Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Que saudades! Mas está de volta o Momentos de Glória e traz Cotrim de Figueiredo, candidato presidencial apoiado pela Iniciativa Liberal. Ele veio de Bruxelas diretamente para aquilo que parece ser uma feira, não sei se é medieval. Parece ser uma daquelas feiras com barraquinhas, comes e bebes.
Comes e bebes.
Exato. E isto para convencer os portugueses a votarem em si. E ele está muito preocupado com as novas gerações.
Estas gerações estão tramadas de uma maneira que nós nunca estivemos. Nós conseguíamos comprar uma casa, com 10 vezes o salário médio anual. Hoje, 20 não chega.
Sei lá, antigamente uma casa era baratíssima. Saía-se de casa, e tropeçava-se noutra casa e comprava-se logo outra casa. Agora, meus amigos, é impossível. É preciso realçar que Cotrim de Figueiredo diz isto enquanto segura dois copos de cerveja. Vocês sabem quando vamos aos festivais de música e somos os responsáveis por ir buscar bebidas? Cotrim de Figueiredo estava assim.
Foi apanhado ali na curva.
Estava. Olha aqui um eleitor, mas agora o que eu faço aos copos? O que cria uma certa dissonância cognitiva entre o discurso de economista e o aspecto de empregado de balcão de uma tasquinha.
Eu não sei. Cada um sabe de si. Eu sinto-me mal. Eu sou do género de, se eu posso, enquanto aguentar, eu vou ajudar quem vier a seguir a mim.
Ele é assim, não sabe. Cada um sabe de si.
Isto é conversa de festival.
Não é? Eu também achei.
E a musiquinha também é ótima.
A música, maravilha. Ele veio para se sacrificar pelas novas gerações e enquanto aguentar vai dar tudo. E nesta estação de pré-campanha, ele já conseguiu, pelo menos, ganhar um voto, um.
Obrigado. Fazemos por isso.
Está decidido.
Decidiu agora? Nesta instante? Sem lhe pagar mais um copito? Muito obrigado. Pela parte da confiança que me toca, agradeço.
Viram como Cotrim ficou espantado por conquistar o voto de uma eleitora sem ter de pagar mais um copito.
Os outros candidatos que se ponham a par.
Ele não estava mesmo à espera. A ideia original devia ser de pagar copos aos portugueses até eles votarem em Cotrim de Figueiredo, mas afinal poderá não ser necessário, não terá de gastar assim tanto. E de uma feira algures no país para um restaurante chic a valer em Coimbra, Cotrim passa do candidato popularucho ao candidato do stand-up. Muito forte nos trocadilhos.
Estava aqui num restaurante em Coimbra e estava a pensar, quando me perguntarem se esta foi uma campanha esclarecedora, eu quero poder responder que sim, foi. Portanto, hoje vou fazer um esclarecimento sobre o significado dos pratos portugueses. Por exemplo, o queijo curado não quer dizer que tenha estado doente. A francesinha não é uma pequena francesa. O bitoque não é uma coisa que tenha que se tocar duas vezes. O prego não é uma coisa que precise de um martelo. O que temos mais? Sobremesas. Barriga de freira não é uma freira que estou mal. A única coisa que tenho a dizer é que o hambúrguer é mesmo hambúrguer, não é o cidadão morto. Este esclarecimento é particularmente importante para aqueles candidatos que costumam trocar os nomes das coisas em português e em estrangeiro.
A punchline era o hambúrguer, não é?
Não era preciso explicar.
O tempo que demorou até lá chegar.
O tempo que demorou e as piadas que fez, meu Deus. Pronto, o queijo curado não estava doente, o prego não precisa de martelo, mas isto foi quase um prego no caixão da candidatura de Cotrim de Figueiredo. Só falta mesmo aquela do alho e do bacalhau. Pode ser que da próxima vez que Cotrim de Figueiredo for a uma feira, medieval ou não, vá acompanhado do pequeno Saúl e se juntem os dois para cantar isto.
Eu nunca esperei ouvir isto aqui.
Eu também não. Foi uma surpresa completa.
Não me chamaram para isto.
Foi uma surpresa completa. Eu peço desculpa aos ouvintes que estão mesmo a ouvir a Rádio Observador. A culpa foi de Cotrim de Figueiredo, que esteve muito forte nos trocadilhos.
Nota-se.