Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olá, sejam bem-vindos a mais um "Isto é Ser Mãe", um programa dedicado às maiores preocupações do dia a dia dos pais. Eu sou a Fabíola Carletis, consultora de moda e beleza da MAG e mãe da Francisca, de dois anos e meio.
E eu sou a Catarina Balesteiro, jornalista da MAG e tenho uma filha com dois anos, a Caro. Hoje temos conosco no "Isto é Ser Mãe" Susana Almeida, madrasta, mãe e autora do blog "Ser supermãe é uma treta" que acabou de lançar um livro com o mesmo nome. Bem-vinda, Susana. Olá.
Obrigada, boa tarde. Obrigada.
Susana, e este tema não podia ter mais a ver contigo, este que vamos falar hoje no "Isto é Ser Mãe". Vamos falar sobre as supostas mães perfeitas.
Ui.
E é que isto existe. E sobre a competição que existe entre mulheres no que toca à maternidade. Isto é uma grande treta, na tua opinião?
Na minha opinião, sim, é uma grande treta. Mães perfeitas não existem, é completamente impossível e um desperdício de tempo tentar alcançar esse ideal. Mas a verdade é que nós fazemos essa competição umas com as outras, mesmo que, de certa forma, algumas inconscientemente, algumas mesmo de forma consciente. Mas existe essa competição para ver quem é que pode levar a taça pra casa e em que lugar do pódio é que os nossos filhos se encontram, porque associado às mães perfeitas também estão os filhos perfeitos.
Os filhos perfeitos. Exatamente.
Tudo começa na gravidez, passa pelo parto.
Sim. Começa logo desde o momento em que contamos que estamos grávidas.
Diz uma coisa, Susana, há décadas atrás, achas que ser mãe era um processo com menos julgamento? Porque agora julga-se tudo, desde o tipo de parto, amamentação, se usa chucha, largou as fraldas. Bem, podíamos estar aqui o dia todo.
Sim, eu penso que escrevi uma vez um texto sobre isso e também está incluído no livro que lancei agora, que é: nunca foi tão fácil ser mãe, mas também nunca foi tão difícil ser mãe. Se nós pensarmos nas nossas avós e nas nossas mães, porque a sociedade evoluiu muito daquilo que era a sociedade quando as nossas mães foram mães e para a nossa. E eu às vezes pergunto-me como é que a minha avó conseguiu criar 13 filhos sem grupos no WhatsApp, sem grupos de mães no Facebook.
Vamos só repetir, 13 filhos?
Treze.
Ok. E não foi propriamente há 100 anos atrás.
Não, não foi. E ela era uma mulher muito pequenina, franzina, e eu ficava sempre espantada como é que ela conseguiu, sem pediatras, sem obstetras, sem vacinas.
Sem ecografia morfológica. Nada disso.
Exato, sem fazer uma análise antecipadamente pra saber o sexo do bebê.
Exato.
Eu acho que hoje em dia nós tornamos a maternidade muito mais complicada, porque tudo implica uma grande decisão, seja comprar um carrinho, seja escolher a papa, a chucha, a marca do biberão, podíamos estar aqui o dia todo.
É demasiada oferta, informação e desinformação também.
Desinformação e julgamento. Se nós dizemos a uma amiga que comprei esta marca de biberão. "Mas por quê? Há biberões melhores no mercado."
Mas esse não é o da escola.
Mas também há piores.
Também há piores, mas elas nunca veem isso.
Achas que ciência à parte e os exames e tudo o que evoluiu na medicina nos últimos anos à parte, achas que há demasiadas coisas? Há demasiados cursos pré-parto, apoio, muita coisa.
Para mim, existe. Eu nunca me preocupei demasiado em fazer cursos. Acho que eles fazem falta pra quem os quer fazer, mas há demais. De facto, há demais. Os cursos de preparação pro parto, do pós-parto, workshops disto, de mindfulness, parentalidade positiva, de como fazer papas, como usar um sling, o baby wearing, eu não domino muito bem essas...
Cuidado que o tema que é polêmico.
Eu sei, tudo se chama. O que não é polêmico na maternidade?
Exatamente.
Eu acho que sim, que há uma oferta muito grande que acaba por baralhar as mulheres e acaba por as impedir de usar o que eu acho que é a nossa maior bússola, que é o instinto. Acho que o instinto está lá pra trás e ninguém pensa nele.
Susana, achas então que a maternidade se tornou o barômetro pra as mulheres competirem entre elas?
