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Está na hora do Ideias Feitas, a última edição da semana com o Alberto Gonçalves. Bem-vindo, Alberto Gonçalves, a este Ideias Feitas. Hoje queres falar sobre o discurso de Luís Montenegro na sede das Nações Unidas em Nova Iorque.
Também, Ricardo. Olá, como estás? Muita gente está muito preocupada com a questão do orçamento, se vai passar ou se não vai passar, porque isso implica que a Assembleia possa ou não ser dissolvida, isso implica que possa haver ou não eleições, e isso implica que possa haver a continuação do atual governo, um segundo governo com o PSD e o CDS, ou o regresso do PS ao poder. E a preocupação, para mim, não é muito justificada, porque faz assim tanta diferença. Eu sei que hoje tenho muito pouco tempo, recomendo desde já a leitura do artigo do Observador, no site do Observador, do Rui Ramos de hoje, e não vou conseguir evitar plagiá-lo ou repetir, que o PSD está a governar como governaria o PS. Está na aquisição de clientelas, na utilização de uns ticks woke aqui e ali. Enfim, é ler o Rui Ramos, eu aconselho isso vivamente todas as semanas, mas a de hoje em particular. Ou seja, não há grande diferença entre ter este PSD no poder ou ter o PS. Há pequeninas diferenças. Eu podia falar na questão do alojamento local, em que se reverteram aquelas medidas venezuelanas do PS. Podia falar na questão da saúde, em que o peso ideológico atenuou-se, pelo menos para já, assim parece. Mais uma questão ou outra. Mas, no essencial, as diferenças não são grandes e sobretudo a estratégia de poder do PSD é muito parecida com a estratégia de poder do PS. E se havia ainda dúvidas quanto a isto ou quanto a esta falta de diferença, para mim dissiparam-se quando vi o discurso do Luís Montenegro, do doutor Montenegro nas Nações Unidas. Um discurso em que ele diz umas coisas até sinistras sobre a questão do Médio Oriente, repete umas enormidades que para isso dizem, estabeleceu praticamente uma equidistância entre Israel e os terroristas que costumam atacar Israel. Só por isso já não ganharia a minha simpatia, mas também depois disse umas banalidades, umas trivialidades um bocadinho histéricas sobre as alterações climáticas. Depois umas banalidades ainda maiores sobre o papel de Portugal nas Nações Unidas, mas isso faz parte. Ou seja, o discurso do doutor Montenegro não diferiria muito de um discurso do doutor Costa ou, se um dia lá chegar, um discurso do doutor Pedro Nuno Santos. Ou pior ainda, de um discurso, como costuma haver lá na Assembleia Geral das Nações Unidas, do engenheiro Guterres. Aliás, o doutor Montenegro aproveitou no seu discurso para agradecer vivamente ao engenheiro Guterres o papel excelente que tem tido como secretário-geral das Nações Unidas. Isso não é que diga tudo, mas já diz muito. E diz muito de um poder, de um partido, de um líder, sobretudo de um líder de um governo que realmente adotou mais ou menos tudo em termos de lugares comuns, em termos de estratégia política, em termos de políticas mesmo, não digo tudo, mas boa parte daquilo que o PS estava a pôr em prática. E por isso acho que toda esta questão do orçamento pode ser que dê origem a novas eleições, pode ser que não dê. Agora, o que é que as novas eleições vão dar? Não me parece que vão dar nenhuma mudança drástica para o país e de certeza não vão dar nenhuma mudança que seja positiva para o país. Ou uma mudança ou uma manutenção. Agora, coisa boa para Portugal não me parece que venha aí.
Obrigado, Alberto. Alberto Gonçalves, ao final das tardes aqui na Rádio Observador, sempre a desfazer ideias feitas.
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