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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Olá, sejam bem-vindos a mais um "Isto é Ser Mãe", um programa dedicado às maiores preocupações do dia a dia dos pais. Eu sou a Fabíola Carletis, consultora de moda e beleza da MAG e mãe da Francisca, de dois anos e meio.
E eu sou a Catarina Bolster, jornalista da MAG e tenho uma filha com dois anos, a Carmo. Hoje temos conosco no Isto é Ser Mãe a pediatra Joana Martins.
Olá.
Olá, Joana. Muito obrigada por ter aceito o nosso convite. Que dá consultas no Hospital Dona Estefânia e trabalha no Hospital Dona Estefânia. Que vem falar conosco sobre os cuidados de higiene com bebês e crianças, aqui com destaque pra higiene íntima, não é?
É verdade.
Joana, então começando por falar dos cuidados de higiene íntima. Isto ainda é um tema tabu, que as pessoas ainda têm um bocadinho de vergonha em falar ou já nem tanto?
Eu acho que tem vindo a mudar, tendencialmente a mudar. No entanto, não há realmente, do ponto de vista geral da sociedade, um consenso que tem que existir cuidados de higiene íntimas para as meninas. No entanto, na minha experiência, quando as meninas têm realmente problemas de vulvovaginite e tudo mais, há obviamente sempre um enfoque na higiene e, portanto, como eu tenho esta noção mais patológica das crianças, acabo por ter um grande enfoque isto no meu dia a dia de trabalho, de urgência, acaba por ser bastante relevante. Mas acho que muito pode ser feito do ponto de vista da conscientização da importância da higiene íntima.
É um tema que ainda precisa ser muito falado?
Eu acho que sim, cada vez mais, e sobretudo pelos pediatras, mas também pelos médicos de família, que fazem muito seguimento das crianças saudáveis. Isso é muito relevante ser explorado por eles, falarmos da importância, como é que é feito, com que frequência que deve ser feito, com que produtos é que deve ser feito. Nós temos, obviamente, aqui um grupo etário que gostamos de salientar. A maior parte dos produtos de higiene íntima estão desenhados ou conceptualmente feitos para ser utilizados a partir dos três anos de idade. No entanto, abaixo dessas idades, às vezes, também isso pode ser utilizado pontualmente, sobretudo quando há algumas alterações, dermatite da fralda associadas e, portanto, nessas situações também pode ser recomendado fazer. Agora, acima dos três anos, sim, tem que haver um cuidado, tem que haver uma escolha de um produto de higienização da região vulvovaginal, no caso das meninas, como é óbvio. E isto é importante porque estes produtos não têm as características de um gel de banho ou de um sabão convencional. Isto por quê? Estes produtos de higiene íntima têm frequentemente um pH um pouco diferente do gel. O gel de banho tem um pH de 5,5 ou cinco, à volta de cinco. Estes produtos de higiene íntima, no caso das meninas que não têm a puberdade, portanto, que não são menstruadas, devem ter um pH por volta dos 4, 4,5. Um bocadinho mais ácido vai favorecer a proliferação local de lactobacilos, que são protetores. Os lactobacilos são bactérias que fazem parte da nossa flora local e que nos protegem de outros patogênios que podem multiplicar-se na região. Garantir que lá estão os lactobacilos garante que o pH seja um bocadinho mais ácido e isto protege muito de outro tipo de bactérias explorarem e crescerem na região vulvovaginal. Atenção que estas coisas, muitas vezes, há outros fatores que podem interferir. Nós temos por base nas crianças, damos banhos de imersão. E isso é um fator de risco, porque alteram a flora e a fauna da região. Frequentemente nas meninas também temos o uso de roupa justa. Até no inverno temos estes problemas por causa da questão do uso recorrente de leggings. E portanto, há aqui muitos fatores agressores que podem interferir na capacidade de higienização e ventilação da região vulvovaginal.
Eu e a Fabíola tivemos a oportunidade há alguns meses de estar num evento com a Joana, onde lhe foi colocada uma questão sobre este tema da higiene íntima. Agora aqui a falar um bocadinho mais das raparigas. Que há muitos pais, homens, que fogem um bocadinho à limpeza da zona íntima, seja por medo de fazerem as coisas mal, alguma vergonha. Acha que isto ainda acontece?
Ai, acontece, muito frequentemente. É porque, na experiência que eu tenho, mesmo em bebês, há algum prurido em higienizar como deve ser os genitais externos das meninas. Por que eu percebo? Porque socialmente manipular os genitais pode ser uma coisa mais difícil, mais sensível pras pessoas. E é frequente na minha consulta eu ver bebês que realmente nem sequer são bem limpos. Ou seja, pra limpar convenientemente uma menina que usa fralda, é conveniente afastar os grandes lábios, limpar o sulco entre o grande lábio e o pequeno lábio. Isso, por vezes, os pais não fazem. Por ter medo de magoar.
Pais e mães, neste caso?
Pais e mães, sim. Isso não é uma coisa típica só dos pais. Eu acho que é um medo anatômico de mexer, não sei, mas realmente é muito importante, às vezes, na primeira consulta de pediatria, ilustrar como é que se faz uma boa higiene da zona do períneo. Períneo vulgarmente conhecido, a zona entre a vulva e o ânus, e explicar mesmo aos pais, explicar como é que se faz. Eu encontro muitas vezes meninas que não estão bem limpas. E é uma coisa tão simples de fazer e que tem um impacto tão grande na prevenção de complicações.
Exatamente, claro.
Agora falando mais em relação aos rapazes, e a mim dá-me imenso jeito, porque eu estou um bocadinho assustada com o que aí vem. Principalmente em termos de bebês. Há muita desinformação sobre a limpeza da zona íntima. Aquela história se devemos puxar a pele do pênis do bebê ou separar. O que é que se deve fazer, na realidade, e por quê?
Todos os bebés nascem naturalmente com a pele do prepúcio a recobrir a glande. Essa pele tem que ser retrátil e há um longo caminho a percorrer. Habitualmente, nós não somos apologistas de estar a recolher a pele do prepúcio abaixo dos dois anos de idade. Mas a partir desses dois anos, faz algum sentido, para fazer uma boa higienização do local, arregaçar a pele. E aí, às vezes, temos algum compromisso, porque alguns meninos têm a pele do prepúcio muito estreitinha e este processo de arregaçar não é linear.
E pode ser doloroso.
Pode ser doloroso. E pode ser necessário utilizar algumas pomadas médicas que têm na sua composição antibióticos e corticoides para ajudar a fazer esse processo e torná-lo o menos doloroso possível. Isso é tudo um processo. Neste momento, o que eu vos posso dizer é que se inicialmente, quando eu comecei a minha formação específica, operavam-se as pelinhas que não arregaçavam totalmente, propunha-se uma circuncisão por volta dos cinco anos de idade, se a pele do prepúcio não fosse totalmente retrátil. Atualmente, esse paradigma mudou e, portanto, adia-se cada vez mais esse tipo de intervenção para dar justamente mais oportunidade.
Tempo, não é?
Exatamente, para que aquela pele seja arregaçada, alargada e que possa ser totalmente retraída. E agora adiamos a estratégia cirúrgica para depois dos oito anos de idade. Portanto, temos aqui uma mudança de paradigma muito importante. Somos menos agressivos a tratar um prepúcio que não arregaça totalmente. Isto tem um nome médico. Quando a pele do prepúcio não arregaça, chama-se uma fimose. Portanto, as fimoses, neste momento, têm indicação cirúrgica a partir dos oito anos.
E antes dos dois anos, não se deve fazer isso.
Não vão estar a higienizar, não vale a pena, até porque eles têm naturalmente uma fimose constitucional, portanto, eles vão ter uma pele do prepúcio muito estreitinha. E, portanto, vai ser bastante traumático e doloroso.
Estou muito solidária contigo, Fabíola, teria muito boa sorte para não ter me preocupar com isto.
Mas vai ser necessário. Faz parte da rotina do banho e tem que ser arregaçado todos os dias. Agora, eu tenho algumas colegas que fazem consulta de cirurgia, de urogental, e elas têm sempre experiências muito engraçadas sobre este assunto, porque realmente as mães delegam para os pais tratar deste assunto.
É verdade?
Sim, porque arregaçar a pele.
Eu já pensei nisso várias vezes.
Por experiência própria, às vezes não resulta tão bem, até nós darmos aquele aviso aos pais, que é: "Ora bem, se isto não arregaçar totalmente, a estratégia vai passar por circuncisão ou então frenectomia, que é escarificar, cortar um bocadinho o frei do pênis". Portanto, é nesse momento que os pais arregalam os olhos e nos dizem: "Não, vamos já tratar disso. Vamos já começar a arregaçar".
Estou solidária e compreendo.
É mais ou menos isto que tem que ser feito, e tem que ser feito regularmente. E os miúdos aprendem, e aprendem a fazer eles próprios, que isso é a parte também mais importante. Se for um hábito, nenhum miúdo se vai retrair de fazer aquilo e vai retrair o seu próprio prepúcio e depois vai funcionar bem.
Com naturalidade, não é? Mostrar isso, que é natural.
Exatamente.
Joana, mas este é um tema, até pelo que estivemos aqui a discutir, é um tema que causa muita confusão. Há muitos médicos que dizem coisas diferentes e principalmente nos grupos do Facebook de mães. Tema polêmico. Há sempre umas que dizem que é assim, outras dizem que é assado, e isto pode ser muito perigoso, correto?
Não, mas sobretudo temas que não são completamente consensuais e que sofreram ao longo do tempo algumas mudanças de orientação.
Como disse há pouco.
Como é o caso. Eu quis ilustrar precisamente isto. Quer dizer, houve uma mudança de paradigma na intervenção das fimoses. Tal como houve esta mudança neste caso concreto, também há noutros campos da medicina. E portanto, o fato de uma mãe ter tido um pediatra há quatro anos atrás, que lhe disse uma coisa que vai reproduzir para um grupo de mães, não quer dizer que seja a informação mais fidedigna.
Claro, e atualizada.
Ora bem, por isso se calhar faz todo o sentido ligar menos aos grupos de mães e mais ao vosso pediatra e tentar, sobretudo, estabelecer uma boa relação de confiança com o pediatra ou a pediatra.
Joana, há pouco falavas de uma questão que eu acho muito pertinente voltarmos a falar: a roupa, principalmente das meninas, que usam leggings no inverno, ou seja, roupa muito justa, e em relação às cuecas também, ou seja, que tipo de materiais é que são mais aconselhados para as crianças usarem? Por que não devem usar roupa mais justa e por que devem optar por roupa mais larga?
Pronto, isso é relativamente simples. Nós devemos escolher sempre a roupa interior dos nossos filhos, quer sejam meninas ou meninos, devemos escolher 100% algodão. E realmente, eu acho que do ponto de vista do mercado, é o que há mais disponível. Embora, claro, que algumas cadeias de roupa têm algumas com alguma mistura de fibras. Sempre que possível, escolher roupa interior para os vossos filhos 100% algodão. Depois, a escolha de roupa mais arejada para o caso das meninas acaba por ser vital. Por quê? Porque diminui a temperatura, porque permite a evaporação normal da umidade das mucosas e, portanto, no caso das meninas, para a prevenção da vulvovaginite, é muito importante optar por roupa que não seja justa. E isto também é muito relevante, quer nas leggings, quer nas colants, cuja constituição frequentemente não é 100% algodão. Portanto, não só são roupas justas, como são roupas mais oclusivas. Por isso aí tentar fazer um esforço de encontrar leggings 100% algodão, e as colants também existem. Pronto, e existem alternativas no mercado para isso, porque eu sei que de inverno acaba por ser muito mais fácil vestir as miúdas com leggings.
Sim, é mais difícil alternativas.
Alternativas.
Sim, alternativas, era isso. E os colants, não é?
No verão, realmente não optar por leggings, porque também há muito aquela coisa de vestir as leggings com a t-shirt. No verão é para usar calções.
Leggings não são calças, temos sempre que repetir isto.
Pois, exato. Mas pronto, no verão, calções e saias, acho que é o ideal.
É o ideal. Joana, e diz-me uma coisa, as vulvovaginites são muito baralhadas com infecções urinárias? É uma coisa comum de acontecer?
São, porque o sintoma da apresentação é o ardor A urinar habitualmente. Claro que a vulvovaginite tem uma constelação de outros sintomas associados. Tem a comichão, tem eventualmente o corrimento associado, mas há ali um sinal cardinal que é: as meninas queixam-se: "Mãe, quando eu faço xixi, arde." E arde naturalmente porque a urina a escorrer pela mucosa que está inflamada faz doer. E isto é o sinal que faz com que os pais procurem ajuda médica. Às vezes a comichão é completamente subvalorizada. A comichão coça mais ou coça menos, é-nos indiferente. Agora arder é que não. E arder a fazer xixi, até prova em contrário, para o comum dos mortais, é uma infeção urinária. E para nós também, atenção. Ou seja, quando eu vejo uma menina que vem com queixas de ardor a urinar, a primeira coisa que eu tenho que fazer é, é um bocadinho inconveniente, às vezes os pais querem que eu faça logo uma análise de urina para esclarecer de imediato a situação, mas a mim, do ponto de vista prático, sou obrigada a fazê-lo e faz parte da prática médica, olhar para os genitais dessa criança, porque não me interessa nada ter uma amostra de urina, se eu, na verdade, não olhar, se não ver que está vermelha, irritada, com corrimento, com lesões de escoriação, de tanto coçar, como muitas vezes encontramos. Portanto, num contexto destes, numa criança que, por exemplo, ainda não faz xixi sozinha, ou pelo menos não é totalmente autónoma, que está, por exemplo, ali naquela fase de largar as fraldas. Como é que eu lhe vou colher a urina? Vou lhe colher a urina com um saco, um saco de plástico que a gente cola, que é desenhado para o efeito da colheita de urina. Só que se eu tenho uma mucosa da vulva completamente irritada, vou estar ali a pôr um saco para colher e na verdade os resultados daquela urina vão ser completamente enviesados pela inflamação a que a urina vai estar exposta na pele. Portanto, mais importante do que pedir logo uma urina, é olhar para os genitais da menina e ver se tem alguma alteração que possa ser compatível com uma vulvovaginite. Se assim for, tratamos a vulvovaginite e eventualmente, se for possível colher uma urina sem ser conspurcada, ficamos logo com essa hipótese descartada, mas em princípio torna-se o que é provável é provável, o que é raro é mais raro. E de facto, as vulvovaginites são muito prevalentes na população. São 94% das causas ginecológicas devendo a uma urgência pediátrica.
São as vulvovaginites, é um número enorme.
Sim, 94% das causas ginecológicas. Não são as nossas principais causas. Os miúdos vêm à urgência por infeções respiratórias e infeções gastrointestinais. Dentro das ginecológicas, é a cabeça a vulvovaginite. Depois são os corpos estranhos, que também é sempre mais complicado. A pediatria vai dos zero aos 18. Depois começamos a ter as dismenorreias, que são as dores com as dores menstruais, as irregularidades dos ciclos menstruais e outro tipo de queixas. Mas a vulvovaginite à cabeça é aquilo que na idade pré primeira menstruação é o que é mais frequente.
Joana, e como é que são os tratamentos de uma vulvovaginite?
São supersimples, por isso é que às vezes até custa um bocadinho de ver um miúdo, uma menina tão aflita com uma coisa que é tão fácil de tratar, porque na verdade, insistimos é numa questão de higiene. E aí tem que ser feito uma higiene uma a duas vezes por dia. No caso de uma vulvovaginite, acabamos por recomendar duas vezes por dia. A utilização de produtos de higiene desenhados para o efeito. Atenção, que estamos a dizer na vulvovaginite usar produtos de higiene íntima, mas eu iria mais longe. Se calhar faz muito sentido usar produtos de higiene íntima desenhados para crianças fora do período em que a miúda tem-
Para prevenir.
Obviamente, para preservar a flora do local. Às vezes nós temos é que tratar outros fatores que possam ser os desencadeantes da vulvovaginite. Pode ser só devido a uma má higiene, pode ser devido a uma fase de desfralde, em que os miúdos vão sozinhos à casa de banho.
Não lavam bem as coisas bem.
Exatamente. Portanto, aí também há um ensino a fazer dos hábitos. Pode ser num contexto de pós infeção respiratória para a qual precisou tomar um antibiótico e aí podemos ter uma vulvovaginite a candida, que é um fungo, e aí nós vamos ter que fazer um tratamento específico para o fungo. Podemos ter um contexto de uma vulvovaginite numa menina obstipada. Uma obstipação muito prolongada, que faça com que tenham até muita comichão a nível anal, pode ser um fator desencadeante de vulvovaginites recorrentes e aí pode ser necessário intervir do ponto de vista dos hábitos intestinais, ou pode ser devido a oxiúrios, que são os parasitas mais frequentes que nós temos em idade pediátrica. Os miúdos têm oxiúrios na região anal, perianal. É uma minhoca minúscula, que à noite aproveita para vir para fora do ânus plantar ovos e esse momento é seguido de muita comichão, leva com que os miúdos coçem e as meninas coçam e acabam por arrastar larvas para a zona da vulva.
Que imagem do inferno, Joana.
Pois é, eu sei, a medicina tem dessas coisas.
E diz-me uma coisa, por tudo o que acabaste de dizer, é muito importante incutir desde cedo hábitos de limpeza, não só de higiene íntima, mas de higiene no geral nos miúdos.
Claro que sim. Os banhos são recomendáveis que sejam diários. A não ser, e eu gosto sempre de ressalvar isto, nos meninos que têm dermatites atópicas e outras condições, que podem ter uma diferença grande de frequência dos momentos de higienização.
Em situações específicas.
