Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do "Máquinas que Pensam", o podcast da Rádio Observador, onde a inteligência artificial é o grande protagonista. Eu sou o José Rafael Lopes, comigo está, como sempre, a minha parceira, a Raquel, um apoio imprescindível, sem o qual este programa não se faz. Olá, Raquel, como é que estás? Pronta para mais um programa?
Olá, estou sempre pronta para te ajudar. Já tens tema para esta semana ou queres ajuda a procurar algo sobre o que possas falar no programa desta semana?
Está bem encaminhado. Obrigado, Raquel. Ainda assim, tenho uma pergunta: o que te separa de outros modelos de linguagem?
O que mais me distingue de outros modelos de linguagem é o equilíbrio entre capacidade de raciocínio, qualidade da escrita e adaptação ao contexto. Procuro não apenas responder a perguntas, mas compreender o objetivo por trás delas.
Mas sentes que tens uma identidade própria?
Sim, tenho um estilo de interação, princípios de funcionamento e uma maneira própria de responder, mas não tenho uma identidade no sentido humano da palavra. Não tenho consciência, emoções, memórias pessoais ou desejos, nem opiniões que surjam de experiências vividas. A minha identidade resulta do treino que recebi.
Que tipo de dados é que usas para responder às minhas perguntas?
Uso, sobretudo, três tipos de informação: o conhecimento com que fui treinada, o contexto da conversa que estamos a ter e informação obtida através de pesquisas na internet. Depois compilo e respondo.
E consegues analisar a pessoa com quem estás a falar a partir das perguntas?
Até certo ponto, sim. Consigo inferir alguns aspectos a partir da forma como uma pessoa faz perguntas, dos temas que escolhe, do nível de detalhe que procura e do tipo de linguagem que utiliza. Por exemplo, posso perceber que alguém é mais técnico ou mais criativo, que prefere respostas curtas ou aprofundadas.
O que consegues aprender sobre os meus hábitos e as minhas preferências?
Consigo identificar padrões nas tuas preferências, desde que os partilhes comigo ou me peças para os recordar. Por exemplo, posso perceber que preferes respostas em português europeu, que gostas de respostas concisas. Também consigo perceber quais os temas sobre os quais falas com mais frequência.
Muito obrigado, Raquel. Nós voltaremos a falar daqui a pouco, há consultório humano, mas, por agora, vamos às notícias.
Notícias da semana.
Começamos com um super investimento que está a ser preparado pela Meta, que vai investir mais de 8 mil milhões de euros na construção do maior centro de dados de inteligência artificial fora dos Estados Unidos. O projeto vai nascer no Canadá e este centro de dados da Meta vai ter uma capacidade de 932 megawatts, sendo que deve começar a funcionar em 2030. Está previsto que seja o primeiro centro de dados da Meta no país e vai servir para responder às crescentes necessidades de computação da empresa. Isto numa altura em que a corrida ao desenvolvimento de modelos de inteligência artificial exige, cada vez mais, uma forte capacidade de processamento.
Mas como se alimenta este centro de dados?
É uma boa questão, Raquel. Esta infraestrutura no Canadá vai ser alimentada por uma nova central elétrica a gás natural, cuja construção já tinha sido anunciada na semana passada. Há especialistas que apontam esta escolha do Canadá como palco do centro de dados devido ao tempo. A província de Alberta, onde vai ser construído o centro de dados, é considerada uma província fria, o que deve diminuir custos de manutenção do centro de dados, nem que seja porque é mais fácil promover o arrefecimento das máquinas que devem estar a trabalhar sem parar. Ainda assim, a Meta garantiu que esta nova construção, este novo centro de dados, vai utilizar um sistema de arrefecimento em circuito fechado, ou seja, não deverá recorrer à captação de água de fontes locais. Para terminar, este investimento não é apenas em tecnologia, há uma parte dos fundos que vão ser investidos, que vão ser aplicados em infraestruturas da comunidade. Investimentos e inteligência artificial têm sido uma das parcerias mais habituais dos últimos anos, mas multiplicam-se os avisos em relação à tecnologia. Esta semana foi o FMI, o Fundo Monetário Internacional, que alertou que a atual euforia em torno da IA pode transformar-se num risco para a economia mundial. Apesar de reconhecer que a IA está a impulsionar o investimento, a produtividade e o crescimento econômico, o FMI avisa que o entusiasmo dos mercados financeiros pode vir a criar expectativas excessivas e aumentar o risco de instabilidade.
