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Questão muito importante, a mais importante do dia: como é que cresce o fascismo?
Ou estão perdidos em relação a isto, ou mais sem perceber. Os outros adaptaram-se e, portanto, estão mais participativos, mais pais a fazerem as tarefas ditas históricas das mulheres. E depois há os outros, os mais novos, que como se sentem acossados sem perceber e já nasceram numa fase em que as mulheres estão empoderadas, vão para os fascismos. É assim que as relações estão.
Os mais novos ficam confusos, sentem-se acossados, diz Catarina Furtado, e vão para os fascismos. Deve ter sido esse o caso do cidadão que andou a retirar cartazes da estátua de Dom Pedro IV.
Por que está a retirar os cartazes?
Outra vez, minha senhora?
É só para as pessoas perceberem.
Eu sou polícia?
Já teve problemas com este homem?
Com qual homem?
Com o jovem colombiano.
Jovem de lado nenhum. Eu vi a comunicação social a faltar ao respeito às autoridades e não gosto disso.
Até então era polícia na esquadra da PSP do Martim Moniz.
Minha senhora, tenha paciência.
"Tenha paciência, minha senhora." E ficamos sem saber a profissão deste homem.
Se é polícia.
Se é polícia ou não, ou o que é que faz na vida, mas sabemos que nem todos os heróis usam capa ou máscara, porque isto foi uma ação digna do Batman ou do Homem-Aranha. Ele não usava capa nem máscara, usava mais um fato de quem foi ao casamento de um primo num salão de festas em Paio Pires. Este senhor também é bilingual.
Porque eu te vi na televisão. Estavas faltando ao respeito à autoridade portuguesa.
Em nenhum momento.
E eu não te admito. A jornalista te perguntou o que estavas escrevendo. E tu faltaste ao respeito às autoridades portuguesas. Ok?
Ok.
Se quieres estar aqui, comporta-te.
Comporta-te, hombre. E como é que os políticos reagiram à ação deste cidadão?
Máquina. É isso mesmo.
É isso mesmo. André Ventura gostou muito.
Não podem vir para aqui atacar a polícia, vindos de fora, da Colômbia, do Brasil, do Paraguai, de onde vierem, para destruir o nosso país com droga, arruaceiros, vândalos. Máquina. Tiro o chapéu a este senhor. É assim mesmo. Querem estar neste país? Cumpram regras, comportem-se, senão, embora daqui.
Pensei que ia dizer "hala".
"Hala que se vai estar". Comporta-te. Mas não é só André Ventura. Este cidadão tem outros fãs na política.
Muito me espantei hoje quando vi um cidadão português aí junto das manifestações, recolhendo cartazes que estavam mal expostos, mal colocados no nosso património, e a preocupação dos jornalistas era saber se aquele senhor com comportamento cívico pertencia a algum partido.
Aquilo foi um comportamento extraordinariamente cívico. Quem tem muitos fãs é a Ana Moura, que foi às manifestações e ficou muito emocionada.
Por volta da 19h30 as pessoas começaram a formar um cordão humano e eu nem me apercebi. De repente olhei e já estava o cordão formado e eu olho e as primeiras pessoas que estão na linha da frente são miúdas com os braços tão fininhos quanto os meus, ali de mãos dadas, de olhos brilhantes.
Com os braços tão fininhos quanto os meus, as magras. Que manias. Já outros cidadãos tiveram experiências menos positivas nas manifestações.
Fui agredido. Eu fui acordado, completamente ressaltado, não sabia o que estava a acontecer. Levantei-me para falar com o PSP, a perguntar o que estava a acontecer, levei com uma batida no focinho. Que é mesmo essa a palavra. Ele não me deixou falar, levei com um bastão logo na cara, veio aqui no maxilar, que está-me a doer até agora. E eu só estava a fazer uma pergunta. Eu pergunto: o que é que o PSP é?
"Eu só estava a fazer uma pergunta", diz ele.
Levantei-me.
"Levantei-me ressaltado." Mas isto há perguntas e perguntas.
Deixo a pergunta final: já algum jornalista perguntou aos manifestantes de que partido é que são?
Isto é que ninguém perguntou. Isto ninguém pergunta.