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Olá, sejam bem-vindos a mais um "Isto é Ser Mãe". Um programa dedicado às maiores preocupações do dia a dia dos pais. Eu sou a Fabíola Carletis, consultora de moda e beleza da MAG e mãe da Francisca, dois anos e meio.
E eu sou a Catarina Belchior, jornalista da MAG e tenho uma filha com dois anos, a Carmo. Hoje temos conosco no "Isto é Ser Mãe" a Vera Ortigão, enfermeira especializada em pediatria e neonatologia. Bem-vinda, Vera.
Obrigada.
Bem-vinda.
Obrigada.
Vera, por muitos livros que se leiam, experiências de amigos que se ouçam, cuidar de um recém-nascido pode ser um bicho de sete cabeças, não é?
Um grande desafio.
Exatamente. É tudo uma grande novidade. É preciso prestar atenção a muitas coisas ao mesmo tempo. Para ti, qual é a melhor forma que os pais têm para ficarem realmente informados e preparados?
Eu acho que a melhor forma quando é um primeiro filho, é fazerem algum tipo de curso de preparação. Antigamente, isso não era necessário, porque nós tínhamos famílias grandes, as famílias viviam muito juntas e portanto aprendia-se com uma tia, uma avó, uma prima que tinha um bebê e era assim que se aprendia. Hoje em dia, as famílias estão mais separadas, vive-se mais isolado e portanto, as pessoas não têm esse tipo de experiência. Há pessoas que têm um primeiro filho e nunca pegaram em um bebê na vida.
Sim, é o meu caso. Eu nunca tinha mudado uma fralda, imagina.
E por isso eu acho que as pessoas têm que se preparar. Têm que se preparar, não, podem preparar-se. Fazer curso de preparação para o parto, ler um livro ou outro, mas acho que também hoje em dia há um exagero. As pessoas-
Demasiada informação também, não é?
...vão para a parentalidade como se fossem tirar um curso superior.
E querem ter a nota máxima todas, pobre gente.
Exatamente. E querem todos ser perfeitos e fazer tudo impecavelmente bem, espetacular. E claro que é preciso a pessoa saber e informar-se, e claro, estar preparado, mas também é preciso muito bom senso, muita naturalidade e muito instinto, que eu acho que hoje em dia estamos a perder um pouco.
Exato. Mas então, no geral, aconselhas esse tipo de cursos?
Sim, o mais possível. Ou um curso para quem gosta, um curso mais exaustivo, mais completo, em que se aborda vários temas, ou então fazerem visitas. Eu, por exemplo, faço uma visita pré-parto, que é uma única visita, em que falo do principal: amamentação, cuidados ao bebê, problemas comuns. Que é uma coisa mais resumida, tem menos parte prática, mas que também é uma possibilidade para quem tem menos tempo ou para quem não quer fazer uma coisa tão extensiva. E como eu, deve haver outros profissionais que fazem coisas do gênero.
Catarina, tu fizeste curso? Curiosidade.
Não, sou completamente contra. Era, melhor dizendo. Era contra porque achava: "O quê? Vão me ensinar a respirar? Eu sei respirar sozinha, não preciso disso para o parto". Mas eu, tal como a Fabíola, nunca tinha trocado uma fralda, não tenho irmãos, não tenho sobrinhos, portanto, nunca tinha tido assim muito contato. Acho, depois com a experiência, talvez uma coisa mais na onda como tu falaste, Vera, uma coisa mais curta, direcionada mais em coisas práticas para ajudar a seguir ao bebê nascer, acho que pode ter feito alguma falta. Em relação ao parto, já tenho as minhas dúvidas, porque acho que por mais planos que uma pessoa tenha, às vezes pode ser tudo diferente.
Exato.
Portanto, um bom livro, como disseste, acho que pode ser, com uma informação certeira, acho que pode ser uma ajuda. Em relação a estas coisas práticas, sim, talvez tenha ficado um pouco arrependida nesse aspecto. Mas eu também não sou boa com dinâmicas de grupo.
Não, mas no meu caso foi cesariana e o curso foi todo centrado no parto normal, por isso acabou por não ser muito o meu.
