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Estavam tão afinadinhos vocês neste dia, ainda bem que eu estava de férias. Eu já sei quem é que gravou.
Quem é que gravou? Não.
Está bem, é daqui.
Olha que alguém quer levá-los a tribunal.
Rita Camarneiro, bom dia. Muito bom dia, tudo bem? Terça-feira, o pior dia da semana. Não, o pior é quarta. Pior é quarta?
Mas hoje é quarta ou é terça?
Eu acho que é terça.
Hoje é terça.
Para mim o pior é quarta. Eu acho que ainda falta muito.
Menos quando é sexta. E segunda?
Eu gosto de segunda, eu gosto de começos. É tipo setembro. Segunda é o setembro da semana.
É o setembro semanal.
É mesmo.
E qual é que é o fevereiro?
Fevereiro é terça. Pois.
Pronto, está bem, vamos lá.
Hoje vamos partir daqui mesmo, de Alvalade, e é só um saltito ali até às redes sociais do candidato Francisco Costa, pela coligação Viver Alvalade, em que fez um vídeo onde num minuto falou do seu percurso académico, do estado civil, filiação, ainda sobre os seus ancestrais. Vamos então conhecê-lo e conhecemo-lo pelos avós.
Os meus avós quando casaram, no dia do seu casamento, vieram viver para aqui, para a Conde de Sabugosa, e aqui viveram os primeiros 10 anos do seu casamento. Foi aqui que a minha mãe nasceu e viveu no início da sua vida.
É tudo neste tom acelerado porque sei que é um minuto. Sim, é incrível a quantidade de informação. Ótimo, Francisco, e tu, conta-nos.
Eu sou Francisco Costa, nasci como a maior parte dos lisboetas, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, estudei dos 10 aos 18 anos aqui na freguesia de Alvalade. Tenho 39 anos, sou arquiteto, sou pai de dois filhos.
Assim, o Francisco Costa vai alargando a informação, não vá alguém querer fazer uma página da Wikipédia.
Já até parece que é o caso. É um bom desafio. Vamos fazer uma página da Wikipédia para o Francisco. Bora?
Bora. Mas e as propostas, Rita, queremos saber. Exatamente. Queremos, vamos ouvir algumas.
Uma freguesia onde seja seguro para todos atravessar uma passadeira em segurança e que ofereça um lugar à sombra em todas as ruas. Uma freguesia onde os autocarros andem mais rápido e passem mais vezes. Um Alvalade com menos ruído, onde todos consigam dormir.
Boa sorte nisso.
O Francisco vai tirar o aeroporto da Portela.
Então é assim, ele quer passar na passadeira sem morrer, quer sombra, quer autocarros a circular.
A andar rápido.
E rápido, e quer que os aviões deem a volta por outra freguesia. Não sei como é que se silenciam aviões.
Ali pelos Olivais.
Ou tirá-los todas as noites em Campo Tourique também. Ou deixar as pessoas caírem com paraquedas.
Acho que é uma boa solução.
Às vezes vocês não sentem isso quando passam por cima da vossa casa, "Epa, ficavas já aqui."
"Olha, importa-se parar aí, por favor."
Mas vamos para outro lado, vamos deixar Alvalade. Mas assim do pé para a mão? Sim, porque vamos até Tomar. E toda a gente sabe que quando vamos a Tomar, deixamos Lisboa para trás. Para quem vem do sul, claro. Vamos conhecer o presidente da Câmara, Hugo Cristóvão, que à semelhança do Francisco, também fala do seu percurso profissional, tem algumas falhas de memória.
Profissionalmente, desde a adolescência que fui trabalhando, tendo alguns biscates, como se diz, na restauração, na construção civil, montei computadores para uma grande empresa. Fiz muitas outras coisas que já nem me lembro bem.
Tinham cheiro tanto que já nem lembras. Dá a ideia que o seu 20º trabalho foi um esquema pirâmide de revenda de cosmética. Mas ele também partilha o que faz nos seus tempos livres.
E o que o Cristóvão faz nos seus tempos livres?
Costumava ser ler livros, ver cinema e ouvir música, eram os meus principais hobbies, mas desde de me tornar autarca, esses hobbies tenho muito pouco tempo para eles e portanto, sempre que posso, tenho um bocadinho de tempo livre, dedico um bocadinho ao meu quintal e algo nas bricolagens.
Eu não sei quanto a vocês, mas tratar do quintal e fazer bricolagens parece-me algo que demora muito mais tempo do que ouvir uma música ou ver cinema, porque isso pelo menos pode fazer com a mulher e filhos, ao contrário das bricolagens, que toda a gente sabe, podem demorar anos.
Eu acho que essa é a ideia, Rita. Não sei se percebeste, mas eu acho que ele quer afastar-se da família.
