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Sete horas. As notícias com Beatriz Félix. Bom dia, vamos às notícias na Rádio Observador e começamos com os protestos pela habitação no Porto e em Lisboa, porque esta noite ficou marcada por investidas rápidas e violentas da PSP sobre os manifestantes, em causa o incumprimento de ordem pública. As autoridades disseram que estas centenas de manifestantes poderiam pernoitar nos locais, mas sem erguer tendas. Ora, estes manifestantes em assembleias populares votaram em permanecer, mas com as tendas montadas. Por essa decisão, e após um terceiro aviso da polícia, por volta das duas da manhã, a polícia acabou por investir. A PSP dá conta de 31 cidadãos detidos por desobediência e também de 11 feridos, seis em Lisboa e cinco no Porto, sendo que destes há três polícias e oito cidadãos. Saliento também que um dos polícias foi ferido pelo cão de um dos manifestantes em Lisboa. Mas vamos começar pela cidade invicta, na Praça Dom João I. A acompanhar este cenário esteve o jornalista Miguel Pinheiro Correia.

O dia longo da acampada pela habitação no Porto começou na Praça da Batalha e terminou aqui, onde agora me encontro, na Rua do Heroísmo, junto à terceira esquadra da PSP. Mas foi na Praça Dom João I, como tem sido habitual, que se viveram os maiores momentos de tensão deste protesto, depois de uma marcha que começou, como referi, na Praça da Batalha e que se seguiu essa manifestação, essa concentração na Praça Dom João I, onde houve uma assembleia popular que, na primeira votação, poucas pessoas quereriam dormir na praça e poucas pessoas votaram a favor de dormir nas tendas na Praça Dom João I, mas depois uma nova votação, feita mais tarde, com mais pessoas a votarem a favor, deu essa conclusão ao movimento, que então decidiu dormir na praça com as tendas montadas. A partir daí, iniciou-se uma negociação com a PSP, que chegou a dizer, como conseguimos testemunhar, que poderiam dormir na praça, mas não com as tendas, e que caso mantivessem as tendas, a polícia teria que intervir. Os organizadores do movimento concordaram com a polícia, os que estavam a dialogar com a polícia concordaram e transmitiram essa decisão aos outros manifestantes, a uma grande multidão, que não concordaram e que por isso a decisão foi revertida. Acabaram por decidir manter a pernoita com tendas na Praça Dom João I. Em breves instantes, a polícia chegou em peso à praça e quando atuou, fê-lo de forma muito rápida. Começaram a atuar a partir de um dos lados da Praça Dom João I, perto da Rua Sá da Bandeira, e numa questão de menos de 10 minutos, conseguiram afastar e retirar todos os manifestantes da Praça Dom João I, esses manifestantes que depois seguiram até à Avenida dos Aliados, até que, pouco tempo depois, tiveram a confirmação de que alguns dos seis detidos pela PSP nesta intervenção estariam aqui nesta terceira esquadra da PSP, no Heroísmo, e por isso vieram por aqui e aqui se mantêm numa amostra de solidariedade pelo que aconteceu por esta tarde, noite e madrugada longa e tumultuosa na cidade do Porto.

O repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, que esteve na Praça Dom João I, onde a polícia fez uma intervenção. Entretanto, estes seis detidos no Porto, quatro homens e duas mulheres, já foram libertados. Aconteceu por volta das seis da manhã. Um deles é João Silveira, também porta-voz do movimento Acampada do Porto, que à Rádio Observador conta como tudo aconteceu.

Estávamos na praça, estávamos em cordão, fui detido nos primeiros momentos da avançada da polícia. Estávamos a resistir pacificamente, ordeiramente, como fazemos, quando fui separado do resto do grupo e colocado numa carrinha.

E depois foram levados pela polícia pra aqui, para a esquadra do Heroísmo. O que aconteceu entretanto? Do Bom Fim, o que aconteceu entretanto?

Nada, fomos simplesmente identificados e vamos ter tribunal na segunda-feira. Agora o importante é voltar a centrar na luta pra habitação, centralizar com o resto dos camaradas, chamar toda a gente hoje pra Praça às 19h, como temos feito até agora. Não é isto que nos vai parar, o que é preciso é que isso valha a pena.

Ou seja, mesmo apesar desta detenção, não têm vontade de desmobilizar, pelo menos da tua parte.