Eu acho que é bom a pessoa informar-se, mas é bom informar-se também todas as possibilidades. E principalmente, eu acho que há uma coisa hoje em dia em relação ao parto, que é: as pessoas cada vez mais se preparam para esse momento e cada vez mais falam no parto mais natural e tudo isso, que é ótimo, é excelente, e eu acho que o paradigma vai mudar. Já está a mudar nas maternidades para uma coisa mais natural e menos intervencionada. Mas, ao mesmo tempo, também temos cada vez mais pessoas que chegam às maternidades com planos de parto um pouco irrealistas e que depois chocam muito também com a equipe médica. E eu acho que é importante a pessoa saber onde é que vai ter o bebê, perceber qual é a abordagem que fazem naquele hospital, para depois ter uma expectativa realista daquilo que vai encontrar.
Que é um dos piores também.
Sim, porque infelizmente ainda há hospitais que não têm práticas mais naturalistas e menos intervencionistas. Ainda há muitos sítios que são muito intervencionistas, quando não é necessário. Atenção, porque às vezes é necessário intervir quando é necessário.
Cada caso é um caso, não devem existir as regras.
Mas, de facto, se eu quero um parto mais natural, há hospitais que já fazem isso. Então, se calhar, mais vale optar, porque temos o direito de optar pelo sítio onde queremos ter o nosso bebê, ainda, graças a Deus. Se calhar é preferível optar por um desses sítios do que ir para um sítio onde sabemos que a equipe toda não está virada para isso e depois chegamos lá e estamos do princípio ao fim a bater de frente. E não é saudável nem para as pessoas, nem para as equipes que estão a trabalhar. Acho que é preciso ter, lá está, bom senso e um equilíbrio. As pessoas informarem-se, estarem informadas é fundamental, mas depois perceberem o que é que se pratica e o que é que também funciona para cada pessoa. Porque o que funciona bem para mim, pode não funcionar bem para ti e para a pessoa do lado.
Claro que sim. Vera, um pouco ao encontro daquilo que estávamos a falar. Hoje em dia, todos os temas relacionados com a maternidade parece que geram polêmica. Por exemplo, em relação ao vérnix, que é a camada protetora da pele do bebê que vem já desde o útero, és da opinião que deve ficar no corpo do bebê o máximo de tempo possível e, por isso, não se deve dar banho nos primeiros dias de vida, momentos de vida, ou não?
Sim, não é bem a minha opinião. A minha atividade é muito baseada em evidência científica e, portanto, a minha opinião é como especialista. Sim, tudo o que está descrito hoje em dia em termos de fundamento é que sim, que essa camada, que dantes lavava-se logo, porque essa camada tem como função no fundo proteger a pele do bebê do líquido amniótico. Para a pele do bebê não ficar macerada. Quando o bebé nasce, antes lavava-se o bebé completamente. E hoje em dia já não se faz isso, porque essa camada, que é constituída por 80% de água, o que vai fazer é ajudar a proteger a pele do bebê na transição entre o meio aquático, onde ele estava, o meio líquido, e o meio ambiente, que é muito seco. E portanto, para a pele do bebê não secar rapidamente e não perder algumas propriedades, esse vérnix é muito importante e vai ajudar muito o bebê nessa fase. Por isso, hoje em dia, a maior parte dos sítios já não se limpa exaustivamente o bebê, limpa-se o máximo, tira-se o sangue, faz-se aquela higiene mais urgente e depois deixa-se absorver. Porque essa substância, que não é um líquido, é uma espécie de pasta, vai ser reabsorvida relativamente rápido, quer dizer, nas 12 horas seguintes é reabsorvida e portanto não é que fique o bebê todo pastoso nos próximos três dias.
A escorregar.
Exato.
Então, quando é que deve ser dado o primeiro banho?
Idealmente, 24 horas depois do bebê nascer, mas pelo menos deve ser atrasado 12 horas. No mínimo dos mínimos, seis horas. Mas é assim, quanto mais tarde se der o primeiro banho ao bebê, melhor. Portanto, o ideal é 24 horas depois, mas no mínimo esperar 12 horas para dar banho ao bebê. Isto para não alterar esta camada protetora da pele do bebê e porque quando o bebê nasce, o primeiro contacto que tem com a mãe, e por isso é tão importante nascer de parto vaginal, idealmente.
Que é o pele a pele, não é?
