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Fim de semana de clássico. Amanhã, Futebol Clube do Porto e Benfica reúnem-se no Dragão e quem tenta aproveitar um potencial deslize é o Sporting, que joga hoje, ainda na ressaca desse empate em Famalicão na última jornada. São temas em análise nesta edição de "O Campeão É", hoje com a ajuda do Pedro Henriques, do João Pinto e também do Luís Pinto Coelho. Sejam todos muito bem-vindos. Eu sou João Costa e Silva. É um fim de semana de clássico e com o Sporting à espreita para tentar encurtar distâncias, numa semana em que Rui Borges foi muitas vezes na comunicação social desportiva tentado ou associado quanto à sua continuidade no comando técnico do Sporting. Algumas críticas por parte de adeptos que foram também difundidas na comunicação social. Ontem, em conferência de imprensa e para lançar o jogo em casa frente ao Arouca, decidiu enumerar alguns feitos que já conseguiu à frente dos Leões. João Pinto, bom dia. É uma conferência de imprensa em que Rui Borges enumera uma série de feitos. É uma forma também de se escudar e evidenciar que este Sporting e o caminho que tem feito à frente dos Leões, perante aquilo que foi alimentado na comunicação social esta semana na imprensa, não é de todo o mais correto?
Olá, bom dia. É uma situação difícil, porque realmente parece que os adeptos do Sporting já decidiram que o Rui Borges não é o treinador certo no lugar certo. E aqui há sempre aquela ingratidão do futebol. Não interessa nada aquilo que foi ontem, interessa aquilo que está a ser. E as pessoas esquecem-se um bocado que o Rui Borges provavelmente recebeu indicações do seu CFO que era para reduzir o salário para metade num clube que encaixou 200 milhões, que vendeu não sei quantos por cento da equipa titular, que precisa de pelo menos seis meses para os jogadores saberem como é que jogam juntos, para escolher o melhor esquema e como é que isso se adapta aos jogadores. É assim em Portugal, é assim em todo lado. E portanto, há aqui esta ingratidão normal do adepto de futebol, que normalmente quando a bola começa a rolar, se esquece disso tudo, isso não interessa nada, interessa é que a bola entre. Portanto, acho que faz sentido ele enumerar aquilo que já ganhou. Outra coisa é se a mensagem passou, se os adeptos compraram. Acho que não. Acho que os adeptos do Sporting já estão convencidos que mais derrota, mais empate, menos isto, menos mais aquilo, o Rui Borges vai ter que sair, mas só ele é que consegue mudar o fado dele ganhando.
Nós já vamos lançar este jogo frente ao Arouca em Alvalade, mas già, Luís, também perguntar-te sobre estas declarações. Como é que viste Rui Borges em conferência de imprensa a enumerar estes feitos e, como dizia aqui o João Pinto, se isto muda alguma coisa na perceção dos adeptos daquilo que é o futuro do Sporting?
Olá, bom dia.
Bom dia.
Percebeu-se que ele vinha com o trabalho de casa feito, isso é de louvar. Fizeram esse trabalho por ele ou ele e a equipa técnica dele também, obviamente, mas também quando alguém tem que justificar muito o seu trabalho é porque não se sente muito seguro ou não tem as costas quentes. Desculpem a expressão. Percebe que há ali uma pressão e tem necessidade de justificar e mostrar trabalho, obviamente. É verdade que eu acho que os adeptos do Sporting desde o início não morrem de amores por Rui Borges. Eu acho que ele tem a favor dele que quando chegou, conseguiu estabilizar a equipe e ser campeão, mas também é verdade que na única época que teve, de princípio ao fim, não ganhou nada. Embora tenha feito uma excelente Liga dos Campeões, mas acabou por não ganhar nada. E depois, há que juntar uma outra coisa que me parece que o está a prejudicar, que é o ego do presidente de querer mostrar, isto é uma opinião muito pessoal que eu tenho, esta mudança toda no Sporting, é um bocadinho também o presidente a querer mostrar que não foi por Rúben Amorim e Hugo Viana que ganharam, mas foi pela estrutura do Sporting e por ele ser presidente. E por isso é que se muda cinco, seis titulares de um ano para o outro. Acho que é uma tentativa de mostrar que a estrutura funciona independentemente da aposta certeira em Rúben Amorim e Hugo Viana. E acho que Rui Borges vai um bocadinho pagar por isso e acho que ao dia de hoje, acho que estão um pouco abaixo do Porto e Benfica.
Pedro, começámos esta época a dizer que os três grandes tinham aqui em pleno de hipóteses de chegar ao título de campeão nacional. O Sporting foi aquele que mais transformações fez no seu 11 e até mesmo na estrutura. Saíram peças-chave de edições anteriores, ou seja, o Sporting tinha até vencido o campeonato com Rúben Amorim, com Rui Borges e tinha tido essas peças estruturantes. Rui Borges ontem acabou por dar aqui um murro na mesa, mas importa perceber, na tua opinião, o Luís e o João já fizeram questão de dar aqui a sua opinião, se estas palavras vão ser também bem recebidas pelos adeptos. Porque uma coisa é haver contestação, e sabemos isso, nas redes sociais, basta haver às vezes um empate ou uma derrota e vêm logo esses críticos aparecer. Outra coisa é também como é que os adeptos encaram que Rui Borges já percebeu esse descontentamento e como é que se posiciona perante essas críticas.
Bom dia. Aqui a questão é que eu acho que a justificação que ele deu ou que tentou dar para mostrar aquilo que foi positivo, não cola. E não cola por uma simples razão, porque a maneira como nós vemos a realidade, obviamente, tem a ver com o prisma de cada um e a maneira como nós vemos o copo meio cheio ou meio vazio. Mas vamos fazer aqui uma reflexão rápida. A primeira época, o Rui Borges foi buscar uma equipa que praticamente, se não tem perdido o Rúben Amorim, teria sido campeão dois ou três meses antes, porque o avanço e aquilo que estava a jogar era bastante grande, dado o contexto. Depois o João Pereira que veio equilibrar o campeonato e fez com que o Rui Borges até se tenha tornado campeão, porque realmente conseguiu segurar as rédeas e dar a volta. Mas é bom relembrar que quando também ganha a Taça de Portugal, foi numa circunstância completamente anormal. O Sporting levou um banho de bola do Benfica e só depois daquele problema do pisão, etc, que o Sporting empata, aí sim, o Sporting faz um prolongamento superior, porque numa situação normal o Sporting não tinha ganho a Taça de Portugal. E se formos pra época passada, o Sporting ganhou zero. Eu vou repetir, ganhou zero e perdeu escandalosamente uma final de Taça de Portugal, que fica pra história como algo que os sportinguistas não querem relembrar. Está bem que o Torense tem feito coisas giríssimas, tem bons jogadores, não é isso que está em questão. É vergonhoso, acho eu, em termos de Sporting, a maneira como o Sporting no passado perde a final da Taça de Portugal. E mais, o Sporting perante os rivais, o Porto, o Benfica e o Braga, em 18 pontos possíveis, faz cinco, não consegue ganhar. O Rui Borges não consegue ganhar um jogo. E se quisermos somar as 16 situações de vantagem que o Sporting tem em jogos e que as perde, ainda mais preocupante se torna. Agora já são 17, Pedro. Já são 17. Pois é isso, era 16, agora é 17. Portanto, é um somatório de circunstâncias que faz com que os adeptos do Sporting, muitas vezes, por exemplo, há essa comparação com os treinadores dos rivais, e sobretudo com a presença do Rúben Amorim, bem presente aquilo que foi conseguido, a postura, a atitude, etc, que faz com que não cole esse tipo de discurso. E de tudo isto, o mais preocupante pra mim é não conseguir ganhar os rivais. Isso é que preocupa, porque às vezes os adeptos com mais à esquerda, mais à direita, depois se consegue, no caso visto pelo Sporting, empatar, ganhar ao Benfica ou ganhar ao Porto, faz toda a diferença.
Pedro, deixa eu só interromper. O Rui Borges elimina o Futebol Clube do Porto no ano passado na semifinal da Taça, ganha na final da Taça ao Benfica, bem ou mal, mas ganha, e chega aos quartos-final da Liga dos Campeões, depois de eliminar não sei quanta gente. É que também é só olhar.
