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Olá, sejam bem-vindos a mais um "Isto é Ser Mãe", um programa dedicado às maiores preocupações do dia a dia dos pais. Eu sou a Fabíola Carletis, consultora de moda e beleza da MAG e mãe da Francisca, de dois anos e meio.

E eu sou a Catarina Balesteiro, jornalista da MAG e tenho uma filha com dois anos, a Caro. Hoje temos conosco no "Isto é Ser Mãe", Carolina Perliás. Bem-vinda, Carolina. Obrigada por ter aceito o nosso convite. Que é pediatra na Clínica de Santo António, em Lisboa, e mãe da Alice, de ano e meio. E a Carolina está cá para falar sobre o timing do desenvolvimento das crianças.

Certo.

Que é mais um daqueles temas que assombra a cabeça dos pais, não é?

Sim, acho que é.

Por que o meu filho ainda não anda, por que ainda não fala, por que ainda não bate palmas. São várias as questões no que diz respeito ao timing das crianças. Este é um tema pelo qual é muito procurada?

Sim, também. Não propriamente como tema principal das consultas, mas é um assunto que surge com muita frequência.

E quais são as principais perguntas, as principais preocupações destes pais?

Eu acho que os pais fazem muita comparação com filhos anteriores ou com filhos de amigos que tenham idades semelhantes. E depois, mais tarde, têm muitas preocupações quanto ao sucesso acadêmico e no parecer-lhes que alguma coisa não está bem com o rendimento escolar ou com a atenção com que conseguem estar nas aulas. E isso sim, são os motivos principais. Até mais já na idade escolar do que mais cedo.

E Carolina, sabendo que não há certo nem errado, normal ou anormal, aquela história de cada criança é uma criança, qual é a altura comum pra uma criança começar a andar?

Nós temos como barreira, se é que se pode falar destas coisas assim, os 18 meses. A grande maioria das crianças vão andar sozinhas até os 18 meses. Não significa que as crianças que o fazem um bocadinho depois tenham alguma coisa de anormal ou de errado. É uma idade que nós temos como referência. Há muitas pessoas que pensam que é mais cedo, logo com um ano ou até antes. E não, não necessariamente. Há crianças que vão andar um bocadinho mais tarde, isso é totalmente normal. Muitas vezes da parte motora até estão mais preparadas pra andar de uma forma mais eficaz, cair menos, etc.

Mas diga-me uma coisa, se forem forçadas a andar muito cedo, ou seja, se os pais tentarem muito puxá-las pela mão ou andarem até naquele tipo de aranhas que há uns anos eram muito populares, pode ter consequências a nível do desenvolvimento?

São duas coisas diferentes. Começando pelas aranhas, não estão de todo recomendadas, não só pelo risco de segurança, porque aquilo pode virar-se ao contrário, podem cair por umas escadas. Portanto, não está recomendado nem pra ensinar a andar nem como forma de entreter a criança. Respondendo à outra parte da questão, eu acho que não há muita forma de forçar uma criança a andar. As crianças precisam todas de passar por determinadas etapas para chegar àquilo que é a marcha. Precisam de segurar a cabeça, de conseguirem endireitar as costas, de ter uma proporção do corpo que permita a marcha. E, portanto, é claro que as crianças podem ser puxadas pela mão e quando já se põem de pé sozinhas e andam agarradas, por exemplo, ao sofá, nós podemos dar a mãozinha e tentar que ela vá de nós pra avó, tentar que fique de pé quieta, sem nenhum apoio. Isso não faz de todo mal à criança, são brincadeiras boas e a criança sente o nosso entusiasmo e tenta também chegar mais além. De outra forma, não temos como forçar uma criança que nem sequer se põe de pé a andar. Portanto, isso nas aranhas e, como já disse, não está recomendado.

Mas muitas vezes vemos bebês ainda sem essas capacidades, lá está. Mas que querem estar de pé, porque é normal, e os pais deixam. E eu também já ouvi muitas vezes que não se deve fazer isso, ou seja, não se deve deixá-los nessa posição vertical a fazer força com as pernas quando ainda é muito precoce.

