Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador, porque já são homens de uma certa idade.
"Somos dois caminhos paralelos. Vamos nesta vida lado a lado. Os loucos que nós fomos, hoje dois nós somos". Abraão.
Que é isso?
Tóni de Matos.
Que lindo!
Muito obrigado.
Tóni de Matos.
Bem-vindos, homens de uma certa idade. Hoje comigo, Marco António Della Carla a conduzir esta emissão. 51 anos. Ah, o tema, tenho que dizer o tema de hoje. Não.
Não.
Digo depois.
Só fizemos isto 45 vezes.
51 anos. E sou influencer só para produtos que podem ser devolvidos pra Temu, ou Temu, como quiserem.
Só podem ser devolvidos?
Sim.
Não faz qualquer sentido.
Tudo o que eu dizer aqui-
Influencer para produtos que só podem ser devolvidos pra Temu?
Claro, porque são da Temu. Tu já sabes, tu podes mandar vir cenas da Temu e depois dizes: "Ah, isto veio estragado", eles devolvem-te o dinheiro todo e tu ficas com o produto.
Não sei se já viste aquela notícia, ardeu um armazém inteiro da Temu. 18 € de prejuízo total.
Bom. E tenho comigo, infelizmente, mais uma vez.
Luís Filipe Borges, 48 anos, malabarista de halteres invisíveis. Faço malabarismo com o peso que vocês quiserem.
A sério?
Halteres de 50 quilos, um em cada braço.
E o cachê também aumenta mediante o peso.
Aumenta. Quanto mais peso de haltere invisível quiseres, mais caro é. O número, isso é óbvio.
E agora António Raminhos, segurem-se que ele mudou de profissão há pouco tempo. António Raminhos?
António Raminhos, 45 anos, participante em todos os podcasts de Portugal.
Dá muito dinheiro.
Sim, então não dá.
Sempre que precisarem de um convidado.
Fala tudo.
Por exemplo, um podcast sobre dermatologia. O dermatologista falhou.
Que usa.
Eu vou lá.
Doutor Raminhos.
Eu vou lá. Estudo a matéria.
Estudas a matéria.
Eu pergunto que tipo de dermatologista é que queres que eu seja pra ti.
Em vez de eu é mais bolhas, eu é mais carolos.
Exato. Eu se fosse dermatologista, pra já ganhava muito dinheiro, porque eu sou um cara muito charmoso.
Pensei que era por ser bom médico.
Recomendava sempre creme Nivea. Nivea é bom pra tudo. Nivea e Halibut. E Vick Vaporub.
Isso. Se fizeres uma boa incrustação nos três.
Mas isso já não era dermatologista.
Não, dá. Picadas de insetos.
Isso é xixi.
Não, se estiveres constipado.
Xixi funciona mal.
No pezinho, na palma do pé, passas à noite o Vick Vaporub e metes e pronto. Para que eu estou a fazer publicidade, se ninguém nos dá dinheiro?
É dos melhores produtos jamais inventados.
Dá pra tudo.
O Vicks e o Gorozá.
Sim.
Gorozá é uma invenção portuguesa.
E o Vick Vaporub num cacete de pão alentejano, fica do caneco, com uma fatia. Bom, hoje o tema é: vives com algum sentimento de culpa? Cá estamos, voltamos à nossa.
Não. Obrigado. Estava à espera.
A temas de alegria, alegres e sempre bom falar. E vou começar com o Borges, que está a esfregar a cara.
Vivo com alguns, sim.
Com quem diz que: "Meu Deus".
Vivo com alguns. Durante muito tempo achava que não. Não é no sentido: "Sou perfeito". Claro que não, cometo erros todos os dias, mas durante a maior parte da minha vida achava: "Ok, errei aqui, errei acolá, errei". Até me ficou uma coisa católica fixe, que é fazer o ato de contrição regularmente, pensar como é que eu me portei, no que é que eu podia ter sido melhor. Mas depois chegava à seguinte conclusão: OK, a maioria destes erros não chegam a ser arrependimentos, porque pelo menos aprendi alguma coisa com eles. Isso infelizmente passou-me há relativamente pouco tempo. Não sei. Eu acho que há dois tipos de pessoas quando estão nos 40: aquelas pessoas que se refinam, ou acham que se refinam, e que se estão a aproximar da melhor versão de si próprias e que já sabem dizer que não. E há as pessoas como eu, talvez por ser um pessimista nato, que pensam: "Não, tu tens muito mais defeitos do que aquilo que achavas que tinhas", que se calhar são mais cruéis na sua análise. E um sentimento de culpa, entre outros, mas isto para não começarmos já na tragédia, um dramático que eu tenho e que sinto bastante é não conseguir dizer ao meu pai coisas que devia ser capaz de lhe dizer enquanto ele está cá, porque ele não vai estar cá muito mais tempo. E eu não consigo. Consigo dizer por escrito, não consigo ter esse afeto presencialmente.
Mas não consegues por quê?
Não sei.
Mas já experimentaste?
Mas olha, é libertador isso.
Já experimentei uma vez ou duas. Coisas muito breves. Somos pessoas muito diferentes. Por exemplo, ontem o meu pai chegou pra mais um tratamento pros dois cânceres que tem. Era suposto ir buscá-lo ao aeroporto, mas depois estava com os miúdos, o avião atrasou muito, não deu, mas meu pai diz assim: "Pronto, chego a esta hora". Ok, fazemos mais ou menos as contas, eu nessa altura saio de casa pra ir até ao aeroporto e ele: "Sim, se calhar mais tempo, que eu sou o último a sair do avião". "O pai é o último a sair do avião?" "Sim, por causa da cadeira de rodas". E foi assim que eu fiquei a saber, desta forma, que o meu pai agora desloca-se desta forma, pelo menos pra entrar no avião e pra sair do avião. Não fazia ideia. Portanto, não temos esse tipo de abertura. E custa-me. Claro que há sempre tempo, enquanto as pessoas estão vivas, mas eu não sei se serei capaz.
Eu posso dizer-te uma coisa. Eu tive essa conversa, por exemplo, com os meus pais, com o meu pai e com a minha mãe, antes da minha mãe entrar nos cuidados paliativos.
Pois, já falaste daqui.
Sim.
Aproveitaste e fizeste com os dois ao mesmo tempo.
E fiz com os dois ao mesmo tempo. E eu acho que a atitude que tu tens que tomar é muito de como quem está à porta de um prédio e está a chover torrencialmente e tens que ir pro teu carro e não vai parar de chover. Portanto, tu tens que simplesmente-
Enfrentar a chuva
...tens que ir para dentro da água, tens que atravessar. E sabes que te vais molhar, sabes que podes ficar, neste caso, emocionalmente ensopado. Eu conhecendo como te conheço, Bores, em relação até a outras coisas na vida, de atitudes, tu tens, se calhar, uma tendência para deixar as coisas arrastar. Às vezes, mesmo de trabalho ou de coisas, não é de arrastar trabalho, por exemplo, como a gente de ir treinar. Eu é que tenho que estar sempre a dizer: "Marca lá a cena". Ou seja, tens que ter tomates e dizer: "Pá" e vai, porque vai te fazer bem. Isso é em relação a outras coisas na vida.
Eu acho que em relação aos nossos pais, nós somos muito parecidos, porque eu também vivia um bocadinho com o sentimento de culpa, mais com os meus filhos, com o meu filho Guilherme, e agora com a Leonor também. Do meu pai não ver os netos, de eu não ir lá levar os netos, não estar com ele mais vezes, não sei o quê, porque é que não vou lá para ele estar com os netos e ver os netos. E depois, houve um dia, vocês sabem que eu trabalho com a Ana, e a Ana disse-me assim: "Olha, tu tens aí qualquer coisa com o teu pai, tu tens que resolver. Tu tens, de alguma forma, desculpar o teu pai e tens que seguir em frente, porque senão vai te ficar aí sempre essa mágoa a remoer e tu não vais conseguir seguir em frente". E a coisa boa, Bores, e eu posso aconselhar, é que eu marquei depois um almoço com o meu pai em Vieira de Leiria. A Ana foi comigo, não fui sozinho. Portanto, se o teu irmão tiver, não sei que relação é que o teu irmão tem com o teu pai.
É igual.
É melhor. Mas levares alguém, um cara precisa de suporte nessa altura.
Sim.
E o que eu sei é que nós começamos a almoçar, eu comecei a falar mais ou menos das coisas, abri o livro e a dizer: "Olha, houve coisas que passei e tal". E de repente, o meu pai começou ele próprio a dizer: "É porque fui um bocadinho duro com vocês e não sei o quê". E de repente, ouvi a palavra desculpa da boca do meu pai, que eu não estava à espera de ouvir. E eu disse assim: "Olha, desculpa também se nem sempre fui o filho perfeito, fiz o melhor que pude". E de repente, eu sei que quando saí daquele almoço, saí com uma leveza e com uma tranquilidade que já não sentia há muitos anos. Ao ponto de hoje, por exemplo, a Leonor faz anos, temos festas de Natal, temos isto e aquilo, eu ligo ao meu pai, o meu pai ou não atende, ou está a dormir, nunca responde de volta. E eu não sinto aquele sentimento de culpa: "Tenho que voltar a ligar, tenho que insistir com ele, tenho que não sei o quê, tenho que ir lá levar os netos". Porque é uma opção dele. Se ele quiser se aproximar dos netos, se ele quiser estar mais perto de mim e da família, ele também, que não é um velho caquético, ele também já tem idadezinha para se chegar à frente e pegar no telefone, ligar e perguntar.
A cena é tu fazeres as coisas e não estares à espera de uma resposta. Não estares a fazer as coisas quando tens um sentimento de culpa em relação seja aos pais ou amigos, ou seja o que for, não estares a fazer as coisas à espera de uma aprovação do outro lado, nem à espera de uma resposta.
Sim.
Mas tu fazeres isso por ti.
Por ti, exatamente. É só quem faz isso.
Portanto, tu tiveste essa vantagem do teu pai ter te pedido desculpa. Eu tive a vantagem do meu pai, se calhar, quando tive só a conversa com o meu pai, do meu pai me ter contado a versão dele. Na conversa com os meus dois pais, por exemplo, a memória que eu tenho é que o meu pai não disse nada, só eu falei, basicamente, e a minha mãe dizia: "Eu sei". E choramos todos e pronto, ficou por aí. Mas é importante fazer por ti. Mas o sentimento de culpa, ao mesmo tempo, é também um sinal. Eu tenho dois sentimentos de culpa diferentes. Tenho um sentimento de culpa mais real, mas o problema dos meus sentimentos de culpa é que facilmente se transformam em obsessões, por causa das minhas pancadas.
