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É sempre assim, de segunda a sexta-feira, a esta hora, desfazemos ideias feitas. Junta-se a nós o Alberto Gonçalves. Boa tarde, Alberto.
Olá, Alberto.
Olá, boa tarde.
E hoje queres falar da greve em defesa do clima, mais especificamente sobre declarações feitas por Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional dos Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Isto porque os alunos foram chamados a uma greve pelo clima.
É, parece que o clima ou alguém por ele pediu aos alunos para fazerem greve. Já é uma coisa que está a ficar recorrente nos últimos tempos. No meu tempo, nós faltávamos às aulas para ir pra praia ou para outras coisas assim. Agora as crianças parece que faltam às aulas para se manifestarem pelo clima. E eu continuo a não perceber uma grande relação entre as aulas ou a ausência delas e a ecologia, ou a poluição, ou seja o que for. Não consigo entender bem o nexo. Se os alunos forem pra rua protestar, o ar vai ficar mais respirável? Não sei. Parece-me até um pouquinho o contrário. Agora, a questão: acho que a greve não terá corrido assim por aí além, pelo menos não parece, da parte dos alunos, que as escolas tenham ficado desertas especificamente por causa das preocupações e das aflições relativas ao clima. E isto é capaz de ter deixado um bocado triste esse senhor Filinto Lima, não é?
Filinto Lima.
Exatamente, que é presidente da tal Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Tentei perceber sob que tutela está esta associação, mas fui ao site deles e o site não funciona. Portanto, fiquei na mesma. A única coisa que sei é que este senhor Filinto Lima afirmou hoje que a greve e as faltas subsequentes, que por uma questão de segurança dos alunos, de responsabilidade da escola, as faltas que existiram na mesma, ele acha e passo a citar rigorosamente o que ele disse: "A greve e as faltas é mesmo irrelevante face a um valor que prevalece, que é o valor da manifestação por uma causa nobre que é o planeta, é o ambiente. As faltas dos alunos é uma preocupação muito pequenina perante a nobreza do ato. Se eu tivesse um filho ou uma filha em idade escolar, diria ao meu filho para faltar às aulas para participar neste evento." Ou seja, daqui podemos concluir duas ou três coisas. A primeira é que este senhor, este presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, estudou numa escola não assim especialmente boa, porque a julgar pelos erros de concordância que ele dá consecutivamente, o português do senhor não é brilhante. A segunda coisa que podemos concluir é que ainda bem que este senhor não tem filhos em idade escolar, porque o tipo de exemplos que ele dá e de incentivos que ele daria aos filhos também não parecem os mais adequados. E a terceira é que ele, em geral, não tem as próprias escolas nas quais ele parece ter alguma responsabilidade representativa, pelo menos, não sei se oficial ou se oficiosamente, ele não parece ter essas escolas em grande conta. Talvez tenha razão em não as ter em grande conta, talvez não tenha. Não faço ideia. A questão é que em relação à greve climática, eu agora estou a falar da greve climática em geral, para aqueles que se posicionam um bocado na dúvida sobre se devem concordar ou não com ela, eu remeto essas pessoas, esses hesitantes, esses indecisos para um texto do doutor Francisco Louçã no site do Bloco Esquerda ponto net. E o doutor Louçã, que na minha opinião nunca na vida defendeu uma única coisa que fizesse sentido, defende encarecidamente a greve. Logo, está mais ou menos definido que a greve não tem grande razão de ser e é um bocadinho ridícula.
Alberto.
Desculpa, Ricardo, se puder só acrescentar aqui uma pequenina coisa que não tem nada a ver com isto. Ontem falamos do caso Tancos e da entrada de Tancos na campanha e entretanto o doutor Costa pediu aquelas coisas que se fazem, que o que é da política deve ficar na política, o que é da Justiça deve ficar na Justiça. O doutor Costa não esclareceu muito bem o que acontece quando os políticos cometem crimes no exercício e no aproveitamento das suas funções. E se calhar vemos hoje, a 40 anos de distância, que o coitado do Richard Nixon foi enxutado sem motivo nenhum.
Obrigado, Alberto, e bom fim de semana.
Igualmente.
Na segunda-feira voltamos a desfazer ideias feitas. Esta edição vai estar disponível em podcast já a seguir.
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