu sabia.
Há um pormenor que nós esquecemos de explicar às pessoas, que é: nós gravamos o podcast num estúdio.
Exato.
Portanto, vocês vão ter que estar calados o tempo inteiro.
Exato.
Não pode haver barulho. Temos dois microfones virados pra vocês e tudo. Também temos queijo vaquinha. Temos três queijos vaquinha pras três melhores intervenções do público, porque nós fazemos isto sozinhos desde janeiro, é uma espécie de terapia, desde janeiro deste ano, mas pedimos sempre três áudios a pessoas amigas ou conhecidas pra responderem à pergunta, porque cada episódio tem uma pergunta. E hoje, com 450 almas terceirenses, não íamos pedir áudios. Então o que vai acontecer é que a Lénia vai andar aí pelo público quando chegar a altura de vocês intervirem, e as melhores intervenções ganham um queijo vaquinha, que será lançado diretamente do palco. Mas é aquele queijo de dez quilos que eles lá têm. E a pergunta é... ah, mas temos que nos apresentar.
Temos que nos apresentar.
Temos que nos apresentar. Peço desculpa.
Começa tu, Borges.
Sim. Então, Luís Filipe Borges, a única pessoa de São Carlos que não é beta.
Isto vai ser só private jokes, a gente não vai dar aqui aos papéis.
Sabes, é que eu sou de São Carlos, que é tipo Orange County. Mas pronto, os meus pais só tiveram carro quando eu tinha 15 anos e era um Renault Clio 1000 de cilindrada. E ficou sete meses na garagem, porque meu pai comprou o carro quando a minha mãe passou no exame do código.
E foi pra não estragar.
Mas depois só passou no da estrada à nona tentativa.
Para não estragar.
Então eu e o meu irmão íamos pra garagem e ficávamos a olhar pra aquele carro, a imaginar as aventuras que íamos viver naquele carro um dia, como se aquele fosse o DeLorean do Regresso ao Futuro. Mas pronto, Luís Borges, 48 anos e sou aquecedor de frigoríficos.
Muito bem. Marco Horácio, 51 anos e sou massajador profissional de vacas.
Já massajaste alguma hoje?
Sim, chamava-se Paula.
António Raminhos, 45 anos, sou comissário de bordo da SATA, mas nunca andei de avião porque chego mais atrasado que os aviões.
Não é fácil.
O que é difícil, não é pra todos.
Vou falar mal, mas a tripulação... se há coisa que a SATA tem de bom é a tripulação.
E os pilotos, sim, claro.
E o quê?
Os pilotos fazem parte da tripulação.
Sim! Então a tripulação...
Ou corre-me à bola ou...
É uma espécie à parte.
Vocês viram esta notícia? Isto é mesmo de última hora. Mais de metade dos aviões da TAP vão ficar grounded, porque aparentemente a Airbus detetou um problema qualquer que os aviões todos da Airbus precisam de uma atualização de software.
E lembraram-se de nós.
Não era incrível se a SATA de repente se tornasse uma companhia bué requisitada? Tipo assim: "Querem um avião? Eu tenho aqui uns sete milhões, toma, na Cabo Scalbe. Queres ir pra Graciosa? 1.500 euros."
Eu acho que é só falta de gasolina.
E a nossa pergunta hoje, que é provocatória de propósito, é: a pergunta deste episódio é: serias capaz de viver numa ilha?
Tu serias viver numa ilha? Serias capaz de viver numa ilha?
Pois é.
Conseguiam viver numa ilha? Eles vieram todos te ouvir.
Esta é que não estavam à espera, não é? Agora como é que eu me vou desenvencilhar desta pergunta?
Vou já atalhar. Eu, obviamente.
Claro.
Aliás, estou a tentar tratar de...
Tu és um chato. Tu és um chato, não é? Este gajo é um chato da ilha.
É assim.
Um chato.
Eu acho que a pergunta obviamente está muito relacionada. Se tu já nasces numa ilha, obviamente terás sempre essa vontade ou naturalidade de viver numa ilha, que é aquilo que tu chamas casa. E eu acho que a malta que cresce, que vive, que nasceu e cresce numa ilha, vive muito a sua região, é ou não é verdade? É verdade.
É sim.
O Borges é exemplo disso. Nós conhecemo-nos há o quê? Vinte anos, quase? Para aí?
Pelo menos.
O Borges é a pessoa mais irritante, porque eu já vim aos Açores, eu já vim à Terceira, não sei, 10, 15 vezes, 20, à vontade. Todas as vezes que eu venho a esta ilha
O Borges conta sempre as mesmas histórias sobre as mesmas coisas que eu já ouvi das 20 vezes que já cá vim. "Sabes que a Terceira tem quatro vulcões sobrepostos, é o rifte da Terceira." Eu já ouvi essa merda 50 vezes. "Sabes que a Igreja de São Mateus foi a igreja que, no terramoto de 1980, foi destruída." Eu sei, está aqui! Eu já passo aqui todas as vezes de carro. A Brianda Pereira. O quê? Angra duas vezes capital do reino. Não, a melhor é: "É tudo bom, é tudo espetacular." Eu vou com ele na estrada, ele é atropelado, o gajo dá sete voltas, levanta-se e diz: "Melhor atropelamento." Desde que seja cá. No continente, ninguém atropela assim. Nada. É incrível.
Não, e ele hoje ama-se todo.
Não estou a exagerar. Mas agora vamos ser sinceros. Eu hoje controlei-me. Não sei se também chegaram já ao fim da manhã. Porque é que achas que eu cheguei ao fim da manhã? Eu estou a brincar, mas a verdade é que ele é um contador de histórias e diz isto com muito orgulho, que é uma coisa que eu não tenho na minha terra. Eu sou de Lisboa, eu não digo que sou de Lisboa, eu digo que sou do meu bairro dentro de Lisboa. Há quem goste de ser lisboeta, mas eu não ligo.
Mas ele tem um bocado a mania.
E o teu bairro é os Olivais.
Eu tenho um bocado a mania.
Muito poucas pessoas sobrevivem aos Olivais.
Um gajo quando está a estudar, diz assim: "No fim de semana, vou voltar para a minha terra." Este está armado em cagão. "Vou para a minha ilha," como se a ilha fosse só dele.
Mas todos os açorianos dizem isso.
Pois claro. "A minha ilha." Mas ele hoje tentou, ele apanhou-te distraído e virou-se para mim assim: "Olha, a que horas é que tu vais embora amanhã?" E eu já rato, já sabia que ele vai me fazer a mesma coisa que faz ao Raminho. Eu disse: "É no primeiro voo. É o da SATA. Está marcado às 6:00, mas deve chegar à meia-noite. Mas vou às 06:00 da manhã para o aeroporto."
E como qualquer açoriano que se preze, fiquei triste, porque eu queria mostrar-te o Algar do Carvão, a Serra do Cume, a Serrinha.
Outra vez.
O Classic Bar.
Que eu já cá tive, sabes? Também.
