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Está no ar o Momentos de Glória. Vozes afinadas, afinadíssimas.
Afidadas. E agora vamos afinar o vosso politiquês. O que é que diz um candidato quando a sondagem do dia não lhe é favorável? As sondagens valem o que valem.
A verdadeira sondagem é a dia das eleições.
Muito bem.
No fim.
Eu não comento sondagens.
É também uma hipótese. Aqui está. Tinha acabado de sair uma sondagem que pela primeira vez não colocava o almirante em primeiro lugar. Gouveia e Melo, bem, não deu qualquer importância ao resultado, ou se calhar até deu.
Na realidade, há quatro empresas de sondagens, três dão-me sempre à frente e com alguma distância, normalmente acima de 6% do segundo, e uma faz o inverso. Portanto, eu pergunto, e assim eu vou-lhe a pergunta: em qual delas é que eu acredito?
Pois. A pergunta fica no ar.
Ainda bem que faz essa pergunta, senhor almirante.
A verdade é que os candidatos já andam no contacto direto com os eleitores. João Coutinho de Figueiredo esteve a falar com um jovem para as redes sociais e era aquela discussão: por que os portugueses parece que são melhores a trabalhar lá fora do que cá dentro? Por que isto acontece? Às vezes, a melhor forma de explicar estas coisas é inventar palavras.
Como é que eu sei que isto não é genético? Porque os portugueses quando vão para outras geografias, têm outros ambientes, têm outros enquadramentos, têm outros líderes, mostram que são capazes de aproveitar essas oportunidades todas e são absolutamente excelentes e invariavelmente destacam-se. Aqui, aparentemente não. Eu acho que estão a ser bafados e amarfanhados. E se sairmos a amarfanhar, podem se queixar em Belém porque o gajo estou para desamarfanhar. Acabei de inventar um verbo.
Acabou. Coutinho de Figueiredo acabou de amarfanhar.
Isto é um Mia Couto da política.
Dá um bom cartaz: Desamarfanhar Portugal.
Desamarfanhe.
Desamarfanhe.
Desamarfanhar Portugal.
Nada que se compare com António José Seguro. O candidato está a jogar matraquilhos. É um Benfica-Porto.
Não! Eu vi isso. Espere, é um Benfica-Porto, mas acho que há uns bonecos também pintados de verde.
É verdade, aquilo é muito seleção nacional.
Aquilo é tudo misturado.
O que é certo é que ele está a jogar à defesa, não é?
Exatamente, com o guarda-redes e os defesas.
Pois está.
Boa! Tanta bilha vai à fonte.
Tanta bilha vai à fonte, mesmo a jogar à defesa, marcou um golo.
Lá atrás, não foi?
Lá atrás. Pronto.
Como dizia o José Maria Pedroto: "Vamos jogar ao ataque fechadinhos lá atrás".
E foi assim, isto também pode dar um lema de campanha, não é? Tanta bilha vai à fonte. Ora, para quem está muito chocado nos últimos dias com os debates televisivos, que fique claro que Miguel Prata Roque e André Ventura não inventaram nada. Sim, Pedro Santana Lopes fez aquela saída com estrondo de um estúdio de televisão, mas Rui Moreira também fez o mesmo em 2010. Ele participava no programa da RTP, o "Trio de Ataque", estava com Rui Oliveira e Sousa e António Pedro Vasconcelos e falavam, ou melhor, discutiam sobre escutas telefónicas.
A opinião pública foi favorável a que os judeus fossem queimados. E, portanto, eu acho o teu comportamento neste programa inaceitável. Não, tenho o direito de achar inaceitável e de não partilhar. Eu não participo em autos de fé. E, portanto, eu não vou participar passivamente num programa que se transforma num auto de fé.
António Pedro Vasconcelos continua a falar, a câmera nunca mostra Rui Moreira, mas percebe-se e ouve-se o incômodo.
Estás a fazer um auto de fé.
O que eu disse, e repito, é que o que é inquietante e preocupante é que a opinião pública, sente que é preciso que as coisas sejam divulgadas através de mim.
Aí vai ele. Aí vai ele saindo do estúdio.
Para que se saiba a verdade. Isto é o que se chama, não gosta de ouvir. O que é que eu posso fazer?
O assessor da câmara ouviu-se mal.
Sim, o microfone saiu da loja.
Saiu. Rui Moreira foi-se embora. No fim, é o jornalista Hugo Gilberto a contar o que se passou.
O Rui Moreira saiu do estúdio há instantes, portanto, isso é visível nas vossas imagens aí em casa.
E pronto, a RTPN acabou a dispensar Rui Moreira do cargo de comentador. Eram claramente outros tempos em que estas coisas ainda não davam audiência.
Uma saída estrondosa hoje dá muitas audiências.
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