Não, isso não me parece que faça sentido. Às vezes nós ficamos um pouco baralhados com muita informação que lemos e há muitas pessoas a dizer coisas diferentes. Eu quando fico baralhada porque leio coisas diferentes, o que também acontece na minha profissão, obviamente, eu tento pensar que nós somos um bocadinho bichos. E a verdade é que se um bebê já tem a capacidade motora para ele próprio se agarrar a um sofá e ficar de pé, eu não vejo de que forma é que isso lhe possa fazer mal. Uma coisa é pegar num bebê que é muito pequenino e estar constantemente a tentar que ele fique em pé, aos três meses, aos quatro meses, não faz sentido.

Isso é muito cedo pra fazer esse tipo de coisas.

É muito cedo porque não é natural. Um bebê com essa idade está a aprender a sentar-se, está a aprender a estar deitado e ao tentar alcançar um objeto, aprender a rebolar. Portanto, é um bebê que está a tentar ultrapassar as suas etapas ainda no chão. Um bebê que já passou essa fase, que já se senta e que daí tem o incentivo pra se pôr de pé apoiado a qualquer coisa, isso não pode fazer mal. Se nós pensarmos que nunca lemos um livro, se nós não fôssemos baralhados pela informação escrita e oral que recebemos, se o nosso bebê se pusesse de pé, se ele tem essa capacidade, não me parece que isso possa ser errado, se isso partiu dele.

Carolina, em relação à fala. Isto também acontece. Há crianças que falam mais tarde, outras começam mais cedo. Quando é que é então a altura mais comum pra começarem a falar?

A fala começa não com palavras, mas começa com sons. O bebê começa por sorrir e daí a começar a ter uns sons tipo gargalhada e os dadás e os ahás. Isto começa muito cedo, três meses, quatro meses, muitas vezes são bebês já muito faladores. Não são palavras, são sons.

Estão a pau-rar.

Estão a pau-rar, sim, a falar. Daí progridem para imitar os sons que nós fazemos. Se nós fazemos dadá, eles começam a ser capazes de imitar-nos e de fazer sílabas e não só sons soltos. E a partir daí progredir para as primeiras palavras, aos nove meses, 12 meses, há muitos bebês que já dizem qualquer coisa. A riqueza do vocabulário que um bebê vai apresentar a partir daí depende, obviamente, da quantidade de conversa que os adultos têm com ele, da estimulação, mas nunca podemos achar que a culpa é só da estimulação. Os bebês são muito diferentes e há bebês que vão ser mais atentos e ter mais incentivo pra imitar e pra repetir do que outros. E, portanto, achar que isto é por si e de forma isolada anormal, não está certo. A criança deve ser vista no seu todo e na forma como, nas suas várias competências, se está a desenvolver e não só pegarmos porque ainda não diz tantas palavras como outra criança da mesma idade.

E não nos regermos tanto com tabelas, com números, com a comparação com os filhos dos nossos amigos, com os nossos colegas. A Carolina falava há pouco antes de entrarmos aqui pra gravação, que é muito intuitiva na sua profissão. Cada criança é mesmo uma criança e temos que olhar pra elas pra fazer essa avaliação.

Sim, cada criança é claramente uma criança e é óbvio que nós temos que reger a nossa prática por tabelas orientadoras. Portanto, nós sabemos que há uma determinada idade em que alguma coisa nos pode começar a soar como um alarme e devemos manter uma vigilância. Mas como eu comentava convosco há pouco, mais do que ter uma tabela que me diga que aquilo deve acontecer em determinada idade, eu prefiro reger-me pela tabela que me diz que eu devo começar a preocupar-me se ainda não aconteceu noutra idade. Ou seja, não é tanto esperar que aconteça numa altura, é estar atento quando nunca mais acontece, quando a coisa nunca mais surge. E isso sim, convém estar atento, porque pode ser uma incapacidade biológica da criança e nós termos que intervir pra ajudá-la. Pode ser alguma coisa no meio que não está a ser ou estimulante ou a criança não se sente segura pra fazer determinada tarefa e, portanto, nós estamos atentos a todas estas coisas nas consultas de saúde infantil. Mas claramente que não andamos atrás das crianças porque com 18 meses ainda não anda sozinho. Há bebês que vão a todo lado a gatinhar e ainda não perceberam que andar se calhar vai ser bom e, portanto, mantemos vigilância, obviamente, mas não alarmamos os pais e não partimos pra exames nem coisas tão complicadas.