Mas agora o banho tem que ser diário e a limpeza da região genital tem que ser diária. Quando eu digo isto, é uma vez por dia. Quando há vulvovaginite, quando há algum problema assim específico, pode ser transitoriamente necessário fazer higienização duas vezes por dia
Joana, e a partir de que idade é que devemos incentivar os nossos filhos a tomarem banho sozinhos?
Isso é espetacular. Porque incentivá-los, a gente pode incentivá-los. A questão é se eles vão ser capazes de fazer exatamente aquilo que a gente quer que eles façam.
Da forma correta.
Portanto, acho que faz todo o sentido que a partir dos quatro anos, a gente tente autonomizá-los, dar-lhes um tempo de banho, para depois nós entrarmos e fazermos o checkup. Ok? Mas habitualmente é a partir dessa idade. E na proximidade, que é para não haver acidentes e não os abandonar na casa de banho. Portanto, estamos por perto, mas deixamos lavarem-se. Mas depois temos que ir lá confirmar as orelhas, essas coisas assim, as unhas, os pés.
Até que idade é que temos que ir fazer esse checkup?
Depende.
Sempre houve sempre balizas.
Isto é muito mau dizer isto desta forma. Há balizas até aos oito, 10 anos, pois aí a gente pensa que eles vão entrar na pré-puberdade e vão tomar conta do recado. Nós pensamos isso, mas que não me queiram perguntar a frequência de adolescentes que eu vejo muito sujos.
Tu também és mãe de dois rapazes.
Sou. Muita graça. Portanto, tenho muitas atividades de arregaçar coisinhas. O caminho lá está.
Além de médica, tens a tua experiência enquanto mãe. Tens tudo e mais alguma coisa.
Dá depois remédio.
Vamos desafiar-te então a responder a uma série de questões rápidas, de forma espontânea, na nossa rúbrica "Vou contar até três". Portanto, é a tua experiência enquanto mãe, não enquanto profissional de saúde. Amamentação ou leite de fórmula?
Amamentação.
Quando é que mudaste os teus filhos para o quarto deles?
Aos seis meses.
Chucha até que idade?
Dois anos.
Fraldas até que idade?
Dois anos e meio, três. À noite, até os cinco.
Já saíste de um sítio por causa de uma birra?
Já. Tantas vezes. E com eles atrás a cartar. Do Parque do Monsanto, foi a mais épica de sempre.
Não esqueceste.
Não quis vestir um casaco, estava um frio, e eu arrastei. Arrastei aos ombros, com ele a gritar. À porta do Alvite, há uma barraquinha de bonecos. A senhora olhou para mim com um olhar esbugalhado, tipo: "Esta mãe, o que é aquilo?" E eu pensei: "Pronto, é isto, é aqui que eu cheguei. Pronto".
Tablet ou telemóveis para distraí-los?
Não dou, mas isso eu sou uma nazi desse assunto. É péssimo eu ser assim. Mas percebo perfeitamente, no espaço público, que o façam, porque é muito difícil. Eu percebo. Situações limitadas, percebo perfeitamente. Não brincam com tablet ou com o telefone em casa.
É a tua regra.
Mas é a minha regra, sim.
Baby wearing, os acessórios para carregar o bebê, sim ou não?
Claro que sim. São espetaculares, mas desde que bem desenhados, porque há muitas marcas no mercado e nem sempre fazem um bom posicionamento da anca do bebê. É preciso saber que marcas comprar, como escolher. Eu tive essa experiência. No meu primeiro filho, comprei uma marca, achei que aquilo era muito bem desenhado, mas depois fiz realmente um workshop de baby wearing e percebi que não tinha sido a escolha mais acertada e tinha gasto uma pipa de massa numa coisa que era perfeitamente irrelevante e mal desenhada. Por isso, sim.
Também há muita desinformação. É verdade.
Exatamente, mas procurar fontes fidedignas para se informarem acerca da qualidade das marcas. Não são todas iguais.
Joana Martins, muito obrigada por teres juntado a nós no Isto é Mãe. Corra bem.
Espero que sim.
Eu acho que sim. Acho que estamos de sim. Podem voltar a ouvir o programa ao final do dia em observador.pt ou em mago.pt. Eu e a Catarina estamos de volta no próximo sábado às 10:30 com um novo tema e um novo convidado. Até lá, queremos saber o que acharam da emissão desta semana com a pediatra Joana Martins. Comentem nas nossas redes sociais ou enviem-nos um e-mail para istoémae@observador.pt. Eu e a Fabyullo voltamos para a semana. Um bom resto de fim de semana.
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