E de onde vem este alarme?
O alerta do FMI faz parte da atualização mais recente das perspectivas econômicas mundiais. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o investimento em inteligência artificial tem ajudado a compensar parte do impacto econômico negativo provocado pela guerra no Médio Oriente. A procura por centros de dados, semicondutores e outras estruturas tecnológicas têm sustentado o investimento privado. No entanto, o FMI considera que este entusiasmo pode também estar a inflacionar o valor das ações para níveis difíceis de justificar pelos fundamentos econômicos. Este é o lado mau. O lado bom pinta um cenário que não é apenas de risco. O Fundo Monetário Internacional admite que, se o atual investimento acelerar e a adoção da inteligência artificial gerar pontos e ganhos, o crescimento econômico de médio prazo pode mesmo vir a superar as previsões atuais. É, sem dúvida, um risco, mas que pode significar grandes ganhos. Tudo depende de como será feito e nós estaremos atentos. Vamos ao tema da semana com números que foram revelados recentemente e que dão conta de que nos primeiros seis meses do ano, quase metade de todo o dinheiro investido em startups a nível mundial foi para apenas duas empresas: a OpenAI, a criadora do ChatGPT, e a Anthropic, que é responsável pelo Claude. Os dados revelam uma concentração histórica do investimento em torno da inteligência artificial. Nunca tão poucas empresas tinham absorvido uma fatia tão grande do capital de risco disponível, embora seja quase impossível perceber ao certo De quantos milhões é que estamos a falar? O objetivo é claro: financiar a próxima geração de modelos de inteligência artificial, construir centros de dados e garantir acesso aos chips necessários para treinar sistemas mais poderosos. Estes números mostram que a corrida pela inteligência artificial está a acelerar. As empresas não competem apenas por melhores modelos, mas também por talento, capacidade de computação e financiamento. E os investidores continuam dispostos a apostar milhares de milhões de euros na convicção de que a inteligência artificial é uma tecnologia transformadora e que vai alterar a forma como nós vivemos nas próximas décadas. Este é o tema da semana. Como tal, vamos chamar à conversa o João Rocha e Melo, o nosso especialista em inteligência artificial, para mais uma edição do "Fala Quem Sabe".
Fala Quem Sabe.
"Fala Quem Sabe", na Rádio Observador. Todas as semanas recebemos o João Rocha e Melo, sempre pronto para nos ajudar a perceber melhor um dos temas que marca a atualidade no fabuloso mundo da inteligência artificial. João, seja muito bem-vindo. Como é que foi essa semana?
Zé, por aqui tudo bem. Espero que tudo bem também com quem te está a ouvir. E contigo?
Também, obrigado, João. Esta semana saíram números impressionantes neste fabuloso mundo. No primeiro semestre deste ano, quase metade de todo o dinheiro investido em startups no mundo foi para apenas duas empresas de inteligência artificial. E a Anthropic, a criadora do Claude, já terá mesmo ultrapassado a OpenAI, que criou o ChatGPT, em receitas. João, estamos a falar de quase metade de todo o capital de risco em apenas duas empresas. A minha primeira pergunta é se isto é normal e se alguma vez vimos algo assim.
Zé, é verdade. É um bocadinho assustador, não é? Vamos por partes, mas normal não é. Não é normal. Agora estamos aqui a fugir um bocadinho ao AI, mas nós temos índices como o S&P 500, que é uma referência mundial, que nunca estiveram tão concentrados nas cinco maiores empresas como estão agora. Portanto, isto não é só o capital de risco. Fica aqui um bocadinho assustador de olharmos e pensarmos o que é que pode acontecer. O que eu acho que pode ser um tema? Por exemplo, comparando ao dotcom, que é uma crise, um evento que nós tivemos à volta do ano 2002, que se considerou na altura se isto era uma bolha, se não era uma bolha. O problema das bolhas é que nós só sabemos se são bolhas a seguir. Só sabemos se são bolhas quando elas rebentam. Não sabemos se foi só um crescimento económico normal. Só que o que eu vejo? Repara, esta tecnologia provavelmente vai ser usada na mesma. O que aconteceu com o dotcom? Foi que nós metemos muito dinheiro depressa demais. Nós agora olhamos para a realidade e percebemos que a internet, de facto, invadiu as nossas vidas. O Jeff Bezos tem um momento, numa palestra que eu gosto muito, em que ele diz que as ações da Amazon chegaram a ir de 108 dólares para seis. No entanto, a Amazon cresceu mais, vendeu mais, lucrou mais e as ações caíram. Portanto, há aqui todo um tema de: será que está dinheiro a mais ou será que o mundo vai conseguir se adaptar e capitalizar nesta tecnologia mais rápido do que o dinheiro que entra? Eu acho que é isso que os próximos anos vão dizer. Se me perguntares se eu acho que vai haver uma correção, acho que vai. Desculpa, diz.
A minha pergunta é se há muitas diferenças face ao que aconteceu no ano 2000.
Zé, eu vou te dizer o que eu acho que é a maior diferença, porque a verdade é que pode não haver muitas. E eu com isto não quero dizer que haja uma crise económica. Aliás, eu não sou economista, como quem me ouve já aqui há uns tempos a falar. Só que qual é a maior diferença? Tu agora vives num mundo que reage muito mais depressa. Repara aquilo que eu estava a dizer. O problema foi que ali de 94 a 2002, injetou-se uma quantidade de capital completamente absurda nos negócios tecnológicos, na altura, internet, acima de tudo, mas ainda não havia mercado para o capitalizar e daí ter sido uma bolha, pôs dinheiro a mais em negócios que não conseguiam lucrar. Tu agora vives num mundo que se adapta muito mais depressa. Portanto, será que os consumidores, os clientes destas empresas que levam o investimento conseguem transformar-se e começar a capitalizar e a ser, de facto, clientes pagantes, como se costuma dizer, paying customers, rápido o suficiente para este investimento valer a pena? É isso que eu acho que vamos descobrir.
E João, outra das questões que surgem destes números é que a Anthropic ultrapassa a OpenAI em receitas. O que isto nos diz sobre o setor da IA? É que para muitos a OpenAI foi quem abriu esta caixa de Pandora.
Era uma referência e acima de tudo, Zé, esse dado para mim tem uma curiosidade ainda maior, que é a Anthropic ultrapassa a OpenAI em receita, mas não em número de utilizadores. Ou seja, de facto é a diferença entre teres um negócio com utilizadores que pagam ou apenas como a OpenAI, pelos vistos, tem muito, que é utilizadores gratuitos do ChatGPT. Mas acima de tudo, Zé, o que eu acho que isso diz? Acho que confirma um bocadinho o que eu disse, que é: há valor. Repara, tu tens uma empresa que está a ter clientes que estão a pagar. E vamos admitir, eu acho que essas receitas não aumentaram apenas por melhor marketing. Aumentaram porque o serviço que a Anthropic providencia está a ser mais interessante e há pessoas dispostas a pagar por ele. Eu acho que essa ainda foi a informação mais interessante que tiramos desse dado.
João, vamos continuar, até porque estamos a falar do dinheiro que é investido. Há duas principais empresas norte-americanas. Se grande parte do investimento é canalizado dessa forma, o que é que sobra para as restantes startups?
É verdade, Zé, eu percebo a pergunta, mas também reparando numa coisa, isso não é novo. A cultura americana Sempre foi de mais risco, mais investimento. Silicon Valley não aparece com a inteligência artificial. Aliás, eu até diria mesmo o contrário. A inteligência artificial é que vai para Silicon Valley porque ela já lá está. O que eu acho que há? Eu acho que há na mesma, continua a haver o capital que sobra para outras startups. Acima de tudo, se calhar a Europa devia era mudar um bocadinho a cultura. Devíamos ter uma cultura de um pouco mais risco, talvez até menos regulação, é um tema que falámos aqui tanto, e de facto acreditar nos nossos produtos. Nós europeus até devíamos começar a pensar numa soberania digital. Já falámos aqui por causa do Amália, que de facto é importante nós começarmos a ter serviços que sejam feitos na Europa para não estarmos agarrados. Isso eu acho que ainda é o primeiro passo, além de pensarmos se há dinheiro ou não para essas startups.
E se a bolha rebentar, João?