Sim, e o contacto pele a pele logo após o nascimento, porque o bebê vem estéril, digamos assim, praticamente. E é preciso ser colonizado com as bactérias da mãe, que são bactérias boas e vão ser essas bactérias que vão colonizar o intestino e fazer com que o bebê depois crie o seu próprio sistema imunitário. E é por isso que, por exemplo, quando é nascido por cesariana, não tem essa primeira vacina, que é passar ao pé dos ânus da mãe, que parece para nós uma coisa nojenta, mas que é fundamental para o bebê. Até já há sítios onde põem uma compressa na região vaginal da mãe, na região perineal da mãe, enquanto o bebê está a ser tirado por cesariana para depois esfregar o bebê, que é uma coisa que parece um bocado-
Não fazia ideia, nunca tinha ouvido.
Sim, em alguns países já se faz isso para exatamente colonizar o bebê com as bactérias da mãe, e não o bebê ser colonizado com bactérias hospitalares que depois, por exemplo, podem provocar infecção no bebê.
Sim, faz todo o sentido. E a partir daí, com que frequência que o recém-nascido deve tomar banho? Devemos dar-lhe banho todos os dias?
Idealmente, não. As indicações que saíram, e o ano passado saiu uma referência a nível internacional dos cuidados à pele do recém-nascido, do grupo de enfermeiros americanos de neonatologia e obstetrícia, eles publicam de X em X tempo um guia que é orientador para toda a gente, onde compilam tudo o que é evidência científica que há e evidência que eles tiram da própria prática das unidades deles. E os especialistas todos concordam nesta área que um bebê até começar a gatinhar não precisará, em princípio, de tomar banho de imersão, banho de banho, mais do que duas vezes por semana, ou seja, de dois em dois dias. Claro que isto depois deve ser adaptado a cada cultura, a cada hábito, a cada família e ao contexto em que o bebê se insere. Não é porque o bebê tomou banho ontem que hoje que vai ao Natal e é beijocado por toda a gente, não pode tomar banho. Dêem-lhe banho, só favor. Mas é um bocadinho adaptável, mas idealmente, o bebê não precisa de mais do que isso. Nos outros dias, não quer dizer que o bebê não seja feito higiene. Pode ser com uma compressa, com aquelas águas lavantes ou com um bocadinho de água. Lavar a cara, a região do pescoço por causa dos bolsados e a região das mãos, que as pessoas mexem muito nas mãos dos bebês e eles metem na boca. E a região da fralda está sempre a ser limpa, constantemente. E, portanto, mais do que isso também não será necessário, em princípio.
Vera, diz-me uma coisa, ainda a nível de limpeza, fala-se muito da questão das toalhitas, que são muito práticas e os supermercados estão recheados delas, versus compressas. As compressas de água micelar, com água regular. O que se deve realmente usar e por quê?
Idealmente, pelo menos nos primeiros meses de vida, ou no primeiro mês, pelo menos, compressas ou algodão, bolinhas de algodão, mas que deixam um bocadinho de algodão para trás e portanto não são tão práticas, mas por exemplo, em Inglaterra usa-se muito, com água. Água da torneira, normal. Normal, à temperatura ambiente, não tem problema nenhum. Não é preciso mais do que isto. E isto é para proteger a pele do bebê, porque vai a favor do princípio, e mais uma vez deste guia é muito claro nisto, que é quanto menos produto nós pusermos na pele do bebê, melhor. E portanto, todas as toalhitas, essas toalhitas, o geral das toalhitas que estão no mercado, têm muitos químicos. Se vocês forem ver a composição, tem muita coisa. Há uma marca de toalhitas no mercado que é 99% de água e 1% de gota de extrato de laranja ou qualquer coisa. Que eu não vou dizer a marca, porque agora já apareceram outras marcas e de acordo com o meu código deontológico, não posso estar a favorecer marcas em detrimento de outras. Mas já há outras marcas no mercado que têm este tipo de toalhitas de 99% de água. Claro que é uma boa alternativa às compressas e mais práticas para quem vai-
Nem que seja para usar na rua.
Nem que seja para usar na rua, por exemplo. É mais caro, portanto, para ter em casa, eu nunca aconselho, porque sai muito mais caro. Mas é preciso ter cuidado com uma coisa, que é: as outras marcas que surgiram depois da primeira, se vocês forem ver, eles naquele 1% encaixam muita coisa. Por isso, mesmo assim, leiam os rótulos.
Tem que se ler bem, não é?
