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Hoje vamos entrar em estúdios de televisão. Parece-vos bem? Bora lá!
É sempre bom.
É sempre bom. No caso, é quando os jornalistas têm de lidar com situações exigentes. A Alberta Marques Fernandes está a moderar um debate com vários políticos e tem um irritante, que é o Pedro Pinto.
Rodrigo, ouve-se muito aqui falar do almirante da Marinha. Desculpe, deixe-me dirigir o debate.
Eu fui muito simpático e civilizado e deixei o camarada falar até ao final, dizendo que assim falava eu. E agora já passou pela gente e eu não falo até ao final?
Ainda não passou. Mas já vamos confessar que eu também sou simpática e civilizada. Vamos ouvi-lo. Só que eu agora gostaria de ouvir o Rodrigo.
Nunca mais sou simpático.
Não me diga isso. Já viu que a seguir é muito melhor do que não ser simpático.
Vou comentar isto.
Hugo, agora não, porque senão o Pedro Pinto dá cabo de mim. Faça o favor.
Foi assim. Mas não deu cabo da Alberta, correu tudo bem. Aliás, para quem acha que o Chega é que vai contaminar o debate político, eu sugiro agora um mergulho na memória. Vamos começar por mergulhar até 2006, SIC Notícias, Mário Crespo entrevista Valentim Loureiro a propósito de casos de corrupção no futebol português.
Não se deve mais-
Eu ouvi-o dizer isso.
Você não ouviu. Você não deve ter ouvido.
Eu ouvi.
Mário Crespo.
Diga, por favor.
Eu disse, ainda ninguém me desmentiu, que há empresas da comunicação social que devem balúrdios ao Estado, e essas é que vocês as deviam denunciar, porque também fazem concorrência desleal àquelas que pagam.
Não o ouvi dizer que o senhor está empenhado e vai empenhar todo o seu crédito, toda a sua reputação, em aprofundar esta investigação que está a lançar um mau nome sobre o futebol português.
Se o Mário Crespo não ouviu, é surdo.
É uma hipótese médica que eu não creio que o senhor seja qualificado para fazer, mas é sempre de considerar.
Eu disse há pouco que o melhor serviço que o Procurador-Geral da República podia prestar ao futebol era acelerar os processos para tudo clarificar e separarmos o trigo do joio.
Sim, mas eu não o ouvi dizer que o senhor ia participar empenhadamente nessa investigação. Vai participar? Eu faço-lhe a pergunta deste modo: vai participar?
O senhor faz uma pergunta cuja resposta, naturalmente, é óbvia, mas o que é que eu posso fazer para participar disso?
Mas é bom anunciá-lo, senhor major.
Dá-me licença.
Faça favor.
O senhor não percebe nada do que está a dizer. Mas eu tenho algum poder ou alguma capacidade de intervenção, em ir fazer denúncias para a Procuradoria-Geral da República ou intervir nos processos sem ser chamado?
Tem.
Como?
Como o assistente num processo, senhor major.
Como? Diga, qual assistente? Eu sou assistente?
Não, poderia ser, se quisesse.
Como?
O senhor é um porta-voz de uma organização importante.
Mário Crespo, deixe-me que lhe diga com toda a clareza. Francamente, julguei que o senhor pensava melhor as coisas e não dizia coisas tão eiras e levianas como está a dizer.
Isto foi só um pedacinho. É um clássico. Foram mais de 10 minutos de entrevista, sempre nestes termos, até mesmo ao fim.
Caso venham a surgir provas concretas de qualquer eventual irregularidade, o senhor nessa altura poderá rever essa sua posição e participar?
Dá-me licença, mas qual é a minha posição?
Essa sua posição de aguardar, ver e não se constituir voluntariamente como assistente no processo.
O senhor põe uma questão. Mas constituir-me como assistente por quê? E por que motivo?
Porque o senhor foi eleito para representar o futebol profissional em Portugal e esse mundo está a ser seriamente questionado, senhor major.
E quer mais do que aquilo que eu tenho feito, de vir aqui exatamente à SIC, de ter ido à RTP, de ter ido ao Procurador-Geral da República? O senhor quer que eu faça mais alguma coisa?
Não, eu só tenho a agradecer o ter vindo ao nosso estúdio.
Tem a agradecer e deixe-me o aviso que eu futuramente, sendo o senhor entrevistador, eu volto cá.
Muito obrigado, senhor major. Eu tenho imensa pena, o senhor é um ótimo entrevistado.
Sou, mas não estou de acordo consigo.
Muito obrigado, senhor major. Muito boa noite.
Grande Mário Crespo. Foi intenso?
Foi.
Acham que Valentim Loureiro foi um animal feroz?
Hoje, como é que o senhor vive? Como é que o senhor paga as suas despesas?
Isso é uma coisa inacreditável, que me pergunte isso. Talvez a resposta fosse mesmo dizer: "Desculpe, e o que o senhor tem a ver com isso?" O que é que o senhor tem a ver com isso, Victor Gonçalves? Isso é uma pergunta de um jornalista? "Como é que paga?" É a pergunta do Correio da Manhã?
Isto parece sempre sketch. Vamos agora até 2009. TVI, Manuela Moura Guedes e Marinho Pinto, o então bastonário da Ordem dos Advogados.
O senhor está a pôr em causa o processo disciplinar feito pelo magistrado.
Não, eu estou a falar em que estamos a criar uma sociedade de bufos em Portugal, como aconteceu com Fernando Charrua numa cobertura particular.
Então é um bufo.
Por quê?
O senhor vem para a praça pública dizer que há advogados que fazem crimes, que praticam não sei o quê, que fazem não sei para quê mais.
Para combater os maus advogados que há dentro da classe.
Pelo amor de Deus!
Para combater os maus advogados que há dentro da classe.
Era para ser uma entrevista, mas no fundo tornou-se noutra coisa.
O senhor também não está a fazer muito pelo nome da sua classe.
Isso é a sua opinião. Você é que poderia também fazer um pouco melhor, talvez melhor jornalismo do que o que faz aqui.
Olhe, senhor doutor.
Percebe? Eu tenho o direito de me julgar nesse aspeto também. Podia ouvir mais objectivamente nesta questão da Ordem. Podia ouvir outras pessoas além daquelas quatro que ouve sistematicamente.
Estamos a ouvi-lo assim, quer coisa melhor?
O senhor está aqui sistematicamente a fazer acusações. Você está aqui a fazer um julgamento disfarçado de entrevista, que é o seu estilo.
Estou só a fazer perguntas.
Não está a fazer perguntas. Você não fez perguntas, você fez afirmações e condenações sumárias. Isto é o péssimo jornalismo que você faz.
Olhe, senhor doutor, o seu jornalismo enquanto era jornalista é que eu não o conheço.
Não, eu conheço o seu pelos piores motivos.
Até fico cansada. Vamos reter aqui devagarinho.