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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: o Festival Paredes de Coura.

A guerra sem quartel. De empresas rivais. Na busca do controle. De mercados locais. Ou então, ou então. Encena-se um direto. Para a televisão. Sirenes. Passam. Em grande aceleração. Olhando. Para. A grande televisão. O caso. Surge. Com outra dimensão. Imagens. Com voz. Seguindo o guião. A guerra sem quartel. De empresas rivais. Na busca do controle. De mercados locais. Ou então, ou então. Encena-se um direto. Para a televisão.

Em direto para a televisão, os Mau Morta, na abertura do Isto Não Passa na Rádio. Esta semana vamos olhar em pormenor o cartaz do Festival de Paredes de Coura, que está de regresso a partir do próximo dia 16. É uma espécie de dia de aquecimento. Depois o festival decorre nos moldes, já com todos os palcos em funcionamento, entre 17 e 20 de agosto. Sou o Nelson Ferreira.

Sim, deixa-me só fazer uma pausa, Nelson. Está de regresso o festival e estás de regresso tu.

É verdade.

Para grande satisfação minha e dos senhores ouvintes.

Do auditório.

Do auditório. Do nosso vasto auditório.

Gonçalo, bem-disposto?

Sim.

Sim. Parece que hesitaste.

Não, sim.

Há um anúncio que diz que um segundo faz toda a diferença, parecias esse anúncio.

É verdade. Não foi mais distração do que falta de entusiasmo.

Vamos então olhar em pormenor para este cartaz e para aqueles que são os nossos concertos favoritos da edição deste ano do Festival de Paredes de Coura. Comecei logo no dia 16, porque tocam por lá os Mau Morta às 10 da noite.

É o Dia da Música Portuguesa, não é?

É o Dia da Música Portuguesa, é um dia que tem ainda Moullinex, Sam the Kid com a Orquestra e com Orelha Negra também, Twist the Connection, Benjamim Pluto, aqui, Manuel Cruz, Clube Macumba ainda, os Lemon Lovers. Mas há mais, não é?

São 20.

São 20 nomes.

20 artistas.

Junto de Corona, Bruno Pernadas, Rita, Vian, Dez Mil Russos, You Can't Win, Charlie Brown, Rapaz Ego, Paraguai, Noiserv e Ócean Bcea, que não sei o que seja.

É uma coisa jazzística, meio novo jazz, por aí. Têm os Bad Bad Not Good como fãs.

Também reparei que há uma pré-estreia do novo documentário sobre os Sex Pistols, que vai chegar em breve ao Disney+ e que terá uma estreia nesse Festival de Paredes de Coura, naquilo que eles chamam o palco Jazz na Relva.

Sim, é aquelas coisas durante a tarde, ali ao pé do rio, a malta dá um mergulho ali no Tabuão, bem gelado, para ativar os ossos.

Eu tenho que dizer que o Festival de Paredes de Coura foi o festival a que eu fui mais vezes na vida, se bem que deverá a esta altura, já nos últimos anos não tenho ido tantas vezes e já estará a rivalizar aqui se calhar com o Super Bock Super Rock, são questões geográficas. Eu vivi no Norte durante muitos anos e era um festival relativamente perto para mim. Agora já nem tanto, mas é seguramente um dos meus favoritos no panorama nacional. Tem uma identidade muito própria e os Mau Morta também me parece que são uma espécie de banda residente, têm passado várias vezes pelo Festival de Paredes de Coura e os concertos deles são sempre inacreditáveis. Há sempre uma simbiose do que é normalmente o típico público do Paredes de Coura, que tem ali algumas afinidades Também elas relativamente geográficas, com os Mão Morta. Escolhi o em direto para a televisão do álbum "Há Já Muito Tempo Que Nesta Latrina o Ar Se Tornou Irrespirável". É de 1998. Só para dizer que eu gosto muito de Mão Morta. E gostes ou não de Mão Morta, um concerto de Mão Morta em Paredes de Coura é um acontecimento digno de ser visto e quem não perceber isso é um idiota.

Não está aqui a fazer nada. Tem que ir estudar. Tem que ir pelo menos pegar nos livros, ver a matéria e perceber. Até porque o Adolfo, o Luxúria Canibal, é aquela figura que está sempre na primeira fila nos concertos de Paredes de Coura. No público, está sempre ali. É um histórico, até como visitante e como festivaleiro do Paredes de Coura.

Avançamos agora para um outro nome que também está no cartaz do Paredes de Coura: Porridge Radio. Não é a primeira vez que falamos deles aqui no Isto Não Passa na Rádio.

Não é. A culpa é minha, que volta e meia venho falar deles, porque gosto muito desta malta. É uma banda britânica, para quem não nos tiver ouvido em programas anteriores a falar um bocadinho sobre os Porridge Radio, liderada por uma moça chamada Dana Margolin, que é vocalista, guitarrista e escreve as canções dos Porridge Radio. Eles já têm alguns anos a lançar discos, começaram em 2015, mas de uma forma muito discreta numa primeira fase, até que em 2020 lançam um disco chamado "Every Bad", numa editora independente americana que já tem algum relevo, algum nome e até alguma capacidade de promover a música, a Secretly Canadian, e com isso conseguem dar algum salto de notoriedade. Este ano os Porridge Radio lançaram um disco chamado "Waterslide, Diving Board, Ladder to the Sky". Os Porridge Radio, eu diria que, pessoalmente pelo menos, é uma das minhas bandas preferidas desta altura, desta época do Reino Unido e da música britânica, até talvez um bocadinho mais do que outros projetos da música inglesa, irlandesa, que têm passado por Portugal e que têm tido algum destaque e se calhar um bocadinho mais de hype. Gosto muito desta banda e trouxe aqui a "Back to the Radio", que foi um dos singles deste novo disco. É a primeira canção do álbum, depois de uma intro instrumental. Para mim, é um dos melhores discos de 2022, fácil, apesar de nesta altura do ano ainda faltar o outono pela frente. É um dos melhores discos do ano, é uma das bandas mais interessantes do momento. É uma banda que em novembro estará também em Lisboa, no festival Super Bock in Stock, e pelo menos em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor. Mas para já, acho que quem for a Paredes de Coura não deve perder. Eles tocam quarta-feira, às 19h15, no palco Vodafone FM.

Estes são os Porridge Radio, escolha do Gonçalo Correia para o Isto Não Passa na Rádio esta semana. Vão estar em novembro, pelo menos com dois concertos, um em Lisboa, no Super Bock em Stock e o outro no Centro Cultural Vila Flor. Antes disso, já no próximo dia 17, ao vivo no Festival de Paredes de Coura. É o tema do nosso programa esta semana. E agora vou vos falar de The Comet is Coming, o projeto de Shabaka Hutchings, um músico do qual já falamos algumas vezes aqui no Isto Não Passa na Rádio, e eu acho que até já passei esta música. Se já aconteceu, peço desculpa.

Não é peça desculpa, não precisam de me agradecer.

Não precisam de me agradecer, é um pouquinho isto. O projeto The Comet is Coming é apenas um deste senhor de nome Shabaka Hutchings, que tem também os Sons of Chemist e Shabaka and the Ancestors. Ele já tocou com a Sun Ra Arkestra e até com Floating Points, mas é sentido como uma grande personagem do futuro do jazz britânico. Um jazz que nesta altura está, de facto, muito mesclado com outros gêneros. O rock, uma onda até um pouquinho mais psicadélica e às vezes eletrónica, o tal novo jazz londrino, é um pouco a etiqueta que se dá a este gênero, do qual os The Comet is Coming são dos maiores embaixadores. Eu gostei muito de um disco, foi quando os conheci em 2019, eu acho que é só o segundo deles, que é o "Trust in the Life Force of the Deep Mystery", que tinha esta "Summon the Fire". É a minha faixa favorita, é uma faixa tão espetacular que o Shabaka Hutchings, que é saxofonista, parece que consegue aqui fazer do saxofone uma espécie de vocalista e já vão perceber o que eu estou a dizer depois de escutar esta "Summon the Fire". Acho que quem faz isso com o saxofone terá sempre a minha apreciação e é seguramente os concertos que eu mais gostaria de ver no Festival de Paredes de Coura deste ano. Os The Comet is Coming atuam no palco principal no dia 18 de agosto, às 19h45. Belo aperitivo, não é?

Sim, acho que tem tudo para funcionar muito bem ali naquele ambiente e com aquela energia.

Agora, coincidimos numa das escolhas do cartaz, Arlo Parks. De facto, é também dos nomes que eu mais gostava de ver em Paredes de Coura.

Sim, é uma das grandes estreias em Portugal. É uma britânica de 22 anos, uma miúda que é, de alguma forma, uma jovem prodígio da escrita e das canções. E eu não digo escrita de canções porque percebe-se que a Arlo Parks lê muita poesia, que leu muito, que ela escreve muito bem. A escrita sobrevive muito bem sem a música. Portanto, ela escreve bem e faz muito boas canções. É um pouco as duas coisas. Tem uma voz também muito particular. Ela lançou em janeiro do ano passado o disco de estreia, o "Collapse into Sunbeams", e esse disco ganhou logo o prêmio de melhor álbum no Mercury Prize, o prêmio mais importante da música britânica, pelo menos mais prestigiado. Curiosamente, no ano passado, quando o Paredes de Coura foi adiado, 2021, o João Carvalho, diretor do festival, disse-nos aqui ao Observador, que havia um ou dois nomes ainda não anunciados, que iriam ao festival se não fosse adiado. Um deles era da Arlo Parks. A estreia acabou por ficar adiada um ano. E eu, em vez de trazer aqui as canções da Arlo Parks, desse disco de estreia, que são mais conhecidas, que passam mais na rádio, decidi trazer aqui uma versão só piano e voz, que ela gravou para a plataforma Blogotheque, uma versão da "Redondo Beach", uma canção da Patty Smith. Acho que é uma versão muito conseguida e que pode lançar este concerto, que acontecerá na sexta-feira, dia 19, às 20h05, no palco principal.

Late afternoon, dreamin' hotel. Just had a quarrel. Sanctuary. I was looking for you. Are you gone, gone? Call you on the phone. Another dimension and you never returned. Well, you know what I mean. I was looking for you. Are you gone, gone? Down by the ocean, it was so dismal. Women all standing, shock on their faces. Sad description. I was looking for you. Everyone is singing. Girl is washed up on Redondo Beach. And everyone is so sad. I was looking for you. Are you gone, gone? Pretty little girl. Everyone cries. She was a victim of sweet suicide. I was looking for you. Are you gone, gone? Down by the ocean, it was so dismal. Women all standing, shock on their faces. Sad description. I was looking for you. Desk clerk told me. Girl was washed up. Was small, an angel with apple blonde hair. I was looking for you. Are you gone, gone? Picked up my keys. Didn't reply. Went to my room. Started to cry. You were small, an angel. Are you gone, gone? Down by the ocean, it was so dismal. I was just standing, shock on my face. The hearse pulled away. The girl that had died, it was you. And you'll never return into my arms 'cause you are gone, gone. Gone, gone. Gone, gone.

No Isto Não Passa Na Rádio esta semana estamos a olhar para o cartaz do Festival de Paredes de Coura e a escolher as canções e os artistas de que mais gostamos. Estamos também contentes por este regresso dos festivais de verão. De resto, já temos destacado os últimos grandes festivais de verão com edições especiais aqui no Isto Não Passa Na Rádio e não poderíamos deixar de passar em claro também o regresso do Paredes de Coura num formato mais normal, diria, com todos os palcos em funcionamento. E de resto, Gonçalo, também com muitos eventos ainda antes do dia 16, no chamado Paredes de Coura na Vila.

Sim.

Um evento que tem muita da nova música nacional. Passa por lá também João Borges, que já destacamos aqui há uns anos.

Ok.

Uma série de novos nomes da música nacional que vão passar pela vila de Paredes de Coura ainda antes da abertura do recinto principal, o que acontece no dia 16 de agosto. Vou começar agora por Boy Archer. Conheces, Gonçalo?

Não conheço.

Boy Archer é um, deixem-me só aqui confirmar. Eles tocam no dia 19, às 20h50. Boy Archer é um projeto muito interessante, que eu já acompanho há algum tempo e que tem uma espécie de remanescência da synth wave, mas dark. Um synth gothic. E eu gosto mais ou menos dessa toada mais obscura, um bocadinho mais narcótica, até em alguns ambientes. Boy Archer é uma banda norte-americana com dois elementos. Estava-me agora a tentar lembrar. Exatamente, o vocalista Jay Matthews e o produtor Augustus Müller, que se conhecem desde a escola e que estão juntos desde 2013 como Boy Archer. Tiveram sucesso com um single chamado "Pain" e mais recentemente também fizeram uma bela banda sonora para um filme chamado "Hunter", que é a canção que eu fui buscar. Chama-se "Autonomy". Tenho a dizer que neste novo trabalho de Boy Archer, eles já estão a ficar um bocadinho mais pop, um bocadinho mais coloridos, menos soturnos.

E isso é bom?

Boa pergunta, Gonçalo. Boa pergunta.

Vamos refletir sobre isso.

