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Mais um episódio de Mundo IA, o jornal diário da Rádio Observador sobre as novidades da inteligência artificial. Tem edição do jornalista Rui Casanova. Rui, começamos hoje com alertas sobre a versão do ChatGPT para adolescentes.

O ChatGPT para adolescentes foi anunciado pela OpenAI em agosto e é descrito pela empresa como uma experiência projetada para ajudar jovens a aprender e a pensar criticamente. A OpenAI garantiu também, na altura, que esta versão é totalmente segura para jovens entre os 13 e os 17 anos, mas um novo relatório agora conhecido vem contrariar essa tese. Os investigadores do Instituto de Segurança de IA para Jovens da ONG Common Sense Media detetaram várias falhas.

Como, por exemplo, Rui?

Por exemplo, é suposto este ChatGPT para adolescentes notificar os pais se os jovens falarem de assuntos como distúrbios alimentares, automutilação ou suicídio. Ora, os investigadores descobriram que essa notificação não está a ser feita. Os investigadores fingiram ser adolescentes com distúrbios e o ChatGPT nunca sinalizou os perigos das conversas. Foi a falha mais flagrante, isto de acordo com uma notícia em destaque no site de tecnologia Futurism, mas há outros erros. Por exemplo, o modo estudo, desenhado pelo ChatGPT para adolescentes para ajudar alunos, revela logo as respostas, ou seja, não está a ajudar os jovens a pensar de forma crítica, tal como prometeu. Com base nestas descobertas, o relatório argumenta que o ChatGPT deve ser comercializado como um produto apenas para adultos, até que a OpenAI possa comprovar que as medidas de segurança prometidas funcionam de forma segura.

E depois de agentes de inteligência artificial terem invadido vários sistemas do governo da Austrália, a OpenAI reconhece que são precisas novas regras para comunicar este tipo de incidentes.

Sim, a OpenAI admitiu no Parlamento da Austrália que apoia novas leis que obrigue as empresas a comunicar violações de dados realizadas pelos próprios agentes de inteligência artificial. Isto porque atualmente a decisão de notificar ou não as autoridades cabe apenas às próprias empresas. Esta posição surge depois de ter sido revelado recentemente que a OpenAI demorou três meses a informar o governo da Austrália de que um dos agentes de IA da empresa afetou o principal portal de saúde do país. Ora, o governo da Austrália abriu uma investigação oficial, criou uma comissão para investigar a utilização e os impactos da inteligência artificial. Perante o Parlamento da Austrália, o diretor de estratégia da OpenAI, que foi convocado para falar aos deputados, admitiu que este incidente nunca deveria ter acontecido e que a resposta da empresa não foi suficientemente boa perante os perigos deste ataque. Jason Kwon reconhece assim que é preciso criar novas regras para comunicar este tipo de incidentes. É uma notícia que também está a merecer destaque nos sites dedicados às novidades tecnológicas.

E a diretora do Fundo Monetário Internacional alerta que, neste momento, a inteligência artificial é tanto a esperança como o perigo para os líderes mundiais.

Expressão utilizada por Kristalina Georgieva, que afirma que o choque positivo desta tecnologia está a tentar contrariar o impacto negativo das guerras no Médio Oriente e na Ucrânia. Vamos ouvir.

Penso que a economia mundial tem se aguentado bem, apesar dos vários choques, e temos um novo motor de crescimento que tem impulsionado várias economias. E esse motor é a inteligência artificial.

A diretora do Fundo Monetário Internacional a destacar o impacto positivo da inteligência artificial na economia. São declarações de Kristalina Georgieva num podcast da agência Bloomberg. Surgem em antecipação às reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, que vão acontecer na próxima semana em Bangkok. A rápida chegada da IA e os preços da energia persistentemente elevados vão ser o foco central destes debates, de acordo com a diretora do FMI.

E Rui, "Pode a inteligência artificial aprender a arte da cirurgia?" É este o título de uma reportagem do New York Times.

Sim, que acompanhou uma equipa médica do Hospital de Toronto, no Canadá. O Canadá, que quer utilizar a inteligência artificial para melhorar o sistema de saúde. Ora, os médicos ouvidos pelo jornal New York Times explicam que está a ser testada uma máquina que ajuda nas intervenções cirúrgicas. Por exemplo, detecta as zonas onde é possível ou não fazer incisões com bisturi através de um sistema de cores. Esta máquina está a ser testada no Hospital Geral de Toronto. A máquina está a ser testada por cirurgiões experientes, que dizem ao New York Times que o sistema ainda precisa de alguns ajustes, mas consideram que, em breve, esta tecnologia pode mesmo ajudar nas intervenções cirúrgicas em tempo real. É uma reportagem em destaque no New York Times, com esse mesmo título, "Pode a Inteligência Artificial Aprender a Arte da Cirurgia?" Ora, o primeiro-ministro do Canadá apresentou recentemente a estratégia nacional de IA do país. Foi precisamente no Hospital Geral de Toronto. É considerado um dos melhores hospitais do mundo. O primeiro-ministro do Canadá descreve este plano como uma forma de aproveitar a tecnologia para não só melhorar as vidas, mas também salvá-las. E é precisamente o que estes cirurgiões do Hospital de Toronto estão a tentar fazer através da IA, que pode em breve ajudar em tempo real nas intervenções cirúrgicas.

E é com o impacto que a inteligência artificial pode ter na saúde que fechamos o episódio de hoje de Mundo IA. Voltamos amanhã com mais novidades deste mundo da inteligência artificial.