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Mundo IA, na Rádio Observador, o espaço em que damos conta das novidades sobre inteligência artificial. Hoje com edição de Carlos Pedro. E Carlos, começamos com uma notícia em destaque no site do Observador: um engenheiro da OpenAI foi detido após esconder um gravador de áudio em sala de reuniões.

Sim, isso mesmo. Aconteceu em São Francisco, nos Estados Unidos. Abdulrahman Alfosan, cidadão saudita de 35 anos, foi detido pelas autoridades na passada sexta-feira. Alfosan era engenheiro da OpenAI desde julho do ano passado e terá sido o responsável por colocar um dispositivo de gravação, que foi depois encontrado por funcionários da empresa. O aparelho estava envolto em papel higiênico e foi inserido numa porta USB na parte de trás de uma televisão de uma sala de conferências. Ao analisar o dispositivo, a empresa determinou que este havia sido instalado dois dias antes e que o seu conteúdo estava encriptado.

E Carlos, importa perceber também como é que a empresa chegou até ao culpado.

Alfosan foi primeiro visto nas imediações da respectiva sala de conferências, através das imagens de câmaras de videovigilância. Mas, para além disso, o saudita parece que utilizou uma ferramenta de produtividade para fazer várias pesquisas sobre endereços dos edifícios da OpenAI, salas de reunião, capacidades e agendas dessas salas, bem como locais de reuniões da liderança, executivos e de parceiros externos. Foi isso que veio explicado no comunicado emitido pelo Departamento de Justiça. Basicamente, o homem utilizou a conta da mulher para enviar prompts relacionados com espionagem interna e perguntar como construir um gravador de áudio contínuo. O suspeito está agora acusado de interceptar comunicações orais. Se for condenado, está sujeito a uma pena máxima de cinco anos de prisão e uma multa de $250 mil. O homem está atualmente preso numa instalação federal e a próxima audiência está marcada para a próxima segunda-feira.

Carlos, vamos agora também falar de investigadores que vão contra a corrente. O diretor da Palantir critica o que diz ser uma psicose coletiva e ilusão social em torno dos benefícios da inteligência artificial.

Quem o diz é Shyam Sankar, diretor de tecnologia da Palantir. O responsável afirma que os pesquisadores acreditam muito que a IA será capaz de curar o câncer. Sendo assim, o que é que começaram a fazer estes especialistas, Rita? Começaram a fumar, porque acreditam que haverá cura pro câncer.

Há muitas histórias interessantes. Muitos investigadores de IA começaram a fumar como forma de mostrar a outros o quanto acreditam em inteligência artificial. A lógica é: "Acredito tanto na IA que ela vai curar o câncer. Por isso, estou a mostrar que apostei tudo nisso". Portanto, há, de fato, essa psicose coletiva e ilusão social.

É o que conta o diretor de tecnologia da Palantir na CBS News. Também Dario Amodei, CEO da Anthropic, já havia dito que a inteligência artificial encontrará curas para a maioria das doenças em cinco ou 10 anos.

Eu acho que a duplicação do tempo de vida humano não é uma loucura. E se a IA for capaz de acelerar isso, podemos consegui-lo em cinco a 10 anos.

Inteligência artificial e a saúde em debate.

E a startup norte-americana Character AI declarou falência no início desta semana.

Em comunicado, a empresa revela que iniciou o processo chamado Chapter 11, que lhe confere proteção dos credores. A Character AI diz que o processo visa facilitar uma venda que maximize o valor da totalidade ou da quase totalidade dos ativos. A mesma empresa é um dos primeiros exemplos de uma plataforma de entretenimento com inteligência artificial generativa. Criou um site em que é possível escolher diferentes opções de chatbot para conversar, que simulam conversas com personagens. Em alguns casos, é possível mesmo conversar com personagens de séries, filmes e muito mais. Na documentação apresentada ao tribunal do Delaware, que fica com este processo de venda, a empresa revela ter ativos e passivos estimados entre $50 milhões e $100 milhões, aproximadamente 45 a 89 milhões de euros. Durante este processo, a empresa quer continuar a operar, algo que inclui a manutenção da plataforma de chatbots. No entanto, admite que se o processo de venda não resultar, a plataforma Character AI será descontinuada.

E fechamos com nova recomendação para os amantes da inteligência artificial em Portugal.

No Ribatejo, em Benevente, não é para hoje, mas já pode apontar na agenda. O Centro Cultural de Samora Correia recebe no sábado, a partir das 9h00, o seminário +Lezíria, dedicado à inteligência artificial e ao desporto. É uma iniciativa organizada pela Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo. Conta com o apoio da Câmara Municipal de Benevente e pretende proporcionar um espaço de formação e reflexão sobre a relação entre as novas tecnologias e a atividade desportiva. O seminário é creditado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude e certificado pelo Educatis.

Fica por aqui mais um episódio do Mundo IA. Voltamos amanhã com mais novidades sobre o mundo da inteligência artificial.