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Confesso que já estive mais animado.
Sim, desta vez não dançaste.
Não dancei. Há aqui qualquer coisa. Mas já estamos lançados para a segunda volta das presidenciais. Mas há dúvidas que importa esclarecer. Bruno Nunes, do Chega, no programa Linhas Vermelhas da Sic Notícias, fez a pergunta para a qual toda a gente quer uma resposta.
E vamos perceber que passaram duas forças políticas que têm representação. Eu não sei se representa totalmente o Partido Socialista. Eu acho que uma das perguntas importantes no dia de hoje é perceber, no meio daquelas chamadas todas, mais importante do que a chamada de Marcelo Rebelo de Sousa, é saber: António Costa ligou ao homem ou não?
Aí está.
Houve chamadinha ou não?
Ligou ao homem ou não? O homem é António José Seguro. Será que a Polícia Judiciária estava a fazer escutas e saberemos daqui a uns tempos o conteúdo, se houve chamada e o conteúdo da chamada? António José Seguro já disse que não houve chamada, ainda não houve chamada, ainda não falou com António Costa. Mas Bruno Nunes deixou a dúvida no ar. Miguel Prata Roque, que estava no programa, do PS, não gostou muito, não da dúvida em si, mas da expressão.
O homem era dispensável. Mas não é um homem? Sabe qual é o problema? É que há homem e há uma mulher.
Está a ver? É por isso que vocês ficam em segundo.
Não, ouça, é por isso que estamos à vossa frente.
E é por isso que não têm o apoio do resto da direita.
Isto de repente escalou, mudou muito rapidamente. Bruno Nunes pergunta se António José Seguro é ou não é um homem. Prata Roque diz que é por isso que ficam em segundo. Bruno Nunes riposta: "É por isso que ficamos à vossa frente." "Mas é por isso que o Chega não tem o apoio da direita", diz Prata Roque. Mas há ainda outra razão, segundo Prata Roque.
É que vocês não se sabem comportar à mesa.
Ouça, quem não se sabe comportar é você, porque eu estou a falar abertamente e você já está com ataques pessoais. Portanto, é um homem.
O senhor é que está a ser deselegante.
Como o Miguel, ou homem. Da mesma forma que eu me dirijo a si como homem, existe homem e mulher. Portanto, não é essa a questão e não foi com qualquer sentido pejorativo, nem de falta de educação. Se acha que o é, lamento, é um problema que é seu. Mas você fala pelos portugueses, está a legitimar isso? O meu candidato teve 31%.
Falo claro.
"Falo claro pelos portugueses, o meu candidato teve 31%. Portanto, eu falo pelos portugueses", disse Miguel Prata Roque. Estávamos já a discutir a importância da etiqueta nos resultados eleitorais e a importância de saber comportar à mesa. Mas afinal, será que só António José Seguro e André Ventura é que foram vencedores na noite eleitoral? Rui Rocha, o antigo líder da Iniciativa Liberal, acha que não.
Os meus parabéns. Parabéns ao Jorge Pinto, que ficou atrás de Manuel João Vieira. Parabéns ao António Filipe, também teve menos do que Tino de Rans teve em 2021. E muitos parabéns à Catarina Martins, uma das grandes vencedoras da noite.
Nota-se que está a ser um bocadinho sarcástico.
Um bocadinho só.
Mas o Público também achou.
Ou será que...
Catarina Martins ganhou.
Mas é exatamente isso que nós vamos esclarecer. Por que Rui Rocha estava a falar desta maneira? Seria sarcasmo? Teria vindo ele de outro planeta?
Um extraterrestre que chegasse hoje a Portugal, provavelmente estacionava a nave espacial e a seguir ia ler os jornais para saber o que se passa no país. Ora, uma extraterrestre que lesse hoje o Público ficaria a saber que Pedro Nuno Santos e Catarina Martins são vencedores da noite eleitoral. Ó senhores jornalistas do Público, Catarina Martins teve em 2026 menos 4 mil votos do que Tino de Rans teve em 2021.
Ora aí está. Tino de Rans. Eu gostei do início.
Como a Manta Verde.
Calma. Eu gostei de imaginar um extraterrestre a chegar ao planeta Terra.
A estacionar é que é mais difícil.
A estacionar. Fez-me lembrar logo a canção do Senhor Extraterrestre, um fado escrito por Carlos Paião para a Malha Rodrigues.
Mas é muito difícil estacionar hoje em dia, coitado.
É muito difícil, mas este extraterrestre estacionava e qual era a primeira coisa que ele ia fazer? Ia comprar o jornal Público para saber o que se passava no mundo. Por falar em extraterrestres e porque ele, Rui Rocha, falou também em Tino de Rans, bateu-me uma saudade de Tino de Rans e de quando ele irrompeu na política portuguesa há quase 30 anos.
O meu irmão, no dia 24 de dezembro de 1992, à mesa de Natal, que estava atarracado de tortinhas com azeite e com bacalhau, me disse: "Mãe, o Tino é a única pessoa capaz de dar alguma dignidade à nossa terra, de fazer com que os ranenses se sintam ranenses e pôr a nossa terra no mapa." E eu naquela altura ria-me e dizia: "Neca, por amor de Deus, o que eu quero é beber uns copos, dar uns chutes numa bola." É isso que qualquer jovem naquele tempo queria, menos fazer política.
Não dá para trazer o Tino de Rans para a segunda volta. Eu acho que devia haver um wild card, um convite para a segunda volta para Tino de Rans.