E há outras casas que eu também costumo mostrar, mas que não pode falar aqui. O quê? Nada. Nada. Acabei de falar. Nada. Eu ia dizer essa questão de viver. Por exemplo, eu sou de Lisboa, mas era isso que tu estavas a dizer. Eu identifico o meu bairro. Eu não digo que sou de Lisboa, eu digo que sou dos Olivais. Os Olivais, para quem não conhece, é ao pé de Chelas. Estão a ver Coréia do Norte, Coréia do Sul. Eu cresci lá nos anos 80, era um bairro de famílias de classe média-baixa. Muita mistura de pessoal que tinha vindo das colónias. Havia aquele clima dos retornados que não eram bem recebidos. Muita droga, muita heroína, os agarrados na rua. Mas dávamos todos bem. Nós jogávamos à bola com os agarrados. Eles serviam de poste. A gente metia e eles ficavam lá assim. Bola vai lá e bum! E o agarrado: "Não se mexer." Remataste por cima. "Não, foi o agarrado que se mexeu." Exato. Eu gosto muito de visitar, seja o arquipélago dos Açores, seja ir à Madeira, mas é aquela coisa, não estou habituado. A vossa rivalidade é com o São Miguel, não é com a Madeira. Mas é aquela coisa, como não estou habituado, gosto de uma, duas semanas. Já agora, há amiquelenses aqui por Palmas?
Não batam palmas.
É lá. Nenhum?
Escondam-se.
Então podemos dizer mal. Não, porque sabes que isto vai dar na rádio. Vai dar na rádio. Eu fui feito nas Furnas, portanto tenho um carinho especial. Fui concebido.
Posso fazer uma pergunta às pessoas? É uma curiosidade minha.
Podes.
Não, é uma pergunta minha. Eu tenho a impressão que quando uma pessoa nasce numa ilha, com o tempo, esquece que vive numa ilha. Eu, se vivesse aqui, isto é uma rotina diária, a tua vida, tu só dás por ela quando queres.
Talvez te esqueças se a tua ilha for a Austrália. Mas aqui o mar está sempre ali. Sabes que aqui todas as casas têm vista de mar.
Sim, as mais caras são aquelas que têm vista para o forno do restaurante da frente.
As casas que não têm vista de mar aqui são mais caras.
Aquela ideia de uma pessoa atrofiar. "Tu vives numa ilha, isto vai-me atrofiar." Eu acho que não existe, porque chega um ponto da tua vida em que tu te esqueces que vives numa. Veres mar para ti é normal.
Mas, por exemplo, o Borges tem essa vontade de voltar para a sua terra. Lá está, é aquilo que eu disse, ele cresceu aqui, foi muito cedo para o continente, com 18 anos. Tive ouvido com muita atenção os conselhos do Ventura. "Volta para a tua terra!"
E agora é preciso saber se a terra também quer que o Borges volte. Lá está, isto tem que ser.
Volta, Borges!
Se calhar vai para outra ilha.
Volta! Mas foste para o continente com 18, não foi? 18, exato. O costume normal de muitos açorianos. Eu acho que é muito normal. Tornamo-nos homens mais cedo. Não ficamos em casa da mamã. Nada.
Melhor não.
Claro que me torno homem. Claro que nos torna homens mais cedo. Claro que sim, vais viver sozinho. E aos madeirenses também, à malta que vem de longe. Das coisas mais irritantes que me acontecia na faculdade era chegar à segunda-feira e haver sempre um otário que dizia: "Então, como é que estavam os Açores?" "Meu, eu não fui a casa no fim de semana." Hoje já podias, se calhar era mais fácil. Agora é mais fácil no sentido de que há muito mais voos e mais baratos. Sim, na altura era mais barato. Na altura era o quê? Eram voos diários? Não. Para a terceira, penso que na altura havia dois ou três por semana. Para São Miguel havia mais, mas para São Miguel há sempre mais. Só que saía mais barato conheceres a esmagadora maioria das capitais europeias do que vires a casa no teu próprio país. Por quê? Porque na altura era um monopólio, aquilo era concertado entre duas companhias aéreas, TAP e SATA. Portanto, havia uma semana que era € 5 mais barato na SATA e na semana a seguir era € 5 mais barato na TAP, mas continuava te a custar 400, 500, 600 paus.
Foi por isso que eu me comecei a prostituir. Mas também não correu bem, porque ninguém me pagava.
Ao fim de quatro anos, tinha quase 50 paus.
Sabes que eu tinha, quando era mais novo, nunca vos contei isto, mas o meu grande herói era aqui dos Açores.
Era o quê?
Era dos Açores.
O Paulette. Zé Camadeu?
Não, que eu ouvia sempre falar quando era novo.
António Catal?
E era burro.
Natália Correia?
Não, era o anticiclone. Estava sempre a ouvir falar no anticiclone dos Açores.
Era o teu grande herói.
Era a cena mais famosa! Era, era o anticiclone dos Açores.
Todos os Natais, a minha família tem a particularidade de criar uma discussão familiar que não interessa a ninguém. E eu nunca mais me esqueci. A discussão mais emocionante que houve foi, já devia ser 2000, o meu tio e a minha prima, a filha, passaram a noite toda a discutir sobre o anticiclone dos Açores, porque a minha prima dizia que o anticiclone dos Açores tinha influência no bom tempo no continente, que é verdade, certo?
Sim.
E o meu tio dizia que não. Só que o meu tio tem uma particularidade. A minha família é toda do Alentejo, de Beja e de Vidigueira, e o meu tio era aquele clássico das anedotas. Primeiro que ele esgrimisse um argumento, nós já estávamos no Ano Novo, porque ele começava assim: "Na Madalena, escuta. O anticiclone..."
Ele dava-se muito bem com os acarretos dos olivos.
"O anticiclone é nada disso." E eu lembro na escola de nós falarmos, e eu decorei com o ciclone é o mau, anticiclone é o bom, é o super-herói. Tem razão o que ele diz.
Sim, é verdade.
Só por curiosidade, e como nós temos a luz de frente, é mais difícil de ver as vossas carinhas, quem aqui é de uma idade como nós? Por palmas, pessoas com mais de 40 anos.
Mas parecem mais novas. Parecem muito mais novas.
É por causa do anticiclone.
Exato.
Porque as pessoas com mais de 40 anos vão se lembrar, eu tenho vergonha de dizer isto, mas um dos momentos de maior orgulho da minha adolescência foi quando um músico chamado Glenn Medeiros teve um hit internacional, Glenn Medeiros, açoriano, descendente. Glenn Medeiros, que eu depois pesquisei sobre a vida dele, ele veio a tornar-se diretor musical das Marés Vivas, até ganha bem a vida, mas ele teve um grande êxito quando eu tinha 13 ou 14 anos, um êxito mundial que era: "Nothing's gonna change my love for you. I know how much I love you." E eu: "Estão a ver?"
Mas não era do Karatê Kid? Essa não é de um Karatê Kid?
É possível. É possível que tenha entrado numa banda sonora. Está quase na altura de fazermos a nossa pausa para o final da primeira parte. Temos que referir o nosso sponsor.
É o nazi do tempo, como ele se chama.
Eu sou o nazi do tempo.
Pois é. Há malta que paga para isto, não é? Para a gente fazer.
Temos que falar do nosso patrocinador.
Nós estamos vestidos.
Isto é verdade. Somos patrocinados pelas camisas Baccus.
Senão estávamos aqui todos nus.
Camisa portuguesa. Mas é bonita, olha lá, não é?
É uma besta.
É bonita, não assenta bem? Olha, assenta bem. Arte da camisaria nacional, tecido premium, 100% português. Eu queria ter fechado a minha, mas passámos o dia a comer.
Espera aí, tenho que dizer a frase de sponsor.