E ainda em relação à fala, que estávamos a falar nesta questão dos timings, quando é que é talvez demasiado tarde pra começar a falar e também quando é que pode ser demasiado cedo? Ou seja, muitas vezes fala-se em crianças que podem ser sobredotadas quando não são, simplesmente começaram a falar mais cedo. Qual é esse timing?

Eu acho que não há um timing pra o mais cedo. Lá está, se surge à criança, é natural pra ela.

Como é o caso da sua filha, Fabiola, que é muito à frente.

Pois, no meu caso aconteceu isso. A Francisca com nove meses começou a dizer olá, pegava no telefone e dizia olá. Com um ano já dizia mais palavras. Ela com dois anos e meio fala completamente. Diz tudo, conta histórias. E muitas vezes as pessoas diziam: "Ela se calhar é sobredotada, tens que levá-la ao médico". Não é de todo, simplesmente começou a falar mais cedo. A minha pediatra disse-me exatamente isso, que sendo só uma questão de fala, que não seria, pra não me preocupar. Mas lá está, a questão foi logo essa pra toda a gente. "Ai, ela deve ser..."

Muito à frente.

E são, de certa forma, nós podemos brincar com isso.

Mas não de uma forma preocupante ou alarmante.

Não, não de uma forma preocupante. Uma criança que fala muito é uma criança que de repente teve curiosidade em usar a boca da mesma forma do que nós e em repetir os sons que nós estamos a fazer e em nomear as coisas que vê, porque percebeu de alguma forma que isso melhora a comunicação com os seus cuidadores e com as outras pessoas. Portanto, não há um precoce. Preocupa não acontecer até uma determinada idade. Uma criança com dois anos que não diz palavra nenhuma, o que pode acontecer?

Isso sim é um sinal de alarme.

Pode ser um sinal de alarme. Será que não ouve bem e, portanto, nunca vai compreender essa relação. Sim, uma criança que não ouve os sons, claro que vê a nossa boca mexer, mas o estímulo que tem é completamente diferente e cabe-nos a nós perceber se a criança está a ouvir bem. Há crianças que demoram muito tempo a dizer palavras, às vezes em contextos em que os pais falam uma língua diferente da língua que todas as outras pessoas falam. Não sei se me estou a fazer entender. Elas ouvem palavras diferentes pra mesma coisa e demoram um bocadinho mais de tempo a processar isso e de repente um dia aquilo sai-lhes e dizem duas palavras pra mesma coisa. Portanto, é também tentarmos perceber tudo isto. E obviamente que se um pediatra geral como eu sou fica preocupado porque parece que é demasiado tardio ou não está a ser tão adequado, existem pediatras que fazem do desenvolvimento infantil a sua vida e que sabem usar escalas e interpretar coisas que se calhar eu não estarei tão alerta. E aí eu peço sempre ajuda. Se fixo eu própria e fico na dúvida, eu peço ajuda. Mas é uma coisa que eu acho que é pra levar com muita descontração e nunca deixar que é demasiado cedo pra uma criança falar, porque se ela falou, é dela.

Eu tenho uma dúvida. Há muitas pessoas que têm a tendência para falar com as crianças de forma abebezada. "Ai, meu pequenino", aquelas coisinhas assim.

Essa imitação foi incrível, fala mais, por favor.

Isto é benéfico ou não é benéfico para a criança pra aprender a falar? A mim sempre me disseram, a minha pediatra dizia que eu devia sempre falar com a Francisca como falo com outra pessoa qualquer e falar muito com ela. Isso sempre foi uma coisa que eu fiz desde que ela nasceu. Dizia: "Agora vamos ali ao jardim, vamos passear, agora vamos ao restaurante". Quer dizer, falava muito com ela e sempre assim. O que é mais benéfico, na realidade?

Eu acho que nós falamos abebê com os nossos filhos porque é uma forma carinhosa de comunicarmos com eles. E não tem problema nenhum dizermos: "Ai, tão fofinho, meu bebê".

Esta imitação foi a melhor.

Não tem problema nenhum. A verdade é que Os nossos filhos, mesmo quando ainda não dizem quase nada, têm uma compreensão muito maior do que aquilo que eles conseguem depois manifestar como tendo compreendido. Eles percebem tudo, é por isso que aprendem tanto, são extremamente atentos. E ao nós falarmos com eles como pessoas adultas, utilizando vocabulário sem estar a ser demasiado escolhido, usando as palavras corretas para as coisas, falando num tom de voz, como falaríamos com outra pessoa qualquer, a criança também sente isso como um reconhecimento de que lhe estamos a dar algumas qualidades e algumas características que damos às outras pessoas todas com quem falamos. Isso é muito importante para a criança, porque, na verdade, as crianças também dão um bocadinho aquilo que se espera delas. E se nós esperarmos muito delas, se calhar, isso é bom. E quando eu digo esperar muito, não é esperar de forma desadequada à sua idade. Se eu falo com este tom de voz com a minha filha e se lhe explico que ela tem que comer ou que tem que fazer alguma coisa porque eu estou atrasada ou porque é importante, ela, de certa forma, compreende que eu falo da mesma forma com o pai e, portanto, eu estou a atribuir-lhe a mesma importância e as mesmas características. E eu acho que isto é muito benéfico. Mais do que dar grandes explicações filosóficas a uma criança. Não é isso, é falar com ela como se fala com outra pessoa qualquer e percebendo que ela tem o direito a ficar zangada se eu fizer alguma coisa sem ela ter percebido que ia acontecer, porque ela está atenta a isso. E portanto, sim, eu falar com ela como uma pessoa que compreende, mais do que uma pessoa crescida, é como uma pessoa que tem compreensão. E acho que para isso utilizar o vocabulário que se usa com qualquer pessoa é extremamente adequado. Se depois, de vez em quando, falamos à bebé com eles, não é por aí. E não estraga. Eles percebem que é carinho. Às vezes também os que os outros fazemos: "Ai, coitadinho". E portanto, acho que é bom.

Carolina, diga-me uma coisa, só voltando aqui um bocadinho atrás, seja andar, falar, a escola pode ser um fator? Pergunto isto porque a minha filha, por exemplo, eu e a Fabíola somos colegas, falamos várias vezes das nossas filhas que estão em idades muito aproximadas, e a Francisca, a filha da Fabíola, sempre foi muito mais desenvolvida, sempre andou mais cedo, sempre falou mais cedo. A minha falou há pouco dos 18 meses, ela andou até depois disso e era uma preocupação que eu também já tinha. A minha questão é: o fator escola, uma criança que entra mais cedo, sei lá, aos quatro, cinco meses, porque os pais estão indo voltar ao trabalho e não têm com quem as deixar, pode desenvolver essas competências mais depressa?

Eu acho que as escolas, quando são boas, têm imensas vantagens. Não só porque as crianças veem outros miúdos a fazer coisas e, portanto, se calhar, têm um incentivo extra. Já não é só aquele adulto a falar com elas, são todos os outros miúdos a comunicar entre si. Eles podem ter este estímulo para imitar, para se porem de pé, para brincarem com os brinquedos da mesma maneira. Portanto, eu não consigo dizer que a coisa tenha uma relação linear, mas parece-me que a escola pode ser um ótimo estímulo, pelo menos para que a criança veja uma certa vantagem em fazer aquelas coisas. E sim, os miúdos da parte motora, se for uma escola que lhes permite ter amplos espaços de brincar, é muito bom. Eles habituam-se a cair sem que isso seja um drama, habituam-se a correr de um lado para o outro, entrar e a sair de cadeiras e de carrinhos.

Não ser tão protegidos às vezes quando ficam com os avós, não é? Pode acontecer.

Sim.

E em relação à chucha e à fralda, também há alturas ideais?

Quanto à chucha e à fralda...

Nós trazemos isto pra nossa realidade, não é?