Sim.
Por exemplo, a perturbação obsessiva compulsiva tem muito a cena de causar dano ao outro, o medo de fazer mal ao outro, o medo de ter sido injusto. Ou seja, eu tenho sentimentos de culpa reais, desde ter dito coisas às minhas filhas que não gostava de ter dito, de ter batido quando eram pequeninas, aquelas palmadas que a gente acha que dá com muito mais força do que realmente damos, e que tu vais melhorando ao longo dos filhos que tens.
Sim.
Portanto, a minha terceira já não vou.
Certo.
Mas tenho este sentimento de culpa que é real. Tenho de outras atitudes que tive, se calhar, com a minha mulher e com amigos, etc., que são reais. E eu acho é que é importante também perceber que se tu tens um sentimento de culpa, também é um sinal de crescimento.
Claro, é porque estás a olhar pra ti.
Estás a olhar pra ti e estás a perceber: "Eu errei, eu fiz porcaria ali". Agora, tens é que ser pragmático também. E pragmático é entender que aquilo que tu fizeste tem um lugar no tempo E no espaço. Aconteceu num determinado contexto, quando tu eras uma pessoa totalmente diferente. Por alguma razão é que quando nós passamos pelas coisas, dizemos: "Epá, não devia ter feito aquilo". Mas tu só dizes isto depois de fazeres, porque naquele momento tu não tens outra maneira de gerir aquilo. E isto não é desculpa. Ou seja, o ser pragmático é: eu errei, eu bati nas minhas filhas, eu disse uma coisa horrível à minha filha que me arrependo. Primeira coisa que eu faço, que eu fiz, lembro-me de uma vez, disse uma coisa horrível a uma delas e ela era muito pequenina e eu fui falar com ela logo a seguir, acalmei-me e fui falar com ela e conversamos e expliquei-lhe. Pronto, está resolvido. E quando vem esse pensamento: "és um pai de merda" isso já é a parte mais obsessiva. Em relação à Catarina, atitudes que não devia ter tido. Conversamos sobre o tema, e ser pragmático, nós estamos sempre a errar e é uma merda estar sempre a errar, mas acontece. Portanto, é aquela coisa, a partir do momento que tu percebes que erraste, vai para a chuva.
Sim. E já que estamos a falar de pais e filhos, tenho aqui uma amiga minha que é a Rafaela Albuquerque, não sei se conhecem.
Não, porque é que eu havia de conhecer a Rafaela?
É uma belíssima soprano, é uma cantora de ópera.
Que nome fantástico.
E é fantástica. E ela fala muito deste sentimento de culpa como pais. Como mãe, neste caso.
Olá, meus lindos. Muito obrigada por esse convite. Estou muito feliz mesmo por fazer parte deste podcast, que é um podcast tão necessário. Parabéns mesmo por esta iniciativa. Gosto muito de vocês. Pronto, dito isto, acho que este tema era o melhor para mim, porque de facto toda eu sou um sentimento de culpa. Podem perguntar à minha terapeuta, toda eu sou um sentimento de culpa. Coisas que vêm de muito trás e enfim, não tive os meus pais muito presentes na minha vida e houve sempre um sentimento de culpa em relação a isso, apesar de não a ter. Mas é uma coisa que me acompanha desde que tenho um ano de idade. Está mesmo intrínseco, é algo mesmo difícil de tirar. A questão do abandono, etc. Agora, o sentimento que eu vivo agora, constantemente, é com a minha filha. Alice, tem dois anos, é um amor, o meu bebê. Não é por ser minha, mas ela é mesmo incrível. É mesmo uma bebê incrível, fácil, dorme 12 horas, come bem, gosta de explorar coisas. É uma criança incrível. Curiosa. E eu sou cantora de ópera e tenho que estar muitas vezes fora. Às vezes um mês em produção em Itália. Tenho que estar às vezes um mês fora de casa. Pronto.
Já estou a ver por onde é que vai.
Claro que com os dias é mais fácil, só que é inevitável, então com a história de vida que eu tenho, não sentir muita culpa. Tenho de relembrar-me todos os dias que estou a fazer isto por ela, porque desde que ela nasceu eu deixei de fazer a minha carreira por mim ou para agradar a alguém. Faço mesmo por ela, para lhe dar uma vida melhor e tento lembrar-me sempre disso. E claro que quando quero descansar, então aí é mesmo um sentimento de culpa enorme, porque ok, uma coisa é eu estou a sair de casa porque estou a trabalhar, mas eu sair de casa e deixá-la porque quero descansar, é algo que não pode ser. Porque me sinto muito em falta em relação ao meu estilo de vida, é um estilo de vida. Ela está fantástica, ela já percebeu esta dinâmica da mãe. Somos muito ligadas, temos uma relação muito boa. Ela já me dá festinhas na cara para me dar força para eu ir embora. Portanto, eu acho que ela adapta-se perfeitamente ou está a adaptar-se a este estilo de vida. Eu gosto de ver isso, mas não deixo de me sentir mal. E é uma coisa que eu tenho estado a lidar todos os dias, e é mesmo muito difícil para mim. Choro muito, praticamente todas as noites quando estou fora. Vou me emocionar se continuar a falar, portanto, é isso. Mas conseguem imaginar, eu estou a fazer ópera, mas à noite no quarto vejo fotos da minha filha a chorar. É solidão. É complicado. E é isto. Olhem, desculpem, acho que falei demais, mas obrigada por me darem a oportunidade de partilhar isto, que sei que também é uma realidade de muitas mães.