Com camisas Baccus, encha de prendas de Natal os seus sacos.
É isso.
E vamos agora fazer uma pausa, terminamos a nossa primeira parte com...
Espera, ainda tenho que dizer esta: camisas Baccus, faz dos homens nacos. Até já!
Até já!
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade.
E sejam bem-vindos à segunda parte!
Estamos tão rápidos!
Eba! Não são bué este intervalo? O nosso slogan da Baccus fez-me lembrar, isto é só para esta sala e para os mais velhos, que vocês não conhecem estes anúncios.
Já sei, também já ouvi.
Até aos meus 13, 14 anos, nós só tínhamos a RTP Açores e, portanto, a publicidade que dava na televisão era publicidade por um, anúncios da RTP Açores. E havia um anúncio que era: "Corbelha, encho-me a casa até à telha." E outros que eu adorava, que era dos armazéns Clemente, em São Miguel, aqueles armazéns que vendem tudo. E então, o anúncio não tinha slogan.
Olha para ele.
Não tinha briefing.
Olha para ali.
Todo o anúncio era uma imagem da fachada dos armazéns e o jingle era assim: "Armazéns Clemente." Ias dizer alguma coisa?
Queria.
Diz.
Alguém tem que dar a sua opinião nisto. Eu fui ao ChatGPT. Toda a gente vai hoje em dia ao ChatGPT. Há malta que até pede conselhos emocionais e de relações e tudo.
Há malta que tem namoradas virtuais.
No ChatGPT. Vamos falar disso, Borges, ou não? Queres falar? Não, falamos à tarde disso. Portanto, a melhor coisa de viver numa ilha? Tranquilidade, conexão com a natureza. As ilhas tendem a ter um ritmo de vida mais lento, paisagens mais bonitas e as ordens da restrição acabam normalmente com o marido abusador afogado no mar.
O quê? Essa parte é dele. Espero. Espero eu.
A pior coisa de uma ilha: a condução do Borges.
Não é verdade.
Não, tu pareces o Fiti Faldi a ácidos a conduzir.
Houve uma vez, aqui na Terceira, que apanhamos um cagaço.
Mas não hoje aconteceu.
Hoje não. Hoje também, lá está, a gente não foi só fui conduzir contigo duas vezes.
Queres falar daquela parte que tu ultrapassaste as vacas?
Não.
Foram só três vaquinhas, ainda é uma viagem.
Isto aconteceu. Por quê? Porque lá estava o Borges a conduzir e a dizer: "Olha, aqui é não sei o quê, aqui é não sei o quê." E de repente eu vou olhar e olho, e o Borges está na faixa do outro lado. E está uma mulher na frente dele. Isto aconteceu assim, uma mulher na frente dele e a mulher tira as mãos do volante e faz assim. E o Borges desvia o carro e eu só olhar assim, eu a olhar pro carro da mulher e o Borges continuava: "Aqui é o não sei o quê. Olha, e se fores pra ali, não sei o quê." E eu preocupado se a mulher estava viva. Aconteceu ou não aconteceu isso?
Aconteceu.
A mulher conheceu. A mulher conheceu, era fã dele.
E a tia, felizmente, já está melhor.
Olha, posso só dar um beijinho à pessoa que ofereceu estes doces?
Sim.
Que são as maravilhosas donas da mielia.
Há sempre uma coisa que o Borges faz nos podcasts que enerva toda gente. Quer comer.
Quer comer. E eu tenho que cumprir essa tradição. Uma amiga do tempo do liceu, que é a Verônica. E a Verônica ofereceu esta caixinha.
Onde é que está a Verônica? Um salve. Bate palmas, Verônica.
Obrigado, Verônica, por nos engordar.
Está ali em cima, a Verônica. Muito obrigado.
Olha, vamos fazer silêncio. Vamos ter muito Borges a comer.
Isto é muito fixe, porque vem com cocaína.
É rabo de peixe. Come lá. Olha, faz lá o teu número. Façam silêncio.
Como é que se chama esta cena? O ASMR, não é?
ASMR. Olha, uma cena nas ilhas que eu acho que me poderia fazer confusão, e o tempo que eu passei mais tempo, ou melhor, a vez que eu passei mais tempo numa ilha foi há muitos anos na Madeira, que fui fazer lá um espetáculo com o Carlos Moura e o Pedro Ribeiro.
Ficaram retidos.
Não, mas foram 12 espetáculos e estivemos lá duas semanas. E a cena que me fazia confusão era que às tantas parecia uma espécie de Truman Show. Tu vias as pessoas sempre nos mesmos sítios a fazer as mesmas coisas. Isto é uma percepção minha ou acontece mesmo?
E eles são bastantes. Há mais madeirenses na ilha da Madeira do que açorianos nas ilhas todas dos Açores.
Mas isto fazia-me confusão, porque as pessoas estavam sempre, tipo, havia pessoas a trabalhar no mesmo sítio, a pessoa a beber o café, aquela pessoa a beber o café à mesma hora, uns aos beijos no mesmo sítio.
Matrix.
Tudo a fazer as mesmas coisas ao mesmo tempo.
O que tu fumavas na altura? Se é para se perceber.
Nunca me meti nessas coisas. Por acaso, uma história bonita que eu me lembrei agora. O último cigarro que o António Raminhos fumou na vida foi nos Açores.
Isto merece uma salva de palmas.
Eu não fumava, atenção.
Ele largou o vício.
Eu fumei na minha vida, pai, três cigarros.
Ele era um fumador social, sim.
Nem social. Era tipo quando nós acabávamos um projeto, algo que tinha sido especial e prazeroso, que tivesse dado muito trabalho, e nessa altura foi "As Maravilhas."
Foi uma web série.
Foi a web série das Maravilhas dos Açores.
Só fumaste três cigarros? Só houve três coisas que correram bem na tua vida?
Eu acho é que não é preciso estar sempre a fumar para marcar. Não me pareceu uma boa...
O Borges, tudo que faz, corre muito bem. Ele fuma dois maços por dia, portanto...
Exato, a vida dele é um sucesso.
Estou sempre feliz.
Mas foi assim. Não sei se foi aqui ou se foi em São Miguel.
Foi em São Miguel.
Isso foi uma aventura do caraças, porque foi a primeira vez que eu fui a São Miguel. Isto já foi também para há 15 anos.
15, 16, por aí.
Sei lá, há muito tempo. E eu já contei muitas vezes esta história aqui, mas isto lembra-me sempre, porque é verdade, o sotaque aqui na Terceira é um sotaque perceptível, mais ou menos, porque está aí o João Cota, o senhor João Cota quando se põe a falar também muito rápido, também pode ser às vezes das bebidas que ele nos oferece lá. Mas eu não percebo metade das coisas que ele diz, às tantas. Mas em São Miguel, nós conhecemos um senhor, que era o senhor Zé, e o senhor Zé tinha um sotaque tão cerrado. Eu não estou a gozar, que havia micaelenses que não percebiam o que ele dizia. E então imaginem um cara do continente. Eu estive uma semana com o homem, eu não entendi a porra de uma palavra que o cara me disse.
Google Tradutor.
Eu só reagia. O cara virava-se e dizia: "Ó Raminhos! E eu: " Ah, boa, seu Zé! É verdade! Eu não diria melhor. Tem toda a razão, seu Zé." "Ó Raminhos! E eu: " Então, não!" Era mesmo cerrado. Não era?