Sim.
Mas diz-me uma coisa, pode ser necessário a água micelar para desengordurar... Porque eles têm nas componentes, são as águas micelares, que são desengordurantes. A água não, não é?
Sim, pode ser necessário, por exemplo, quando o bebê começa a fazer uns cocós um bocadinho mais agressivos ou qualquer coisa, ajuda aquelas águas lavantes.
Pode-se alternar, não é?
Sim. O que eu aconselho até, normalmente os pais a fazerem é: a diluírem daquelas águas lavantes, a diluírem num frasco um terço de água lavante para dois terços de água. E assim temos uma água mais suave, não tão agressiva para a pele do bebê e que ajuda um bocadinho a limpar melhor e a deixar algum cheirinho também agradável, que os pais também gostam.
Também é verdade.
Mais para nós do que para eles.
Vera, ainda em relação aos produtos que usamos. Eu recordo-me quando a Francisca nasceu, a pediatra disse: "Compre só produtos de farmácia, não compre naquelas marcas que há nos centros comerciais".
No supermercado, se calhar.
No supermercado, não recomendava. E tu, o que achas?
É assim, aquilo que é importante é que todos os produtos que nós usamos no recém-nascido tenham sido dermatologicamente testados em recém-nascidos.
Ok. Mas não dizem todas isso? Eu não sei.
Idealmente, até deveriam ser testadas em prematuros, que seriam os mais crus de todos. Mas infelizmente, nem todas as marcas fazem isso. E porque eticamente também não é sempre possível fazer isto. Por razões óbvias. Que sejam todos dermatologicamente testados e que sejam demonstrados seguros em recém-nascidos, essa é a prioridade, independentemente se é do supermercado ou da farmácia. Porque nós até sabemos hoje em dia que na indústria cosmética, não é segredo para ninguém, a mesma marca produz para várias vertentes. Produz para a vertente mais cara de farmácia, etc. E produz para supermercado. E o produto não é muito diferente. É mais depois a maneira como é embalado e como é feito o marketing.
Mais packaging.
Que o torna num produto mais luxo. Não quer dizer que os produtos de supermercado não possam ser bons. Agora é preciso que sejam testados efetivamente dermatologicamente em laboratório e que sejam seguros para recém-nascidos.
E há que saber diferenciar produtos de recém-nascido ou bebê de produtos de criança.
Exatamente. Sim, é importante porque a pele deles é diferente e vai amadurecendo e, portanto, não há uma altura específica em que nós vamos dizer: "Olha, a partir de um ano ou a partir dos dois anos podemos usar". Claro que vai sendo progressivo, mas eu diria que pelo menos no primeiro ano, as pessoas deveriam ter mais cuidado com os produtos que usam e depois a partir daí então enveredar mais para produtos mais gerais de criança. Mas pelo menos no primeiro ano salvaguardar.
Essa data.
Sim.
E como é que sabemos que o nosso bebê tem pele atópica e que por isso pode precisar de cuidados mais específicos?
Primeiro, se os pais têm pele atópica, a probabilidade dos filhos terem pele atópica é maior. Há essa componente genética que é importante. E depois, são bebês que já logo desde o início ou a partir de uma certa altura começam a demonstrar a tendência para terem a pele mais seca, para terem patches de zonas mais rugosas ou mais com alergias. Portanto, são bebês que começam a dar sinais de ter tendência a ter mais assaduras da fralda, etc. Portanto, quando os bebês começam a dar esses sinais, então consultar um especialista ou o pediatra do bebê e optar por começar a usar produtos para pele atópica.
Vera, em relação ao sono, agora vamos mudar aqui um bocadinho o tema. As teorias estão sempre a mudar. Se eu tiver um filho hoje, ele tem que dormir de lado, mas se tiver daqui a dois anos, ele tem que dormir de barriga para cima, com a cabeça levantada. Agora dizem outra vez que já não é preciso ser reclinado. Qual é a regra, por favor?
Então, o que está atualmente, porque lá está o que está hoje pode não estar daqui a cinco minutos. Isto hoje em dia o que acontece é que eles estão sempre a fazer estudos novos.
Claro, vai evoluindo.