E pais. Mas entendo que a mãe seja mais--
Gosto muito de vocês. Beijinhos.
Entendo que a de mãe a ligação é mais visceral, como é normal.
Maravilhoso e duríssimo.
E a Catarina também, tanta coisa tem este sentimento de culpa.
É incrível como as mães e os pais se fustigam com isto e eu não consigo explicar, porque eu acho que todos passamos por isso. E de facto, nós fazemos isto por eles. E nós quando estamos com eles, damos amor puro, ou seja, o tempo que estamos com eles. Antigamente, os nossos pais trabalhavam e até estavam em casa, tinham mais tempo para nós e estavam-se a borrifar para isso. Emocionalmente, não nos davam nada. E eu sei, nós todos damos aos nossos filhos, quando temos tempo, quando nós estamos a trabalhar, estamos com eles, damos tudo. E mesmo assim, conseguimos sentir quando estamos fora em trabalho, dois ou três dias, parece que estamos a falhar com eles.
Sim.
E este sentimento de culpa, para mim é tão errado nós sentirmos isto, mas eu acho que também tem muito a ver com o amor que nós sentimos pelos nossos filhos. Se não sentíssemos amor por eles, não sentíamos este sentimento de culpa. Se fosse uma coisa: o meu trabalho está primeiro que o meu filho ou que a minha família Porque tu não sentias este sentimento de culpa, porque ias trabalhar: "Vou ganhar dinheiro, é para nós, é a minha profissão, estou a apostar na minha carreira". Quando tu pões a tua família em primeiro lugar e os teus filhos, sempre que sais para ir trabalhar, sentes sempre isso, sentes sempre que estás em falha. E hoje em dia temos videochamada, podemos estar sempre mais perto deles. Quando não havia isso, imagina o sentimento de culpa maior que era.
Esta primeira parte foi levezinha, mas na segunda parte vamos entrar em temas sérios.
Sim, mais sérios. Então, até já para a segunda parte, "Homens de uma certa idade", com o tema: Vivos com algum sentimento de culpa.
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade.
Essa foi muito boa.
Sentimentos de culpa, tão bom.
Esse é um bom sentimento de culpa. É um bom sentimento de culpa que nunca tinha pensado que pudesse existir um sentimento de culpa bom.
Eu até tenho sentimentos de culpa.
De estares aqui agora.
Não.
Se és amigo do Borges.
Mas é de um ponto de vista obsessivo também.
Ok.
Sentimentos de culpa de ter maus pensamentos.
Em que sentido?
Às vezes tenho maus pensamentos sobre pessoas.
Ah.
Aqueles pensamentos, tipo, alguém está a fazer uma conversa muito dramática e vem aquela coisa: "Lá está este com as suas coisas". Estás a ver?
Sim.
Ainda ontem estava a falar isto com a Catarina e ela estava a me dizer que é perfeitamente normal, porque primeiro que tu não controlas os pensamentos.
Claro.
E segundo, porque esses pensamentos acontecem. O importante é o que tu fazes com esses pensamentos. Porque eu quando tenho estes pensamentos, eu tento perceber: Ok, esta pessoa alguma vez me fez mal, se calhar isto é alguma fragilidade minha do que propriamente alguma coisa em relação a esta pessoa. Tens pessoas que pensam estas coisas e verbalizam ou vão falar a outras pessoas. Mesmo que não façam mal diretamente a essa pessoa, mas já estás a entrar num registo um bocadinho diferente.
Há pessoas que ganham a vida a fazer isso.
Como assim?
A falar mal dos outros ou a criticar os outros.
Mas ganha-se a vida? Mas quanto é que ganhas?
Não sei quanto é que ganham, mas há pessoas que fazem isso.
Quanto é que está o cachê?
Isto é muito giro.
Sim, tens aquelas passadeiras vermelhas da vida. Há uns que são falar mal, há outros que é só mexerico.
O que as pessoas têm que perceber. Eu, para já, não perco tempo com isso. As pessoas fazem a vida que querem e todos nós temos telhados de vidro, ninguém é perfeito. Portanto, não me assiste. Posso estar a opinar com vocês, meus amigos, sobre uma situação, mas eu sei que depois isso não me ocupa o resto do dia.
E é uma coisa que fica ali entre nós, que não é com o objetivo de influenciar.
E brincamos, até misticamente.
Até já me aconteceu, pessoas com quem eu tive uma má experiência, por alguma razão, e perguntarem a minha opinião dessa pessoa para um trabalho e eu dizer: "Olha, eu nunca trabalhei com ela ou tive uma má experiência, mas é a minha experiência". Também não quero estar a dizer: "Não, é espetacular, correu tudo bem", e estar a influenciar a outra pessoa, mas tento ser imparcial, mesmo que aquela pessoa não me diga nada ou que não tenha agido bem para comigo. Eu só tive uma pessoa que me custa muito fazer isto, falar bem dela. Custa-me mesmo, fico mesmo magoado. Mas mesmo assim não falo, não andei a espalhar rumores da pessoa, mas fiquei a pensar nisto. Depois eu digo-vos quem é.