Sim, eu acho que sim, porque as mulheres estão, agora nós começamos a mudar isso, mas o mercado de trabalho, nós sabemos como é que ele nos trata. E onde é que nós podemos competir melhor? Qual é aquele papel que a sociedade não nos deixa falhar? É na maternidade. Nós podemos não estar num cargo topo numa empresa, mas nós temos que ser umas mães excelentes. E toda a gente, desde o nosso pai à sogra, a vizinha, a senhora do café, toda a gente tem alguma coisa pra nos dizer sobre a maternidade.
Toda a gente.
Toda a gente. E toda a gente nos diz que estamos a fazer alguma coisa mal, seja ela qual for. E pra mim é sempre uma competição. Eu acho que poucas pessoas querem saber por saber.
Só querem dar uma opinião.
Exato. Quando dizem: "Com quantos anos o teu filho teve o primeiro dente?" Sei lá, a avó quer saber, a avó pra babar um bocadinho, o pai. Agora, por que a minha vizinha ou a minha colega de trabalho quer saber? Ela quer saber pra saber se o filho dela teve dentes primeiro que o meu filho.
Pra comparar.
Pra comparar.
Isso pode criar mães inseguras também, não é?
Eu acho que sim. Eu vejo mães muito inseguras e quando criei o blog e a página do Facebook, já tem mais de dois anos. E o feedback que tenho tido sempre muito tem a ver com isso, com as nossas próprias inseguranças que são potenciadas pelos outros. É normal que uma mãe tenha medo.
Claro. Sim.
Quando nasce uma mãe, nasce uma mãe cheia de medo e cheia de culpa, mas os outros, se forem um bocadinho menos tóxicos, nós agradecemos.
Ajudam. Achas que há muita exigência sobre o que uma mulher deve fazer logo a seguir ao parto ou mesmo até antes, na gravidez, que temos de seguir determinados padrões? Caso não estejamos a fazer isso, somos logo rotuladas como más mães, não é?
Sim. A parte, para mim, mais sensível da maternidade, sensível mesmo a nível hormonal e físico, é muito o pós-parto. O pós-parto temos as hormonas aqui aos saltos, estamos a tentar recuperar o nosso corpo.
Sim, é muito exigente.
É muito exigente. E logo aí no pós-parto, querem que as mães já estejam aptas a fazer tudo, a saber tudo. E depois esta imagem que é criada muitas vezes nas redes sociais, de que ao fim de 15 dias nós temos que estar no ginásio ou a dançar.
15?
Ou dois.
Às vezes é menos.
E eu acho que isso coloca uma pressão muito grande sobre as mães.
Susana, e o que é uma boa mãe, afinal?
Eu acho que é muito fácil ser uma boa mãe. Não vamos falar de casos de negligência que nem sequer entram nestes temas. Mas ser uma boa mãe é fácil, porque eu acho que as crianças precisam de muito menos do que aquilo que nós achamos. Precisam de se sentir amados, precisam de se sentir seguros, protegidos, e que saibam que os pais se orgulham deles. Só que nós, em vez de tentarmos dar estes pilares básicos, as mães, no geral, e o que vejo, é que nós tentamos dar-lhes experiências épicas, levá-los todos os fins de semana a alguma atividade, inscrevê-los nas melhores escolas, os melhores brinquedos, as melhores papas. Se eu não fizer uma papa caseira, meu Deus, que horror, dar papa industrial. Se eu não amamentar. Nós colocamos a fasquia de ser uma boa mãe num ponto irreal. Ser uma boa mãe é simples, porque eu sou uma mãe muito nervosa, eu tenho pouca paciência, mas todos os dias os meus filhos sabem que eu os amo e que estou ali para eles. Acho que ser uma boa mãe é isto. Eu acho que é bastante simples.
Falaste há pouco de uma coisa interessante, falaste das redes sociais e que há muita gente a expor-se. Mas falando aqui da perfeição, achas que há muita gente a mentir nas redes sociais? Neste tema.
Eu acho que só podem estar a mentir. Se nós acreditarmos que a vida daquelas mães é realmente assim tão bonitinha e que elas às 9h conseguem tirar fotografias com os miúdos bem vestidos, pequenos-almoços.
Todas maquilhadas.
Todas maquilhadas. Nós temos que ter um discernimento.
Sem uma nódoa na roupa. Com banho tomado, que é uma coisa que às vezes ninguém consegue.
