Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Insólitos com o jornalista Miguel Viterbo Dias, mas para já desfazemos ideias feitas. Num horário adaptado a esta emissão especial, é certo, mas está conosco Alberto Gonçalves. Alberto, bem-vindo.
Olá, boa tarde.
Olá, viva Alberto Gonçalves. E hoje o Alberto Gonçalves quer falar sobre as eleições norte-americanas, mas vistas de Portugal neste dia de decisões nos Estados Unidos. O Alberto quer comentar aquela que é a inquietação que estas eleições suscitam em tantos portugueses.
Parece que para muitos portugueses, não só comentadores, mesmo muitos anônimos por aí, estas eleições parecem importantíssimas. E estão no seu direito de achar. Agora, é estranho face a algumas realidades. Uma delas é a própria realidade nacional. Quer dizer, as pessoas estão muito preocupadas com as eleições americanas. E quando digo preocupadas com as eleições americanas, estão preocupadas com a eventual reeleição do senhor Trump. Ora bem, o senhor Trump terá muitos defeitos e uma ou outra virtude, com certeza. Nem é bem isso que eu queria aqui discutir. O problema é que os portugueses estão aterrados, estão cheios de medo da reeleição do senhor Trump, como se não tivessem problemas cá. E isto é apenas uma das dimensões, mas é a dimensão nacional. Temos um primeiro-ministro que decreta à revelia da Constituição e de qualquer legalidade, decreta o que lhe apetece. Está de calamidade, de emergência, de contingência, o que calha. Temos um presidente da República que legitima tudo isto. Legitima, não de forma legal, mas que permite ao senhor primeiro-ministro fazer o que lhe apetece. E para esses portugueses que estão preocupadíssimos com o senhor Trump, isto não parece ser um problema. O problema é o senhor Trump. Depois temos a uma escala continental, temos o que se está a passar na Europa, que não é exatamente uma novidade, mas é uma coisa que funciona por vagas, esta história do terrorismo islâmico, isto sim, é por vagas mais do que a Covid, uma coisa mais antiga do que a Covid e que há de durar mais do que a Covid, infelizmente. E temos o terrorismo islâmico outra vez à superfície, ao de cima. Ouvi agora mesmo aqui na Rádio Observador que o Reino Unido decretou alerta máximo, a possibilidade de um atentado terrorista de alguma escala, de uma certa dimensão é muito alta, pelos vistos. Tivemos aquela sucessão de atentados em França, tivemos agora este caso em Viena, no caso da Áustria foi antissemitismo, no caso de França foi um atentado contra cristãos, aparentemente, mas a origem dos atentados é sempre a mesma e isto é uma realidade que parecia que estava um bocadinho subalternizada face à Covid, mas não estava, como se nota. Mas para estas pessoas, e aqui na Europa, no nosso continente, mas para muitos portugueses e muitos europeus, o problema continua a ser o senhor Trump. E depois também podemos discutir este receio, este pavor face ao senhor Trump, com base na realidade americana ou naquilo que o senhor Trump fez, de facto, no país do qual é presidente e no qual nenhum português, pelo menos os portugueses que residem cá e que têm cidadania portuguesa, vota. À escala internacional, política externa, portanto, o senhor Trump, o que ele fez de especial? Fez alguma coisa especial? Por acaso fez. Até surpreendentemente para mim, foi o presidente mais pacifista da modernidade americana. Não vamos recuar muito, mas há largas décadas.
Chegou a ser indicado também para um Nobel da Paz.
Sim, isso embora essas indicações, parece que foi um político norueguês que se lembrou de o indicar. E é uma indicação legítima, porque era uma indicação após quatro anos de mandato, que foram absolutamente pacíficos em matéria de política externa. O Barack Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz, salvo erro, antes de tomar posse, sequer. Não tinha feito ainda absolutamente nada sobre coisa nenhuma e foi dos presidentes mais belicistas da América contemporânea. E o senhor Trump foi exatamente o oposto. Aliás, promoveu diversos acordos de paz no Medio Oriente e estabeleceu um princípio de relações minimamente civilizadas, mas um princípio de relações com a Coreia do Norte, etc. Nesse aspecto, o senhor Trump teve uma atuação que me parece positiva, a não ser que uma pessoa goste especialmente de guerras, não é o meu caso, como prefiro que não haja guerras, prefiro a ausência das guerras às guerras, acho que a atuação do senhor Trump foi positiva e não percebo também nesse critério qual é a rejeição que ele causa em tantos portugueses. E depois no critério também de política interna, quer dizer, os portugueses não deviam estar especialmente empenhados a sofrer ou a festejar as dores ou os progressos da economia americana, mas a verdade é que até a Covid, a economia americana estava absolutamente fulgurante, como também esteve durante o tempo do Obama e do W. Bush. A economia americana tinha o recalce do W. Bush, no entanto, por causa da crise de 2007, 2008, mas a partir daí começou a estabilizar e a ganhar um certo lastro e tinha vindo a crescer a um número recorde de trimestres. E com o senhor Trump, isso aconteceu assim. Houve a questão da Covid, que naturalmente teve consequências, e mesmo dentro dessa questão, a América conseguiu, não por mérito ou demérito do senhor Trump, a economia americana que funciona assim, que é muito dinâmica e conseguiu recuperar empregos a um ritmo vertiginoso, como também tinha perdido muitos. Ou seja, esta aversão toda ao Trump, não vejo nada de muito concreto que a justifique, a não ser uma própria aversão ao indivíduo. Ele não é uma pessoa especialmente bem-educada, é um tipo arrogante, etc. Mas isso não justifica e não avalia a atuação política dele, de todo. Isso são características superficiais do homem ou intrínsecas ao homem, mas que não caracterizam os seus gestos e aquilo que ele fez. E o que ele fez, de facto, é que tem que ser avaliado. E vai ser avaliado hoje pelos americanos. Pelo que me parece, ou as sondagens vão se espalhar ainda com mais estrondo do que se espalharam há quatro anos, ou então parece-me que o senhor Trump vai perder as eleições. Não especialmente para o senhor Biden, mas para qualquer pessoa que se opusesse ao senhor Trump. Isso no caso do senhor Trump perder. Não acho que esteja absolutamente decidido.
Alberto Gonçalves, já estamos a ficar aqui com pouco tempo. Vamos guardar depois também essas ideias para amanhã. Esperamos todos que já possamos saber quem é o novo presidente dos Estados Unidos. Essa é outra dúvida que ainda há em cima da mesa. Mas Alberto Gonçalves, hoje estamos aqui já com pouco tempo, mas amanhã haverá mais ideias feitas, quem sabe também se para discutir esses resultados nos Estados Unidos, mas para já fica estas ideias feitas sobre a forma como os portugueses olham também para estas eleições nos Estados Unidos.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto