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Bem-vindos ao Imperdíveis, hoje com Caetano Xavier, 24 anos. Fez a licenciatura em Economia e o mestrado em Gestão, ambos na Nova SBE. Aliás, acho que está a concluir o mestrado. Aos 22 anos começou uma série de podcasts, chamam-se "Economicamente Falando". Já vai na sétima temporada, hoje em dia falamos mais em temporadas do que em séries, o que quer dizer que já vai no episódio 140. E o propósito deste podcast, "Economicamente Falando", é traduzir por palavras simples o jargão, o economês, que nem todas as pessoas acedem ou percebem. Atualmente, é jornalista de economia na TVI, começou há pouco tempo, e também é o apresentador de um podcast da Fidelidade que tem um título interrogativo, "Mas isso tem saída?" Bem-vindo.
Muito obrigado.
Gostava de saber o que é este segundo podcast, "Mas isso tem saída?" Qual é o propósito?
Eu penso que é uma pergunta que se faz muito em muitos cursos, que às vezes chega a casa e se diz aos pais: "Quero tirar isto ou aquilo". E os pais respondem: "Mas isso tem saída? Isso vai dar ao quê?" E o propósito deste podcast com a Fidelidade foi mostrar que muitas vezes a saída somos nós que a construímos. E também depende muito de nós a maneira como desenhamos o nosso próprio caminho, a maneira como vamos ambicionando e planificando. E não quer só dizer que um curso de Medicina, Engenharia, Direito, o que quer que seja, aqueles mais clássicos, que nós estamos habituados a achar que mais diretamente têm saída, não é por isso que outros cursos também não a terão. E tem sido esse o desafio.
E também há muitas pessoas que fizeram esses cursos e depois tiveram outras saídas, não é?
Tantas.
Mas, Caetano, é muito interessante também ouvir dizer isso vindo de si. É interessante porque o Caetano, primeiro, tem só 24 anos, começou a fazer isto aos 22, portanto, é ainda estudante. Tem esta inclinação pra comunicação e tem o dom da palavra, e é uma pessoa, de facto, muito incisiva, de pensamento claro. E eu posso dizer isto porque foi meu aluno e, portanto, eu vi, tive acesso a isso durante o semestre em que tivemos essa relação professor e aluno, que já passou também há vários semestres. Mas é interessante dizer isso, porque o Caetano é a pessoa que está sempre a construir o seu posto de trabalho e está sempre a encontrar saída para aquilo que são os seus talentos, dons, competências.
Muitas vezes. E eu acho que foi um pouquinho isso que eu fui percebendo ao longo do tempo. Muitas vezes, o facto de nós termos de encaixar, e vamos perdendo isso, felizmente, mas esta ideia de que nós temos de encaixar num sítio, numa caixinha e ficar lá, sempre me incomodou um pouquinho, porque este lado comunicativo, aliado ao lado dos números e ao lado da economia, e ter tirado um curso que é muito baseado em matemática, em previsão, em modelos financeiros e tudo e mais alguma coisa.
Tem uns belos cadeirões.
Tem uns belos cadeirões, que já lá vão, graças a Deus. Sempre foi um pouquinho uma inclinação para: "Agora, tens de ser isto". E se eu não quiser? E se não quiser ser só isso, porque não tem de ser ou isto ou aquilo. Podemos acumular.
Exato. Ainda estamos no e, podemos ser isto e aquilo. Mas, Caetano, aí também não há só a caixinha, também há a gestão das expectativas dos outros, às vezes das expectativas das pessoas que nos amam e que querem o melhor pra nós, podem ser os pais, a família, quem os substitui, ou as próprias expectativas. Quando uma pessoa faz uma opção por um curso de Economia, se calhar, a sua expectativa também legítima é ser um economista, só. Mas isto assim não lhe acontece.
Não, eu acho que ainda é cedo.
Completamente fora da caixa.
Acho que ainda é cedo. Do lado de casa, e eu acho que é bom quando sentimos isto do lado de casa, o mais importante foi sempre encontrar aquilo em que eu me sentisse bem e feliz.
Realizado.
Eu acho que muito rapidamente começaram a perceber que este acumular de estar a tirar o curso e depois ao mesmo tempo querer começar um podcast, ao início foi um pouquinho visto, até por mim próprio, como: "Será que vai funcionar?"
"Será que eu consigo, será que vai funcionar?" Aí estamos a falar do podcast "Economicamente Falando". Já lá vamos, porque também é muito interessante a criatividade com que simplifica e clarifica muitas coisas que são às vezes complexas e que são da terminologia, do tal jargão, do tal economês. Mas então, em casa acharam o quê?
Em casa, eu acho que ao início achávamos todos um pouquinho: "O que será que ele vai fazer com isto de querer o lado das pessoas e ao mesmo tempo querer o lado dos números?" E eu fui percebendo que este não ter de ser só uma coisa, é um pouquinho uma maneira de olhar a vida que pode fazer com que nós próprios sejamos o nosso agente de mudança. Nós próprios podemos, em vez de nos queixarmos, como muitas vezes nos queixamos.
Ou então em vez de esperar que o mercado o absorva ou que o mercado o contrate, o Caetano o que faz é: autocontrata-se, cria o seu posto de trabalho e ainda por cima distribui jogo e dá visibilidade, palco e voz a muitas outras pessoas que se calhar também por isso foram olhadas por recrutadores, por diretores de Recursos Humanos. Isso aconteceu?
No "Mas Isso Tem Saída", como começámos não há muito tempo, começámos no inverno.
Neste caso, já vai na segunda temporada.
Já vai na segunda temporada, já lá vão 20 episódios. Mas foi possível não só receber pessoas com percursos universitários curiosos e com histórias interessantíssimas, como também foi possível receber o lado do recrutamento.
O que o mercado está a valorizar e a validar.
Exatamente. E aí o feedback foi se calhar ainda mais notório, porque muitas das pessoas que ouvem são estudantes universitários ou estudantes do ensino secundário que começam a pensar naquilo que irão fazer no ensino universitário e que diziam: "Bem, agora com estas dicas e com os recrutadores que vão aos episódios, nós conseguimos perceber também para que direção ir e até como nos prepararmos para aquilo que é o mercado de trabalho neste momento."
Engraçado, porque isso também, de certa forma, é como se fosse uma demanda interior sua, de mostrar às pessoas ou de proporcionar o acesso às pessoas a uma espécie de uma anatomia da realização individual. Não é a anatomia do sucesso, mas a anatomia de que é feita essa realização. Fazer isto e mais aquilo, podemos ir contra aquilo que os outros esperam, podemos fazer as coisas à nossa medida.
E o sucesso vir depois.
E o sucesso, sim, é sempre uma consequência.
Esperemos que sim. Mas no caso de não ser, ser muito mais no espectro da aprendizagem do que do final dessa aprendizagem.
Sim, nesse sentido, há essa pedagogia. No fundo, sem querer dar lições a ninguém, a sensação que eu tenho é que quer abrir à compreensão, clarificar, ajudar a perceber, e há uma certa pedagogia aí.
Até porque se alguém dá lições, são as pessoas que estão do outro lado do microfone. Não é o meu papel. Para mim, é sentar-me. E eu acho maravilhoso que alguém seja pago para conversar. Acho isto maravilhoso, acho maravilhoso que possa haver um negócio à volta da conversa, do descobrir o outro.
Mas estamos a falar de quem? Estamos a falar de si ou de mim, neste caso? Ou de nós todos.
De todos nós. É maravilhoso nós conseguirmos fazer algo que gostamos, ao mesmo tempo abrirmos portas para que outras pessoas também passem a gostar daquilo que nós estamos a fazer e no meio sentirmos realizados profissional e pessoalmente.
Exatamente. Ainda que hoje em dia se ganhe pouco a fazer estas coisas, mas não faz mal. Ganha-se visibilidade, ganha-se notoriedade e portanto, ninguém enriquece hoje em dia.
Não é pelo dinheiro que lá vamos.
Exatamente, não é pelo dinheiro que lá vamos. Mas as pessoas que têm a felicidade não só de poder ter um trabalho, e ainda por cima um trabalho de que gostam, de facto, aí é que não há valor, não há preço que pague. O que eu queria dizer? Este seu impulso, esta sua inclinação para a comunicação começou quando? Desde cedo, desde sempre, desde que se lembra?
Eu acho que é muito clichê esta resposta.
A pergunta também, portanto, faz mal.
Acho que foi desde sempre. Eu lembro-me de, eu tinha sete, oito anos e provavelmente o presente que mais me marcou na minha vida foi eu ter pedido aos meus pais um gravador, que hoje em dia nunca na vida se usaria. Mas um gravador.
Daqueles pequeninhos.
Daqueles pequeninhos.
Tinha umas cassetes pequeninas.
Tinha umas cassetes muito pequeninas com aqueles microfones. E eu recebi esse gravador e vivia ali num largo com vários amigos e eu lembro-me de organizar os meus amigos à volta e disse: "A partir de hoje vamos começar um jornal, um jornal aqui do largo e então vamos perguntar às pessoas", éramos muito pouco originais, perguntávamos sempre a mesma pergunta, mas íamos perguntar às pessoas se ganhassem o Euromilhões, o que é que faziam com o dinheiro. Era sempre a mesma.
Coisa de sete anos.
Sempre a mesma pergunta, com sete, oito anos.
Mas é interessante, porque a pergunta é a mesma, mas as pessoas são diferentes e deviam dar respostas interessantes à mesma pergunta.
Havia respostas muito engraçadas, porque naquele largo tínhamos a repartição de finanças, uma pastelaria, a polícia, e então íamos ali tentar fazer como se fosse um estudo demográfico, em que conseguíamos retirar amostras daquilo que as pessoas fariam. Mas no fundo, muito além da pergunta, eu acho que foi o primeiro momento em que eu notei que a comunicação passaria pela minha vida.
Dar voz aos outros, interessar-se pelos outros, ir ao encontro dos outros, tomar o pulso.
Completamente.
E depois traduzir isso e levar isso a outros, amplificar essa voz e tudo aquilo. Isso é muito interessante. Tem irmãos, não tem irmãos?
Tenho dois irmãos mais velhos.
Eles também têm esta inclinação?
Não têm esta inclinação profissional. São pessoas, também eles, muito comunicativos. Isto também vem muito de haver um ponto de conversa e um ponto de debate em casa. Eu lembro-me de em casa sempre se comentar a atualidade ou as notícias.
O que fazem os seus pais?
O meu pai trabalha em Angola, em agronomia, e a minha mãe, neste momento, está no mercado dos seguros. Mas lá em casa sempre houve uma validação muito grande para a atenção à curiosidade. Aliado ao fato de por que eu me interessei por comunicação, o fato de eu me ter interessado por economia foi exatamente não perceber nada do que se passava nas notícias, aquelas conversas de adultos, porque os meus irmãos são 12 e 11 anos mais velhos do que eu, então havia ali toda uma conversa de adultos que eu ficava muito frustrado de não perceber.
Mas queria perceber e não desistiu de perceber.
O que era o PIB e o défice. E realmente, eu acho que a economia vem um bocadinho daí, não perceber o que os políticos diziam e todas aquelas conversas que eu achava interessantíssimas que se passavam à volta da mesa, e eu também queria perceber. Por isso, acho que vem daí tanto a comunicação se calhar como a economia. Estou a pensar nisto agora.
O curso de Economia. Exatamente.
Está a vir agora a chave.
Por exemplo, nessas suas séries e temporadas do "Economicamente Falando", isso continua a ser o seu propósito, é traduzir por palavras simples esta terminologia da economia, fazer com que mais pessoas percebam do que estamos a falar Quando falamos por siglas, por cifras, por números e gráficos, nem todas as pessoas atingem.
E que nos toca muito diretamente a todos, a toda hora, nas nossas vidas. Muitas vezes nós não sabemos o que estamos a pagar em termos de impostos, ou por que estamos a pagar aquilo, ou qual é a finalidade do que está a acontecer na economia à nossa volta, porque a economia são pessoas, é uma ciência socioeconômica. Eu acho piada ser socioeconômica, porque será sempre sociedade antes de dinheiro.
As pessoas antes.
As pessoas antes. E eu acho que é assim que deve ser vista. É muito difícil fazer com que as pessoas queiram ter atenção àquilo que pagam ou que se passa na vida delas constantemente. É uma tarefa difícil, que eu tentei desmistificar por tornar mais curto, numa linguagem mais cotidiana.
E com as metáforas que usa, no fundo, usa exemplos que são muito concretos, muito banais e muito do cotidiano.
Que vem muito da formação da Nova. Eu tinha um professor espetacular, o professor Pedro Brinca, de macroeconomia, que dizia: "Tudo aquilo que eu vos vou explicar aqui, macroeconomia é uma cadeira".
É um cadeirão.
É um cadeirão, é um senhor cadeirão. O professor Pedro Brinca dizia: "Tudo aquilo que eu vos vou explicar, explicaria à minha avó, com a quarta classe, algures no interior do país". E a verdade é que tenho a certeza absoluta que a maneira como nos explicava a nós, conseguiria efetivamente explicar à avó. E foi uma das minhas grandes inspirações para: "Ok, então nós conseguimos simplificar isto ao ponto de fazer com que as pessoas percebam, mas além de perceberem, que se interessem."
Exatamente.
E o interesse vem exatamente do fato de lhes tocar a toda hora, todos os dias.
Caetano, pegando assim num destes temas, que são do "Economicamente Falando", quais são os temas core, aqueles temas em que uma pessoa está sempre à volta e sempre a descascar esse tema e que se possa também agora aqui, de uma forma simples e à sua maneira, simplificar?
Um dos temas em que eu recebi mais comentários, em que houve mais feedback, foi o dos saldos, feito na altura dos saldos. E por que as lojas faziam saldos. E há uma quantidade ínfima de razões pelas quais acontece.
Ínfima, não, infinita.
Infinita. Ínfima, nada.
Sim, não é que eu disse ínfima e eu fiquei a pensar: "Senhor".
Há imensas razões pelas quais as lojas fazem saldos, uma delas, porque têm de escoar aquilo que é a produção que vinha da estação anterior e, portanto, querem vender o mais rapidamente possível, mas outra delas, e muitas vezes acaba por passar despercebida, é o fato de haver alguns produtos que efetivamente estão em saldos, mas depois ao lado está a nova coleção, ali ao lado estão uns complementos.
Portanto, é chamar a atenção, pôr a pessoa dentro da loja, olhar a chapa, o que está a vir.
E dentro da loja, a pessoa está à mercê da cadeia ou da marca que ali está e toda a organização, não só da loja, como a organização dos complementos. Por exemplo, muito facilmente, uma máquina de café está em promoção, mas depois o café e as cápsulas de café para a máquina, se calhar, o preço está um bocadinho inflacionado ali ao lado. E então a complementaridade também ajuda muito a que as empresas também sobrevivam nesta altura.
Exato, porque também olhando para os saldos e só usando este exemplo que enunciou, uma pessoa às vezes quase que se sente enganado, sobretudo se a pessoa tem o azar de ir comprar uma peça três dias antes de começar os saldos, sem saber que naquela loja, a loja vai ficar em saldos e às vezes se sente enganada. E às vezes até a relação com o vendedor ou com a loja fica afetada. Porque foi comprar os sapatos hoje e ela não lhe disse que se viesse amanhã, já tinha menos não sei quantos por cento.
Até a credibilidade fica ali afetada.
Mas é interessante também estas perspectivas. E que outros temas? Falou há bocadinho dos impostos, e os impostos são um tema mesmo difícil para todos nós, cidadãos contribuintes.
É verdade.
O que lhe interessa que as pessoas percebam e o que lhe apetece que as pessoas adiram em termos de conhecimento sobre os impostos e para onde é que o dinheiro vai e por que vai?
Eu fiz, na altura, uma minissérie sobre os impostos que se chamava "Pontos nos Is", tentar pôr os pontos nos Is de IVA, IRS, IRC, tudo e mais alguma coisa. E realmente a ideia era não só desconstruir aquilo que as pessoas estavam a pagar, porque muitas vezes está ali um cantinho, está ali uma linha embaixo e as pessoas não têm noção do porquê ou do quê, e também para onde é que esse dinheiro vai. Em matéria de dinheiro, a maneira mais fácil de fazer com que as pessoas nos ouçam e queiram saber daquilo que está a ser falado, é se houver um impacto direto na carteira de cada um de nós. Aliás, o primeiro episódio de todos do podcast chamava-se, e ainda lá está: "Por que não imprimimos milhões?" E é uma daquelas questões básicas.
Por que não se imprimem mais notas e mais dinheiro? Exatamente.
Por que não se dá 1 milhão de euros e se deposita na conta bancária de cada pessoa?
Para quem não sabe, e eu estou dentro dos ignorantes, quer dizer, sei, mas vamos fingir que não sabemos, ninguém sabe, por que não se imprime mais dinheiro?
Por que não se imprimem milhões? Por um fenômeno chamado inflação. E o que acontece é que se nós imprimirmos milhões e se de repente todo mundo ficar imediatamente, primeiro, era completamente impossível fazer com que todo mundo ficasse imediatamente mais rico ao mesmo tempo. E logo aí, se houvesse alguém ou alguma zona geográfica a ficar mais rica do que outra, logo aí isso teria um choque tremendo de poder de compra, que iria criar desigualdades acentuadíssimas. Mesmo que se fosse possível, que não era.
Que não é.
Não é. Mesmo se fosse possível, automaticamente Iria dar-se o fenómeno da inflação, que é os preços iam subir. Como acontece sempre que existem injeções de dinheiro, mais pequenas até, sempre que isso acontece, os preços reagem e automaticamente as coisas acabam por ficar mais caras. É uma ilusão, o próprio mercado adequa-se e ajusta-se totalmente àquela que é a realidade também da procura. Aquelas duas curvas cruzam-se sempre, certamente. A matemática é clara.
A matemática é infalível. O Caetano é muito interessante, porque não só cria os podcasts, vai procurar as pessoas, entrevista-as, tem este cuidado de fazer com que as pessoas percebam estas matérias, como ainda por cima tem uma criatividade incrível, torrencial, diria eu.
Comecei aqui com o meu ego.
Eu estou a pensar que os pontos nos Is, e estava a dizer os pontos nos Is, e eu: "Claro, IRS, IVA, IMT, tudo aquilo que tem um I, e o Caetano tem logo os pontos nos Is. E isso é incrível, porque tem 24 anos e começou a fazer isto aos 22. Há uma demanda interior de dar de volta aquilo que aprende, aquilo que sabe, é isso?
Sim, eu penso que sim. Há uma vontade muito grande de aliar aquelas que são as minhas duas paixões e que eu descobri muito cedo que as eram, ou seja, de aliar a comunicação e os números. E foi algo que me pesou durante algum tempo, esta ideia de eu vou estar a tirar um curso de economia, vou estar a fazer uma licenciatura em economia e acabou-se. Nunca mais vou poder usar a comunicação, nunca mais vou poder utilizar isto como eu gostaria de utilizar. E o podcast deu-me uma liberdade e foi um presente que eu decidi dar a mim próprio, penso eu, agora em retrospectiva, exatamente nesse sentido de: "Não, é possível, podemos continuar."
Voltar ao e, posso fazer isto e aquilo. Ou seja, temos que dar cabo dos ou. Ou isto ou aquilo. Nós já dissemos isto uma vez, não é um bicho raro, devia ser já um bicho extinto à face da Terra, esta coisa do ou. Ou sou isto ou sou aquilo. Não, sou isto e mais aquilo. Portanto, viva o e. E agora temos que fazer uma pausa. Até já.
Até já.
Voltamos à conversa com o Caetano Xavier, tem 24 anos, é licenciado em Economia, está a concluir o mestrado em Gestão na Nova SBE, no campus de Carcavelos, e aos 22 anos começou a primeira série de podcasts, estávamos a falar sobre isso, o "Economicamente Falando". Eu gostava também de perguntar uma coisa que é: na universidade, quando se estudam, quando se fazem cursos como Economia, que têm realmente cadeirões, é preciso estudar muito e há aquela noção de que até se deixa de fazer desporto, até se deixa de estar com os amigos para estudar. Conseguiu sempre conjugar tudo aquilo que tinha que estudar, tudo aquilo que tinha que fazer, com também este trabalho que arranjou para si próprio, que foi criar estes podcasts.
Sim, e não, por vezes. Porque também não podemos conseguir sempre ser mestres da gestão de tempo e da gestão de expectativas. Temos de conseguir, às vezes, também bater com a cabeça um bocadinho para ir aprendendo. Eu acho que a maior chave, eu tenho alguns primos a entrar nos vários cursos por onde eles andam e se espalham, e digo-lhes sempre: a chave, por mais difícil que pareça, é sempre a continuidade. É muito fácil deixar tudo para os exames e deixar tudo para acumular e mais alguma coisa. Se, ao contrário de fazer isso, se for estudando, se for mantendo tudo em dia.
Se mantendo em dia, exato, a matéria em dia, o estudo em dia.
Se tiver tudo em dia, é muito mais fácil depois chegar aos exames, fazer uma revisão daquilo que foi feito até ali e está-se, em princípio, preparado.
E esse foi o seu método sempre.
Não foi o meu método sempre, daí eu ter aprendido que este é o método certo.
É verdadeiramente o learning by doing.
Exatamente.
Ou então é o practice what you preach. É melhor pôr em prática aquilo que apregoa.
Exatamente. E muito mais, se calhar, agora no mestrado, com uma ideia muito mais precisa.
Já também é mais velho, mais maduro, com 24 anos.
Sim, mais velho, também, é verdade.
Estou a brincar.
Mas foi uma aprendizagem que eu fiz e que gostava que me tivessem dito quando entrei na faculdade. Esta ideia de pode parecer chato, ou pode parecer aquelas pessoas mais velhas que acham que são sábias a dizer: "Não, devias estudar todos os dias." Não é preciso estudar todos os dias, mas é possível realmente ir fazendo um estudo ongoing e simplificar tudo, porque a partir daí é possível desportos, que eu não pratico, mas é possível, sei de quem. É possível desportos, é possível podcast, é possível clubes.
É possível até desportos de alto rendimento, música de alto rendimento e outras artes performativas ou não, de alto rendimento, é impressionante. Aliás, eu tive vários alunos que fizeram dois cursos em simultâneo, nomeadamente Medicina e Economia. É impressionante. E também tive uma aluna que fez Engenharia Aeroespacial e Economia. Tão como ela, eu também a entrevistei, não para os "Impredíveis", porque já foi há mais tempo, mas é impressionante. E, portanto, percebo isso que está a dizer.
Completamente impressionante. Eu também tinha um colega que fazia Engenharia Mecânica e Economia ao mesmo tempo, e depois fazia aquelas piscinas, Carcavelos Técnico.
E depois ainda dão explicações, ainda fazem voluntariado e têm amigos e saem à noite. É aquele mistério.
É aquela teoria de que a organização é mais fácil quando o dia está preenchido e não há ninguém que me possa convencer do contrário. Se eu tiver uma coisa para fazer, marcada na minha agenda, que eu tento pôr tudo no telemóvel para me ir lembrando das coisas, essa coisa eu marco-a para as 10h. Portanto, eu tenho aquela coisa para fazer, faço às 10h e tenho o dia todo livre, vai ser incrível. O que vai acontecer? Eu vou ver a notificação às 10 da manhã, vou empurrar pras 11, porque estou a fazer um pequeno-almoço maior ou o que seja. Entretanto, também é quase hora de almoço. Entretanto, é depois do almoço. Depois do almoço a pessoa descansa um bocadinho. A seguir tenho uma série pra pôr em dia e de repente são 18h e andei a empurrar aquilo o dia todo. Se eu tiver 10 coisas para fazer, eu tenho tanta noção de que essas 10 coisas têm mesmo de caber naquele dia, que automaticamente a gestão de tempo aciona e a pessoa organiza-se para conseguir que tudo aquilo esteja efetivamente feito até o final do dia.
É muito interessante. Isso vem ao encontro daquela velha máxima que é: só se podem pedir coisas a pessoas muito ocupadas. Essas podem sempre, porque se pedirmos coisas a pessoas pouco ocupadas, essas não podem nunca. E portanto, o mistério, afinal, também está resolvido. É por isso.
É verdade.
E considera que é uma pessoa que faz muitas coisas, até porque agora começou a trabalhar na TV há pouco tempo.
Sim, se bem que com o mestrado em férias de verão.
Mas é um estágio profissional ou é já um posto de trabalho? Como é que aconteceu? Candidatou-se, vieram ter consigo, porque ouvia os seus podcasts?
Eu sempre gostei muito de televisão e sempre foi um meio que me fascinou muito e sempre achei que, de alguma forma, eu estava ligado do lado do telespectador, mas queria ver um bocadinho o que estava do outro lado da caixinha mágica.
Já vem que se traz.
Já vem. Isto já é coisa de criança.
Isto está no seu DNA.
Já lá estava. E portanto, surgiu a oportunidade de fazer este estágio. Isto é um estágio que, neste momento, para começar, penso que seja sempre assim, os estágios que acontecem, pelo menos na TV, é um estágio que para começar terá três meses. É perfeito, porque coincide com o verão e é uma experiência que dá para ser no verão e depois ambas as partes hão de resolver se existem condições para uma continuidade.
Se há chão para fazer mais caminho.
E está a ser uma oportunidade e uma experiência incrível.
Por quê? O que é que gosta?
Porque aquilo que se passa atrás da caixinha mágica, que eu pensei durante muitos anos no que seria, e pus muitas expectativas atrás daquilo que seria, é, afinal de contas, muito mais interessante, metódico e especial do que eu estava à espera.
Em concreto, em quê? O que é que esperava e o que é que encontrou?
O que eu esperava era a azáfama total, alguma desorganização, se calhar.
O que vemos nos filmes.
O que vemos nos filmes, papéis a voar, pessoas que gritavam muito. Se calhar, associada à televisão, alguma pedância.
Pedância no sentido de serem pedantes, de serem vaidosos?
Se calhar, um bocadinho, alguma vaidade. E encontrei um sítio feliz, um sítio onde eu estou lá há muito pouco tempo e todos os dias continuo a acordar antes do despertador para ir trabalhar. E um sítio onde há um espírito de equipa muito grande. Há uma calma.
Uma calma que nasce da confiança. Uma confiança uns nos outros.
Exatamente.
Todos por todos e estamos todos aqui para o mesmo.
E um espaço de aprendizagem, que é maravilhoso quando, como eu, se é alguém que quer muito aprender e haver essa abertura.
Xavier, eu insisto no Xavier. Caetano Xavier.
Mas pode ser Xavier. Está lá.
Xavier é fortíssimo.
Está lá.
Caetano, mas isso também é muito seu. E aqui volto à minha memória, quando foi meu aluno, e só foi meu aluno durante um semestre e numa cadeira, portanto, não tive acesso a mais do que isso, mas o que eu via era sempre uma pessoa que fazia os outros felizes, e que era muito contagiante, e que era inspirador, e que quando chega é uma espécie de filtro solar, é uma pessoa que põe as pessoas bem. Não, é a sua marca, eu não tenho interesse nenhum em dizer isto sobre si, eu estou a enunciar factos, eu também sou bastante factual. E por isso acho graça que diga isso sobre uma equipa, que é uma equipa nova que integrou, mas pergunto se isso é o seu caldo familiar, se é a sua maneira de estar na vida, se tem consciência disso, se alimenta isso, se cultiva isso.
Eu sou uma pessoa altamente feliz no trabalho.
Realizado. A sua felicidade, o seu bem-estar vem muito da realização profissional.
Passa muito pela realização profissional, muito mesmo.
Isso não o assusta nunca?
Nunca me assustou.
Não? Também ainda só tem 24 anos.
Talvez me venha a assustar no futuro.
Não, mas imagino que, como todas as pessoas à face da Terra, vai ter o seu período entre projetos, desempregado e desanimado. Não tem medo que esse desânimo depois tome conta de si, só porque diz que é muito feliz e isso depende do trabalho. Isto é uma pergunta um bocado existencial, filosófica ou devassante. Peço desculpa.
De todo, eu acho possível. Acho que o Caetano desempregado há de conseguir resolver.
O Caetano desempregado, faz o Caetano assim uma mão a atirar lá muito pra frente. Se isto estivesse em imagem, via-se a sua mão a pôr o Caetano desempregado para daqui a quatro ou cinco décadas, mas pode acontecer daqui a dois ou três anos.
Dias.
Exatamente. Mas pronto, o Caetano desempregado, quem é que é?
Acho que saberá, na altura, lidar melhor do que o Caetano quase astrólogo que teria agora de responder a essa questão.
Ótimo, é uma boa resposta. Então, o trabalho, trabalhar, esse propósito também, essa necessidade de comunicar, fá-lo feliz. E que mais é que o faz feliz?
Pessoas. Lá está, também muito aliado ao trabalho, e que bom que é que assim seja, mas completamente fora de contexto profissional. O facto de existirem pessoas, amigos ou não amigos Que nos ensinam alguma coisa. Eu acho maravilhoso que quando nós aprendemos alguma coisa, muitas vezes não damos por isso. Passamos o dia, aprendemos efetivamente algumas coisas.
O que é que aprendeu ontem? O que é que aprendeu hoje com alguém?
Hoje aprendi, e isto é completamente aleatório, mas hoje aprendi, foi a minha aprendizagem do dia de hoje, que tal como a Estação Espacial Internacional, vai existir o mesmo género subaquaticamente a 20 metros de profundidade. E então aprendi um bocadinho de como é que vai funcionar esse género de estação de observação subaquática, que achei maravilhoso. E muitas vezes estas aprendizagens passam-nos ao lado. Muitas vezes são gestos que pessoas têm para conosco ou que nós temos para com pessoas ou momentos.
Que tipo de gestos é que o tocam?
Eu gosto de ver nas pessoas. Eu acho que as pessoas nos surpreendem a toda hora e podemos conhecê-las, podemos não as conhecer e muitas vezes se calhar até estamos a observar de fora, que eu acho que tem muito mais graça quando nós estamos a observar uma situação e nem sequer estamos diretamente relacionados com ela e vemos, se calhar, tanto com alguém que conhecemos como com alguém que não conhecemos, um gesto de generosidade, alguém que sem estar a ser visto, ajudou outra pessoa numa situação limite. Se calhar vou para o mais clichê. Muitas vezes estou a ir para o mais clichê, se calhar.
Não, está a falar de situações e eu lembrei-me de uma situação que eu ouvi. Eu estava de carro e a estação de comboio está num patamar acima do patamar dos carros, e vinha um senhor cego e ninguém o ajudou. As pessoas desviavam-se dele. E é impressionante, quando disse agora aqueles gestos.
Lembrou-se do contrário.
Exatamente, o oposto, porque quando ninguém está a ver, eu desvio-me do cego. E as pessoas estavam no carro, estávamos presos numa fila de trânsito, não era possível fazer nada, mas marcou-me imenso. O Caetano pareceu sempre uma pessoa muito bem na sua pele. O que o enerva, o que o irrita, o que o frustra ou o que lhe tira o sorriso?
De repente, vem-me à cabeça uma lista.
Interminável.
A minha lista de coisas que me irritam. Muitas coisas frustram-me: não conseguir chegar aos objetivos que delineei.
É perfecionista?
Eu lido bem com o erro, mas sim. Ia tentar dar a volta e não dá.
Está bem. Então, perfecionismo, sim.
Perfecionismo, há aqui um perfecionismo. A mim faz-me muita impressão ou chateia-me esperar.
Impaciência?
Há aqui uma certa impaciência.
Uma certa.
Mas que eu acho que tem cura, não tem?
Tem cura, quer dizer, pelo menos é tratamento. Uma pessoa pode estar em remissão ou em tratamento uma vida inteira. Nunca se sentiu peixe fora de água? Porque outra coisa que também emana de si é que está sempre bem onde está. Mas há de certeza alturas ou momentos em que também já se sentiu peixe fora de água?
Claro que sim. Ainda agora, há duas semanas, a primeira vez em que neste estágio, lá vou eu para o lado profissional. Isto vai sempre parar para o lado profissional. Ainda há duas semanas, a primeira vez que fiz uma saída na TVI, uma saída em reportagem, disseram-me: "Bem, agora vais para Belém fazer perguntas a turistas sobre a afluência, o porquê de cá estarem, com tudo isto do Covid, como é que vieram, se vão ter de fazer quarentena quando voltarem, etc." E eu dou por mim num carro de reportagem com um repórter de imagem, que felizmente foi inacreditável.
Um buddy, um verdadeiro buddy.
Verdadeiramente. Senti ali mesmo um espírito de equipa fantástico, mas claramente um peixe fora de água. Quem sou eu? É a síndrome do impostor.
A síndrome do impostor.
Sabe a síndrome do impostor?
Sim. Quando se vai fingir que já é um repórter e ainda não é.
Eu pensar: "Eu estou no meio de Belém, com um microfone."
Com uma marca que é uma televisão, é um canal de televisão.
E se as pessoas sabem que eu sou uma criança, no fundo? E se as pessoas sabem? E há um bocadinho esta ideia de, por mais que se goste de fazer, e eu adorei fazer, e quando fiz a saída achei espetacular e as pessoas com quem fui falando foi muito divertido, e depois voltar e ir tratar as imagens e tudo isso. Mas a ideia no terreno de nós pensarmos: "Bem, se alguém me apanha e descobre que no fundo é a primeira vez que eu estou a fazer isso."
Mas isso também vem do perfecionismo, não é?
Vem do perfecionismo.
Claro, é preciso ter cuidado com isso. É preciso ter cuidado com os ismos.
É verdade.
Tentar fazer perfeito é uma coisa, ser perfecionista é outra coisa.
É verdade.
E é controlador, é um control freak?
Altamente controlador.
Isso também tem que se ver.
Altamente controlador. Eu de repente sinto-me em psicoterapia.
O quê?
De repente sinto que ligeiramente em psicoterapia.
Não é nada essa a ideia. Eu detesto psicologizar as conversas, portanto, se te parece isso, vamos já fugir.
Mas eu adoro, deve ser eu. Eu adoro ir para esse lado da introspeção.
Não, porque quem faz tantas coisas e quem quer fazê-las de uma forma perfeita e tem esse lado perfecionista, também pode ter associado esse lado controlador. E isso pode trazer problemas. Agora é um tempo inaugural e está a distribuir jogo e está a fazer coisas que são novidade, são surpresa, mas à frente pode lhe trazer algum dissabor.
Eu sinto que a nível pessoal, não, e se calhar descanso aí, descanso no nível pessoal. Ao nível profissional, eu sinto que sou muito controlador comigo próprio.
Muito exigente.
Exigente. Eu sei que no podcast o episódio sai aquele dia, àquela hora, e fico muito triste comigo Se não estiver pronto naquele dia, àquela hora. Quando nós pensarmos bem, muito provavelmente a maioria das pessoas não quer saber. A maioria das pessoas ou vai ouvir no dia a seguir, ou uma semana depois, ou umas horas a seguir.
Sim, mas é uma exigência própria, uma questão de método.
Há uma exigência, exatamente. Há um método que eu quase que implementei como lei e tem de ser assim, tem de ser no sábado àquela hora.
Pode, se calhar é um princípio de boa gestão do tempo, não sabemos. Cada um terá a sua. Há bocadinho fez aquele gesto do Caetano do futuro. Como imagina se uma pessoa fizer aquela pergunta, que também é bastante clichê, que é: como é que se vê no futuro, mas por aqui, cinco anos ou 10 anos? Imagina-se com 34 anos. É muito difícil, quando uma pessoa tem 24 acabados de fazer.
É difícil imaginar-me com 34.
Então podemos fazer uma coisa que é: o que não gostava que fosse o Caetano daqui a 10 anos?
Boa, é um bom exercício.
Talvez seja mais difícil.
Talvez seja mais difícil. Aquilo que eu não gostava era, para começar, detestaria e ficaria muito triste se não me sentisse realizado. Se sentisse que o caminho e as portas que se foram abrindo e as pessoas com quem me fui cruzando e este caminho dos últimos tempos não tivesse levado a lado nenhum. Seria uma profunda deceção comigo próprio. Seria muito mais facilmente uma deceção comigo próprio do que com os outros. E também se eu me tivesse descurado nesta batalha que eu decidi escolher de criar uma ponte entre a economia e as pessoas.
Uma área de especialidade e as pessoas que são leigas na matéria.
Se não tivesse cumprido os próximos degraus, que eu não imagino quais serão, mas os próximos degraus desta ponte que eu fui tentando construir ao longo do tempo, eu acho que ficaria triste comigo.
Caetano, e estes seus dois irmãos, que são bastante mais velhos, nessa altura terão igualmente mais 11 e 12 anos. Portanto, em vez de terem 34, terão 46 e 45. O que os seus irmãos acham de si?
Se eles ouvirem isto, já lhes custou os 30, os 40, que a Laura ainda lhes está a pôr.
Eles não levam a mal. Mas o que os seus irmãos acham de si?
Os meus irmãos.
Olha um bom miúdo que sempre fez coisas.
Os meus irmãos, que ainda acharão, certamente, que sou uma criança, penso que olham para mim com, quero acreditar e ao mesmo tempo sei que sim, sei que olham para mim com alguma admiração. Espero que com a mesma admiração que eu olho para eles. Os meus irmãos sempre foram, não só os irmãos mais velhos, tanto o meu irmão como a minha irmã, como um bocadinho os meus pais. Eu sempre os vi aos quatro como uma equipa. Eram aquelas pessoas que falavam de coisas complicadas ao jantar e que faziam muitas outras coisas que eu ainda não podia fazer.
Muito rapidamente, o que aprendeu com essa equipa de quatro, com mãe, pai, irmão e irmã? Em palavras.
Individualmente, com a minha mãe, eu aprendi o significado daquilo que é trabalho, daquilo que nós temos de fazer para nos construirmos a nós próprios e só no fim, lá ao fundo, para nos destacarmos. Como uma caminhada. Com o meu pai, a paz, a tranquilidade, a assertividade, o nunca se deixar de se ser bom e nunca se fugir a valores, para conseguirmos aquilo que queremos.
A ética. Não importam só os fins, também importam os meios.
Importam muito os meios.
Exato. E com a sua irmã?
Com a minha irmã, há tanta coisa que eu aprendo com a minha irmã todos os dias. Eu e a minha irmã vivemos juntos. A minha irmã é altamente trabalhadora e não olha para obstáculos.
Não há impossíveis. Impossível é só o que não se tenta.
Para a minha irmã, é fantástico ver que é só impossível aquilo que não se tenta, como é muito difícil que haja alguma coisa que não se tente.
Muito bem. E o seu irmão?
O meu irmão deu uma volta de 180 graus à vida dele, tirou Farmácia, percebeu que não era feliz e decidiu abrir uma box de crossfit, e portanto foi uma volta total à vida dele. E eu descobri a perseverança e o não é tarde, não é por termos 30, que temos de deixar de fazer alguma coisa que nos deixe felizes.
Ou seja, isto tem saída. Há sempre saída.
E há sempre saída.
E de onde é que vem a alegria, Caetano? Dos quatro.
A alegria vem da família. A alegria vem de nós sabermos que ao fim do dia nos podemos sentar todos e hoje falar sobre o "Telejornal" comigo, a perceber efetivamente o que se passa naquelas notícias. Podermos ter conversas construtivas.
Muito bem, obrigada. Muitas felicidades, Caetano.
Muito obrigado pelo convite.
Obrigada.