E nós sabemos uma coisa, de repente, sai um estudo, que até é um estudo com qualidade, que demonstra outra coisa diferente. Mas o que está atualmente recomendado é que os bebês devem dormir numa cama independente dos pais, apesar de dormir com os pais, se forem cumpridas certas regras, não é tão perigoso como se diz, mas as guidelines internacionais já dizem como é que se dorme em segurança no co-sleeping, portanto, os bebês dormirem junto aos pais, mas ainda não é regra das indicações de segurança. Portanto, o que está a valer agora nas indicações internacionais é que o bebê deve dormir na sua cama, no quarto dos pais, se é junto à cama ou não, isso é uma coisa de preferência e de confiança, mas que seja num colchão firme. A cama deve ser o mais nua possível, ou seja, ter o menos roupa possível. O bebê idealmente deve dormir num saco de cama adequado ao seu tamanho e idade ou num swaddle feito como deve ser. E um swaddle feito como deve ser não é com os braços do bebê para baixo. Isto é importante as pessoas saberem. Um swaddle feito como deve ser permite que o bebê traga as mãos à boca para se acalmar, porque é assim que os bebês se acalmam. E que tenha alguma soltura, digamos assim, para o bebê se conseguir mexer ligeiramente.
Eles normalmente ficam tipo chouriços.
Exato, sim. Mas desde que se fiquem chouriços com as mãos para cima, tudo bem. Agora que fiquem chouriços com as mãos para baixo preocupa, porque aí não estamos a permitir ao bebê que use os seus mecanismos para se acalmar. E isso é tortura, digamos assim. E que seja para dormir de barriga para cima e sem posicionadores, almofadas, ninhos, nada disso é seguro. Antes a indicação era para ser com a cabeceira inclinada, mas depois começaram a surgir muitos riscos associados aos bebês escorregarem e ficarem por baixo dos lençóis. E por isso agora o que se recomenda é que deite com a cama normal, sem ser reclinada.
E diz-me uma coisa, Vera, leva-se ou não chucha para a maternidade e damos ao bebê nos primeiros momentos de vida ou não? Isso pode ter contrariedades?
Isso depende do objetivo. Se o objetivo for amamentar em exclusivo, não é aconselhável levar chucha para a maternidade.
Porque podem deixar de saber.
Sim, nem dar chucha ao bebê nos primeiros dias de vida, pelo menos até a amamentação estar bem estabelecida, porque pode causar alguma confusão. Eu não sou contra a chucha, mas que se dê a chucha um bocadinho mais tarde, quando o bebê já está a mamar efetivamente com uma boa pega e a mamar bem, sem problemas. Até porque o bebê nos primeiros dias não vai precisar. Maioritariamente o bebê quando chora nos primeiros dias, precisa é de mamar, não é de uma chucha. E o risco da chucha aqui é as pessoas usarem a chucha para atrasar mamadas. Dar de mamar deve ser em horário livre, quando o bebê quer.
Está livre demanda.
Em livre demanda, exatamente. E isso não significa estar sempre com a maminha de fora, são coisas diferentes, mas isso era para outra conversa.
Paniçangas.
Exatamente. É uma concepção errada que as pessoas têm, mas o bebê deve dormir quando quer dormir e comer quando quer comer. Isto estamos a falar de bebês saudáveis, de termo, sem mais nenhum fator de risco. Depois há outros casos particulares. Nesse caso, dar a chucha. No fundo, as pessoas dão um bocadinho para atrasar a hora da mamada e isso é errado. E portanto, quando o bebê já está com a amamentação bem estabelecida, então sim, podemos dar a chucha porque o bebê vai precisar de sução não nutritiva para conforto em alguns momentos. E portanto, a pessoa pode optar por dar maminha se quiser ou dar a chucha para esse efeito, mas depois da amamentação estar bem estabelecida. Se a mãe não quer amamentar ou não pode amamentar por alguma razão, não tem problema nenhum dar a chucha desde o início.
E que formato é que deve ter a chucha? Ou seja, dizem muitas vezes que não deve ser daquelas a direito, porque pode ser prejudicial para a boca e dentes do bebê. Que formato então é que é o ideal?
Isso é mais a área já dos dentistas, não é muito dentro da minha especialidade. Aquilo que eu sei, porque sei por dentistas, aquelas chuchas que estão muito na moda, aquelas redondinhas, idíssimas, todas retro.
Todas coloridas.