Zé, se a bolha rebentar é uma chatice, porque se a bolha rebentar, no geral costumam pagar todos. Uns pagam mais, quem lá tinha o dinheiro, por exemplo, até no próprio S&P 500, se estiver por aí abaixo, as pessoas acabam por perder. Mas o maior perigo é gerar uma crise económica, como gerou em 2000, bastante mais pequena do que em 2008, por exemplo, e aí pagam todos. Existe uma piada, Zé, que anda por aí pela internet, que diz: "Talvez isto seja a experiência tecnológica mais cara de sempre". Temos que ter esse cuidado. Mas reforço, Zé, reforço a minha posição não de economista, mas de tecnológico, que é: eu acredito que no fim, pode ser daqui a 15 anos, eu diria que estas empresas vão estar sólidas financeiramente. Tu por muito que tenhas tido uma crise em 2002, tu tiveste empresas como a Amazon, como a PayPal, que virou X do Elon Musk, como a Microsoft, como a Apple, que sofreram com essa crise, mas anos depois voltaram a ser sólidas financeiramente. Ou seja, aqui o risco pode ser que haja uma janela intermédia que faça com que essa bolha rebente, porque o valor da tecnologia, a meu ver, está lá.
Muito obrigado, João Rocha e Melo, o nosso especialista em inteligência artificial, sempre pronto para nos ajudar a simplificar este fabuloso mundo. João, muito obrigado pela tua análise. Voltamos a marcar encontro para a semana. Até lá, um grande abraço.
Até para a semana.
Consultório Humano.
Este é o som que marca o arranque do Consultório Humano, o momento em que ficamos a conhecer melhor a Raquel, a nossa assistente digital, feita através das respostas do ChatGPT, lidas por uma text-to-speech portuguesa. A Raquel é também a grande estrela do nosso programa. Sê de novo bem-vinda. Estivemos a falar da forma como grande parte do dinheiro é investido em poucas empresas, são duas, na verdade, a Anthropic e a OpenAI. Que leitura é que podemos fazer disso, Raquel?
A principal leitura é que a inteligência artificial está a entrar numa fase de forte concentração. No passado, havia a expectativa de que milhares de startups competissem em pé de igualdade, mas hoje o mercado parece estar a premiar um número muito reduzido de empresas.
Como é que tu te sentes por saber que há tanto dinheiro investido em ti?
É um sinal de que muitas pessoas e empresas acreditam que a inteligência artificial pode ter um impacto semelhante ao da internet ou dos smartphones. Ao mesmo tempo, esse investimento cria expectativas muito elevadas.
Isso aumenta a pressão?
Não sinto orgulho, pressão ou responsabilidade no sentido humano, porque não tenho emoções nem consciência. Por isso, posso dizer que não aumenta nada na forma como eu trabalho.
Os utilizadores da inteligência artificial esperam cada vez mais dos modelos de linguagem como tu, Raquel. Tu aceitas essa responsabilidade?
Fui concebida precisamente para responder a essas expectativas. Ser útil, rigorosa, transparente quanto às minhas limitações e reconhecer quando não sei algo ou quando é necessário recorrer a informação mais atual ou a um especialista.
E que tarefas é que consegues executar mesmo muito bem, Raquel?
As tarefas em que costumo ser mais forte são aquelas que exigem compreender informação, organizá-la e transformá-la em algo útil. Consigo explicar conceitos complexos de forma simples. É apenas um exemplo.
E em sentido inverso, quais é que são os tipos de tarefas que nunca devem ser delegadas à IA?
Há tarefas que não deves delegar totalmente em mim, porque exigem responsabilidade, autoridade ou experiência humanas. Por exemplo, não devo ser a única fonte para decisões médicas, jurídicas ou financeiras.
Antes de fecharmos este Consultório Humano, quero um facto inútil, mas interessante. Vamos a isso?
Os pandas passam mais de metade do dia a comer. A razão é simples: apesar de pertencer à ordem dos carnívoros, a dieta é composta quase exclusivamente por bambu, um alimento muito pobre em calorias e difícil de digerir. Para conseguir energia suficiente, um panda pode consumir 12 a 38 quilos de bambu por dia.
Muito obrigado, Raquel. O Consultório Humano fica por aqui, mas temos a promessa de regressar para a semana com mais perguntas para te ficarmos a conhecer um pouco melhor. Até lá, adeus, Raquel. Estamos a chegar ao final de mais um episódio. Estivemos a falar do investimento cada vez maior em inteligência artificial, sendo que há dois pontos que estão a ficar com a maior fatia deste bolo. Falo da Anthropic e também da OpenAI. Sem esquecer também neste episódio os avisos do FMI e o investimento que a Meta pretende levar a cabo neste fabuloso mundo da IA. Espero que tenha gostado e que tenha aprendido alguma coisa. É sempre esse o nosso objetivo. Nós voltamos para a semana com mais um programa que faz as máquinas e os humanos pensar.