Era. E era o motorista, portanto...
Há uma coisa que eu acho que acontece só nas ilhas, pelo menos, e que eu já percebi que é com mais pessoas. Noites memoráveis, tipo de convívio, atenção crianças que estão a ouvir isto, com álcool, mas só quando forem maiores de idade, como é óbvio, dentro da moderação.
Aqui na Terceira ninguém bebe antes das 10.
Não.
Aqui há esse cuidado.
Em São Miguel, em Rabo de Peixe, também ninguém bebe antes das 10 da noite.
Sim. Dos 10 da manhã.
Uma vez eu fui fazer um espetáculo em Rabo de Peixe Com esse grande artista da comédia, aquele do burrito, que canta o burrito.
Quem, o Saúl?
Não. Como é que se chama? O pai do Axel.
O pai do Axel.
"Quando eu quero ver aquele amor meu, pego no burrito e lá vou eu."
É o Correia Marques?
Exatamente. Será que temos que pagar direitos agora?
Temos, e é pouco.
Isto é verídico. Eu entro em palco e lá embaixo, junto à marina em Raposeiras, montes de gente, e eu entro em palco e na fila da frente está uma miúda de 15 anos, 16, com um carrinho de bebê, um puto, e ela a fumar um cigarro. E o puto a fumar um cigarro. E eu: "Ok, vou abraçar a noite, é isto." Depois correu bem, mas hardcore. Foi fixe. Curti. E isso foi muito em Raposeiras.
Vamos fazer a nossa pergunta?
Vamos. Alguém quer ganhar um queijo Vacinha?
Alguém quer ganhar um queijinho? A pergunta é muito fácil. Calma, só uma pessoa de cada vez.
Tu tens aí uma notinha com uma pergunta específica?
Tenho, sim senhor.
Dentro deste contexto de tu viver na ilha?
Dentro deste contexto.
Sim, senhor.
Tem a ver com, se já fizeste-- não, isso é só na terceira parte. O que achas que falta na tua ilha? A pergunta é esta.
O que é que achas que falta na tua ilha?
Neste caso, o que é que vocês acham que falta aqui na Ilha Terceira? Portanto, para além de um queijo que vão receber, a pessoa que responder. Quem é que quer responder a isto? De facto, a malta aqui é mesmo muito participativa, a gente vai ter muita dificuldade.
Uma coisa que funciona muito bem em rádio é o silêncio.
É. Lénia, onde é que está a Lénia? Lénia, toma, tu escolhes. Toma lá o queijo. Damos já o queijo à Lénia e ela escolhe. Escolhes à sorte.
A Lénia vai ficar com os queijos.
Escolhe à bruta.
Uma salva de palmas pra Lénia. É assim, não tem que ser. Isto é um podcast e é uma pergunta sincera, o que vocês acham que falta na vossa ilha? E acho que está cá o presidente da câmara, pode ser interessante.
A presidente.
A presidente, onde é que está? Está lá em cima, não estava lá em cima? Entretanto, foi embora.
Está caladinha. Ai, não.
Pergunta. Bom, vou fazer música de elevador. "E quando eu quero ver aquele amor meu, pego no burrito e lá vou eu." Lénia, escolhe um.
Escolhe uma pessoa.
"Quando eu quero ver aquele amor meu, pego no burrito e lá vou eu." O que é que acha que falta na sua ilha? Não falta nada na ilha?
Atenção, primeiro tem que se apresentar e tem que dizer uma profissão falsa.
Sim.
Não pode ser a verdadeira.
Sim.
Exato.
Fala pro microfone.
Samuel Ourique, 25 anos, trabalho numa estribaria.
Portanto, passas-te as estribeiras, é isso?
Exatamente.
E pagam-te pra isso.
Falta alguma coisa à Ilha Terceira?
Eu acho que não, pra mim, não.
Não sejas egoísta, e pros outros? É só pra ti.
A pergunta é general.
Tu não vives aqui sozinho, apesar de ser uma ilha. Há mais pessoas aqui a viver contigo.
É, também não sais muito de casa. Passas o tempo na estribaria.
Claro.
É normal.
Achas que não falta nada, tens tudo?
Eu tenho.
Um Mercadona, não queria? Sei que vais-- não?
Nem pensar.
Estás a ver esse.
Cinemas, há muitos cinemas.
Pingo Doce vão ter, não é?
Quantos cinemas há? Só um? Aqui?
Muitos, não.
Praia da Vitória e?
Tens o Centro Cultural da Grande Heroísmo e de vez em quando tens recréios artísticos.
Lá está, a minha família é do Alentejo, nós tínhamos casa perto de Odemira, e eu quando ia ver um filme, por exemplo, um filme que eu fui ver a Odemira foi o "Sozinho em Casa", mas foi em 2007. Porque era daqueles sítios que os filmes estreiam quando já deu a volta ao país inteiro.
Sim.
Quando já esteve lá fora, quando já ganharam os prêmios todos, eles passavam lá.
A bobine já está gasta.
Sim, quando já vias aquilo tudo.
Demora um bocadinho a chegar, mas já temos alguns.
Mais alguém?
Mais alguém. Aproveita. Está ali uma senhora. É isso, muito bem.
Está ali uma senhora.
Aquela senhora quer responder.
Muito obrigado.
Não, não dês o queijo a ele! Não. Está a ver, egoísta, só pensou nele, não há queijo pra ninguém.
Eu desconfio quem é aquela senhora.
Se não lhe falta nada, também não falta queijo.
Exato. Exatamente. Diga o seu nome e a profissão falsa.
Boa noite, chamo Adriana Santos e sou turista.
Paga bem a viagem.
O sotaque nota-se.
O sotaque é de Almada.
É assim, eu acho que o que falta mais cá na ilha é mais concorrência de companhias aéreas.
Sem dúvida.
Isto, pra mim, pra ser turista, tem que haver mais.
Muito bem. Está muito bem.
Merece o queijo.
Merece o queijo, a senhora. Tocou ali numa ferida.
Sim. Obrigado. Que companhias é que voam pra cá? SATA, TAP.
SATA, TAP.
Não era a EasyJet também?
A EasyJet voava, acho que já não voa. A Ryanair voa.
Mas a Ryanair também não ia deixar de voar, eu ia dizer qualquer coisa. Vai ser mais caro ou pra eles é que é barato?
Basicamente, é aquela chantagem que eles fazem frequentemente, e depois o governo regional vai lhes dar mais coisas e eles voltam a voar.
Pressão Miguel.
Falem com o senhor João Cota pra lhe dar queijo.
É isso. Qualquer dia vou abrir aqui um negócio de gaivotas. Daquelas que voam aqui pro continente.
Vim pro continente, gaivota.
Acho que vai deixar de haver voos.
E vocês, eram capazes de viver?
Olha, ainda bem que me faz essa pergunta, sabes?
Viver em geral.
Não sei, por um lado, a tranquilidade, a ideia de tranquilidade e de paz.
Mas tu tens tranquilidade no sítio onde tu vives, por exemplo.
Claro, eu tenho uma filha com três anos que não me deixa dormir há dois anos e meio. Então, tenho uma tranquilidade. Não, mas acho que sim.