Quem é que consegue? Nós temos que acreditar que aquilo é como a novela dos tempos modernos. Antigamente, nós víamos as novelas para esquecermos um bocadinho a nossa vida e imaginarmos uma vida um bocadinho melhor. E se calhar, esse tipo de blogs e de contas de Instagram, o que nos trazem é um bocadinho de uma telenovela, mas temos que saber que isso não é verdade.
Esse é o problema, que muita gente não consegue distinguir a realidade. E se calhar, essas fotografias foram tiradas às 16h do dia anterior.
Tratadas.
Exatamente, bastante editadas e publicadas no dia seguinte às 9h. Acabamos de acordar, estamos prontos para ir para a escola.
E é uma fotografia, numa fotografia não há ruído, não há gritos, não há crianças a fazer birras. É muito fácil passar uma imagem de perfeição.
E essa imagem de perfeição, se calhar, voltamos à história da competição. Não estamos propriamente aqui a ajudar os nossos filhos com essa imagem de perfeição. Estamos a competir umas com as outras.
Eu acho que não. Nós estamos apenas a competir e criar expectativas nos nossos filhos. Eu vejo que as crianças com quatro, cinco anos, têm que fazer muitas atividades, têm que já saber falar línguas, têm que gostar de ir a museus. Não, eles não gostam. Às vezes gostam só de tirar macacos do nariz e ver o tablet. E não tem mal, não tem mal eles estarem aborrecidos, não tem mal nós não querermos fazer nada. E não tem mal nós não querermos competir. Aliás, acho que é saudável nós não competirmos. Eu acho que é muito melhor nós perguntarmos à outra mãe: "Está tudo bem? Precisas de ajuda?"
"Geminie" interessa.
Exatamente. Isso já me aconteceu. Eu sofro muito com a privação do sono e é um tema que me é muito caro. E preocupa-me mais não é se aquela mãe tem um filho que dorme. Eu quero saber: "Ok, tu não dormes, eu compreendo, tu estás com a cabeça completamente feita num molho de brócolis" e darmos essa ajuda genuína de compreensão.
E não podemos falar de redes sociais sem falar dos grupos das mães no Facebook. Qual é a tua opinião sobre estes grupos? Podes falar sem filtros, é para isso que aqui estamos.
Vou ser honesta, eu detesto e acho que raramente fazem bem a alguém. Eu acho que se nós estivermos bem resolvidas, podemos andar por lá para nos rir um bocadinho e para gozar com aquilo. Mas depois também é triste, porque nós vemos que estão lá mães que genuinamente têm dúvidas Que precisam de ajuda. E o que encontram? Falta de empatia, pessoas que gozam, pessoas que acham que têm informação muito válida e não têm, dão informação medicamente e cientificamente errada.
Principalmente no que toca à saúde, não é?
Exatamente.
Pode ser bastante perigoso.
Eu não estou em grupos de mães, sei muito do que se passa lá, pela interação que tenho com os seguidores da página e por aquilo que vou sabendo. Mas quando num grupo de mãe, alguém diz a uma mãe que está com uma depressão, em que ela diz: "Eu vou ter que tomar medicação, então se calhar vou ter que deixar de amamentar" e o conselho é: "Não, não deixe de amamentar, porque isso é o melhor pro teu filho."
Exato.
Não, tem um médico que lhe disse que ela tem um problema que tem que resolver. A amamentação do filho vai ter que passar para segundo plano e não tem mal. A amamentação é outro tema. Que dava pano pra mangas. Portanto, eu acho que os grupos de mães, não querendo cortar a liberdade de expressão de ninguém, acho que nós devíamos questionar mais o que se passa lá, porque eu acho que existe muito bullying entre mães nos grupos de mães, e isso é muito preocupante.
Já não é só competição, é mesmo bullying.
Sim.
Achas que não há mesmo qualquer utilidade ali? É mais um sítio onde vamos descarregar ódio e julgamentos.
Eu acho que se forem grupos pequenos, em que as mães se conheçam, que sejam amigas e que seja um grupo relativamente pequeno, de partilha, às vezes pra dizer disparates, pra desanuviar, eu acho que sim, que pode ter o seu benefício. Agora, um grupo grande, em que está toda a gente-
Ninguém se conhece
...ninguém se conhece e que as pessoas passam esse tipo de informações médicas, o que seja, esse julgamento, eu acho que não. Eu acho que as pessoas deviam sair de lá o mais rápido possível. Aliás, o meu conselho é sempre às mães pra não se meterem lá. A informação existe na internet, existe na classe médica e nós temos acesso hoje em dia a muita informação. Não são aquelas mães, como nós, que sabem tanto como nós, que nos vão ensinar alguma coisa.
