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Ideias Feitas. Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo. Boa tarde.
E hoje quero dizer ao rescaldo do primeiro turno das eleições brasileiras.
Primeiro turno, como eles dizem. Sim, senhor, e desde já informo, acho que é uma obrigação, pode haver pessoas que não sabem, mas o Flávio Bolsonaro venceu, contra todas as sondagens, a primeira volta das presidenciais brasileiras e parte como favorito para a segunda volta no próximo dia 25. E de resto, a direita e o centro-direita, associados ou não diretamente aos Bolsonaro, aquilo é um bocado familiar, também tiveram resultados inéditos, no sentido positivo, nas eleições para o Senado e para a Câmara dos Deputados. E depois disso, esclareço os eventuais interessados de que não gosto especialmente do senhor Bolsonaro, que é filho do outro Bolsonaro, do Jair Bolsonaro, e que como o pai, parece estar longe de ser um exemplo de integridade e talvez sensatez, embora pareça um bocadinho mais sensato nas declarações públicas, pelo menos, do que o pai. Mesmo assim, aquilo que eu sinto é o que pelos vistos dezenas de milhões de brasileiros também sentem. Qualquer um, seja o senhor Flávio Bolsonaro, fosse outra pessoa qualquer, é preferível ao senhor Lula, e nem sequer é o argumento que o senhor Lula já é uma figurinha repetida e já tem 80 anos, não acho que seja por aí e de certeza que não é por aí. Eu acho que os brasileiros não querem o senhor Lula, nem querem o PT, que tiveram derrotas consideráveis, porque o custo de vida está cada vez mais alto e o poder de compra está cada vez mais baixo, é questão da economia, estúpido e tal, como se sabe. Mas acho que não é só isso, acho que não é só economia. Os brasileiros também não querem o senhor Lula, nem o PT, porque desconfiam do cadastro de ambos em matéria de corrupção e porque essa desconfiança foi renovada por escândalos financeiros mais recentes, uma coisa do Banco Master, houve uns subornos e uns pagamentos a umas figuras do PT, não só do PT, por acaso, mas sobretudo a figuras destacadas do PT, para facilitar umas negociatas deste banco, negociatas não muito legais, pelos vistos. Os brasileiros também não querem o senhor Lula, nem o PT, porque o voto no senhor Lula e nos candidatos do PT vem esmagadoramente do Nordeste, onde se concentram os subsídios e as populações dependentes do Estado à conta dos contribuintes de outras regiões, em particular mais para o Sul e Sudeste. E os brasileiros também não querem o senhor Lula, nem o PT, porque não apreciarão o progressivo deslizamento do Brasil para o grupo das nações párias, em animado convívio com a Rússia, com o Irã, por exemplo. E também não querem o senhor Lula, nem o PT, porque as pessoas estão fartas da parcialidade e da politização da Justiça, por exemplo, com a anulação de condenações daquele processo Lava Jato, o uso de prisões preventivas, inquéritos contra adversários políticos. E por falar nisso, os brasileiros não querem o senhor Lula, nem o PT, porque desde a ditadura militar que a liberdade de expressão não era tão ameaçada no Brasil, tem havido censura das redes sociais. Eu fiz aqui ao longo destes últimos anos, duas ou três ideias feitas sobre o assunto, que me lembro. Tem havido censura das redes sociais, bloqueios de perfis de opositores, tem havido um clima geral de cancelamento e de patrulhamento ideológico no debate público e tem havido o que não é compatível com uma democracia, por débil que seja, que é presos políticos. Eu não estou a falar da prisão do Jair Bolsonaro, nem dos manifestantes em Brasília, aqueles senhores queriam anular as eleições. Não, estou a falar de jornalistas, documentadores em canais online também, com ordens de prisão. Alguns fugiram e exilaram-se fora do Brasil, outros foram efetivamente presos, outros ainda viram as carreiras destruídas ou fortemente prejudicadas, com contas em redes sociais suspensas, pessoas que viviam disso. São profissões novas, mas existem. Houve pessoas com perfis bloqueados na internet por ordem judicial, sob alegação de difundir desinformação, porque é sabido para o poder instalado, e sobretudo sistemas de poder com uma conceção peculiar de liberdade, as medidas que desagradam esses poderes, esses governos, as punições desses comportamentos são sempre dentro da lei. Portanto, qualquer ameaça ao Estado é punível legalmente, porque aquela pessoa produziu desinformação, ameaçou o Estado ou fez qualquer coisa de muito desagradável para aquele poder. O Brasil do senhor Lula não é particularmente inovador nisso. E a terminar, Ricardo, acho que vale a pena notar que durante a campanha, o senhor Lula descurou a questão da corrupção, também não lhe convinha, descurou uma série de outras questões e usou dois motivos recorrentes e falhou em ambos. Uma das cantilenas usada em campanha foi a evocação do programa Bolsa Família, e é difícil reivindicar os louros de se ter reduzido a pobreza quando são os beneficiários desse programa, que são pobres permanentes ou permanentemente dependentes de subsídios, pelo menos, que continuam a votar no senhor Lula. E a outra cantilena foi a insinuação de que o Brasil não cede ao que o senhor Lula chama os interesses americanos. Sucede que os tais interesses americanos parecem hoje ser os interesses da quase totalidade da América Latina, em que há uma viragem geral à direita e é uma direita não no sentido das ditaduras militares de antigamente, mas no sentido das economias de mercado. Ou seja, o que os brasileiros não querem, sobretudo, é um Estado voraz e assistencialista e uma economia condenada ao fracasso, que é comum a todos os socialismos. O que sobretudo os brasileiros não querem, ou pelo menos uma maioria suficiente de brasileiros não quer, é socialismo.
Obrigado, Alberto. E até amanhã.
Até amanhã, Ricardo.
Mexe com a sua carteira? Então estamos cá para explicar. Em Boa ou Má Moeda, de segunda a sexta às 7:15, apresentamos um facto bom ou um facto mau sobre algo com impacto nas suas finanças, porque todas as moedas têm duas faces.
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Estamos cá. Estar cá é ser muito mais do que um amigo. Ser abraço e às vezes um bom par de ouvidos. É ter sonhos e fazer deles destino.
É nisto que o Crédit Agricole acredita, porque no fim não importa onde estamos, estamos sempre cá.
Estamos cá.
Crédit Agricole, o banco de cá. Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, CRL registada junto do Banco de Portugal sob o número 9000. Penalty.
Nada penalty. Tiroteio.
Foi penalty.
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Só os distraídos não terão notado. Vivemos num retângulo relvado, à beira-mar plantado. Um tapete arejado que se estende das redes às outras redes e às conversas de café. Está tudo relvado. Com a relva e o pé. Liga Portugal Betclic. Em nome do futebol, vamos todos a jogo.
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