Eu era capaz. Há uma cena, por exemplo, nos Estados Unidos, há montes de ilhas pequenas que tu podes comprar, e eu tenho esse fetiche, esse sonho de comprar uma ilha que não vai servir pra merda nenhuma. Em Nova Iorque há uma ilha que é considerada a ilha com uma casa mais pequena do mundo, que é a Hub Island, se não me engano. Isto é verídico. Tem 310 metros quadrados, a ilha. É uma casa e tem uma árvore. É muito bonito. Para mim, ao mesmo tempo, era uma porcaria, porque eu chateio-me muito com a minha mulher e digo assim: "Vou dar uma volta!" E depois digo: "Afinal, não!" E vinha para casa.
"Onde é que está o escafandro?"
É muito engraçado, procurem. Deixem-me confirmar. É a Hub Island. Exatamente, a Hub Island. É literalmente uma casinha muito bonita. E há várias cidades nos Estados Unidos que têm essas pequenas ilhas com várias casas. Isso dá a mesma cena de isolamento, mas isso não se pode considerar. Quer dizer, é uma ilha, mas não é viver numa ilha.
E a Remax ainda não tomou conta disso? Os gajos estão em todo lado.
Nós temos os ilhéus das cabras, vocês podiam ir um para cada um.
O que ele quer? Nós estamos aqui aos papéis.
Não, porque é esse tipo de ilha que ele está a falar, com pouca área.
Mas há o arquipélago mais pequeno do mundo. Sabes qual é?
Não faço ideia.
Tem nove ilhas também, curiosamente.
Micronésia.
Não é Micronésia. Tuvalu.
Tuvalu. E está a desaparecer Tuvalu.
Tuvalu. Nada, Tuvalu nada.
Está a desaparecer por causa da subida da água.
Sim, está nove a 12 metros acima do nível da água, no máximo. E Tuvalu são nove ilhas, tem 12 mil habitantes, portanto é o país mais pequeno a seguir ao Vaticano, e tem essa particularidade: a ilha está a desaparecer, mas as ilhas são compridas. Um gajo para ir às compras, se o supermercado estiver na ponta da ilha, só tens uma estrada. Vais pra frente e pra trás. Andas pra frente e pra trás. Não fazes mais nada naquela ilha, não andas à roda.
Sabes qual é a terminação de Tuvalu para os endereços online? Isto é sério. Portugal é PT, Tuvalu é TV. E uma das principais fontes de riqueza do país é vender esse término. TV. Porque há muitas produtoras, canais e plataformas que querem ter o ".tv," que é Tuvalu. E esta informação vai vos ser útil nunca.
Vai ser muito útil para vocês usarem quando forem meter o IRS. "Não sei o quê, Tuvalu."
Estamos quase a terminar a segunda parte.
Olha, mas deixa-me só contar uma história. Uma história verídica, que tem a ver com ilhas, que eu li no jornal já há uns anos atrás. Foi um naufrágio qualquer e só três pessoas que sobreviveram foram ter a uma ilha, que eram um casal de portugueses e um brasileiro.
Soa mesmo a verdade. Essa história.
Estavam completamente perdidos. "E agora, o que nós fazemos?" O brasileiro diz assim: "Olha, vou subir ali naquele coqueiro, vou ver se passa um barco e depois aviso vocês, abana aí a mão e o barco para, a gente sai da ilha." O gajo sobe o coqueiro, chega lá em cima, olha cá para baixo e diz assim: "Português, pare de comer a sua mulher, por favor, pare de comer a sua mulher!" E o português olha pra mesa: "Mas nós estamos aqui parados, não está acontecendo nada." E o brasileiro sempre com isto: "Pare de comer a sua mulher!" De repente, trocam. O brasileiro desce, o português sobe pra ver se vem algum navio. O brasileiro aproveita e briga e "naites" da mulher do outro. O português sobe, chega lá em cima, olha cá pra baixo: "Olha que engraçado, daqui de cima parece mesmo que estão a comer a minha mulher."
Muito bom! E assim nos vamos despedir do nosso público radiofónico.
Subimos para a terceira parte.
Subimos para a terceira parte. Onde sim, vamos poder contar todas as aventuras ordinárias que já tivemos nas ilhas.
Vou contar duas histórias que eu passei em Cuba, fantásticas.
Para termos no conceito ilhéu.
Sim.
Arquipelágico.
Muito bem. Porcas? Tu não tens histórias porcas.
Não, não tenho. Eu sou um gajo muito...
Só tem histórias de amor e disso.
Amor e tragédia. Vamos despedir-nos com um cumprimento tipicamente terceirense, que é, na Terceira, quando tu vês uma pessoa conhecida na esplanada, não dizes: "Olha o Zé, olha o João," dizes: "Olholholholho."
"Olholholholho."
E a reação da pessoa na esplanada é:
Ei!
Não era o que eu estava à espera, mas também pode ser.
Estavas à espera de mais "ei, ei, ei".
Não, mas o "ue pá, ue pá" faz sentido.
"Ue pá!"
"Ue pá!"
"Ué pá!"
"A gente tá muito discreto!"
"A gente tá aqui pra esbagaçar!"
Os terceirenses falam em linguagem-
"A gente se animou!" Essa é a terceira parte.
"Se divertir, a gente se divertiu!"
Mais uma vez, só a referir, obrigado às camisas Baccus por patrocinar esta preciosa pegada.
Tínhamos que falar? Tínhamos.
Tínhamos, porque eles merecem.
Camisas Baccus. São pra homens, não são pra fracos.
Exatamente.
Nós vamos abrir uma loja aqui. Das camisas Baccus. Sim, nós viemos cá com as camisas para abrir uma loja.
Exatamente. Desenvolveremos detalhes na terceira parte.
Terceira parte.
Até já!
Muito badalhoca, a terceira parte.
Muito bem. Agora sim, vá. Agora sim, estamos a voltar todos nus. Se as pessoas na rádio ouvissem, está toda a gente nua agora. Porque é uma das noites. É que há a noite dos amigos, a noite das amigas, a noite das comadres, dos compadres e a noite dos nus. Toda a gente vai jantar fora nu.
Exatamente.
Aonde é que leva os cartões e o dinheiro? Não sei.
O que as pessoas aproveitam e vendem pra fazer swing.
Uma das razões pelas quais eu adoraria voltar a viver na minha terra é precisamente o espírito comunitário que eu sinto falta lá fora. Não estou a dizer que não haja.
Lá fora, eu acho piada que ele diz lá fora.
Lá fora!
Que para nós nos referimos-- Lá fora, longe. Houve um barulho que saiu de novo.
Qualquer coisa.
Claro que há sítios. Eu acho, por exemplo, os nortenhos muito parecidos conosco. A mesa farta, gostam de receber e são pessoas descontraídas. Mas tu em qualquer zona do continente, tens sempre aquela coisa de te meteres no carro e no espaço de poucas horas estás onde queres estar. E nós aqui temos seis séculos de isolamento, de intempérie, de três placas tectônicas que provocam sustos regulares. E então o açoriano vive mais o presente, eu acho. Esta cena de nós termos tanta festa é mesmo porque nós lidamos com o perigo.
Não sabe ainda como vai acabar.
Nós estamos mais cientes de que tudo pode acabar amanhã. Portanto, vamos beber hoje.
Vamos lá, tens ficado por beber, já foi uma sorte.
Aliás, há aqui histórias que a gente agora pode contar. Nós já contamos no podcast a história do Angrense.
Do Angrense, já.
