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Seja bem-vindo ao "Mundo IA". É um jornal diário sobre inteligência artificial aqui na Rádio Observador. E a partir de hoje temos uma síntese com as principais notícias que estão a marcar o mundo da inteligência artificial, sejam eles alertas, novidades ou curiosidades. Eu sou o Nelson Ferreira e o primeiro episódio tem edição do jornalista Rui Casanova. Rui, vamos começar com declarações do CEO da OpenAI, que estão a fazer manchete nos principais sites de tecnologia.
Sam Altman defende que o mundo deve aceitar as coisas más que a inteligência artificial pode trazer ao mundo, ou seja, sugere que devemos admitir algumas coisas negativas em troca dos benefícios desta tecnologia.
"We believe that the world should accept some bad things happening for the benefits of this technology and people having the agency."
As declarações de Sam Altman, em entrevista ao jornal Politico, é a resposta do CEO da OpenAI a uma pergunta sobre a possibilidade de as empresas virem a ter uma regulação mais forte em torno do desenvolvimento de inteligência artificial. Esta entrevista foi publicada pelo Politico no fim de semana, mas como dissemos, continua hoje em destaque em todos os sites especializados em tecnologia, que têm em manchete estas declarações: o mundo deve aceitar as coisas más que a IA pode trazer, sendo que em troca dos benefícios devemos aceitar essas coisas negativas.
E a humanidade pode perder o controle sobre a inteligência artificial. É um alerta que volta a ser feito por ex-funcionários de empresas de IA.
Falamos de três especialistas que foram ouvidos numa audiência no Conselho Municipal de Nova York, nos Estados Unidos, uma audiência sobre inteligência artificial. Destaque para Jacob Coxon, que já passou pela OpenAI e pela Anthropic, duas das maiores empresas do setor. Afirma que se continuarmos assim, na trajetória atual, caminhamos para a extinção da humanidade. Outro antigo funcionário da OpenAI alerta que os próprios sistemas de inteligência artificial não conseguem detectar agentes a atuar de forma autônoma, o que, diz, naturalmente, é muito perigoso. Nesta audiência, participaram também representantes da OpenAI, Anthropic, Google e Meta, que concordaram em trabalhar numa regulamentação mais forte, em conjunto com os governos. As conclusões desta audiência do Conselho Municipal de Nova York estão também em destaque em vários sites especializados, que dão destaque a notícias sobre inteligência artificial.
Rui, estão também a surgir alertas sobre o agente de IA da Meta. Chama-se Muse, tornou-se viral nas redes sociais por ter um aspecto engraçado, mas os especialistas temem que esteja a ceder informações pessoais dos utilizadores.
Os alertas começaram a surgir nos últimos dias. O avatar é uma espécie de urso sorridente, tem um aspecto amigável. Foi apresentado há cerca de duas semanas e tornou-se viral nas redes sociais precisamente pelo aspecto caricato, mas pode não ser assim tão inofensivo. Os utilizadores estão a mostrar-se preocupados com a quantidade de controle que a Meta exige para que este assistente virtual possa ser utilizado. No fundo, a Meta pede que o Muse controle tudo, desde as contas bancárias até aos nossos e-mails. O 404 Media, um jornal sobre tecnologia, fez uma reportagem sobre este tema e apurou que os próprios funcionários da Meta admitem estar preocupados. Uma fonte da empresa disse a este jornal que uma violação de dados em larga escala é inevitável. Um alerta que ganha assim ainda mais relevância, tendo em conta que é feito por quem conhece bem a tecnologia. O site Yahoo Tech resume com este título, passo a citar: "O Muse é adorável, mas quer os teus dados".
Veremos se a Meta vai tomar medidas para mudar a forma de atuação do Muse, esse urso que afinal pode não ser assim tão inofensivo. Vêm aí mais anúncios no ChatGPT. A OpenAI está a testar a introdução de mais publicidade, agora durante o momento em que o ChatGPT está a gerar imagens.
Sim, falamos daquele momento que certamente já todos enfrentamos, os segundos que demora o ChatGPT a gerar uma montagem que nós pedimos. Costumam aparecer umas reticências com a mensagem "a imagem está a ser gerada". A OpenAI quer aproveitar esse tempo para mostrar publicidade, e o modelo está a ser testado, uma vez mais, nos Estados Unidos, agora na altura em que as imagens são geradas. Falamos de publicidade, por exemplo, lojas de comida. É uma notícia em destaque no site The Next Web, sendo que há aqui uma curiosidade. Se o ChatGPT perceber que a conversa é sensível ou emocional, vai abster-se de mostrar publicidade. E a OpenAI ressalva que os anúncios não vão interferir em nada no resultado final da montagem que nós pedirmos ao ChatGPT.
Rui, falamos de testes nos Estados Unidos, mas na Europa esta publicidade até já existe.
Sim, o ChatGPT passou a integrar anúncios em 31 países europeus no final de agosto, incluindo em Portugal. A publicidade será uma forma de financiar a mega infraestrutura da OpenAI e também os grandes investimentos que são necessários ao desenvolvimento desta tecnologia.
Ponto final neste primeiro episódio de "Mundo IA" na Rádio Observador. Voltamos amanhã com mais novidades sobre a inteligência artificial.