Sim, eu cheira-me que o Hugo arranjou uma desculpa para poder estar sozinho em casa, construiu uma man cave e assiste aos vídeos do Rui Unas enquanto fuma um charuto. Mas também pode ser só um pressentimento.
Rita, cheira-me que estás a tirar conclusões precipitadas.
É possível, Luís. Mas vamos então conhecer a sua oposição. Trata-se de Tiago Carrão, candidato da Coligação Aliança Democrática e é também muito ativo no TikTok, onde apresenta de forma muito formal todos os seus colegas nas listas. E reparem na pompa.
O Joaquim é o presidente da JSD, mas mais do que isso, é um jovem empreendedor. O Manuel Carlos é uma referência em Tomar, advogado há mais de 40 anos. O Ricardo é exemplo de uma nova geração de líderes em Tomar. A Patrícia Caetano é tomarense de alma e de coração, e é de uma energia contagiante, energia essa que traz para a nossa candidatura e é um exemplo de excelência e de respeito.
São todos espetaculares.
Não era bom termos assim alguém a falar de nós. Grande equipa. Embora ele seja sempre muito formal e bajulador a apresentar as pessoas, no final, cada convidado é obrigado a dizer: "É agora, Tomar."
"É agora, Tomar?"
"É agora, Tomar."
É melhor do que Tomar agora.
Não, é agora, Tomar. Seguido logo dele a dizer, e eu fiz uma compilação que ninguém pediu.
É agora, Tomar. É agora, Tomar. É agora, Tomar. É agora, Tomar. É agora, Tomar. É agora, Tomar. Obrigado. É agora, Tomar. É agora, Tomar.
Está ali um obrigado pelo meio. Sim, porque houve alguém que se esqueceu de dizer é agora Tomar. Eu fiz esta compilação porque pode sempre ser usada para desportador, para não nos esquecermos de tomar um comprimido diário. Não sei se vocês tomam algum comprimido diário, mas é agora Tomar.
Já quero saber demais.
E antes de irmos a Santarém, passamos por Madalena e Bezelga, também em Tomar, onde o candidato Pedro Nuno Gaspar dos Santos. É assim, aí meteu o nome todo. Pedro Nuno Gaspar dos Santos quer muitas coisas e ainda arranja bife com 100 soldados.
A freguesia de Madalena e Biselga tem 15 km de extensão. A população está a diminuir. Sem Soldos leva com todos os benefícios. Esquecemos que existe uma grande freguesia inteira que fica ao abandono. Precisamos de estradas limpas, apoio à natalidade, precisamos ter internet fibra em todas as aldeias da freguesia.
Dem internet, por favor, já que o apoio à natalidade pode ser difícil em Madalena Biselga, pelo menos uma internet rápida é o mínimo.
Eu acho que temos aqui um potencial conflito entre Madalena Biselga e Sem Soldos.
E Sem Soldos. Sim, compreensivelmente.
Uma guerra.
Vamos agora deixar Tomar de lado e descemos até Santarém.
Essa frase ficou um pouco estranha.
Sim, desculpa, mas é o que é.
Deixa Tomar de lado por agora.
E descemos até Santarém para conhecer o candidato pelo Chega, Pedro Correia, que se depara com uma situação chata no jardim interior.
A passar por este jardim interior, ninguém adivinha que num dos prédios funciona um posto da GNR. Sim, o posto da GNR de Benavente, sede de conselho, está instalado num apartamento adaptado.
Um apartamento adaptado? Normalmente é adaptado a pessoas com mobilidade reduzida. Para adaptar à GNR já requer outro tipo de coisas, tipo graxa para as botas, atacadores, um cavalito ou outro.
É, o estacionamento para o cavalo.
Sim, para estacionamento. Ele continua e vai falar disso mesmo.
Durante as visitas que fiz, os guardas acotovelam-se em espaços de seis, sete e oito metros quadrados. A sala de reuniões é o alpendre adaptado nas traseiras, com vista para um parque de viaturas avariadas, com muros prestes a recair. E as camaratas que ficam por cima, as quais não me deram a conhecer, não têm condições, são simplesmente vergonhosas.
Ele ficou triste. Não conheceu as camaratas.
A questão do muro vai cair pela segunda vez.
Está prestes a recair.
Diga-me uma coisa, se um muro a recair é provavelmente a forma mais poética de um muro cair. O muro não cai. O muro teve uma recaída. E também achei graça os agentes não terem deixado o Pedro entrar nas camaratas. Já estou a imaginar os agentes: "Ó Pedro, tenha lá paciência, mas no quarto não entra."
Está tudo errado. Já não cabe aqui mais ninguém.
Com os sapatos na rua para morar, será? Bom, e foram os momentos de glória de hoje.
Rita Camarate.
Vamos de Alvalade a Mar.
De lado.
Vamos deixar de lado.
Tomar a Alvalade.
Para trás.
Ia dizer Paulo.
Não.
Tomar Borluí.
Até amanhã.
Até amanhã.