Mas vamos contar, acho que podemos contar de novo.
Contamos estas pessoas todas mais tarde, quando estivermos todos no clássico.
Há muitos anos, eu e o Borges fizemos aqui o "Cinco para a Meia-Noite" e já não era o nosso dia, portanto, já tinha o trabalho todo feito, eram as festas juaninas. E nós resolvemos os dois ir fazer um rally das tascas a partir das 18h.
Estávamos bêbados às 19h.
Sim, às 19h e passámos pela sede do Angrense e estávamos com uma bebedeira tal, que nós saímos de lá sócios do Angrense, com quotas pagas e tudo. Agora, um pormenor. A ironia é: eu fiz-me sócio, paguei as quotas dos dois por um ano. Passados estes anos todos, quem é que é sócio do Angrense e quem é que está com as quotas em dívida? Ele é sócio.
Ah, pois é.
Ele é sócio do Angrense.
Já fui ver um jogo do Angrense.
O mais engraçado é que eu vou ao Estádio da Luz, tenho lá lugar, e certamente ia também malta daqui, e eu lembro montes de vezes. Eu contei isto ao Borges. Apanhei, para aí, três ou quatro cagaços com alguém do Angrense que me via lá no meio da malta, e eu estava lá nos copos e ouvia assim ao longe: "Ô Ramires, paga as quotas do Angrense!" E eu: "O que é isto?" Ouvi isto três ou quatro vezes, até que fui ao meu e-mail e realmente tinha as quotas por pagar, portanto, era alguém da direção, que também ia ver jogos do Benfica. Para ti não, porque tu já és um grande conhecedor da ilha, aliás, és o único continental que faz um belo sotaque terceirense.
Eu? Não estás bem discreto.
A malta lá fora.
Eles não me deixam fazer o sotaque.
A malta lá fora fala sempre um sotaque açoriano.
Depois sai um micaelense.
E micaelense, não. Parece sempre um madeirense que levou com um piano na cabeça. Para ti, Marco, ainda por cima como tu vais embora tão cedo amanhã, eu quero partilhar contigo o glossário do terceirense. Tu sabes o que são alvarozes?
Por amor de Deus, alvarozes é aquela parte do homem, que a malta até diz que tens que comprar alvarozes.
É verdade, às vezes levas um pontapé nos alvarozes.
Exatamente.
Alvarozes são jardineiras.
Jardineiras. Tipo lá perto. Está perto, jardineiras.
Overall. A sério, isto tem a ver com a nossa relação com os Estados Unidos, com a diáspora, muitos imigrantes. Se eu te disser que não estás bem discreto, o que tu achas que eu te disse? Tu não estás bem discreto.
Estou com a barriga aberta. Pode ser?
O quê?
Estou com a barriga aberta.
Não tem nada a ver com discrição.
Não?
Tem a ver com juízo. Estás tolo.
Estou tolo da cabeça?
Não estás bem da cabeça.
Está bem.
Vaca miclina.
Isso não é daqui.
Eu sei que é São Miguel, mas é a que eu gosto mais.
O quê?
Vaca miclina. Traz aí a vaca miclina.
Vaca miclina.
Isto é uma calafonice.
Traz aí a vaca miclina.
Dá uma resposta com idade. Pode ser tipo, diz muitas vezes: vaca miclina. Diz muitas vezes.
Vaca miclina, traz aí a vaca miclina, vaca miclina. Deve ter a ver com o cheiro.
O rapaz está neste momento a pôr em dúvida todas as decisões que tomou na vida, que o trouxeram até este momento. Vacuum cleaner. Vacuum cleaner.
Vacuum cleaner.
Vaca miclina. É como o frigir. O freezer.
Ainda bem que eu não disse aquilo que estava a pensar.
O freezer?
Freezer.
O freezer?
Freezer é frigorífico.
Exatamente. Freezer. Gama, Estrela.
Já pedi três gelados. Obrigado.
Gama.
Dama?
Gama.
Gama?
Quer uma gama.
Grande gama?
Quer uma gama.
Uma gama?
Tens uma gama? Queres uma gama? Queres? Queres uma gama? Tens uma gama? Pode salvar o meu amor.
Eu como artista, acho que tenho que experimentar tudo na vida uma vez, pelo menos. Dá-me a tua gama.
Ai, gaitanaria. Gaitanaria, o que vai acontecer. As pessoas estão-se a rir.
Estão? Ok. Eu também quero a gama.
Pastilha elástica.
Pastilha elástica.
Chewing gum. Pana.
Ó mulher, fogo.
Alguidar.
É o quê? Panela?
A pan.
Pen? Panela?
Macaquinhos.
Macaquinhos?
Macaquinhos. Este caso eu não me lembro.
Macaquinhos é aquela parte do homem.
O que é que são macaquinhos? Ele vai sempre para isto. Não, macaquinhos é a coisa mais bonita. Macaquinhos são os desenhos animados. Quando és criança, queres ver os macaquinhos.
Poderia ser. Andar aqui a agarrar os macaquinhos.
Os macaquinhos.
Estou tramado.
Eu não posso dizer esta.
Qual é essa? Diz lá!
Podes até a terceira parte.
A guindã.
Hã?
A guindã.
A linhã?
A guindã.
A guilhan.
A guinda-te para aí. Vai à guinda-te para aí. A guinda-te.
Tipo, vai-te embora?
Está moto, a guinda-te.
Vai para...
Vai para a guinda-te.
A guinda-te.
Tipo dizer rasga-te?
A guinda-te. Atira-te.
Agarra o...
Há aí qualquer coisa a ser recalcada.
Eu hei de acertar. Eu tenho a noite toda.
Ai, caraças. Voltando às calaf nesses, há uma maravilhosa, a mais estranha que eu já ouvi, eu acho que já te contei esta, em São Miguel.
Ah, sim?
O que é um pote filé?
Ah, sim.
O que é que é um pote filé? Pote filé. O que é um pote filé?
Pote filé.
Pote filé. O que é que é um pote filé?
Um pau de...
Pote filé.
Um pote filé.
Quem está a ouvir isto, quem só ligou agora.
Parece o Marco, estás a ter um AVC. Pote filé. O que é um pote filé.
Poste elétrico.
Poste elétrico?
Pau de filé elétrico.
Não é mais fácil dizer poste elétrico?
Pau de filamento. Há uma que eu gosto ainda mais, e juro que foi um rapaz de São Miguel que me contou esta. Lavê d'arrot.
Isso é francês.
Lavê d'arrot. Sim, mas o sotaque miguelense-
Lavier rose.
O sotaque miguelense tem muito-
De belgas e holandeses.
Vê que agarrámos lavier rose.
Por isso é que é os
Lavê d'arrot é Sprite ou Seven Up. Lata verde que dá arroto.
Muito bom! Ou seja, as latas são super literais.
Não, é que não complica nada.
A gente já contou aqui alguma vez. Isto chama-se homens de uma certa idade. Chega uma altura que já não sabemos o que a gente contou no podcast. E estamos sempre como aquela que, vais levar caporra.
Hã?
Vais levar caporra.
Agora essa sei. Está no meu bolso. Desculpa.
Já contamos alguma vez aquela, quando fomos ao Faial? No podcast acho que não.
Não, tu tens uma história muito gira.
No podcast não contamos.
Tu tens uma história muito gira.
Qual?
No restaurante.
Eu já contei isso mil vezes.