É só a Liga dos Campeões. Não, desculpa lá.
E fica em segunda Champions. O Benfica é que fica em terceiro. Ele apura-se pra Champions diretamente.
Certo, mas queres falar sobre essas circunstâncias? É que a questão é que há aqui muitos fatores externos que acabaram por levar a isso. É certo que ganhou a Taça de Portugal, e isso é que conta pros títulos, mas numa situação normal não teria ganho. É tão simples quanto isso. Eu não tô aqui a defender nem Benfica, nem Porto, nem Sporting. Só estou a dizer é que aquilo que ele se agarra, que é o título e a Taça de Portugal, é numa situação especial, porque o ano passado ele tem a equipa do princípio ao fim, pode fazer exatamente tudo isso. É que se tem perdido a final da Taça de Portugal, depois com o Porto ou com o Benfica, é uma coisa, foi com o Torrense. Eu acho que este ano vai haver mais desconfianças. E quando agora o Sporting se cruzar com o Benfica ou com o Porto, e até com o Braga, que é já próximo, se porventura não consegue ganhar o jogo e voltar outra vez o fantasma, que é mais um empate, é mais uma derrota, porque a pergunta é, e termino com isto: independentemente do discurso ou das razões que tu, João Pinto, agora disseste, como lado positivo ao que o treinador do Sporting apresentou, é se isso cola com os adeptos. E posso te garantir que não cola. Os adeptos neste momento não estão com o treinador. É que não estão mesmo.
Bem, declarações de Rui Borges que possivelmente vão ter aqui alguma repercussão também nas redes sociais. Já sabemos que os adeptos, quer seja de Sporting, Porto e Benfica, estão sempre atentos a isto e ao fato de se mostrarem este tipo de opiniões. O certo é que o Sporting entra hoje em campo frente ao Arouca. Luís, falamos aqui de uma equipa do Arouca que está a fazer um campeonato interessante. É certo que vem de uma derrota, perdeu com o Santa Clara, que aliás, está com os mesmos pontos do Sporting, 14, ainda não perdeu também nesta edição do campeonato. Que tipo de jogo é que vamos ter em Alvalade? Ou seja, o Arouca vai, pelo momento, de forma em que está e em que possivelmente não tem nada a perder, visto que está confortável na classificação, vai-se dar ao luxo de poder jogar olhos nos olhos com este Sporting?
Sim, o Vasco Seabra não é um treinador que seja muito defensivo e que molda a equipa muito em função do adversário. Eu acho que o Arouca tem algumas lacunas defensivas e o Sporting vai certamente tentar explorar isso. Se o Sporting não entrar intenso, não entrar ligado, o Arouca é uma equipa que tem capacidade pra ter bola e pra gerir a bola, e tirando a bola ao Sporting em Alvalade, pode enervar a equipa e os adeptos. Eu acho que o Vasco Seabra vai tentar jogar com isso, ter bola, enervar um bocadinho o Sporting, fazer o Sporting correr, e depois tentar pôr os adeptos um bocadinho desconfiados e contra o Sporting. Agora, eu acho que o Sporting é obviamente favorito, até pela qualidade individual que tem na frente, que pode decidir o jogo rapidamente se os jogadores estiverem inspirados.
João Pinto, antecipe as grandes dificuldades do Sporting frente a este Arouca. Como eu disse, está a fazer aqui uma época bastante tranquila, está no quinto lugar com 10 pontos. Tem duas derrotas, é certo, mas tem sido um bom arranque da equipa aqui comandada por Vasco Seabra.
Eu acho que vai ser uma boa oportunidade para o plantel do Sporting mostrar se quer continuar com o Rui Borges ou não, porque é realmente um jogo em que se corre mal e com três semanas de pausa a seguir.
E o Sporting joga em casa do Braga quando voltar.
Exato, pode ser mesmo o caldo ideal para entornar. Se a equipa está com o treinador e se a equipa quer que este treinador continue, um jogo em casa contra uma equipa que é Arouca, que pode ter um bom treinador, pode ter bons jogadores, mas não deixa de ser Arouca, o Sporting, se fizer uma exibição contundente, um resultado convincente, pode encher o peito de orgulho e ir lá pras seleções tranquilo e o Rui Borges manter as caixinhas de cartão dobradas e no armazém.