Susana, voltando um bocadinho às opiniões alheias, que são tantas. De que forma é que as grávidas e as mães devem lidar com essas opiniões?
Eu acho que é muito difícil.
Sem começar aos talos.
Sem começar aos talos e sem mandar pra outra banda. Eu acho que uma mãe tem que estar muito convencida de que quem decide é ela, ela é que sabe, e tem que aprender a fazer cara de paisagem, sorrir. "Sim, com certeza". E depois tomar a sua própria decisão, a sua, em conjunto com o seu parceiro, pode se aconselhar com pessoas quem ela realmente confia. O que acontece é que toda mundo dá opinião, não é? Eu acho que há uma altura em que nós podemos muito bem dizer: "Olhe, peço desculpa, mas a sua opinião pra mim não conta, não me aborreça". Mas às vezes não é possível, eu sei. E às vezes o melhor é mesmo conseguir ignorar e ter a certeza de que só a nossa opinião é que conta, porque nós vamos ouvir coisas completamente estapafúrdias. Sim.
No teu livro tocas em muitos temas quentes, falamos de alguns aqui. Por exemplo, assumiste que não gostaste de estar grávida, que odiaste amamentar, que a maternidade pode ser uma grande dor de cabeça. Por que achas que é tão polêmico assumir estas coisas, o que faz com que muitas mulheres possam não estar a dizer a verdade? Porque tu não estás sozinha. Eu consigo te fazer check nestas três coisas e ao longo do tempo, sempre que disse que não gostava de estar grávida, agora não tanto nesta gravidez, mas na primeira, ainda havia pessoas a olharem-me um bocadinho de lado. Portanto, como nós todas, pode haver muitas mais.
Porque nós temos sempre essa ideia de milagre associado à gravidez.
O estado de graça.
Exatamente, que não tem graça nenhuma, às vezes. Essa coisa milagrosa de que pelos filhos, todos os sacrifícios valem a pena. E é verdade. Nós quando decidimos ser mães, nós sabemos à partida que vamos abdicar de uma série de coisas e que os nossos filhos valem a pena, mas, bolas, nós podemos nos queixar ou não? Eu posso dizer que detestei estar grávida, que não gostei de amamentar, que não gosto de não dormir, mas eu com isto eu não estou a dizer que não amo os meus filhos.
Uma coisa não invalida a outra.
E aqui é que está a grande polêmica, que é: as pessoas não conseguem separar as coisas. Quando dizem: "Não digas isso, que Deus castiga" ou "Faz parte, devias dar graças", esse tipo de coisas. Eu olho pros meus filhos, eles são maravilhosos, mas fazem pirras terríveis e tem alturas em que só me apetece fugir e deixá-los com o pai e volto daqui a duas horas. E nós temos o direito e tem que ser dado o direito às mães de falar a verdade, pra nós não partirmos pra isto a pensar que temos que ser perfeitas, as melhores mães do mundo. E somos pros nossos filhos. Fazemos sempre o que é melhor pra eles, dentro das condições que temos, daquilo que conseguimos. Se calhar agora começa a ser cada vez menos polêmico, vai-se começando a ouvir falar mais.
Tomar este caso mais conhecido, da Jéssica Athayde, admitir que não gostava de estar grávida. A decisão de não amamentar, que depois se soube que era por outros motivos, mas isso tudo também se calhar fez com que algumas pessoas vissem este tema de outra forma e até se normalizasse.
Sim, quanto mais se fala, mais se normaliza e mais se percebe que somos mães. Quer dizer, em tudo na vida, nada é perfeito, a maternidade também não havia de ser. Não há mal nenhum em dizê-lo.
Susana, outro tema que falas no livro e que também é um bocadinho mais polêmico, se calhar, é a questão de admitires que não amaste os teus filhos logo no momento em que os viste quando nasceram. Achas mesmo que é impossível sentir esse amor avassalador no momento em que conhecemos nossos filhos? E quem o diz, será mentira? Quem diz que passou por isso, achas que é mentira?