Está bem. Olha, uma coisa que eu tenho a certeza, daquilo que eu vos conheço, a ti, Rami, e ao Borges, não há pais perfeitos, mas nós estamos muito perto disso.
Não, não estou nada.
Qualquer tipo de sentimento de culpa que possamos ter em relação aos nossos filhos, agora ou no futuro.
Ainda ontem refilei com a minha pequenina e ainda agora estava a pensar nisso, por causa do tema. Obrigado, Horácio. Fiquei a pensar nisso. A pequenina tem o telemóvel só para ver vídeos e aquilo tem uma hora limite. E ela pediu: "Pai, dá-me mais um bocadinho de tempo". E eu disse assim: "Olha, tens aqui meia hora, vais ver meia hora, a seguir lavar os dentes, cama". "Está bem". E eu estava a falar com a Catarina de outras coisas na sala, de repente aparece ela na sala e do nada, eu como estava distraído a tratar de outras coisas com a Catarina, saca do comando da televisão, senta-se e liga a televisão e põe-se a ver cenas na televisão. E eu vejo aquilo e digo assim: "Olha lá, mas estás a brincar comigo, ou o quê? Então, o que nós tínhamos combinado? Estás sempre a abusar". E ela ficou bué trapalhada e começou com aquele ar assim, quase meia a chorar. E eu: "Vá, vai lavar os dentes e vai dormir". E não lhe fui dizer nada. E fiquei logo a pensar: "Se calhar fui muito bruto".
São regras.
Olha, era o programa da semana passada que estávamos a falar de proteger demasiado os filhos.
Sim.
E depois também pensei: "Não a tratei assim".
Vocês fizeram um compromisso os dois.
Não a tratei assim tão mal.
Ela pediu-te uma coisa e tu cedeste. Tu respeitaste o pedido dela, ela não respeitou o teu, portanto acho muito bem que tenha sido assim.
É verdade, podia lhe ter dado.
Eu também dou um teco. E o Tomé, o meu mais velho, tem andado muito melhor, menos temperamental que o irmão, depois há aquela coisa dos ciúmes e não sei o quê. Mais querido comigo. Isto já não acontecia há tanto tempo, mas ontem, ao fim de um dia e meio a empurrar o irmão, morder o irmão, bater no irmão, putapear o irmão, e eu sempre a dizer: "Por que estás a magoar o mano? Para com isso. O mano fizer alguma coisa, dizes ao pai, o mano é um bebê, tu não bates no mano. Dizes ao pai e eu ralho com ele, se for preciso ralhar com ele". Ao fim de um dia e meio disto e de repente, à hora de almoço, eu sirvo os pratos, que ainda por cima eu cozinhei, ele vira o prato do mano ao contrário. Eu virei-o no sofá, dei-lhe um palmadão no rabo. Fiquei me a sentir horrível. Ainda não deixei de me sentir horrível. Ironicamente
Eles almoçam, eu consigo deitar o mais novo para fazer a sesta. O Tomé diz: "Pai, vem aqui ao pé de mim, vamos brincar". E vou brincar com ele, depois ele quer ver um filme, sentamo-nos no sofá a ver um filme. Ironia das ironias, ele levou palmadão e ficou a comportar-se muito melhor. E depois pediu-me desculpa. E eu ao mesmo tempo estou a pensar: "Eu obviamente não quero fazer isto. Isto não é uma prática." E ao mesmo tempo parece que durante estas horas pelo menos resultou.
E tu ainda aguentaste um dia e meio. Eu era meio-dia. As pessoas têm que perceber as palmadas que os pais dão, e a minha Leonor tem três anos e como é óbvio também me custa dar palmada, e por mais que venham os pediatras dizer que não é assim que se resolve os conflitos, nós tentamos sempre tudo. Conversar, explicar, dar tempo.
Uma vez, a minha mais velha, ainda há pouco tempo estava a falar com ela sobre isso, porque foi uma coisa que me marcou a tal maneira. Ela deu-me uma chapada e eu dei-lhe uma chapada a seguir, porque eu nem tive tempo.
Reagiste, foi reação.
Foi reação. Obviamente, fiquei logo a sentir-me maldisposto até, por ter feito aquilo, mas eu já estava tão cansado. E lá está, estava naquela: "Olha, tem calma, vamos lá resolver isto". E saiu-me a mão disparada. Claro que depois fiquei horrível com isto. Mas há coisas que são reações, não são premonições.
Sim, não estás à espera. E acho que há momentos chave na vida dos nossos filhos e se calhar para o Tomé foi um momento chave.
Pode ter sido. Porque eles estão a desafiar os limites, estão a perceber onde é que podem chegar.
O meu filho Guilherme, o seu único palmadão assim a sério que levou, foi um dia que fui com ele ao Continente e ele pega num boneco e queria aquele boneco que custava cerca de €20 ou €25. Eu disse: "É muito caro, tens muitos bonecos em casa, escolhe o mais barato." E ele pegou naquele boneco. Imagina, eu fiz as compras do mês e ele esteve o tempo todo: "Eu quero o meu boneco", esta cantilena. Enquanto eu estava a pôr as coisas, "Calminha", a pagar, e a senhora dizer assim: "Dê o boneco ao menino". E eu abri os olhos para a senhora, tipo a arregalar os olhos. "Eu quero o meu boneco". Pus as compras no carro. "Eu quero o meu boneco." Veio até casa. "Eu quero o meu boneco". Sempre esta cantilena e eu a encher como pai. Chega à porta de casa, abro a porta da entrada, "Eu quero o meu boneco." Puxei a mão atrás. Acho que o cara andou três metros, nem tocou com os pés no chão. Levei uma palmada no cu e disse assim: "Olha, vais lá para cima, vais almoçar no teu quarto sozinho. Não há panda para ti." Deixei-o lá estar, fui lá levar o almoço, passado cerca de três horas, e depois eu macaco, vim cá para baixo ver o panda, eu sozinho e com o som alto para ele ouvir.
