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"Ideias Feitas" na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Bem-vindo, Alberto. Boa tarde. Hoje queres nos falar sobre a vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

Olá, Miguel. Quero sim. E por falar em Prêmio Nobel da Paz, Lisboa teve a sorte e o privilégio de algumas pessoas poderem ouvir um antigo, não é ex, outro Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama, que esteve a dar uma palestra em Lisboa. E lembro que Barack Obama, depois de receber o Nobel da Paz, ele recebeu o Nobel da Paz poucos meses depois de tomar posse como presidente dos Estados Unidos, mas logo nos anos seguintes, ele foi o único presidente americano a liderar o país em conflitos armados ao longo de dois mandatos inteiros. Acho que bateu o recorde em ataques por drones e por outros meios bélicos. Só em 2016 ele autorizou o lançamento de 26 mil bombas, 72 por dia, num total de sete países. Houve sete países que Barack Obama mandou atacar. Ordenou o envio de mais 30 mil tropas pro Afeganistão em 2009, houve a intervenção da NATO na Líbia em 2011. Eu nem sequer estou a condenar essas intervenções, estou só apenas a lembrar o currículo que habilitou o senhor Barack Obama a receber o Prêmio Nobel da Paz. Mas, de facto, algumas pessoas criticam que lhe tenha sido atribuído o Nobel da Paz, mas ele recebeu o prêmio antes de se tornar o presidente americano mais bélico, peço desculpa por repetir a palavra, talvez desde a Segunda Guerra Mundial. Mas ao menos aqui, o comitê do Nobel pecou por antecipação. Agora este ano, o mesmo comitê atribuiu o prêmio a uma senhora chamada Navi Pillay, uma senhora da África do Sul, que anda há quase 20 anos, pelo menos, não a despejar bombas sobre um determinado país, e apenas porque não tem poder nem oportunidade para isso, mas a legitimar que outros o façam. Estou a falar de Israel, naturalmente, e como tantos outros, a senhora dona Navi Pillay dedica a sua existência a fingir que além de divulgar a propaganda antiisraelita e antissionista, pra não dizer o termo exato, que toda gente sabe qual é, anda a fingir que defende os direitos humanos, enquanto desculpa massacres e compreende o terrorismo islâmico e faz favores a regimes amigos dos direitos humanos, como aos chinês, e por aí fora. Eu preparei aqui muito resumidamente, um esboço cronológico das ações e das declarações associadas à senhora. Ela foi, entre 2008 e 2014, alta comissária da ONU para os direitos humanos e na altura partilhou dados com o regime de Pequim. Foi associada ao envio de informações prévias às autoridades chinesas sobre umas dezenas de dissidentes que pretendiam denunciar abusos no Conselho da ONU. Recusou estar presente na entrega do Nobel da Paz ao dissidente chinês Liu Xiaobo, que foi um senhor que acabou por morrer preso pelo regime chinês. Depois, em 2009, a senhora Pillay presidiu à cimeira onde o presidente iraniano, senhor Ahmadinejad, fez declarações negacionistas do Holocausto e os habituais ataques a Israel. Ela foi criticada por não o interromper e por minimizar a indignação de instituições judaicas pelo mundo fora. Em setembro de 2012, ela classificou as caricaturas do Charlie Hebdo e um filme anti-islão que saiu mais ou menos na mesma altura, como atos maliciosos e deliberadamente provocatórios, são as palavras dela, e considerou que a publicação dos cartoons foi duplamente irresponsável. Em agosto de 2014, criticou a não partilha da tecnologia de defesa antimíssil, o Iron Dome, de Israel e dos Estados Unidos com a população civil de Gaza e o Hamas. Ela queria que Israel partilhasse os seus dispositivos militares e os seus segredos com o próprio Hamas. É extraordinário, mas é verdade. Em junho de 2020, já depois de ter deixado de ser alta comissária da ONU, a senhora Pillay assinou, e também sem surpresas, a petição Sanction Apartheid Israel, promovida por aquela coligação do movimento BDS, o boicote a desinvestimentos e sanções. Em 2021, assumiu a presidência de uma comissão independente de inquérito da ONU concentrada para investigar violações de Israel aos direitos humanos, e a senhora está habilitadíssima para isso, claro. E os relatórios sob a gestão dela foram criticados por omitir termos como Hamas ou terrorismo. Esses relatórios coordenados por ela focaram-se exclusivamente nas ações de Israel. Em 2022, defendeu um membro dessa comissão a que ela presidia, após este ter afirmado que as redes sociais eram controladas pelo lobby judaico. Ela disse que as declarações tinham sido tiradas do contexto. Não é que ela deva discordar das declarações, imagina-se. Em setembro de 2025, mais um relatório desta comissão independente da ONU atribuiu o início dos eventos em Gaza, destes eventos mais recentes, ao afirmar que, e passo a citar: "Em 7 de outubro de 2023, Israel lançou a sua ofensiva militar em Gaza." E não fala, não há uma palavra sobre os ataques do Hamas. Em outubro de 2026, como se sabe, o Comitê do Nobel da Paz atribuiu-lhe o prêmio. E a senhora fez declarações já posteriores ao prêmio, em que reafirmou a acusação de genocídio contra Israel. Ela parece não pensar em muitas outras coisas. É um bocado monotemática. E rejeitou a ideia de que fosse precisa coragem para declarar a verdade sobre Israel, presume-se. E, de facto, não é preciso coragem nenhuma para ser a senhora dona Pillay. É preciso uma completa falta de coluna vertebral, é preciso um enorme descaramento, são precisas algumas outras características. Não vou classificá-las de virtudes, mas características. São precisas uma série de coisas para ser alguém como esta senhora. E se a falta de coluna, isso do descaramento e se essas outras características forem os critérios do Comitê do Nobel da Paz, acho que o Nobel está muito bem entregue.

Alberto Gonçalves, a desfazer ideias feitas. Alberto, até amanhã.

Até amanhã, Miguel.