Claro. São sempre perguntas difíceis. Mais uma vez, eu não gosto muito de dizer que há uma idade para tirar as coisas. As crianças são muito diferentes e têm necessidades de consolo, e isto falando mais da chucha, que são completamente diferentes. Há miúdos que são muito mais dependentes da sucção até mais tarde para se regularem. Agora, assim de uma forma mais ampla, parece-me que uma criança quando entra na idade escolar, e falamos aos cinco, seis anos, que já não precise da chucha para se regular. Já deve ter outras formas de sentir-se confortável e de conseguir acalmar-se e de conseguir regular-se sem aquela coisa, que é uma coisa muito bebé. Sucção é um mecanismo, é um instinto, digamos assim, que os bebés trazem já do útero. E portanto, não é que aos dois anos ou aos 18 meses tenha que ir a correr tirar a chucha, mas devemos ensinar as crianças a precisar dela cada vez menos. E isto começa de uma forma gradual, quando eles estão divertidos a brincar com qualquer coisa, não precisam de brincar com a chucha na boca, começa-se a retirar em alturas em que não é necessário para a criança se sentir bem. Provavelmente, o dormir é a última fase em que a chucha desaparece. Mas acho que isto é uma coisa que também é ensinada e é brincar aos crescidos com eles, é gradual, sem a pressão de uma idade para tirar. A pressão é outra, é nós sentirmos que estamos a ensinar os nossos filhos a crescer e não estamos a mantê-los presos a coisas que são de bebê. Isto sem tirar o mérito a que às vezes eles precisam de ser bebês no seu próprio tempo. Agora, a idade escolar parece-me que as crianças devem ter outras formas de consolo e nós começamos a considerar patológico, por exemplo, o fazer xixi na cama quando entram na idade escolar, também aos cinco, seis anos. Portanto, à partida, até o desfralde deve ser uma coisa que acontece até estas idades, porque a criança começa a perceber que pode pedir para ir fazer xixi, começa a ter mais noção das suas próprias sensações corporais e, portanto, há aqui uma altura que é ideal para se começar a ensinar outro tipo de coisas às crianças.

E a escola é um sítio onde ajudam imenso.

Sim, eles veem toda a gente ir ao vacilo, toda a gente ir à sanita e também querem fazer aquilo, porque eles não querem ser diferentes uns dos outros. E nesse sentido, as escolas são muito boas, porque eles acabam por ir assim todos, até do um pouco atrás dos outros.

Carolina, por falar em pressão, estávamos a falar de uma pressão diferente. A pressão social faz com que sejamos influenciados para pensar mais neste tema. Quando eu falo de pressão social, e mais uma vez estou a trazer as coisas pra minha realidade e pro que eu passei, seja dos avós, seja dos amigos: "Ah, minha filha já anda, o meu filho já come sozinho". Isto pode nos fazer focar demasiado no tema e às vezes não descontrairmos tanto quanto deveríamos?

Pode. Eu acho que alguém estar sempre a comparar um bebê que até é mais novo e que já faz alguma coisa que o nosso não faz, é preocupante. Ainda para mais porque sempre que se fala disso é dado muito o incentivo que a culpa, se calhar, é nossa, que não estamos a dar o estímulo suficiente. Muito poucas vezes é falado que a criança é um ser com uma genética e que tem o seu próprio ritmo. E portanto, essa comparação às vezes faz com que não se relaxe e não se perceba os sinais que a criança está a dar de que as coisas estão a evoluir. No desenvolvimento, as crianças não vão fazer as mesmas coisas todas com a mesma idade. O que nós sabemos é que a ordem com que as coisas acontecem é geralmente a mesma. A criança antes de fazer pinça, antes de pegar nas coisas pequeninas, vai ter primeiro que pegar com a mão toda. Não se pode esperar que só porque um já faz pinça aos oito meses e o nosso bebê tem nove e ainda não faz, que isso é preocupante. O que é preocupante é o nosso bebê nunca ter querido agarrar em nenhum objeto.

Isso é um sinal também de alarme, como falávamos há pouco.

Sim, claro que sim. Um bebê que está sempre com as mãos fechadas, que vai crescendo e não é atento ao mundo, que não reage, que está sempre muito mole, que nunca mostra sinais de controlar a cabeça. Isto é que é preocupante, é nós percebermos que não está a haver uma evolução de um bebê muito pequenino para um bebê que se está a tornar com outra postura e com outra autonomia. Não é de repente nunca termos prestado nenhuma atenção a isto e preocupar-nos com ele ainda não andar. Isto é uma coisa gradual, é estarmos atentos ao nosso bebê. E eu tenho uma filha que andou muito tarde, apesar de falar pelos cotovelos, e tínhamos uns amigos com uma bebê mais pequenina, que já andava muito bem e o meu marido perguntava: "Mas tu não estás preocupada? Ela não anda". Eu disse: "Não, ela já se põe de pé. Ela ainda não percebeu que isto é uma boa ideia". Portanto, é darmos-lhe mais um bocadinho. E realmente as coisas depois acontecem.

Carolina, os segundos e terceiros filhos desenvolvem-se mais depressa, normalmente?

Dizem que sim. Não sei se estatisticamente.

Pela imitação, não é?

A imitação é bom, porque na verdade, só ver uma criança, às vezes os adultos ficam cansados e não têm todo o tempo do mundo para estar a estimular o seu bebê. Acho que ver outra criança a brincar e que anda e que já pega em coisas, se calhar, dá um estímulo aos mais pequeninos para imitar. Os bebês aprendem muito por imitação. Sim, teoricamente faz-me sentido que os segundos filhos desenvolvam ou que façam coisas mais depressa porque têm alguém de uma idade parecida em quem veem essas coisas acontecer. Acho que isso não acontecer também não é de todo preocupante. Ele pode só ser um bebê diferente que vai na mesma ter o seu ritmo, independentemente de ter um irmão que até está ali a puxar por ele. Desde que tudo esteja bem, como já vimos nesta evolução das coisas, não é preocupante.

Está tudo tranquilo. A Carolina também é mãe, de Alice, de 18 meses. Por isso, vamos desafiá-la a responder a uma série de questões rápidas, de forma sincera, sem medos. A nossa rubrica é: Vou Contar até Três. Amamentação ou leite de fórmula?

Amamentação.

Quando é que mudou a sua filha, neste caso, para o quarto dela?

Um pouco antes de um ano de idade, porque começámos a perceber que ela dormia pior com o nosso movimento e percebemos que ia ajudar, mas não foi por uma pressão de tempo, foi mesmo porque sentimos que era o melhor para ela.

Uma necessidade. Chucha até que idade?

Até a criança aprender a não precisar dela, mas até à idade escolar.

Já saiu de algum sítio por causa de uma birra?

Não.

Tábua de telemóveis, sim ou não?

Não.

"Baby wearing", aqueles acessórios para carregar os bebês. Sim ou não? E qual?

Muito. Todos os que sejam bons para a anca. É perder um bocadinho de tempo a investigar uma coisa que seja ergonômica, bom para a anca do bebê e para as costas. Às vezes tem lojas mais improváveis do que só ir àquelas que estão nos nossos centros comerciais. Mas sem dúvida, ajuda muito.

Grupos de mães no Facebook ou nos WhatsApps da vida. Uma ajuda ou um antro de críticas?

Eu percebo que toda gente precisa de uma aldeia, mas às vezes são pessoas com muito pouca formação e com muita carga pessoal nas recomendações que dão e, portanto, muito cuidado.

Muita cautela. Carolina Palhais, pediatra na Clínica de Santo António, em Lisboa. Muito obrigada por se ter juntado a nós no Isto é Ser Mãe.

Obrigada eu pela oportunidade.

Podem voltar a ouvir o programa em observador.pt ou em mag.pt. Eu e a Catarina estamos de volta no próximo sábado, às 10:30, com um novo tema e um novo convidado.

Até lá, queremos saber o que acharam da emissão desta semana com a pediatra Carolina Palhais. Comentem nas nossas redes sociais ou enviem-nos um e-mail para istoésermae@observador.pt. Podem enviar-nos questões, temas que gostariam de abordar num próximo programa ou até mesmo quem gostariam de ouvir aqui. Eu e a Fabíola voltamos para a semana, à mesma hora. Um beijinho e um bom resto de fim de semana.

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