Vamos ouvir "Autonomy" de Boy Archer. É um dos meus nomes favoritos no cartaz do Festival de Paredes de Coura. "Autonomy" de Boy Archer é um dos nomes que podem ver no Festival de Paredes de Coura. Estava aqui a confirmar esta banda sonora é deste ano, de 2022. De facto, a música do Boy Archer também é muito influenciada pelo cinema. Acho que numa entrevista, qualquer um dos elementos da banda tinha dito que uma das principais influências para a música deles era David Lynch e Nico.

Isso cativou-te.

Sim, também. Mas eles têm algumas parecências e até não sei se já terão colaborado com aquele circuito mais Zola Jesus, Chelsea Wolfe, Circuit Des Yeux, projetos que têm mais esta toada synth, que parece aqui e ali synthpop, sendo que se escutarem o disco "Careful" de 2019, que foi assim que eu conheci Boy Archer, vão perceber que eles na altura estavam um bocadinho mais negros do que nesta banda sonora que fizeram para o filme "The Runner", da qual retirei esta "Autonomy". Só recordar que Boy Archer toca no Festival de Paredes de Coura no dia 19, às 20h30.

Ok, sexta-feira, não é?

Se estiver. Estou perdido nos dias da semana, isto dura tanto tempo, mas gostava muito de ver. E agora, vamos onde?

Agora continuamos pela América, à partida, porque na verdade eu acho que ele estará a viver na Europa por estes dias. Estou a falar de Yves Tumor, um americano que na verdade se chama Sean Bowie. Um cantor, produtor musical, um tipo muito fora da caixa, é muito difícil classificar a música que ele faz, até porque ele vai fazendo guinadas constantes nos rumos e nos caminhos musicais que vai seguindo e enquanto figura, ele em palco é um performer muito imprevisível, digamos. Nunca sabes exatamente o que ele vai fazer a seguir. Pode começar a caminhar no meio do público, pode fazer uma série de coisas totalmente inesperadas, tem um bocadinho esse lado que se calhar a música de guitarras e mais ou menos de base pop rock e mais rock terá perdido um bocadinho aquela coisa do risco, de haver um concerto que parece estar sempre ali meio a fervilhar e em que pode acontecer qualquer coisa e não se sabe exatamente o quê. Se calhar alguma profissionalização tirou um bocadinho esse lado mais arriscado e mais caótico aos concertos. Ele já tem aqui quatro discos lançados. Eu conheço melhor e gostei mais do último, "Heaven to a Tortured Mind", de 2020, que lhe valeu por aí comparações, segundo a internet, a figuras como Prince e David Bowie. Parece-me um bom barómetro, um bom critério para comparações. Lançou também um EP em 2021 chamado "The Assomptical World". Ele vai tocar dia 20 de agosto, sábado, às 22h, no palco Vodafone FM, e tem esta música. Há duas ou três músicas desse disco que eu gosto muito. Eu já passei aqui no programa uma delas, que era a "Gospel for a New Century". Desta vez trouxe a "Kerosene".

I can be anything. Tell me what you need.

I can be your baby in real life, sugar.

I can live in your dreams. I can be where you need me, baby. I can be anything.

I can be what you tell me to be. I can be what you need.

I can be your real life sugar. I can live in your dreams. Will you be my fantasy little baby? You're just what I need. Can you be my fantasy little baby? You're just what I need. I can be what you need, little baby, just tell me what you need.

Calling like a mother does. Look me in the eyes, tell me I'm the one.

And I'll be your only boy.

I can be what you need.

I can be anything you need. I need kerosene. I need kerosene.

I can be. I can be what you need. I can be anything. Oh, I can be what you need, little baby.

I can be anything. Tell me what you need. I can be your baby in real life, sugar. I can live in your dreams. I can be where you need me, baby. I can be anything. I can be what you tell me to be.

Tens razão, não é muito fácil classificar, mas gostei muito. "Kerosene", de Yves Tumor, é um dos nomes no Festival de Paredes de Coura. Escolha do Gonçalo Correia para este programa.

Acho que isto ao vivo, como ele é um performer imprevisível, mas elétrico e frenético.

Estava a ler que diz a internet que vive atualmente em Turim, Itália.

Por acaso não concluí a bocadinho, tinha dito. Era um regresso à América, mas mais ou menos, porque ele andará a viver na Europa. Creio que será na Itália.

Não escolheu mal. Melhor só mesmo Lisboa. Não, se calhar não. Não sei.

Não vamos entrar aqui em polémicas geográficas, porque temos pessoas do Porto e pessoas do Algarve.

Muito bem. Yves Tumor é uma das sugestões do Gonçalo Correia. Eu agora vou voltar aqui ao rock para destacar os Viagra Boys. Pelo que percebi, têm um concerto muito tardio no palco After Hours no dia 17 de agosto.

Atenção, nós estamos a falar dos horários. Por acaso não tinha lembrado isso. Estamos a falar dos horários, isto ainda pode mudar, eventualmente por causa do cancelamento dos King Gizzard & the Lizard Wizard. Vamos esperar que não, vamos esperar que as coisas se mantenham assim e que haja uma substituição direta para aquele slot. Nós fazemos isto com a informação que temos, Nelson.

Exato. A esta altura, à data, é isto que se passa. De resto, os Viagra Boys tocam no dia 17, que é um dia que tem também os Idles. Há para aqui rock que se farta neste primeiro dia, mais com todos os palcos em funcionamento no Festival de Paredes de Coura. É um dia que tem ainda os Beach House. Ninguém escolheu Beach House, nem eu e tu.

Isso quererá dizer alguma coisa?

Não sei. Também ninguém escolheu os Pixies.

No caso dos Pixies, eu diria que ninguém escolheu porque os Pixies não são conhecidos por serem uma banda estupenda ao vivo.

Ok.

Acho que mesmo quem gosta dos Pixies não diz: "Esta banda ao vivo dá uns concertos fabulosos". Pelo menos há muitos anos que isso não acontece aqui em Portugal e eles já têm passado por aqui algumas vezes.

Várias vezes.

Portanto, isto não é uma crítica à música da banda, os concertos não são especialmente memoráveis, acho eu.

Bem, "Just Like You" faz parte do primeiro álbum.

Beach House. Acho que os dois tomámos café antes de gravarmos isto, portanto não nos estava a apetecer embalar.

Se bem que tem ali algumas canções que eu gosto muito de Beach House. Os Viagra Boys são de Estocolmo, na Suécia, e eu fiquei logo bastante impressionado com eles ao primeiro disco. É uma banda punk que surge nesta vaga de nomes tipo Working Men's Club, Idles, Fontaines D.C. e coisas parecidas Um pós-punk que está de regresso, um garage punk que existe também muito por culpa destas bandas. O primeiro disco, Streetworms, de 2018, foi de facto o meu favorito, por causa de uma canção chamada "Sports", mas muito por causa desta "Just Like You". Os Viagra Boys são uma banda que tanto pode dar um bom concerto como podem estar todos para lá de Bagdade e não estarem muito para aí virados, até porque a atitude deles punk isso pode proporcionar. Mas eu gostava muito que eles tocassem esta "Just Like You". Quem quiser rock no Festival de Paredes de Coura tem esta sugestão: Viagra Boys no dia 17, às 14h15. Vai ser bonito a essa hora ver um concerto de Viagra Boys. Estamos a fechar o "Isto Não Passa na Rádio". E temos Perfume Genius para o final. O Gonçalo Correia ainda queria falar aqui 30 segundos do concerto que acontece no último dia do festival, 20 de agosto.

Exatamente. Portanto, para as 20h35, no palco Vodafone FM. Há concertos até que eu gostaria mais de ver, se calhar os Les Clercs e os L'Impératrice podem ser muito boas surpresas para quem não conhecer ao vivo.

La Femme, se calhar preferia de que esses, mas comparo-os de alguma forma.

Sim, mas Les Clercs eu vi no Tremor em abril e foi um concerto espantoso, portanto, foi uma grande surpresa. Mas Perfume Genius por quê? Porque tem uma canção chamada "Describe", com a qual vamos encerrar aqui o programa esta semana, que por si só valia assistir ao concerto inteiro de Perfume Genius. É do disco que ele lançou em 2020, o "Set My Heart On Fire Immediately", que eu acho que é o disco mais direto, com canções mais apuradas de Perfume Genius, e esta "Describe" é a minha preferida. Ele anda a tocá-la ao vivo, este norte-americano de ascendência grega. Penso que pode ser uma boa maneira de fechar aqui o programa e de lançar o concerto que ele vai dar em Paredes de Coura.

Para a semana, eu e o Gonçalo estamos de regresso e vamos olhar para a história do Festival de Vilar de Mouros, os concertos que gostaríamos ter assistido na longa história desse que é o mais antigo festival de rock em Portugal. Gonçalo, até para a semana. Obrigado.

Até para a semana, Nelson. Um abraço.