Não, não temos vontade de parar a luta, obviamente. Sabemos dos riscos que estamos envolvidos e sabemos do que podemos ou não fazer. Há várias pessoas, temos imensa gente que estaria disposta também a estar aqui.

João Silveira, o porta-voz do movimento e um dos seis detidos no Porto, entrevistado pelo jornalista do Observador, Miguel Pinheiro Correia. Em Lisboa, quem esteve a acompanhar em direto estes distúrbios foi o jornalista David Biléu. E David, a polícia agiu para além da Praça do Rossio, nas ruas da capital.

Os manifestantes pela habitação em Lisboa já se encontram completamente dispersos na Praça do Rossio. Já ocorrem os trabalhos de limpeza da praça e da estátua Dom Pedro IV. Esta intervenção policial começou às duas horas da manhã, após o terceiro aviso das forças de segurança para que os manifestantes Desmontassem as tendas que tinham aqui, que a polícia avisou os manifestantes três vezes que depois da meia-noite e meia não seria permitido as tendas continuarem montadas aqui na praça. Os manifestantes resistiram, consideram que a legalidade está do lado deles, o mesmo pode ser dito para as forças de segurança, ambos acreditam ter a lei do seu lado e, portanto, esta intervenção policial começou. As forças de segurança começaram a avançar perante os manifestantes e houve aqui situações bastante tensas de confronto entre os manifestantes e a polícia, de alguma violência, lançamento de petardos por parte das autoridades e também depois da debandada destes manifestantes que viram que não conseguiam fazer face ao avanço das autoridades e por isso começaram a deslocar-se para a Praça da Figueira, onde ainda estiveram durante alguns largos minutos e foi na Praça da Figueira onde ocorreram também os primeiros socorros a estes feridos. Os manifestantes organizaram-se novamente numa assembleia para perceber o número de desaparecidos e também o número de possíveis feridos, inclusivamente pessoas que tivessem levado alguma bastonada por parte das autoridades. Um pouco mais tarde, as autoridades decidiram também avançar na Praça da Figueira e obrigar os manifestantes a recuar. Os manifestantes recuaram e recuaram para a Rua da Madalena e depois foram em direção ao Martim Moniz, onde estiveram durante bastante pouco tempo, porque as autoridades voltaram a demonstrar a intenção de avançar e de novamente obrigar estes manifestantes a recuar. Foi aí que os manifestantes começaram mais a dispersar-se, ainda estiveram na Rua dos Cavaleiros, onde montaram uma espécie de barricada, onde puseram vários caixotes do lixo a bloquear a entrada da rua, mas a situação não durou muito tempo porque os caixotes foram repostos muito rapidamente e depois de terem subido a Rua dos Cavaleiros, a verdade é que esta manifestação se dispersou completamente. E, portanto, agora o que se vê aqui nas ruas de Lisboa é uma situação calma, uma situação que de facto não se compara ao que foi vivido aqui nas primeiras horas da madrugada.

O jornalista David Bilé, que esteve na Praça do Rossio a acompanhar esta intervenção policial e na Praça Dom Pedro IV, onde agora decorrem apenas trabalhos de limpeza. E para justificar a intervenção desta madrugada, a polícia fala numa ocupação do espaço público. Foram, em Lisboa, detidas 25 pessoas, no Porto, seis, durante os protestos pelo direito à habitação. No que toca a feridos, os números vão diferindo. Agora, pela parte da PSP, um número indicativo de 11 feridos, mas a organização da acampada avança com mais de 20. Tudo começou pouco depois da 01:00, quando a polícia ordenou a retirada das tendas. Os manifestantes formaram um cordão humano e viveram-se momentos de tensão. Os manifestantes começaram por dispersar, seguir para a Praça da Figueira, como contava o jornalista David Bilé, onde receberam também alguma assistência médica, mas a PSP fala em ocupação do espaço público de forma indevida, depois de vários avisos e negociações. Quem o confirma é Sérgio Soares, subintendente da PSP.

A PSP encetou diversas ações de diálogo, sensibilização, comunicação, mediação com os manifestantes, até de negociação, se quisermos, para tentarmos demover os mesmos relativamente à questão temporal, aos limites impostos pelo Decreto de Lei 406/74 e relativamente às estruturas de acampamento, que não estando licenciadas, não poderiam manter-se naquele local, uma vez que havia uma ocupação do espaço público de forma indevida. Apesar dessas ações da Polícia de Segurança Pública de diálogo, não houve esse acatamento por parte dos manifestantes, quer na cidade do Porto, quer na cidade de Lisboa, o que nos motivou a intervir.