E ganhar algum fôlego. Também importa perceber como é que vai correr esse clássico de amanhã.
Sim, além disso, exatamente.
Também é importante nesta jornada. Pedro Henriques, o 11 e as suas notas para este jogo do Sporting frente ao Arouca.
Eu acho que o Sporting hoje não vai ter dificuldades, mas acho que não vai ter dificuldades no sentido de ganhar. E vai sempre tirar partido, ganhando, daquilo que vai acontecer amanhã, porque ou são distribuídos um ponto pra cada uma das equipes, ou uma equipa faz três e outra faz zero. E portanto, o Sporting ganhando hoje tira sempre vantagem naquilo que é a luta direta. Agora, o problema do Sporting, no meu ponto de vista, não é hoje. O problema do Sporting é depois do regresso às seleções e quando o Sporting tiver que ir a Braga. Aí é que eu acho que vai ser muito relevante e importante pro Sporting, e é aí que vão se levantar os fantasmas, ou não, caso o Sporting não consiga ganhar. Nem o empate serve, é não conseguir ganhar em Braga. E portanto, eu acho que é aí que depois falaremos mais à frente. Em relação ao onze, acho que o Sporting não vai fazer grandes alterações daquilo que tem sido mais ou menos a base, com o Rui Silva, com o Frederico Azedo e o Max Silva nas alas, o Gonçalo Inácio e o Diabas no centro e depois aquilo que tem sido do meio pra frente os titulares normais, Doumbia e Altaymir, o Geni à direita e o Flávio à esquerda, Zalazari nas costas do Suárez.
Muito bem, vamos ter emissão especial.
Vamos dizer aqui que a senhora do ioiô diz que o Sporting ganha e amanhã dá empate. Por isso, vamos ver se a senhora do ioiô-
Aquela senhora que normalmente erra sempre nas previsões. É pior do que eu no 11.
Atenção que esta semana acertou no resultado do Benfica em Milão e no resultado do Torreense, por isso está a fazer progressos.
Ó Luís, mas elucida-me, tu apelidaste de senhora do ioiô.
Sim. Ela anda com aquele pêndulo, parece um ioiô, pra cima e pra baixo.
Ok, é só pra contextualizar aqui os nossos ouvintes. Emissão especial de desporto pra acompanhar este Sporting-Arouca da jornada sete, relato em direto do Alexandre Luna Pais, a partir de Alvalade. O Pedro Henriques vai estar conosco, o nosso áudio-árbitro, mas também o João Castro, adepto do Sporting, e ainda a análise do Augusto Inácio. Ainda hoje, também aqui nesta jornada sete, temos Gil Vicente-Marítimo, às 15h30. Nacional-Famalicão. Famalicão que, apesar de ter empatado com o Sporting, está aqui a tentar arrancar a sério com Carlos Carvalhal. Havia muita expectativa para ver esta equipa em ação nesta edição do campeonato, mas as coisas não estão a correr de feição ao técnico português. E ainda temos um Alverca-Rio Ave às 18h. Amanhã, há clássico. Nós vamos ter uma edição mais alargada de "E o Campeão É" amanhã, a partir da hora das 11h, também para analisar este jogo do Sporting e aquilo que sai deste Sporting-Arouca. Mas importa perceber aqui, Luís, estamos na jornada sete, falamos de duas equipas, neste caso o Benfica e o Porto, que estão num bom momento de forma. O Porto ainda não perdeu. O Benfica vem de uma vitória muito importante e interessante, aliás, até com as segundas linhas em Milão, frente ao Milan. Que tipo de ritmo é que vai ditar este clássico? O resultado, sabemos que se for um empate, deixa as coisas muito iguais, mas até por aquilo que falávamos há pouco da questão do Sporting, ou seja, o Sporting perdendo pontos hoje e tendo aqui uma vitória do Porto, abre-se aqui uma distância, ainda antes da pausa pras seleções, interessante nesse sentido, ou seja, muito a pintar também aquilo que foi o campeonato na época passada.
Sim, obviamente que eu acho que o Porto vai tentar aqui dar uma machadada nos adversários nesta jornada. Agora, eu acho que será um jogo muito difícil. Penso que será um jogo melhor do que o da época passada.