Pé de surfistas. Mas eu adoro essa história, tens que contar.
Está bem, eu conto.
Nem que seja para mim. Se quiserem podem ir embora.
Há uma data de anos, e é mais uma vez uma homenagem a Rabo de Peixe, que é uma terra espetacular, de gente incrível. Mas na altura em que Rabo de Peixe era assustador, na altura em que era a freguesia mais pobre da Europa, eu fui lá com uma data de amigos, alguns de São Miguel e vários de Lisboa. Vários eram surfistas e as ondas são fixes lá, e então os surfistas foram fazer surf. E depois fomos a um tasco de Rabo de Peixe almoçar. E o que acham que se come em Rabo de Peixe? Exatamente. Uma vez uma pessoa respondeu rabo e não estava completamente errado, mas peixe era a resposta realmente que eu procurava. Éramos 12 à volta da mesa, toda a gente escolheu um peixinho qualquer, exceto um colega nosso, Betinho, louro, olho verde, de Cascais, não se conseguia decidir. E o empregado de Rabo de Peixe, que parecia um Bruce Willis local. Camisa de alças, músculos, cabeça rapada, lápis atrás da orelha, aquelas pintinhas aqui, de quem só tem aquela tatuagem porque cumpriu pena e fez-la na prisão. Já suava, toda a gente escolheu um peixe qualquer. Suava, já estava mesmo irritado, bufava. E de repente, o nosso amigo Beto Louro diz: "Olhe, desculpe, tem bitoque?" E o empregado de Rabo de Peixe tirou o lápis de trás da orelha, encostou a sua testa suada à do nosso amigo e disse: "A louro, tu vais comer peixe. E vais gostar."
Como é que é? E ele comeu e gostou? E ele comeu e gostou. Depois, anos mais tarde, fomos a esse sítio. Eu tenho a ideia que nós fomos lá.
Ao mesmo tasco?
Sim, eu tenho a ideia que fomos lá e conhecemos esse rapaz e era mesmo assim como tu disseste.
Com os dentes.
Acho que fomos.
Sim.
Numa coisa qualquer do cinema à meia-noite.
Sim, eu lembro-me de ter ido lá e a figura era mesmo tipo era assustadora. Saiu porque é irmã dele.
Mas pronto, já que estão a insistir, eu vou vos contar então a história em Cuba. Já que estão a insistir, vocês também não podem ouvir nada. E então eu fui de férias com dois amigos meus, duas figuras públicas, não vou referir o nome, e fomos para Cuba e depois fomos para Caicóco, para a ilha.
Era o Eduardo Gautet?
Não. Era um resort e tal, às 10 da manhã já estávamos encostados ao bar a beber margaritas e um desse meu amigo é hipocondríaco. E então nós começámos a, vamos lhe dizer que estamos nos a sentir um bocado engripados e assim, que estamos aqui. E então cada vez que a gente dizia qualquer coisa, tipo: "Epá, acho que estou a ficar um bocado com febre, estou com calor." E o gajo: "Epá, eu acho que também estou." Então imagina, todos os dias dizíamos duas ou três coisas. Quando íamos para vir embora, o gajo encontrou um casal médico, que estava lá a passar férias, que tinha trazido uma caixa de medicamentos. E disse: "Olha, tenho aqui estes medicamentos, nós vamos embora, se quiserem ficar com eles." O gajo num dia mamou os medicamentos todos. Todos! Orfene, Ben-Hur, tudo! Halibut, tudo! O gajo pôs tudo. E essa minha amiga que foi, apaixonou-se lá por um cubano e o gajo trabalhava no bufê e fazia os grelhados. E a gente gozava sempre com ela: "Vais ter que o teu " E ela uma noite desapareceu e depois no outro dia voltou e disse: "Epá, estou cheia de dores." Eu disse: "Estás cheia de dores por quê?" "Epá, estou cheia de dores no rabo."
Isto é a história mais porca que o Marco Horácio alguma vez contou.
Calma! Já estão todos contentes. Vai ser uma história porca. Então, o que é que aconteceu? Ela foi com ele para a praia, para as espreguiçadeiras, pôs-se toda nua e estava de cu para o ar e as melgas comeram-lhe o cu todo. Ela estava com o cu feito num Cristo. Depois, disse assim: "Queres ver?" E eu: "Não, deixa estar." Deixa estar isso.
Olha, nós estamos quase a acabar. Ainda temos dois queijos.
Temos dois queijos.
Pois é. Ninguém quer fazer uma intervenção?
Vamos embora. Isto não custa nada. Já sabem, têm que inventar uma profissão e ganham um queijo.
Leva este queijinho. Espetacular.
Curling com queijo.
Parecia curling. Pois é, faz a pergunta.
Já toda a gente fez o tour no Queijo Vaquinha, a ver como é que se faz o queijo. São oito horas espetaculares que vocês passam lá dentro. Vão vestidos como se fossem da NASA, todos equipados. Depois estão ali durante oito horas, até se faz bem.
Eu acho que concluímos que qualquer um de nós vivia numa ilha, acho eu.
Sim, eu acho que sim.
Sim, exatamente.
Se nos aceitassem.
Podíamos abrir estes dois queijos finais a qualquer tipo de perguntas. Se alguém queira fazer. Coisas simples. Se Deus existe, se há vida inteligente fora da Terra.
Claro. Pois, se alguém quiser fazer perguntas.
Se acontece alguma coisa depois da morte, coisas simples. Se quiserem, claro, se não quiserem, a gente também corta.
Está aqui.
Está ali, mais ou menos. São sempre as mulheres a dar o exemplo. Salva de palmas para mais uma senhora.
Tem que se apresentar e profissão falsa, já sabe.
Exatamente.
O meu nome é Filipa, tenho 40 anos, sou vendedora de bananas.
Vendedora de?
Bananas.
Da Madeira.
Pergunta para o Luís, como é que tu achas que vai ser voltar para a ilha sem a Mandy viver cá?
Sem a Mandy?
Sim, a Mandy.
A minha antiga vizinha?
A tua sexy symbol, sim.
A minha antiga vizinha.
A tua sexy symbol? O que é isso? Então!
És tu?
Não, sou a irmã.
Tu és a irmã! Eia, bem. Que nostalgia!
Fica com o microfone.
Isto foi há tanto. Para já, eu estou encantado, estou mesmo. Espero não estar a corar e se estiver, é um belo momento, seja como for. Mas, Amandy, isso foi há tanto tempo que eu acho que nem era sequer fisiologicamente capaz de ter ereções. Mas a tua irmã Mandy, que hoje em dia terá, não sei, 60 anos.
47.
47. A tua irmã era uma musa para a ilha toda. Aliás, essa casa está uma coisa mística, porque está possuída pela vegetação.
Sem dúvida.
Pronto, o quintal dos meus pais dá diretamente-
Alguma coisa foi possuída, mas não foi a Mandy. Onde é que está a Mandy, neste momento?
Eu lembro-me da Mandy de vestido vermelho.
A Mandy está no Canadá.
A Mandy foi muito importante para eu perceber que capilinha não era só para fazer xixi. Lá está, eu nunca falei com a Mandy, sequer na vida, e se falasse caíam-me os dentes. Mas era uma deusa.
Está no Canadá.
Está. Pois, porque Canadá.
Tem Instagram? Ela tem Instagram?
Tem. Qual é o Instagram dela?