Uma intervenção motivada pela ocupação do espaço público, é o que diz Sérgio Soares, subintendente da PSP, numa conferência de imprensa que foi feita esta madrugada. Alguns dos manifestantes foram levados para a esquadra de Lisboa. Como contava há pouco, no Porto, os manifestantes já foram libertados. Todos os 31 detidos desta madrugada deverão ser presentes a primeiro interrogatório já amanhã, segunda-feira, a somar aos 55 detidos que já teriam resultado de outras intervenções policiais e que deveriam ter sido ouvidos na semana passada, mas a sessão foi reagendada para esta terça-feira, dia 27 de outubro. No total, há já agora 86 pessoas detidas na sequência destes protestos pela habitação. E ainda há tempo para atualidades internacional. Vamos até ao Brasil. Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro, um deles será hoje eleito presidente do Brasil. E num país dividido ao meio, mais de 150 milhões de brasileiros são chamados às urnas para escolher entre Lula, de esquerda, e Bolsonaro, um partido de direita, após uma campanha que terminou com os dois candidatos empatados nas sondagens. Ontem foi o último dia dessas campanhas de ambos os candidatos e Lula da Silva terminou o dia de São Paulo convicto de que hoje vai conseguir o voto de confiança para continuar a ser presidente.

Todos que estão aqui amam a democracia e amam o Brasil. Por isso, eu estou convencido que amanhã de noite vocês vão ouvir a notícia de que o Lula, em nome do povo brasileiro, continuará presidindo esse país por mais quatro anos. Um abraço.

Foram as palavras do ainda presidente Lula da Silva. Já Flávio Bolsonaro encerrou a campanha em casa, com um ato na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e deixa uma mensagem de confiança.

É na minha casa, é na nossa casa, é no Rio de Janeiro. Uma salva de palma pro Rio de Janeiro. Vocês fizeram história. Eu vou ainda mais que convicto que amanhã a essa hora o Brasil já vai ter um novo presidente!

É Flávio Bolsonaro, que na primeira volta obteve 47,03% dos votos válidos, contra os 45,16% de Lula da Silva. As eleições acontecem hoje, esta segunda volta. Flávio Bolsonaro ou Lula da Silva, um deles sai presidente do Brasil. E fechamos no desporto, porque o Sporting vai receber hoje o Académico de Viseu. Rui Borges diz que a equipa já identificou os erros cometidos na última partida e diz que o jogo deste domingo vai ser muito diferente. Os Leões vêm do primeiro desaire na Liga dos Campeões, derrota por 3x2 frente ao LASK. Na antevisão do jogo frente à formação dos Viriatos, Rui Borges revela que o Sporting vai estar mais focado naquele que é o próprio plano de jogo e detalha que este desafio frente ao Académico vai ser diferente do jogo da Champions. Agora, sim, vamos escutar Rui Borges.

Dentro daquilo que foi o jogo, nós identificamos claramente o porquê das coisas, o que poderíamos ter feito melhor em termos individuais e coletivos, para que no futuro não volte a acontecer da mesma forma. Por isso, em relação ao jogo do Académico, é totalmente diferente, equipes diferentes, dinâmicas diferentes, levam-nos a ter comportamentos diferentes dentro daquilo que é a nossa ideia de jogo, e focamo-nos muito mais naquilo que temos que fazer com o Académico do que propriamente agora naquilo que fizemos com o LASK ou que temos que dar continuidade. Não, no LASK nós olhamos, percebemos e falamos naquilo que não fomos tão bons. E agora pro Académico, estamos dentro daquilo que é a estratégia, dentro daquilo que são os comportamentos que nós temos, individuais e coletivos pra equipe.

Rui Borges, o treinador do Sporting, na antevisão deste jogo contra o Académico de Viseu, diz que também ainda não vai desvendar quem vai ser o titular na baliza. Este encontro arranca às 20h30 aqui na Rádio Observador. Está preparada uma emissão especial de desporto com relato e análise para ouvir em direto. A informação fica por aqui. Este jornal, edição das 07h, está de regresso à antena à Rádio Observador às 19h30, com a síntese de notícias.