Isso já é tortura psicológica.
Não, já é tortura. Fui lá acima e depois faço uma coisa que sempre fiz com os meus filhos. Fui lá acima, sentei-me lá a vê-lo e disse assim: "Sabes porque é que tu levaste o palmadão no rabo? Porque é que o pai te bateu?" Expliquei: "Isto, isto e aquilo".
E ele respondeu: "Eu quero o meu boneco".
Se ele respondesse as duas, ou começava a rir, ou agora estava lá fechado no quarto. E eu digo assim: "Não fazes mais isso?" E ele: "Não, pai". Pronto, fizemos as pazes, tudo bem. O macaco, no outro dia, quando fui com ele outra vez ao Continente, ou dois dias depois, o cara estava comigo, vê um boneco, pega assim: "Olha este boneco". E depois vira-se para mim, assim com uma cara, e digo: "Não, é muito caro". Mas nunca mais fez uma birra, nunca mais me pediu nada. E quando eu dizia que era caro demais, podia escolher outra coisa, porque aqui é uma coisa é tu dizeres não, outra coisa é tu dares a escolher. "Olha, tens este e este. Este é muito caro, mas podes levar este". "Não quero." "Então não levas nada."
Eu no sábado roubei pelo meu filho mais velho, já que estamos a falar de sentimentos de culpa. E eu sabia que era errado o que eu estava a fazer.
Roubaste o quê?
Vá, vou explicar.
Um carro.
Há um cafezinho onde nós costumamos ir de 15 em 15 dias. O café é muito fixe, porque tem brinquedos para as crianças. Além do café ser simpático, tem lá brinquedos.
Para os putos brincarem.
E é fixe, e eles entretêm-se um bocado também. O pequenino ainda está numa fase que adora. Mas o Tomé também ainda brinca com aqueles brinquedos. E havia um brinquedo novo lá. Que me parece uma coisa do "Minecraft", eu não percebo nada do "Minecraft", mas parece-me. E ele achou imensa graça aquilo e queria o boneco. E vocês sabem como é que são os miúdos. Chega a hora da gente sair embora, estes dinossauros são daqui, isto tem que ficar. E o Tomé: "Pai, mas quero tanto este boneco".
A mesma história.
E eu disse assim: "Shh, é o nosso segredo". E meto o boneco no bolso do sobretudo. O meu racional foi: o boneco é novo.
Ia dar por ela.
Aquele boneco uma ou outra criança esteve ali e deixou aquele boneco, porque não faz parte dos brinquedos habituais do café, não faz mesmo. Nem tem nada a ver com a estética e com o gênero de brinquedos que eles têm. E eu: "Isto foi uma criança que deixou aqui". Achado não é roubado, foi o meu racional.
Acho bem que tenhas tido esse sentimento.
Achado não é roubado. E depois pensei: "E estou a fazer um mimo por ele". Mas depois em casa tive uma conversa com ele. Eu assim: "Olha, Tomé, aquilo que o pai fez, não se faz". Tive até que tentar explicar-lhe o conceito de furto.
Sim. Olha, sabes o que é que podes fazer com ele? Dou-te este conselho de pai. Podes voltar esse assunto e podes dizer assim: "Olha, como trouxemos o brinquedo de outra pessoa, e se trazermos um brinquedo teu que tu já não brincas muito e deixar lá para ela."
Boa ideia. Ótima ideia.
E assim ao menos a coisa fica resolvida.
Excelente. Outra coisa que podes fazer é publicidade ao café agora.
Pois é.
Chama-se Faz Favor.
Faz Favor, grande café.
Faz Favor, em Fernão Ferro.
Em Fernão Ferro.
Em Fernão Ferro. Sempre que quiserem brinquedos e não pagar-
Vão ao Faz Favor. Por isso é que se chama Faz Favor. Faz favor, sirva-se.
Sirva-se, leve.
Faz favor. Leva à vontade. Faz favor.
Olha, querem ouvir um voice do Miguel Sete Estacas?
Faz favor.
Até para fechar a segunda parte e para nos despedirmos do público.
Do público. Então vamos a isso.
Da rádio.
Miguel Sete Estacas.