Eu acho que o amor avassalador pelos nossos filhos eu acho que ele não aparece assim. Mas eu falo por mim, falo pela minha experiência e acho que aquilo que nós sentimos no momento em que um filho nasce são sentimentos tão contraditórios, tão estranhos, que eu acho que é difícil encontrarmos lá: "eu amo este ser incondicionalmente desde já". Nós vamos amar e amamos a ideia do filho, da maternidade, da vida que vamos ter com aquela criança, aquilo que lhe vamos dar. Mas naquele momento, amor avassalador, como eu senti o meu coração a bater de repente, quando olhei para os meus filhos, a determinada altura, uma semana depois, o que tenha sido, não importa, não é importante, eu não senti isso naquele momento.
Surgem quando tu menos estás à espera.
Sim, eu na maternidade só senti muito medo, medo de tudo. Medo, estranheza, mas quem és tu? Quem sou eu? Quer dizer, há muita coisa ali a funcionar ao mesmo tempo.
Eu, no meu caso, por acaso, a minha ideia é que esse amor surgiu de imediato. Não vou dizer avassalador, mas de imediato. Não conseguia parar de olhar pra ela. Mas por exemplo, o feedback que eu recebi do meu pai, que esteve lá nesses primeiros dias e que assistiu à minha interação com a Francisca quando ela nasceu, diz-me que foi o oposto. Ou seja, ele diz que não sentiu ligação nenhuma entre mim e a minha filha, e eu fiquei um bocado- Ficas um pouco ofendida. Até meio magoada. Como assim? Porque eu não tenho essa percepção, mas se calhar foi isso. Não sei, lá está, são muitas hormonas, é muita coisa a acontecer ao mesmo tempo.
E aquilo que nós fazemos acaba por ser instintivo, porque vem, colocam-nos na mama pra nós darmos de mamar, se quisermos dar de mamar. Estamos ali a olhar pra ele, a tocar, a querer ver tudo. Mas isso eu acho que somos nós a querer integrar aquela criança na nossa vida.
Que achas que tens de fazer aquilo. Eu passei a gravidez toda da minha filha Carmen, porque eu engravidei sem querer, não gostei de estar grávida também, e eu pensei: "Ok, vai ser no momento que ela nascer, que eu vou chorar, vai ser a loucura." Não. Eu fiquei um bocado em estado de choque, olhava pra ela, está tudo bem. Só três ou quatro dias depois, quando saí da maternidade, entrei no elevador com o meu marido e a bebê no ovo, é que eu olhei para o espelho e pensei: "Meu Deus, está aqui uma criança, o que é isto?" E acho que foi um bocadinho a partir daí, mas acontece.
Acontece.
Quando tem de acontecer.
E será pra sempre.
Exatamente.
Portanto, não importa.
Susana, vamos desafiar-te a responder agora a uma série de questões rápidas, de forma espontânea, na nossa rubrica "Vou Contar até Três". Ok?
Ok.
Amamentação ou leite de fórmula?
Leite de fórmula.
Quando é que mudaste os teus filhos pro quarto deles?
Tinham um ano. O Tiago um bocadinho mais tarde, mas por volta de um ano.
Usaram chucha até que idade?
Até aos três e qualquer coisa.
E fraldas?
A Mariana até aos dois e o Tiago até quase aos quatro.
Já saíste de um sítio por causa de uma birra?
Já, várias vezes. É melhor sair porque gosto de me passar da cabeça longe deles.
Em privado. Mais curtido por eles, portanto. Tablet ou telemóvel pra entretê-los?
Sim, quando é preciso.
Baby wearing, os tais acessórios pra carregar o bebê. Sim ou não?
Eu nunca usei nada, mas pra quem resulta, façam favor. Sim, não tenho nada contra.
São tudo perguntas só por curiosidade, não vamos julgar nada.
Não.
Susana Almeida, autora do livro "Ser supermãe é uma treta". Muito obrigada por teres juntado a nós no "Isto é Mãe".
Obrigada.
Podem voltar a ouvir o programa ao final do dia em observador.pt ou em mac.pt. Eu e a Catarina estamos de volta no próximo sábado, às 10h30, com um novo tema e um novo convidado. Até lá, queremos saber o que acharam da emissão desta semana com a Susana. Espero que não tenham achado uma treta. Comentem nas nossas redes sociais ou enviem-nos um e-mail para istoémae@observador.pt. Eu e a Fabíola voltamos pra semana. Um bom resto de fim de semana.
Rádio Observador. Ouça este e outros conteúdos em observador.pt/rádio e subscreva os nossos podcasts.