São completamente desaconselhadas, isso eu sei. Aquelas que são adequadas para o recém-nascido, aquelas sendo de gota ou as outras que têm já o outro formato mais
São mais indicadas.
Depois cada bebé prefere chuchas diferentes. Se falarem com um dentista, eles vão vos dar razões porque também não se deve dar chucha. Isso depois sai um bocadinho da minha especialidade. Sei porque sei de um dentista que essas chuchas de bola não são ideais.
Vera, tu também és mãe de dois rapazes com dois e quatro anos, por isso vamos desafiar-te a responder a uma série de questões rápidas, de forma espontânea, na nossa rúbrica "Vou Contar até Três". Vamos a isso?
Está bem.
Amamentação ou leite de fórmula?
Amamentação.
Quando é que mudaste os teus filhos para o quarto deles?
Por volta dos cinco meses, seis meses, por aí.
Chucha até que idade?
Chucha... Até conseguirmos tirar.
Estou a começar essa luta. Fraldas até que idade?
Fraldas até o bebê estar preparado, geralmente entre os dois, três anos, eles normalmente adquirem competência. O importante é não forçar.
Senão pode regredir a situação. Já vamos falar um pouco disso. Já saíste de um sítio por causa de uma birra, de um restaurante, de um local público?
Vários. Especialmente já deixei o meu filho a fazer birras em vários sítios e eu saí.
Essa também é uma boa alternativa. Tablet, telemóveis para entretê-los em alguns momentos ou situações?
Estamos a falar em enfermeira Vera ou estamos a falar a Vera mãe?
A Vera mãe.
É que então a Vera mãe vou ter que retificar a primeira pergunta também. Mas eu uso quando é preciso para eu ficar liberta para outras coisas. Não se deve, e principalmente os bebés pequenos não devem estar muito tempo, principalmente abaixo de um ano, não devem usar de todo. E eu geralmente também nessa altura não costumava usar muito. E depois chega uma certa altura em que as condições...
É inevitável.
Mas tentar evitar ao máximo. Mas às vezes a pessoa quer almoçar fora e tu quer estar sossegada, confesso que às vezes uso, mas tento não usar.
Olha, baby wearing, aqueles acessórios para carregar o bebê, sim ou não?
Sim.
Grupos de mães no Facebook. Uma ajuda ou um antro de críticas?
Depende. Eu não sou muito a favor. Não é não sou muito a favor. Eu acho que os grupos de mães são bons. Acho que as pessoas muitas vezes não têm a noção quando fazem algum tipo de perguntas nesses grupos de mães e o perigo que isso é.
Principalmente a nível de saúde, não é?
Sim. Quando eu vejo mães a fazerem perguntas de saúde a outras mães, isto é um risco enorme, porque o meu filho pode ter tido a mesma coisa, mas o tratamento tem que ser diferente. Ou há sintomas e os bebés têm sintomas muito generalistas. Um bebé recém-nascido, quando há alguma coisa de errada, seja ela qual for, geralmente deixa de comer, fica prostrado ou fica com o choro irritado. Quer dizer, são sintomas muito gerais. E, portanto, quando a pessoa vai para um grupo de mães perguntar: "Ai, o meu filho está com isto, o que acham que é?" Pode ter uma variedade de respostas e de coisas. E principalmente, isto atrasa. Há muita gente que vai para esses grupos de mães fazer essas perguntas antes de perguntar ao pediatra ou de ligar para uma saúde 24. E, portanto, isto pode atrasar efetivamente uma resposta necessária a um problema que o bebê possa ter. Portanto, é preciso ter muito cuidado com isso. É muito bom, é muito útil, é muita coisa, mas é preciso as pessoas terem bom senso.
Claro, é a palavra-chave, o bom senso. Vera Ortigão, enfermeira especializada em pediatria e neonatologia, muito obrigada por ter juntado a nós no "Isto é Ser Mãe".
Obrigada eu, muito obrigada pelo convite.
Podem voltar a ouvir o programa ao final do dia em observador.pt ou em mago.pt. Eu e a Catarina estamos de volta no próximo sábado às 10h30 com um novo tema e um novo convidado.
Até lá, queremos saber o que acharam da emissão desta semana com a enfermeira Vera. Comentem nas nossas redes sociais ou enviem-nos um e-mail para istoésermae@observador.pt. Eu e a Fabíola voltamos para a semana. Bom resto de fim de semana.
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