Olá, caras lindas, e já agora, olá a vocês os três também. Ora bem, sentimento de culpa. Na minha juventude, eu era conhecido por fazer muitas partidas e havia ali um café onde diariamente aconteciam episódios inesperados. E um dia um amigo que resolve ir para a discoteca à boleia de outro e deixou o carro estacionado à mercê da gente fazer o que queria. O que é que aconteceu naquela noite? Bem, para quem não sabe, a maior parte dos carros de construção até início de 1990, o volante era muito simples, era um volante onde hoje em dia normalmente é o airbag ou a buzina, não havia nada. Havia uma tampa que se levantava e tínhamos acesso ao único parafuso que prendia o volante. Ora, ficamos a saber que a chave de rodas dos automóveis tinha exatamente o mesmo tamanho do parafuso das rodas e do volante. O que é que aconteceu? Isso que estão a pensar. Deixamos o rapaz arrancar e tivemos toda a noite para abrir a porta, que era fácil, era assistir a filmes na altura que nos ensinavam como abrir a porta de um carro, e tiramos-lhe o volante, escondemos na mala. Agora imaginem, alguém que chega da discoteca às 06:00, eventualmente embriagado, muito cansado, e entra no carro e não tem volante para conduzir. Ainda mais grave, teve que ir embora a pé. Portanto, isto não se faz e logicamente, eu vou para o inferno.
Grande Miguel. Para terminar aqui a nossa emissão na rádio. Vamos para o digital a seguir. Muito obrigado. Se tiverem sentimentos de culpa, não vivam com isso.
Onde iremos falar sobre sentimentos de culpa bem grandes.
Bem grandes.
Bem picantes.
Bem badalhocos.
Bem badalhocos.
Para vocês que estão a ouvir, resolvam isso, porque são vocês que carregam esse peso e não vale a pena. A vida já é pesada demais. Portanto, um bem-haja a todos e até para a semana.
Muito obrigado.
E até para a semana.
Até para a semana.
Cá estamos.
Eu não acredito. O que tu fizeste, e não sentes culpa nenhuma por ter feito isso a essas duas senhoras de idade?
Mas eu paguei.
Pagou, mas pediu o fato.
Mas paguei pouco. Eu disse que não tinha e elas: "Está bem, pode ser só isso". E pronto.
E trouxeste os tremoços então abaixo do preço.
Exatamente. E um brinquedo.
E um brinquedo. Ora bem, bem-vindos à terceira parte aqui no digital. Hoje a pergunta é: vives com algum sentimento de culpa? Já tivemos aqui partilhas muito profundas. E se calhar para nos inspirar, vamos já começar com o terceiro áudio, que é José da Palma. Que é o fotógrafo que eu estou a tentar-- olha, não é que nós vamos estar dia 28 e dia 1 de dezembro?
28 de novembro.
Que é hoje.
É hoje. Hoje estamos na minha terra natal, estamos na Ilha Terceira, na bela cidade da Praia da Vitória.
Belo estúdio que eles têm na Terceira.
No magnífico Auditório do Ramos Grande, para a segunda edição do Azores Comedy Fest, onde vamos fechar a noite com live podcast dos Homens de Uma Certa Idade e dia 1 de dezembro, bilhetes à venda na Ticketline, live podcast dos Homens de Uma Certa Idade em prol da Liga Portuguesa Contra o Cancro, no Olga Cadaval, em Sintra. Estou ansioso por conhecer. Nunca fui lá.
A sala é espetacular.
Já ouvi dizer que é maravilhosa. E podem vir, podem desabafar, podem rir e podem contribuir para uma grande causa.
Uma grande causa. Muito bem. Já convidamos o José da Palma para tirar fotos.
No Olga Cadaval.
No Olga Cadaval, que ele é um grande fotógrafo mesmo. Vamos ouvir se ele tem algum sentimento de culpa.
Olá, espero que estejam bem, Marco Horácio, Luís Filipe Borges, Ramiro e restante equipa. Olha, no que respeita ao sentimento de culpa, eu sinto-me realmente culpado por não ter concretizado os estudos, até mesmo mais tarde, mas como havia um motivo de força maior, que era ajudar a minha mãe a pagar as despesas. Tive que começar a trabalhar muito cedo, tinha 11 anos, 11 para 12 anos. E então foi isso que me aconteceu. Ter que começar a ajudar a minha mãe nas despesas, entrar com o dinheirinho que tinha que ser para pagar as dívidas, e pronto, foi isso que me aconteceu. Eventualmente, poderia ter estudado mais tarde, mas emocionalmente não tinha preparação para. E como tal, também achei que não deveria fazer. Em termos de compensação, ao fim de não sei quantos anos, comecei a enveredar por estudar novamente a fotografia profissional. Fui para o Saint-Georges fazer variadíssimos cursos sobre a fotografia. Sinto-me um homem realizado e feliz por ter conseguido os meus objetivos em termos de estudo.
Cá está, e hoje é um belíssimo fotógrafo, não me canso de dizer.
Uma das melhores fotografias que eu tenho com o Fausto foi tirada pelo Zé. Adoro essa foto.
Ele é um fotógrafo fantástico, porque ele de facto apanha o momento, capta o momento.
É preciso carregar no botão.
E é inato da pessoa. É preciso saber quando carregar no botão.
Isso sim.
Tu, por exemplo, estás sempre a carregar no botão.
Já alguma vez viste alguma foto minha?
Tu tiras uma foto e olhas para a foto e dizes: "Isto não está nada..."
O meu amigo Luís Godinho, que é um extraordinário fotógrafo, tem uma frase muito fixe. Já não sei se é dele, se ele ouviu a algum grande fotógrafo, mas enfim, foi com ele que eu aprendi que qualquer pessoa é capaz de tirar uma foto excecional. Não sabe explicar qual é, nem porquê.
Pois, claro, faz muito sentido. E sentimentos de culpa em relação a é o Borges.
Já pus em modo voo.
É telemóvel novo, isto vai ser agora sempre.
