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Desfazemos ideias feitas como é habitual a esta hora com Alberto Gonçalves. Alberto, boa tarde.
Olá, boa tarde.
Muito boa tarde, Alberto Gonçalves. Falamos nesta altura dos sinais dos tempos. Temos aqui TAP, Avante, Ana Leal. Uma rota diferente?
Sim, são sinais aparentemente díspares, mas que remetem para uma conclusão. Ou seja, em 2015, quando o doutor António Costa chegou ao poder daquela forma que ele chegou, legitimado por dois partidos comunistas, é o termo. Na altura eu escrevi e previ, porque não era muito difícil prever, que o país entraria numa espécie de processo mais ou menos rápido, ou mais ou menos lento, eu não saberia adivinhar a velocidade da coisa, mas que entraria num processo para se chegar a qualquer coisa parecida com uma Venezuela, com um regime do tipo venezuelano. Aos poucos, isso tem-se verificado e agora com esta história do Covid, isto criou uma espécie de suspensão da última descrença que havia ainda nas pessoas, nos poderes estabelecidos. As pessoas passaram a confiar, ou uma grande maioria das pessoas passou a confiar cegamente nas nossas ditas autoridades e nos nossos ditos governantes. E então parece que esses governantes, que não são bons governantes, mas nem sempre são estúpidos, aproveitaram a deixa para reforçar o poder e reforçar a caminhada nesse sentido, nessa caminhada rumo à Venezuela. Há aí esses casos que eu referi na resenha. Temos o caso da TAP, que agora temos o Estado, o doutor Costa, ou o Estado, ou o Conselho de Ministros, ou o PS, quer dizer, é tudo a mesma coisa no fundo, a definir as rotas, a discordar do plano de rotas traçado pela companhia aérea. O Estado parece que vai injetar mais uma fortuna na TAP para salvar uma companhia de bandeira, ou como é que eles dizem, ou seja, para espatifar literalmente dinheiro do contribuinte numa companhia que com a entrada do Estado ou com o reforço do Estado, não irá longe, como já não tem muitas condições concorrenciais hoje, menos terá no futuro. Mas agora o Estado, ainda por cima, quer definir, ou o PS, ou o doutor Costa, repito, querem definir as rotas da TAP. Além da TAP, temos a questão dos festivais, que foram todos cancelados e proibidos, etc. Segundo uma lei ou um decreto feito à medida para salvaguardar a festa do Avante. Ou seja, mais uma vez, tal como aconteceu no 1º de Maio, por exemplo, temos uma festa que não se distingue em absolutamente nada, a não ser no fanatismo ideológico, é claro, não se distingue em absolutamente nada dos festivais de música correntes, em termos da aglomeração de pessoas, etc., ou do risco de propagação do vírus, mas a festa do Avante pode realizar-se. Isso foi com o aval do senhor primeiro-ministro, do senhor presidente da República, etc. É explícito que o decreto serve para preservar a festa do Avante. Ao contrário dos outros, a festa do Avante só se distingue do festival médio em matéria de fanatismo ideológico, porque de resto, no que diz respeito à eventual propagação do vírus, será exatamente um processo muito similar, mas aparentemente aí não há problema. Depois, estava a falar, aí julgo que já não se ouviu, da questão da compra dos meios de comunicação social, da compra, quer dizer, do subsídio, do suborno ou como quisermos chamar, de acordo com a nossa perspectiva, da perspectiva de cada um. Isto falou-se muito nos últimos dias, os mídia estão praticamente todos, sabemos da exceção, felizmente, deste caso o Observador, onde estamos agora, e mais uma ou duas, mas as exceções são muito escassas comparadas com a regra, e a regra é que os mídia estão absolutamente nas mãos do governo. E isso teve um desenvolvimento nos últimos dias, isso já não era uma boa notícia, mas nos últimos dias teve um desenvolvimento, ou teve ontem um desenvolvimento, ao sabermos da suspensão oficial da jornalista Ana Leal da TVI por parte da direção de informação, porque ela divulgou, alegadamente, uns e-mails em que se confirmava o processo de censura ou de suspensão pelo diretor de informação da TVI, que é um senhor chamado Sérgio Figueiredo, que é muito amigo do evidentemente. E ele proibiu a exibição de reportagens que não seriam do agrado do poder. E houve jornalistas que estavam envolvidos na produção dessas reportagens que não gostaram, trocaram uns e-mails com o diretor, os e-mails vieram parar cá fora e ele agora aproveitou para suspender aquilo tudo e, portanto, a TVI, ou pelo menos a informação da TVI, que é o que no caso interessa, entrou nos eixos de acordo com a perspectiva oficial ou com a cartilha oficial. Isto temos um processo assim de venezuelização praticamente consumada ou quase consumada. O que falta para isso se consumar é a existência de uma coisa que a extrema-esquerda e a extrema-direita normalmente não gostam, que é a Europa. A Europa e a influência da Europa em Portugal tem muitos defeitos e ajudou a alimentar muitos vícios, etc. Mas apesar de tudo, é a Europa que nos permite manter ali um laço, manter aqui uns vínculos mais e cada vez mais vagos, infelizmente, com o mundo civilizado. E quando digo Europa, digo a União Europeia. E agora parece que vai despejar por aí uns milhares de milhões, alguns deles a fundo perdido. Não acho que isso seja necessariamente positivo. Aliás, porque a esmagadora parte desses milhões será destinada necessariamente a comprar votos e a pagar compadrios e etc., e favores. Como sabemos, esses dinheiros a fundo perdido acabam sempre perdidos por aí, ou acabam ganhos por alguém. Mas apesar de tudo A Europa cria-nos uma certa, no meio disto, perante um governo da parte do PS absolutamente oportunista e inapto também, mas sobretudo um governo oportunista, com os partidos que são comunistas, marxistas, leninistas que apoiam o PS. Apesar de tudo, a Europa salva-nos um bocadinho, protege-nos, resguarda-nos um pouquinho disso ser um facto absolutamente incontrolável, esse domínio desta esquerda absolutamente desmesurada, desta extrema-esquerda assumida. De poder mandar em nós em absoluto. Apesar de tudo, a Europa é um filtro. Não sei até que ponto, na sequência destes acontecimentos da Covid, etc., a Europa terá a coesão necessária para se preocupar com países plintras como o nosso. Espero que, apesar de tudo, se preocupe, porque se cria vícios nos portugueses ou se cria ilusão nos portugueses de que somos mais do que aquilo que somos ou do que aquilo que produzimos. Apesar de tudo, lá está, mantém-nos, obriga-nos a uns certos deveres que nos protegem de ser apenas uma república das bananas. Somos quase uma república das bananas, mas ainda assim um fruto ou outro para o meio que não é exatamente uma banana.
Muito obrigado, Alberto Gonçalves, aqui a desfazer ideias feitas com estes sinais dos tempos.
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