Eu ia te perguntar isso. O momento das duas equipas neste momento prova que, aliás, poderá ser um jogo mais interessante, ou seja, mais bem jogado, e ao mesmo tempo difícil pras duas, porque não se consegue olhar diretamente pras duas e perceber quem é que poderá vencer esta partida, não é?
Sim, porque na época passada o Benfica veio ao Dragão e percebeu-se que o que queria era não perder, até pelo momento que estava a viver. Este ano, penso que o Benfica chega de forma diferente, chega mais moralizado e chega com alguns jogadores em grande momento de forma. Isso os jogadores que resolvem individualmente, ainda por cima depois numa vitória em Milão. O Porto está bem, está com seis vitórias, joga em casa e jogando no Dragão é sempre difícil para todos os adversários. Eu acho que vai ser um jogo muito equilibrado e estou com o feeling que se calhar vão ser as bolas paradas que vão decidir isto.
Feeling do João Pinto. Agora vou ouvir o feeling do benfiquista. Aliás, feeling do Luís Pinto Coelho. Agora o feeling do portista. Tô brincando. Do benfiquista João Pinto. João, é um Benfica que chega a este clássico e fazendo essa comparação com a época passada, não digo de cara lavada, mas com outro espírito, com outro treinador também e com outras segundas linhas que podem dar também aqui outra resposta. Aliás, vimos isso a meio da semana.
E com outra pontuação e mais cedo no campeonato. Vamos imaginar um cenário em que o Benfica perde. Não há drama. Por quê? Porque o Benfica fica a cinco pontos do Futebol Clube do Porto, que depois basta empatar em algum lado e o Benfica volta a estar a uma distância perfeitamente razoável. No pior cenário, não há um cenário dantesco como havia no ano passado, de ficar já a oito pontos, ainda por cima com essa moral mais baixa que havia no ano passado, em que se sentia: "Se o Porto fica hoje a oito pontos, nunca mais os agarramos". O problema do ano passado não se põe este ano. O Benfica está bem, está moralizado, está a jogar bem, tem um bom treinador, tem um bom 11, uma boa segunda linha. Vai jogar o jogo, vai para lá para disputar o jogo. E depois o Futebol Clube do Porto tem uma forma de jogar, o tal rolo compressor, a tal pressão alta, que também tem fragilidades. Deixa espaço nas costas, o Benfica tem homens rápidos. O Futebol Clube do Porto é uma equipa que joga, e o seu treinador joga sempre com muitas cautelas, no sentido de não se expor e como tenta não se expor, isso também obriga a algumas trancas, alguns ferrolhos a mais taticamente. Não quer dizer que mude jogadores, mas que muda posicionamentos, que se calhar também vão impedir que o Futebol Clube do Porto seja a mesma equipa do ponto de vista ofensivo. Vamos ver se joga o Fraporti. O Piotr Szczęsny, que o ano passado fez miséria na Luz, também não está disponível. E portanto, há aqui uma série de elementos novos, de ingredientes novos, que vão pintando este jogo. Depois há sempre a questão de se jogar no Dragão, dos balneários a cheirar a uísque. Espero que não se entre nesse tipo de batotas, das bolas que desaparecem. Espero que isso não aconteça. E se isso não acontecer e só der futebol, é o que tiver que ser. São duas grandes equipas, é o jogo mais difícil do Benfica no campeonato e é um dos grandes jogos deste campeonato.
Pedro Henriques, é um duelo muito interessante, até porque as duas equipas estão a atravessar bons momentos. Interessante também porque vamos ter a melhor defesa do campeonato contra o melhor ataque. O Futebol Clube do Porto com dois gols sofridos, o Benfica com 21 gols marcados em seis jornadas, só por si, leva-nos a pensar se vamos ter aqui um jogo ou muito defensivo ou muito atacante, nesse sentido.
