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"Ideias Feitas". "Ideias Feitas" na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo.

E hoje queres falar sobre influencers, influenciadores portugueses?

É, parece que sim, porque anda uma polêmica já há uns dias.

Anda, há vários dias.

Sim, há perto de uma semana, talvez, que anda uma polêmica sobre um grupo de influenciadores, é assim que se diz, ou influencers, ou como quiserem chamar, portugueses que foram a Israel a convite do governo local. Eu não conheço pessoalmente nenhuma das pessoas em causa, por isso acho que estou relativamente à vontade pra falar do assunto. Ainda estou mais à vontade porque já fui convidado por diversos embaixadores de Israel em Lisboa para visitar Israel com expensas pagas e nunca aceitei. Não fui convidado enquanto influenciador, acho eu, isso não sou. Fui convidado enquanto colunista e não aceitei umas vezes porque não me deu jeito, outras vezes porque não calhou, mas sobretudo também não gosto que me paguem viagens. Não é por ser Israel, que se fosse outro país qualquer, também não iria. Em princípio, não gosto de coisas pagas e organizadas, gosto de pagar as minhas viagens e decidir como é que elas vão decorrer, dentro do possível. E depois desta declaração de interesses, importantíssima, com certeza, vamos ao que interessa. E o que interessa é que quase todos os países do mundo, ou pelo menos uma vasta maioria, a Coreia do Norte provavelmente não terá, mas uma vasta maioria dos países têm programas em que convidam jornalistas, colunistas, empresários, artistas e influenciadores, com certeza, para visitas em que as despesas são suportadas pelo Estado anfitrião e na perspectiva dos convidados, há quem aceite o convite, suponho que há quem o recuse, e na perspectiva dos que convidam, há de tudo, há regimes ditatoriais, há democracias assim e assim, e há democracias normais, como por exemplo, Portugal, que também tem programas destes, e como por exemplo, Israel. Ora, eu nunca vi qualquer esboço de polêmica e indignação pela enorme quantidade de programas similares, mesmo que sejam para visitar lugares como a China ou Dubai ou outros sítios menos propensos à democracia. Eu nem sequer notei alguma polêmica quando jornalistas, ativistas e figuras do entretenimento aceitavam visitar Gaza, com todos os movimentos controlados e com regras extremamente rigorosas acerca do que podiam ou não podiam ver, fotografar, divulgar e por aí fora. Ou seja, até 2023, sobretudo até 2023, desde aí ficou mais difícil, havia ocidentais que entravam em Gaza, normalmente pela fronteira do Egito, e que se resignavam às imposições de uma organização terrorista e que acabavam a colaborar com essa organização terrorista em ações de propaganda, não há outra palavra. E já nem estou a falar nas sucessivas flotilhas, que às vezes ainda aparece na notícia de uma ou outra, que contam com patrocínios misteriosos, para ser simpático, e se dispõem a espalhar a mensagem do Hamas pelo mundo. E também não falo nos apoiantes e alguns participantes das flotilhas, que não por acaso, são os mesmos que hoje criticam e insultam, já vi por aí muitos insultos, as pessoas, os tais influenciadores que foram a Israel. Obviamente, a polêmica em volta desta dúzia, não sei se é exatamente uma dúzia, mas por aí, de influenciadores que foram a Israel só existe porque se trata de Israel e tudo que envolve Israel é hoje um alvo franco para inúmeros ocidentais, que vão da extrema-esquerda à extrema-direita, passando pelo extremo centro. Não há aqui um consenso ideológico propriamente, ou uma unicidade ideológica. Há mais ou menos gente que os critica de todos os lados do espectro político, talvez mais de um lado do que de outro, mas vêm todos os lados as críticas. E se os influenciadores tivessem aceitado, por exemplo, um convite de Cuba, não haveria críticas nenhumas, nem insultos nenhuns, e o caso nem seria notícia, nem daríamos por ela, nem teríamos sabido que houve um grupo de influenciadores portugueses que foi a Cuba, pago pelo regime de lá, para ver umas coisas que se passam lá. E como não é notícia que determinados políticos e até comentadores dos nossos media, ou comentadores que já foram políticos nos nossos media, alguns que até têm espaço regular na televisão, beneficiem de negócios com instituições de regimes totalitários e particularmente sanguinários. Imagino que as pessoas se lembrem de alguém, de uma pessoa ou outra de quem eu possa estar a falar. Já pareço aquele ex-treinador de futebol que falava de forma críptica, mas não vale a pena estar a citar nomes. Agora, o problema aqui é Israel. O problema é sempre Israel e por diversas razões. Estas são secundárias, porque Israel é uma democracia, é um país próspero e é livre. É uma sociedade tolerante numa região do planeta onde esses conceitos não são especialmente apreciados, porque Israel representa e defende os valores ocidentais num tempo em que o próprio Ocidente é atacado por fora e por dentro, e porque Israel é um aliado firme dos Estados Unidos, etc. Mas a razão principal, e a razão que menoriza ou relativiza as restantes, é o fato de Israel ser principalmente habitado por judeus e ser, na medida do possível, um lugar onde os judeus podem viver em segurança e protegidos dos inimigos que ou os querem assumidamente exterminar, ou queriam fingir que lamentavam o respectivo extermínio. Uma das tendências mais grotescas, e já vou terminar, Ricardo, uma das tendências mais grotescas dos últimos anos é, sem dúvida, o regresso escancarado do antissemitismo. Mas ainda é mais repulsivo, ainda repelem mais aquelas criaturas que, sendo claramente antissemitas, simulam condenar o Holocausto e comparam-no com a maior desfaçatez à guerra de resistência que Israel trava contra os terroristas que o cercam. Agora, o que essas criaturas sentem sobre o Holocausto, no fundo, é pena. É pena que a solução final não tivesse sido consumada na totalidade e por isso odeiam Israel, uma nação forte que impede que a solução final possa voltar a ser tentada, e por isso odeiam quem não odeia Israel, incluindo os pobres influenciadores de que se fala e que não têm culpa nenhuma no meio desta história toda.

Obrigado, Alberto, e até amanhã.

Até amanhã, Ricardo.

Rádio Observador.

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Rádio Observador.

A noite inteira. A noite inteira, amor. A noite inteira. Quem me vinga é da mandinga, figa digna. Mas o difá do meu axé, não vou dizer quem é. Quem me vinga é da mandinga, figa digna. Mas o difá do meu axé, não vou dizer quem é. Eu nasci pra viver, não pra me salvar, nem casar. Pra que se casar?

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Rádio Observador, são 06h58 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora