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Mundo IA na Rádio Observador, o espaço em que damos conta das novidades sobre inteligência artificial, hoje com uma edição do Carlos Pedro. Carlos, vamos começar a olhar para um estudo da revista Lancet. As conclusões não são animadoras. O documento deixa um alerta para uma possível guerra nuclear que pode extinguir a humanidade graças também à inteligência artificial.

Neste caso, um possível uso malicioso da IA. Estes avisos não são novos. Lembremo-nos das declarações de Jacob Coxon, o antigo investigador da Anthropic, que foi mais radical e disse mesmo que a inteligência artificial poderia matar-nos a todos ao fim de uma década. São declarações de Jacob Coxon. Agora, este estudo, apresentado na Cimeira Mundial de Saúde, coloca a inteligência artificial como um dos 17 grandes riscos globais, sendo um de dois com potencial de extinção. O estudo foi apresentado em Berlim, apresenta os riscos, mas sublinha também que esse risco é baixo e decorre do possível desenvolvimento e uso de armas biológicas contra a humanidade. Os 35 especialistas que elaboraram este estudo explicam também que as ameaças, apesar de individuais, estão a todas interligadas e obrigam os governos a agir para prevenir estas ameaças globais.

Carlos, avançamos neste mundo IA com uma nova funcionalidade da Google. Agora qualquer pessoa pode enviar uma imagem suspeita para verificar a sua autenticidade, mas este é um método que não é infalível.

Exatamente, Nelson. É o chamado detector de SynthID e foi lançado ao público pela Google. O objetivo é claro, que qualquer pessoa com uma conta do Google, da Apple ou do ChatGPT possa enviar imagens, vídeos, etc., para determinar se são reais ou então gerados por inteligência artificial. Se os arquivos tiverem a tag SynthID, indica, portanto, que houve manipulação por meio de inteligência artificial. No portal CNET, o redator Jeff Carlson testa a ferramenta que foi lançada inicialmente em 2023. E o teste conclui que, apesar de algumas dúvidas, o detector já está até configurado para o conteúdo da Apple. As imagens geradas também a partir de prompts no ChatGPT foram corretamente sinalizadas como contendo conteúdo gerado por inteligência artificial. É uma ferramenta que continuará a sofrer novas atualizações.

Seguimos com possíveis alterações nos preços das redes de fast food, graças à inteligência artificial. O Big Mac, por exemplo, pode ficar mais caro.

São alterações que estão já a acontecer, nomeadamente na McDonald's, mas apenas nos Estados Unidos por agora. Os norte-americanos utilizam um sistema de inteligência artificial para definir os preços dos produtos. É uma investigação da Reuters que contactou diferentes espaços de franchise para concluir que a McDonald's está a utilizar um algoritmo de IA que analisa milhões de compras feitas nas várias lojas que existem nos Estados Unidos para chegar a um valor considerado ótimo de cada produto, isto de acordo com o local onde está a ser vendido. Para chegar a esse valor, o algoritmo também tem em conta os preços praticados nessa região pelos restaurantes adversários, como o Burger King ou outras cadeias de fast food. É assim que a inteligência artificial define a disponibilidade de pagamento dos clientes por área e dá a cada loja uma estimativa do impacto que os preços dos produtos estão a ter nas vendas. A McDonald's respondeu, entretanto, a esta reportagem da agência Reuters para lembrar que cada franchise tem autonomia de definir os preços dos produtos. A gigante cadeia de fast food desvaloriza, por isso, o impacto da IA nos preços dos produtos, que vão sofrendo alterações constantes com este novo modelo. Entretanto, economistas britânicos ouvidos pela CNBC News alertam que esta precificação divide a experiência dos utilizadores. No limite, poderá mesmo levar a que as famílias enfrentem taxas de inflação cada vez mais diferentes entre si.

E o Parlamento do Reino Unido tem hoje uma audiência urgente sobre a segurança da inteligência artificial.

As empresas OpenAI, Anthropic, Google, DeepMind e a Meta foram convocadas para este encontro na Comissão de Negócios, Inovação, Ciência e Comércio, no Parlamento britânico. As empresas vão ser questionadas sobre se os testes de segurança devem ou não ser obrigatórios. Caso haja o sim, é algo que vai obrigar estas quatro gigantes de inteligência artificial a interromper o desenvolvimento de um modelo considerado poderoso. É o que atenta o site City AM.

Estas audiências acontecem um dia depois do Reino Unido anunciar um pacote de medidas de proteção para os riscos da IA.

E entre estas medidas está a ampliação de um programa de defesa cibernética. De acordo com o governo de Andy Burnham, esse programa de defesa já ajudou a identificar e a corrigir mais de mil possíveis vulnerabilidades em sistemas governamentais. Numa altura de crescentes preocupações sobre o tema, o ministro britânico da Inteligência Artificial, Kanisha Narayan, alerta que à medida que os sistemas de IA de fronteira se tornam mais poderosos, fica cada vez mais difícil e imprevisível lidar com as consequências das falhas e do uso malicioso desta tecnologia.

Fechamos com uma recomendação para os amantes da inteligência artificial a um evento hoje em Carregal do Sal, no distrito de Viseu.

Começa precisamente hoje o AIA Camp, um debate sobre os desafios e as oportunidades da inteligência artificial na administração pública. O encontro, que decorre entre hoje e amanhã, junta representantes de municípios da administração central e regional, os especialistas e também empresas. Em causa está a análise de soluções, experiências e casos reais de utilização de inteligência artificial no setor público. O principal objetivo é transformar o conhecimento em capacidade de ação. Poderá ouvir e assistir a este debate no auditório do Centro Cultural de Carregal do Sal.

Fica por aqui mais um episódio de Mundo IA, as novidades sobre a inteligência artificial, todas as tardes aqui na Rádio Observador, sempre também em podcast. Voltamos amanhã com mais novidades do mundo da inteligência artificial.