Eu acho que vai ser muito diferente do que foi o ano passado. O José Mourinho também era essa a estratégia e ele disse que era importante sair vivo, no sentido de não perder, como foi agora explicado pelo João Pinto. E portanto, eu acho que a postura inicial que temos e o enquadramento e o contexto deste jogo este ano é totalmente diferente do ano passado. E nesse aspecto, eu acho que vai ser um jogo mais aberto. Depois vamos ver se temos muitos gols ou não. Do Futebol Clube do Porto, aquilo que se realça, além de ser campeão nacional, isso pesa e conta, além de ter uma estrutura defensiva, a tal solidez de trás pra frente que o Futebol Clube do Porto tem e que tem demonstrado com muita fiabilidade, tem um Diogo Costa fortíssimo, que está num momento de forma fora de série, num bom ponto de vista, e depois a questão que já foi aqui abordada das bolas paradas. Por outro lado, o Benfica, ao ter começado mais cedo, acaba por acelerar o seu momento de forma, consegue uma série de resultados positivos, combinando com este jogo em Milan, que realmente faz com que as tropas ainda se moralizem mais. E depois é um Benfica a jogar bem. Percebe-se que há a dedo do treinador, que o treinador tem o balneário com ele. Ganhou neste jogo de Milan uma equipa fresca para o jogo de hoje. Ganhou uma série de jogadores que podiam estar desconfiados do papel que podiam ter. E tem jogadores também em excelente forma, como é o caso, por exemplo, do Prestianni e este regresso do Palhinha, que vai dar um equilíbrio defensivo totalmente diferente e permitir coisas novas. Por isso eu acho que está tudo, as componentes todas para termos um grande jogo de futebol e não acredito muito que seja tão defensivo assim, bem pelo contrário, acho que vamos ter muitas oportunidades de gol. Vamos ver o que é que dá.
Vamos ter tempo amanhã para lançar este clássico Futebol Clube do Porto x Benfica, numa edição alargada do "E o Campeão É", a partir do jornal das 11:00 e durante toda a hora. Destaco hoje também para um jogo interessante na Série A italiana, Roma e Inter, com o Rodrigo Mora, bem conhecido do Luís Pinto Coelho, aqui em ação. Duas equipas que estão na liderança do campeonato, as duas com quatro vitórias, 12 pontos. E há também um dérbi no andebol entre Sporting e Benfica. Vamos para as notas de campeão. Começo por ti, João Pinto.
A minha nota de campeão é um 10 para o Rui Borges. Realmente precisa de ter alguns resultados convincentes. Não lhe chega o suficiente, ele tem que ser mesmo excelente para continuar no lugar. Não gostei muito da conferência de imprensa, mas percebo o sentimento. É realmente na terra dos escondes, é difícil ser de Mirandela.
Pedro Henriques.
Para mim vai para a questão da seleção nacional, embora tínhamos tido vários espaços ontem para falar sobre a seleção nacional e o regresso, mas é sempre o regresso, e é esta questão de termos um selecionador novo, Jorge Jesus, a fazer das suas já logo na primeira conferência de imprensa, a troca do nome do selecionador.
O Flávio Silva.
O Flávio Silva, etc. Temos ali momentos bastante interessantes, mas acima de tudo daquilo que é a sua simplicidade, que acaba por ser talvez o grande trunfo para aquilo que possa ser o desta vez pormos uma seleção nacional que tem e continua a ter muito talento a jogar. E por isso, para este recomeço de seleção nacional, a minha nota 18 e depois também para esta jornada que vai hoje e amanhã ter aqui jogos extraordinários, depois vem a paragem, também uma nota 17 de grande expectativa para este fim de semana, sobretudo alicerçado, obviamente, claro, no jogo Futebol Clube do Porto x Benfica.
Luís, começamos contigo.
Olha, eu vou dar um 20 hoje para um dos maiores dérbis do futebol mundial, das maiores rivalidades que há no futebol, que é o Millwall x West Ham, agora ao 12:30. Acho que toda gente deve ver. Londres já está um bocadinho em estado de sítio, é polícia por todo lado, porque aquela rivalidade é um bocadinho insana.
No Championship.
Sim, do Championship, mas também é destas rivalidades e destas histórias que o futebol vive. E será um jogo certamente muito intenso e muito engraçado de se assistir.
Luís Pinto Coelho, João Pinto e também Pedro Henriques nesta edição de "E o Campeão É". Amanhã estamos de regresso mais cedo, é logo depois do jornal das 11:00.