Tem marido? Também tem marido? E está feliz?
Parece que sim.
Então caguei.
Então não é preciso ir ao Instagram.
Eia, bem, a Mandy!
Mas merece o queijo. Merece a queixa, sim.
Merece aqueles 10 quilos, a Mandy.
Obrigada.
E mais coisas sórdidas da vida do Borges, alguém sabe? Já agora. Está lavado.
Eu era um miúdo muito certinho. Eu até para me masturbar convidava a minha pila para jantar primeiro. Levava tampa.
Havia ali uma senhora ali atrás que queria fazer uma pergunta. Está ali, olha, está ali.
Está ali o senhor.
Temos mais um queijo ou não?
Temos mais um queijo? Temos, temos mais um queijo.
Não atires o queijo.
O último queijo. Agora vai assim.
Vagarinho. Olha, viste tão lindo? Vês?
Esquilo.
Sabes fazer as coisas com classe.
Com a mão esquerda.
Amandy, com quitão.
O vestido vermelho da Mandy. Mas já agora, o teu era tio, Alex? Isso é outra... Posso contar isto? Ele é vivo ainda? Ai, meu Deus, que horror! Morreu há quanto tempo? Ah, OK, então está-se bem. O Alex era cabeleireiro, um ótimo cabeleireiro.
As pessoas já se lembram quem era o Alex.
Não!
Já estou a ver quem é a Mandy, não é?
Eu e o meu irmão. O Alex gostava muito de ir à janela de casa ver eu e o meu irmão-
A tomar banho
...a jogar à bola em tronco nu. É um elogio.
Quem nunca, não é?
É um elogio. Se hoje em dia algum homem aqui me quiser ver a jogar bola em tronco nu, é um elogio. Portanto, se hoje é um elogio, era um elogio na época.
É mesmo. Aquele senhor já tem microfone?
Já tenho microfone. Eu sou o Luís, tenho 45 anos e sou inspetor de calos de modelos de OnlyFans.
Isso parece mentira, não sei porquê.
Grande profissão.
Tenho ganho alguma espécie de calos nas mãos e noutras partes do corpo que não vale a pena. Eu queria só quase responder à pergunta do conseguires viver numa ilha, porque eu sou do continente, mas vivo cá nos Açores já há 16 ou 17 anos.
E é impressionante aquilo que nós ganhamos quando perdemos quando viemos para cá, porque era uma vida em que desejávamos que aqui estivéssemos. O Mercadona, o que quer que seja. Aquilo que nós despimos de consumismo quando vivemos cá, aquilo que nós ganhamos em termos de olhar à nossa volta e ver as cores verdadeiras que há aqui nos Açores, é completamente insubstituível. E eu não trocava isto por nada.
Espetáculo. Muito bem.
Maravilhoso. Mas espera aí, só uma pergunta. Do continente de onde?
De todos os lados.
Não. Era de onde?
Não, o meu pai era de Viseu, a minha mãe é de Porto.
Olha, mesmo de todo lado.
Pronto, ok.
Esta intervenção é perfeita para cá. E a música? Nós acabamos sempre com música.
Como é que a gente faz isso?
O Patrício tinha a guitarra. Patrício, tu achas que consegues tocar qualquer coisa com a guitarra?
Yeah.
Obrigado, Patrício. Isso é muito fixe. Podemos tirar uma foto com vocês só antes do Patrício fazer aqui-
Que é para aparecer na rádio. As fotos aparecem na rádio. Tens o teu? Tens.
Vamos fazer uma coisa horrível, que é virar.
Depois mandas a foto à Amandy. Está bem? Para ver.
Virar os nossos trajes.
Viramos assim, olha assim.
Olha.
Está tudo aí? Aquele mata lá de cima que é tramado. Não, espera aí, se eu estiver aqui aparecem. Assim.
Boa. Braço no ar, gritem todos: "Brasil!"
Mandy! Um, dois e Mandy! Já está. Está aqui o Diogo.
Olha o Diogo. Melhor realizador dos Açores, uma salva de palmas para o Diogo Rola. E pronto. O Patrício vai nos salvar com uma guitarrada. E acho que é isso.
Agradecer.
Ele foi um grande host, ele foi um MC espetacular. Muito obrigado por esta noite fantástica. Não é a primeira, já fiz esta salva três vezes.
Já sabem, podem ouvir-vos na segunda semana. Podem ouvir-vos a bater palmas na segunda semana de dezembro.
E na Gaitaria, exatamente.
No Observador e nas plataformas, onde isto depois vai passar. Muito obrigado por nos receberem com este carinho.
Senhoras e senhores, vamos acabar em grande com uma surpresa. É a primeira vez que vamos ter no fim de um episódio música ao vivo, porque vamos ter aqui o privilégio de acabar com os maravilhosos Os Homens. Os Homens! Obrigado, Rainha Vitória, obrigado, pessoal. Até à próxima.
Obrigado.
Isto estava a correr tão bem. Vocês são todos da Terceira? Então vocês têm que cantar em azêu, vocês só têm que dizer debaixo da esquiada. Valeu? Vá-me buscar as pipocas, não digas nada. A tua irmã está na água toda alagada. A tua mãe já está doida para dar porrada. A tua lagarta pingante. Debaixo da esquiada. Bonito! Já estás pronto, Diogo. Mais uma. Vá-me buscar as pipocas, não digas nada. A tua irmã está na água toda alagada. A tua mãe já está doida para dar porrada. A tua lagarta pingante. Vocês são lindos! Sou da Terceira, fico é no meio do mar. Ai, aguaceira, para a gente se consolar. Ai, nevoeiro, que não me deixa ver. Dá um pique que eu já vou lá ter. Sou da Terceira, fico é no meio do mar. Ai, aguaceira, para a gente se consolar. Ai, nevoeiro, que não me deixa ver. Dá um pique que eu já vou lá ter. Vá-me buscar as pipocas, não digas nada. A tua irmã está na água toda alagada. A tua mãe já está doida para dar porrada. A tua lagarta pingante. E digo: "vai pra." E a conversa rebola. Anda para cá e tu dizes: "estás parado." Bota-se o lixo, já não consigo ver. Dá um pique que eu já vou lá ter. E digo: "vai pra." E a conversa rebola. Anda para cá e tu dizes: "estás parado." Bota-se o lixo, já não consigo ver. Dá um pique que eu já vou lá ter. Let's go! Vá-me buscar as pipocas, não digas nada. A tua irmã está na água toda alagada. A tua mãe já está doida para dar porrada. A tua lagarta pingante. Sou da Terceira, fico é no meio do mar. Ai, aguaceira, para a gente se consolar. Ai, nevoeiro, que não me deixa ver. Dá um pique que eu já vou lá ter. E digo: "vai pra." E a conversa rebola. Anda para cá e tu dizes: "estás parado." Bota-se o lixo, já não consigo ver. Dá um pique que eu já vou lá ter. Vá-me buscar as pipocas, não digas nada. A tua irmã está na água toda alagada. A tua mãe já está doida para dar porrada. A tua lagarta pingante. Vocês! Aqui não posso voar. Estou muito tonto. Aqui não posso voar. Estou muito tonto. Aqui não posso voar. Estou muito tonto. Aqui não posso voar. Estou muito tonto. Obrigado, pessoal! Este foi o segundo "Comedy Fest". Façam barulho!
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.