Sempre, ele todas as semanas diz: "Eu já pus isto em modo voo", mas ele tem que perceber que há notificações que não têm a ver com a rede.
Eu sabia lá que o OnlyFans fazia .
As pessoas agora vão dizer: "Ó Borges, desliga o telefone". O homem também já não pode fazer nada, não pode comer, não pode ouvir o telemóvel, não pode respirar. Coitado. Isto, por acaso, é este sentimento de culpa que muita gente tem de-
Não ter feito coisas
...não ter estudado. Imagina não ter acabado o curso, ele por um motivo mais que válido, teve que ir trabalhar para ajudar em casa.
Mas isso não é bem sentimento de culpa, isso é um arrependimento.
É mais desgosto.
Sim, mas depois podia ter feito, mas não existiu, não teve essa vontade. Também digo-vos uma coisa, a nossa Ana Soares, que agora voltou a estudar, tirou o mestrado em Sociologia.
Ainda bem para ela.
Teve 17.
Fogo!
Ida de Cascais, parabéns.
Embrulha, é maior. Ela voltou a estudar.
Nunca mais vou estudar na minha vida. Eu gostava.
Gostavas de estudar o quê?
Isso eu não tenho sentimento de culpa nenhum. Eu acabei a faculdade e disse: "Nunca mais volto a entrar aqui".
Gostava de estudar realização, cinema.
Ainda estás a tempo.
Mas é engraçado, eu não gosto de estudar no conceito.
Nu? Estudar nu?
Eu adorava.
No conceito de escola, da sala da aula, de teres que entregar trabalho.
Tirar um curso, uma formação, gostavas de tirar.
Não gosto disso, não é bem autodidata, mas gosto de ler muito sobre os temas, gosto muito de ler sobre psicologia, gosto muito de falar sobre isso.
Ele faz a sua própria pesquisa.
Mas não é no Google. É com profissionais de saúde, com psiquiatras, com psicólogos, por isso é que se calhar tenho o meu podcast também. Porque tenho esse interesse. Por exemplo, estou a tentar aprender japonês. Eventualmente, se calhar vou comprar umas aulas. Mas comprei logo um livro para estudar e tenho estudado e vejo quando estou a ouvir coisas em japonês, tento perceber.
E já sabes dizer alguma coisa em japonês?
Sei dizer, muitas coisas.
Então vá, por exemplo, ensina-nos.
Está na hora de pôr a música e de nos despedirmos.
Como é que se diz isso em japonês?
Não, isso é muito complicado.
Não, mas ensina-nos para as pessoas.
Os clássicos, como é que te chamas?
O bom dia, que as pessoas já nem bom dia dizem umas às outras. Também não sabes, não disse bom dia em japonês a ninguém, é isso?
"Ohayo gozaimasu".
"Ohayo gozaimasu"?
Sim, Marco Horácio de cinco anos.
"Ohayo gozaimasu".
Estás a aprender.
Como é que se diz boa noite?
Então isso é-
"Ohayo gozaimenos".
Não. Podes dizer: "Konbanwa", que é tipo boa tarde.
"Konbanwa, my love. Konbanwa".
Pronto.
Isto é bom para o clipe.
Depois é para isto. Lembras-te como é que era, Borges, aquelas que eu te tinha enviado noutro dia? Será que eu ainda tenho aqui?
Quais? Em japonês?
Sim.
Por que tu partilhas com o Borges e não partilhas comigo?
O Marco Horácio de cinco anos vai gostar muito desta.
Qual é?
O transfer para o trabalho, a carrinha que te leva para o trabalho, como é que se diz em japonês?
Bate o couro.
"Motto itta ki".
"Sou gai".
Vou apanhar o "sou gai". "Sou gai".
"Sou gai gozaimasu".
Exatamente. Vou apanhar o transfer, bom dia. "Sou gai gozaimasu".
Estávamos a precisar.
Estávamos. Bom, vamos para a música. Vê se vocês conhecem esta música. Eu trouxe esta música só porque gosto dela. De resto, estão a borrifar-se.
Se tem alguma coisa que tema, se não tem.
Se tem mensagem, até para estar a falar de transfer.
Queria dar uma palavrinha ao técnico aqui do Observador, eu não sei qual deles foi, mas que fez uma coisa maravilhosa há 15 dias, que é no tal episódio que acabava com a bufa de 20 segundos. Há um callback e a bufa volta a entrar ao mesmo tempo que tu lanças a música.
Sim.
E eu pedi se fosse possível para ele mixar a bufa com a música e ficou maravilhoso.
A sério? Mas isso é no teu programa.
Não, era meu. Foi o meu que acabou com a bufa, não?
Não.
Não me lembro.
Foi há 15 dias.
Então mas onde é que isso está?
Ida ver. É ouvirem o fim. Se vocês ouvissem a merda que dizem.
Mas eu ouvi o programa. Está em cima da música.
Está, os primeiros 20 segundos da música, estamos nós a falar, está a bufa e está tudo misturado.
A propósito, recebi isto há dois dias.
O que tu recebeste há dois dias? É o mesmo autor. Pena. Cabem todas as músicas.
Quanto tempo é que isto tem? Quanto tempo? 28?
Meu Deus.
26.
Acabar com Baker Street e já sabem: transfer Se puserem os pãos e precisarem de um transfer, é só dizerem: "Alto e bom som, sou gay".
Sou gay, dizer mais.
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.